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Gustavo Korte

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Metodologia

e

TRANSDISCIPLINARIDADE

São Paulo, 2004

Direitos autorais pertencem a Gustavo Korte e estão reservados na forma da

lei, sendo autorizadas transcrições parciais desde que mencionada a autoria.

Gustavo Korte

Ibiúna, 5 de setembro de 2004.

Metodologia e Transdisciplinaridade Gustavo Korte, 2

Metodologia e Transdisciplinaridade Gustavo Korte, 3

Índice

Apresentação, 5

Primeiro postulado: A complexidade, 5

Segundo postulado: Níveis de realidade para o conhecimento e a comunicação, 6

A realidade mística, 7

A herança autoritária, 7

O racionalismo, 8

O empirismo, 8

O pragmatismo, 9

O ceticismo, 9

A amorosidade, 10

A intuição, 11

Terceiro postulado: A existência do outro como terceiro incluído ou excluído, 11

Os fragmentos e as disciplinas no processo de conhecimento, 11

Agradecimentos, 13



Capítulo I - Método e Metodologia, 14

1. O que é método, 14

2. Informações que emergem da Filosofia, 18

3. Metodologia e livre arbítrio, 21

4. Como proceder para abordar o conhecimento, 23

5. A linguagem discursiva e o idioma, 25



Capítulo II - Disciplina, 28

6. O que entendemos por conceito, significado, constructo e definição, 28

7. O que entendemos por disciplina, 34

8. Caminhos inter, multi, pluri e transdisciplinares, 35

9. Os marcos iniciais destes caminhos para o conhecimento, 36

10. Há vários métodos, 37

11.Interdisciplinar, 37

12. Multidisciplinar, 38

13. Pluridisciplinar, 39

14. Transdisciplinar, 40

15. Transdisciplinaridade não é novidade, 42

16. A adjetivação no processo de conhecimento, 47

17. Como aplicar a metodologia transdisciplinar em um caso concreto,.49

Capítulo III- Misticismo e Autoritarismo, 50

18. Que é misticismo?, 50

19. Que significa mistério?, 53

20. Misticismo tem a ver com mistério?, 55

21. Teoria, 57

22. Autoritarismo, 58

23. Noções de autoridade e poder, 61

Capítulo IV - Racionalismo e empirismo, 66

24. Holismo, 66

25. Humanismo e entendimento holístico, 69

26. O racionalismo como método de abordagem do conhecimento, 70

27. O significado de empirismo, 76

28. Relações entre racionalismo e empirismo, 78

29. Necessidade e contingência, 79

30. O empirismo e o racionalismo na abordagem do conhecimento, 81

31. Antagonismo e simbiose entre empirismo e racionalismo, 82

32. Questões a responder, 83

33. O todo e o reconhecimento das partes, 83

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34. Racionalismo: ruptura ou quebra da unidade, 84



