Gustavo Korte


Metodologia e Transdisciplinaridade Gustavo Korte



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sujeitando sua viabilidade existencial também a coeficientes de tolerância recíproca entre seus integrantes. P.

ex. Pode-se observar que, na conformidade dos Evangelhos, Jesus Cristo teve doze discípulos, um dos quais o

traiu. Assim, caso pudesse ser evitado o final trágico da missão do Filho do Homem, o número correto de

discípulos teria sido onze. Che Guevara entendia que a unidade básica do grupo de guerrilheiros em um

processo revolucionário belicoso deveria ser onze, daí os chamados Grupo dos Onze. Ora, esses sinais ,

contudo, não são suficientes para alguma conclusão, mas nem por isso deixam de ser sinais. Uma pesquisa

aprofundada poderá informar o número mínimo de pessoas que devem participar de um grupo social para que

este possa cumprir sua função social. Todavia, essa pesquisa escapa aos objetivos deste trabalho.



69. Comparando conceitos de mol, massa molecular, peso molecular e molalidade.

Há, todavia, outras comparações curiosas na relação entre sociedades humanas e sistemas

coloidais. Vejamos o seguinte exemplo: no estudo dos colóides é muito usado o verbete micela.

Micela é o designativo aplicado à partícula eletricamente carregada que integra os

colóides.Tais partículas estão sempre contextualizadas com íons que, ao seu redor, manifestam



tensão iônica aproximadamente constante, uma vez mantidas as condições em que se mantém o

estado coloidal referido.Tome-se em consideração que as micelas não são moléculas, mas



partículas. Comparamos as micelas a núcleos sociais, estruturados e definidos pela organização e

sustentação de, pelo menos, uma vontade comum, que, quanto à extensão, designamos vontade



coletiva, implícita em cada um dos elementos do núcleo.Partículas são manifestações físicas de

matéria. Podem ser puras ou não. Puras são as constituídas das mesmas substâncias e as impuras

são constituídas por substâncias diferentes. Em geral as partículas são, em tamanho, muito maior

que as moléculas.

Nos colóides as micelas apresentam características corpusculares, que não são as

mesmas das moléculas. As micelas podem ser consideradas partículas menores que corpúsculos

e maiores que moléculas, e assim, são reconhecidas como conjuntos formados por moléculas,

espaços vazios e outras substâncias. As substâncias podem ser equiparadas às entidades sociais

expressas pelas características da estrutura social necessária para atender à vontade coletiva que

lhes dá origem. Os núcleos sociais correspondem, em nossos estudos, ao que, no estudo dos

colóides designa-se micela.

Na medida em que estabelecemos analogias entre os núcleos sociais e o número das

entidades sociais, procedemos semelhantemente ao analista que relaciona o mol que expressa a

quantidade de substância a micelas.

E, então, verifica-se, analogamente, que micelas e núcleos sociais, podem ser

constituídos: a) as micelas, por substâncias iguais ou diferentes, mas de maior tamanho que as

moléculas; e b) os núcleos sociais, por entidades sociais, iguais ou diferentes, com maior ou

menor extensão. Podemos espelhar os núcleos sociais com designativos tais como tribos,



comunidades, clubes, instituições, coletividades estruturadas, sociedades, etc.

Destarte, e por esse caminho, aproveitando-nos dos estudos transdisciplinares em que

relacionamos fenômenos éticos e fenômenos químicos, referindo-nos a estados coloidais da

matéria, podemos fixar correlações entre os comportamentos de micela nos colóides e de



núcleo social nas coletividades.

70. Reconhecendo sinais comuns em diversas disciplinas

Doravante, ocorre- nos exercitar a postura transdisciplinar com o uso de formas de pensar

aproveitadas por outros campos do conhecimento, tal como pode ser feito na verbalização de

fenômenos químicos em comparação com os fenômenos sociais. Para tal empreitada,

recorreremos também à semiótica, adotando, quando for o caso, a nomenclatura sugerida por

Morris, um dos autores mais referidos nesse campo do conhecimento.



