Gustavo Korte


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Metodologia e Transdisciplinaridade Gustavo Korte

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audiovisual, ao cântico, à voz do cantor, à música popular; ao acompanhamento musical, ao estilo

característico de cantor, instrumentista e ao conjunto de que identifica intérpretes da música

popular.

Soar bem aos ouvidos significa o fenômeno sonoro que gera sons agradáveis, como

também o significado de alguma expressão geradora de prazer.Também traz o significado do

efeito de palavras que trazem sensações agradáveis, de conforto, paz, harmonia, melodia, ritmo,

timbre, tonalidade e volume agradáveis.

O que entendemos por som é explicitado nos dicionários. Do verbo latino sono, as, sonui,

sonatum (ou sonitum ), sonare, o vernáculo recebeu soar com vários significados: soar, produzir

sons, emitir sons, ressoar, retumbar, repetir sons, ser ouvido, cantar, recitar, declamar,dar som ao

instrumento, significar; querer dizer, quere comunicar.

Há sons harmônicos e desarmônicos. Há sons que combinam entre si e outros que indicam

desajustamentos entre coisas e pessoas. Há ruídos que nos são agradáveis e outros que insinuam

desconforto. Nem por isso todos os ruídos agradáveis são considerados musicais, como também

nem todos os desagradáveis são considerados barulhentos.O nosso potencial sonoro, assim como

a acuidade auditiva, informa os limites em que transmitimos e ou recebemos as mensagens pelas

formas vocais e sonoras de comunicação.

Quando dizemos que estamos ouvindo é porque as vibrações sonoras nos chegam dentro

dos limites de nossa acuidade auditiva. Pelo bom funcionamento do aparelho auditivo são

sentidas e imediatamente levadas ao consciente as correspondentes formas de percepção. Se nos

deixamos seduzir pelos sons agradáveis é porque eles induzem uma relação de prazer

reproduzindo formas sonoras já existentes em nossa memória. Estas existem como padrões e

matrizes que, quando materializados em sons, provocam emoções de prazer, encantamento e

amorosidade. Os sons são desagradáveis quando provocam desprazer e desconforto. Importa

lembrar que as sensações têm sido classificadas como fenômenos psíquicos, e as emoções como

fenômenos neurofisiológicos.

Vamos atentar para o significado comum contido no verbete som e avançar sobre estas

informações. O racional, o empírico, o místico, o pragmático, o autoritário, o céptico e o intuitivo

decorrem de relações que expressam a trilha de abordagem do conhecimento. De tais razões

emergem a amorosidade, os sons e o que é designado saber, contribuindo para que obtenhamos

progressos sensíveis na montagem das formas de pensar.

Recorrendo ao que sugere o pragmatismo, não será difícil responder a que servem os

sons, os cânticos e as harmonias. É natural, neste momento, questionar o que têm a ver os sons

com a amorosidade e o conhecimento.

A ligação expressa na relação entre compositor, intérpretes, música e ouvintes

sugere forças de atração, convergência e aproximação para a cura de sintomas, para os

prazeres gerados pelas melodias e harmonias, para o lazer e ainda para a satisfação de

outros propósitos de natureza subjetiva. Daí que essa superposição de forças torna-se

propícia à alegria, à felicidade, ao prazer, à harmonia e, como ensina a experiência,

favorece o conhecimento. Os fenômenos dinâmicos que integram essa relação compõem

do sistema de forças cuja resultante chamamos amor.

Somos levados a acreditar que as artes musicais, obedientes aos princípios que regem as

harmonias sonoras, são componentes das relações de amorosidade, tornando-se um caminho

eficaz que leva ao conhecimento.

Essa crença ocorre, em primeiro lugar, à vista de conhecimento empírico, segundo o qual

percebemos que a propagação sonora por ondas vibratórias é resultante da ação de forças de



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propagação. Em segundo lugar, porque a intuição sugere que a amorosidade compõe esse

sistema de forças gerador da propagação das ondas sonoras.

A experiência sugere que o ser humano expressa movimentos amorosos por emoções,

sentimentos e outras relações de sensibilidade intelectiva. Tais expressões tem muito a ver com

os sons por ele emitidos ou entoados.

Cremos que a música e os sons constituem formas de abordagem do conhecimento. Essa

aproximação é amorosa porque corresponde ao resultado da ação de um sistema de forças cuja

ação resulta na preservação das conquistas melódicas e harmônicas e que, além disso, gera e

transmite conhecimentos, atrai pessoas e estimula relações sujeito-objeto. As ocorrências entre

sujeito e objeto são fundamentais para estabelecer o que designamos cadeias do conhecimento.

