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Metodologia e Transdisciplinaridade Gustavo Korte



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Metodologia e Transdisciplinaridade Gustavo Korte

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Aranyakas e Upanishads formam o Shruti, ou seja, o coração das revelações divinas expressas

literariamente.

Esta introdução metodológica à postura transdisciplinar atende aos postulados que, de

alguma forma, coincidem e são conducentes à compreensão dos Rta e do Carma. Senão,

vejamos:


1- o Universo está sujeito a um único princípio ordenatório, ou seja, há um axioma comum a todos os campos do

conhecimento, tomado como eixo do conhecimento em que todos os fenômenos se relacionam e são

interdependentes, espelhando a idéia de complexidade;

2- há uma Unidade Natural, que identifica a visão holística do Universo; reconhecível em diferentes níveis de

realidade; e

3- há sempre pelo menos um outro, indefinido e imprevisível, encontrado ao longo dos vários caminhos que nos

propiciam chegar às divindades67.

A recomendação de Budha é concentrada na ação em busca do termo de equilíbrio. É

essencialmente transdisciplinar, indicando o misticismo, o racionalismo, a amorosidade, o

intuicionismo, o empirismo, o autoritarismo e o pragmatismo como métodos próprios para a

descoberta do termo médio como o mais próximo da melhor solução possível.

Lao Tsé e Confúcio, (séc. VI e V a.C.), sintetizam há dois mil e quinhentos anos os pólos

entre os quais o pensamento chinês tem definida suas características de nacionalidade. O

extremado respeito e amor à Natureza e aos ancestrais, designado por Taoísmo, identifica a idéia

da unidade presente no processo de vida natural que anima os seres vivos, especialmente o

homem, e é sustentado pelas mensagens de Lao Tsé. Pela prática das prescrições contidas em a

Ciência dos Ritos e Rituais, essência do Confucionismo, ergueu-se e solidificou-se a

nacionalidade do povo que, como nação, continua presente na história do homem nos últimos

cinco mil e quinhentos anos68.

O sentido da unicidade universal, ai incluídos a Natureza e os rituais de vida, sugere a



transdisciplinaridade que transparece em todo pensamento chinês, sempre sob uma visão

abrangente e superior, livre das amarras da unidisciplinaridade.

Entre medas e persas, ainda que apoiada no dualismo, a transdisciplinaridade acentua-se

no misticismo integracionista de Zoroastro, consubstanciado no mazdeísmo e no zurvanismo.



Mazdeísmo, também designado por zoroastrismo, e zurvanismo anunciam uma visão genérica do

mundo e do universo, objeto de disputas transitórias entre os reinos da Luz, regido por Ormuzd, e

o das Trevas, regido por Ahriman, irmão de Ormuzd. Ambos são filhos do mesmo Deus Pai,

Zurvan. Na abordagem mazdeísta tudo é transdisciplinar e conexo, não havendo notícia de

conhecimentos específicos uni ou pluridisciplinares. A idéia da Unidade metodológica integrada

nas ações de dois reinos de opostos, não exclui a Unidade axiológica da raiz e dos objetivos

comuns, reconhecida no zurvanismo.

A natureza dos processos de conhecimento dos povos mesoamericanos e as formas de sua

abordagem indicam a presença de posturas transdisciplinares. Há uma constante presença do

misticismo, do racionalismo, do pragmatismo, da amorosidade e do intuicionismo nas narrativas

históricas que compõem as lendas reportadas nos escritos do primeiros padres que

acompanharam os conquistadores espanhóis. Todavia, dos mesoamericanos chegaram até nós

inúmeras mensagens ainda não decifradas.

...Uma grande parte do que nos restou das primitivas mensagens culturais dos povos



mesoamericanos está contido em glifos indecifrados, reproduzidos no esforço de transmitir para os pósteros,

através da linguagem ideográfica, o que não nos veio pela linguagem fonética escrita.69.

