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pelo eixo central do movimento (por analogia, o eixo do ultracentrifugador), a sedimentação

física é projetada e materializada nos limites externos, consolidando os núcleos sociais

periféricos, na definição da extensão social e geográfica do movimento.

Há um inequívoco princípio ordenatório que impõe o prévio reconhecimento dos limites

físico-empíricos do processo que está sendo ordenado. Associando as observações químicas às

das ciências sociais, somos induzidos a ter como verdadeira a afirmação de que a velocidade de



sedimentação do processo revolucionário, tende à institucionalização da vontade social como

conseqüência da atuação dos grupos periféricos.

De nossa parte cogitamos ser possível determinar a força social de cada núcleo uma vez

que sejam codificados e definidos os processos de dimensionamento da velocidade de



sedimentação dos núcleos sociais.

As nossas observações, ainda que não submetidas ao rigor científico, sugerem a afirmação intuitiva

de que a velocidade de sedimentação mostra-se diretamente proporcional à força social do núcleo. A partir da

justificação estatística de tal crença, poder-se-á calcular a força social contida nas comunidades estratificadas,

tais como clubes, comunidades eclesiásticas, esportivas, sociais, tribos, grupos familiares, etc. A partir dos

estudos das propriedades elétricas podemos inferir semelhanças indisfarçáveis dos colóides com as sociedades

humanas. As partículas coloidais numa solução são carregadas de eletricidade da mesma natureza. São

somente positivas ou somente negativas; há então repulsão mútua entre as micelas, o que dá estabilidade ao

colóide. Por analogia, não nos parece errado afirmar que os grupos de pessoas que integram uma mesma

sociedade são portadores de energia social (eletricidade) de mesma natureza . Esse é o significado que nos

advém quando falamos de raízes éticas sinalizadas por usos, costumes e tradições. Tais raízes ou são somente

positivas ou somente negativas. Sociedades organizadas que visam o bem comum, tais como ocorre com

grande número das ONGs, (abreviatura de organizações não governamentais sem fins lucrativos), podem ser

designadas como portadoras cargas elétricas positivas. Sociedades organizadas para as práticas malignas, tais

como bandos e quadrilhas, em que se constata o crime organizado, podem ser tratadas como portadoras de

cargas elétricas negativas.

A analogia nos induz a supor que, em obediência ao princípio físico-químico de que

cargas elétricas iguais se repelem e cargas elétricas diferentes se atraem, as entidades sociais que

pretendem os mesmos objetivos se repelem quando coexistem em um mesmo contexto por serem

carregadas de energia de mesma natureza. E, pela mesma razão, as entidades sociais constituídas

em torno de objetivos distintos, quer visando o que é socialmente positivo, quer visando as

práticas do mal, tendem a coexistir, numa situação de equilíbrio dinâmico.

Todavia, em face do princípio newtoniano da ação e reação, diante da mútua repulsão

entre entidades e núcleos sociais que têm objetivos semelhantes, certamente existe uma força de



coesão social, que faz com que tais entidades e núcleos sociais persistam coexistindo na mesma

sociedade. Ou seja, ao sistema de forças determinante da força de coesão social corresponde um

sistema de forças de dispersão, que dá um mínimo de estabilidade ao contexto social,

preservando-o nos limites das tensões sociais toleráveis pela alma coletiva271 que o identifica.

Ex. Os jogadores em campo que, situados na mesma relação contextual durante o jogo, competem

entre si, buscando repelir as chances de vitória do adversário. Também na relação policial corrupto-bandido

verifica-se a ocorrência do mesmo fenômeno. Exemplo vivo é a competitividade entre concorrentes do

mesmo ramo do comércio, que guerreiam comercialmente entre si, muitas vezes despidos de quaisquer

escrúpulos. Outros exemplos corriqueiros são vistos na disputa entre times de qualquer natureza, escolas,

clubes, associações, profissionais, sindicatos, etc.



77. A alma, o sagrado e o transcendente

No conjunto das concepções científicas da atualidade emerge como sendo óbvia a

afirmação, induzida pelo empirismo científico, consistente em que somos comandados pelo

271 Alma coletiva é o equivalente a anima socialis.



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centro nervoso designado cérebro. É inequívoco que na parte do corpo designada por cérebro

ocorrem manifestações nervosas, de natureza ondulatória, em que muitos identificam a existência

de um fenômeno energético, para não dizer anímico, que teria origem na alma.

