Guião do Aluno



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11º Ano – Biologia e Geologia

Saída de Campo



Rochas ígneas da região de Leiria


Guião do Aluno

Fernando João Fernandes Oliveira Martins



Agrupamento de Escolas Dr. Correia Mateus
Maria Adelaide Almeida Dias Martins

Maria Cândida Machado Marques



Escola Secundária Francisco Rodrigues Lobo
A Lenda do Lis e do Lena
                Nasceu o rio Lis junto a uma serra

                No mesmo dia que nasceu o Lena;

                Mas com muita Paixão, com muita Pena

                De seu berço não ser na mesma Terra.

 

                Andando, andando alegres, murmurantes,



                Na mesma direcção ambos corriam;

                Neles bebendo, as aves chilreantes

                Cantavam esse amor que ambos sentiam

 

                Um dia já espigados, já crescidos



                Contrataram casar, de amor perdidos

                Num Domingo, em Leiria de mansinho...

 

                Mas Lena, assim a modo envergonhada



                Do povo, foi casar toda enfeitada

                Com o Lis mais abaixo um bocadinho.

 

                                                                            Marques da Cruz - 1888-1958




Saída de campo

Ao longo do percurso que vais efectuar, poderás observar vários aspectos relacionados com magmatismo, nomeadamente aspectos geomorfológicos e geológicos, que, interligados com outros aspectos da geologia da região, nos proporcionam uma história interessantíssima.

Assim, o que te propomos é um novo olhar sobre a nossa região, que não conheces tão bem como poderás pensar… desde as rochas do Castelo de Leiria, até as espantosas rochas da Nazaré, Alqueidão da Serra e Portela de Teira!

Ao longo do percurso deves ter em atenção:



  • Aspectos relacionados com a tua segurança e a dos teus colegas.

  • O património é de todos e devemos assegurar a sua preservação.

  • A recolha de material só deve ser efectuada quando estritamente necessária, e nunca deve pôr em causa as potencialidades do afloramento.

  • Apanhar de preferência as amostras já caídas no chão, não destruir inutilmente o afloramento com o martelo e optar pela fotografia ou desenho.



1. Objectivos





  • Promover o interesse pelo estudo das Ciências da Terra

  • Conhecer alguns aspectos da geologia da região de Leiria

  • Implementar o contacto directo com a geologia de campo

  • Observar vários tipos de rochas magmáticas da região

  • Compreender o modo como se alteram as rochas magmáticas

  • Aplicar os conhecimentos adquiridos no âmbito da Geologia

  • Valorizar o papel do trabalho de campo no estudo da Geologia

  • Familiarizar os alunos com os métodos de trabalho dos geólogos

  • Desenvolver atitudes de valorização do património geológico

  • Sensibilizar os alunos para a necessidade de preservação, valorização e utilização dos recursos geológicos como recursos não renováveis

  • Analisar situações relacionadas com aspectos de ordenamento do território e de risco geológico

  • Melhorar as relações interpessoais entre os participantes



2. Material





  • Martelos de geólogo

  • Lupas de campo de geólogo

  • Bússolas de geólogo

  • Cadernetas de campo

  • Material de escrita (fita-cola, marcadores, canetas, lápis, afia e borracha)

  • Magneto e recipiente para recolha de solo

  • Cartas geológicas 23-C, 26-B, 26-D e 27-A

  • Notícias explicativas das cartas geológicas 23-C, 26-B, 26-D e 27-A

  • Cartas militares: 297 – Leiria, 306B – Nazaré, 307 – Valado dos Frades (Nazaré), 308 – Porto de Mós e 327 – Turquel (Alcobaça)

  • Ampliações das cartas geológicas e mapas militares das zonas visitadas

  • Máquina fotográfica

  • GPS

  • Sacos de recolha de amostras

  • Calçado e vestuário apropriado


3. Itinerário



Percurso

08.30: percurso pedestre em Leiria (rochas próximas da Escola e Morro do Castelo);

12.00: partida de autocarro para a Nazaré;

12.30: chegada ao Monte de S. Bartolomeu (almoço e visita);

14.30: partida para Portela de Teira (Rio Maior);

15.00: chegada a Portela de Teira (percurso pedestre e visita à disjunção prismática);

16.00: partida para Alqueidão da Serra;

16.30: chegada a Alqueidão da Serra (merenda e visita a afloramento com disjunção esferoidal);

18.30: chegada à Escola.