67 Assim entendidas as deidades projetadas a partir das diferentes paixões humanas identificadas nas práticas mítico-religiosas,

68 Na China: há dados históricos que remontam a uma cultura existente já em 3.500 a. C. Na Índia há referências documentais desde 3.000 a. C.

69 KORTE, Gustavo. A viagem em busca da linguagem perdida. São Paulo: Peirópolis, 1997. p. 220.



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A visão do conhecimento era, para eles, originária de concepções genéricas sobre as

origens da vida, do cosmos e do saber. Essa visão era ordenada sobre um eixo comum misticoreligioso-

empírico, não havendo alternativas que não fossem geradas na experiência social ou

individual, no pragmatismo, no misticismo, no autoritarismo, no racionalismo, na dúvida, na



amorosidade e na intuição. A natureza religiosa e pragmática da arquitetura mesoamericana

informa sobre a visão global que tinham do Universo e do seu destino.

A natureza transdisciplinar da herança histórica dos mesoamericanos, aqui compreendidos olmecas,

zapotecas, teotihuacans, maias e astecas, assim como de outras muitas etnias, emerge tanto da arquitetura, do

urbanismo e da religiosidade, traduzida nos raros textos produzidos por padres espanhóis. Por eles foram gravadas as

tradições indígenas em trabalhos preciosos, tais como De orbe novo decades, de Pedro Mártir de Anghiera; Historia



verdadera de la conquista de la Nueva España, de Bernal Diaz de Castillo e Historia general de las cosas de Nueva

España, de Bernardino de Sahagún.

Transparece a existência de um eixo comum mítico, místico e religioso, em torno do qual

os mesoamericanos construíram o que se pode designar como cultura mesoamericana préhispânica.

As narrativas dão conta da interligação entre os supostos princípios da religião,

associados a outros tantos da astronomia, da medicina, e lançados à vida social e relacionados a

todos os acontecimentos, emergindo desta interatividade a idéia de um axioma comum às formas

intelectivas desse período.

Daí porque nos parece justo afirmar que na metodologia cognitiva dos mesoamericanos

predominavam características da transdisciplinaridade e da visão holística, ainda que sujeitas

essencialmente à dominância do misticismo.

Nestas referências não se pode deixar passar despercebido o valioso trabalho de Gordon Brotherston

sobre a literatura da América indígena, fonte inesgotável de narrativas e referenciais ao princípio único de



natureza axiológica que dá suporte à moderna concepção transdisciplinar.

A visão norte-americana que enfoca a metodologia transdisciplinar está ainda

engatinhando. O pragmatismo reveste a própria postura de vida desse povo eclético, de recente

formação cultural, ainda não suficientemente consolidada por traços e características que a

diferenciem das demais culturas contemporâneas. As múltiplas e variadas etnias que procuram

identificar-se em uma única nacionalidade, num gigantesco trabalho de aculturamento social e de

produção econômica, encontram fundamentos conflitantes e se condensam heterogeneamente.

Todavia, a origem das nações indígenas, quiçá autóctones, da América do Norte, aportou

sua influência sobre os norteamericanos, pois se pode observar que são culturas e tradições

originárias lastreadas na transdisciplinaridade inata de que eram possuídos os povos e as etnias

antes da descoberta colombiana. A axiologia entre os conhecimentos e práticas indígenas é

revelada pela inexistência de conhecimentos específicos pelos quais possam ser distinguidas

disciplinas ou tendências unidisciplinares em suas culturas.

De outro lado, a revolução industrial e a conquista econômica norte-americanas traduzem,

de um lado, a característica da especialização unidisciplinar e. de outro. um esforço generalizado

de síntese. As gerações de norte-americanos que escreveram a história dos últimos duzentos anos

sobre aquele território, assimilaram caracteres de nomadismo e exagerada especialização nas suas

preocupações intelectuais.

