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245 Oportunidade. O verbete: tem aqui o significado de tempo mais apropriado para a ocorrência e soluções compatíveis com os fenômenos e os

resultados desejados. Neste conteúdo a oportunidade é fator essencial para a melhor relação custo-benefício emergente do trabalho desenvolvido.

Expressa também o significado de contexto mais favorável, circunstância adequada e convergência de ações e resultados.

246 Berthelot, Marcelin. Nasceu em Paris, aos 27 de outubro de 1827 e morreu em 1907. Adquiriu credibilidade científica com sua tese de

doutorado Sobre as combinações da glicerina com os ácidos. Exerceu vários cargos públicos de relevo, inclusive foi ministro de instrução e ,mais

tarde, de relações exteriores. No campo das ciências, opôs-se tenazmente ás idéias de que para a formação de produtos orgânicos era essencial

uma energia vital. Efetivou várias investigações sobre a composição das substâncias orgânicas. Em 1860 escreveu um trabalho de grande

repercussão, Química orgânica fundada sobre a síntese. Sustentou em seus trabalhos posteriores que os fenômenos químicos não são governados

por quaisquer leis que lhes sejam peculiares, mas são explicáveis em termos das leis gerais da mecânica que agem sobre o Universo.

Desenvolveu milhares de experiências para corroborar essa afirmação, relatando alguns em Mecânica química (1878) e Termoquímica (1897) .



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Capítulo IX

Posturas transdisciplinares

67. Projeções e reconhecimentos a partir de analogias científicas

O grande número de possibilidades nas relações de existência sugere a existência de



razões numéricas relativas, que podem ser quantificadas em números absolutos ou relações

percentuais. As quantificações percentuais são usualmente referidas como índices ou taxas.Ou

seja, existimos como probabilidades de existência, em limites de probabilidade por períodos de

existência e de localização espacial.

Por razões de semelhança entre os enunciados humanos das leis e regras que supomos

regerem o Universo, levando-se em conta a natureza, a oportunidade247, a duração e os múltiplos

fatores intervenientes em cada fenômeno, somos levados a acreditar que os enunciados

fundamentais do conhecimento humano sejam advindos em suas origens unidisciplinares das

ciências psicossociais, químicas, físicas, matemáticas e biológicas, devem obedecer a regras

iguais ou muito próximas umas das outras.



247 Oportunidade. O verbete: tem aqui o significado de tempo mais apropriado para a ocorrência e soluções compatíveis com os fenômenos e os

resultados desejados. Neste conteúdo a oportunidade é fator essencial para a melhor relação custo-benefício emergente do trabalho desenvolvido.

Expressa também o significado de contexto mais favorável, circunstância adequada e convergência de ações e resultados.

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E acreditamos que os estudiosos das ciências sociais poderão acatar como leis do

comportamento social muitas das regras que emergem dos fenômenos estudados nos demais

campos do conhecimento. Da mesma forma, numa reciprocidade implícita, a observação atenta

dos fenômenos psicossociais poderá levar os estudiosos de outras ciências a se aproveitarem dos

conhecimentos conquistados pelos cientistas sociais. Operar-se-á, então, o aproveitamento de

grande parte do trabalho intelectual acumulado pelos estudiosos de todos os campos do

conhecimento. O resultado dessa assimilação não será a soma linear do que for compilado,

reunido, compatibilizado e sistematizado, mas será muito maior e poderá ultrapassará todas as

fronteiras por ora imagináveis.

Uma nota de cem reais, quando fragmentada em dez pedaços, isolados e afastados entre si, não tem

qualquer significado mercantil e estará despida de valor monetário. Todavia, uma vez restaurada, reunidos os

fragmentos e recomposta de tal forma que seu valor seja reconhecido, esse pedaço de papel reassume o

significado mercantil. O significado mercantil, o valor restaurado, excede todo o resultado da reunião de

fragmentos físicos. E, diga-se de passagem, se a restauração não for bem feita, se o modelo e o trabalho dos

técnicos não for bem sucedido, o valor monetário do pedaço de papel não estará recuperado.

Para o conhecimento não bastam os procedimentos transdisciplinares, a vontade de acertar

e o aproveitamento do que emerge como conhecimento nas várias disciplinas. Há outras fontes

que sinalizam como o homem primitivo atuava transdisciplinarmente. No conceito do homem

primitivo, como agora, o sábio não é nem o especialista nem o homem muito informado. Rui C.

do Espírito Santo 248 relata como, na África, era formado o conceito de homem sábio.



