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Metodologia e Transdisciplinaridade Gustavo Korte

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61. Aproveitamento transdisciplinar de leis científicas

Quando nos referimos à metodologia transdisciplinar para a abordagem e estudo de

fenômenos estudados em vários campos do conhecimento, pressupomos que nenhuma outra

metodologia será excluída de nossas considerações. Isso implica dizer que todos os campos do

conhecimento são contribuintes da transdisciplinaridade. Assim, ao agirmos

transdisciplinarmente, não pretendemos fracionar métodos ou metodologias, por exclusão de

qualquer deles, mas integrar, por inclusão e aproveitamento, todos os métodos que forem entre si

compatíveis e convergentes.

As leis científicas revelam uma parte do que o homem conquistou por estudos e trabalhos

intelectuais. Para consumá- los, milhares de indivíduos dedicaram suas vidas a rigorosas normas

de trabalho experimental e intelectual, reunindo e produzindo informações, compilando dados e

elaborando relatórios, conclusões, teses e dissertações.

O rigor científico nos permite afirmar que muitos dos conhecimentos adquiridos refletem

crenças verdadeiras e justificadas. Podemos nos considerar privilegiados em poder aproveitá-las,

depois de centenas e milhares de anos, com a mesma eficiência , senão maior, da que lhes foi

atribuída à época de suas revelações.

Remontando aos registros místicos contidos na Tábua de Esmeralda, de Hermes

Trimegisto, a que fizemos referência quando abordamos o método designado misticismo,

enfatizamos os sinais acolhidos e gravados em nossa memória, induzidos pela crença mística de

que o que está embaixo é como o que está em cima; e o que está em cima é como o que está

embaixo, para fazer os milagres de uma coisa só.

Atribui-se a Thales de Mileto 233 o enunciado do conhecido Teorema de Thales 234, que

identifica razões de semelhança235 entre triângulos. Essas razões podem ser aplicadas a todas as

figuras geométricas e confirmam o conteúdo inicial da Tábua de Esmeraldas, pois, pelas mesmas

linhas de pensar, podemos afirmar que, se todos os lados de um triângulo são iguais, os ângulos

também o são. Por conseqüência, qualquer que seja o comprimento do lado do triângulo cujos

ângulos internos são iguais, o triângulo será sempre eqüilátero. Pode o lado ser medido em

milímetros ou um milhão de quilômetros, todavia o triângulo será sempre eqüilátero.

Não nos aprofundaremos, nesta oportunidade, no racionalismo matemático e geométrico

com que são construídas, em nosso cérebro, as idéias de semelhanças entre formas, figuras e



corpos, cuja percepção tem base empírica. Esta é abordagem muito mais ampla e profunda do

que objetivado nesta pequena contribuição metodológica.

O racionalismo matemático e geométrico de base empírica anuncia a possibilidade de um

tratado transdisciplinar sobre as relações sujeito-objeto- forma-interpretação. De fato, as

informações que nos vêm dos campos de conhecimento da Arquitetura, das Artes Plásticas, da

Ética e da Estética aportam subsídios consideráveis sobre a matéria.

Conscientemente percebemos que, no processo intelectivo que aflora das formas de

percepção, lidamos com projeções de formas e movimentos, numa aparente abstração da



realidade sensível. Captamos sinais de formas de pensar em que as regras de semelhança

funcionam nas elaborações mentais, e onde idéias, linhas e formas de pensar são assimiladas

racionalmente como projeções de figuras, formas e corpos.

233 Thales de Mileto(640-548 a. C) filósofo da Grécia Jônica, nascido em Mileto, autor de uma Cosmologia onde a água tem papel preponderante.

234 Teorema de Thales: Toda paralela a um dos lados de um triângulo determina um segundo triângulo semelhante ao primeiro.

235 Razões de semelhança em triângulos. Há três regras fundamentais de semelhança. Dois triângulos são semelhantes quando: 1.º têm dois



ângulos respectivamente iguais; 2.º quando têm um ângulo compreendido entre dois lados respetivamente proporcionais e 3.º têm os três lados

respectivamente proporcionais. (Diz-se respectivamente proporcionais quando obedecem à mesma razão numérica.)

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Utilizando-nos do empirismo, intuímos que deveremos encontrar correspondência de

semelhança entre processos físicos, químicos, neurofisiológicos, e biológicos.



62. Ordem de grandeza

Designa-se ordenação ao processo segundo o qual um conjunto é composto em

conformidade com as relações definidas entre os elementos que o integram.