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O designativo molécula refere-se à quantidade mínima da substância que ainda mantém as

características e a natureza próprias da substância. Nesse designativo entende-se, de fato, não a quantidade

mínima mas a estrutura mínima em que é possível reconhecer a menor quantidade da substância. Ou seja, a

molécula de uma substância composta identifica-se na relação numérica entre os diferentes átomos que a

compõem. Assim, a molécula de água corresponde a uma razão mínima de dois átomos de hidrogênio e um de

oxigênio, que estão ligados eletrônica e magneticamente entre si.

O substantivo molécula assemelha-se, conceitualmente, ao significado de entidade social.

Destarte, por analogia, a entidade social deve ser reconhecida a partir do número mínimo



de indivíduos cuja ligação mantém as características pelas quais a entidade pode ser reconhecida.

Sabemos que, quanto aos elementos químicos que a integram, a molécula pode ser



simples ou composta. Da mesma forma, por analogia, podemos dizer que em razão das

características sociais de seus integrantes a entidade social pode ser simples ou composta

Vejamos os exemplos que seguem: a) um time de futebol: - deve ter um mínimo de onze

jogadores; o time de futebol é uma entidade social simples quando é formado somente por

jogadores; a partir do momento em que é integrado por treinador, massagista, técnico etc. passa a

ser uma entidade social composta; b) um time de basquete, deve ser constituído pelo menos de

cinco jogadores, e neste caso, é uma entidade social simples, pois todos têm as mesmas

características genéricas enquanto jogadores; quando incorpora técnico, treinador ou massagista,

torna-se uma entidade social composta; e assim segue-se por exemplos sucessivos.

O conjunto designado por partida de futebol expressa uma atividade social futebolística,

mas não pode ser definido como o jogo de futebol. O jogo de futebol deve incluir uma duração,

um espaço físico, ou seja, a quadra em que se processará a partida; pelo menos dois times, com

onze jogadores cada, mais um juiz, e dois bandeirinhas e, eventual mas não necessariamente, os

torcedores. O jogo não se configura nem uma entidade nem um núcleo social mas uma ação ou



atividade social.

Um único time de futebol, ou seja, a entidade social futebolística comparável à molécula,

não caracteriza um núcleo social futebolístico mas só tem significado se coexistir com outro ou

outros times. Donde se depreende que o núcleo social futebolístico para equiparar-se, em

sociedade, ao conceito químico de mol, exige, pelo menos, dois times, um juiz, dois bandeirinhas

e o espaço físico para a prática do jogo, ou seja, uma quadra nas medidas convencionais com seus

traçados e dois gols. Esse núcleo poderá, eventual mas não necessariamente, agregar reservas e

respectivas torcidas.

O jogo de tênis exige uma duração, um espaço físico, ou seja, a quadra em que se

processará a partida; pelo menos, um juiz, dois jogadores, duas raquetes, uma bola, uma rede.

O conceito de família refere-se a integrantes que não precisam estar simultaneamente

todos vivos: avô, avó, pai, mãe, filho e filha, irmãos ou outras combinações, e que, em termos de

pessoas vivas de uma mesma família, podem ser do mesmo sexo (pai e filho, irmão e irmão, avô

e neto etc.). Ainda que sobrevivam apenas dois elementos desse conjunto diz-se uma família, ou

seja, observa-se que, em si mesma, a idéia contida no vocábulo família expressa a existência

simultânea de, no mínimo, duas pessoas relacionadas por características genéticas parcialmente

comuns aos integrantes, independente do sexo ou da idade de ambas.

Da mesma forma, quando a entidade social corresponde a uma entidade religiosa, deve

ter pelo menos dois indivíduos associados em torno da mesma crença.

Não se fala de escola sem entender-se a presença de pelo menos um professor e alunos,

teoricamente pelo menos um aluno. Todavia, o conceito de escola refere-se a mais de um aluno,

sendo que um só professor pode definir a possibilidade de uma escola, mas um professor e um só



aluno não traduzem a realidade consensual do significado. Daí porque, quando nos referimos à

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entidade social designado escola, supõe-se pelo menos um professor e vários alunos, ainda que

estes sejam poucos.