O conhecimento africano é imenso, variado. Concerne a todos os aspectos da vida. O "sábio" não é

jamais um "especialista". É um generalista. O mesmo ancião, por exemplo, terá conhecimento tanto em

farmacopéia, em "ciência das terras" - propriedades agrícolas ou medicinais dos diferentes tipos de terra - e

em "ciência das águas", como em astronomia, em cosmogonia, em psicologia etc. Podemos falar, portanto,

de uma "ciência da vida": a concebida como unidade onde tudo está interligado, interdependente e

interagindo. (BÂ, Amadou Hampaté. Revista Thot, n.º64, 1997, p.23 apud R.C. ESPÍRITO SANTO, obra

citada,p.32).

A demanda de espiritualidade, que encontra fundamento no misticismo metodológico,

induz a uma aliança com a amorosidade, para servir-se desta como método de conhecimento e

recorrem ambas ao empirismo, de natureza sensível, para a busca do conhecimento. É o mesmo

Ruy Cezar do ESPÍRITO SANTO249 quem transcreve o diálogo entre um repórter e o Prof.

Antonio Damásio, do Instituto Salk, cujo trecho nos parece oportuno copiar:



Repórter: O senhor concorda com Pascal quando ele afirma que é no conhecimento do coração e dos

instintos que a razão deve estabelecer e criar o fundamento de todo o discurso?

Damásio: De um modo geral a frase está perfeitamente correta O argumento principal de O Erro de

Descartes é de que quando a razão existe sem uma ligação com as emoções, ela é uma razão incompleta.

Aquilo que se poderia ter previsto na maneira cartesiana ou kantiana é que se estivéssemos raciocinando sem

qualquer espécie de emoção seríamos capazes de raciocinar melhor. O que se verifica é exatamente o

contrário. Quando há uma perda completa da capacidade de se utilizar as emoções e o sentimento, há uma

perda na utilização do raciocínio de uma forma eficaz.

Repórter: O senhor acusa Descartes de ter alterado o rumo da medicina. Por quê?

Damásio: Até o tempo de Descartes havia uma tendência de se ligar o corpo ao espírito. Corpo,

cérebro e espírito faziam parte de um todo. Isto vinha desde a Grécia antiga e continua até a Renascença.

Muito particularmente depois de Descartes, esta visão é quebrada com o advento do dualismo cartesiano. Aí

há uma completa separação entre mente de um lado e corpo de outro. Isso teve enorme influência. Quando

falo de Descartes não o estou acusando. No fundo quem deve ser acusado é quem tem seguido Descartes até

agora.

Outra cientista social da atualidade, Thérèse BERTHERAT (1977), sugere:

248 ESPÍRITO SANTO, R.C., Escritor, cientista social e Professor na Pontifícia Universidade Católica de S. Paulo.

249 ESPÍRITO SANTO, R.C. O renascimento do sagrado na educação. S. Paulo: Papirus.,1998, p.22 Jornal do Brasil



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Passamos a vida inteira fazendo malabarismos com palavras, para que elas nos revelem as razões

de nosso comportamento. E que tal se, através de nossa s sensações, procurássemos as razões do próprio

corpo? Nosso corpo somos nós. É nossa única realidade perceptível. Não se opõe à nossa inteligência, nem

aos nossos sentimentos, nem à alma. Ele os inclui e dá-lhes abrigo. Por isso, tomar consciência do próprio

corpo é ter acesso ao ser inteiro.... pois corpo e espírito, psíquico e físico, e até a força e fraqueza,

representam não a dualidade do ser, mas sua unidade.250 (...) É importante assinalar que este sentido da

unidade a ser resgatada através da consciência maior do corpo físico nos conduzirá sempre à percepção da

beleza e da harmonia presentes no universo e em nosso corpo físico, que é um resumo ou um microcosmo que

nos permitirá sempre sentir a conexão, seja com a natureza, seja com o outro.251

Há uma convergência de pensadores modernos que recorrem às raízes místicas do homem

e do que é designado conhecimento. Cientistas e filósofos modernos insistem na indicação de um

conhecimento advindo da transreligiosidade.



