Gustavo Korte


Metodologia e Transdisciplinaridade Gustavo Korte



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pelos quais são identificadas manifestam-se como núcleos não dispersos265 e comportam-se como partes de uma

sociedade autônoma, tal como tribo, clã, etc266.

Num segundo procedimento, comparamos os conceitos de átomos ao que designamos



pessoas; de moléculas ao que entendemos por entidades sociais a que o indivíduo está ligado.

Podem ser reconhecidas, nesse campo de observações teóricas, como substâncias simples aquelas

cujas moléculas são integradas por átomos do mesmo elemento, ou seja, átomos iguais; assim

ocorre com o oxigênio (O²) e o hidrogênio (H²). Substâncias compostas são aquelas cujas

moléculas formam-se integradas por átomos de elementos diferentes (H²SO4, H²O etc.).

Podemos distinguir, nas observações da sociedade humana: a) entidades sociais simples, p.ex., a



entidade familiar integrada só por irmãos, especialmente quando apresentam os mesmos níveis intelectivos

definidos por escolaridade, mesma idade aproximada, características neurobiológicas etc. e b) entidades



sociais compostas, p.ex. família integrada por pai, mãe, avó, tia, filhos, filhas e netos, em que há nítidas

diferenças intelectivas em razão da idade, da formação mental, dos níveis de educação, de prática esportiva;

assim também tribos, clãs e comunidades identificadas pela mesma etnia, mesmos usos, costumes e tradições.

Os núcleos sociais, que aceitamos corresponder às micelas, são integrados por vários



indivíduos ou entidades sociais concretizados em torno de uma vontade comum.

Exemplificando,:reconhecemos grupos de torcedores de futebol que podem ser todos do mesmo

clube ou de clubes diferentes. Em grupo religioso de cristãos, podem estar presentes, integrando o núcleo,

pentecostais, presbiterianos, católicos romanos e ortodoxos. Pode-se reconhecer nos núcleos sociais, tanto

como nas substâncias compostas, moléculas diferentes integradas pelos mesmos elementos. Por essa via, o

exemplo anterior de alcanos, nos mostra etano, propano etc.

Nas relações de família temos, dentre outras, características genético- morfológicas que

identificam os integrantes: cor, tamanho, peso, forma dos lábios, tipo de cabelos e caráter. Tais

características podem ser desenvolvidas por adaptação ao contexto ambiental, em função da

alimentação, práticas esportivas etc.

No desempenho da função familiar a pessoa manifesta características próprias e ajustadas a esse

contexto. Podemos entendê-las como características fisiológicas familiares, eis que expressam as condições

de cada pessoa em sua família, e são reconhecidas em face da: a) natureza cronológica , que define a relação

baseada na autoridade moral decorrente da posição que ocupa na hierarquia cronológica da família: bisavó,

avô, mãe, pai, primogênito, caçula, primo, tio, etc.; b) natureza quantitativa, definida em referência ao

número de irmãos, tios, primos e demais parentes; c) natureza econômica, na identificação dos que aportam

recursos para o sustento familiar; d) natureza política-social: que revela a força de liderança e identifica a

condução da vida familiar (matriarcal, patriarcal, primogenitura etc.); e) natureza intelectiva :- definida pelo

grau de conhecimentos ou escolaridade, a partir da qual decorre a autoridade moral da pessoa reconhecida

pelos demais integrantes da família (mestre, profissional liberal, empresário, patrão, empregado qualificado,

etc.).

Poderão ser observadas outras características, enunciadas, definidas e dimensionadas com



maior acuidade científica. Porém, nesta exposição, tais aprofundamentos excedem, em muito,

nosso objetivo.



73. A Regra de Weimarn e sua utilização analógica.

No estudo dos colóides tem sido verificada a aplicabilidade da Regra de Weimarn, que

define o processamento da reação e suas conseqüências nas matérias em estado coloidal.

