Gustavo Korte


Metodologia e Transdisciplinaridade Gustavo Korte



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Metodologia e Transdisciplinaridade Gustavo Korte

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abstrai as características heterogêneas, retém unicamente as homogêneas e reflete sobre elas, de onde surge,



na consciência, a idéia geral dessa classe de objetos. Logo, o conceito (notio, conceptus) é a idéia que

representa a totalidade das características essenciais, ou seja, a essência dos objetos em questão.

E, mais adiante, apoiando-se em Goethe (1749-1832), é ainda Cassirer31 quem promete:

...Obteremos uma idéia mais precisa do fato se, por exemplo, tivermos em vista o método do exame

goethiano da natureza: método que se distingue não só porque nele se constata, com a maior clareza e

vivacidade possível, um determinado tipo de pensamento natural, mas também porque, ao mesmo tempo,

consegue reconhecer e exprimir nessa atividade, a norma interna da natureza. Goethe volta sempre a insistir

na necessidade da plena concreção, na plena determinação de contemplação da natureza, onde cada coisa

singular deve ser compreendida e contemplada no contorno preciso de sua figura singular; mas, não com

menos agudeza, afirma que o particular está eternamente submetido ao geral, por intermédio do qual

justamente é ele constituído e torna -se inteligível em sua singularidade. A forma e o caráter da natureza viva

residem, precisamente, no fato de nada haver em seu âmbito que não esteja relacionado com o todo.

Friedrich W. J. Schelling (1775-1854) ao tratar das relações das artes com a natureza,

observando as dificuldades nas conceituações, quer quanto à forma quer quanto ao conteúdo, em

procedimentos que têm a arte por objeto, afirmava, acompanhando o pensamento de Goethe:

... Jamais a determinação da forma é, na natureza, uma negação; pelo contrário, é sempre uma

afirmação. Seguindo as idéias comuns, considerareis, indubitavelmente, a configuração de um corpo como

uma limitação que lhe foi imposta; mas se forem conhecidos (internamente) na força criadora, a

configuração aparecerá como uma medida que essa força se impõe a si mesma e na qual se revela como uma

força verdadeiramente inteligente e sábia. Representando-se essa força da particularidade e, por último,

também da individualidade, como um caráter vivo, o conceito negativo da mesma tem, necessariamente,

como conseqüência, a atribuição de uma insuficiente e falsa finalidade ao que é característico da arte32.

Lamarck (1744-1829)33, cujo trabalho classificatório de plantas e animais ainda serve ao

campo das Ciências Naturais, sugere uma escala de progresso para a conceituação e classificação

dos seres vivos. Ensina que, como antecedente, há sempre um gênero em que o ser particular

pode ser incluído, o qual é definido pelos caracteres genéricos reconhecidos nos demais

integrantes; e, como conseqüentes, existem diferenças específicas entre as espécies de um mesmo

gênero que as identificam e mostram diferentes das demais.

Observa-se, tanto em Lamarck34 como nos demais naturalistas, que a ação de conceituar

traz intrinsecamente um processo de classificar, que possibilita e induz a que o objeto do

conceito seja incluído no gênero (categoria) em que é ou pode ser desde logo reconhecido e, ao

mesmo tempo, fique diferenciado dos demais espécimes pela caracterização das diferenças que

lhe são específicas. Por óbvio que, quando procuramos conceituar, estamos agindo sob a ação de

uma força que nos impulsiona na direção do conhecimento.

Seguindo o pensamento de Edmund Husserl35, quando aborda O Caminho para o “Ego”

transcendental, podemos reconhecer que

...a vida quotidiana pelos seus fins verdadeiros e relativos pode contentar-se com evidências e



verdades relativas.... Por conseqüência, do ponto de vista da intenção final, a idéia de Ciência e de Filosofia

implica uma ordem de conhecimentos anteriores em si, referidos a outros, em si posteriores e, no fim de

contas, um começo e um progresso, começo e progresso não fortuitos, mas, pelo contrário, fundados na

natureza das próprias coisas ..."

Não é difícil observar nas relações humanas cotidianas e rotineiras, que não encontra

muito eco o esforço de alguns poucos enquanto despendido na busca de conceitos específicos.

Em verdade, não são freqüentes os que agem obedientes à sistemática e à metodologia, mesmo

31 CASSIRER, Ernst. Idem, p. 45.

32 SCHELLING, Friedrich Wilhelm Joseph. La relación de las artes figurativas con la naturaleza. Buenos Aires: Aguilar, 1954.

