Águas Perigosas Treasure Of The Heart



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CAPÍTULO XIII

Logo depois de decidirem jantar juntos, Júlio e Lídia saíram da lanchonete onde haviam passado quase que a tarde toda conversando, sem perceberem.



  • É melhor irmos comprar as coisas já — disse Júlio.

  • Onde é o supermercado? E o que vamos fazer para o jantar? Ele olhou para ela, sorrindo.

  • Não é supermercado, Lídia, aqui é diferente.

Lídia gostou da entonação que ele dava a seu nome, toda vez que o dizia. Com Burt era diferente... é verdade que já dissera seu nome com voz sensual e ofegante, mas... Que coisa! Será que não conseguia esquecê-lo nem por um instante? Por que ficava comparando sempre os dois? Não havia a menor possibilidade de comparação!

Júlio e Lídia passaram por uma rua residencial, onde as casas tinham grades de ferro batido nas janelas e venezianas coloridas, jardins e quintais floridos, vasos de gerânios em quase todas as fachadas. As pessoas que passavam pela rua eram charmosas e elegantes. Ah, a primavera em Sevilha! A cidade toda parecia enfeitada para uma grande festa!



  • Nunca vou me esquecer de Sevilha! Que delícia esse cheiro de flor de laranjeira que há em toda parte!

  • Do jeito que você fala, Lídia, até parece que já está indo embora, e mal acaba de chegar! E tomara que fique bastante... para nos conhecermos melhor. Gostei de você.

  • Ah, eu ainda vou ficar por aqui um bom tempo! Tenho certeza disso, só de pensar naquele arquivo.

Os dois riram e Júlio segurou o braço dela, ao entrarem numa viela estreita, por onde não trafegavam veículos. Pouco depois chegavam ao mercado. Lídia ficou deslumbrada com o que viu e com os cheiros. Logo na entrada havia uma barraca de queijos que a deixaram com água na boca.

Pararam em uma barraca para comprar aspargos, noutra para comprar amêndoas, e em mais algumas. Depois, estiveram no açougue e na padaria. Em cada uma das barracas precisavam esperar na fila para serem atendidos e Lídia entendeu então por que Júlio dissera que era melhor fazerem logo as compras.

— Nossa! As donas-de-casa espanholas devem passar metade de suas vidas fazendo compras para cozinhar — comentou Lídia, já no caminho de volta para a pensão.

— Mas eu acho que elas não se importam com isso. Ao contrário, é uma oportunidade de encontrarem as amigas, conversarem, ficarem em dia com os mexericos. Sabe, Sevilha é uma cidade muito romântica e eu estou louco para mostrá-la a você.



  • Parece que já estou aqui há um mês!

  • Puxa, minha companhia é assim tão maçante?

  • Ah, você sabe que não foi isso que eu quis dizer! Quero muito que você me mostre a cidade!

Passaram em frente à catedral e Lídia comentou:

  • Olhe só! Dizem que essa é a segunda em grandiosidade, depois da Catedral de São Pedro, e eu ainda não a vi por dentro. Dizem que Colombo está enterrado aí.

  • Temos tempo, Lídia. Vamos ver tudo com calma. A catedral, a Torre Giralda, que faz parte da catedral e dá para o velho Pátio Mouro das Laranjas, que data do século XII.

  • Dá para se subir nessa torre?

  • Eu vou levar você até lá em cima, para ver os sinos e a magnífica vista da cidade. Vamos nos divertir muito explorando Sevilha, Lídia! Você vai até se esquecer de que veio aqui para trabalhar.

  • Não, isso não posso. Meu trabalho é muito importante.

  • Quem é seu patrão? Você não disse quem dirige a Dive Boys.

  • O nome dele é Burton Adburee.

  • O da Navegação Adburee?

  • É, o filho dele.

  • Puxa, você deve ser muito leal com seu patrão, para se dispor a vir para cá e passar o verão enfiada na sala do arquivo!

Lídia começou a explicar que sua lealdade era para com a arqueologia submarina e não para com o patrão, mas sentiu que soava falso, pois, no íntimo, sabia que Júlio estava com a razão e que havia tocado em seu ponto sensível.

Quando chegaram à pensão, a Sra. Pedraza cumprimentou-os e ficou vendo os dois subirem juntos. Lídia sentiu-se vigiada. A coruja prestava atenção em tudo!

Assim que Júlio abriu a porta do quarto, a irmã foi logo dizendo:

— Júlio! Onde você esteve até agora? Você prometeu me levar a Triana hoje à noite! — Quando viu Lídia, mudou o tom da voz. — Ah, desculpe, não sabia que você estava acompanhado.

Lídia reconheceu nela a garota que vira dando comida para os peixinhos, na véspera. Era parecida com Júlio. Tinha os mesmos cabelos ruivos, os mesmos olhos cinzentos e o sorriso amável. Era bem alta e, apesar de ter só quinze anos, tinha o corpo bem-feito e desenvolvido. Parecia mais mulher do que menina.