Estendendo o entendimento sugerido na regra de Weimarn aos estudos em ética, podemos dizer

que há entidades humanas simples, constituídas de pessoas assemelhadas por traços e

características grupais reconhecíveis segundo a natureza social, psicofisiológica267 e

265correspondendo a compostos insolúveis

266 Ou seja, comportam-se como uma solução coloidal.

267 Características sociais fisiológicas, são as que identificam o indivíduo em sua função no organismo social: sexo, profissão, escolaridade,

sociabilidade, nacionalidade, religião, etc.



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morfológica268 de cada pessoa, e há entidades humanas compostas, tendo em vista os caracteres

indicadores de heterogeneidades pessoais relevantes.

Conhecemos o significado básico de densidade, em que é fixada a relação entre a quantidade de

matéria e o volume por ela ocupado. Ou seja, relaciona massa e espaço tridimensional. É corriqueiro o

significado quantitativo da relação entre o número de habitantes e a área habitada, que reconhecemos por

índice demográfico.

Nos estudos realizados por Owens tendo por foco o fenômeno do fog de Londres, foi

encontrada uma relação de proporcionalidade direta entre a quantidade de partículas sólidas

suspensas e a densidade da cerração (fog)269. Assim por analogia podemos dizer que densidade

social é o número que define a relação entre quantidade de pessoas e o espaço geográfico por elas

ocupado. Altas e baixas densidades demográficas expressam, respectivamente, grandes ou

pequenos números de habitantes em relação à área por eles ocupada.

O senso comum acolhe como aceitável o índice demográfico quando é bom o estágio de

desenvolvimento da sociedade a que fazem referência. Em geral, os índices demográficos não

têm correlação com o estágio de desenvolvimento social, mas podem refletir tendências sociais.

Como a regra de Weimarn não pressupõe a natureza das substâncias, seja simples ou

composta, ousamos anunciá- la em duas outras possibilidades. A primeira possibilidade diz

respeito à vontade individual das pessoas:

Quando duas pessoas agem e respondem mutuamente, entre si, participando de uma entidade social

muito diluída ou muito concentrada, o resultado é uma entidade composta, que se mantém sujeita,

respectivamente, a níveis mínimos ou máximos de tensão social.

A segunda, em relação às ações decorrentes de vontades coletivas, cuja existência

dinâmica é revelada por processos sociais gerados entre entidades sociais. A observação

nos leva a aproveitar a regra de Weimarn induzindo ao entendimento de que:



Quando duas entidades sociais reagem entre si, em populações muito diluídas ou muito

concentradas, o resultado é uma mistura social, em que as características sociais dessas entidades

tornam-se causas geradoras de tensões sociais diretamente proporcionais à densidade demográfica.

Não é difícil observar que, em uma sociedade com baixa densidade demográfica, corresponde, em

geral, um mínimo de tensão social. Por outro lado, a alta densidade demográfica torna -se palco de

manifestações de tensão social elevada..

Observa-se também que, em face da disputa entre pessoas, surgem partidos em que se

alinham vontades coletivas diferentes. A sociedade fica fragmentada e pode tornar-se desunida

quando seus integrantes procuram exercer vontades coletivas conflitantes. A estabilidade social

decorre dos limites em que tais vontades coletivas convergem ou divergem.

Os limites dentro dos quais a estabilidade social é preservada resultam da tensão

superficial que define os contornos da vontade coletiva.

No estudo dos colóides verifica-se que as moléculas interiores de um líquido homogêneo

são igualmente atraídas em todas as direções pelas demais moléculas. Ou seja, as moléculas

interiores podem mover-se em todas as direções e as forças livres de atração não são de fácil

apuração.Todavia, as moléculas na superfície do líquido são atraídas para dentro e para os lados,

mas não para fora do líquido, excetuada a pequena força de atração resultante das moléculas do ar

externo contextual. O resultado é que as moléculas da superfície não são livres para mover-se

como ocorre com as moléculas interiores. De fato, elas são amarradas entre si e, assim contidas,

formam uma membrana na superfície do líquido. A força com a qual as moléculas da superfície

268 Características sociais morfológicas, são relativas a disposições genéticas e a caracteres adquiridos. Dizem respeito entre outras a raça

(branca, amarela, negra etc.) , altura (clube dos baixinhos), peso (clube dos gordos), cor, etc.