35. Autoritarismo, racionalismo e pragmatismo nas ciências médicas, 85

36. A união de segmentos e a solução racional, 88

37. Restauração, 90

38. Projeção, 91



Capítulo V - A utilidade e o conhecimento, 92

39. O pragmatismo, 92

40. Pragmatismo como futurismo, 96

41. Pragmatismo como praticalismo, 97

42. O relativismo, 98

Capítulo VI - Ceticismo, 102

43. O que é ceticismo, 102

44. O argumento histórico, 103

45. O argumento dialético em favor do ceticismo, 104

46. O argumento fisiológico em favor do ceticismo, 105

47. O argumento psicológico em favor do ceticismo, 106

48. Princípio da uniformidade da natureza, 107

49. O que é dúvida?, 108

50. O que é certeza?, 109

51. Dúvidas sugeridas pela matéria abordada, 110

52. Indivíduo, dualismo e contexto, 111

Capítulo VII - Amorosidade, 113

53. O senso comum e a amorosidade, 113

54. A amorosidade nas relações entre a autoridade, o sujeito e o processo cognitivo, 116

55. A natureza do respeito, da ação correta e da obrigação, 120.

56. Arte e amorosidade, 123

57. O senso comum, 129

58. Indícios de amor na física quântica, 133

Capítulo VIII - Intuicionismo, 138

59. Intuição, intuicionismo e instinto, 138

60. Intuição, Tomás de Aquino, Kant e Bergson, 139

61. Aproveitamento transdisciplinar de leis científicas, 145

62. Ordem de grandeza, 146

63. Comparando dimensões atômicas e dimensões éticas, 148

64. Vontade e intuição, 150

65. Forças sociais, 153

66. Relacionando força social e vontade, 155

Capítulo IX - Posturas transdisciplinares, 157

67. Projeções e reconhecimentos a partir de analogias, 157

68. Associando o método de Canizzaro ao dimensionamento de densidade social, 160

69. Comparando conceitos de mol, massa molecular, peso molecular e molalidade, 162

70. Reconhecendo sinais comuns em diversas disciplinas, 163

71. Sugerindo designativos para uma linguagem própria às disciplinas sociais, 164

72. Nós, os colóides e as ciências experimentais, 165

73. A Regra de Weimarn e sua utilização analógica, 169.

74. Movimento Browniano e Efeito Tyndall, 170

75. Propriedades coligativas em sociedade, 171

76. Sedimentação social, 172

77. A alma, o sagrado e o transcendente, 175

78. Vivenciando paradoxos, 176

79. A transdisciplinaridade e o sagrado, 178

80. O conhecimento e o acesso ao sagrado, 181

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Apresentação

O conhecimento científico é resultante de um processo cognitivo montado sobre

Metodologia, Metafísica e Teoria dos Valores. A Metodologia, com os recursos da Lógica e da

Epistemologia; a Metafísica, objetivando a Ontologia e a Cosmologia e, finalmente, a Teoria dos

Valores, integrada pela Ética e pela Estética, viabilizam a tessitura dos fios de um tapete mágico

pelos quais o ser humano pretende chegar ao que designa conhecimento.

Acercando-nos da ciência a partir de uma abordagem transdisciplinar, a delimitação e a

ordenação dos pensamentos é materializada tendo por fundamento três crenças, designadas como

os postulados da transdisciplinaridade, a saber, a complexidade, os níveis de realidade e a



participação do outro. Nos escritos sobre a transdisciplinar idade, alguns designam o outro como

um indefinido terceiro, que pode ou não estar incluído ou excluído na expressão da relação.

Os contornos assinalados pelos níveis de realidade em que são abordadas as disciplinas

impõem-nos a necessidade tanto de reconhecer- lhes o objeto como adotar metodologia e



linguagem apropriadas. As formas de comunicação codificadas em sinais e símbolos são

reconhecidas no designativo genérico como linguagem. Entende-se,pois, por linguagem o código

ordenatório via do qual são articuladas e classificadas idéias e formas de pensar. Toda linguagem

tem fundamento em parâmetros referenciais. Ou seja, as disciplinas podem ser identificadas por

meio dos parâmetros que dão suporte à linguagem que lhes é própria.

Distintos pensamentos e formas de pensar, mesmo se contrários ou contraditórios,

incompatíveis ou incongruentes, podem coexistir, ainda que codificados por processos diversos.

Para o que designamos conhecimento, todavia, é necessário e essencial que essas incongruências

e oposições fundamentais não ocorram num mesmo nível de realidade ou, melhor dizendo, que as

contradições não ocorram ao mesmo tempo dentro de um mesmo sistema de pensar, pois admitir

que pensamentos incoerentes e contraditórios sejam simultaneamente verdadeiros é negar os

paradigmas de verdade ou falsidade que lhes dizem respeito.

Têm sido enumerados três postulados da metodologia transdisciplinar que servem aos

avanços do conhecimento: a) a complexidade dos fenômenos; b) os níveis de realidade em que

ocorrem os pensamentos e c) a existência do outro, quer esteja ou não incluído velada ou

expressamente nas formulações cognitivas.

Importa, nesta apresentação, clarear os significados contidos em tais pressupostos.

i

I - Primeiro postulado: a complexidade

A experiência, tanto a científica como a da vida de cada um de nós, ensina que não há

possibilidade de isolar completamente um fenômeno dos demais. Mesmo na maior precisão e

rigor com que sejam levados a cabo os procedimentos laboratoriais, o observador vê -se obrigado

a recorrer aos limites do imaginário para isolar o fenômeno a ser observado, destacando-o, por

ficção hipotética, de todas as demais ocorrências contextuais.