4. Introdução

A formação do Oceano Atlântico norte, com as suas diversas fases de rifting, tem associada intensa actividade ígnea, em três fases. A segunda fase, no início do Cretácico inferior, de natureza alcalina, transicional, com idades entre 130-140M.a., é representada por numerosos afloramentos, situados entre Óbidos e Soure, alguns dos quais iremos hoje ver, e está associada ao regime distensivo que entre e Jurássico Médio e início do Cretácico afectou a Margem Ocidental Ibérica onde se instalou a Bacia Lusitaniana.


“A actividade ígnea de natureza transicional que ocorre na Bacia é representada por afloramentos intrusivos na forma de domas e filões que se distribuem ao longo dos alinhamentos oriental e ocidental que a limitam e ainda pelos associados às estruturas diapíricas. Assim:

- no bordo oriental da Bacia as rochas são doleríticas, constituídas por olivina, plagioclase, clinopiroxena augítica, óxidos e sem alteração hidrotermal. São exemplo os afloramentos de Freiria, Portela de Teira, Serra de Todo-o-Mundo, Roliça, Gaeiras, Codiceira e Vermoil;

- no bordo ocidental e associadas aos diapiros as rochas são gabro-dioríticas constituídas por plagioclase, clinopiroxena, também augítica, anfíbola, biotite, óxidos e acentuada alteração hidrotermal expressa pelas substituições observadas na plagioclase (prenite), na augite (uralite, hidrogrossulária) e na anfíbola (biotite, clorite). São exemplo os afloramentos de Nazaré (S. Bartolomeu), Leiria (Brogal), Monte Real (Santa Isabel), Picoto e Monte Redondo.”
in J. C. Kullberg et al. - A Bacia Lusitaniana: Estratigrafia, Paleogeografia e Tectónica

“Para fazer a síntese da actividade ígnea durante o Mesocenozóico no território actualmente ocupado por Portugal continental tem de se considerar a evolução geotectónica deste território desde o final do Paleozóico. Com efeito, desde esta altura, o Maciço Hespérico estava formado e prolongava-se mais para ocidente e sul do que actualmente. Acresce que o Pérmico, no nosso País, é de fácies continental límnica e a base do Mesozóico é constituída por um complexo detrítico de fácies continental do topo do Triásico (Keuper).


Foi a ocidente deste maciço continental rígido que se formou uma fossa tectónica muito provavelmente relacionada com o início da rotura do supercontinente laurasiano prenunciador da abertura do Atlântico Norte. Foi nesta fossa que se foram depositando os espessos sedimentos mesocenozóicos que constituem a actual orla pós-paleozóica ocidental do Maciço Hespérico. Do mesmo modo, a sul, passaram-se fenómenos de sedimentação paralelos mas não tão amplos.
É neste espesso complexo de terrenos sedimentares, que nos dá conta do vaivém contínuo dos mares pós-paleozóicos, que encontramos alguns episódios importantes de manifestações ígneas. Há intrusões ígneas de tipo batolítico (caso dos maciços eruptivos de Sintra e de Sines) a que se deve juntar o de Monchique; há vastos derrames basálticos com intercalações de formações piroclásticas (caso do complexo basáltico de Lisboa-Mafra), bem como manifestações vulcânicas diversas que se encontram, quer nos terrenos algarvios, quer nos da orla ocidental; há vários cortejos filonianos: uns, na orla mesocenozóica ocidental, outros, na orla algarvia e, ainda outros, cortando o velho soco cristalino que constitui o Maciço Hespérico.”
in L. Aires-Barros - Actividade ígnea pós-paleozóica no continente português (elementos para uma síntese crítica)


5. Paragens e actividades



1ª paragem: Filão do Bairro dos Capuchos, perto da IC2 (tempo de paragem 25 minutos).

Nesta paragem é possível avistar um local onde foi extraída rocha magmática do filão Bairro dos Capuchos. Trata-se de um dolerito grosseiro, com disjunção esferoidal.




