Gustavo Korte


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consiste em que é certo duvidar sempre. É essa dúvid a cruel e constante que nos leva a reconhecer

que sabemos porque nada sabemos 198.



50 - O que é certeza?

e certeza se aproximam quando vagamos pelos campos do conhecimento. Mas,

enquanto a fé resulta da crença inabalável, cujas raízes são presas ao mistic ismo, a certeza vem

pelo uso coerente da razão, informada pelo racionalismo empírico ou abstrato.

Fé, do latim fides,ei, é substantivo que aporta o significado de crença inabalável mística

ou religiosa. A fé pode ser gerada por dogmas ou doutrinas que, como adotadas como

pressupostos, dão consistência racional a manifestações de cunho místico ou religioso. Na Igreja

Católica Romana a fé corresponde à primeira virtude teológica.. No significado usual,

corresponde a ter firmeza nas convicções que motivam a execução de algum empreendimento,

seja decorrente de promessa ou compromisso. Aporta ainda a idéia de crença e confiança. Traz a

idéia de fé de ofício, que corresponde à verdade que deve estar necessariamente contida nos

relatos de certos funcionários públicos ou profissionais liberais.

Até poucos anos atrás era fácil afirmar não haver maior abismo, nos campos do

pensamento, senão aquele projetado entre a e a razão. Nesse período, denominava-se

conhecimento científico ao enunciado necessário e suficiente para identificar o fenômeno, tal

como revelado na relação causa-efeito. Todavia, as teorias e informações assentadas pela física

quântica, forçaram os filósofos a repensarem a questão. E, hoje, considera-se conhecimento

científico o enunciado que é objeto de uma crença verdadeira e justificada.

Mas, o que quer dizer crença verdadeira? Significa a crença que é verificável pelo

racionalismo, ou seja, aquela cuja expressão é aceita como verdade fora de dúvida em face do uso

da razão. Ou seja, a crença verdadeira é a que expressa uma relação constante entre o que se

verifica na realidade e o que se acredita na teoria.

Certeza é o designativo da qualidade do que é certo Em função dos limites do

conhecimento, refere-se ao que é exato, bem delimitado, posto fora de dúvida. Resulta de um

processo íntimo de convencimento e iguala-se à convicção. Dá origem ao estado de consciência

em que sentimos estabilidade e segurança em relação ao que supomos conhecer. É expressa por

afirmação ou negação categóricas. Em filosofia, o designativo revela o convencimento de que há

objetividade, visível para os demais, naquilo de que se tem certeza. Parece corresponder a uma

realidade que se pretende objetiva e subjetivamente suficiente, a partir da qual emerge uma

evidência inquestionável.

Newton da Costa199 afirma:

Nas diversas ciências o tipo de justificação não é sempre o mesmo. Por exemplo, na matemática (pura),

constitui conhecimento a validade do teorema de Pitágoras no seio da geometria euclidiana, pois temos uma

demonstração do mesmo. A demonstração é, neste caso, a justificação. Já nas ciências empíricas, como a física e

a economia, suas leis teorias valem aproximadamente. A justificação, para crermos em nas leis e teorias, em tais

ciências, depende de considerações empíricas acima de tudo: das conseqüências verificáveis, da resistência a

testes críticos, da simplicidade (sempre perseguida pelo cientista) etc. Em síntese, conhecimento é crença

verdadeira e justificada200.

Impõe-se aprofundarmos o entendimento visando esclarecer o que é crença verdadeira,

quando e em quê a diverge ou converge para a crença verdadeira, e em quê, como e quando é

198 A expressão originál é atribuída a Sócrates: sou sábio porque sei que nada sei.

199 Newton da Costa é engenheiro, matemático e filósofo. Lecionou lógica, matemática e filosofia na Universidade de São Paulo, no Instituto

Tecnológico de Aeronáutica e na Universidade de Campinas. É o autor da teoria da quase-verdade, que preserva a idéia de uma (quase) verdade

inviolável e irrevogável.

200 COSTA, Newton. O conhecimento científico. S. Paulo: Discurso Editorial. 1997, p. 22-23.



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permitida a justificação difere do enunciado que define a relação causa-efeito. Este

aprofundamento traduz uma grande peregrinação filosófica, de natureza existencial e intelectiva.