Em informática designa-se ordenador o mecanismo pelo qual é possível efetuar

automaticamente operações que obedecem a razões matemáticas ou a razões que caracterizam a

lógica discursiva.Tais razões têm sua geração em programas que definem a seqüência das

operações.A utilização de um ordenador está fundamentado no padrão que serve à normatização.

Um ordenador é constituído por elemento um físico designado material (hardware) e

funcionas a partir de um conjunto de programas designado software. Um ordenador é

caracterizado: a) pela velocidade com que impulsiona a obtenção dos resultados pretendidos e

que, em geral, excede em muito a ordem de grandeza em que são processadas a s formas de

pensar na mente dos seres humanos; e b) pela sua capacidade de utilização das informações

armazenadas em órgãos designados memória. Esse armazenamento corresponde ao que, nos seres

humanos, é designado processo de memorização de experiências, dados e informações. As

operações sucessivas que podem ser efetuadas a partir das informações são registradas em

programas redigidos segundo linguagens convencionais 236.

Quando ordenamos nossos pensamentos em processos gerados por informações que

integram as elaborações intelectivas, projetamos e resumimos experiências pessoais e coletivas,

sonhos, ra zões lógicas e matemáticas, ficções, interesses, frustrações e esperanças. Nessa ação

torna-se importante estarmos conscientes da necessidade de reconhecer e dar dimensões à ordem



de grandeza em que estão situados os conjuntos-universo com que vamos trabalhar mentalmente.

Essa atitude corresponde à fixação de padrões e matrizes em que será estabelecida a



ordem de grandeza segundo a qual será abordado o conhecimento, fixando-se então os limites

dimensionais em que podemos entender os fenômenos enfocados. E, por aí, somos levados a nos

reconhecer como integrantes de um contexto aproximadamente isolado e limitado, cuja projeção

pode nos inserir tanto no micro quanto no macrocosmo.

Todavia, quando nos tornamos conscientes desse suposto relacionamento restrito e

limitado, o que parece constituir uma base de conhecimentos impõe-nos a aceitação de regras

mentais (concepções) que ligam estreitamente os conceitos de ordem e desordem. Por essa

aquisição intelectiva somos impulsionados a entender a vida que nos é reve lada por um sistema

de reorganização permanente. A existência desse sistema vivo, fundado na dialógica da

complexidade e de inúmeras crenças, é alimentada pelos conjuntos de informações que nos

chegam.

Visando ordenar as informações e os supostos conhecimentos disponíveis, nós adotamos



como postulado a suposição de que há semelhanças convergentes e umbilicais entre o que está

em cima e o que está embaixo.

Afinal, neste início de século XXI, estamos cuidando de informações trabalhadas e de

supostos conhe cimentos compilados e sistematizados ao longo de cinco mil anos. A crença

quanto à semelhança entre o que está em cima e em baixo já fora repetida como verdadeira na

Tábua de Esmeralda e, quiçá, anunciada originariamente pela mitologia da Grécia Clássica ou

mesmo dos Sumérios. Lendas e narrativas daqueles tempos falam de deuses antropormóficos

236 Fontes: HACHETTE- Le dictionaire du français et alt.

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agindo sob o efeito de emoções e sentimentos, desempenhando missões e realizando trabalhos.

Os mundos do imaginário e da realidade confundem-se, desde então e até ago ra, por razões de

semelhança muito próximas da que é anunciada na Tábua de Esmeralda .

Essa revelação histórica sinaliza com a convicção de que o conhecimento anunciado pelo



misticismo obedece à mesma ordem de valores intelectivos e tem o mesmo significado de

verdade que o conhecimento compilado em decorrência do autoritarismo, racionalismo e

empirismo científicos, pragmatismo, ceticismo, amorosidade e intuicionismo.

Intuitivamente, podemos aceitar como verdadeira a idéia da semelhança entre formas e

processos, quer ocorram no presente, quer tenham sido objeto da memória histórica, quer sejam

esperanças, clarividências ou simples projeções para o futuro.

Daí porque não é difícil dar crédito ao princípio da uniformidade da Natureza, ou seja,

que anuncia a similaridade das respostas que a Natureza oferece a estímulos e provocações



semelhantes. Especialmente levando em conta, nesse conjunto-universo a ser definido, a ordem

de grandeza em que tais respostas ocorrem.

Quando falamos em ordem de grandeza queremos nos referir às dimensões em que

ocorrem os fenômenos, considerados de forma limitada e enfocados nos contornos do campo de

observação.