A entidade social pode ser homogênea ou heterogênea. A entidade social é homogênea

quando é integrada por indivíduos que apresentam pessoalmente características iguais às que

definem o grupo social, como fé religiosa que define a entidade religiosa, residência que define a

entidade administrativa (município, estado); situação profissional, relações de trabalho, etc. A

entidade social heterogênea é aquela cujos integrantes são diferentes em relação às características

naturais do grupo, p. ex. a comunidade religiosa, onde há sacerdotes e fiéis; o hospital, onde há

médicos, enfermeiros, pacientes e visitantes, etc..

71. Sugerindo designativos para uma linguagem própria às disciplinas sociais

A partir de um procedimento analógico tal como o acima sugerido são percebidas

semelhanças conceituais entre átomo e indivíduo, molécula e entidade social, mol e indicador de

núcleo social, molal e molalidade social, micela e núcleo social, soluto e soluto social, solvente e

solvente social, precipitado e segregado, força de reação e força de vontade.

Vejamos, no quadro seguinte uma das maneiras pelas quais pode ser propiciada a

comparação entre os fenômenos sociais e os de natureza química.

É imprescindível, nesse procedimento, entender que os conceitos atuais, referidos no

mencionado quadro, são resultantes de processos de conhecimento relativamente recentes, ou

seja, há não mais de século e meio, e nós estamos fazendo referência a fenômenos que,

supostamente, ocorrem há centenas ou milhares de anos.

Isto significa reconhecer que, na medida em que os conceitos se referem a fenômenos

dinâmicos, mutáveis e cuja verificação sempre corresponde a fatos já ocorridos passados, nossa

forma de expressar há de ser mutável correspondendo, pois, à mutabilidade que rege o que

supomos ser a realidade do Universo.

Comparações conceituais

Veículo do signo Designatum Interpretante Intérprete recorrendo às abordagens

Conceito químico átomo elemento químico científicas

Conceito social indivíduo corpo vivo individualizado cuja pessoa

é identificada em sociedade transdisciplinares.

Conceito químico molécula menor parte de uma substância que ainda conserva as

características químicas e a natureza da substância científicas



Conceito social entidade social número de indivíduos contido no menor núcleo social

identificado por sua natureza. transdisciplinares

Conceito químico mol número molecular medido em gramas científicas

Conceito social indicador de número de indivíduos contidos no menor núcleo social.

núcleo social identificado pela vontade comum transdisciplinares

Conceito químico molal grandeza pertinente a um mol de uma substância

dissolvida em mil centímetros cúbicos de um solvente científicas



Conceito social molalidade social grandeza que expressa o número de núcleos sociais contidos

em cada mil habitantes da sociedade comum a que se refere transdisciplinares

Conceito químico micela agregado de moléculas ou íons cuja coesão é assegurada por

forças intermoleculares e que constitui uma das fases

das substâncias coloidais. científicas

Conceito social núcleo social grupos sociais de composição definida por vontade comum transdisciplinares

Conceito químico soluto substância dissolvida científicas

Conceito social soluto social a entidade ou núcleo social contido na sociedade comum. transdisciplinares

Conceito químico solvente a substância em que, por estar em maior quantidade

na relação, o soluto se dissolve científicas



Conceito social solvente social a sociedade comum. em que se manifesta o soluto social transdisciplinares

Conceito químico precipitado substância ou partícula que não se dissolve naquele solvente científicas

Conceito social segregado individualidade que não se integra à sociedade comum transdisciplinares

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Conceito químico força de reação vetor que indica o potencial de reação, combinação ou

composição das substâncias químicas científicas



Conceito social força de vontade vetor que indica o potencial de geração, ação, reação, formação,

combinação ou composição de pessoas, entidades e núcleos sociais transdisciplinares

72. Nós, os colóides e as ciências experimentais.

Conhecemos, basicamente, três estados físico-químicos da matéria, a saber: gasoso,

líquido e sólido. Os colóides correspondem a um estado físico-químico intermediário entre sólido

e líquido, em que são encontrados alguns tipos de misturas, tais como a gelatina, as geléias e o

mocotó.