269 Apud WEST, E.. S. Obra citada, p. 238 .



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se prendem umas às outras é designada tensão superficial do líquido.A tensão superficial é maior

que a força de atração interna entre as moléculas do interior do líquido.

A tensão superficial, que também é designada tensão interfacial , se manifesta também quando o

líquido toca as paredes e encontra as partículas sólidas que constituem a superfície do recipiente em que está

contido. Nos colóides existe também uma tensão interfacial (superficial) nos limites das partículas que

compõem as misturas de líquidos, tais como nas interfaces das gotículas de água e óleo em uma emulsão.

Nesses casos, a tensão interfacial é devida às diferentes forças de atração que atuam entre as membranas

moleculares (e que são resultantes da tensão eletromagnética intermolecular) quando comparadas às forças

intermoleculares.

A tensão interfacial pode ser observada, nas sociedades humanas, como sendo as forças

que limitam e dão contornos aos núcleos e às entidades sociais.

74. Movimento Browniano e Efeito Tyndall.

A experiência indica que, em sociedade, a vida é extremamente dinâmica, e sujeita a um

número muito grande, para não dizer infinito, de variáveis. Essas variáveis são multidirecionadas

e, racionalmente, não dispomos de elementos via dos quais possamos definir quer o sentido quer

a direção dos movimentos que delas resultam. Todavia, recorrendo aos estudos experimentais, o

que nos colóides é designado por movimento browniano, serve como elemento de comparação

também para os estudos sociais. Em físico-química o movimento Browniano é observado quando

se observa uma solução coloidal ao ultramicroscópio e nota-se que as partículas coloidais estão

em contínuo movimento, segundo linhas poligonais desordenadas.

Ora, pode-se dizer que esse movimento Browniano existe também entre as sociedades

humanas, pois, é o que ocorre quando se observa uma sociedade humana sob o enfoque particular

de seus integrantes e percebe-se que tribos, comunidades, coletividades estruturadas ou

sociedades organizadas fisicamente estão em contínuo movimento, segundo movimentos sociais

multidirecionados.

O que em química foi definido por linhas poligonais desordenadas pode ser traduzido

como movimentos sociais multidirecionados. De outro lado, a observação dos fenômenos sociais

nos leva a perceber que a causa geradora dos movimentos sociais multidirecionados

corresponde, em geral, às manifestações de distintas vontades coletivas.

O Efeito Tyndall (John Tyndall- 1820-1893), observado nos colóides, pode ser

equiparado aos efeitos da postura transdisciplinar na análise dos fenômenos sociais. Compare-se

o que é enunciado em físico-química como efeito Tyndall: quando uma solução coloidal é

atravessada por um feixe de luz lateral e observada diante de fundo escuro apresenta uma

turvação (opalescência) e fica então constatada a heterogeneidade do sistema.

De alguma forma esse efeito é similar ao que é gerado quando a sociedade humana é

transpassada pela visão transdisciplinar, tendo por pano de fundo o quadro histórico e as

informações unidisciplinares, pois ela se apresenta com caracteres indefinidos, pouco nítidos, e



por aí, pode-se constatar a heterogeneidade do sistema social. Destarte, pelos efeitos da

transdisciplinaridade, assim como ocorre no efeito Tyndall, somos levados a acreditar que as

sociedades humanas são marcadas pela heterogeneidade social, tanto cognitiva como empírica,

ou seja, tanto intelectual como psíquica, econômica e social.



75. Propriedades coligativas em sociedade.

Designa-se propriedade coligativa a que resulta do número de integrantes de um sistema,

mas não da natureza (química, física, social ou biológica) desses integrantes.Em química e física

há muitos estudos referentes às propriedades coligativas.