A transdisciplinaridade só recentemente tem sido encarada e tomada por objeto de estudos

mais aprofundados, podendo todavia emergir como conseqüência natural da própria evolução

social e intelectual, na forma de uma imperativa resposta ao avanço tecnológico interdisciplinar,

resultado que é justamente aguardado pelo restante do mundo.



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Como exemplo de postura transdisciplinar na arquitetura e na filosofia, dentre os



romanos, temos os pensamentos de Vitrúvio 70. Posteriormente, a visão transdisciplinar foi

manifestada durante a Renascença em Leonardo da Vinci71; Michelangelo Buonarotti72, Dante

Alighieri73, e na pré-renascença em humanistas como Pico de la Mirandola 74 e outros.

Pode-se também observar que, de forma inequívoca, o pensamento religioso de judeus,

cristãos e muçulmanos é de natureza transdisciplinar. A unidade do Ser Supremo e os atributos de

Amor e Sabedoria que n´Ele estão intrínsecos, não deixam margem a dúvidas quanto à presença

do Sagrado em todos os esforços para sistematização do conhecimento..

É certo que o misticismo judaico, como método próprio de confirmação de sua

nacionalidade e cultura, ambas de natureza teocrática, acopla-se ao racionalismo, ao

autoritarismo, ao pragmatismo, ao empirismo e ao ceticismo, envolvidos estes pela amorosidade

divina e animados pela intuição. Poucos povos do mundo igualam-se aos judeus quando estes

revelam, em suas abordagens do conhecimento, tanto racionalismo, pragmatismo, autoritarismo e

amorosidade.

A visão histórica nos revela que, nas sociedades primitivas, há uma transdisciplinaridade

inata, que poderemos reconhecer como uma axiologia implícita nas relações entre os seres

humanos, a Natureza e o mundo abstrato em que ocorrem as formas de pensar.

Nas formações culturais mais elaboradas da Antigüidade, há uma preservação de traços

transdisciplinares na medida em que misticismo, autoritarismo, amorosidade, pragmatismo,

racionalismo e empirismo se justapõem e se fazem razões determinantes de um sentido

axiológico identificado na alma nacional. Assim ocorre a fragmentação no desenvolvimento dos

processos cognitivos. Embora restringindo a extensão do fenômeno, o pensamento fragmentário

facilita e possibilita o entendimento.

Emergem desses fragmentos os campos específicos de conhecimento que designamos

disciplinas. A repetição das experiências cognitivas geradas pelo ser humano é a conseqüência

que se faz presente na inter, multi, pluri e transdisciplinaridade com que cada ser humano

pretende assimilar e aproveitar-se das informações disponíveis.

Consolida-se a idéia de que o saber fragmentado resolve diretamente as questões menores,

suscitadas na vida prática. Por isso, proliferam a ociosidade e a negligência em relação à

abordagem do saber genérico, pois este não oferece resultados imediatos que sejam de fácil

apuração e utilização.



16 - A adjetivação no processo de conhecimento

Aprendemos na escola o significado de adjetivo, mais tendo em vista sua função lógica do

que propriamente a categoria gramatical. Quando tratamos de ações humanas, comparando-as às

regras e princípios que regem, devem ou podem reger as relações entre o sujeito e o objeto da

ação, dizemos que as relações substantivas são as que dimensionam e delimitam as hipóteses

70 Vitrúvio (séc. I a. C.) Arquiteto romano. Autor do tratado De architectura, que consta e norteia a arquitetura dos edifícios públicos até o final do

século XVIII d. C. Toda sua obra está impregnada de uma visão filosófica nitidamente transdisciplinar.

71 Leonardo da Vinci (1452-1519). Célebre artista da Escola Florentina. Embora tenha sido coroado na arte pictórica, foi escultor, arquiteto,

físico, engenheiro, escritor e músico, campos do conhecimento em que sempre se destacou.

72 Michelangelo Buonarotti (1475-1564). Nascido em Caprese, na Toscana. Um dos maiores pintores, revelado na Renascença e insuperável até

hoje. Foi pintor, escultor, arquiteto e poeta, mas revelou sempre seus conhecimentos através de manifestações múltiplas que sugerem a

abordagem transdisciplinar.

