Gustavo Korte


Metodologia e Transdisciplinaridade Gustavo Korte



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Metodologia e Transdisciplinaridade Gustavo Korte

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provocando sensações e percepções prazerosas, agradáveis ou satisfativas. Misto é o afago que

ocorre tanto por meio de abstrações teóricas como por meio de sensações materializadas no

mundo empírico, do que é concreto e sensível. Afago significa também carícia e meiguice. Há

expressões em que o afago é revelado no sentido de proteção e favor, como em afagos do

destino.

No sentido utilitarista, sugerido pelo pragmatismo naturalista, que supostamente gerencia

o que ocorre no Universo, pode entender-se por amor a força de atração de que resulta uma

ligação profunda entre seres, entidades ou coisas, que tem por fins últimos: a) possibilitar a

reprodução e continuidade das espécies, b) preservar as combinações ideais, energéticas ou

materiais de idéias e formas de pensar, de matérias e materiais, de substâncias, de seres, coisas e

entidades; e c) reconhecer, entre os seres humanos, que amor é propício ao prazer físico ou

mental.


Com este sentido, toma mais força o princípio enunciado por Lavoisier, de que na

natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma. Diz-se amoroso o comportamento que

revela respeito, zelo, cuidado, atenção e carinho.

Por amor à arte é locução que traduz a força dirigida ao que é belo, prazeroso e cuja razão de ser

está ligada a satisfação intelectual ou física, despida de interesses pecuniários ou remuneratórios. Muitas

vezes por amor à arte significa fazer pelo prazer de realizar, de agir, de exercer a atividade ou profissão, agir

como um fim em si mesmo. Também quer às vezes significar trabalhar gratuitamente.

A idéia de amorosidade está contida, no significado de amor. Como força é expressão de

uma grandeza vetorial, o amor torna-se mensurável em razão do entusiasmo que motiva os

amantes. Entenda-se por entusiasmo a força mental subjetiva presente na relação amorosa.

Observamos que muitos de nós nos referimos a amor como o que ocorre numa relação

entre pessoas.

Relação. Etimologicamente aglutina o prefixo re acrescido do particípio passado do verbo latino

fero, fers, latum, ferre, significando trazer algo, referência. Liga um fato, pessoa, coisa ou acontecimento a

outro. Diz respeito à idéia, ação ou qualidade que liga ou pode ligar dois ou mais conceitos, coisas e idéias.

Sinaliza a existência de vínculos. Relação é sempre a expressão de razão (lógica, numérica, discursiva,

musical etc.) ou de ligação entre elementos iguais, semelhantes ou distintos. Há razões abstratas expressas por

idéias. Há razões concretas expressas nos fenômenos físicos.



54. A amorosidade nas relações entre a autoridade, o sujeito e o processo cognitivo

Vamos, primeiramente buscar os sinais que nos são trazidos pelos verbetes amor e seus

derivados. Percebemos desde logo que quando falamos de amor emerge o sinal do respeito que

deve reger as relações amorosas. Vamos, pois, esclarecer a idéia de respeito com ajuda do

autoritarismo e do empirismo de que se revestem os conhecimentos etimológicos.

Há um eixo comum entre o significado de respeito e o fenômeno gerado a partir de um

princípio ordenatório, de natureza cronológica, anunciado pelo empirismo. Re+spectum tem a

ver com olhar para trás, retratar o passado, a história gravada em cada ser ou entidade, seja coisa,

planta, animal ou pessoa e em cada lugar. O empirismo e o pragmatismo mostram que até os

objetos inanimados, em função de sua utilidade, são respeitados para que possam cumprir suas

finalidades.

A experiência ensina que muito se pode ganhar ao cultivar respeito pelas pessoas, pelos

seres que integram o contexto, e mesmo diante das coisas que compõem o mundo aparentemente

inerte que nos rodeia. A partir dessa aprendizagem, parece-nos fundamental cultivar o respeito

tanto nas relações pessoais tanto à natureza como aos indivíduos.

