HÁbitos alimentares de adolescentes de entidade paticular do centro-sul do paraná



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HÁBITOS ALIMENTARES DE ADOLESCENTES DE ENTIDADE

PATICULAR DO CENTRO-SUL DO PARANÁ
Laura Antunez Spegiorin (IC VOLUNTÁRIA-UNICENTRO), Cleusa Wichoski Maier (IC VOLUNTÁRIA-UNICENTRO), Rosangela da Silva (Orientadora-UNICENTRO), e-mail: rsilvanutri@gmail.com.
Palavras-chave: hábitos alimentares, adolescentes, adventistas.
Resumo

O desequilíbrio dietético é normalmente observado na dieta dos adolescentes. As dietas vegetarianas podem causar deficiências de vitaminas e minerais. O estudo teve por objetivo avaliar hábitos alimentares de adolescentes de escola particular e realizar educação nutricional. Avaliou-se os hábitos alimentares de adolescentes de escola adventista no município de Guarapuava-PR durante 2007 e 2008. Observou-se baixo consumo de alimentos saudáveis e alto consumo doces e refrigerantes entre os adventistas e entre os não adventistas. Concluiu-se que os adolescentes estudados possuem uma alimentação inadequada, o que pode prejudicar o estado nutricional e o desenvolvimento.


Introdução

O período da adolescência é caracterizado pelo crescimento rápido e, por isso, requer aumento das necessidades de nutrientes. Fatores como alterações psicológicas, pressão por parte dos amigos, rebeldia contra padrões familiares, entre outros, influenciam os hábitos alimentares dos adolescentes, podendo prejudicar o estado nutricional e, conseqüentemente, o desenvolvimento. (FISBERG et al., 2000)

O desequilíbrio dietético é comumente observado na dieta dos adolescentes, havendo excesso nas quantidades totais de energia, gordura saturada, colesterol, sal e açúcar, e escassez de fibras, vitaminas e minerais. (SILVA et al., 2001)

As dietas vegetarianas, geralmente adotadas pelos adventistas, vêm se tornando cada vez mais populares. São dietas com reduzido teor de gorduras saturadas, colesterol, proteína animal e ricas em fibras, carboidratos complexos e oxidantes, exercendo impacto positivo na prevenção e no controle de doenças. Por outro lado, as dietas vegetarianas podem resultar na deficiência de vitaminas B12, B2, D e dos minerais cálcio, ferro e zinco, seja pela ingestão insuficiente destes micronutrientes ou pela baixa biodisponibilidade dos mineiras neste tipo de dieta. (SIQUEIRA et al., 2007)

A adolescência é um período propício para a aprendizagem dos princípios de alimentação adequada. A educação nutricional visa erradicar ou, pelo menos, diminuir os erros alimentares mais freqüentes nesta faixa etária. Colabora com a elaboração de cardápios orientados, com base nos princípios de moderação, variedade e proporcionalidade. (PEREIRA et al, 2002)

Diante do exposto, o presente estudo teve por objetivo avaliar os hábitos alimentares de adolescentes de entidade particular e realizar educação nutricional.


Materiais e Métodos

O estudo foi realizado no período de agosto de 2007 a julho de 2008 em uma escola adventista de Guarapuava, Paraná. Avaliou-se 83 adolescentes de ambos os sexos, regularmente matriculados na instituição, com idade ente 10 a 18,5 anos.

Neste estudo, trabalhou-se dados parciais do projeto de pesquisa isolada intitulado “Perfil Nutricional de Crianças e Adolescentes de Escola Adventista do Município de Guarapuava-PR”, o qual foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Estadual do Centro-Oeste/UNICENTRO.

Aplicou-se um formulário padronizado para avaliar os hábitos alimentares e verificar a escolaridade materna, se o adolescente pertence à religião adventista e se ele é vegetariano. Na avaliação dos hábitos alimentares, questionou-se sobre as refeições realizadas diariamente e sobre a freqüência do consumo de frutas, hortaliças, leites, carnes, doces, refrigerantes, frituras e salgadinhos.

Os dados foram tabulados no programa Excel® e analisados de forma descritiva no programa Epi Info, versão 3.3.2.
Resultados e Discussão

Dos 83 adolescentes avaliados, 47 eram meninas (56,7%) e 36 eram meninos (43,3%). Observou-se média de idade de 13,5 ± 2,2 anos (mediana de 13,4 anos). Responderam ser adventista 37,8% (31/82) dos adolescentes, 6,5% (5/76) relataram ser ovolactovegetarianos. Em relação à escolaridade materna, apenas 12,2% (10/82) possuem menos de 8 anos de estudos. O consumo médio de refeições diárias foi de 4 ± 1 refeições, sendo que 72,2% (60/83) realizam 4 ou mais refeições por dia e 33,7% (28/83) dos adolescentes não realizam o café da manhã.

Segundo estudo realizado por Silva (2007) na cidade de Guaraniaçú - PR, 58% dos adolescentes realizam 4 refeições diárias e 23,6% não realizam o desjejum.