Recebemos da experiência histórica védica (dois milênios antes de Cristo) as idéias do

poder dos mantras. Pitágoras, seis séculos antes de Cristo, afirmava que pelas melodias e cânticos

era possível não só a cura mas a harmonização dos espíritos. Assim, herdamos, pelas linhas mais

variadas, desde tempos remotos, as sugestões cognitivas que a música, os sons e os cânticos são

formas de comunicação, ou seja, transmitem conhecimentos, independentemente da linguagem

discursiva e do idioma praticado pelos seus destinatários.

No vernáculo há uma certa conexão sonora entre som e sonho. Ela não ocorre em outros

idiomas mas, em português, encontra justificativa na raiz latina dos verbetes. O som traduz-se

em linguagem específica, sujeita a regras e relações numéricas. As razões sonoras, mesmo não

sendo ostensivas nem explicitadas integram e tornam-se implícitas nas comunicações auditivas.

Os processos eletroeletrônicos de contenção e codificação musical sugerem a mesma

natureza surpreendente da escrita musical, em pautas, claves, notas, sinais e partituras. Ambos

sistemas de gravação codificam e transmitem a mensagem sonora por outras formas de

comunicação, codificadas na escrita musical com que, tradicionalmente trabalham os músicos de

todo o mundo, ou nos tapes, fitas cassette e compact discs (CD), tão comuns em nossos dias.

A arte sonora é e sempre foi uma das formas mais tradicionais da abordagem do

conhecimento, especialmente na revelação da amorosidade que emerge da relação musical

sujeito-música-sujeito. Enquanto, de um lado, pode-se verificar que os processos de

conhecimento têm-se beneficiado da codificação e decodificação dos sons, usando-os como

instrumentos de amorosidade objetiva e com extensão coletiva, verifica-se que as tentativas de

igual aproveitamento dos sonhos tiveram progressos apenas em níveis individuais e subjetivos.

Os sonhos, por vezes, têm sido reconhecidos como formas de comunicação entre os que

sonham e personagens de contextos menos restritos ao sensível. Os sonhos podem ser motivados

por fenômenos concretos, abstratos ou fictícios, correspondentes a vários níveis de realidade.

Todavia, não se tem conhecimento de uma codificação objetiva que identifique formas seguras

de comunicação onírica entre pessoas e entidades.

Erich Fromm 211 afirma que os sonhos constituem a linguagem menos restrita e que, por

isso, tende ao universal.

Sonhar tem origem no vocábulo latino somnio, as, vi, atum,are. Aporta múltiplos significados, tais

como experimentar emoções e sensações durante o sono. Deve-se aqui observar o mesmo radical latino de

sono, som e sonho. Em outros idiomas essa relação etimológica não é necessariamente gráfica nem fonética.

Ter sonhos significa também vivenciar fantasias e devaneios. O senso comum identifica a locução Ter sonhos

com vários sentidos, a saber: sentir em sonhos, cultivar esperanças, fantasias e ficções. O verbete sonhar tem

raízes latinas em somnio, as, avi, atum, are. Do substantivo neutro latino somnium,i, veio para o vernáculo o

verbete sonho. Do latim somnus,i veio para o português a palavra sono.

211 FROMM, Erich. A linguagem esquecida. Rio de Janeiro: Zahar Ed., 1964.



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Há um sistema de pensar discursivo, integrado por formas de pensar regidas pela

linguagem verbal e cuja operacionalidade decorre do uso de preceitos da lógica filosófica. Há um

sistema de pensar matemático, cujo fundamento é o cálculo, cujo funciona mento é sujeito às

regras da linguagem matemática. Há um pensar musical obediente aos padrões estéticos cujos

valores são peculiares às artes musicais. Há um pensar amoroso que ocorre segundo as regras

ditadas pelo fluxo de sensações e emoções.



57. O senso comum

Operando de forma sincronizada com os mais variados sistemas de pensar e atuando em

diferentes níveis de realidade, é forçoso reconhecer a existência de um senso comum. O senso

comum pode ser caracterizado como a forma pela qual uma certa maioria de pessoas, em

determinada coletividade ou em certo contexto social, identifica, explica ou interpreta

determinados fenômenos.

As experiências sociais recebidas e transmitidas por usos, costumes e tradições,

vivenciadas coletivamente pelos sentidos, sensações e formas empíricas de percepção, sugerem a

existência de diferentes tipos de senso comum, cujo processamento decorre de análise e síntese.