33 LAMARCK, Jean-Baptiste. (1744-1829).naturalista francês, nascido em Barentin, Picardia. Tornou-se inicialmentre conhecido por sua

obra Flore française. Dentre outros trabalhos escreveu também Philo sophie zoologique.

34 LAMARCK, Jean-Baptiste.Philosophie zoologique. Paris: Flammarion, 1994.

35 HUSSERL, Edmund. Meditações cartesianas – Introdução à fenomenologia . Porto:Ed. Rés, s.d., p..23.

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quando estejam convencidos de que, tanto uma como outra, indicam ou podem levar ao que se



supõe ser o conhecimento.

Em realidade, em função das nossas deficiênc ias intelectuais e das impróprias projeções e

representações que nos são oferecidas pelas insuficiências da linguagem, a maioria das pessoas

despreza o rigorismo conceitual e, intelectualmente, trabalha com idéias aproximadas, de

contornos pouco nítidos. Sobretudo, é grande o número dos que operam recorrendo à imaginação

criativa para desenhar ou mapear as informações básicas que compõem os conceitos.

Há sempre uma dose de impaciência intelectual reagindo ao aperfeiçoamento e à precisão

das idéias. Nota-se que, quanto mais profunda a pesquisa conceitual, mais o intelecto vai sendo

sensibilizado pelo acatamento de pressupostos mítico-religiosos.

Pode-se observar, no dia a dia de nossas relações pessoais, como respondemos

impacientemente às forças que sugerem grandes avanços conceituais: a vida nos parece muito

curta para que nos aprofundemos muito por esses mundos infinitamente abstratos e, a partir da

adoção desse pressuposto, passamos a oferecer uma instintiva resistência aos avanços e

progressos cognitivos. Debandamos do contexto intelectual e desviamos nossas metas para

objetivos menos imateriais. Quando a atividade intelectiva de natureza conceitual é direcionada

especificamente para a busca de conceitos, mostra-se sujeita a uma duração limitada. A

experiência indica que só em períodos reduzidos, em estreitos limites de tempo, é mentalmente

possível a um certo grupo manter-se atento às especulações conceituais mais aprofundadas.

Quando ultrapassados tais limites, a mente cansada procura evadir-se do campo das especulações.

A observação indica que as penetrações intelectivas no universo das abstrações mentais,

tanto como o desempenho dos meios de percepção durante o desenvolvimento dessa atividade,

consomem muita energia e extenuam as forças mentais, acarretando canseiras inesperadas.

O verbete significado inclui-se na categoria gramatical dos substantivos. Etimologicamente é fácil

observar que a idéia nele contida tem origem no particípio passado do verbo latino significo, as, avi, atum,



are. Há várias direções em que se propagam os sinais nele contidos. Assim, significado: a) corresponde à

ação consumada de quem deu ou fez um sinal, uma indicação, uma declaração, um anúncio; b) aporta um

sinal, um sintoma; c) manifesta a expressão de uma concordância, como signo de assentimento, aplauso ou

aprovação não necessariamente verbalizada; d) identifica o sentido lógico ou verbal contido na palavra, forma

ou sinal; e) assinala o equivalente verbal no mesmo ou em outro idioma; f) está contido na representação ou

projeção do significante; g) corresponde, como interpretante, ao conceito expresso pelo intérprete.

Husserl ao abordar o campo da experiência transcendental, ao mencionar significado,

sugere que:

...A análise intencional deixa-se guiar por uma evidência fundamenta: todo o cogito, enquanto

consciência. É, num sentido muito largo, “significação da coisa que visa, mas esta “ significação”

ultrapassa a todo o instante aquilo que, no próprio instante, é dado como “explicitamente visado”.

Ultrapassa -o, quer dizer, é maior com um excesso que se estende para além. No nosso exemplo, cada fase da

percepção constitui apenas um aspecto do “próprio” objeto, enquanto visado na operação. Esta

ultrapassagem da intenção na própria intenção inerente a toda a consciência deve ser considerada como

essencial (Wesensmoment) a esta consciência36.