Sim, ou somos seres "absurdos" , que sofrem influências injustificadas, ou temos "significação". Em

outras palavras, ou o ser humano "termina'' voltando à matéria orgânica pura e simples, como qualquer

outro ser vivente quando morre, ou há uma transcendência que revela insuspeitado sentido à menor de

nossas ações. Esse é o desafio(...) As diferentes religiões, assim como as correntes agnósticas e atéias, se

definem, de uma maneira ou de outra, em relação à questão do sagrado. O sagrado, enquanto experiência, é

a origem de uma atitude transreligiosa. A transdisciplinaridade não é religiosa nem anti-religiosa: ela é

transreligiosa252.

Harry Johnson define o sobrenatural como qualquer coisa em cuja existência se acredita,

baseando-se em provas não fundamentadas pela ciência 253.

Por sua vez Dürkheim definiu a religião254 como um sistema unificado de crenças e práticas

relativas a coisas sagradas, isto é, a coisas colocadas à parte e proibidas - crenças e práticas que unem

numa comunidade moral única todos que as adotam.

Várias teorias sobre a origem do misticismo religioso255 ilustram a memória coletiva da

humanidade, todavia o que é comum e chama atenção em todas elas é que, conforme o período

histórico, o homem age ou reage, adotando ora por mais ora por menos, os valores que lhe são

acrescidos pelo misticismo. Verifica-se também um processo empírico de acúmulo de

experiências advindas por via das razões amorosas que animam todos os seres e visam a

preservação das espécies e das fórmulas pelas quais animais, plantas, minerais, misturas,

substâncias, moléculas e átomos persistem existindo no universo. Pode-se dizer que há um

racionalismo amoroso que anima cada ser a perpetuar a fórmula física, química e biológica pela

qual é identificado e revelado. Todavia, como quaisquer dos demais caminhos metodológicos, na

medida em que se transforma em método de abordagem do conhecimento, o racionalismo é

equivocadamente usado independentemente dos demais métodos, tornando-se, por essa

abordagem, apenas um caminho de alto risco e conducente a irrecuperáveis desvios do intelecto.

Capra afirma·:



A base sólida do conhecimento que repousa na experiência, no misticismo oriental, sugere um paralelo em

face da idêntica base sólida do conhecimento científico, que também repousa sobre a experiência. Esse paralelo é

ainda mais reforçado, pela natureza da experiência mística. Esta é descrita, nas tradições orientais, como um

insight direto, situado exteriormente ao mundo do intelecto e obtido pela observação e não pelo pensamento, pelo

olhar para dentro de si mesmo.(..) Quando descrevemos as propriedades de uma dessas entidades (partículas ou

partes do mundo subatômico) em termos dos conceitos clássicos - por exemplo, posição, energia, momentum, etc.-

250 ESPÍRITO SANTO, R.C. O renascimento do sagrado na educação. S>paulo: Papirus.,1998, p.14.

251 ESPÍRITO SANTO, R.C. O renascimento do sagrado na educação. S>paulo: Papirus.,1998, p. 43.

252 NICOLESCU, Bassarab. Manifesto da Transdisciplinaridade. S. Paulo: Triom, 1999, p.129.

253 JOHNSON, Harry N. Introdução sistemática ao estudo da Sociologia. Rio de Janeiro:Lidador, 1960. Apud. LAKATOS, Eva Maria. Sociologia

geral. São Paulo: Atlas,1978, p.165.

254 DÜRKHEIM, Emil. As formas elementares da vida religiosa.. Apud LAKATOS, Eva Maria. Sociologia geral. São Paulo: Atlas,1978, p. 165.

255 Teoria do Medo, sustentada modernamente por Müller e Giddings; Teoria Animatista; de Dodrington e Marret; Teoria Animista, de Spencer e

Taylor; Teoria do totemismo, sustentada por Frazer e Goldenweiser; Teoria Sociológica, iniciada por Smith e sustentada por Dürkheim, Jane

Harrison, Chapplee Coon, Wallis e, em certos limites, também por Max Weber; Teoria do Elemento Aleatório, ou da Sorte, de Sumner e Keller.

