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Portanto, a sugestão que nos cabe para que possamos identificar se o uso do raciocínio



verbal discursivo nos leva ao que é falso ou verdadeiro, é que, para prosseguir nas abordagens do

conhecimento devemos cuidar de aprender, quando menos, o que nos ensina a Lógica, quer seja a

formal, a discursiva, a algébrica ou a numérica.

Sabemos das restrições que nos limitam. Sem dúvida, esta dificuldade, ou seja, a falta de

conhecimentos específicos incluídos na Lógica, parece um paredão intransponível nesta

seqüência de trilhas. Nem por isso vamos desistir de nosso intento. Importa, diante dessa

dificuldade, indagar se a lógica discursiva é o único caminho que pode nos levar ao

conhecimento. A resposta é manifestamente negativa.

Intuímos, em face do misticismo, do racionalismo e do empirismo que bordejam, explícita

ou implicitamente, os caminhos pelos quais seguem os nossos pensamentos, e também porque



não há nenhuma prova em contrário, que a nossa estrutura neuro-fisiológica permite outras

abordagens do conhecimento que não as estritamente racionais. Muitos acreditam que o uso da



razão discursiva ou matemática é um imperativo exigido tão-somente pela natureza humana.

Ou seja, entender que o racionalismo é essencial para levar ao conhecimento, corresponde dizer

que só pela razão humana verbalizada o universo pode ser conhecido, embora esta afirmação

não nos parece verdadeira.

A história e as ciências ensinam que são possíveis outras abordagens do conhecimento.

Assim não fosse e não saberíamos o significado de insight, intuicionismo, amorosidade,

mistic ismo, empirismo, autoritarismo, Gestalt, pragmatismo, dedução e indução etc.

Para Plotino131 ( 205-270),

... toda forma de pensar, e não apenas o raciocínio, significa uma deficiência ou fraqueza. Na escala

dos seres intelectuais, o homem ocupa a mais baixa posição porque ele raciocina. Mesmo as mais puras

inteligências, que sabem intuitivamente, situam-se abaixo do Uno, porque mesmo o mais simples ato de

pensar envolve alguma dualidade entre sujeito e objeto...

A partir destas considerações observamos que: a) torna-se mais acessível entender porque

Kant preocupou-se com a razão prática e com a razão pura; b) justificam-se os esforços

intelectivos de Howard Gardner132 e sua preocupação com a teoria das inteligências múltiplas e c)

explicam-se os fundamentos de David Goleman quando aborda a inteligência emocional.

Por apropriações de idéias alheias, o que parecia apenas mais um degrau na escada que

nos propomos subir, mostra-se, na realidade que agora percebemos, um campo com mais

obstáculos. Nem só por isso vamos desistir. Quando falamos em transdisciplinaridade não nos

esquivamos nem dos obstáculos nem das dificuldades. Pelo contrário, percebe-se que só a

metodologia transdisciplinar poderá facilitar a visão do que está contido no Universo.

Gardner adverte133:

... Quando leio os achados atuais nas ciências do cérebro e biológicas, eles testemunham com força

particular sobre duas questões que nos interessam aqui. A primeira refere-se à flexibilidade do

desenvolvimento humano. Aqui, a principal tensão se centra na medida em que se podem alterar os

potenciais intelectuais ou as capacidades de um indivíduo ou de um grupo mediante diversas intervenções(...)

A segunda questão é a identidade ou natureza das capacidades intelectuais, que os seres humanos podem

desenvolver. De um ponto de vista, que associei anteriormente ao ouriço, os seres humanos possuem poderes

extremamente gerais, mecanismos de processamento de informações para finalidades múltiplas que podem

ser colocados em um grande, ou talvez até mesmo infinito número de usos (...)

E é ainda Gardner quem afirma:

131 Plotino (ou Plotinus). (203-270). Nascido de família residente no Egit o, é considerado um filósofo Neoplatônico, discípulo da Escola de

Alexandria. Ensinou em Roma, anunciando sua crença na possibilidade de união da alma com Deus, pelo êxtase e pela contemplação..

132 GARDNER, Howard. Estruturas da mente. A teoria das inteligências múltiplas. Porto Alegre: Artes Médicas, 1994, p.IX e seguintes.