A idéia de significado, como interpretante que depende do intérprete, sugere, em

Semiótica, algo estático, inerente e presente no bojo do designatum, reconhecível na observação

do fenômeno. Mas, com esse sentido, por analogia, quando falamos em significado empírico do



conteúdo conceitual, podemos traduzir o movimento, seja acelerado, negativo ou positivo, que

está presente como elemento intrínseco ao próprio conceito. E, então, percebe-se que o



designatum não tem o poder de designar algo estático, mas expressa também um conteúdo

dinâmico. Ou seja, também as idéias são dinâmicas em si mesmas.

36 HUSSERL, Edmund. (idem).

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Infere-se daí que, como existem num universo dinâmico, num mundo de realidades, os



significados, tanto como as verdades a que se referem, são dinâmicos e não podem ser contidos

ou aprisionados por conotações de imutabilidade eterna.



Ultrapassagem da intenção na própria intenção corresponde a dizer que a intenção, no processo

dinâmico em que se manifesta, sofre uma aceleração. Ora, a ação de uma força causa a aceleração. E qual

seria pois a força causadora dessa aceleração na intenção que a faz ultrapassar-se a si mesma? Husserl não

esclarece, mas fica a idéia de que o cogitar, o pensar, é em si, uma força que acelera a vontade, o propósito, a

intenção. Isto porque, as palavras de Husserl nos trazem à memória o conceito físico de aceleração. Ao ser

medida, a aceleração é definida como uma grandeza derivada, decorrente das relações entre deslocamento

(espaço) e duração (tempo).

Em verdade, enquanto a velocidade é grandeza derivada, definida pela relação entre o

deslocamento e o tempo levado para efetivá-lo, a aceleração corresponde à variação da

velocidade por unidade de tempo em que atua. Por isso foi formatada a idéia de que a variação da

velocidade no tempo é medida por uma relação em que o tempo concorre na fórmula com uma

expressão de segundo grau, ou seja, tempo ao quadrado. Como entender a expressão metro por

segundo ao quadrado que representa a idéia da aceleração? Ora, não é fácil compreender a

expressão tempo ao quadrado e muito menos encontrar a correspondência no mundo sensível.

Todavia, ela existe e, nos campos da física e da matemática é perfeitamente compreensível a

expressão variação da velocidade na unidade de tempo.

O verbete significado traduz o conteúdo conceitual que recebemos pelos sinais que nos

chegam. Pode ser ou estar, mas não é, necessariamente, prisioneiro das amarras da comunicação

verbal discursiva, ou seja, pode estar fora do que é traduzido pelas palavras. O conceito responde

a um movimento da mente e das formas de percepção cuja velocidade sofre variações para mais

ou menos. Por esse meio obtemos sempre um conceito de algo que é dinâmico, que está em

constante movimento. E, a partir dele, alterando, modificando ou reduzindo as idéias que lhe são

conexas, podemos avançar ou regredir no campo do conhecimento.

Conceituar sugere, pois, um processo dinâmico de atribuir juízos, fixando relações entre

pessoas, coisas, fenômenos e idéias. Esse é o procedimento natural a que somos condicionados

durante os períodos de aprendizagem, comum à maioria das pessoas. É, dominantemente,

resultado de linguagem verbalizada através do idioma.

Fundada na experiência, a transdisciplinaridade adota como postulado a complexidade

dos fenômenos. Os fenômenos mostram-se sempre complexos pois nunca ocorrem isoladamente.

Em todos fenômenos dinâmicos observa-se, sempre, uma aceleração, positiva ou negativa, um



plus ou um minus, que acrescenta ou subtrai algo ao já existente, seja motivando, comunicando,

propiciando, alterando formas de percepção e formulações do conhecimento.

Usa-se em Filosofia o verbete constructo com o significado de um conceito que está

sendo verbalizado, em processo de construção discursiva. Em verdade, o verbete constructo

entende-se como processo de caracterização do estágio em que se encontra a estruturação da



forma de pensar. De qualquer forma, é sempre uma construção verbal discursiva, não se tendo

notícia - embora não nos pareça impossível - que haja constructo elaborado fora da linguagem

discursiva. O constructo é resultado de um conjunto, nem sempre mensurável, de elementos

discursivos que integram a idéia, a linha ou a forma de pensar, podendo ou não ser adotado como

elemento constitutivo de uma crença justificada.