Na medida em que todos os fenômenos são dependentes e interligados, é de admitir-se

que nada é simples, mas, pelo contrário, que tudo é complexo. Não há fenômenos isolados, nada

é singular no mundo em que agem nossas formas de percepção. Todos os fenômenos, inclusive

todos os seres vivos, estão interligados e são interdependentes. Isso nos leva a crer que a

complexidade é um dos pressupostos do conhecimento que pretendemos.

No Universo, os fragmentos do todo continuam a fazer parte do todo, por menores que

sejam. Despojado de qualquer de seus fragmentos, o Universo deixa de ser universo, tornando-se

um quase-universo. Os pensamentos são sempre fragmentos abstratos do Universo. Ocorrem

dentro do Todo; seus referenciais integram o todo e a ele permanecem ligados.

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Por tais observações, somos levados a adotar, como crença verdadeira e justificada, que



todos os fenômenos, de qualquer natureza, inclusive os pensamentos, são complexos e nada

ocorre isolada ou independentemente de tudo o mais que existe no Universo. Este é o primeiro

postulado da metodologia transdisciplinar.



II - Segundo postulado: níveis de realidade para o conhecimento e a comunicação

A observação dos processos e métodos que podem levar ao conhecimento e, por isso

tornam-se propícios à comunicação, mostra que os variados recursos disponíveis têm origem e,

na seqüência, são processados e exteriorizados, a partir de pontos de observação distintos. Tais

recursos reportam-se a parâmetros de linguagem e a conceitos pré-existentes.

Cada qual, a partir de suas observações, faz leituras que são diferentes de uma pessoa a

outra, por razões pessoais e subjetivas, na medida que decorrem de distintos pressupostos. Em

vista desta verificação, somos levados a reconhecer o estado de consciência, que é de natureza

intelectiva, e nos sinaliza com parâmetros subjetivos e objetivos.

Viabilizam-se, por ess es marcos que, quando diferenciados, os resultados de diferentes

leituras possam ser considerados válidos e eficazes, mesmo quando as formas de percepção

indiquem incompatibilidades e incongruências. Quando estas ocorrem, a resolução das

dificuldades nesse estado de consciência exige, como artifício de cálculo ou simples recurso

perceptivo, a identificação e localização das contradições em níveis de realidade diferentes. Por

esta abordagem, os antagonismos podem ser superados pela diversidade das formas de percepção

em cada nível de realidade.

A cronologia dos documentos sobre transdisciplinaridade tem início com a Declaração de

Veneza, de 07 de março de 1986, de cuja elaboração foi partícipe o matemático brasileiro

Ubiratan D'Ambrósio. Os itens 3 e 4 do Comunicado Final originado do colóquio sobre Ciência e

Tradição: perspectivas transdisciplinares para o século XXI, realizado em Paris entre 2 de 6 de

dezembro de 1991, patrocinado pela UNESCO, fazem parte das conclusões, em sete itens,

formuladas pelo comitê de redação, constituído por René Berger, Michel Cazenave, Roberto

Juarroz, Lima de Freitas e Basarab Nicolescu, e contém o seguinte:



3. Uma das revoluções conceituais desse século (XX) veio, paradoxalmente, da ciência, mais

particularmente da física quântica, que fez com que a antiga visão da realidade, com seus conceitos clássicos

de continuidade, localidade e determinismo, que ainda predominam no pensamento político e econômico,

fosse explodida. Ela deu à luz a uma nova lógica, correspondente em muitos aspectos , a antigas lógicas

esquecidas. Um diálogo capital, cada vez mais rigoroso e profundo, entre a ciência e a tradição, pode então

ser estabelecido a fim de construir uma nova abordagem científica e cultural: a transdisciplinaridade.

4. A transdisciplinaridade não procura construir sincretismo algum entre a ciência e a tradição: a

metodologia da ciência moderna é radicalmente diferente das práticas da tradição. A transdisciplinaridade

procura pontos de vista a partir dos quais seja possível torná-las interativas, procura espaços de pensamento

que as façam sair de sua unidade, respeitando as diferenças, apoiando-se especialmente numa nova

concepção da natureza.

Na Carta da Transdisciplinaridade, adotada no Primeiro Congresso Mundial da

Transdisciplinaridade, realizado no Convento de Arrábida, Portugal, entre 2 e 6 de novembro de

1994, lê-se no artigo 2:



O reconhecimento da existência de diferentes níveis de realidade, regidos por lógicas diferentes, é

inerente à atitude transdisciplinar. Qualquer tentativa de reduzir a realidade a um único nível regido por

uma única lógica não se situa no campo da transdisciplinaridade.