Assim, se trabalhamos com microscópios, não é possível submeter elefantes à lente, mas e tão

somente partes minúsculas do elefante, em dimensões que possam ser observadas nos limites da acuidade

visual propiciada pelo aparelho. Ou seja, reduzimos o elefante a fragmentos minúsculos que possam ser

inseridos no conjunto-universo (campo de observação) em que ocorrem as observações e, então, definimos o

campo da experiência.

A ordem de grandeza em que limitamos o campo de estudo para observação dos

fenômenos microscópicos só pode recorrer a fragmentos de seres, objetos, conjuntos ou entidades

macroscópicas. No exemplo acima, o estudo das células táteis dos elefantes e as unidades de

medida respectivas não devem ultrapassar os limites da leitura máxima possibilitada pelo

aparelho de observação e medida.

Quando confinamos o problema social a ser observado, limitando-o aos fenômenos que

ocorrem em uma tribo, a ordem de grandeza atingirá, em geral, o total dos integrantes dessa tribo

e, no máximo, as demais nações limítrofes, mas não comporta comparações com a população

total do país, do continente ou do mundo.

Quando as ordens de grandeza entre o que se quer medir e o que se tem observado não são

compatíveis, o procedimento é equívoco e possibilita erros que retiram do estudo qualquer valor

científico.

Portanto, a idéia de ordem de grandeza é essencial para que possam ser avaliadas e

entendidas não só as margens de erro com que as observações são aproveitadas, mas e também a

extensão possível das conclusões.

O que a experiência ensina, e é ditado pelos estudos mais recentes da ciência física, é que

o princípio da uniformidade da Natureza vale segundo a ordem de grandeza em que ocorrem os

fenômenos. No macrocosmo, esse princípio é confirmado segundo certas regras. No microcosmo

ele é corroborado por outras.

Pode-se observar que muitos enunciados, provavelmente por deficiências empíricas ou

racionais, nem sempre têm correspondência com o princípio de que o que está em cima é como o

que está embaixo, e o que está embaixo é como o que está em cima. É impossível ao ser humano

formar a imagem de um triângulo eqüilátero cujo lado tenha por medida um milhão de anos luz.

Experimentalmente, em face da ordem de grandeza suscitada, referida a milhões de anos luz,

escapa-lhe a possibilidade de confirmar se esse triângulo seria mesmo eqüilátero, ainda que,



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hipoteticamente, tivesse os três lados e três ângulos iguais. Pode-se aceitar, por projeção e crença

na suposta verdade contida na idéia de semelhança, que a figura corresponda a um triângulo

eqüilátero, mas não se pode prová- la por meio dos sentidos.

A constatação da impossibilidade de comprovação em face da ordem de grandeza em que

ocorrem os fenômenos, contudo, não confirma, não diminui e nem invalida a credibilidade que

nos merece o princípio da uniformidade da Natureza e nem o preceituado na Tábua de

Esmeralda.

63 - Comparando dimensões atômicas e dimensões éticas.

Tentaremos comparar algumas informações sobre fenômenos químicos e outras tantas

sobre os comportamentos humanos que são objeto da Ética e da Psicologia.

Foi por nós mencionado e exemplificado, quando tratamos da amorosidade, a atração que

ocorre entre moléculas iguais e que se manifesta, ao longo de milhões de anos, nos processos de

cristalização dos minerais. Impelidos pelas informações que nos chegam da química e da

bioquímica, fazemos referência às leis e enunciados co m que os estudiosos procuram revelar as

razões numéricas e químicas entre causa e efeito. Folheando alguns livros de química,

observamos que há muita semelhança entre o conceito de massa humana, a que se referem Marx

e Engels, e as matérias que se encontra m em estado coloidal. Tais matérias são genericamente

designadas colóides. Os colóides têm sido objeto de estudos especiais por físicos, químicos e

bioquímicos. Vejamos como trabalhar transdisciplinarmente a partir de algumas das informações

que nos chegam de tais estudos.

Pode-se dizer que, formando um conjunto-universo, integramos uma unidade fragmentada

desse Uno. Imaginemos, por projeções mentais, que estamos dentro de um ovo gigantesco, que

inclui todos os fragmentos de Universo. Esses fragmentos podem ser reconhecidos e traduzidos

como bilhões de galáxias, buracos negros e outros fenômenos astronômicos. O ovo gigantesco a

que nos referimos inicialmente é o conjunto-universo em que nos supomos situados.