Thomas Graham (1805-1869) é geralmente considerado como o pai da química coloidal. Ele

observou que soluções tais como proteínas, polisacaroses, taninos, gomas, etc., não se dispersavam através

de pergaminhos e outras membranas tal como faziam os açúcares, sais, e outros materiais comuns que se

cristalizavam. Soluções de materiais não solúveis próximos da evaporação produziam sólidos amorfos e em

geral apresentavam caráter viscoso. Graham chamou tais substâncias de colóides (da palavra grega que

significa viscoso).259

Estudos posteriores vieram comprovar que, todavia, colóide não é substância nem

matéria. Corresponde ao estado físico em que são encontradas certas misturas. O estado coloidal

é intermediário entre o sólido e o líquido; é em geral identificado por duas fases, uma fase



dispergente e uma fase dispersora. A fase dispergente, ou fase dispersa, é muito subdividida em

partículas (designadas micelas), as quais se encontram imersas na fase dispersora.

As partículas da fase dispergente sujeitam-se a limites de tamanho (medido pelo diâmetro). De fato,

o estado coloidal da matéria é determinado tão somente pelo tamanho das partículas. Em físico-química

aceita-se como verdade que o tamanho das partículas da fase dispersa (micelas) podem ter dimensões que

variam, aproximadamente, entre 5x10?cm e 10?cm.

Quando a fase dispersora é água, as micelas podem agrupar ou não agrupar as moléculas

de água em seu redor. Colóides hidrófilos são aqueles em que a fase dispersora é água e em que

as micelas agrupam em torno de si moléculas de água. Colóides hidrófobos são os que têm como

dispersor a água e onde as micelas não agrupam em torno de si moléculas de água.

No estudo dos colóides temos alguns enunciados que se aproximam muito do que

interpretamos em relação ao comportamento humano. Por isso sinalizaremos, neste processo de

introdução à transdisciplinaridade, com algumas semelhanças entre as informações físicoquímicas

sobre os colóides e as observações que nos chegam pela abordagem intelectual dos



fenômenos éticos.

A relação entre micelas e moléculas de água faz a distinção entre colóide hidrófilo e

colóide hidrófobo: quando a água é a fase dispersora e as micelas agrupam em torno de si

moléculas de água, a mistura em estado coloidal é designada colóide hidrófilo, e quando não se

formam ligações entre micelas e moléculas de água tem- se o colóide hidrófobo. Da mesma forma

há colóides liófilos e colóides liófobos, isto é, onde as moléculas da fase dispersora ligam-se as

micelas da fase dispergente, diz-se colóide liófilo; quando num colóide essa ligação não é

verificada diz-se colóide liófobo.



72. Comparando micelas a núcleos sociais.

A observação sugere que em termos fenomenológicos, conceituais e analógicos, podem-se

constatar algumas razões de semelhança entre o comportamento dos colóides e o dos seres

259 WEST, Edward Staunton. Physical chemistry. New York: Macmillan , 1953, p. 229.



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humanos. Preliminarmente, deve-se ter em mente que fenômeno ético é todo fenômeno de que o

ser humano participa, seja como agente ou paciente, quer como sujeito ativo, intermediário ou

passivo. De outro lado, as ciências laboratoriais ensinam que os colóides são caracterizados por

tensões intermoleculares de tal natureza que, na ordem de grandeza em que se manifestam, são

impeditivas de processos de cristalização ou fusão. Nem chegam ao estado sólido (deixariam de

ser coloidais) e nem são identificados como líquidos (porque não fluem).

Os colóides encontram-se em constante movimento interno. Comportam-se como os

grupos integrantes das sociedades de seres vivos. Cada partícula, quer seja de uma molécula não

coloidal muito pequena ou uma partícula coloidal muito grande, possui certos campos de força

que são, provavelmente, de natureza eletromagnética. Ela pode possuir a propriedade de

coordenação como resultado determinado de certos agrupamentos ou pares de elétrons 260.



Misticamente pode-se dizer, que na sua passagem pela terra, a alma humana nem se

identifica totalmente com o corpo, supostamente sólido, e nem apresenta as características do



espírito, que, como manifestação divina, flui como os ventos.