E no artigo 14:



Rigor, abertura e tolerância são características fundamentais da atitude e da visão transdisciplinar.

O rigor na argumentação leva em conta todos os dados, é a barreira às possíveis distorções. A abertura

comporta a aceitação do desconhecido, do inesperado e do imprevisível. A tolerância é o reconhecimento

do direito às idéias e verdades contrárias às nossas.

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Nesses diversos níveis de realidade as formas de percepção, exteriorização e comunicação



de pensamentos exigem paradigmas de distintas naturezas, que sirvam de mediadores para a

inteligibilidade.

O reconhecimento de que existem diferentes níveis de realidade em que se processam os

pensamentos e a valorização das experiências, constitui o segundo pressuposto da metodologia

transdisciplinar. Nossos estudos levaram- nos à crença de que há, pelo menos, oito níveis de

realidade em que o ser humano pensa e age conscientemente. Ou seja, em tais diferentes níveis

ocorrem o que designamos estados de consciência, correspondendo a cada nível um estado

consciente. Identificamos como níveis de realidade aqueles em que são exercitados os métodos

do conhecimento. Daí porque misticismo, autoritarismo, racionalismo, empirismo, pragmatismo,



ceticismo, amorosidade e intuicionismo, podem ser simultaneamente considerados caminhos que

nos levam ao saber, coexistindo nos mesmos níveis de realidade em são processados os

conhecimentos. Designamos como estado de consciência o período em que, no contexto pessoal

físico e mental, ocorre o conhecimento.



O misticismo

A observação corrobora a afirmativa de que todos temos raízes místicas e mitológicas.

Quando essas raízes não são pessoais, nós podemos identificá- las por sua origem na coletividade

de que viemos ou a que pertencemos. São formadas por mediação de usos, costumes e tradições

prevalecentes no contexto social em que estamos ou fomos radicados. Cada um de nós aceita e

acolhe como crenças fundamentadas e verdadeiras, certas narrativas históricas de cunho místico e

mitológico, referentes às origens do universo, do mundo, do planeta e de nós mesmos.

Os juízos, que nos advém pelo racionalismo e empirismo, deixam subsistir, irresolutas,

dúvidas e perquirições pertinentes às origens e causas de existir, quer do indivíduo quer do

universo. Daí que, em estado de consciência, nos tornamos carentes de informações que excedam

os níveis de realidade empírica e racional. Uma angústia intelectiva, por natureza íntima e

pessoal, nos leva a reconhecer a existência de um nível de realidade mística, integrado por

espaços de imagens difusas, formadas por movimentos de sombras e névoas. É usual percebê-lo,

tanto pela negação enfática dos incrédulos quanto pelas afirmações crédulas dos que,

conscientemente, fazem do misticismo sua razão de vida.

Diante destas constatações, torna -se fácil entender a razão pela qual, na mesma Carta de

Transdisciplinaridade acima citada, no artigo 9, seus subscritores fizeram constar que :

...A transdisciplinaridade conduz a uma atitude aberta com respeito aos mitos, às religiões e àqueles



que os respeitam em um espírito transdisciplinar.

Observamos um nível de realidade mística em que todos nos situamos quando vamos à

Igreja, às reuniões religiosas ou de fundo místico ou mítico. Também é possível constatar o

esforço desempenhado por sacerdotes e pastores que procuram conter seus seguidores nesse nível

de realidade, usando, além dos argumentos míticos e místicos, com or igens nos usos, costumes e

tradições, também proposições racionais, sentimentais e emocionais.



O autoritarismo.

Por mais céticos que sejamos, sempre nos deixamos convencer, por aceitação e

apropriação, de crenças adotadas por outrem como verdadeiras e justificadas. Assim, recebemos e

adotamos como nossas verdades os pensamentos e formas de pensar que, de fato, integram uma



realidade alheia. Tais supostos conhecimentos verdadeiros são ou foram formulados por outros a

quem damos crédito atribuindo- lhes autoridade intelectual, moral ou mística. E porque

acreditamos nessas pessoas, recebemos suas afirmações como verdadeiras. A aceitação decorre,

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pois, da subjetividade e da credibilidade que emprestamos à fonte humana em que as informações



têm origem. Este método de conhecimento, designado autoritarismo, assume as características de

um nível de realidade importado subjetivamente, de que nos servimos e pelos quais firmamos

juízos, subscrevemos opiniões e aproveitamos valores.