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Comparando sociedade e matéria em estado coloidal, encontramos razões de semelhança

entre as propriedades que dependem do número de micelas em um colóide e do número de



núcleos sociais em sociedade. Nos sucessivos estudos em Ética, abordando tipos formas de

relações comportamentais em sociedade, pudemos verificar que há momentos em que a sociedade

apresenta-se fria, insensível. Em outros momentos, observa-se que a sociedade se deixa aquecer e

excitar por elementos que atuam como forças sociais. Os aquecimentos podem provocar

alterações no estado emocional coletivo. Da mesma forma, os desaquecimentos inibem mudanças

e alterações.

Quando estudamos as propriedades coligativas dos colóides constatamos que o

abaixamento do ponto de congelação, a elevação do ponto de ebulição, o abaixamento relativo

da pressão de vapor e a pressão osmótica das soluções coloidais são muito pequenos em relação

ao das soluções verdadeiras de mesma concentração molar, o que é perfeitamente

compreensível, pois tais propriedades dependem do número de partículas dispersas.

Parafraseando alguns conceitos químicos, podemos designar por: a) abaixamento do ponto de



congelação social o desaquecimento das manifestações coletivas em sociedade; b) elevação do ponto de

ebulição da sociedade ao ajustamento social que aumenta os limites determin antes da ruptura social e,

conseqüentemente, estabiliza os movimentos e relações sociais; c) o abaixamento relativo da pressão de



vapor corresponde ao processo pelo qual as tensões sociais são diminuídas e impedem a expansão gerada

pelas forças de dispersão; e d) pressão osmótica das soluções coloidais pode-se entender a pressão social

recíproca existente entre sociedades limítrofes.

A partir de tais observações, propomos o reconhecimento de um conjunto de



propriedades coligativas das sociedades humanas e, quiçá, de outras sociedades de seres vivos, a

saber: o desaquecimento de manifestações coletivas, a adaptação que estabiliza movimentos e



relações sociais, o processo pelo qual tensões sociais são diminuídas, reduzindo o aumento de

forças de dispersão e as pressões sociais exercidas reciprocamente pelas sociedades limítrofes

são forças de menor intensidade que as forças sociais resultantes da ação de núcleos sociais

identificados por elementos simples quando atuam sobre populações de mesma densidade

demográfica..

Na medida em que essas propriedades dependem do número de núcleos sociais dispersos

em populações de mesma densidade demográfica, pode-se observar que a pressão social exercida

por um núcleo ou entidade social integrados por elementos simples, quando definidos e

reconhecidos como portadores de uma vontade comum dominante, (p.ex. religião, sectarismo

político, narcotráfico etc.) é maior do que as pressões difusas dos demais integrantes da



sociedade.

Scuro Neto270 afirma: Na verdade as situações são definidas a partir de valores e interesses



comuns: a própria justiça - basicamente um juízo subjetivo de valor - requer um nivelamento de

interesses e valores , tendo e vista a posição que os atores ocupam na estrutura social e o que eles

entendem por justiça.

As observações indicam, como propriedade coligativa das sociedades humanas, que a



força ideológica que identifica os núcleos sociais é diretamente proporcional aos resultados de

sua ação em sociedade.

As vontades sociais difusas são componentes de uma força maior, designada por vontade

social. Constituem-se como expressão de muitas vontades não necessariamente convergentes,

nem conexas, nem codimensionais.

Como exemplo temos as que afloram: a) em manifestações emocionais coletivas de curta duração;

b) originadas em sentimentos de solidariedade por vizinhança, relações de trabalho, esportes sociais e tantas

270 SCURO Neto, Pedro. Manual de sociologia jurídica, S.Paulo:Saraiva, 1996,.p.179.



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outras originadas em processos sociais convergentes, mas que, progressivamente, perdem o calor de reação

social e geram o esfriamento ou redução da vontade coletiva.

76. Sedimentação social.

Verificam-se semelhanças entre os processos de sedimentação das sociedades humanas e

o que se observa, em físico-química, nos processos de sedimentação das partículas.