Ainda que os períodos em que podemos respeitar a natureza e as pessoas sejam restritos

aos limitados momentos em estamos conscientes de nossos relacionamentos, o fato é que essas

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oportunidades são corriqueiras. Podem tornar-se freqüentes tanto nas vivências diárias com

pessoas, animais e plantas tanto como em todas as relações com todos os demais seres ou

entidades. E a partir do condicionamento originado da habitualidade, o respeito torna -se rotineiro

e, porque não dizer, inconsciente, incorporando-se às características pessoais que definem e

estimulam nossa personalidade.

Somos levados a acreditar que respeitar corresponde, pois, a uma resposta amorosa de

cada um de nós ao contexto em que vê processada sua existência. Respeitar propicia e dá

continuidade à vida. Como ação, torna-se componente da amorosidade.

A verdade contida na expressão amar a vida decorre do relacionamento dinâmico,

harmônico, positivo e confortável da pessoa com seu contexto. Amar a vida revela coerência e

compatibilidade entre o sujeito que ama, suas vontades, seus desejos e os demais elementos que

integram o conjunto a que ele pertence.

A observação mostra que o fenômeno humano revelado na expressão amar a vida é ação

momentânea, sujeita a duração e descontinuidade, o que sugere que o amor também se apresenta

com as mesmas características: duração, descontinuidade e oportunidade.

O verbo respeitar tem origem no latim re-specto, avi, tum, are, que traz a idéia e o

significado de olhar para trás; olhar para alguém; fugir; voltar-se para olhar; ter os olhos em;

prestar atenção a ; ocupar-se de. O respeitar que mais nos sensibiliza é dar atenção aos seres e

entidades contextualizados, com espírito de observação, identificação e apreensão de idéias e

formas de pensar envolvidas nos acontecimentos.

Do oráculo de Delfos, na Grécia Clássica, ecoam, de forma mandamental, as expressões

conhece-te a ti mesmo e nada em excesso.

A China é expressão da cultura nacional viva mais antiga de que se tem notícia. Essa

nação abrange etnias reunidas sob a bandeira do mais populoso estado nacional. De sua herança

cultural emergem os ensinamentos de Confúcio. Com ela ecoam sete palavras fundamentais do

grande mestre dos rituais e da ética chinesa.: fidelidade, altruísmo, humanidade, justiça, decência,

sabedoria e sinceridade. Em cada uma destas palavras está contida uma idéia chave que liga o

indivíduo às coordenadas pelas quais deverá ser regido e desenvolvido o seu processo de vida.

Do cristianismo emergem os dois mandamentos fundamentais: amar a Deus sobre todas



as coisas e o próximo como a si mesmo, que induzem os cristãos ao cultivo de uma ligação de

amor perene e direta, com Deus e os seres humanos que lhe estão próximos.

Os mandamentos nos chegam pelas tradições, usos, costumes e também pelo

conhecimento. Em cada regra mandamental está contida pelo menos uma idéia, uma vontade e

uma ordenação. Cumpridos ou desobedecidos, os mandamentos são expressos em palavras de

ordem. Muitas vezes são recebidos por indução, que nos chega por outras formas de comunicação

que não as da linguagem discursiva.

A experiência ensina que palavras de ordem (mandamentais) refletem um princípio



ordenatório revestido da ação de quem desfruta de autoridade e poder. Assim, somos levados a

admitir que existe ou existiu uma autoridade anterior, dotada de poder originário. A maioria da

humanidade, desde tempos imemoriais, deifica essa Autoridade que, cronologicamente, nos é

Anterior, e atua, segundo a abordagem que nos é oferecida pelo misticismo, desde os mais

elementares sinais de vida humana no planeta. Pode-se perceber o sentido divino dessa

Autoridade. Muitos designam por Shiva, Krishna, Jahveh, Alah, Zurvan, Ser Imutável, Ormuzd,

Budha, Brahma, Pai Criador ou Grande Arquiteto do Universo. Também muitos reconhecem essa

Autoridade Anterior como sendo um Princípio, Único, que rege e é Senhor do Universo,

Onisciente, Onipresente e Eterno. O Princípio da Ordem que rege a Natureza, para alguns

identificados como a própria Natureza, surge como linha de pensar que antecede a existência de



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todo ser vivo.

