Hackbart inaugura biodigestor em assentamento no Sul da Bahia



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Encontro25.07.2016
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Hackbart inaugura biodigestor em assentamento no Sul da Bahia

O Presidente do Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária), Rolf Hackbart, irá inaugura, no dia 1º de abril, o Projeto do Biodigestor no Assentamento Cascata, no Município de Aurelino Leal (380 km de Salvador), o que torna o assentamento totalmente agroecológico. Em seguida, visitará os assentamentos Liberdade, em Maraú, (500 km de Salvador) e Santa Irene, em Gongogi (480 km de Salvador).


Com a finalização do Projeto do Biodigestor, o Cascata se tornará o primeiro assentamento baiano a ter e utilizar uma tecnologia ecológica para secagem do cacau e adubação de plantações. Esta etapa do Projeto adaptou a fornalha do secador de cacau, para, em vez de queimar a lenha, consumir o gás resultante da fermentação do esterco de gado.
“O biogás em substituição à lenha evita o desmatamento”, ressalta o Coordenador da Ong Jupará Agroecologia, Luiz Carlos Souto, idealizadora do Projeto do Biodigestor para o Cascata. A primeira parte do Projeto, já em funcionamento, aproveita os resíduos diários de 50 cabeças de gado, que além do gás, produzem o biofertilizante, um líquido com alto teor de concentração de nutrientes para adubação.
O Assentamento Cascata, que tem 40 famílias assentadas em 587 hectares, também produz cacau orgânico e possui o selo de qualidade do IBD (Instituto Biodinâmico de Desenvolvimento Rural), por ser produzido sem a utilização de nenhum agrotóxico, o que garante um valor de venda entre 30% e 40% maior que o cacau comum. Por ter esta qualificação, a produção cacaueira de 2003 foi exportada para a Suíça.
Além do Presidente do Incra, estarão presentes na inauguração do Biodigestor: o Superintendente Regional do Incra-Ba, Marcelino Galo, a Representante do Instituto Winrock Internacional, Renata Valladares (empresa que implantou o biodigestor no Cascata), membros da Jupará Agroecologia, representantes do Banco do Nordeste e da Coopasb (Cooperativa de Pequenos Produtores e Produtoras Agroecologistas do Sul da Bahia).

Biodigestor torna o Assentamento Cascata ecologicamente correto.


O Biodigestor é uma tecnologia ecológica que aproveita esterco de gado para gerar gás combustível e fertilizante. No Assentamento Cascata basta resíduos de 50 cabeças de gado, recolhidos num curral de 200 metros quadrados, diariamente, para gerar até 30 mil litros do biofertilizante por mês.
Como explica o presidente da associação do Assentamento Cascata, Milton Vieira dos Santos, 50, o esterco produzido pelo gado é retirado do curral, lavado e colocado num reservatório. “Aos poucos essa pasta passa para o interior do depósito, fermenta e se transforma em gás e líquido” ressalta.
O projeto do Biodigestor do Cascata foi idealizado pela Organização Não-Governamental, Jupará Agroecologia, que em parceria com o Incra, apresentou o projeto para a Winrock Internacional, responsável pela implantação do Biodigestor no Cascata e que realiza projetos de energia renovável e de preservação do meio-ambiente.

Diversificação da cultura


se desenvolve nos assentamentos

Todos os assentamos visitados pelo Presidente do Incra, Rolf Hackbart, são produtores de cacau da Região Sul da Bahia e produzem interferindo o mínimo possível no ecossistema das áreas. Embora sejam resultantes de antigas fazendas da monocultura do cacau, esses assentamentos têm também como foco a diversificação de culturas, principalmente voltadas para a subsistência.


O Cascata, por exemplo, a além do cacau, cultiva banana, e colhe cajá, nativo na Região Sul, numa média de 300 caixas por mês. O Assentamento Liberdade, criado em 2001, em seus 713 hectares de terras ricas em remanescentes de Mata Atlântica, com pelas 52 famílias, possui 80 mil pés de cacau, sendo que desse total 15 mil já passaram pelo processo de clonagem, ou seja, a enxertia, método que combate à vassoura-de-bruxa. Para isso, há o jardim clonal, onde são selecionadas mudas resistentes a doenças. Todos os assentados têm viveiros e a intenção é de plantar 100 mil novas mudas de cacau.
Além disso, os assentados do Liberdade têm ao todo 30 mil pés de bananas que rendem uma média de 400 cachos de banana por mês. O pé de cajá é outra fonte de renda do assentamento. Em março começou a coleta, o que resulta, em média, na saída de um caminhão por dia carregado do fruto, vendido para fábricas de polpas. “Não há um controle efetivo da quantidade de cajá que os assentados coletam”, explica o Chefe da Unidade Avançada o Incra, em Itabuna, o agrônomo Fernando Muniz.
O Liberdade ainda faz parte de um projeto da Fundação Pau Brasil para o plantio de 2.400 mudas de pau-brasil para recomposição da floresta. Há também no assentamento a apicultura, com 15 caixas de abelhas italianas, que a cada três meses, produzem 30 litros de mel puro. Os assentados plantam mandioca para o consumo e há uma casa de farinha no comunitário do assentamento. Na reserva legal, com 179 hectares, e na reserva permanente de 30 hectares são onde se encontram parte da Mata Atlântica e de remanescentes com vegetação rica em putumuju, cedro, jacarandá, vinhático e jequitibá.
Enquanto o Liberdade entrou no programa de reflorestamento do pau-brasil, o Assentamento Santa Irene possui em sua área de reserva as melhores espécimes de pau-brasil da região, consideradas pela Ceplac (Comissão Executiva do Plano de Lavoura Cacaueira). “É no Santa Irene que são coletas as sementes para produzir mudas de pau-brasil”, afirma Muniz.
Localizado numa região de transição que comporta tanto a cultura do cacau quanto à pecuária, na Microrregião Vale do Rio das Contas, o Santa Irene, criado em maio de 2003, tem 81 famílias em 930 hectares de terras, sendo 500 hectares de plantação cacaueira. Quando desapropriada, a fazenda já possuía uma boa estrutura montada com barcaças para a secagem do cacau, estufas, 24 casas e um grande galpão.
O assentamento recebeu o crédito instalação que foi aplicado na compra de alimentos, sementes, ferramentas, adubos e na aquisição de um caminhão e de alguns animais. Os assentados estão recebendo orientação sobre a clonagem pela Ceplac e já possuem um jardim clonal para reproduzirem plantas resistentes à doença e fazerem a enxertia. Também terão uma boa colheita de milho, nesse ano.


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