  • Espero não estar atrapalhando seus planos para esta noite. — Lídia sorriu.

  • Ah, não havia nada combinado — disse Júlio, com firmeza. — Só tínhamos conversado e falado vagamente em visitar a cidade velha, do outro lado do rio, onde vivem os ciganos. Cláudia, quero que conheça Lídia Cameron. Ela é da Flórida. Que mundo pequeno, não é mesmo?

Cláudia parecia prestes a chorar, mas conseguiu dar um sorriso.

  • Muito prazer em conhecê-la, Lídia. — De repente, seu rosto iluminou-se. — E se você fosse a Triana conosco? Não gostaria?

  • Hoje não, Cláudia — disse Júlio. — Um outro dia, talvez. Prometi a Lídia fazer um prato típico da cozinha espanhola. Acha que conseguiremos?

  • Deixe-me ver o que você trouxe.

Ele foi indo com as compras para a kitchenette e Cláudia foi atrás, olhar os pacotes. Lídia ficou na sala, sozinha, analisando o local. Era bem parecido com seu apartamento, com a diferença que o estofado dos móveis era alaranjado e que ali havia dois quartos, em vez de um só.

Ela foi até a sacada para deixar Júlio e Cláudia alguns momentos a sós. Dali via-se o rio. Sentiu a refrescante brisa da tarde em seu rosto e ficou ouvindo os ruídos que vinham da rua.

De repente, Lídia ouviu, vindo da sala, um som agradável de violão e castanholas. Virou-se para entrar, mas deu com Júlio, que acabava de chegar na sacada com dois copos de vinho na mão.

— A Espanha não é Espanha sem música e sem vinho. Entregou a Lídia um copo de vinho e voltou à cozinha para buscar um pratinho de amêndoas salgadas. Depois sentou-se ao lado dela. no terraço.

— Júlio, estou chateada por ter estragado o programa de Cláudia!

— Mas melhorou o meu. — Ele bebericou o vinho. — E não se preocupe com Cláudia. Ela ainda é infantil nas reações, não sabe controlar as emoções. Ou fica muito entusiasmada, ou muito deprimida. E, depois, eu já remediei a situação.



  • Como?

  • Ah, eu tenho meu jeito de agradar as mulheres! Daqui a algumas semanas será o aniversário de Cláudia. Vai fazer dezesseis anos e isso é muito importante para ela. Então prometi levá-la não só para passear em Triana, mas para jantar lá no Venta de Antequera.

  • Um lugar chique, pelo que ouvi dizer.

  • É muito sofisticado. Cláudia adora se sentir uma mulher fatal e agora vai ficar sonhando em deixar um rastro de corações partidos lá no Venta de Antequera.

  • Você realmente não entende o que é uma mulher de quinze anos! E bonita assim!

Lídia riu, mas sentiu-se solidária com Cláudia. Lembrou-se de seu aniversário de dezesseis anos. Naquela época já estava apaixonada por Ben e tentara impressioná-lo, parecendo mais velha e experiente.

Ela e Júlio ficaram conversando até acabarem o copo de vinho. Quando ele quis servir a segunda dose, ela recusou.



  • Talvez seja melhor eu ir ajudar Cláudia na cozinha. — Olhou para o relógio e viu que já passava das nove horas. — Não é justo que ela faça tudo sozinha. Pensei que nós iríamos fazer o jantar.

  • Está com fome?

  • Não vou mentir, estou, sim, morrendo de fome! Sabia que os espanhóis jantavam tarde, mas não tanto assim!

  • O horário comum é às dez horas, mas vou ver se consigo apressar Cláudia.

Júlio foi para a cozinha e Lídia foi atrás. Cláudia estava às voltas com panelas e pratos.

  • Posso ajudar em alguma coisa?

  • Pode arrumar a mesa. Os pratos estão no armário ali da esquerda.

  • Não é gentil fazer uma convidada trabalhar — protestou Júlio.

  • Foi ela que se ofereceu.

  • É verdade. — Lídia estava se sentindo culpada de fazer Cláudia perder o passeio e ainda ter de trabalhar na cozinha. — Vá trocar o disco da vitrola, Júlio, que Cláudia e eu cuidaremos do jantar.

Mas a mocinha já havia feito tudo e Lídia só precisou pôr a mesa.

— Você não está na escola, Cláudia? Quero dizer, o que você faz durante o dia, aqui?

Eu já terminei o primeiro bimestre por correspondência e Júlio contratou um tutor para mim. Todas as manhãs tenho duas horas de aula de espanhol. Mas às vezes ele me dá só uma hora.


  • E por quê?

  • Porque ele não gosta de trabalhar demais, mas eu não estou me queixando. Durante a tarde fico sozinha, para fazer o que quiser. Leio muito, passeio pela cidade e tiro fotos. Fotografia é meu hobby. Algum dia ainda vou ser fotógrafa profissional de alguma revista importante.