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deparamo-nos com pares de conceitos inter-relacionados e que não podem ser definidos simultaneamente de forma

precisa. Quanto mais impusermos um conceito sobre o "objeto" físico, tanto mais o outro conceito tornar-se-á

incerto, e a relação precisa entre ambos será dada pelo princípio da incerteza. Visando chegar a uma compreensão

mais adequada dessa relação entre pares de conceitos clássicos, Niels Bohr introduziu a noção de

complementaridade. Bohr considerava a representação como partícula e a representação como onda com duas

descrições complementares dessa realidade, sendo cada uma delas apenas parcialmente correta e possuindo um

intervalo de aplicação limitado (...) Os sábios chineses representavam essa complementaridade de opostos pelo par

arquetípico yin e yang, considerando sua interação dinâmica como a essência de todos os fenômenos naturais e de

todas as instituições humanas.

É lícito afirmar que todos caminhos podem levar ao conhecimento mas, parece óbvio,

cada um deles exige muitos trajetos metodológicos, diversificados e descontínuos, marcados

pelos mais diversos campos do saber humano. Há uma relação muito freqüente entre o empirismo

e a necessidade amorosa. A ciência não é de ser acessada apenas pelo racional. Impõe-se que,

envolvida no contexto das paixões humanas, seja também objeto da amorosidade e do amor que

nos move na direção do conhecimento. O mesmo ocorre com o pragmatismo amoroso. É o que

Basarab Nicolescu sinaliza quando afirma:



A educação está no centro de nosso futuro. O futuro é estruturado pela educação que é dispensada

no presente, aqui e agora... Aprender a conhecer significa, antes de mais nada, a aprendizagem dos métodos

que nos ajudam a distinguir o que é real do que é ilusório, e ater assim um acesso inteligente aos saberes de

nossa época. Neste contexto o espírito científico, uma das maiores aquisições da aventura humana, é

indispensável.(...) No entanto, ensino científico não quer dizer de modo algum aumento desmedido do ensino

de matérias científicas e construção de um mundo interior baseado na abstração e na formalização. Tal

excesso, infelizmente comum, só poderia conduzir àquilo que é oposto do espírito científico: as respostas

prontas de outrora seriam substituídas por outras respostas prontas (desta vez com uma espécie de brilho

"científico") e, no fim de contas, um dogmatismo seria substituído por outro.256

O ceticismo opõe dúvidas à validade das relações éticas. Todavia, nessas oscilações do pensamento,

anuncia, paradoxalmente, algumas certezas. Daí emergem proposições fundadas em razões empíricas

aportadas à nossa vivência intelectual que, tangidas pela dúvida metodológica, revelam algumas

condicionantes da postura transdisciplinar: a) não há ação amorosa que não se alimente de esperanças,

incertezas, dúvidas e desconfianças; ou seja, todo amor é cultivado com recurso ao misticismo que sinaliza a

existência do outro, do indefinido, do incerto, do possível e do impossível; b) a dúvida é o tempero místico da

razão, da confiança, da esperança e da felicidade, ou seja, o ceticismo condimenta o racional, o autoritário, o

empírico, o místico, o amoroso, o intuitivo e o pragmático; c) progredimos e avançamos quando animados

pela dúvida, pois esta sinaliza diferenças entre ficção e realidade, entre o pensar e o agir, entre o caminhar e o

sonhar e d) o sagrado emerge da fé, da esperança e do amor, que transcendem as relações de conhecimento,

de ciência e de realidade.

Somos místicos porque temos fé em nossas forças e otimistas, pela esperança de que o

futuro nos seja propício, pois a experiência nos tem ensinado que retrocedemos quando nos

deixamos vencer pelo ceticismo e estagnamos quando vencidos pelas exigências insatisfeitas do

pragmatismo. Afinal, nem sempre é levando em conta a utilidade do que estamos fazendo que

surge o sucesso. A vida muitas vezes nos ensina caminhos de desenvolvimento positivo quando

atendemos à intuição, deixando vencidos os preconceitos de razão, conveniência e utilidade.

Na medida em que o sagrado transcende o tempo e o espaço, é possível progredir

indefinidamente em sua direção. Com fé, enquanto não duvidamos da força e validade do nosso

querer; por esperança, enquanto animados pela perspectiva de que o futuro será melhor que o

presente e por amor, enquanto voluntariamente submissos à força universal reguladora da

natureza e geradora de respeito a tudo que nela está contido.

68 – Associando o método de Canizzaro ao dimensionamento da densidade social

256 NICOLESCU, Bassarab. Manifesto da Transdisciplinaridade. S. Paulo: Triom, 1999, p.132.



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Ocorrem- me enunciados sugeridos pela experiência coletada a partir das ciências

aplicadas, especialmente da química, da física e da termodinâmica. Para tanto impõe-se importar,

desses campos de conhecimentos, alguns conceitos.