133 GARDNER, H. idem,p.24.



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... É necessário permanecermos abertos à possibilidade de que muitas - se não a maioria - destas



competências não se prestam a medições através de métodos verbais padronizados, os quais se baseiam

pesadamente numa combinação de habilidades lógicas(...) formulei então uma definição do que chamo de

uma "inteligência". Uma inteligência é a capacidade de resolver problemas ou de criar produtos que sejam

valorizados dentro de um ou mais cenários culturais(...) Baseando-me em evidências biológicas e

antropológicas introduzi, então, oito critérios distintos para uma inteligência e propus sete competências

humanas que preenchem estes critérios...

Poder-se-á questionar qual é a linha comum que une tais informações, e qual razão pode

justificar a necessidade de memorizá-las. Nosso entendimento nos leva a crer que a razão é

sempre a expressão verbal, pelo discurso ou pelas formulações matemáticas, de uma relação entre

dois termos. Podemos dizer que as razões subjetivas existem a partir de relações entre sujeito

ativo e sujeito passivo; sujeito e objeto, sujeito e contexto; sujeito e idéias. Dessa forma, as razões

são expressas por linhas e formas de pensar que ligam, de forma concreta, abstrata ou fictícia, o

sujeito pensante ao objeto do pensamento.

O mundo das realidades subjetivas inclui, portanto, todo tipo de razões ou relações. Já o

mesmo não ocorre com o mundo das realidades objetivas, em que o fenômeno é tido por existente

porque pode ser repetido, experimentado ou constatado, empírica ou racionalmente, por mais

pessoas que pertençam ou integrem o mesmo contexto social.

Razões subjetivas e razões objetivas referem-se a exigências do processo cognitivo. São

razões subjetivas as que o sujeito enuncia numa escala pessoal e subjetiva de valores e que lhe é

própria. São razões objetivas as que são conhecidas (co+gnoscere) com mais pessoas diante do

mesmo objeto da observação. O que é sinalizado com a locução objeto da observação

corresponde à idéia de fenômeno134.

A simples relação sujeito-objeto não pressupõe conhecimento, mas existência de uma

razão. Quando a razão é expressa dela emerge necessariamente uma relação. Expressar significa

mostrar a razão diante de outros.

Fica estabelecida a relação designada por conhecimento quando ocorre há identificação da

razão também pelos outros. Ora, na medida em que a identificação ocorre, gerada talvez pelos

mesmos sinais, nos limites de um significado comum, opera-se o que designamos conhecimento.

Tomar consciência de outro ser corresponde a dar início a uma ligação entre o sujeito que

toma consciência e o outro ser que participa do processo. Este é o princípio subjetivo do

processo de conhecimento.

O processo de conhecimento exige a participação de outro ou outros. Caso contrário, a

tomada de consciência traduz-se por experiência subjetiva, mas não pode ser designada

conhecimento, pois não teve a participação de outrem. Ocorreu a ação identificada na experiência

subjetiva, teórica ou prática, abstrata, concreta ou fictícia, que levou à razão (nous), mas não se

verificou o cognoscere, o saber junto com alguém, que leva à razão comprovada ou

comprovável perante ou por outros.

Objetivamente, fenômeno é tudo que alguns reconhecem como acontecimento na

Natureza, ou seja, o que ocorre no conjunto -universo em que nos reconhecemos. Do ponto de

vista subjetivo, fenômeno é tudo que supomos que acontece na Natureza ou no conjunto-universo

em que, subjetivamente, nos imaginamos situados e identificados. Daí porque importa tomar

consciência da extensão dos significados verbalizados, para que nos seja propiciado conhecer, ou

seja, abordar com outras pessoas as razões a partir das quais estruturam-se os campos do saber

humano.

134 Fenômeno. Entenda-se por fenômeno tudo que acontece na natureza..



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27 - O significado de empirismo

O primeiro significado contido no verbete empirismo diz respeito à confiança ou crença

que é depositada na experiência.

A palavra, empirismo 135 vem de?(leia -se empírea), traduzindo experiência, habilidade,

valência.leia-se empeiros) significa perito, esperto, experimentado, versado.

O senso comum designa por empirismo a doutrina ou atitude que admite, quanto à origem

do conhecimento, que este provenha unicamente da experiência, seja negando a existência de

princípios puramente racionais, seja negando que tais princípios, existentes embora, possam,

independentemente da experiência, levar ao conhecimento da verdade. Baseado apenas na

experiência e, pois, sem caráter científico. Pejorativamente refere-se a leviandade de razões, que

identificam um certo tipo de charlatanismo intelectual.