O poder da autoridade define-se ao enunciar, ditar, ordenar e fazer cumprir o que dispõe.

Gera respeito e obediência, seja por palavras de ordem ou por outras formas de induzimento, que

podem incluir, em casos extremos, a força física e a violência. Daí resulta a observância dos

princípios ordenatórios.

O conteúdo dos cromossomos e genes que compõem as nossas células segue

ordenamentos genéticos. O intelecto aceita como verdade que há uma seqüência: idéia - vontade -

ordenamento - criação - nascimento. Intuo que há uma Ordem Natural e Universal que rege

coisas, pessoas, ações, processos e idéias. Esse Princípio Ordenatório não atua somente no

planeta Terra ou no Sistema Solar. Mas intuo, também, que há uma ordem natural que só se

aplica ao planeta Terra e aos seres e coisas que o integram.

Quando se fala em respeitar a natureza fica implícita a idéia de um histórico natural,

respeitado e preservado, para que a vida continue. A experiência histórica induz à percepção de

que há uma ordem natural das coisas, que pode ser enunciada a partir da complexidade que

sujeita e envolve os fenômenos naturais.

Podemos ordenar fenômenos a partir dos mais simples para os mais complexos. O sentido

contrário também é propiciado pela razão. Na Zoologia e na Botânica, as classificações

sistemáticas e as respectivas nomenclaturas obedecem, em princípio, ao primeiro desses critérios,

ou seja, do mais elementar para o mais desenvolvido.

O respeito ao ordenamento fundamental das coisas e dos pensamentos se prende a uma

noção de tempo. Heródoto é o primeiro dos historiadores conhecidos que procura sistematizar

fatos e fenômenos históricos no eixo dos tempos. Esta lição serviu ao homem e às suas formas de

pensar nos últimos dois milênios, pois acreditamos que nossa experiência de vida se manifesta

numa relação de respeito à seqüência antecedente-atual- conseqüente; primeiro- segundoterceiro

ou antes- agora- depois.

Existem vários princípios de ordem que podem ser adotados. Todo processo ordenatório

resultante da ação humana ou que submete os seres humanos é, em si mesmo, um fenômeno

ético.É possível que não saibamos pensar fora das noções de massa, espaço e tempo, por

exclusiva dependência da natureza empírica das experiências decodificadas por nossa estrutura

neurofisiológica. Daí que, os princípios ordenatórios a que submetemos idéias, linhas e formas de

pensar atuam sempre condicionados a parâmetros revelados por números e quantidades

atribuídos a tais grandezas.

Pitágoras, nos primórdios da sistematização do conhecimento, entendeu a subserviência

da razão aos sentidos, identificando nas quantidades as diferenças sensíveis e afirmando que as

qualidades correspondiam a diferentes combinações de uma mesma unidade, tida por quantidade

fundamental, que designou mônada.

A ordenação histórica conduzida pelo espírito humano respeita o fator tempo para

concretizar-se; somente ocorre quando se tem por conhecedora de algum dos princípios que

regem o Universo,. Esta constatação emerge da ação de formas de percepção intelectiva, pelas

quais é desenvolvido, por uso dos sentidos, uma grande parte do potencial humano.

Sentimos os efeitos do que designamos tempo sobre nosso corpo e em nossas

transformações físicas e mentais. Há muitas noções de tempo. Mas, sob o enfoque de qualquer

delas, o tempo se faz sentir e não se interrompe. O tempo não para nunca.