Adotamos como verdadeiro e justificado o entendimento consistente em que essa entidade



anímica tem grande poder de ação sobre todo o corpo, modelando e modulando as nossas formas

de pensar e agir. A nosso ver, a alma, seja individual ou coletiva, tem natureza energética e atua

sobre todo o corpo, individualizado e singularizado ou tomado como expressão de qualquer

grupo ou aglomerado de seres , pessoas ou entidades.

Em um nível de realidade que identificamos por misticismo, somos le vados a acreditar em

uma força anímica geradora de impulsos que nos direcionam e impelem para a busca do Sagrado.

Associando misticismo e empirismo, somos levados a admitir que as manifestações da alma

correspondem a formas de pensar não necessariamente submetidas às restrições da linguagem, e

que se propagam por emissões ondulatórias sobre outros seres e entidades.

O corpo humano tem sido objeto de estudos ao longo de milênios. Ele é revelado aos

nossos sentidos de maneira a não suscitar grandes divergênc ias. O campo das ciências médicas

tem evidenciado grandes progressos de tal forma que, mesmo supondo que não há grandes

divergências nos campos de conhecimentos em que se expandem as ciências aplicadas, temos que

permanecer humildes e aceitar que ainda há muito que aprender em relação ao que nos parece tão

óbvio.

Temos dúvidas se, neste peregrinar metodológico, é oportuno especular o quê ou quanto o



pensamento humano reconhece como alma. São tantas e tão divergentes as reflexões e interpretações272 que se

referem a esse designativo que preferimos deixar ao leitor esse caminho, para que o percurso seja feito

subjetivamente, tendo por premissas posturas estritamente racionais, crenças místicas, esperanças redentoras

ou engajamentos mentais pessoais, pessoais ou coletivos, próprios, individuais ou coletivos, particulares ou

universais. Sentimo -nos confortados, contudo, ao acompanhar Toynbee273 em suas idéias quando reconhece a

existência de uma alma social, com características de alma nacional, ao afirmar que quando o animus

nacional se extingue a nação morre. Assinala o historiador que ao tempo em que a nação vai perdendo suas

características e peculiaridades nacionais, esvai-se a auto-estima coletiva, e então a alma nacional principia a

extinguir-se. Nesse processo, ela enfraquece e distancia-se do corpo social e este morre. Por analogia, somos

induzidos a crer que, nos seres humanos, quando a alma perde as características pessoais e singulares que lhe

definem a individualidade, esvaem-se o significado, o sentido e a vontade de viver. Assim, chega ao estado de

mudança que designamos morte, fenômeno em que alma e corpo se dissociam e dão origem a outras

combinações.

78. Vivenciando paradoxos.

Vislumbra-se, assim, como o imaginário e o real se confundem e se associam nas linhas

do horizonte. Deixemo-nos, pois, guiar pelo sentido espiritual sinalizado pelo misticismo.

Na medida em que damos crédito à experiência humana relacionada pelo autoritarismo

aproveitemos as formas discursivas e matemáticas que integram o racionalismo, pois tais

ordenamentos nos parecem essenciais na elaboração de sistemas de pensar. Acuremos nossos

sentidos visando perceber o mundo supostamente real que nos é mostrado pelo empirismo. Não

deixemos de lado o sentido utilitário que o pragmatismo exige do conhecimento. Deixemo-nos

assediar; também, pelo ceticismo enquanto procuramos diminuir riscos nos avanços e recuos,

procurando dimensioná-los com propriedade e justeza. Abramos nossa mente à amorosidade e,

finalmente, estejamos atentos às clarividências e soluções sugeridas pelo intuicionismo.

Com essa postura de humildade, animados pela fé, pela esperança e movidos pela amorosidade,

abrir -se-ão, dentro e fora de nós, imensas e magníficas perspectivas de conhecimento, estendendo-se por

272 KORTE, Gustavo. Corpo, alma e espírito em A Viagem em Busca da Linguagem Perdida. S. Paulo: Peirópolis,1997, p. 450 e seguintes.