Um estudo mais aprofundado nos leva a receber, pelo vocábulo empirismo, informações

sobre algumas formas de percepção, utilizadas na captação de conhecimentos assimilados pela

experiência. A vivência experimental nos é aportada tanto pelos ancestrais como por aqueles que,

de alguma forma, conseguiram nos transferir suas práticas de vida. A experimentação e a prática

são métodos pelos quais supomos poder processar a verificação de conhecimentos. Quando o

senso comum diz que a aprendizagem ocorre pela experiência e pela prática, em realidade reduz a

aprendizagem ao que lhe chega pelos sentidos e pelas formas de percepção instruídas pela

abordagem sensitiva. Empirismo tem, pois, tudo a ver com visão, audição, tato, gosto e olfato.

Os significados traduzidos pelo verbete empirismo, enfocados na experiência individual

ou coletiva, podem referir-se à vivência direta, presente, pessoal ou coletiva, como também

podem reportar-se à experiência indireta, passada e impessoal do observador e da coletividade a

que está integrado. Para que sejam vivenciadas, as experiências pessoais são objeto de

compreensão não restrita às amarras do pensamento discursivo, como também não ficam adstritas

a qualquer linguagem especial. Quando experiências de outrem nos chegam por descrições,

narrativas, dissertações ou composições literárias, sentimos que há uma redução muito grande

nos pormenores, e elas são, então, assimiladas pela interação do que existe em nossos registros de

memória. Daí por que, cada um faz, em face de sua própria vivência, a leitura própria, subjetiva,

pessoal e individualizada das informações que recebe.

Observemos a descrição: visitei uma casa branca, construída na montanha, à sombra de um



coqueiro, aonde cheguei exausto... Ela oferece leituras muito diversas, por exemplo: a) feita por um condutor

de veículos, ele recebe a idéia da via de acesso que leva a uma casa no alto de uma montanha, por cujo

percurso poderia receber algum dinheiro; b) feita por uma jovem romântica, ela suscita, no seu mundo

imaginário, a idéia de uma casa branca, encantadora, rodeada de flores, onde poderá construir seu lar, ao lado

do seu eleito, lançando olhares pelos horizontes ampliados; c) a leitura feita por um talentoso jardineiro,

poderá provocar-lhe a visão de uma casa rodeada de plantas ornamentais; d) ao agricultor, referida descrição

poderá sugerir o aconchego familiar após o dia de trabalho; e) ao construtor, despertaria esquemas de

construção e arte arquitetônicas; f) a um pintor de paredes, como teriam sido aplicadas as cores; g) a alguém

que, na sua locomoção, tem de recorrer ao uso de bengalas, talvez surja a idéia de uma casa distante, em

algum lugar inacessível; e assim por diante, cada leitor evoca a sua experiência de vida, projetando-a na

assimilação do relato. Conseqüentemente, torna-se inegável e deve ser sempre levado em conta que a

experiência alheia, transmitida pela narrativa literária ou por outras formas de comunicação, é sempre

assimilada com reservas por suas subjetividades.

Tendo em vista a infinita variedade de subjetividades, tanto da parte do informante, como

de quem recebe a informação, o empirismo não é tomado, pelos pensadores mais radicais, por

uma fonte confiável para a abordagem do conhecimento. E esta característica, no cotidiano, por

135 cf. BÖLTING, Rudolf. Dicionário grego-português. Rio de Janeiro: MEC, 1953.

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vezes, suscita o sentido pejorativo pelo qual o indivíduo empírico significa charlatão. Muitos



receberiam como infiel à verdade o relato de algum jornalista ou profissional de comunicação

noticiando uma viagem interplanetária a bordo de um disco voador. O ceticismo encontra na

prática uma objeção fundamental na medida em que essa experiência tem por característica a

subjetividade e a casualidade, não podendo ser repetida, quando e onde gostaríamos que se

repetisse.

Especulando nos campos da imaginação, recuo quinhentos anos no eixo dos tempos, à data da

chegada de Cabral ao Brasil. Vejo-me sentado no topo de um morro. Lá adiante, na linha do horizonte,

percebo a imagem em movimento de algo que, por mim e pelos meus, jamais fora visto. Nem sei como

designá-la. As caravelas aportam, despejam embarcações carregando seres que me parecem humanos, embora

vestidos de forma estranha. Carregam objetos que me são desconhecidos, embora similares a lanças ou

bengalas. Suponho serem armas. Ficam por ali alguns dias, despertando imensa curiosidade entre os nativos.