Esta viagem começou no momento em que o ser humano tomou consciência de que é ser

pensante e reflexivo. Os marcos que assinalam esse percurso mostram os possíveis caminhos para

o conhecimento. A metodologia transdisciplinar é o caminho que nos parece mais próprio,

compatível e oportuno para dar seguimento a essa peregrinação.



51 - Dúvidas sugeridas pela matéria abordada

- As relações humanas, positivas ou negativas, dependem dos indivíduos e do seu grupo

social? À primeira vista, a resposta correta parece ser positiva. Todavia, convém avançar no

questionamento antes de responder.



- As relações humanas dependem das idéias, das linhas e formas de pensar que são

formadas na mente humana? Também aqui a resposta parece ser positiva. Devemos, por cautela,

prosseguir questionando.



- Tais relações dependem da vontade humana de ordenar, criar e propiciar o

nascimento ou a morte, o desenvolvimento ou a involução da sociedade?

- Em que nível fatores espaciais externos interferem nos fatores espaciais internos

enquanto atuam nos seres humanos?Há alguma reciprocidade nessas relações?

- As nossas relações com o contexto e a conjuntura em que vivemos dependem desses

inúmeros possíveis fatores?

- Até onde vivemos e participamos, com nossa consciência e nossa vontade, das relações

em nosso grupo social, em nosso país, em nosso Planeta ou no Universo?

- Essas vontades e desejos podem agredir ou respeitar a Natureza? Podem eliminar ou

salvar os indivíduos, a espécie ou o gênero humano? Podem inibir ou promover o progresso?

- O encontro das respostas a esse tipo de indagações pode fazer de nós seres conscientes

ou indiferentes, arrojados ou inertes, amorosos ou odientos, interessados ou desinteressados,

autores ou vítimas do processo social?

- Há padrões e matrizes norteadores das formas de pensar ou pelos quais estas fiquem

limitadas ou condicionadas quando atuam na busca ou abordagem do conhecimento?

52. Indivíduo, dualismo e contexto

Pelos caminhos da razão e da experiência torna-se perceptível a existência de um

trinômio: indivíduo, dualismo e contexto. Estamos, pelas formas de percepção empírica ou

intelectual, acostumados a pensar o mundo de forma dualística, numa seqüência cronológica de

fatos ou idéias que são sempre apreendidos e conhecidos através dos contrastes.

Sentimos, através de nossos órgãos sensoriais, auxiliados pelas formas de percepção, o

claro em relação ao escuro. O cheio em relação ao vazio. A vida em contraste com a morte. O

plano em relação ao curvo. O seco em relação ao molhado. O quente em relação ao frio. O

completo em oposição ao incompleto. O colorido em oposição ao incolor. O transparente em

relação ao opaco. O alto em relação ao baixo. O pesado em relação ao leve. Em relação aos

fenômenos éticos expressos nas ações humanas, através da captação de formulações discursivas,

entendemos que há o certo em relação ao errado. O justo em oposição ao injusto. O bem se

opondo ao mal. O bom em relação ao ruim. O faminto em relação ao satisfeito. O sincero em

oposição ao insincero. O alegre em relação ao triste. O humano e o desumano. O fraterno e o

estranho. O decente e o indecente. O agradável e o desagradável. O sábio e o néscio. O culto e o

ignorante. E o amoroso e o odioso. O egoísta e o alt ruísta. O pobre em relação ao rico. O doente



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em oposição ao que tem saúde. O analfabeto em relação ao alfabetizado. O honesto opondo-se ao

desonesto. O correto enfrentando o incorreto. O desajustado enfrentando o ajustado. E assim por

diante.

Há pouco mais de dois mil e trezentos anos, Aristóteles deu início à sistematização da



Lógica discursiva baseado num princípio que ainda hoje norteia seus seguidores; o princípio da

contradição. Newton da Costa afirma que:



Por diversas e variadas razões, aos teóricos que formaram e, ao longo dos séculos, desenvolveram esta

disciplina (a Lógica) sempre pareceu que (e eis uma de suas possíveis formulações) era decididamente ilegítimo

afirmar, sobre um mesmo objeto, que ele, a um só tempo, possuía ou deixava de possuir determinada

propriedade. No interior deste quadro, o surgimento de uma lógica que, de algum modo, qualificasse ou

restringisse este princípio representaria drástica reformulação teórica no contexto de uma disciplina que, por

centenas de anos, caracterizou-se de modo genérico, pela pouquíssima variabilidade conceitual - sobretudo no

que se refere a seus princípios básicos201.