Assim, conseguimos identificar:

a) um senso comum analítico resultante de abordagens do que nos parece concreto, estritamente racional,

resultante da ação de formas lógicas de pensar; pode ser discursivo, quando sujeito às formulações da lógica

discursiva ou formular, enquadrado em expressões algébricas ou geométricas;

b) um senso comum sintético, de natureza empírica, decorrente de formas passionais de percepção, onde estão

incluídos os sentimentos coletivos, de natureza psíquica, e as emoções coletivas, de natureza fisioneurológica,

ambos entendidos como paixões da alma coletiva;

c) um senso comum cuja formulação analítica é essencialmente apoiada em abstrações subjetivas, e que não é

necessariamente adstrito aos limites do racional e do passional e nem essencialmente ligado à linguagem

discursiva, a partir do qual os fenômenos são identificados e interpretados mediante a utilização de formas de

pensar redutoras seqüenciais;

d) um senso comum sintético, por natureza referente a abstrações de alcance coletivo, que não são

necessariamente limitadas por relações verbais ou discursivas, a partir do qual os fenômenos são identificados e

interpretados mediante a utilização de formas de pensar projetadas por ampliação de natureza conjuntural,

holística, gestáltica.ou intuitiva

Há formas de pensar discursivas e numéricas. As primeiras revelam-se amarradas aos

idiomas. Em português o verbete pensar não ficou adstrito, como em latim, à idéia de

dimensionamento, de atribuição de valores ou números. Pensar, no uso diário, tem a conotação

de tecer e trançar idéias, induzindo e compondo linhas de pensar em que são estruturadas

formações intelectivas, integradas no processo mental e designadas formas de pensar.Pensar é

construir marcos e ligar idéias, buscando referências e parâmetros. Em estado de consciência

recorremos a padrões e matrizes que fazem parte dos arquivos da memória.

A extensão dos arquivos de memória pode ser reconhecida

a) na memória individual;

b) na memória familiar;

c) na memória contextual;

d) na memória coletiva; na memória social;

e) na memória étnica etc. etc.

A inclusão de experiências na memória pode ocorrer por formas de pensar ou outras

meios de percepção, ou seja, por processos que tanto podem ser subjetivos e individualizados,

(decorrente das experiências pessoais), como objetivos e coletivizados, além dos que são

comunicados por usos, costumes e tradições (gerado pelas experiências coletivas ou sociais).

Na ação de pensar a mente humana lida com signos, símbolos e ícones, os quais reconhece,

ignora, despreza ou omite. Sinaliza com a ação de ordenar e trançar idéias e linhas imaginárias

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que relacionam idéias, formando linhas e formas de pensar que, necessariamente, contem,

implícita ou explicitamente, um significado subjetivo ou objetivo. Pensar converge com o

conteúdo de refletir, raciocinar, reflexionar, meditar, avaliar, julgar, imaginar, imaginar, supor.

Sob a ótica biológica, e considerada como fenômeno neurofisiológico, pensar corresponde a um

processo de transmissão de ondas e vibrações eletromagnéticas pelo sistema nervoso, de forma

codificada no cérebro, onde é decodificado dia nte de certos parâmetros, gerando novas ondas e

vibrações que se propagam atuando sobre o organismo e determinando ações ou reações.

Há séculos procura-se fixar padrões de relacionamento entre senso comum e inteligência.

Recentemente, Howard Gardner212, em magnífico trabalho de introdução psicopedagógica à

aprendizagem, ao formular uma ordenação dos tipos de inteligência que lhe parecem

suficientemente individualizadas, elaborou a seguinte classificação: 1) inteligência lingüistica; 2)

inteligência lógica-matemática; 3) inteligência espacial; 4) inteligência musical; 5) inteligência

corporal-cinestésica; 6) inteligência naturista; 7) inteligência intrapessoal; 8) inteligência

interpessoal; 9) inteligência existencial.

De fato, na classificação de Gardner evidencia-se a ordenação das inteligências em

referência pelo menos a duas diferentes variáveis:1) quanto à natureza e 2) quanto ao objeto.

Inovadora em relação às precedentes, a classificação de Gardner sugere uma certa

impropriedade, na medida em que formula a classificação usando critérios variados e

multiformes, que não dissociam as inteligências seja por sua natureza ou por seu objeto. Afinal,

quando se intenta uma classificação de fenômenos por classes ou tipos, é preciso primeiro

estabelecer os parâmetros segundo os quais as relações poderão ser reconhecidas.