Depois, vão-se embora, saindo para o oceano que me parece intransponível. Volto ao meu cotidiano, à caça, à

pesca, à vida de macho e às guerras tribais. Sou guerreiro e caçador experiente. Nas minhas andanças, visito

uma tribo distante, que jamais viu caravelas ou homens brancos. Faço relato do que vivenciei. Quantos

acreditarão?

Tendo em vista o autoritarismo, que sugere credibilidade em face da autoridade, seja ela

de natureza científica, religiosa, legal, política, literária, moral, profissional ou vivencial de que

desfruta o informante junto a seu interlocutor, somente somos levados a aceitar como verdadeiro

o conteúdo dos relatos, narrativas, descrições e reproduções, quando reconhecemos nos

informantes, um mínimo de autoridade moral quanto a sua honestidade ou quanto a seu

conhecimento em relação ao objeto da informação.

Considera-se o empirismo como sendo um dos caminhos que podem nos levar ao

conhecimento. Embora as subjetividades de que se reveste, tem implicações diretas tanto na

abordagem dos campos especulativos referentes à saúde humana como nos estritamente

filosóficos136. Senão, vejamos.

Na medicina, nos tempos greco-romanos, os Empíricos constituíam uma das três principais

escolas de medicina. Eles confinaram-se nas observações e sugeriam os medicamentos cujo uso

anterior anunciava efeitos positivos. Assim, a medicina empírica correspondia, até o século XVI,

à prática daquilo que antes havia dado certo em casos semelhantes. As mudanças procedimentais

dos que se dedicavam às práticas curativas firmaram-se pela possibilidade de repetição das



experiências e pela sistematização do que foi designado conhecimento científico, sugerido pela

seqüência metodológica observação> experimentação> tese> demonstração.

A possibilidade de repetição das experiências e dos fenômenos sugeriu que a

subjetividade, tão peculiar ao empirismo, poderia ser ultrapassada pela objetividade. De uma

forma direta e construtiva, o empirismo tornou-se a prática normal nos campos do conhecimento,

e, sobretudo, o meio mais convincente de, através da comprovação experimental, provar ou

negar juízos apoiados em fatos.

Ainda que possa parecer presunçosa de nossa parte a contrariedade, em face do que

afirmam alguns autores não é correto afirmar que racionalismo e empirismo atuam em oposição

mútua e recíproca.

O empirismo dá forma aos batentes e à moldura em que estão bordadas as portas e janelas

que se abrem para o conhecimento. Muito do que é feito e construído - em verdade, a maior parte

- faz-se material e intelectivamente tendo como base as percepções que nos chegam pelas

sensações.

136 V. Britannica Encyclopédia, empiricism.

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Modernamente, há experimentos que indicam que mesmo as linhas de pensar são



fenômenos biofísicos que ocorrem em níveis neurofisiológicos e, via de conseqüência, há

pensadores que sustentam as conclusões aí obtidas. Neste caso, o conhecimento decorre de

método nitidamente empírico. Os planejamentos industriais são efeitos a partir de experiências

químicas, físicas e mecânicas registradas pelo ser humano.

A arte da guerra, quando cuida da logística e da estratégia é eminentemente lastrada no

empirismo. Por mais que os projetistas se empenhem na racionalização imaterial de seus

trabalhos, são os construtores e pedreiros que dão corpo ao que foi idealizado. E isso é o que

designamos empirismo.

O empirismo filosófico é sustentado por dois fundamentos substanciais: a) em face da

natureza humana de que somos constituídos, e do que nos é próprio por nossa origem biológica,

não temos, não fazemos nem nos ocorrem idéias que não sejam derivadas da experiência

sensível registrada pelos nossos sentidos; e b) os conhecimentos, que não os resultantes das

convenções que ditam as linguagens discursiva e matemática, só podem ser comprovados pela

experiência sensível, seja direta seja indireta.

Rigorosamente, pode-se observar que não há uma oposição radical e definitiva entre

empirismo e racionalismo, pois nessas correntes metodológicas identificamos como:

a) empiristas: os que aceitam a dominância do concreto sensível sobre as abstrações e

b) racionalistas: os que acreditam que as abstrações, quando logicamente ordenadas, têm

prevalência sobre o que nos é aportado pelas percepções do concreto sensível.

