Herculano Pires e Júlio Abreu Filho o verbo e a Carne



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Herculano Pires

e

Júlio Abreu Filho


O Verbo e a Carne

(Duas Análises do Roustainguismo)




Conteúdo resumido


No presente volume, J. Herculano Pires faz uma minuciosa análise crítica da mistificadora obra Os Quatro Evangelhos, de J. B. Roustaing. Essa obra, que foi denominada “A revelação da revelação” é um extenso e emaranhado conjunto de dissertações, algumas copiadas das obras de Kardec e outras propondo teorias estranhas sobre a personalidade de Jesus, além de outras afirmações duvidosas e contraditórias.

As teorias do Roustanguismo acabaram influenciando os próprios dirigentes da Federação Espírita Brasileira, em cujo estatuto foi determinado que para participar da diretoria dessa instituição era obrigatória a confissão de aceitação das teorias roustainguistas.

Herculano demonstra, enfim, a fragilidade do movimento espírita brasileiro, cujo excesso de religiosismo leva muitos adeptos à aceitação, sem uma análise racional, de todo tipo de “novidade” doutrinária.


O Verbo e a Carne 4

Parte I
José Herculano Pires 6

1
O Roustainguismo à Luz dos Textos 7

2
O Prefácio de Roustaing 10

3
As Premissas do Roustainguismo 14

4
Os Textos Mediúnicos 17

5
O Fatalismo Roustainguista 20

6
O Corpo Fluídico de Jesus 22

7
Infância Mágica de Jesus 26

8
Repetições e Retrocesso 30

9
Reencarnação e Escala dos Mundos 34

10
A Metempsicose de Roustaing 38

11
Os Dez Mandamentos 43

12
Razão de Ser do Roustainguismo 51

13
O Roustainguismo no Brasil 56

14
O Caso Guerra Junqueiro 61

Parte II
Júlio Abreu Filho 76

Advertência 77

1
Erros Doutrinários
(O Sentido do Roustainguismo) 78

2
Roustaing como Encarregado da Fé 90

3
Médiuns: Zilda Gama, América Delgado
e Francisco Cândido Xavier 101

4
Jesus: Homem ou Agênere? 111

5
As Três Revelações 123

6
“Elos Doutrinários” 132

7
O Sentido Oculto do Roustainguismo 144

Indicações de leitura que fazem
análise das obras de Roustaing 158

O Verbo e a Carne


O verbo se fez carne e habitou entre nós...”
(João, 1:14).
No seu leito de libertação, pouco antes de abandonar o casulo do corpo e voar para o Além, Júlio Abreu Filho conversava comigo e Jorge Rizzini sobre questões doutrinárias. Surgindo o problema do Roustainguismo, lembrei o seu trabalho a respeito e a necessidade de reeditá-lo. Júlio entusiasmou-se com a idéia e incumbiu-me de tratar do assunto. Estava presente uma de suas filhas, a Sra. Ceres Nogueira Abreu Sacchetta, esposa de meu amigo e colega de imprensa Hermínio Sacchetta.

Falei a Júlio da necessidade de uma revisão do texto e acréscimo de notas explicativas. Ele me autorizou a fazer o que fosse necessário, pois compreendia a exigência de atualização. Mas ao reler o trabalho de Júlio vi que era necessário fazer um pouco mais. Esse trabalho é polêmico e seguiu os rumos determinados pelas circunstâncias. Embora muito valioso, particularmente pelos dados que o informam, devia ser amparado por um esforço de análise metódica. Pensei numa introdução, mas o assunto exigiu mais do que eu pensava. Fui levado a escrever um pequeno livro, que é uma introdução analítica ao livro de Júlio. Assim, achei melhor que ambos figurassem num volume único, sob um título geral.

A escolha do título “O Verbo e a Carne” foi determinada pelo profundo significado do versículo 14, capítulo I do Evangelho de João: “O Verbo se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade, e vimos a sua glória, glória como do unigênito do Pai”. Na polêmica entre kardecistas e roustainguistas esse versículo é pacífico, pois o Roustainguismo também aceita a encarnação do Verbo, embora condicionando-a ao dogma da encarnação fluídica. Assim, o título evangélico não implicava nenhuma afirmação a priori, nenhuma antecipação de conclusões.

Por outro lado, a relação entre o Verbo e a Carne envolve questões fundamentais do Cristianismo, amplamente desenvolvidas pelo Espiritismo. Este volume não trata especificamente dessas questões, mas são elas, sem dúvida, o ponto central dos dois trabalhos, o meu e o de Júlio. Nenhum título os unificaria melhor. Muita gente pensa que a questão do Roustainguismo deve ser posta de lado. Essa é uma atitude cômoda, mas não corresponde às exigências da boa compreensão doutrinária. Espero que o nosso trabalho – o meu e o de Júlio Abreu Filho – concorra para melhor entendimento do problema.

São Paulo, 21 de novembro de 1972.