273 TOYNBEE, Arnold J. A study of history. New York & London: Oxford University Press, 1947.

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novos horizontes com que nos acena a transdisciplinaridade. E este panorama nada mais é senão o mais

propício para a visão holística que nos acena com a abordagem do Sagrado. Contudo, nos altos cumes do

conhecimento, de novo se abrem os abismos. Os mesmos caminhos, enquanto nos propiciam chegarmos tão

longe, conduzem ao entendimento de um universo paradoxal. Durante o percurso, dinâmico e quase

imprevisível, vamos tomando consciência de que integramos um conjunto-universo, um gigantesco e

incomensurável ovo, um sistema vivo que apresenta as mesmas características observadas nas células,

inclusive de autopoiése. Esse conjunto-universo está subordinado a princípios de eficácia e validade, implícito

em cada um de seus fragmentos, não só em nós, indivíduos humanos, como nas entidades ou núcleos sociais

que nos dizem respeito, mas e também em cada animal, planta, célula, nos ínfimos sistemas vivos, como e

ainda nos minerais, em todas as substâncias, nas micelas, moléculas, átomos, nêutrons, prótons, quanta e

mesmo, ainda, em todas as partículas subatômicas.

Alimentados por umas tal visão enfrentamos um paradoxo que é integrado, de um lado,

pelos campos em que a memória mantém registradas algumas das leituras do passado,

acumuladas na experiência humana e, de outro, pelos pensamentos que se referem ao que

supomos ser presente, dominado pelo imaginário, e ao futuro, ainda não vivenciado. Essa suposta

incompatibilidade de idéias revela-se na confrontação assaz freqüente de intenções ambivalentes:

queremos ter a vivência de um todo atemporal e, ao mesmo tempo, procuramos mantê- lo, virtual

ou realmente, fragmentado em nossas individualidades pessoais, subjetivas e singulares.

O virtual e o real emergem de uma imagem discursiva, originada do latim imago, inis, (im+ago),

onde está presente o prefixo im, que vem de eum, acusativo do pronome is,ea,id.274. Este prefixo serve para

substituir ou indicar um relativo, passado ou futuro. A idéia contida no prefixo is, ea, id tem uma ligação com

o significado contido em causalidade, localidade, igualdade e temporalidade .

O que designamos ação, distinguindo-a de movimento, deslocamento ou processo, é

sempre o que resulta de uma vontade originada em algum ser divino ou humano. Ago, agis, assim

como o verbo agir em português, traz o significado da ação decorrente da vontade. O verbete

imagem aporta, em geral, o significado contido na representação projetada a partir de idéia, linha

ou forma de pensar. Pode ser gráfica, plástica ou fotográfica quando se refere a fenômenos em

geral. Pode representar entidades, corpos, pessoas e objetos. Em sentido religioso, imagem referese

a obras pictóricas ou esculturais, às quais se atribui semelhança com pessoas santificadas,

beatas ou divindades. Em Física, nos estudos de Ótica, designa-se por imagem a reprodução

invertida de qualquer coisa, seja pessoa, corpo, objeto, paisagem, numa superfície em se opera a

reflexão dos raios de luz. Diz-se imagem real a que é formada por raios luminosos convergentes,

depois de serem refletidos ou refratados. Imagem virtual é a formada pelo prolongamento dos

raios luminosos que divergem, depois de serem refletidos ou refratados.

Em linguagem cinematográfica, imagem contém o significado das formas reproduzidas. O verbete



imagem sugere também os significados de cópia fiel, de projeção ou reprodução de formas que lembram

eventos, coisas ou pessoas. Neste caso a imagem corresponde a uma representação física ou mental de um

objeto, de impressões tais como as resultantes: a) da imaginação ou de sonhos; b) das metáforas; c) de algum

conceito genérico sobre pessoas, emitido a partir de versões sobre fatos da vida pessoal, pública ou particular.



Imagem sugere uma representação que decorre da ação de reconhecer, identificar ou

apreender visualmente. É o interpretante do qual o ser humano se reconhece como único

intérprete possível, pois só nos seres humanos estão incluídas as possibilidades de sentir,

perceber, modular conseqüente à ação mental de cada um. Agir pode ser apenas expressão da

vontade pessoal ou coletiva, na medida em que resulta da ação humana.