28. Relações entre racionalismo e empirismo

Enquanto Descartes usa da intuição para identificar o método pelo qual alguns supõem

chegar imediatamente e com certeza à verdade, reconhecendo que a intuição induz a mente,

ainda que sem expressar as razões discursivas, a uma clara visão de cada etapa do processo.

Quando usamos o advérbio de modo imediatamente, queremos definir a relação direta que

se manifesta entre o sujeito e o objeto, sem quaisquer termos intermediários, tais como raciocínio,

duração ou experiência anterior. No significado de imediatamente, captamos a ausência do

intervalo de tempo e, então, o verbete pode ser incluído na categoria gramatical dos advérbios de

tempo, pois quer significar a inexistência de duração que instrui o processo cognitivo,

identificando-se o intuitivo na percepção imediata da relação sujeito-objeto.

Locke e Descartes parecem acordar com Aristóteles e Tomás de Aquino em que a

demonstração depende sempre de supostas verdades indemonstráveis, designadas axiomas,

proposições imediatas, primeiros princípios ou máximas auto-evidenciadas. Descartes e Locke

insistem que, no raciocínio, a conexão lógica entre premissas e conclusões também é

indemonstrável, devendo ser percebida intuitivamente.

W. Pepperell Montague 137, ao abordar o estado ontológico dos universais e a significação



cosmológica das proposições universais e necessárias, observa que:

... a fase subjetiva da controvérsia entre o racionalismo e o empirismo desenvolveu-se em duas

partes: I - a questão da origem psicológica dos conceitos universais; II - a concernente à validez lógica dos

juízos universais e necessários, em especial os que são necessários e evidentes por si e sua diferença em

relação aos que são meramente contingentes (...) Já provamos que acerca dessa matéria existem três teorias:

I) O empirismo extremo sustenta que os conceitos universais são redutíveis a preceitos particulares e que os

juízos necessários são redutíveis a juízos contingentes. II) O racionalismo extremo que observa o particular

e o contingente como sendo redutíveis ao universal e ao necessário. III) A doutrina dualista ou conciliadora

137 MONTAGUE, W. Pepperell. Los caminos de conocimiento. B. Aires: Sulamericana, 1944.



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(a que referido autor é filiado), segundo a qual estão genuinamente presentes na experiência tanto os juízos



universais como os particulares, tanto a necessidade como a contingência.

Hume138 designa o exercício do pensamento demonstrativo como raciocínio experimental

ou raciocínio concernente a matérias de fato, fundado na analogia que reporta o princípio da

uniformidade da Natureza à interpretação dos fenôme nos. E, assim, o raciocínio experimental,

quando se serve do método racional e do empírico, sujeita-se a dois conceitos que devem ser

clareados: necessidade e contingência.

Muitos pensadores, cujas potencialidades foram reveladas na sistemática do

conhecimento, entre eles religiosos tais como Zoroastro, Budha, Confúcio, Cristo e Maomé, usam

simultaneamente do racionalismo e do empirismo, quando não recorrem a outros métodos

cognitivos.

De forma preponderante, as lideranças do pensamento religioso, anunciam verdades

utilizando-se de metáforas, ou seja, de recursos fornecidos pela lógica empírica e discursiva. E,

na medida em que prospera a comunicação, exteriorizam-se os exemplos empíricos transpostos

para os campos da metafísica.

Temos por verdadeiro que, seja quando de natureza especificamente religiosa ou em

generalidades místicas, a metafísica é o campo próprio da atividade intelectiva em que são

propícias as conjecturas ontológicas e cosmológicas.

O processo de divulgação do pensamento metafísico, especialmente no que diz respeito

às religiões, opera-se na interação de misticismo, autoritarismo, racionalismo e empirismo.

Observa-se, nesse fenômeno de comunicação humana, que o significado aportado pelas metáforas

e parábolas, cujas formulações emprestam à narrativa parâmetros de realidade supostamente

incontestável, passa a ser aceito como verdade inabalável. Esse fenômeno ocorre, em nível de

aproveitamento de mensagem, mesmo quando estamos conscientes de que tais metáforas são

apenas simulacro de rela ções abstratas, reduzidas e simplificadas, supostamente comprovadas

por uma ilusória experiência sensível.

Quando tratamos de racionalismo e empirismo, somos tangidos por dois significados que

se revelam em duas palavras: necessidade e contingência , cujo clareamento é, a esta altura,

imprescindível.



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