José Herculano Pires


Parte I
José Herculano Pires



* * *

À memória dos amigos e companheiros

Eng. Júlio Abreu Filho

Dr. Manuel de Paula Cerdeira

Dr. Carlos Imbassahy
que corajosamente lutaram nas trevas do

mundo para que a luz da razão

prevalecesse entre os homens.

* * *

1
O Roustainguismo à Luz dos Textos


Quem foi Roustaing e o que é o Roustainguismo? Essas duas perguntas são muito comuns no meio espírita. Como acontece em todos os movimentos doutrinários – religiosos, políticos, sociais etc. –, o Espiritismo é conhecido apenas superficialmente pela maioria dos espíritas. A obra de Roustaing, Revelação da RevelaçãoOs Quatro Evangelhos, é muito extensa e complicada, abrangendo quatro volumes de 500 páginas, em média, cada um. Os artigos sobre essa obra, divulgados quase exclusivamente pela revista O Reformador, da FEB - Federação Espírita Brasileira, são em geral longos e confusos, além de apaixonados. Os artigos de crítica, raramente publicados num ou noutro órgão da imprensa espírita, limitam-se quase sempre a refutar aqueles.

O leitor espírita vê-se diante do problema de Roustaing como diante de uma muralha intransponível. A obra maciça o espanta e as discussões agitadas o perturbam. Isso o leva a tomar posições de segunda mão, ficando com a opinião do círculo a que pertence. O resultado é vermos o movimento espírita dividido em áreas kardecistas e áreas roustainguistas. O grupo roustainguista da Federação Espírita Brasileira, tradicional e apoiado em dispositivos estatutários da “casa máter”, sustenta o princípio de que Roustaing é o complemento necessário de Kardec. É “a revelação da revelação”.

O prestigio da FEB e a sua insistência na divulgação e sustentação do Roustainguismo dá certo vigor a este, particularmente no centro e norte do país. Mas, ao mesmo tempo, a repulsa a Roustaing é maciça em São Paulo, cuja tradição kardecista se estende a todo o sul, com exceção de um grupo numeroso em território gaúcho, compensado, no outro extremo, pela firme posição kardecista do Estado do Rio. Entretanto, mesmo na Guanabara, em toda a região fluminense e no norte e nordeste não se pode falar de um maciço Roustainguismo,1 pois há numerosos grupos de vigorosas instituições que repelem a “revelação da revelação”.

Vemos assim que o problema é grave e exige um esforço de esclarecimento. Durante certo tempo o slogan “o corpo de Jesus não interessa, o que interessa é o seu espírito” conseguiu refrear as divergências. Por outro lado, o chamado “pacto áureo”, lavrado oficialmente entre a FEB e a USE paulista (União das Sociedades Espíritas do Estado de São Paulo) fez cair uma cortina de silêncio sobre a questão. Mas em fins de 1971 e princípios de 1972 a própria FEB se incumbiu de rasgar a cortina, iniciando pela Reformador uma campanha de revivescência do Roustainguismo e lançando nova edição da semi-esquecida obra mediúnica Os Quatro Evangelhos. Verificou-se então um fato curioso: as novas gerações de espíritas foram surpreendidas pela “novidade” roustainguista, o que mostra como fora longo o silêncio sobre o assunto. E alguns pequenos grupos entusiasmados com a “novidade” apareceram aqui e ali, agitando de novo o tranqüilo movimento espírita sulino.

Esse fato mostrou a necessidade de um exame mais atento e desapaixonado da obra de Roustaing. Essa a razão de ser deste trabalho. Entendemos que, nesta fase de expansão do movimento espírita e de amadurecimento da cultura espírita no Brasil, questões desta ordem não podem ser encaradas com negligência nem recolocadas em termos de simples polêmica. O Roustainguismo está arvorado em nosso território como bandeira de renovação. Essa bandeira permanece hasteada no edifício tradicional da FEB. Grandes e nobres vultos do movimento espírita brasileiro foram roustainguistas ou são apontados como tal. Temos de examinar a obra de Roustaing de maneira objetiva e determinar com segurança o seu valor em face da obra fundamental de Kardec.

Seria lógico revisarmos de início o problema da implantação do Roustainguismo no Brasil e analisarmos o sentido da sua doutrina. Mas esses problemas – o histórico e o teórico – dependem do conhecimento objetivo dos textos. Sem sabermos o que é o Roustainguismo não podemos compreender o fenômeno da sua implantação nem examinar o seu significado, do qual deriva naturalmente o seu sentido. Por isso, temos de inverter os termos da proposição e começar pelo exame objetivo dos textos de Roustaing. Vamos colocar as teses fundamentais do Roustainguismo na lâmina do nosso microscópio e submetê-las ao exame histológico. É isso o que Kardec chamava “passar pelo crivo da razão”.2

Não temos a pretensão do absoluto. Queremos apenas chegar aos resultados da análise e oferecê-los aos que debatem o problema sem disporem desses elementos indispensáveis. Conseguidos esses elementos, cada qual procederá de acordo com as regras do bom senso e dará o seu próprio veredicto. Essa é a nossa intenção ao iniciar este trabalho.


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