SCURO Neto afirma:

274 Is , ea,id, aporta vários significados: 1. Ele, ela, o, a ; este, esta, isto. 2. Tal; de tal modo. 3. Em algumas locuções pode trazer sentido de

causalidade, p. ex. ea re ou ob id : por causa disto, por causa desta coisa, por isso. 4. Em outras expressões pode trazer um sentido de

temporalidade: in eo erat ut...estava a ponto de.... 5. Há locuções em que, como prefixo, id refere-se a lugar: ad id loci... a este lugar; ad id

locorum... até este momento.

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Premido pelas necessidades de conhecer as coisas que lhe são reveladas no decorrer de sua

experiência, inclusive de alcançar um conhecimento absoluto, resultado de necessidades éticas superiores,

inerentes à razão, o ser humano pode efetivamente tentar resolver os problemas da finitude ou infinitude do

mundo, no tempo e no espaça, assim como entender a questão da possibilidade da existência de elementos

indivisíveis (átomos), o problema da natureza do processo (ações) e de Deus como ser absoluto275.

Vivenciamos o paradoxismo transdisciplinar. Carl Sagan, em Os dragões do Éden,

procura as causas motivadoras das diversidades e contradições das formas de pensar humanas e

afirma:


Hoje, uma série de doutrinas encontra-se ou em conflito ou destituída de interação mútua. Em

alguns casos importantes, são pontos de vista do hemisfério esquerdo versus hemisfério direito. A ligação

cartesiana de doutrinas aparentemente independentes ou antitéticas é seriamente necessária mais uma vez.

Acho que as atividades criativas mais importantes de nossa e de qualquer outra cultura humana - sistemas

legais e éticos, arte e música, ciências e tecnologia - forma possíveis somente através de colaboração dos

hemisférios cerebrais esquerdo e direito. Esses atos criativos, mesmo que raros e limitados a algumas

pessoas, nos transformaram e transformaram o mundo. Podemos dizer que a cultura humana é função do

corpo caloso.

79. A transdisciplinaridade, o sagrado e o dimensionamento de fenômenos éticos.

As correntes de pensamento não têm um ponto final. Encadeiam-se por elos mentais,

umas às outras, transmitidas nas ondas eletromagnéticas em que se revelam e conduzem os

pensamentos. Venham do hemisfério esquerdo ou da parte direita do cérebro.

O que se sabe sobre a estrutura da memória humana abre horizontes infindáveis que facilitam entender o que o

misticismo oriental designa por registro akáshico e até nos leva ousar na afirmação que os demais seres vivos dispõem de

elementos de memória. Por este esforço imaginativo de estendermos ao indefinido conhecimento de que nos julgamos

detentores, torna-se evidente nosso interesse em acreditar que a postura transdisciplinar possa ser útil ao ser humano. Esse

sentido de utilidade leva ao pragmatismo, na esperança de que o método transdisciplinar possa ser operacionalizado pelo

maior número de pessoas, e, na humildade de que se reveste, possa satisfazer as necessidades fundamentais da natureza

humana.

Não podemos admitir transdisciplinaridade sem acolher o postulado de que todos os seres



são complexos e interdependentes, o que significa ocorrer um fenômeno de ligação entre tudo e

todos, que transcende e ignora limites, sobrepondo-se ao real e ao imaginário.Desvendar o

fenômeno em que se processa o conhecimento, procurando entender como ocorre, seja individual

ou coletivamente, é ação motivada pela ânsia que anima os movimentos físicos e mentais do ser

humano.

Um procedimento que aparentemente pode responder a essa ânsia de saber é ugerido na hipótese de



Pierre Levy, nunciada em As árvores dos conhecimentos276. Lidando com o imaginário, Levy sugere uma

coletividade suficientemente disciplinada e ordeira que age animada pelo desejo de conhecer. Assim, de

forma sistemática, todos anotam suas idéias e formas de pensar situando-as num diagrama que representa uma

árvore com raízes, tronco, galhos e folhas. A localização dessas expressões dar-se-ia de acordo com o nível

comum em que pudessem ser identificadas e reconhecidas por todos os participantes. Ter-se-ia assim a

vis ualização do que são idéias-raízes, idéias -tronco, idéias-galhos e idéias-folhas. O resultado teórico e

hipotético seria o resultado dessa árvore do conhecimento. Ou seja, algo transcendente ao todo que nela

estivesse contido, especialmente levando-se em conta que cada elemento, idéia ou informação teria que ser

levado em conta como um sinal, a ser combinado, compatibilizado e associado aos demais. A participação

comunitária corresponderia ao esforço coletivo para descobrir o que é comum a todos. A sugestão de Pierre

Levy e seus colaboradores reforça a crença transdisciplinar de que algo indefinido e imaterial excede os

resultados perceptíveis e emergentes da justaposição e combinação de coisas ou conhecimentos. Induz a

pensar que esse conhecimento transcendental pode ser resultado concreto ou abstrato, real ou virtual,

imaginário ou fictício.