Actividades a desenvolver:

  1. Faz um desenho ou esquema e indica o modo como se alterou esta rocha.

  2. Localiza estes afloramentos nos Anexos I e II.

  3. Recolhe uma amostra de rocha do chão e observa-a com lupa, dizendo que minerais vês.

  4. Procura descobrir a localização de um poço próximo de onde se obtinha água salgada para as Salinas de Porto Moniz.

Sugestões: sugere-se que ao longo do percurso fotografes os aspectos que considerares relevantes. Não te esqueças da escala na foto e regista o local onde encontraste as estruturas.


2ª paragem: Filão do Bairro dos Capuchos, perto da Estrada da Marinha Grande (tempo de paragem 30 minutos).

Observação da eventual continuação do filão anterior e o contacto deste com as Camada que antigamente se designavam Margas de Dagorda.



Actividades a desenvolver:

  1. Faz um desenho ou esquema e indica os principais aspectos que observas, nomeadamente contactos ou falhas.

  2. Localiza estes afloramentos no Anexo II e diz se este está correcto.

  3. Recolhe amostras de gesso.



3ª paragem: Morro do Castelo de Leiria (tempo de actividade 75 minutos).

Sopé do monte que muitos leirienses pensam tratar-se de um vulcão.



Actividades a desenvolver:

  1. Verifica o grau de alteração das rochas doleríticas no lado norte e sul do Castelo e tenta explicar o porquê da diferença.

  2. Recolhe uma amostra de solo, no lado norte e sul do Morro e, verifica se contem minerais com propriedades magnéticas.

  3. Recolhe amostras de rocha sã e observa-a com lupa, identificando alguns minerais.

  4. Usa a bússola de geólogo e mede a orientação geral das famílias de diaclases que afectam os doleritos junto ao alto-relevo de homenagem a Korrodi.




4ª paragem: Monte de S. Bartolomeu - Nazaré (tempo de actividade 60 minutos).

Sítio protegido pela sua raridade litológica e estrutural e vegetação que nele se desenvolveram.


Actividades a desenvolver:

  1. Verifica a homogeneidade das rochas doleríticas e procura eventuais filões.

  2. Identifica dez espécies diferentes de seres vivos a viverem neste local, fotografando ou desenhando-as.

  3. Recolhe amostras de rocha sã e observa-a com lupa, identificando alguns minerais.

  4. Procura identificar e fotografar a continuação deste filão.

  5. Tenta relacionar a direcção do filão com a do vale tifónico na carta militar.


5ª paragem: Portela de Teira - Rio Maior (tempo de actividade 75 minutos).

Um grande filão de dolerito e/ou rochas similares intruiu nesta região, dando origem, depois de arrefecer, à mais bonita disjunção prismática de Portugal continental.


Actividades a desenvolver:

  1. Mede a direcção das diáclases que deram origem aos prismas.

  2. Identifica dez espécies diferentes de seres vivos a viverem neste local, fotografando ou desenhando-as.

  3. Recolhe amostras de rocha sã e observa-as com lupa; tenta identificar alguns minerais.

  4. Explica a seguinte frase: “é um crime a pedreira aqui existente continuar a laborar”.

  5. Tenta localizar a pedreira na carta militar.


6ª paragem: Alqueidão da Serra – Porto de Mós (tempo de actividade 30 minutos).

Afloramento muito alterado mas localmente há uma disjunção esferoidal visualmente muito bonita.


Actividades a desenvolver:

  1. Fotografa ou desenha a disjunção esferoidal.

  2. Vê que tipo de solo se formou a partir da alteração desta rocha magmática. Descrevi-o.

  3. Tenta identificar alguns minerais, com recurso à lupa de geólogo, em amostras frescas.

  4. Tenta localizar-te na carta militar anexa.

ANEXO I



Estrato da Carta militar 297 – Leiria


ANEXO II


Estrato da Mapa geológico de Leiria - 23-C


ANEXO III




Estrato da Mapa geológico de Alcobaça - 26-B

ANEXO IV

Estrato da Carta militar 307 – Valado dos Frades (Nazaré)

ANEXO V

Estrato da Carta militar 327 – Turquel
ANEXO VI


Estrato da Mapa geológico 27-C (Torres Novas)

ANEXO VII



Estrato da Mapa geológico de 27-A (Vila Nova de Ourém)

ANEXO VIII



Estrato da Carta militar 308 – Porto de Mós
Folhas para apontamentos e desenhos
Folhas para apontamentos e desenhos

NOME: _____________________________________________________ N.º ___ 11º Ano – Turma __





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