A freqüência de consumo alimentar está descrita nas tabelas 1 e 2, onde se pode observar a baixa ingestão de alimentos considerados saudáveis (frutas, hortaliças, leites e carnes) tanto entre os adventistas quanto entre os não adventistas, o que é inadequado visto que o consumo desses alimentos deveria ser diário. Observou-se também a alta ingestão de alimentos ricos em açúcares simples, doces e refrigerantes e que o consumo de refrigerantes foi três vezes maior entre os não adventistas, sendo que a freqüência de consumo de tais alimentos deveria ser esporádica (Ministério da Saúde 2005).

Em estudo realizado em São Paulo, constatou-se que, dos 153 adolescentes estudados, 70% apresentam consumo diário de doces e lanches calóricos, como cachorro-quente e batata frita. (GARCIA, et al., 2003) No estudo de Carmo et al. (2006), observou-se consumo elevado de refrigerante, uma vez que, dos 390 adolescentes avaliados, 78,2% ingerem refrigerante ao invés de água (21,8%).
Tabela 01. Freqüência de consumo diário de alimentos pelos adolescentes adventistas e não adventistas.


Alimentos

Geral

n %


Adventistas

n %


Não Adventistas

n %


Frutas

15/83 18,0

5/31 16,1

10/50 20,0

Hortaliças

32/83 35,5

12,/31 37,7

20/50 40,0

Leites

53/81 65,4

17/29 58,6

36/50 72,0

Carnes

43/82 52,4

13/31 41,9

31/50 62,0

Tabela 02. Freqüência de consumo de alimentos pelos adolescentes adventistas e não adventistas (4 a 6 vezes por semana).

Alimentos

Geral

n %


Adventistas

n %


Não Adventistas

n %


Doces

45/83 54,2

18/30 60,0

22/50 44,0

Refrigerante

19/83 22,9

3/30 10,0

16/50 32,0

Frituras

2/79 2,5

1/28 3,5

1/49 2,0

Lanches

2/83 2,4

1/31 3,2

1/50 2,0

Salgadinhos

5/82 6,0

2/30 6,6

3/50 6,0

A educação nutricional foi realizada apenas com alunos do Ensino Fundamental, devido à indisponibilidade de horário por parte da escola, ficando, portanto, a educação nutricional com alunos do Ensino Médio para uma próxima oportunidade.

CONCLUSÕES
O consumo alimentar inadequado, com baixo consumo de alimentos ditos saudáveis e elevado consumo de alimentos ricos em açúcares é uma característica comum entre os adolescentes estudados, sendo semelhante entre os adventistas e não adventistas. A intervenção dos profissionais de saúde e da família se faz necessária, a fim de estimular hábitos alimentares adequados e dessa forma garantir estado nutricional e desenvolvimento ideais.

BIBLIOGRAFIA
FISBERG, M.; BANDEIRA, C.R.S; BONILHA, E.A.B.; HALPERN, G.; HIRCHBRUCH, M.D. Hábitos Alimentares na Adolescência. Revista Pediatria Moderna, v.36, n.11, 2000.
MINISTÉRIO DA SAÚDE. Guia Alimentar para a População Brasileira. Brasília- DF: Ministério da Saúde, 2005.
PEREIRA, C.A.S.; CASTRO, F.A.F.; RAELE, R.; PRIORE, S.E.; RIBEIRO, S.M.R.; BITTENCOURT, M.C.B.; ANGELIS, R.C.; QUEIROZ, V.M.V. Educação Nutricional: A Importância da Prática Dietética. Revista Nutrição em Pauta, a.10, n.52, 2002.
SILVA, M.G.C.; FERREIRA, A.L.R.; SAMPAIO, H.A.C.; SABRY, M.O.D.; PRIORE, S.E.; VIEIRA, V.C.R. Hábitos Alimentares e Consumo de Lanches. Revista Nutrição em Pauta, a.9, n.46, 2001.
SILVA, R.; ROSSET, F.L.; SIMIONI, A.M. Estado Nutricional, Hábitos Alimentares e Estilo de vida de Adolescentes de Escola Pública de Guaraniaçú, Paraná. Revista Brasileira de Medicina, v. 64, Edição Especial, 2007.

CARMO, M.B; TORAL, N; SILVA, M.V. Consumo de doces, refrigerantes e bebidas com adição de açúcar entre adolescentes da rede pública de ensino de Piracicaba, São Paulo. Revista Brasileira de Nutrição, n. 1, p 22-33, 2006.

GARCIA, G.C.B; GAMBARDELLA, A.M.D; FRUTUOSO, M.F.P. Estado nutricional e consumo alimentar de adolescentes de um centro de juventude da cidade de São Paulo. Disponível em <http://www.scielo.br/revistadenutricao.htm>. Acesso em 29.Jul.2008.

SIQUEIRA, E.M.A., MENDES, J.F.R.; ARRUDA, S.F. Biodisponibilidade de minerais em refeições vegetarianas e onívoras servidas em um restaurante universitário. Revista de Nutrição, v.20, n.3, 2007.





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