É oportuno recordar algumas expressões e designativos, tais como corpo, massa, máximo

divisor comum, mol, objeto, substância, peso atômico, peso, peso específico, peso molecular,

peso orbital.



Corpo: é tudo que tem massa e ocupa lugar no espaço.Massa: é grandeza primitiva, cuja percepção é mediata,

ocorrendo pelos efeitos da força de gravidade de que resulta o peso, e corresponde à idéia de densidade de

matéria. Máximo divisor comum. Num conjunto de números designa-se por máximo divisor comum (ou maior

divisor comum) o maior número pelo qual todos os números podem ser exatamente divididos. P. ex.: no

conjunto dos números 12, 18, 24 e 36 o maior divisor comum é 6. Mol: quantidade de substância cuja massa,

medida em gramas, é igual à sua massa molecular; quantidade de uma substância em que o número de

moléculas é igual ao número de Avogadro; molécula -grama. [Pl.: mols.]. Objeto: é o corpo em que o ser

humano reconhece utilidade. Peso: É o efeito da força da gravidade terrestre sobre um corpo que esteja sob

seu campo gravitacional. Diz-se também, em sentido genérico, que é a força que age sobre os corpos sujeitos

ao campo gravitacional de um astro, planeta ou satélite, e resulta do princípio de atração universal das massas.

Mede-se pelo produto da massa do corpo pela força de gravidade. No caso da queda dos corpos provoca a

aceleração da gravidade. Peso atômico de um elemento: corresponde ao equivalente numérico do número

atômico medido em gramas. Peso específico: É designação química que relaciona o peso de um corpo e o

volume que ocupa no espaço em condições de pressão e temperatura normais, ou seja, é o peso da unidade de

volume de um corpo. Peso molecular: Corresponde ao número de massa da molécula medido em gramas.



Peso orbital. Em física e astronomia refere-se ao peso total de um corpo (ou objeto) colocado em órbita.

Substância. É a matéria de que as coisas são formadas. Substância simples: é aquela cuja molécula é formada

por átomos do mesmo elemento. P.ex. hidrogênio,H2; oxigênio, O2 e ozônio, cuja molécula reúne três átomos

de oxigênio e é representada por O3. Substância composta é a substância formada por átomos diferentes, p.ex.

(H2O-água).

Associando e utilizando relações numéricas entre átomos, ensinadas pela química, e

visando aproveitá-las para o processo de dimensionamento das relações humanas, chegamos ao

método de Canizzaro. Este método parte do pressuposto de que o peso atômico de um elemento é

o máximo divisor comum dos pesos deste elemento contidos em um mol de uma série de seus

compostos.

No caso considerado, Canizzaro tratou de substâncias puras (moléculas iguais, sejam simples ou compostas),

sempre compostas de carbono e hidrogênio, por ligações simples, substâncias designadas como alcanos. P.

ex. Como determinar o peso atômico do carbono a partir dos seguintes dados, obtidos em laboratório:

Composto mol peso de C contido em um mol

Metano 16 g 12 g

Etileno 28 g 24 g

Propano 44 g 36 g

Gás carbônico 44 g 12 g

Gás cianogênio 54 g 24 g

O peso atômico do carbono será o máximo divisor comum entre os números 12, 24, 36, que é doze. Canizzaro

utilizou alguns referenciais para medir o peso atômico de um elemento em relação aos seus compostos.

Supomos possível proceder da mesma maneira em relação ao indivíduo e seu contexto.

Designamos como razões éticas as relações integradas, de um lado e necessariamente, por

pessoas e de outro, exclusiva ou inclusivamente, por pessoas, coisas, idéias, ações e processos.

Tais relações podem ser quantificadas operacionalmente mediante a determinação das influências

que umas exercem sobre as outras.

O método de Canizzaro, adaptado aos estudos da Ética, sugere como proceder visando

essa quantificação. Importa, nessa etapa, estabelecer uma relação de semelhança que nos pareça

confiável, projetando-a entre o conceito químico de mol e o conceito de núcleo social.