Ora, é evidente que o suporte empírico deu à lógica oriunda do pensamento aristotélico

uma correspondência no mundo dos fatos, em que os juízos eram ou podiam ser verificados por

sua natureza, quantidade, extensão, etc. E, os conhecimentos experimentais, informados pela

física e outras ciências empíricas, regeram durante todos esses séculos, de forma inequívoca, o

arcabouço racional-empírico em que evoluiu esse campo do conhecimento. Somos induzidos a

aceitar que nessa dualidade entre racionalismo e empirismo, abstrato e concreto, há sempre a

existência de um terceiro elemento transdisciplinar, que contém os opostos e que, quando levado

aos limites do infinito, chega ao que chamamos Universo, ou seja, o Contexto Total.

O que para duas pessoas parece certo ou errado, conveniente ou inconveniente, pode não

ser certo ou errado para as relações que operam ou dominam o contexto dos demais. O que para

uma pessoa ou um grupo social parece bom, pode ser ruim frente ao meio em que ambos se

encontram. O que para dois povos pode ser ruim ou bom, pode parecer o inverso para os demais.

O que é bom e útil para uma minoria, pode ser péssimo ou inútil para outra minoria, ou quem

sabe, para a maioria. Ou o reverso.

Contrapondo-se ao ceticismo cabe observar como a Natureza prossegue implacavelmente

em sua obra de criação, eliminação e restauração da vida Ao longo do tempo, o contexto total

absorve os opostos e gera outros pólos de relação, nem necessariamente dualísticos nem

necessariamente antagônicos.

Assim, parece- nos forçoso concluir que entre o dogmatismo (autoritarismo) e o ceticismo

adotados como métodos para chegar ao conhecimento, deve ser acrescida, quando menos, a



probabilidade de que algum elemento seja verdadeiro ou, o que dá no mesmo, de que há

probabilidades de que nem todos os conceitos sejam falsos e alguns deles ultrapassem os limites

do concreto, do abstrato e do fictício.

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Capítulo VII

Amorosidade



53 - O senso comum e a amorosidade

Quando tratamos de relações de amor, que se revestem de amorosidade, não excluímos o

que o senso comum indica por atração sexual, como também não sugerimos que a sexualidade

seja entendida como a essência do amor ou do gesto amoroso.

O vocábulo português amor tem origem no verbete latino amor,is. Amor foi deificado

como Eros pelos gregos da ambigüidade. Na mitologia romana Amor, por antropomorfismo,

revela-se na forma de Cupido, filho de Vênus, dis tanciando-se da tradição teogônica do deus

grego, pois, para os helênicos, Eros não tinha sido gerado nem concebido por pai ou mãe.

Hesíodo, na Teogonia, trata Eros como um dos deuses originários, que não teve pai nem

mãe. O poeta helênico assim se reporta ao princípio dos tempos: No princípio era o



Chaos...depois Gaia... depois Nyx... Tártaros... e Eros...202.

O senso comum traduz vários significados que estão presentes em locuções onde o

verbete amor é um dos elementos, seja com significado gramatical (léxico) ou lógico (sintático).

Amor à primeira vista é a revelação de uma força amorosa agindo de forma imediata e direta, no

primeiro momento em que o sujeito ativo toma consciência da.existência física do sujeito passivo.. Amor



carnal é o que responde aos anseios do corpo. Amor virtual refere-se a imagens virtuais e enfoca alguém ou

algum ser cujo acesso é mantido nas abstrações mentais do sujeito ativo: p.ex. amor por coroas, cavalos e

cachorros. Diz-se amor livre aquele que é revelado em relações não vinculadas a regras ou normas religiosas

ou legais.. Amor platônico identifica a ligação amorosa virtual que não se consuma fisicamente. A expressão



fazer amor identifica, no uso diário da atualidade, a prática de relações sexuais, traduzindo o significado de

cópula. Pelo amor de Deus revela o respeito devido à divindade, entendido como a força que deve dominar a

relação à qual se refere. Traduz-se, de forma mais genérica. o significado de amor pelo mesmo de caridade,

misericórdia e compaixão. Há, todavia, muitos outros significados assinalados nos dicionários. Amorosa é

adjetivo que qualifica a ação decorrente da prática ou da inclinação ditada pelas relações de amor. Diz

respeito ao que é ligado ou relativo ao amor. Evidencia características do amor tais como carinho, ternura,

atenção e respeito. Também qualifica o portador do sentimento de amor. Usualmente, triângulo amoroso

denuncia a relação amorosa simultânea entre três pessoas.