73 Dante Alighieri. (1265-1361). Poeta, escritor e político, considerado o pai da poesia italiana. Nasceu em Florença e morreu em Ravena, onde

desempenhou muitas atividades políticas.

74 Picco de la Mirandola. (1463-1494). Nascido no castelo la Mirandola, perto de Módena, foi considerado um grande sábio. Por suas teses em

filosofia e teologia é, reconhecidamente, um humanista.



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supondo se podem ou não vir a ocorrer. Essa crença situa- nos na procissão dos que consideram as



relações substantivas hipotéticas como reguladoras da relação.

É oportuno assinalar como o senso comum recebe a idéia contida no verbete adjetivo.

Entende-se adjetivo a palavra cujo significado modifica, altera, determina ou qualifica o

substantivo a que faz referência. Cor, estado, duração, tamanho, forma, modelo, proximidade, são

apenas algumas das características que podem ser sinalizadas pela adjetivação. No estudo da

linguagem aprende-se que o advérbio modifica ou atribui características ao verbo, o adjetivo e o

próprio advérbio. Assim, pode-se dizer que na medida em que os adjetivos determinam,

demonstram ou qualificam os nomes atribuídos às coisas, ações, qualidades e pessoas, os

advérbios sinalizam o modo, o tempo e o espaço em que tais relações ocorrem.

Pode-se verificar que quando determinamos ou atribuímos qualidades a um substantivo é

porque, em nossos registros de memória, encontra-se a idéia do atributo. Adjetivar é, portanto,

uma ação de reconhecimento de qualidades e restrições via da qual nós procuramos identificar e

individualizar os substantivos.

Entre os Dogons, nação africana objeto de vários estudos, a estratificação do conhecimento

corresponde a um tecido integrado por incontáveis linhas e formas de pensar. O tecer é uma Palavra

amarrando outra Palavra, uma idéia presa a outra idéia, na concepção do tecido que está sendo trançado.

Assim, a cultura é um tecido ao qual se prende a Palavra dos ancestrais e através da qual esta Palavra se

transmite75.

O significado unitário do conhecimento não lhe retira nem as cores nem os matizes das

linhas de pensar com que é estruturado, mas anuncia uma idéia de síntese simbólica, presente no

conceito de palavra.

Interdisciplinar, multidisciplinar, pluridisciplinar e transdisciplinar são palavras

classificadas como adjetivos, ou seja, são atributos para a idéia substantiva identificada no

verbete método, servindo também para caracterizar e qualificar o processo de abordagem do

conhecimento.

A metodologia interdisciplinar corresponde ao mapeamento dos caminhos que permeiam

as disciplinas, supondo possível chegar ao conhecimento por mera justaposição de informações



convergentes, sem a preocupação de invadir os campos específicos em que se desenvolvem as

conquistas intelectivas.

Metodologia multidisciplinar é a que justapõe e aproxima informações oriundas das mais

diversas disciplinas, não necessariamente conexas nem convergentes na origem, mas onde

conexão e convergência dependem do ulterior processo de assimilação e justaposição de

informações. Procura sintetizar a abordagem dos elementos cognitivos através da definição das

características comuns ao conjunto a que forem integrados.

Metodologia pluridisciplinar é a que propicia, em relação a um mesmo fenômeno, a coleta

de informações oriundas de disciplinas por natureza entre si conexas e convergentes, visando

alcançar regras do conhecimento genérico e específico por meio da síntese resultante da

compatibilização dos resultados.

A metodologia transdisciplinar aborda o conhecimento a partir do pressuposto que as

informações de cada disciplina tanto podem nos aproximar como afastar do Sagrado e da

Verdade. Propõe a abordagem de todos os campos do conhecimento na crença de que, a partir de

um trabalho conjunto, os resultados excederão a composição das informações. O todo será maior

do que a soma das partes. E acredita que só a visão global, como resultante de um procedimento

gestáltico ou holístico, pode nos levar a compreender o que ocorre no Universo.