Nossas formas de pensar, alimentadas pelo empirismo, reconhecem que, em face de

nossas dimensões pessoais, as experiências pessoais estão excluídas da ordem de grandeza em

que podem ser abordados buracos negros e galáxias.

Daí que somos levados a identificar nossas relações com seres cujo reconhecimento



sensível seja mais fácil. E tomamos consciência do planeta Terra, em que vivemos, da Lua, que

nos inspira esperanças, sonhos e poemas e nos indica os períodos próprios para plantio, colheita,

corte de cabelos. Nos apercebemos dos mares ainda que, tangidos pela sensação de infinitude,

não saibamos dimensioná - los empiricamente. O fluir das águas e o agitar das ondas excitam o

nosso espírito aventureiro. da mesma forma procedemos em relação a terras, florestas, casas,

pessoas, animais, coisas, idéias, abstrações, etc. Acurando as formas de percepção, com ajuda do



pragmatismo e ajustando-nos à ordem de grandeza em que procedemos às observações,

identificamos objetos, instrumentos de trabalho, máquinas, ferramentas. Recebemos sinais tanto

dos fenômenos em si mesmos como de manifestações artísticas, de técnicas e de processos em

curso.


As ciências informam que os átomos dos elementos químicos estão em constante

movimento. Supomos que existam semelhantemente a conjuntos- universos limitados às

dimensões de sua estrutura atômica, em manifestação egocêntrica de suas individualidades. Tais

átomos são reconhecidos como probabilidades de existência pelo consenso dos físicos e

acreditamos que possam ser identificados, em laboratório e na natureza, por relações numéricas

entre prótons, nêutrons, elétrons e demais fragmentos infraatômicos.



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Assim, os conceitos de átomos, moléculas, partículas, micelas, corpúsculos, número

atômico, peso atômico e peso molecular, por analogia discursiva e semiológica, sugerem idéias

de indivíduos, entidades sociais, corpos sociais, corpúsculos sociais.

Cada indivíduo é reconhecível segundo a natureza, peso, altura e relações familiares,

força individual ou associada pelas características que lhe são atribuídas em relação ao núcleo

social a que está integrado. Como seres humanos, estamos necessariamente vinculados a

determinadas relações contextuais. São essenciais para nossa sobrevivência individual. Como

espécie, o ser humano não pode prescindir de massa, espaço, ar, água, alimentos e companhia.

Se não for dotado de todas essas potencialidades contextuais, o processo de vida que se manifesta

no ser humano torna -se instável e ele morre.

Os átomos, por sua vez, pressupõem, para sua continuidade existencial, a existência de

espaço, contexto e companhia de outros átomos. Essa companhia (ocorrência simultânea no

mesmo contexto), reflete o equilíbrio eletromagnético essencial para que se mantenham as

características atômicas sem perda das características atômico- moleculares. Da mesma forma que

os seres humanos, os átomos exigem, para a preservação de sua integridade, as cargas energéticas

de outros átomos iguais. Ou seja, também exigem companhia. Caso contrário, ocorre a

instabilidade eletromagnética de que resultam acomodações, reações, rupturas ou ajustamentos

com outros elementos do contexto.

A partir de tais crenças somos levados a acreditar que existem, realmente, sinais de



semelhança entre o que ocorre no panorama interatômico e o que acontece entre os seres

humanos. Mas não só por aí. Tais sinais de semelhança são revelados também pelo que

atualmente é designado sistema vivo.

Capra237, com seu jeito esclarecedor e informativo, narra a caracterização do pensamento

gestáltico a partir dos escritos de Christian von Eherenfelds, que na virada do século XIX para o

século XX, anunciavam o princípio de que o todo é maior que a soma das partes. Essa afirmativa

corresponde ao algo maiôs que excede as partes e anuncia um sistema vivo. Ou seja, o sistema

vivo excede a integração de seus órgãos em um conjunto e é revelado pela vida que lhe dá ânimo.

De outro lado, quando esse ânimo deixa de existir, o sistema fica inerte, desanimado. E o

conjunto não é mais considerado como estando vivo.

Estar vivo expressa também a observação de que os sistemas vivos não são eternos, mas

estão vivos enquanto neles se verifica a presença de algo transcendente (ânimo, alma), cuja

imanência os torna reconhecíveis enquanto como vivos. Ao perderem esse algo transcendente, os

sistemas morrem e apenas subsistem seus resíd uos de matéria.