Nos estudos elementares de química aprendemos a Regra de Weimarn, cujo enunciado

afirma que quando duas substâncias reagem entre si, em soluções muito diluídas ou muito

concentradas, o composto insolúvel formado se mantém em solução coloidal.

Numa atitude transdisciplinar, resultante de observações pessoais, ocorre-nos. intuitivamente, a

hipótese consistente em que, se a Regra de Weimarn for enunciada com outras palavras, poderá

servir para trabalhos em Ética, Psicologia e Sociologia. Essa postura inicial visou, por

comparação, os conceitos de indivíduo humano e o conceito de átomo. O empirismo sugere que o

átomo e o indivíduo estão sempre contextualizados. Não há probabilidade prática de existirem

átomos totalmente isolados. Nem há indivíduos totalmente isolados do contexto social. Só teórica

ou imaginariamente o isolamento total, quer de átomo quer de indivíduo, seria possível. As

experiências que poderiam colocar tanto algum átomo como algum ser humano em separação

total, seja da natureza ou do contexto social, só podem ocorrer no imaginário, e mesmo assim, em

hipóteses muito restritas e específicas, que, aventadas em laboratório, poderiam propiciar o

isolamento total de um objeto no campo de observação.

De fato, o isolamento total nunca seria possível pois, nas paredes dos recipientes ou do campo de

forças em que porventura for identificado o átomo supostamente isolado existirão outros átomos e moléculas;

e, durante a própria experiência existiria sempre entre esse átomo e o observador humano a ligação entre

observador e observado. Um tal isolamento é sempre teórico e de impossível comprovação. Afinal, o átomo,

teoricamente isolado, poderia ser isolado somente quando pertencente a um conjunto-universo maior, de outra

ordem de grandeza; da mesma forma o indivíduo humano, para ser totalmente isolado, exigiria a

possibilidade de sua existência em um conjunto contextual cujas relações não lhe permitissem sequer

pensamentos referenciados a outros seres ou pessoas.

Por isso que, por analogia, uma vez que não há caso comprovado, podemos afirmar que,

só teoricamente e em situações hipotéticas muito restritas, há possibilidade de materializar o

isolamento total do ser humano. Corroboram esse entendimento afirmações tais como a de

remota e desconhecida origem, repetida por Ho Chi Min 261, quando prisioneiro, de sua cela

afirmava: - Podem aprisionar meu corpo, mas não podem aprisionar minha alma.

A postura transdisciplinar nos leva a crer que o ser humano não é só o corpo, da mesma

forma que o átomo não é só núcleo composto de prótons, nêutrons e elétrons. A energia que

existe tanto em pessoas como em átomos transcende toda a capacidade humana de observação e

raciocínio. Tal argumento é lastreado numa razão empírica, da qual decorre que de um todo

260 WEST, E.S. Physical Chemistry. New York: McMillan,1953.

261HOH CHI MIN. Líder do Vietcong na guerra do Vietnã.



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fragmentado jamais se pode isolados quaisquer fragmentos individualizados posto que, no

contexto total, subsistiriam os demais fragmentos.

São reconhecidas oito espécies de sistemas coloidais, a saber262:1) sólido em sólido (ex.vidro rubi,

que consiste em ouro coloidal disperso em vidro; diamante negro, composto por carbono coloidal disperso em

carbono cristalino); 2) sólido em líquido, também designados suspensões ou colóides liófobos. Neste sistema

as partículas da fase dispergente e as da fase dispersora têm pouca atração umas pelas outras, e uma fase não

dissolve a outra (ex. cloreto de sódio em álcool; cloreto de ouro em água; enxofre em água);3) líquido em

líquido, designados em geral por emulsões ou colóides liófilos. Neste sistema as partículas da fase dispergente

e da fase dispersora têm atração grande umas pelas outras, e as fases se mostram aproximadamente solúveis

uma na outra. (Ex. uma grande proporção dos materiais estruturais do protoplasma são apresentadas como

sistemas coloidais liofílicos); 4) sólido em gás. Neste sistema as partículas sólidas ficam dispersas em meio

gasoso (ex. fumaça, poeira); 5) líquido em sólido. Várias jóias exemplificam este sistema coloidal, onde

gotículas de água de tamanho coloidal são dispersas em matéria mineral que serve como meio dispergente