75 KORTE, G. A viagem em busca da linguagem perdida. São Paulo: Peirópolis, 1997, p. 132.



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A transdisciplinaridade tem, como pressuposto, que nenhum ser humano é, por si só,



detentor da possibilidade de abordagem total. Daí por que impõe, como essência do método, a

humildade intelectual em razão da qual não deve ser re futada nem recusada a colaboração

resultante de nenhuma experiência intelectual vivenciada ou sugerida pelos outros.

A metodologia transdisciplinar adere a um processo de crenças e justificações

progressivas, dinâmicas, que não se submetem à manifestação estática das verdades retrógradas76,

mas, levando em conta a imaginação do que pode ocorrer no futuro, deixa -se guiar pelas forças

da amorosidade e da intuição presentes nas ações humanas.

A transdisciplinaridade metodológica corresponde a um processo de democratização do

intelecto, equiparando o valor pessoal das experiências intelectuais individuais às vivências de

ordem coletiva, quer no conteúdo formal quer no informal, quer no empírico como no

estritamente racional.

Os Códigos Civil, Comercial e Penal enunciam o direito substantivo que deve dominar as relações

civis, comerciais e penais entre as pessoas que integram a sociedade brasileira. Quando nos referimos à

maneira pela qual o direito substantivo pode ou deve ser exercido, diante da materialização das hipóteses que

nele estão configuradas, onde e como podemos recorrer aos órgãos administrativos, policiais e judiciários,

falamos de direito adjetivo. À medida que os organismos sociais devem responder à nossa demanda, nós

tratamos do direito processual, ou seja, do direito que adjetiva o conteúdo ideológico e doutrinário fixado nos

enunciados do direito substantivo. Pelo direito adjetivo, são dimensionadas, constatadas e apuradas as

relações ocorridas. O direito processual é pois, o que supostamente materializa a Justiça. Por isso, é

designado direito adjetivo. Tenho direito à herança deixada por minha mãe na forma do que é ditado pelo

direito das sucessões, embutido no Código Civil (Direito Substantivo). Todavia posso ou não exercê-lo. Se

quiser materializá-lo devo recorrer ao Judiciário, que é o Poder Estatal por meio do qual o direito substantivo

será materializado pela via processual do inventário. O direito à sucessão é substantivo. O direito processual

que regula como posso exercê-lo é direito adjetivo. Da mesma forma, quando designo casa adjetivando a idéia

com uma cor (branca, azul, amarela), ou grandeza (grande, pequena), situando-a no tempo (nova, velha,

moderna, antiga), pelo processo de adjetivação estou materializando a idéia, tornando-a perceptível aos

sentidos, e por esse recurso, faço-a supostamente concreta.

Metodologia é substantivo feminino. Quando adjetivado pelo verbete transdisciplinar,

traduz o significado de caminho que ultrapassa e transcende as disciplinas, possibilitando

resultados integrados, que excedem o conhecimento proporcionado por cada uma delas. A

metodologia transdisciplinar inclui as informações prestadas pelos mais diversos campos de

conhecimentos específicos. Porém, mais ainda, inclui outros elementos metodológicos a que

usualmente não recorremos. O método transdisciplinar não é singelo nem primitivo. É decorrente

de um conjunto de marcos que indicam caminhos intelectuais, teóricos e práticos, percorridos na

busca do que é adjetivado por sagrado, ou seja, Verdade, Conhecimento e Justiça.

17. Como utilizar a metodologia transdisciplinar.

Um juizado da Infância e Juventude consultou-nos sobre o uso da metodologia

transdisciplinar para avaliar e solucionar o caso de um menor infrator.