  • Aqui?

  • Não, na minha terra. Na Flórida. Júlio pode ficar aqui quanto tempo quiser, vivendo da herança, mas eu, assim que completar a maioridade, volto para o meu país.

Então era isso! Júlio vivia de herança! Lídia admirou a ambição de Cláudia de se tornar fotógrafa profissional.

Pouco depois, a refeição ficou pronta e os três sentaram-se à pequena mesa da kitchenette. Lídia comeu devagar, saboreando a lagosta, os aspargos amanteigados e os pãezinhos com mel. Júlio manteve a conversa animada, mas Lídia não conseguia deixar de sentir pena de Cláudia. Como ela devia se sentir sozinha ali, longe de todas as amigas de escola, longe das coisas a que estava acostumada. Devia passar muito tempo na companhia nada agradável da Sra. Pedraza.

Quando acabaram de comer, Lídia lavou a louça e ajudou a guardar as coisas. Depois Cláudia pediu licença e foi para seu quarto. Pouco depois, Lídia preparou-se para sair.


  • Foi uma noite agradável, Júlio. Aliás, foi um dia realmente maravilhoso! Até do arquivo eu gostei!

  • E quem disse que precisa acabar já? A noite ainda é criança!

  • Já são quase onze horas!

  • E daí? Não me diga que vai virar abóbora à meia-noite! Ora, vamos... fique mais um pouco. Amanhã pode dormir até mais tarde. O arquivo só abre às nove horas. Aliás, estive pensando em seu trabalho aqui, no trabalho de Burton Adburee em Key West e tenho uma sugestão para fazer.

Lídia cedeu e deixou que Júlio a reconduzisse até a sacada, onde se sentaram. Ele ofereceu mais vinho, mas ela recusou lembrando-se do efeito do champanhe que tomara naquela noite em Miami, com Burt. Fechou os olhos e, ouvindo os acordes sensuais da música espanhola, ficou pensando em Burt.

A voz de Júlio, entretanto, a trouxe de volta à realidade.

— A minha sugestão é a seguinte: já lhe disse que sou um meteorologista; pois bem, eu poderia procurar estabelecer qual foi a tempestade que fez o Santa Isabella afundar.

— Acho que seria interessante, mas de que maneira isso pode ajudar a Dive Boys?

— Descobrindo detalhes como direção e velocidade dos ventos, marés e correntezas, posso estabelecer o curso da tempestade e, com isso, calcular o local onde deve estar o casco do galeão.

Lídia inclinou-se para a frente, muito interessada.

— Isso é realmente possível?

— Creio que sim, e se com isso vou ganhar pontos na sua admiração, posso tentar fazer.

Ela recostou-se de novo no espaldar da cadeira.


  • Não posso permitir que faça isso, Júlio. Você está ocupado trabalhando em suas pesquisas e não é justo que perca seu tempo fazendo pesquisas e cálculos para um trabalho da Dive Boys.

  • Não seria pela Dive Boys que eu faria isso, Lídia. Eu faria para ganhar sua admiração.

Lídia sorriu, meio confusa com a franqueza dele. Não podia encorajá-lo a um flerte ou qualquer coisa assim, mas também não podia ser ríspida e cortar o relacionamento assim bruscamente. Afinal, ele fora tão gentil e atencioso para com ela! Precisava ter muito cuidado.

  • Se está mesmo interessado em fazer essa pesquisa, então é melhor que eu converse com o Sr. Adburee. Se ele estiver de acordo, poderá pagar-lhe por esse trabalho.

  • Não quero receber nada dele e vou ficar ofendido se você recusar minha oferta ou tentar colocá-la em bases estritamente profissionais.

  • Desculpe, Júlio, mas não posso permitir que faça isso sem a aprovação do Sr. Adburee. Afinal, conheço você há tão pouco tempo e...

  • Mas não parece que já nos conhecemos há tanto tempo? Eu sinto como se a conhecesse há tantos anos! Achei que você também estava sentindo a mesma coisa.

De fato, Lídia sentia isso também, mas não queria se envolver com Júlio do modo como ele estava pretendendo. Ficou em silêncio, pensando no que poderia dizer, até que ele falou de novo:

  • Você sabe datilografar, Lídia?

  • Sei sim, por quê?

— Então, que tal fazermos uma troca de trabalhos? Eu faço a pesquisa para você e você datilografa minhas anotações. Sou péssimo datilografo. Assim você aceita?

— É, talvez sim, Júlio. Vou pensar no assunto. — Lídia ergueu-se de novo. — Agora preciso ir embora, mesmo. Boa noite, Júlio.

Mal acabou de dizer isso e alguém bateu à porta de entrada. Júlio correu para atender e Lídia seguiu atrás. Assim que abriram a porta, viram a Sra. Pedraza. Ela estava séria e com cara de poucos amigos.


