Guerra fria ou guerra ideológica? Os estados unidos e o início da guerra fria (1945-49)



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HISTÓRIA

Profª Isabel Cristina Simonato



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GUERRA FRIA OU GUERRA IDEOLÓGICA?

OS ESTADOS UNIDOS E O INÍCIO DA GUERRA FRIA (1945-49)
A história dos últimos 50 anos do nosso século foi inteiramente condicionada pelos resultados da 2ª Guerra Mundial, quando em 1945, depois de seis anos batalhas em quase todos os continentes da terra, a Grande Aliança (EUA, GB. e URSS) conseguiu vencer o Eixo (a Alemanha nazista, a Itália fascista e o Japão do micado).

No final, depois de ter-se dissipado a fumaça e em meios aos escombros que cobriam 50 milhões de mortos, restaram apenas duas potências, logo chamadas, com toda a razão, de superpotências: os Estados Unidos da América e a União Soviética.

Fraudando as expectativas dos que esperavam um pós-guerra de harmonia e colaboração entre os vitoriosos, baseado nas "quatro polícias" de Roosevelt (os EUA, a URSS, a Grã-Bretanha e a China), o que se viu foi o contrário. Mal encerrado o tiroteio, os dois gigantes passaram a se desentender. Obviamente colocaram, um no outro, a culpa por ter deflagrado a Guerra Fria. Para os soviéticos, os americanos - especialmente depois da explosão das Bombas Atômicas sobre o Japão -, agiam como donos do mundo. Para os ianques, ao contrário, eram os soviéticos quem desejavam impor sua ideologia comunista ao restante do planeta.

Não chegando a acordo nenhum, trataram de armar-se, lançando-se na mais perigosa e custosa corrida armamentista de todos os tempos. Uma organização calculou os gastos da Guerra Fria em U$ 17 trilhões de dólares! Ambos os lados, por sua vez, arregimentaram, em tratados ou protocolos, o maior número de povos e países para a sua causa.

O mundo dividiu-se em dois campos antagônicos, separados por uma sinuosa linha vertical que ia de um pólo ao outro, como se desenhasse sobre o atlas um enorme Tratado de Tordesilhas ideológico. De um lado dessa linha, na sua parte Ocidental segundo a visão americana, ficava o "Mundo Livre", os Estados Unidos e os seus aliados. Do outro, atrás da "Cortina de Ferro", alinhavam-se a URSS e seus satélites, esmagados pela tirania comunista. Dispensável dizer que para os soviéticos era exatamente o contrário. Para Zdánov, por exemplo, o ideólogo e segundo homem do regime comunista, tratava-se da existência de "dois mundos", opostos entre si. Um deles em mãos do "bando imperialista e antidemocrático", liderado pelos americanos, e o outro composto pelas "forças antiimperialistas e antifascistas", lideradas pelos soviéticos.

Ambos consideravam-se regimes inconciliáveis. Capitalismo e Comunismo, Democracia e Totalitarismo, apenas aguardavam o momento oportuno para desencadear a 3ª Guerra Mundial que, dado o potencial atômico que dispunham seria a guerra final. Esta idéia do equilíbrio de forças entre as superpotências, no entanto, não correspondia à realidade. O potencial americano, excetuando-se na capacidade de mútua destruição, sempre foi várias vezes superior ao dos soviéticos.



O PODER DOS ESTADOS UNIDOS
Poucas nações tiveram na História o feliz destino dos Estados Unidos da América. Apesar de envolverem-se em duas guerras mundiais, a de 1914-18 e a de 1939-45, os americanos, por estarem bem afastados dos frontes, protegidos por dois imensos Oceanos, o Pacífico e o Atlântico, pouco sofreram diretamente com as conseqüências delas. Se perderam, entre 1941-45, 300 mil homens, praticamente não contabilizaram vitimas civis. Nova Iorque, Chicago, Detroit, e demais centros industriais, não sofreram um só ataque aéreo, nem seus campos tiveram que suspender as colheitas ou abater o gado às pressas em razão de ataques ou invasões. Ao contrário.

As fábricas americanas, sem medo de se verem destruídas, produziram quantidades fantásticas de material bélico, permitindo suprir todas as necessidades das forças armadas nos frontes de batalha. 17 milhões de homens e mulheres foram convocados para todo o tipo de serviço de guerra, terminando definitivamente com a Grande Depressão que atormentara o país nos anos trinta.