Façamos uma breve retrospectiva. O ultracentrifugador é um instrumento usado em

laboratórios e também em determinados ramos da indústria, dotado de um rotor capaz de girar

com velocidade angular elevada, e que tem por função gerar um campo de forças centrífugas

intenso, utilizado nos estudos e nos processos que recorrem a soluções coloidais e/ ou soluções

de macromoléculas. Impõe-se, também, anotar alguns significados do verbete velocidade, que

nos parecem suscetíveis de relacionamento com o que estamos abordando. Velocidade. Como

substantivo, em física, expressa a relação espaço-tempo e é medida conforme a designação: a)

velocidade do corpo em relação ao espaço contextual percorrido: pela trajetória sobre o tempo

levado para o corpo (ou partícula) percorrê-la; b) velocidade de deslocamento: medida pelo

deslocamento entre a posição inicial e a posição final e o tempo necessário para efetivá-lo.

Tomando-se a palavra como adjetivo, o senso comum refere-se à velocidade como qualidade do

que é veloz; rápido, ligeiro. Tem significado convergente ao contido no verbete pressa. Diz-se

que tem velocidade o movimento rápido.

Nas ciências físicas, velocidade é entendida como uma grandeza vetorial, ou seja, definida

por intensidade, sentido, ponto de aplicação e direção. Em face de um referencial determinado, o

vetor velocidade é igual à derivada do vetor posição de um ponto (espaço) em relação ao tempo.



Velocidade angular, locução de que nos servimos para caracterizar o movimento gerado no

ultracentrifugador, é a velocidade que ocorre nos movimentos de rotação e nos movimentos circulares,

determinada pela relação ângulo percorrido pelo tempo para percorrê-lo. Designa-se, em estudos da

dinâmica, velocidade areolar no movimento de rotação a que é medida pela relação área varrida pelo raio

vetor por unidade de tempo.

Com interesse na apropriação de parâmetros para a observação e estudos dos fenômenos

em sociedade, é oportuno mencionar outros conceitos elaborados pelos estudiosos da física que,

por analogia, se prestam a aplicações em ciências humanas, tais como: a) velocidade de fase, que

corresponde à relação entre o deslocamento de uma frente de onda que faz parte de um pacote de

ondas e o tempo levado a efetuá - lo; c) a velocidade crítica de um fluido em movimento

(presume-se que seja aplicável aos movimentos sociais), corresponde ao limite acima do qual o

escoamento é turbilhonar e abaixo da qual é laminar; d) velocidade de grupo, que corresponde à

relação espaço-tempo presente nos fenômenos em que ocorrem as propagações de energia

radiante (manifestações de vontade coletiva) por meio de um pacote de ondas. Em física, há

estudos teóricos que sugerem o valor máximo dessa velocidade que, segundo a teoria da

relatividade, corresponde à velocidade da radiação eletromagnética no vácuo.

Apenas como lembrete, deve-se citar a velocidade da luz no vácuo, pois se trata de um dado

fundamental na física contemporânea, e que corresponde ao módulo da velocidade de grupo da radiação

eletromagnética no vácuo,cujo valor é de 2,997925 x 100.000.000 m/s, ou seja, aproximadamente 300.000

km/s.


Segundo a teoria da relatividade, a velocidade da luz é a velocidade máxima com que um

sinal portador de energia se pode propagar. Em estudos de química, observa-se que nas reações

pode ser definida a velocidade de reação como a grandeza que dimensiona a taxa de variação ou

concentração de um reagente ou de um produto, em função do tempo de duração do fenômeno.

Em estudos dos colóides pode ser dimensionada a velocidade de sedimentação, que corresponde

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à velocidade em que se dá a sedimentação de partículas;.Em geral, em laboratórios, esta grandeza

é dimensionada a partir do uso de centrifugadores.

Das ciências químicas sabemos que, sob a ação do ultracentrifugador, ocorre a

sedimentação das partículas coloidais de um sol.