Exemplificando: posso identificar fenômenos cognitivos segundo a natureza (abstratos,

concretos ou fictícios), segundo o objeto (que tenham por objeto fenômenos que ocorrem nos

mais diversos campos de conhecimento, tais como físicos, químicos, biológicos, neurológicos,

fisiológicos etc.); segundo a origem (primitivos ou derivados); segundo a ordem cronológica

(passados, presentes, futuros etc.).

Qualquer classificação fica sempre subordinada a critérios ordenatórios identificados por

diferenças genéricas e específicas para cada novo grupo. Mas esse fato não ficou suficientemente

caracterizado na classificação sugerida por Gardner, porque, quando designa a inteligência

lingüística(1) da inteligên cia intrapessoal(7), o padrão de classificação não é o mesmo que serve

para distinguir a inteligência espacial(3) da inteligência corporal-cinestésica(5); da mesma

forma quanto ‘a distinção entre inteligência naturista(6) e inteligência intrapessoal(7); entre

inteligência interpessoal (8) e inteligência existencial (9). Nessa ordenação o que permitiria

distinguir inteligência lingüística(1) da inteligência intrapessoal(7) haveria de ser pelo menos

uma diferença específica, que, por sua vez, ensejaria o reconhecimento do gênero comum a

ambas as inteligências.

Pergunta-se: a que gênero comum de inteligência pertencem a inteligência lingüística e a

inteligência intrapessoal, de tal forma que a diferença específica entre ambas realmente as torne

de imediato reconhecimento? Em que consiste a diferença que torna a inteligência intrapessoal

diferenciada da inteligência lingüística num ramo, num mesmo nível ou num mesmo grupo de

inteligências? A partir de que semelhanças ambas pertencem a esse mesmo ramo, nível ou grupo,

e a partir de que diferenças elas são especificadas? Sabe-se que elefantes e pulgas são

semelhantes enquanto incluídos no reino animal. Uma distinção fundamental revela-se quando

sabemos que elefantes são vertebrados e pulgas são invertebradas. As conhecidas diferenças entre

212 GARDNER, Howard. O verdadeiro, o belo e o bom, p.22



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vertebrados e invertebrados definem as condições em que ambos seres são reconhecidos e

classificados.

Para que a inteligência lingüística e a inteligência intrapessoal possam ser diferenciadas,

teremos primeiro que assemelhá- las por uma classe ou categoria superior, em que ambas possam

ser igualmente incluídas. Para o caso, poderíamos argumentar que ambas são inteligências. Pois

bem, não nos parece que, em uma mesma pessoal, a inteligência intrapessoal exclua a inteligência

lingüística e nem que a deficiência de inteligência lingüística implique na deficiência de

inteligência intrapessoal.

A metodologia clássica ensina que nas classificações que servem suficientemente à razão,

os seres de mesmo reino, tais como vertebrados e invertebrados, excluem-se uns aos outros

quanto às diferenças que os caracterizam. Se não ocorrer essa exclusão, o conhecimento é

imperfeito e a classificação não é eficaz. Assim, quando procuro identificar um animal,

reconheço que ou deve ser incluído entre os invertebrados ou entre os vertebrados, ou é

protozoário ou é metazoário, ou é mamífero ou é inseto.

A inteligência lingüistica caberia numa categoria de inteligência simbólica, que não é a

mesma em que pode ser definida a inteligência interpessoal., e que também não permite a

distinção da inteligência intrapessoal da inteligência numérica. Assim, quando em uma

classificação de idéias, fenômenos, objetos, seres ou pessoas, a diferença específica pela qual um

elemento do conjunto ou um espécime do gênero é reconhecido, deve ser da mesma ordem e

natureza da diferença que o distingue dos demais do mesmo gênero, de forma a não deixar

margem quanto à eficácia do processo classificatório. Lembremo-nos que o conhecimento de um

fenômeno opera-se pelo reconhecimento das categorias em que ele pode ser incluído ou excluído.

A idéia de classificar as inteligências parece oportuna quando tratamos dos métodos

que podem levar ao conhecimento. Aproveitando- nos da mesma forma de pensar sugerida

por Gardner, porém ajustada a outras relações cognitivas, sugerimos outros critérios para

classificação das inteligências, a saber:

I) por classes, segundo a natureza:

a) inteligências guiadas por abstrações:

a.1) inteligência lingüistica;

a.2) lógica - matemática;

a.3) inteligência inventiva (ou criativa)

b)inteligências guiadas por sensações:

b.1) espacial;

b.2) musical e

b.3) corporal-cinestésica;

II) por ordens, segundo os objetos

a) inteligência naturista, que tem por objeto a Natureza;

b) inteligência estética, que tem por objeto os fenômenos artísticos

c) inteligência ética, que tem por objeto os fenômenos éticos.