  • O que houve, Sra. Pedraza — perguntou Júlio. Ela empurrou a porta e entrou na sala.

— Senti cheiro de gás escapando. Vocês não estão sentindo? Lídia e Júlio se puseram a cheirar o ar, mas o único odor que havia era o perfume de flor de laranjeira que vinha do quintal. Lídia percebeu que aquilo tinha sido apenas uma desculpa para a Sra. Pedraza ir ver o que eles estavam fazendo e precisou conter a raiva.

— Não estou sentindo nada, Sra. Pedraza — disse Júlio, com ar de seriedade. — Acho que a senhora está se preocupando sem motivo.

Embora Lídia estivesse de saída, Júlio despediu-se da Sra. Pedraza e fechou a porta de novo, sem deixá-la sair. Esperaram até que os passos da mulher sumissem na escada e caíram na risada.

Quando enfim se despediram, Júlio beijou-a de leve na boca. Ela, entretanto, não sentiu nada de especial. Foi completamente diferente do que acontecia com Burt. Com Burt, ela se sentia perturbada só de ficar perto.



  • Obrigada por tudo, Júlio — disse afastando-se. — Fazia tempo que eu não tinha um dia tão agradável assim!

  • Não fale como se fosse a última vez! Nós acabamos de nos conhecer, estamos apenas começando!

Beijou-a de novo, com carinho, e Lídia teve vontade de encostar a cabeça no peito dele. Sentia-se tão protegida com ele! Mas, em vez disso, afastou-se.

  • Preciso ir, Júlio.

  • Vou acompanhar você até seu apartamento.

  • Não precisa.

— Não discuta, eu vou e está acabado.

Ele a pegou pela mão e conduziu-a pelo corredor. Lídia abriu a porta de seu apartamento e entrou.



  • Boa noite, Júlio.

  • Boa noite e até amanhã.

Ela esperou que ele se afastasse e fechou a porta. Em seguida, preparou-se para dormir e deitou-se logo. Estava realmente cansada, pois o dia tinha sido bastante intenso. Mas, antes de adormecer, ficou pensando em Júlio e Burt, comparando o que sentia por um e por outro, e constatou que havia mesmo uma grande diferença. Por Júlio sentia carinho, ternura. Ele tinha o poder de acalmá-la, de deixá-la à vontade e sua companhia era bastante agradável. Com Burt as coisas eram bem diferentes, não havia nada calmo. Era tudo explosivo e perturbador. Ele a deixava confusa e assustada, despertando nela emoções fortes que escapavam totalmente ao seu controle.

Júlio poderia ser um bom amigo, Burt, jamais. Só conseguia pensar nele como um homem que poderia fazê-la perder a cabeça.



CAPÍTULO XIV

Passou a primavera, começou o verão e Lídia continuava sua laboriosa pesquisa no arquivo. Todas as segundas-feiras mandava um relatório a Burt e ele não respondia nada. Júlio fez as pesquisas e os cálculos sobre a tempestade que afundara o Santa Isabella e esses dados também foram enviados para Burt.

Todas as noites Lídia datilografava as anotações de Júlio. Às vezes parecia-lhe até que estava trabalhando muito mais para ele do que ele para ela, mas, em todo caso, não dizia nada. Gostava de variar um pouco o trabalho e o fato de datilografar a distraía e preenchia suas noites.

Um dia, quando já estava desanimando e pensando em escrever a Burt, dizendo que era melhor desistir da pesquisa, encontrou um documento onde leu as palavras Santa Isabella quatro vezes. Seu coração começou a pulsar mais rápido e ela se preparou para traduzir a página com toda atenção. Depois de várias leituras, resolveu ir pedir ajuda a Júlio.

— Achei alguma coisa, Júlio. Você pode ir dar uma olhada? Não consegui entender muito bem ainda, mas parece ser o manifesto.

Imediatamente ele se ergueu e seguiu Lídia até a outra sala.

— É uma espécie de lista da carga — disse Júlio, após estudar o documento por vários minutos. — Parece um resumo, não está completa ... Está vendo, aqui diz que o galeão iria transportar quinhentos lingotes das minas de Potosí, mas não dá a numeração dos lingotes.

Lídia suspirou.



  • Então isso não vai ajudar muito, mas, mesmo assim, vou microfilmar o documento e enviar para o Sr. Burton. Pelo menos assim ele vê que estou fazendo algo por aqui. Muito obrigada, Júlio, você tem me ajudado tanto!

  • Eu faço qualquer coisa por você, Lídia, você sabe disso. — Ele falou daquele jeito costumeiro, entre sério e brincalhão, e ela, como sempre, preferiu levar na brincadeira.

Lídia tomava todo cuidado para não iludi-lo ou dar a impressão de havia algo mais do que amizade entre eles. Júlio não fazia pressões nem exigia nada dela, embora de vez em quando insinuasse querer casar-se com ela. Lídia não levava a sério, mas ultimamente havia começado a pensar no assunto. Será que ele falava de brincadeira? Gostava dele e o admirava muito, mas não sentia por ele a atração violenta que sentia por Burt. E será que um casamento não teria mais chance de dar certo, com um relacionamento assim mais calmo?