A descrição do problema, as abordagens e as sugestões foram devidamente registradas

como o estudo sobre O menino do cavalo. Constam dos arquivos do NEST- Núcleo de Estudos

Superiores Transdisciplinares 77, que poderão ser consultados pelos interessados, mas cuja

inserção neste trabalho seria fora do propósito.

76 Verdade retrógrada. É expressão é usada por Bergson quando se refere à constatação da verdade científica, que será sempre expressão de um

fato passado em relação ao momento em que é reconhecida como tal. Daí a expressão verdade retrógrada, como expressão de conhecimento do

que já foi.

77 Consultas pela internet para o site www.NEST. com.br



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Capítulo III



Misticismo e Autoritarismo

18 - Que é misticismo?

Há trabalhos que sugerem a utilização de caminhos já abertos para abordagem do

conhecimento. É próprio dos mais cautelosos seguir por trilhas percorridas por outros. É óbvio

que há momentos em que essas trilhas podem nos confundir e, então, por ação de nossa vontade,

reunindo nossas crenças e experiências, aventuramo- nos por caminhos que nos parecem originais

e mais próprios. Daí por quê é de bom senso recorrer às informações que nos são trazidas pelos

mais diversos processos cognitivos e, dispondo de tais recursos, avançar com a maior acuidade

intelectual possível.

Impõe-se indagar sob quais luzes o intérprete dos fenômenos do conhecimento busca

reconhecer a natureza, a origem e o objetivo do conhecimento que se propõe. Essa questão traz

implícita a idéia de que o reconhecimento importa em reidentificação de fatos e fenômenos cujos

parâmetros existem e persistem dentro de nós, ou seja, estão codificados de alguma forma em

nossa memória.

O processo de reconhecimento, com o sentido de conhecer de novo, rever, restabelecer

ligações vivenciadas e persistentes dentro de nossa mente, induz-nos à observação de que o

processo de reconhecimento importa num deslocamento das formas de percepção intelectivas

para os elementos que integram o passado. Ou seja, torna-se viável aceitar, por esse caminho, a

possibilidade de regressão. Tendo em vista o impulso pragmático, gerador de muitos dos embalos

que nos animam no processo de conhecimento, é também anunciada a possibilidade de revelação

de fatos que ocorrerão no futuro. Ficam, a partir desse entendimento, abertas as perspectivas de

um deslocamento pelo qual pode-se avançar intelectivamente no eixo dos tempos. Isso porque o

processo de reconhecimento traz implícita a possibilidade contida na idéia de um tempo de

avanço e outro de regresso e, ainda mais, a sugestão de que o passado, o presente e o futuro são

contingenciais em todos os processos cognitivos.

Subjetivamente poderemos, a partir dessas observações, condicionar nossas mentes às

possibilidades de viagens intelectivas inseridas ou alijadas do eixo dos tempos. Se pensarmos

atemporalmente, adotando parâmetros reveladores que possibilitem algum reconhecimento sem

vínculo com as noções de tempo, percebemos que passado, presente e futuro deixam de ser

noções condicionantes. Ficam, então, desfiguradas as situações relativas à nossa própria

existência, emergindo uma relação mais forte com o que designamos compreensão holística do

Universo.

Portanto, o poder de realizar deslocamentos no eixo dos tempos está incluído em nossos

recursos pessoais. É certo que, para sermos bem sucedidos nessa empreitada, estaremos sujeitos

ao que designamos processo de aprendizagem. Vislumbra-se um constrangimento racionalmente

diante da insuficiência de razões que poderiam justificar essa possibilidade de viajar pelo tempo,

de tal forma que essa crença assume características pessoais e subjetivas.

Todavia, sabemos da existência de caminhos conhecidos pelos quais podemos avançar ou

regredir com um mínimo de segurança intelectual e objetividade. Importa preliminarmente

investigar se os que utilizaram o misticismo para alcançar a intentada capacidade pessoal de

progressão e regressão chegaram, de fato, até onde relatam ou se e tão somente, agiram nos

campos do imaginário.


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