Há pensadores que afirmam que cerca de noventa por cento do que supomos conhecer

decorre da absorção de informações que nos vêm pelo autoritarismo. É um nível de realidade em

que adotamos como verdadeiras informações herdadas de nossos pais, recebidas de nossos

professores ou apropriadas de terceiros em quem temos confiança. O nível de realidade

designado autoritarismo é formado pelas experiências e crenças alheias; traduz o que outros

estabeleceram e, por convicção pessoal ou comodidade, torna-se fácil e proveitoso adotar tais

afirmações como verdadeiras.

Assim, p.ex., aceitamos como verdadeira, sem discuti- la ou mergulhar na verificação

racional ou empírica, que a teoria da relatividade corresponde a uma verdade científica. Afinal,

ela é confirmada por inúmeras autoridades no campo da Física, e também decorre da autoridade

intelectual que atribuímos a Albert Einstein. Levamos nossos filhos à vacinação contra a

poliomielite em face da autoridade científica que nos merecem os cientistas e da autoridade que

atribuímos às informações publicitárias e jornalísticas quando afirmam que a vacina é eficiente e

não traz seqüelas.

O racionalismo.

Há um nível de realidade racional, de natureza abstrata, que é identificado tanto em

expressões algébricas e geométricas como na formulação lingüística. Torna-se perceptível a partir

de expressões, juízos e ordenações dos pensamentos e das formas de pensar.

O nível de realidade em que as razões procuram harmonizar-se, identificando ou

sinalizando o que aparenta ser real e verdadeiro, usa do simbolismo, via do qual tem-se mostrado

acessível à captação e projeção de idéias. Nesse contexto simbólico processam-se tanto a

comunicação de matemáticos, físicos e demais cientistas, sejam eles atuantes em campos

empíricos ou simplesmente teóricos, como as transmissões de ensinamentos místicos e

religiosos. O requisito essencial do racionalismo exige, no processamento mental, a

compatibilidade, congruência e verificabilidade das conclusões em relação às premissas e destas

entre si.



O empirismo

A codificação de pressupostos em que está assentada a torre do conhecimento que

designamos por física corpuscular, quando aplicada a outro cenário tal como o da física quântica,

suscita a verificação que a mesma linguagem científica, que serve à física corpuscular, não se

ajusta às necessidades de comunicação impostas pela física quântica. Isso ocorre porque os

pressupostos conceituais que regem as relações entre as formas de pensar de tais disciplinas têmse

revelado empírica e racionalmente incongruentes. Isto significa dizer que o que para uma é

observado empiricamente como materialização de corpos, para a outra é apenas probabilidade de

existência.

Assim, podemos observar uma realidade empírica, que nos chega pelos sentidos,

condicionada por formas de percepção tais como a auditiva, que nos sensibiliza pela sonoridade

da fala ou é articulada através de sons e ruídos, a gustativa, a tátil, a olfativa e a visual.

Observam-se também outras realidades empíricas, tais como as expressas pela linguagem

corporal, pelas formas plásticas de comunicação, as percebidas por intermediação da linguagem

culinária e tantas outras que aprendemos a decodificar ao longo da vida.

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Podemos verificar que os códigos existentes nas diferentes linguagens científicas perdem



seu valor e sua eficácia quando se mostram incoerentes, contraditórios e controvertidos ao serem

considerados em um mesmo nível de realidade. A experiência ensina que uma única linguagem

científica nem sempre serve à comunicação quando utilizada em diferentes níveis de realidade.

Até agora falamos da transdisciplinaridade como método de abordagem que, em relação à

interdisciplinaridade e à multidisciplinaridade, é multidimensional, não excludente de um

horizonte trans-histórico. A transdisciplinaridade intenta a abertura de todas as disciplinas às

trilhas do conhecimento que as atravessam e ultrapassam. E o faz, recorrendo não só ao

misticismo, ao autoritarismo, ao racionalismo, ao empirismo, mas também ao pragmatismo, ao

ceticismo, à amorosidade e ao intuicionismo.


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