Lídia pediu para microfilmar o documento enquanto continuava sua pesquisa, mas não encontrou mais nada nesse dia. Ao anoitecer, ela e Júlio caminharam de volta para casa. Quando chegaram à pensão, a Sra. Pedraza os chamou.

— Há uma carta para a Srta. Lídia.

Ela entregou um envelope fino, que Lídia pegou, afoita. Seria carta de Burt? Será que finalmente ele resolvera escrever? Talvez fosse uma ordem para desistir da pesquisa e voltar. Talvez achasse que estava gastando dinheiro à toa! Mas a carta, afinal, não era de Burt. Lídia logo viu o nome de Margô e ficou decepcionada.



  • Carta de amigo?

  • Não, da gerente da Dive Boys.

Lídia rasgou o envelope e leu a carta sem interrupção. Ao terminar, ficou cabisbaixa e balançou a cabeça.

— Espero que não seja má notícia — disse Júlio, enquanto a Sra. Pedraza não desviava o olhar do rosto dela.

Lídia começou a caminhar em direção ao quintal e chamou Júlio.

— Vamos sentar lá fora um pouco?

Lá fora, longe dos olhos inquiridores da Sra. Pedraza, sentaram-se no banco de pedra, perto da fonte onde haviam se encontrado pela primeira vez.

— Ouça isto — disse Lídia, desdobrando a carta de novo e lendo em voz alta:

— Querida Lídia,

"Estamos bastante decepcionados por você ter encontrado tão poucas informações úteis. Por aqui, a notícia do momento é que a Galleons Unlimited resgatou um lingote de prata que dizem ser do Santa Isabella, naturalmente. Soubemos que eles dizem haver um número de série no lingote e resta apenas saber se corresponde ao que está no manifesto do Santa Isabella.

"É claro que eles estão afirmando que corresponde, mas Burt insiste em que a questão seja submetida à apreciação de uma autoridade no assunto, algum catedrático da universidade. Talvez o próprio professor Hoskin, com que você trabalhou.

"A história toda causou um bocado de agitação por aqui, mas ainda resta uma esperança para a Dive Boys. Apresse a sua pesquisa e veja se descobre o manifesto, Lídia. Você precisa encontrar pelo menos o registro do número do canhão!

Cordialmente, Margô".

— Ah, Júlio! O que eu vou fazer, agora? Se a Galleons Unlimited conseguir os direitos legais sobre o resgate do Santa Isabella, então quer dizer que eu realmente falhei! Vou ficar sem emprego e...

Júlio colocou o braço em torno dos ombros dela e tentou confortá-la.


  • Acalme-se e vamos pensar de cabeça fria. Você tem feito tudo o que pode. Esse seu patrão deve saber que a leitura de documentos desse arquivo é uma coisa demorada, mesmo!

  • Ele sabe. Mas ninguém entende de verdade, enquanto não olha como são esses documentos!

  • Essa Margô é sua amiga?

Lídia titubeou, procurando a verdade.

  • Ela é só companheira de trabalho.

  • E o emprego dela também está em risco?

  • Acho que sim. Se a Galleons Unlimited ficar com os direitos de resgate, o Sr. Burton vai parar a expedição.

  • Esse Sr. Burton nunca escreve pessoalmente para você?

  • Não.

  • Então, acho que essa idéia de apressar você é obra dela, para defender os próprios interesses.

  • Acho que você tem razão, Júlio. Amanhã vou lá naquele arquivo e...

  • Você está precisando é de descansar. Está esgotada de tanto trabalhar, isso sim. Amanhã vou levá-la a passear.

Apesar dos protestos de Lídia, ele continuou a insistir na idéia e a fazer planos. Quando afinal entraram, estava combinado que no dia seguinte acordariam mais tarde, não iriam trabalhar e depois do almoço sairiam para passear.

Depois que Júlio a deixou em casa, Lídia amassou a carta de Margô e jogou fora. Comeu alguma coisa leve, tomou um banho demorado e deitou-se.

Ha manhã seguinte, Lídia acordou bem mais tarde que de costume. Após tomar café, deu uma olhada no guia turístico local, selecionando alguns passeios. Júlio foi buscá-la na hora combinada e ela viu que ele havia alugado uma charrete. Começaram a dia com um tranqüilo passeio pela margem do rio, depois cruzaram a Ponte de San Teimo e Júlio apontou a Torre de Ouro, na outra margem. O sol batia na majestosa torre, fazendo-a brilhar.

— Os oficiais mouros, antigamente, bloqueavam o rio neste ponto, com uma corda, para cobrar taxa dos barcos que passavam.

— Gostaria de ver a catedral também hoje.