Os primeiros resultados foram obtidos com ultracentrifugadores cuja rotação era de 145.000 voltas

por minuto, e em que a aceleração centrífuga correspondia a 900.000 vezes a aceleração da gravidade.

Atualmente há ultracentrifugadores com velocidades de rotação muito superiores.

Muitas vezes imaginamos poder reconhecer facilmente o que é velocidade. Mas, nem

sempre isso é tão fácil ou accessível às nossas formas de percepção, especialmente no mundo

inframolecular. Isto porque, fora da ordem de grandeza em que tomamos consciência de nossas

experiências cotidianas, a velocidade da luz ( ca. 300.000km/s), assim como a ultra-sônica (acima

de 2.100km/h), excedem os limiares de nossa percepção sensorial. De fato, vemos que a

velocidade de cristalização, ao ser medida em milhões de anos por unidade de volume, extravasa

os limites de nossa experiência sensível. Tanto umas como outras experiências são projetadas a

partir da racionalidade teórica, e tornam-se aparentemente determinadas tão somente por razões

empíricas, mas, de fato, estão apoiadas na crença referida de que é válido e eficaz o princípio da

uniformidade da Natureza.

O verbete velocidade, tem origem no radical latino velox,cis, adjetivo, que se encontra

também no substantivo velocitas,tis. Na linguagem diária, aporta os signos do que é rápido,

veloz, ágil, ligeiro. Todavia, na evolução cultural dos seres humanos, a linguagem discursiva

apropriou-se de novos conceitos, mais específicos. O que era inicialmente a expressão de uma



relação física espaço-tempo, já entre os romanos, passou a incluir outros significados. P.ex.:

velocitas pomoroum, correspondia ao tempo necessário para maturação dos frutos. Isto é, passou

a significar uma relação entre o fenômeno e o tempo necessário para que se efetivasse. Ou seja,

por essa adaptação discursiva, a idéia de velocidade foi restringida à dimensão temporal e,

abstraída da relação inicial espaço-tempo, passou a significar, também, somente o período de



duração de um fenômeno.

As observações mostram que pela velocidade de sedimentação das partículas tem-se um

meio de determinar o seu peso micelar (ou molecular). Como a velocidade de sedimentação é

proporcional ao peso das partículas, pode-se então calcular o peso micelar.

Sob os pontos de vista ético, histórico e sociológico, encontramos certas semelhanças entre os efeitos

físicos do ultracentrifugador e o processo de tomada de governo num movimento revolucionário. No

ultracentrifugador ficam, na periferia da mistura, afugentados pela velocidade tangencial decorrente da força

centrífuga da máquina, os componentes mais pesados, de maior densidade. No movimento revolucionário os

guerreiros asseguram-se as posições que definem os limites externos da disputa. Processa-se, de modo

semelhante, a definição da força ou peso social dos núcleos. Os socialmente mais ativos adaptam-se, na

periferia do movimento, respondendo à sedimentação dos limites físicos do processo social: são os que atuam

com mais força, socialmente mais ponderáveis, mais fortes, mais salientes que definem os limites externos da

ação de tomada de governo.E essa informação corresponde ao que é semelhantemente provocado pelo

aparelho ultracentrifugador.

Pode-se também observar a forma de atuação dos grupos sociais mais fortes. Em geral,

possuídos de convicções ideológicas bem definidas, identificam-se como núcleos sociais simples

quanto a crenças e objetivos. Por analogia aos conceitos químicos, tais núcleos sociais podem ser

correlacionados a substâncias simples. Constituem-se e organizam-se em torno de um mesmo

dogma, seja político ou religioso e tornam-se excessivamente radicais. Tais grupos definem, na

periferia das decisões práticas, os rumos ideológicos e os contornos sócio - geográficos dos

movimentos revolucionários.

A resultante que emerge da ação da força revolucionária centrífuga é a caracterização

dos núcleos radiais e sua progressiva aglutinação. Enquanto a sedimentação mental é forçada


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