Metodologia e Transdisciplinaridade Gustavo Korte

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No mundo das ciências experimentais os conceitos de massa e densidade designam

grandezas diferentes. Em química, mol refere-se à massa, dimensionada em gramas, e não a peso,

ou seja, não é unidade de força. Densidade é expressa pela quantidade de massa pelo

correspondente espaço volumétrico que a massa ocupa. Massa é grandeza primitiva, e não

depende de outra grandeza para que seja compreendida.

É possível imaginar, teoricamente, a existência de massa sem que o corpo a que se refere

esteja sujeito à ação da força da gravidade. A ordem de grandeza do conjunto-universo em que

reconhecemos nosso contexto dificulta- nos abstrair a idéia de massa do conceito de peso. Como

seres terrestres, habitando um planeta muito maior que cada um de nós, este é um aprendizado

teórico que deve ser memorizado.

A partir de uma postura transdisciplinar pode-se atribuir à idéia de massa social o mesmo

significado de uma grandeza primitiva, tal como se dá, em física, com as idéias de massa, tempo

e comprimento. Em química e física massa é medida em gramas (decigramas, centigramas,

decagramas, kilogramas, toneladas etc.). Em ciências sociais podemos medir a massa social pelo

número de indivíduos.Entidades sociais, núcleos e corpos sociais coletividades, comunidades,

nações, etnias, são dimensionadas tendo, preliminarmente por unidade de medida, á pessoa

humana. Densidade social pode ser definida aproveitando-se da mesma idéia expressa nas

relações químicas.

Os químicos designam mol como sendo a quantidade de substância cuja massa, medida em gramas,

é corresponde à massa molecular. A partir daí conseguiram comprovar que há uma relação numérica



constante entre o número de moléculas e o peso molecular de quaisquer substâncias gasosas, submetidas às

mesmas condições de temperatura e pressão.

Mol, como sabemos, é o número molecular da substância medida em gramas. Molalidade

corresponde à concentração da massa molecular em determinada mistura ou composto. Número molecular ou



massa molecular é a soma dos números atômicos dos elementos que integram a molécula. Número atômico.

Corresponde ao número de prótons contidos no núcleo do átomo do elemento. O número atômico do elemento

oxigênio é 8 e seu peso atômico é aproximadamente dezesseis. Isto significa que no núcleo do átomo de

oxigênio encontram-se oito prótons e oito nêutrons. Se o número molecular da substância oxigênio é 16, é

porque a molécula da substância oxigênio é composta por dois átomos desse elemento. Peso molecular, ou

mol, corresponde à massa molecular medida gramas . . O peso molecular do oxigênio corresponde a 32. Um

mol de oxigênio corresponde a aproximadamente 32 gramas.

Lembramo-nos que Avogadro257, em razão de suas experiências laboratoriais, aventou a

hipótese segundo a qual há o mesmo número de moléculas nos volumes iguais de gases diferentes



à mesma temperatura e à mesma pressão. A hipótese, posteriormente foi confirmada e, em

homenagem ao químico italia no, foi designada como Lei de Avogadro. O número de moléculas

contidas em um mol de qualquer substância nas mesmas condições de temperatura e pressão foi

definido como número de Avogadro. A constante designada por número de Avogadro258 revela

que a quantidade de moléculas existente em um mol de uma substância é sempre a mesma.

Temos em mente investigar se existem analogias numéricas ou conceituais a partir das quais possam

ser definidas relações numéricas constantes relativas ao número máximo ou mínimo de indivíduos em uma

coletividade de tal forma que a sociedade assim constituída ofereça as condições ideais de equilíbrio, paz e

justiça social. Se considerarmos a substância como manifestação da sociedade humana ideal, há possibilidade

de que, para alguma das relações definidas na vontade social, venhamos encontrar correspondência numérica

com o Número de Avogadro. Ou seja, acreditamos que os fenômenos sociais, tanto entre seres humanos como

em outras espécies, sejam regulados por razões numéricas semelhantes ao que ocorre nos fenômenos

químicos e físicos. Isto é, somos levados a aventar a hipótese de que para o reconhecimento da existência de

um núcleo social identificado pela vontade comum, ele deve ser formado sempre por um mínimo de pessoas

257 Avogadro. Amedeo di Quaregna. Químico italiano. Nasceu e viveu em Turin, 1776-1856..

258 Número de Avogadro. Um mol de qualquer substância gasosa, em temperatura de 23ºC e sob pressão de 760mm de mercúrio, ocupa

volume de 22,4 litros e contem 6x10²³ moléculas desse gás.


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