— Ah, lá nós podemos ir a qualquer hora. Passamos por ela todos os dias.

— Mas com isso a gente nunca arranja tempo para visitá-la. De manhã estamos sempre com pressa de chegar ao arquivo e de noite estamos cansados demais, loucos para chegar em casa!

Mas Júlio não mudou de caminho. Continuou por onde ia e mostrou a ela o local que ficou famoso na ópera Carmen. Depois foram até a casa que se dizia ter pertencido ao barbeiro de Sevilha e em seguida percorreram os caminhos de Dom Quixote. Lídia, entretanto, continuava insistindo em ver a catedral.



  • Ah, Júlio, eu queria tanto subir ao topo da Torre Giralda!

  • Eu detesto subir escadas!

E eles acabaram não indo à catedral nem visitando a torre. Júlio levou-a ao Museu de Belas Artes, que ficava num velho convento com paredes cobertas de videiras.

— Você vai ver os melhores quadros de Murillo!

Lídia acompanhou Júlio, resignada. Quando afinal se cansaram de passear, foram jantar no apartamento dele. À meia-noite, ao chegar em casa, Lídia estava realmente exausta. Tinha gostado daquela quebra na rotina de trabalho, mas no fundo sentia-se culpada por não ter trabalhado.

No dia seguinte, Lídia estava descansada e pronta para recomeçar o trabalho. Entrou na sala de consultas do arquivo sentindo-se renovada e entusiasmada. A tarde já estava quase no fim quando ela fez a descoberta. Traduziu a primeira página, depois releu com cuidado, conferindo para ter a certeza de que não cometera nenhum erro. Em seguida, foi correndo contar a novidade a Júlio. Entrou na sala em que ele estava, tão eufórica que esqueceu a norma do silêncio e foi repreendida pelo funcionário. Desculpou-se, meio sem jeito, e, procurando se controlar, falou para Júlio:



  • O registro! Eu encontrei o registro!

  • Vamos até lá, então. Quero que me mostre!

Júlio examinou a página que Lídia mostrou a ele e depois sorriu.

  • Você está certa! É ele mesmo, e completo! Todo esse pacote.

  • O pacote todo?! — admirou-se Lídia. Mas logo lembrou-se de que lera no jornal que o manifesto continha novecentas páginas.

  • Esses galeões levavam muita carga!

Lídia estava eufórica com a descoberta, mas ao mesmo tempo desanimada com o volume do documento. Examinou de novo as páginas. Algumas pareciam escritas em árabe, outras em letras góticas, e não demorou muito para que percebesse um detalhe importante.

  • Júlio! Dê só uma olhada nisso! Os números não estão escritos em algarismos! E eu que pensei que fosse ser fácil conferir o número do canhão!

  • Não se apavore. A primeira coisa a fazer é mandar microfilmar isso. Depois poderá traduzir devagar.

  • Vou levar uma década para traduzir isso tudo! — Lídia suspirou fundo, sentindo-se incapaz de realizar tal tarefa.

  • Você pode contratar tradutores. Se o seu patrão está com tanta pressa desse material, ele não vai se incomodar de gastar dinheiro com tradutores, não é?

  • Preciso escrever a ele e perguntar. Não, espere aí. Ele pediu-me que telefonasse, se encontrasse algo importante.

Lídia imediatamente começou a tremer, só de pensar em falar com Burt. Há tanto tempo não o via; nem sequer recebera um cartão dele!

Júlio deu uma olhada no relógio.

— Já está quase na hora de fechar. É melhor mandar microfilmar o documento e deixar o telefonema para amanhã. Hoje à noite quero sair com você. Afinal precisamos comemorar, não é? Vou levá-la a um lugar especial.

O entusiasmo dele era contagiante. Durante todo esse tempo em que convivera com Júlio, Lídia percebera que para ele qualquer coisa era pretexto para comemorações. Às vezes até chegava a pensar que, se não fosse pelo trabalho dela no arquivo, Júlio não ficaria lá trabalhando em sua tese. Contudo, a descoberta do manifesto era realmente um motivo importante e que merecia comemoração, por isso ela concordou.



  • E onde é que vamos comemorar?

  • Conheço um lugar pitoresco que tem danças típicas. Podemos jantar lá e assistir ao espetáculo. Nós vamos comemorar pra valer!

  • Mal posso esperar a hora!

Lídia tomou as providências para a microfilmagem e depois os dois foram embora do arquivo. Já em seu apartamento, ela se arrumou com todo esmero para sair com Júlio. Enquanto se preparava, não

pôde deixar de pensar que teriam duas comemorações em seguida, pois no outro dia seria o aniversário de Cláudia e ela há vários dias não falava em outra coisa que não fosse o jantar em Venta de Antequera.