Pelo empirismo observamos, via das experiências individuais e coletivas, que em todas as

ações o tempo é respeitado e identificado nos limites definidos pela duração do fenômeno.. Se

não olharmos para trás e para frente, ou seja, se não respeitarmos (visão retrógrada) a incidência

do tempo em nossos projetos (visão futurista), nada poderemos concluir.



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Destarte, emergem de tais considerações dois parâmetros para entender o mundo:

a) ou acolhemos as ordenações dos fatos passados, segundo as experiências individuais e

coletivas (visão retroativa )

b)ou ordenamos projetos e esperanças (visão pró-ativa).

Há ordenações que, embora ocorram em nível de abstrações, são subordinadas a critérios

estritamente empíricos, adotados segundo formas de sentir e perceber. Tais processos estão

sempre ligados a uma ordem cronológica. Essas são ordenações teóricas e procuram sistematizar

idéias, linhas e formas de pensar conforme supostos critérios estritamente racionais, mas que

decorrem sempre, de alguma experiência sensível.

Em princíp io, parece-nos irrecusável afirmar que as ordenações submetem-se a:

a) regras racionais, numéricas ou discursivas;

b) a formas de percepção originadas de sensações e emoções e

c) a uma compatibilização cronológica.

Respeitados os critérios de ordenamento, pode-se chegar a pontos comuns acerca de

possível quantificação e classificação de forças tais como o amor, o ódio, a amorosidade, a raiva,

o interesse, o desinteresse e tantas outras. Isso porque, nas relações em que expressamos

amorosidade ou amor, us amos palavras indicadoras de quantidades relativas: mais, menos, muito,

pouco, quase nada, demais, de menos.

Intuímos, dessa maneira, a possibilidade de atribuir ao amor e à amorosidade idéias que

expressam quantidades. Assimilamos, conseqüentemente, que amor e amorosidade são grandezas

vetoriais e que podem ser dimensionadas. .

Grandeza é tudo aquilo a que se pode atribuir valor numérico. Grandezas primitivas são

definidas por si mesmas, ou seja, são definidas originariamente. Grandezas derivadas são

reveladas em relação a outras grandezas. Grandezas vetoriais são definidas por intensidade,

direção, sentido e ponto de aplicação.

Na medida em que o amor existe num período de tempo, podemos dizer que o amor

depende do tempo, ou seja, amor é função do tempo. Como fenômeno natural, o amor está sujeito

ao que designamos por duração..

A= (f) t

Podemos dizer que o amor é também uma função de fenômenos fisiológicos diversos, de

natureza emocional, tais como, dosagem de determinadas substâncias no organismo, identificadas

pela presença ou ausência de certos produtos químicos que afetam a estrutura cerebral e as

reações nervosas; que atuam sobre o intelecto, os nossos centros de decisão, etc.

A= (f) F

onde F corresponde ao conjunto dos fenômenos fisiológicos que são geradores da relação

amorosa. Reconhecendo nesse conjunto elementos identificados como fenômenos (phenomenae)



p1, p2, p3, p4... e pn, pode-se dizer que o amor resulta de um conjunto de estímulos gerados por

fenômenos materializados em substâncias, pessoas, relações etc.

A= (f) [p1, p2, p3... pn)

Somos assim levados a crer que o amor pode ser considerado como grandeza derivada, e

que é manifestada por meio de combinações, arranjos e permutações de outras grandezas.

Destarte, pode-se concluir que o amor é uma grandeza vetorial, pois pode ser definido por

intensidade, direção, sentido, ponto de aplicação e temporalidade.

Resta-nos compreender a amorosidade universal como força que existe desde muito antes

da ocorrência da espécie humana sobre o planeta. Divinizada pelos místicos e religiosos, exaltada

pelos poetas e pensadores, louvada pelos músicos e exercitada pelos matemáticos, a amorosidade

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é força presente no universo.