275 SCURO Neto, Pedro. Manual de sociologia jurídica. S.Paulo: Saraiva, 1996, p. 169.

276 LEVY,Pierre e outros. As árvores dos conhecimentos. ...............



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Vale, neste momento, lembrar o significado contido no terceiro postulado em que está

apoiada a atitude transdisciplinar: a existência do outro, aqui entendido como referente ao

indeterminado, ao infinito, ao ilimitado, que transcende e excede o possível e o impossível, o

provável e o improvável, o imaginável e o inimaginável.

E, então, aceitamos a atribuição de sagrado a tudo que se refere ao sinal arquetípico que

alimenta em nós o místico e o artístico. Mesmo que sejamos materialistas ou sonhadores, que nos

deixemos orientar pelos nem sempre compatíveis recursos da razão e do autoritarismo, do

pragmatismo e do empirismo, porém tangidos pela amorosidade e excitados pela intuição, o



sagrado torna-se presente, anunciando um adjetivo substantivado, a iluminar os campos em que

se processam os pensamentos, tornando-se elemento indispensável na busca do conhecimento.

Sem que seja um postulado do pensamento transdisciplinar para a observação e

compreensão dos fenômenos, a essencialidade contida na idéia do Sagrado, melhor dizendo, de



tudo que é sagrado, é pedra angular na postura transdisciplinar.

Tendo o que é sagrado como referencial para suas ações, vivenciando simultaneamente

diferentes níveis de realidade, levando em conta a complexidade de sua existência e a existência

permanente do outro, indefinido e ilimitado, presente em todos os momentos de sua vida, o ser

humano intui possibilidades de realizar-se e chegar ao conhecimento.

Importa, nesta oportunidade, dimensionar e situar os desdobramentos das relações geradas

entre o eu que vive em determinado nível de realidade e o eu simultâneo, existente em outros

níveis de realidade.

Se quisermos confrontar o eu místico, o eu empírico e o eu racional, a um e a outros

faltarão os referenciais de espaço e tempo, eis que ambos estarão sempre contextualizados nos

limites subjetivos de percepções intelectivas.

Observamos que o processo de pensar fragmentariamente é condicionado à finitude em

que vivenciamos a realidade, qualquer que seja o nível em que ocorra essa vivência. A

observação sugere que todo o processo cognitivo está sujeito às limitações decorrentes do que



aceitamos como limiares da percepção.

Na medida em que ocorrem, os limites do conhecimento submetem-se à aparente

realidade de um espaço-tempo fragmentado, pois tanto se referem a períodos como a extensões

delimitados. Destarte, forçoso é reconhecer esses limites como marcos simultâneos que

coexistem nos referenciais espaço-tempo e não apenas em nossas divagações mentais. Em

verdade, esses limites são sugridos pelos contornos dos níveis de realidade a que nos referimos.

Compreendendo que a validade do processo cognitivo resulta da integração e

compatibilização dos pensamentos simultâneos que emergem em diferentes níveis de realidade

poderemos nos proporcionar algumas visões que sugerem a imanência e a transcedência do que é

sagrado..

O que significa, então, o conhecimento?

A ação de conhecer ocorre no mesmo nível de realidade em que é processada a ação de

imaginar. Nesse nível são formadas, por composição, integração, fracionamento, concentração,

aglomeração ou diluição as idéias, imagens e sombras dos objetos do conhecimento.

A partir de fragmentos que sugerem formas de pensar, perceber, sentir e sonhar,

ordenando e dimensionando o que supomos real, imaginário ou fictício, somos levados à

avaliação de nossas vivências subjetivas. Nesse processo em que se converte a suposição do que

designamos estado de consciência, torna-se essencial a adoção subjetiva de referenciais

aparentemente objetivos, e como tais subservientes aos demais seres pensantes.


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