Tomemos por exemplo o significado de globalização. Partimos do neologismo para a formação da

idéia, via de seu reconhecimento, adjetivando-a de tal forma que seu significado venha a ser cada vez mais

esclarecido. Globalização torna-se mais compreensível quando apelamos à Geografia, à Ciência das

Comunicações, à Sociologia e à Política, num processo de sucessivas atribuições de conceitos, entre si

compatíveis, visando formar e traduzir o significado do que é demandado pela síntese verbal . Constructo,

com origem no latim, (particípio passado do verbo construo, is, struxi, structum, ere), traduz o que foi

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construído, enunciado ou elaborado, amontoado, acumulado. O substantivo masculino se refere ao que é ou



está sendo elaborado ou sintetizado com base em dados acumulados ou justapostos, visando obtenção de um

conceito.

Em recente livro37, o atual Dalai Lama refere-se a constructo como sendo uma síntese

mental que surge de uma gama de acontecimentos complexos. A leitura dessa expressão sugere



constructo como um resultado discursivo de um processo de composição e integração de

elementos que são aceitos como verdadeiros em face de crenças, sejam elas justificadas ou não.

Sob esse ângulo de visão, quanto à tríplice relação sujeito - formas de percepção - objeto,

podemos dizer que: a) temos um conceito quando um grupo de pessoas, integradas ao contexto

social do sujeito, reconhece o mesmo significado no mesmo objeto, em face das características

com que o mesmo é identificado; ou seja, que o conjunto do que é revelado quando o objeto é

exibido diante do grupo e torna-se conhecido pelas mesmas características; b) o significado é o

conteúdo ideológico do designativo composto, formatado ou determinado pelo conceito, e revelase

quando é percebido pela natureza subjetiva 38 do observador e torna-se a expressão de uma

relação pessoal do sujeito em relação ao objeto; e c) o constructo é um processo via do qual é

manifestado o esforço social39 em construir ou formatar um conceito comum referente ao mesmo

objeto.


Definição é o designativo que visa significar o que está delimitado por fronteiras, contornos e,

conseqüentemente, tem limites. Tem origem no verbete latino finis, finis, com o significado de limite,



fronteira, contorno. Diz-se que são identificados os limites de algum fenômeno ou alguma coisa quando suas

relações com o contexto são conhecidas. A identificação é o uso da classificação ordenatória pela qual

procuramos definir algum ser, objeto ou ação quando supomos existirem diferenças genéricas e específicas

segundo as quais ele é classificado ou situado dentro de uma determinada ordem de conhecimentos. Sujeita-se

a parâmetros e modelos já conhecidos.

Há muitos modelos de definições, sejam teóricas ou práticas. Dentre as práticas, fundadas

na experiência, destacam-se as definições operacionais, que. à falta de formulações teóricas

suficientes, descrevem os fenômenos na forma sensível pela qual ele é percebido ou pode ser

observado.

Exemplifiquemos o processo para obter definições operacionais reconhecendo-lhe a natureza empírica:

diante de vários modelos de cadeiras: coloca-se uma à frente de todos, e todos verbalizam a mesma palavra,

cadeira; troca-se a cadeira exposta por outra, de diferente modelo. Pergunta-se qual o designativo do que está à

frente e todos respondem cadeira. Assim, verifica-se empírica e objetivamente o conceito de cadeira por sua



natureza objetiva40 na medida em que serve a todos. Isso porque há um corpo, lançado à frente, que todos

reconhecem pelo mesmo designativo.

Num segundo exemplo: quanto ao fenômeno queda dos corpos: verifico que os corpos caem. Todavia,

faltam-me elementos teóricos para explicar o fenômeno. Jogo algo para o alto e, à medida que o objeto vai

caindo, explico que ele cai porque não tem apoio para manter-se afastado da terra. E, daí, concluo que os corpos

caem até chegar ao solo se nada se opuser à sua queda. Mas, se tenho em mãos um balão com gás mais leve do

que o ar, ou seja, se tenho um grande volume de baixa densidade, repito a experiência e vejo que ele sobe e não

cai. Observo que a explicação operacional anterior aparentemente não se aplica ao balão inflado. Formulo novas

observações e, a partir de novas definições operacionais, poderei chegar a diferentes conclusões, como por

exemplo: a) o que faz o balão subir é a relação entre o volume e a massa nele contida, ou seja, a densidade do

corpo (embalagem e gás), que por ser menor que a do ar, faz com que o ar sustente o balão, impedindo-o de

chegar ao solo; b) que se a embalagem do balão for de ferro ele não sobe, porque a massa e o volume do corpo

formam um conjunto mais pesado que o ar.