No Velho Testamento, Jehovah é considerado o Deus Único compassivo, clemente,

longânimo, de misericórdia, bondade e fidelidade, ou seja, Jehovah é Deus de amor.

Moisés exalta Jehovah em conformidade com suas crenças:

201 COSTA, Newton. Obra citada, p. 97.

202 HESÍODO. Teogonia. Versos 116 a 120..

214 Exodo, 34: 6 a 7.



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6. Senhor, Senhor, Deus compassivo, clemente e longânimo, e grande em misericórdia e fidelidade;

7. que guarda a misericódia em mil gerações, que perdoa a iniqüidade, a transgressão e o pecado, ainda que

não inocenta o culpado, e visita a iniqüidade dos pais nos filhos, e nos filhos dos filhos, até a terceira e

quarta geração203.

Os cristãos, ensinam que Deus é amor. Quanto a essa afirmação, não deixam dúvidas as

palavras do Evangelista João, considerado o Apóstolo do Amor.

Aquele que não ama não conhece a Deus, pois Deus é amor204.

E nós conhecemos e cremos o amor que Deus nos tem. Deus é amor, e aquele que permanece no amor

permanece em Deus, e Deus nele205.

Pela mesma senda de crenças, Paulo de Tarso ensina, na carta aos Efésios, redigida e

enviada aos cristãos de Éfeso no ano 61 da era cristã:

Mas, seguindo a verdade em amor, cresçamos em tudo naquele que é a cabeça, Cristo, de quem todo o

corpo, bem ajustado e consolidado, pelo auxílio de toda junta, segundo a justa cooperação de cada parte,

efetua o seu próprio aumento para a edificação de si mesmo em amor206.

Na poesia clássica latina, Amor resulta da ação de Cupido, deus que propicia o encontro e

a efetivação de relações amorosas de natureza sexual, pelas quais a espécie humana se perpetua.

Como substantivo, no vernáculo, amor significa também desejo, vontade, apetite, paixão.

Lange207 entende os sentimentos e as emoções como subclasses das paixões. Por esse

critério, amor é sentimento, identificado nas relações humanas, em que o sujeito da ação amorosa

visa o bem para o ser amado. Paixão liga pelos sentimentos um ser vivente a outro, que pode ou

não estar vivo. O designativo amor também expressa relações particulares ou coletivas, sociais

ou nacionais, mediante locuções tais como amor a Deus, amor à Pátria, amor à bandeira nacional,

amor à família. Em tais expressões o verbete aporta o sentido de preservação do coletivo e do

social, ao longo do tempo.

Do ponto de vista mitológico amor designa uma divindade. Entende-se amor místico

como vocação ou resposta ao chamamento divino. Esta hipótese expressa a devoção do ser

humano à divindade de sua eleição. O amor místico é força geradora que leva ao ingresso nas

carreiras sacerdotais, quando não se limita a incentivar cultos religiosos ou inspirar sentimentos

de adoração. Nos fenômenos biológicos o amor revela-se como força, tanto em potencialidade

estática como por manifestações dinâmica, na medida em que age sobre os seres vivos e torna -se

causa determinante de atração especial reprodutiva entre indivíduos da mesma espécie e de

sexos distintos. Ocorre como força reprodutiva, componente do que é designado como instinto

de conservação da espécie.

O senso comum entende fazer amor como prática sexual, independentemente dos

sentimentos que a inspirem.. Ainda nos estudos de biologia, psicologia e neurofisiologia, amor

corresponde a uma força de atração física e natural entre animais de sexos opostos. Nas relações

sociais revela-se o amor nas manifestações que se traduzem por apreço. Apreço é designativo de

valor humano atribuído a alguém ou alguma coisa, convergindo para o significado de estima e

alta valia. Corresponde ao dimensionamento da intensidade da força que age entre o sujeito e o

ser a que se reporta. Traduz a idéia de a+preço=estimativa de valor de aproximação entre o

sujeito e aquilo a que se refere.

Dentre outros, o significado de amorosidade converge também para respeitabilidade,

atenção, atração, arte e afago, conceitos que merecem ser levemente clareados.