Neste momento, ocorre questionar como, nas dimensões infra-atômicas, esse algo

transcendente pode deixar de estar presente, como pode abandonar o sistema e deixá- lo inerte.

A astronomia sugere múltiplas possíveis respostas, e, dentre elas, a semelhança entre os

buracos negros e os sistemas inertes. Todavia, essas considerações são mais pertinentes aos

estudos da cosmologia e da ontologia, ou seja, da metafísica, ficando fora dos limites abrangidos

na metodologia.

É propício abordar o que ocorre nas dimensões infra-atômicas citando o fenômeno

aventado por Irwing Schröder 238, na citação de Danah Zohar. Por razões de semelhança, podemos

aproveitar essa informação na compreensão também das dimensões éticas. Zohar questiona:

237 CAPRA, Fritjof. A teia da vida. São Paulo: Cultrix.1997.

238 ZOHAR, Danah. O ser quântico. São Paulo:Best Seller, 1996



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... Se, como a corrente dominante dos físicos quânticos acredita, a realidade, em seu nível mais

fundamental, for apenas um indefinido mingau de infinitas possibilidades, um fluxo pululante de ondas

híbridas de matéria, como é que se consegue obter o mundo reconhecido em objetos sólidos e definidos que

vemos à nossa volta? Em que ponto e por que a matéria se torna real?

Resumimos a seguir a hipótese suscitada por Irwin Schrödinger, e que deu origem ao

fenômeno designado o gato de Schrödinger. Um gato foi colocado pelo cientista em uma caixa

fechada, cujas paredes eram maciças e que dispunha, em seu interior, de certos dispositivos

especiais. Portanto, o gato não ficou visível ao observador e nem é visível durante toda a

experiência.



... Dentro da caixa opaca, Schrödinger arquitetou um experimento macabro. Ele colocou um

pedacinho de material radiativo lá dentro, sendo que esse material radiativo (para facilitar a metáfora) tem

uma chance de 50% de emitir uma partícula de decaimento para baixo. Se a partícula for para cima ela

encontra um detector de partículas que, por sua vez, aciona uma alavanca que libera um veneno letal para

dentro do prato de comida do gato. O gato come e morre. De forma semelhante, se a partícula for para baixo

é acionada por uma alavanca que libera alimento e o gato sobrevive para enfrentar outra experiência. Os

resultados possíveis - para cima ou para baixo - são os que encontramos no mundo do dia-a-dia. Mas, as

coisas não são tão simples assim para os gatos quânticos. Na verdade, elas não são nada simp les, pois,

segundo a corrente dominante na teoria quântica, o gato está vivo e morto ao mesmo tempo. Ele existe num

estado sobreposto a ambos os estados de uma vez - como os elétrons são considerados ambos onda e

partícula ao mesmo tempo.

De fato, o que se pode inferir da física quântica é que tanto a existência de cada ser em si

mesmo como todas as suas manifestações e relações com o universo não passam de

possibilidades de ocorrências. Destarte, se levamos em conta que também nós não passamos de

possibilidades de existência, tanto nas dimensões atômicas como nas dimensões éticas, o que

designamos conhecimento só poderá ser considerado como hipótese de conhecimento e, enquanto

tal, somente será entendido se referente a fenômenos reconhecíveis por ordens de grandeza. que

nos sejam acessíveis.

O verbete ética enquanto substantivo refere-se a um campo de conhecimentos em que são

estudadas as relações de que o ser humano participa. Se adotarmos como verdadeiros os

fundamentos da física quântica, estes nos sugerem tão somente possibilidades de existência, e, a

partir daí, devemos entender que o que pode ser estudado em ética são somente as possibilidades

de relações humanas. Na seqüência de tal entendimento, quer em dimensões atômicas quer em

dimensões éticas, devemos entender que todas as possibilidades coexistem simultaneamente, quer

sejam de existência quer de relacionamento.

Daí que os cálculos sobre a existência dos seres, sejam humanos ou não,tanto como de

suas prováveis relações com o universo, só podem ser levados em consideração hipoteticamente,

dentro da ordem de grandeza sugerida pelas probabilidades de existência.

Cada vez mais nos parece correto o entendimento de Pitágoras, segundo o qual o

conhecimento só se torna acessível através do estudo dos números. De fato, os cálculos de

possibilidades e de probabilidades são estudados nas hipóteses matemáticas, embora possam

reportar-se ou referir-se a fenômenos de natureza empírica.


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