Conscientes que o mundo do pós-guerra giraria ao redor dos seus interesses, os Estados Unidos preocuparam-se em criar as novas bases da Ordem Mundial do pós-guerra. Convocaram para tanto, bem antes que a guerra acabasse, entre 1º e 22 de julho de 1944, em Bretton Woods, perto de Nova Iorque, uma conferencia para determinar quais seriam as diretrizes econômicas futuras. Acertou-se lá, na presença de 44 delegados de diversos países, inclusive a URSS, que seria criado um Fundo Monetário Internacional (International Monetary Found) para regular as relações financeiras entre as nações e um Banco para a Reconstrução Mundial (International Bank for Reconstruction and Development), responsável pela recuperação das economias combalidas pela guerra. Acatou-se que o sistema funcionaria com o dólar sendo lastreado pelo ouro. Como os Estados Unidos possuíam a maior reserva aurífera do mundo (acredita-se que perfazia 60% do total) e a sua moeda - o dólar - era a única aceita e conversível por todos os demais, isto fez com que sua liderança fosse quase incontestável no após-guerra.

Terminada a guerra contra a Alemanha nazista em maio, e contra o Japão em agosto de 1945, num mundo exaurido e arruinado, os Estados Unidos estavam intocados. Tinham naquele momento, apesar de perfazerem menos de 6% da população mundial, o controle sobre 50% da produção industrial existente (entre 1938 a 1947, o índice da produção cresceu em 63%); quase todas as reservas de ouro do mundo (elas pularam de 14.592 milhões para 22.868 milhões em dez anos); as cidades e a população civil intocadas; suas forças espalhadas pelo mundo inteiro; e, como arremate, nesta incrível concentração de poder, eram a única das nações em posse de um arsenal nuclear. Nunca, enfatize-se, um só país na História arrematara, simultaneamente, o poder militar, o econômico, o financeiro e o atômico.




A CONTENÇÃO DO COMUNISMO
Dois acontecimentos internos, quase simultâneos, criaram as pré-condições para que os Estados Unidos se lançassem na Guerra Fria. O primeiro foi a morte do Presidente Franklin Delano Roosevelt, em maio de 1945 e, em seguida, em 1946, a eleição de um Congresso predominantemente republicano (partido conservador). Roosevelt acreditava num mundo do após-guerra controlado pelos Estados Unidos da América, em comum acordo com a URSS (o que Stalin denominou de “coexistência pacífica”). Sua morte fez com que seu sucessor Harry Truman, consciente do poder nuclear, abandonasse esta posição, aderindo à tese de Kennan do “enfrentamento com o comunismo”.

A eleição de um congresso de maioria republicana, estreitamente ligados à indústria de armamento e às atividades anticomunistas, revelou igualmente uma mudança da opinião pública americana. Manifestando-se, simultaneamente, contra as reformas sociais da política do New Deal e contra acordos com os comunistas. Eles, “os vermelhos”, deveriam ser combatidos em todas as frentes. A ascensão de Truman e o congresso republicano, tornaram o clima tenso com a URSS, um “clima frio”. Passado o perigo nazista, os americanos receavam os comunistas. O elemento desencadeador da mobilização anticomunista deu-se a partir do célebre discurso de Winston Churchill, feito em Fulton, no Missouri, em 5 de março em 1946, quando o ex-primeiro ministro britânico denunciou o Comunismo Soviético por estender uma “Cortina de Ferro”(Iron Curtein), sobre a sua área ocupada na Europa, conclamando os poderes anglo-saxões, a Grã-Bretanha e os Estados Unidos, a enfrentarem-na.

Com essa inversão, essa completa mudança de postura, de aliados da URSS para seus adversários, os Estados Unidos obrigaram-se a elaborar uma nova doutrina: a Doutrina da Segurança Nacional. Segundo ela um tipo singular de enfrentamento mortal desenhava-se no horizonte; simultaneamente estratégico e ideológico. Os Estados Unidos tinham agora seus interesses e suas bases militares espalhadas por todos os continentes: eram uma potência global, não estando mais confinados aos seus limites continentais primeiros. O seu único rival era o movimento comunista que tinha sede em Moscou, e manifestava ambições expansionistas. O marxismo, para os estrategistas do Pentágono, nada mais era do que o pretexto para o seu domínio do russo do mundo.

Havia dois frontes, portanto. Um estratégico-militar, que seria coberto por tratados específicos, e outro ideológico, que mobilizaria a opinião pública e o serviço de contra-espionagem a CIA - Central Inteligente Agency - foi criada em 1947), para o combate ao “perigo vermelho”.

A decisão do caminho a ser seguido em relação à URSS foi traçado por George Kennan, um alto funcionário americano, que defendeu a “contenção” contra o comunismo. Os soviéticos somente seriam detidos por meio de uma enérgica política de enfrentamento, de jogo duro. Esta política contribuiu para que os Estados Unidos reativassem a sua indústria bélica para atender as necessidades da Guerra Fria. A íntima relação da política militar com as fábricas de artefatos bélicos, levou a que, mais tarde, o Presidente Dwight Eisenhower a denominasse de “complexo militar-industrial”.

Extraído do site: www.terra.com.br/voltaire


Blog: belsimonato.wordpress.com

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