204 I João, 4:8.

205 I João, 4:16

206 Carta de Paulo aos Efésios, 4:15-16

207 LANGE, Carl. Les émotions. Paris:Felix Alcan, 1898.



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Respeitabilidade deriva do latim re-spectum, com o significado do que espelha o passado. Veio para

o vernáculo como substantivo, des ignando a qualidade atual ou remota que merece ser bem considerada em

razão de suas virtuosidades. Respeito, tem origem no verbete latino respectus, us, designativo original da

ação de olhar para trás. Aporta idéias de consideração, atribuição de valor, acatamento de autoridade,

reconhecimento de importância. No vernáculo significa ainda ter medo, temor, receio, obediência,

deferência, submissão, reverência, veneração. Nas locuções com respeito a e a respeito de indica o assunto a

que faz referência. Diz-se que alguém falta ao respeito quando se mostra descortês, inconveniente ou

indecente.

Etimologicamente, o verbete atenção remonta ao substantivo latino attentio,onis, com

referência a atenção, aplicação, esforço, cuidado.

O verbo attendo ou adtendo tendi,tentum, traduziu para o vernáculo as ações direcionadas a dar

atenção especial para determinados fenômenos ou responder conscientemente a determinado estímulos. A

locução estado de atenção sugere um processo de conscientização do que ocorre, em que os sentidos ficam

alertados, com plena capacidade de decodificar, perceber ou transmitir respostas aos estímulos. Atento

identifica um estado de consciência em que as formas de percepção se mostram aptas a refletir, entender e

responder corretamente aos estímulos.

Dar atenção significa também cuidar ou cultivar coisas ou atividades, próprias ou de

outrem. Em relação aos fenômenos psíquicos, refere-se ao exercício cuidadoso das faculdades

mentais, por acuidade perceptiva, concentração, reflexão e aplicação. Em relação ao amor e à

amorosidade, atenção se manifesta no ato ou palavra de que emerge a força amorosa. Nesta

hipótese, subordina-se aos significados de respeito, carinho, cuidado, consideração, amabilidade,

urbanidade, cortesia e devoção. O designativo atenção traduz também a idéia de uma força que

age sobre um estado de consciência transcendendo os estímulos usuais diante do mesmo

fenômeno.



Atenção!, usada como interjeição, é palavra -fonema que se presta a alertar a consciência, excitar os

sentidos, impondo ou sugerindo atitudes, lembrando regras e mandamentos, prevenindo riscos ou acidentes.



Atentar, do verbo latino attento,as,avi, um, are, significa agir pelo tato das mãos. Com este sentido refere-se a

tentativa e a experimentação. Juridicamente atentar significa o sentido de tentativa de ofensa ou agressão. No

senso comum atentar corresponde a ofender, transgredir, atacar, invadir, agredir ou ameaçar.



Carinho designa o gesto, o ato ou ação que procura expressar amor entre pessoas,

entidades ou animais. Corresponde à manifestação de sentimento amoroso. Converge para os

significados de afago, meiguice, carícia,, cuidado, desvelo, respeito. Atração tem origem no

substantivo latino attractio,onis. Expressa um sentimento que antecede e provoca junção, união,

fusão ou aglomeração de seres, pessoas ou coisas. No campo das ciências aplicadas, revela-se

como grandeza física, de natureza vetorial, com intensidade, direção, sentido, ponto de aplicação

e duração. Para o senso comum é entendida como uma força, revestida de potencialidades tais

como encantar; aproximar, juntar, aglomerar, integrar, fundir, confundir. A atração pode ser

revelada por disposições genéticas, por inclinação decorrente de posições naturais ou

circunstâncias, por pendores ou diferenças, morfológicas, ontológicas, de potencial, de altura

(gravidade) ou de proximidade física (espacial).

O designativo atração psíquica ou mental traduz a força que age sobre um estado de

consciência íntima, em que os estímulos são transcendentes aos estímulos físicos, fora dos limites

e circunstâncias abrangidos pelos conceitos de espaço e tempo.



Arte, do substantivo latino ars,tis, por sua vez originário do grego areté, traz o significado

daquilo que resulta da vontade e da ação humanas, revelando-se por habilidades e técnicas.

Origina-se da criatividade, gerada pelo dom natural e pelo talento do artista. Retrata a capacidade

de produzir ou reproduzir o que é belo.



Afago é gesto de carinho. O afago pode ser teórico, prático ou misto. Teórico, quando por

meio de palavras, sons e gestos que provocam sensação de conforto e bem estar, suscita, desperta

ou motiva sentimentos ou emoções. Prático, quando tais efeitos ocorrem no mundo dos sentidos,


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