A amorosidade está contida e contém-se imanente e difusa pelo Universo. É composta e

compõe o infinito de relações entre todos os seres e elementos integrantes do todo universal. É

integrada por tudo que ocorre e integra o Todo. Por dentro e fora de si mesma, integra, no espaço

e fora dele, simultânea e interminavelmente, o passado, o presente e o futuro. Revela -se por

sistemas de forças transcendentais. O amor manifesta-se em todos os seres, das mais variadas

naturezas, nas mais diferenciadas ocasiões. .

Parece-nos lícito afirmar que o amor é uma grandeza vetorial, definida por intensidade,

direção, sentido, ponto de aplicação e duração, sem que fique excluída a possibilidade de seremlhe

atribuídas outras características essenciais, identificadas pela natureza da relação, tais como



amor filial, amor paternal, amor sexual, amor reprodutivo, etc.

Conseqüentemente, não nos parece possível excluir a amorosidade e o amor dos processos

de conhecimento. A amorosidade, mais do que processo, movimento ou ação voluntária, visa

aproximar-nos do que supomos ser o conhecimento.

A amorosidade, enquanto método, revela-se insubstituível, essencial e necessária, pois

além dos marcos com que sinaliza os percursos, apresenta-se como força motivadora e torna-se ,

em si e por si mesma, fonte geradora de conhecimentos.

Nas paradas do percurso, o peregrino admira-se dos montes que ondulam na linha do

horizonte. Pode fazê - lo lamentando-se do que lhe falta caminhar. Pode alegrar-se por tudo que já

percorreu. Poderá sentir-se animado pelas visões futuras. Pode formular abstrações terríveis e

alimentar esperanças e sonhos agradabilíssimos.

Enquanto viver, pensar e caminhar amorosamente, respeito e harmonia serão marcos

propícios para a alegria da viver. O prazer anunciado pelo hedonismo do bem chega na forma de

conhecimento. A desambição e o desprezo pelos bens materiais carrear-lhe-ão as alegrias mais

duradouras e imanentes, que satisfazem a natureza humana mais desenvolvida. Se o caminheiro

passar pelos caminhos da vida sem optar pela amorosidade, suas relações com o mundo ao redor

serão sempre pobres, vestidas tão somente de ambições menores e sem significação diante dos

horizontes da eternidade. O conhecimento amoroso é riqueza de natureza celestial.

Suaves e sábias ecoam as palavras do Mestre, no Sermão da Montanha, reproduzidas pelo

evangelista Mateus:



19.Não acumuleis tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem os consomem e os ladrões, perfurando as

paredes, as roubam;

20. por melhor, acumulai tesouros nos céus, onde nem a traça nem a ferrugem os fazem desaparecer e onde

os ladrões não perfuram as paredes nem podem roubá-los.

21. Porque onde estiver o seu tesouro, também aí estará o vosso coração.

55. A natureza do respeito, da ação correta e da obrigação.

Natureza suscita vários significados. De um lado, diz respeito ao dinamismo que

caracteriza tudo que existe, quer no concreto como no abstrato, quer no imaginário quer no real.

Diz-se conforme à natureza o que decorre da ordem natural das coisas, também o que

corresponde à constituição e à fisiologia. dos seres vivos.

O que afirmamos ser natural corresponde ao que tem origem nas relações normais que

ocorrem no mundo. Corresponder à natureza significa ser coerente e compatível com as

características naturais de que dispõem os seres quando nascem.

Condições relativas à natureza de alguém ou de alguma coisa querem significar as

características que definem e são próprias daquilo a que se referem. Em relação aos seres

humanos, são características pessoais o temperamento, a compleição, o sexo, a cor, os sinais, etc.