Depois de analisar seu guarda-roupa, Lídia concluiu que era melhor usar um vestido justo de tecido sedoso e cor clara que lhe assentava bem, revelando suas formas bem-feitas e realçando os olhos e os cabelos. O decote em "V" era realmente sedutor. Ela colocou os brincos de pérola, a pulseira e o colar. Depois escolheu as sandálias de salto mais alto que tinha, que deixavam suas pernas lindíssimas, olhou-se no espelho e aprovou a arrumação.

Como ficou pronta antes da hora, aproveitou para embrulhar para presente o livro sobre fotografia que mandara vir de Nova York para dar a Cláudia. Quando Júlio bateu à sua porta, ela passou o perfume, que era o toque final, e foi recebê-lo.



  • Nossa, você está divina! — disse Júlio, dando um beijinho leve no rosto dela.

  • E você está lindo! — Sorriu para ele com sinceridade.

Júlio estava mesmo muito elegante, com um terno bem-feito, que realçava sua figura esguia, e exalava um perfume gostoso de limão.

Foram de táxi até a Venda dei Oro e Lídia adorou o lugar de imediato. Desceram por uma escada de pedra até a sala de refeições, onde as mesas eram montadas sobre velhos barris com tampo de carvalho. Em cada uma delas havia um candelabro aceso. Num canto, um violinista tocava músicas suaves, que se misturavam ao murmúrio de vozes abafadas.

O garçom trouxe vinho, deixou o cardápio para que escolhessem os pratos e afastou-se em silêncio.


  • O que você gostaria de comer, Lídia? Ouvi dizer que a especialidade da casa são os camarões.

  • Hum, parece uma ótima escolha.

Júlio fez o pedido ao garçom e depois ficou analisando o ambiente.

  • Eu adoro tetos com vigas. Quando tiver a minha casa, vou querer que seja assim. Isso torna o ambiente aconchegante e informal, não acha, Lídia?

  • Acho, sim.

  • Nós concordamos em tantas coisas! Já percebeu isso? — Júlio olhou-a bem nos olhos. — Acho que nós dois combinamos muito bem.

Lídia evitou o olhar dele e mudou de assunto.

— Você acha que essas colunas são romanas?

— Pode ser... Gosto do jeito delas, ficam bem nesta sala rústica.

O vinho, a comida e a atmosfera do lugar deixaram Lídia receptiva para apreciar os dançarinos flamencos, pouco mais tarde, na hora do espetáculo. Os músicos e dançarinos se apresentaram num tablado no centro da sala, em redor do qual ficavam as mesas. Assim que tocaram os primeiros acordes, fez-se silêncio total.

Eram cinco: três homens que tocavam violão, cantavam e dançavam e duas moças que tocavam castanholas e dançavam. Eles usavam calças justas, pretas, camisas brancas com babados e faixas vermelhas na cintura; elas usavam corpetes brancos, justos e decotados, com saias pretas de babados que aumentavam os quadris. Nos cabelos negros e soltos, rosas vermelhas enfeitando. Com os saltos dos sapatos e com as castanholas, elas marcavam o ritmo da canção que Júlio dissera chamar-se Petenera.

Lídia estava boquiaberta e assistia com a máxima atenção, sem perder um só detalhe, deixando-se invadir pela sensualidade e romantismo que as músicas sugeriam.

Quando o espetáculo terminou, o público irrompeu em aplausos entusiásticos.


  • Olé!

  • Bravo!

  • Bravíssimo!

A última exclamação partiu de Júlio, que estava aplaudindo em pé. Mas os artistas voltaram ao tablado apenas para agradecer e cumprimentar e sumiram de novo.

  • Ah, Júlio, foi maravilhoso! Nunca vou me esquecer desta noite!

  • Você promete?

  • Prometo solenemente.

Pouco depois, saíram do restaurante e tomaram um táxi de volta para a pensão.

— Vamos até meu apartamento, Lídia. Descobri um vinho novo e queria que você experimentasse.

— Está bem, mas só por alguns minutos e só um golinho, viu?

Júlio deu o braço para ela e subiram assim até o terceiro andar, mas quando chegaram diante do apartamento dele ouviram o som de rock tocando na vitrola.

— Ah, essa não! — Júlio bateu a mão na testa. — Esqueci completamente que Cláudia tinha visitas hoje.


  • Vamos descer ao meu apartamento, então? Também há uma garrafa de vinho lá. Você aceita?

  • Mas é claro, com todo prazer! Pensei que você nunca me convidaria.

No apartamento de Lídia, Júlio sentou-se à mesa da kitchenette enquanto ela servia a bebida. Depois levaram os copos para a sacada e ficaram bebericando, sentados ao luar.

— Foi uma comemoração maravilhosa, Júlio, mas pode ser o começo do fim. Agora que eu encontrei o manifesto, o Sr. Burton vai querer que eu volte.

— Nem pense na Flórida, Lídia! Você pode levar meses traduzindo essa papelada toda!

— Lembre-se de que há pressa.

— Eu queria esquecer isso... detesto pensar que você vai embora, Lídia.