37 DALAI LAMA. Uma ética para o novo milênio.Rio de Janeiro:Sextante,2000.p.53.

38 Subjetivo. Etimologicamente traduz o que é lançado debaixo de alguém, subordinado à compreensão pessoal do sujeito .

39 Constructo indica um processo contextual desenvolvido por um grupo social humano; ocorre ao longo de um certo tempo e tem por finalidade

a construção de um conceito comum sobre determinado objeto , mais especificamente, visa abstrair o conteúdo essencial do designativo que está

sendo utilizado sem ter suas características definidas.

40 Objetivo. Vem de ob-jectum , lançado à frente, ou seja, ob = à frente; jectus = lançado.

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Diante de cada nova situação poderá surgir uma nova observação geradora de uma



definição operacional, contrariando ou confirmando a anterior. Daí porque, o processo cognitivo

decorrente de definições operacionais sugere muitas limitações.

O conteúdo teórico aportado pelo verbete definição tem origem no substantivo latino



definitio,onis, que traduz o significado de circunscrever, ou seja, dar os contornos pelos quais o

objeto pode ser reconhecido. Traduz a verbalização da idéia, linha ou forma de pensar pela qual é

identificada a relação entre o sujeito e o objeto de seus pensamentos.

O verbete definição aporta ainda outros significados. Transmite a idéia da precisão com

que o sujeito e seu contexto especificam os limites e características de uma determinada relação

cognitiva. A definição teórica corresponde ao resultado do processo de ordenamento em que

ocorre a inclusão do objeto de conhecimento (fenômeno, coisa, relação, símbolo, função ou

processo) em uma certa classe. Esse enquadramento ocorre em face do reconhecimento das

condições sob as quais o objeto se assemelha ou iguala a outros integrantes da referida classe.

Também é teórica a definição por postulado onde o conjunto de noções é determinado pelos

axiomas ou postulados em que são enunciadas as relações necessárias e suficientes, aceitas como

reguladoras do fenômeno observado.

Enquanto no conceito é verificada uma convergência de características genéricas que

identificam, mas não restringem nem limitam a relação objetiva entre o sujeito e o objeto, na



definição procura-se expressar os limites, ou seja, os contornos precisos e objetivos pelos quais o

fenômeno definido possa ser reconhecido.

O conceito corresponde, via de conseqüência, ao enunciado de um ou mais sinais que

identificam e dão contornos particulares úteis para a identificação do objeto; materializa-se

quando a expressão tem por fundamento relações genéricas nas quais outros termos de mesma

classe são supostamente conhecidos e tomados por verdadeiros; ou seja, observa-se, de um lado,

que as relações conceituais submetem-se às condições da Lógica, tais como necessidade,

compatibilidade e suficiência dos termos. De outro lado, o conteúdo prático do verbete conceituar

aporta sentido pragmático, que indica um serviço a ser prestado ao processo de conhecimento, via

do qual as relações entre sujeito, formas de pensar e objetos ficam ajustadas às necessidades

intelectivas e viabilizam a verbalização do processo cognitivo.

À medida que reunimos condições para especificar objetos de observações por meio de

diferenças genéricas, específicas ou individualizadas, geramos a possibilidade de que se torne

convergente o reconhecimento coletivo dos mesmos objetos pelos mesmos sinais e evitamos

divergências e desajustes de linguagem.

O processo natural de definição corresponde ao de individualização dos objetos, seres ou

fenômenos. De fato, toda definição corresponde, quando menos, a uma fragmentação teórica dos

campos de conhecimento. No processo de conhecimento via do qual são abordadas as ciências

empíricas e experimentais, diz-se que ocorre a definição de um fenômeno quando é explicitada a

relação causa-efeito em que a causa reúne os elementos necessários e suficientes para que o

fenômeno se materialize. Quando verificado o fenômeno diz-se, então, que decorre daquelas

causas.


No processo racional, explicitado pela lógica formal, ocorre uma dependência essencial

das definições, pois destas emerge a compreensão dos limites e da extensão das fórmulas e

expressões verbalizadas. Há um resultado prático que sugere facilidades nas definições

operacionais, pois elas são reconhecíveis pelas vias empíricas. O agente observa o fenômeno,

procura identificar determinadas relações, mas, sentindo-se incapacitado para fazê - lo teórica e

racionalmente, à falta dos elementos de razão que expliquem e justifiquem os limites verbais da

relação causa-efeito, não busca definições verbalizadas e recorre à prática para fazer-se entender.


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