Diz-se da natureza própria do sexo feminino a prática sexual passiva. Da natureza própria

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do sexo masculino a prática sexual ativa. Identifica-se quanto à natureza o que é próprio, peculiar

ou característico de determinada classe, gênero ou espécie

A natureza dos animais ma míferos diz respeito às características gerais pelas nascem, se

alimentam e são identificados os animais cordados, em Zoologia. Cientificamente afirma -se que

o ser humano, assim como alguns insetos tais como formigas e abelhas, são, por natureza, seres

gregários. Isto significa dizer que quando homens, abelhas e formigas procuram viver

isoladamente, individualmente, estão fugindo à natureza. A vontade de viver em solidão opõe-se

à natureza dos homens, das formigas e das abelhas. Há crenças e religiões, especialmente as

panteístas, que vinculam Natureza e Divindades ao conceito de eternidade. Assim, seus

seguidores afirmam que, por natureza, os deuses são eternos.

Em linhas anteriores formulamos considerações sobre o significado de respeito. Mas não

falamos de sua natureza. A natureza gramatical é de substantivo; quanto ao gênero é masculino.

A natureza lógica indica a função que pode exercer na linha ou forma de pensar, ou seja, frase ou

período, onde respeito pode ser sujeito ou objeto. A natureza biológica contida no significado da

palavra nos leva a respeitar a Natureza, que reúne todo o histórico e a gênese dos seres vivos. A

natureza humana contida na palavra memoriza o histórico da humanidade, das nações, das

diferentes coletividades e das próprias individualidades humanas. Em termos de aprendizagem e

aproximação aos elementos cognitivos, respeito liga-se à cronologia dos fatos e das

considerações. Sugere ordenação cronológica de fatos, ações, crenças, conceitos e formas de

percepção que têm alguma relação com o objeto da aprendizagem.

Na experiência dos seres humanos, o que designamos ação correta diz respeito à ação

que é própria da natureza do homem, das suas características humanas, étnicas, culturais,

religiosas e filosóficas. Acresce observar que, além da natureza que define a propriedade da ação,

são as contingências tais como a oportunidade, a conveniência, a coerência e a compatibilidade

que definem a ação correta. Tais contingências, por sua vez, são classificadas segundo

parâmetros de comportamento, enunciados pela Ética.



- Quais são os parâmetros éticos?

Padrões e características morais são próprios de cada sociedade, de cada religião e variam,

de comunidade para comunidade, segundo os costumes, os usos e as tradições peculiares a cada

núcleo social. Os padrões éticos decorrem dos padrões morais, embora alguns estudiosos

acreditem, existir padrões e matrizes éticas de extensão universal, que servem a todas as relações

entre seres vivos e seus contextos. Tais estudos acontecem nos campos da Ética filosófica e da

Metaética,

Princípios éticos e as conseqüentes obrigações aportam significados convergentes.

Etimologicamente, obrigação tem origem no vocábulo latino obligatio,nis, substantivo, que por

sua vez é conexo ao significado contido no verbo obligo,as,avi,atum,are, que traduz estar



subordinado por uma ligação, vinculado.

Para Cristo, o parâmetro ético fundamental é amar a Deus sobre todas as coisas e ao



próximo como a si mesmo. Para Confúcio, agir sempre com Justiça, Sabedoria, Lealdade,

Fidelidade, Sinceridade, Altruísmo, Decência e Humanidade.



Obligatio (ob+ligatio) diz respeito à situação de estar diante de uma regra , subordinado a ela.

Reporta-se a uma ligação que decorre de uma relação (natural) de amor, uma situação legal ou



circunstancial, decorrente de pacto ou contrato. Designa o efeito de um empenho, de um comprometimento.

Obligo, as, avi, atum, are, gerou no vernáculo os significados contidos em obrigar, que significa ligar, atar,

prender, laçar, empenhar, hip otecar, comprometer, obrigar; tornar responsável, cativar, penhorar, vincular. Na

voz passiva: ser obrigado significa, estar vinculado, sujeito à constrição. Obrigação, de obligatio,onis, reflete

a causa debendi (ob) a que está ligado (ligatum) o devedor da obrigação. Em realidade, expressa o dever que



condiciona e sujeita a ação. Ligatum é o particípio passado de ligo,as,avi,atum,are, verbo latino que significa

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