— Eu gostei de Sevilha, muito mais do que imaginava! Foi ótimo ter encontrado você, Júlio.



  • Já pensou em ficar e construir seu lar por aqui? Eu adoraria, você sabe.

  • Não. Meu lar é na Flórida. Eu devo voltar assim que terminar meu trabalho.

  • Não vamos estragar a noite falando de coisas desagradáveis — disse Júlio. Fez uma pausa para beber outro gole de vinho e continuou: — Lídia, amanhã eu gostaria de levar você a um concerto. Manuel Rodriguez vai cantar várias das óperas italianas que têm cenário espanhol. Ele é fantástico!

  • Mas, Júlio! Amanhã é o aniversário de Cláudia e você prometeu levá-la para jantar. Você esqueceu?

  • Não, não esqueci. Mas acontece que Rodriguez vai ficar em Sevilha só essa noite. Eu não quero perdê-lo e não quero que você perca. Nós levaremos Cláudia. Depois poderemos trazê-la para casa e então...

  • Nada feito. — Lídia começou a sentir uma irritação crescente. Será que Júlio não entendia o que era o aniversário de dezesseis anos para uma garota? — Amanhã é uma data muito importante para Cláudia. Eu a ajudei a escolher um vestido novo e ela...

  • Não me interessa o vestido novo de Cláudia. Só me interessa ouvir você dizer que vai ao concerto comigo! — Júlio engoliu o resto do vinho. — E não aceito resposta negativa!

  • Mas vai ter que aceitar, sinto muito. Amanhã você vai levar Cláudia para jantar no restaurante que ela escolheu.

Por instantes Júlio ficou olhando para ela de olhos arregalados. Era a primeira vez que ela o contrariava e nunca tinha havido uma discussão entre eles. Mas nessa noite ele estava diferente. Tinha um ar decidido e firme quando largou o copo, caminhou até ela e carregou-a da cadeira.

— Júlio! Ponha-me no chão!

Lídia sentiu o hálito dele e só então lembrou que ele bebera vinho durante todo o tempo do jantar e do espetáculo.

— Só quando eu quiser e onde eu quiser.

Júlio levou-a até a sala e colocou-a deitada no sofá, sentando-se ao lado dela. Ela tentou erguer-se, mas ele obrigou-a a deitar-se de novo,

— Não me rejeite, Lídia. Já esperei demais por este momento. Um homem não agüenta viver só de beijinhos leves, mãozinhas dadas e passeios ao luar! Francamente, eu tenho sido muito paciente!

Lídia empurrou-o com toda a força, mas ele agarrou-lhe os pulsos com uma só mão e imobilizou-a. Depois a encarou, sorrindo.


  • Acho que as mulheres gostam mesmo é de serem dominadas assim, não é?

  • É claro que não, Júlio!

Lídia não sabia mais se estava com raiva ou medo. Aquela era uma faceta de Júlio que ela nunca vira antes, que nem mesmo imaginara que existisse. Debateu-se mais, tentando libertar-se dele.

— Largue-me, Júlio! Estou lhe dizendo para me largar agora mesmo!

Mas ele não ouviu os protestos e se apossou dos lábios dela. Lídia resolveu retribuir o beijo, para ver se Júlio a soltava. Mas, embora tivesse sido um beijo sem paixão, ele ficou mais excitado e quis beijá-la de novo, dessa vez com mais furor. Lídia virou o rosto de lado, para evitá-lo.

— Você me manteve à distância durante o verão todo, Lídia. Você sabe que eu quero casar com você! Vou construir uma casa no campo para nós e faremos da Espanha o nosso lar.

Lídia ficou furiosa e, num ímpeto de raiva, livrou-se dele e saltou fora do sofá. Com grande esforço conseguiu controlar a voz.

— Júlio, saia daqui imediatamente! Vou contar até dez. Se não sair, saio eu!

O tom de voz, mais do que as palavras dela, fez com que ele caísse em si. Por um momento ficou olhando para ela, como se estivesse se sentindo perdido, depois ergueu-se.


  • Desculpe-me, Lídia, sinto muito... sinto muito que isso tenha acontecido. Eu amo você, Lídia... quero você e respeito-a, mas. .

  • Chega, Júlio. Não precisa dizer mais nada. Eu entendo, mas agora vá embora, por favor.

Lídia ajeitou o vestido e os cabelos e decidiu que ela e Júlio precisavam ter uma longa conversa no dia seguinte, quando ambos estivessem calmos e de cabeça fria. Ela foi até a porta, mas, antes que a abrisse, alguém bateu.

Deve ser a Sra. Pedraza!, Lídia pensou, enchendo-se de irritação e raiva. Como é que um dia que começou tão bem, pode terminar assim tão mal?

Num ímpeto brusco, ela escancarou a porta, pronta para enfrentar a discussão com a proprietária, e ficou paralisada, sem conseguir nem piscar.

—Burt! É você!





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