(Ex. as pérolas, em que gotículas de água são dispersas em carbonato de cálcio; as opalas, em que a água é

dispersa em dióxido de silicônio); 6) gás em sólido Alguns minerais que aparentemente contêm bolhas de gás

de dimensões coloidais dispersas em matéria mineral; 7) gás em líquido.Em geral estes sistemas se

apresentam como espumas em que bolhas de gás de tamanho coloidal são dispersas num líquido. (Ex. quando

se bate um ovo bolhas de ar em tamanho coloidal são introduzidas e estabilizadas numa suspensão por meio

dos colóides hidrofílicos presentes (proteínas, fosfolipídeos etc.); e 8) líquido em gás Este sistema ocorre

quando gotículas de líquido em tamanho coloidal são dispersas em gás. (Ex.neblina e cerração. Em geral, as

partículas que formam a neblina são mistas e complexas, sendo compostas de partículas sólidas de poeira com

água condensada em suas superfícies).

Somos levados a observar que as ligações do indivíduo com o contexto podem ser: a)



concretas, em face das relações físicas materiais, b) abstratas, pelas possibilidades intelectivas de

ligar-se às pessoas pela memória, pensamentos e sonhos; e c) fictícias, pelas infinitas

possibilidades das hipóteses, proposições e soluções imaginárias, enquanto o ser humano estiver

vivo e em condições de pensar, resta óbvio que não há como conseguir seu isolamento total.

Podemos admitir as seguintes hipóteses de relacionamento entre o indivíduo e a sociedade: 1 -

concreto- concreto (indivíduo e contexto físico); 2) concreto em abstrato sólido em líquido, (neste sistema as

partículas da fase dispergente e as da fase dispersora têm pouca atração umas pelas outras, e uma fase não

dissolve a outra (ex. cloreto de sódio em álcool; cloreto de ouro em água; enxofre em água); 3) líquido em



líquido, designados em geral por emulsões ou colóides liófilos. Neste sistema as partículas da fase dispergente

e da fase dispersora têm atração grande umas pelas outras, e as fases se mostram aproximadamente solúveis

uma na outra. (Ex. uma grande proporção dos materiais estruturais do protoplasma são apresentadas como

sistemas coloidais liofílicos); 4) sólido em gás. Neste sistema as partículas sólidas ficam dispersas em meio

gasoso (ex. fumaça, poeira); 5) líquido em sólido. Várias jóias exemplificam este sistema coloidal, onde

gotículas de água de tamanho coloidal são dispersas em matéria mineral que serve como meio dispergente

(Ex. as pérolas, em que gotículas de água são dispersas em carbonato de cálcio; as opalas, em que a água é

dispersa em dióxido de silicônio); 6) gás em sólido Alguns minerais que aparentemente contêm bolhas de gás

de dimensões coloidais dispersas em matéria mineral; 7) gás em líquido.Em geral estes sistemas se

apresentam como espumas em que bolhas de gás de tamanho coloidal são dispersas num líquido. (Ex. quando

se bate um ovo bolhas de ar em tamanho coloidal são introduzidas e estabilizadas numa suspensão por meio

dos colóides hidrofílicos presentes (proteínas, fosfolipídeos etc.); e 8) líquido em gás Este sistema ocorre

quando gotículas de líquido em tamanho coloidal são dispersas em gás. (Ex.neblina e cerração. Em geral, as

partículas que formam a neblina são mistas e complexas, sendo compostas de partículas sólidas de poeira com

água condensada em suas superfícies).

Destarte, ajudados pela intuição, pelas observações empíricas, e pela autoridade de

algumas regras aceitas pelas ciências laboratoriais, chegamos à seguinte formulação: Quando duas

entidades sociais263 existem em áreas geográficas de baixa ou de alta densidade demográfica264, os núcleos sociais

262 apud WEST, E.. S. Obra citada, p. 236 e segs.

263 correspondendo a substâncias

264 correspondendo a soluções muito diluídas ou muito concentradas



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