III) quanto à amplitude:

a) inteligência intrapessoal, sobre si mesmo;

b) inteligência interpessoal,que permeia outras pessoas;

c) inteligência existencial, que diz respeito a coisas espirituais e

existenciais, como a vida, a morte e as realizações.

IV) quanto aos valores:

a) éticos

b) estéticos.

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No quadro acima, pareceu-nos mais próprio 1.º) sistematizar as classes, segundo a

natureza; 2.º) definir as ordens, segundo o objeto; 3.º) definir amplitude, segundo os limites de

abrangência; 4.º) atribuir valores conformes às relações. Afinal, embutir duas variáveis em uma

só classificação fere o princípio das diferenças genéricas e específicas, que tão bem tem servido

às ordenações lógico-científicas.

Não é possível negar que há formas de pensar amorosas e atraentes. Da mesma forma,

ocorrem pensamentos odiosos e repulsivos. O processo de conhecimento, quando louvado em

pensamentos amorosos, sugere avanços e progressos na direção do que é bom, belo e harmônico.

Desde os mais remotos tempos memorizados pelo saber coletivo, afirma-se que os pensamentos

amorosos, propiciados pelas forças do amor, são construtivos e têm efeito duradouro. Tendem ao

que é belo, bom e harmônico.

A experiência ensina, e as tradições míticas e místicas do homem nos levam a acreditar

que a amorosidade, dentre os métodos que podem propiciar o conhecimento, é o mais prazeroso,

eficiente e produtivo. Resolve problemas, dissipa dúvidas, é criativo e habilidoso, procura indicar

processos, sistemas e soluções que a capacidade humana de assimilação logo torna eficientes e

produtivos, harmônicos e agradáveis ao espírito, à alma e ao corpo.

A amorosidade metodológica indica o poder de transcendência que a mente humana

conquista sobre os significados restritos e o que supomos conhecimento estruturado, seja uni,

inter, multi ou pluridisciplinar. Sem amor não há crença que ligue o sujeito a supostos elementos

de verdade. Sem crença não há justificação possível. Daí porque a experiência intelectual indica

que sem amorosidade não há a me nor possibilidade de chegar à transdisciplinaridade. E sem

transdisciplinaridade o conhecimento científico, definido como crença verdadeira e justificada,

torna-se apenas uma ficção hipotética.

58. Indícios de amor na física quântica

Quando sinalizamos indícios de alguma coisa é porque temos registrada a relação entre o

veículo do signo e o designatum, ou seja, entre o sinal e o ser ou entidade a que se refere. Como

temos visto, semiose é o fenômeno em que atuam os signos. O reconhecimento de indícios de

amor na física quer significar que se trata de uma semiose.

Por outro lado, quando falamos em semiose temos em vista três possibilidades distintas: a

semântica, a sintática e a pragmática. Todas elas têm relação direta com o ser humano. E,

podemos portanto concluir, que a identificação de indícios de amor na física quântica é uma

experiência humana que tem em vista o intérprete e os signos. É um procedimento de natureza

essencialmente humana e trabalhamos com projeções.

Importa especificar o que é para nós essa amorosidade que emerge como algo objetivo

nos processos físicos estudados no microcosmo. No capítulo anterior procuramos envolver e

fazer transcender o conceito de amor e amorosidade, tanto dos períodos designados por duração

dos seres humanos individualizados, resumida em algumas dezenas de anos, como da própria

espécie humana, estendendo-se talvez por dezenas de milhões de anos.

A experiência nos leva a caracterizar amor como grandeza pois tem intensidade, direção,

sentido, ponto de aplicação e duração correspondentes ao fenômeno em que está presente.

Cuidamos do amor como uma força natural, que age, há milhões de anos, sobre todos os seres, de

tal forma que, com essa ação, assume o caráter pragmático de servir à Natureza dando ânimo à

perpetuação das combinações moleculares. Isso tanto ocorre cristais, como nos colóides e nos

estímulos para a preservação das espécies, e é verificável em praticamente todas as manifestações

viventes, sejam animais ou vegetais ou nos sistemas vivos.



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