Herculano Pires o infinito e o Finito (Lições de Espiritismo / Crônicas)



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Herculano Pires
O Infinito e o Finito

(Lições de Espiritismo / Crônicas)




Conteúdo resumido
José Herculano Pires manteve, durante muitos anos, no jornal “Diário de São Paulo”, órgão dos Diários e Emissoras Associados, uma coluna de crônicas espíritas, na qual abordava temas de interesse geral relacionados com a doutrina codificada por Allan Kardec. Assinava-as com o pseudônimo de Irmão Saulo.

Nesta obra estão reunidas algumas das mais interessantes crônicas do autor, publicadas no referido jornal.

Jornalista, filósofo, escritor e professor, Herculano Pires alcançou grande conceito dentro e fora do movimento espírita. Sua produção literária ultrapassa aos oitenta títulos; alguns deles constituem-se verdadeiras obras filosóficas.

Herculano dedicou a maior parte de sua existência em favor da Doutrina Espírita, seja buscando interpretá-la com fidelidade, seja defendendo-a dos ataques dos adversários.




Herculano e a atualidade
de Allan Kardec 6

1
Nascer de novo 15

2
Pesquisas sobre a reencarnação 17

3
Ressurreição e reencarnação


na Bíblia e nos Evangelhos 19

4
Momo escorraçado do Olimpo


ajeitou-se entre os homens 21

5
A didaxis do Natal 24

6
Interpelações sobre a data real
do nascimento de Jesus 27

7
Significação do Ano Novo


para a concepção espírita 29

8
Sucedem-se as civilizações no


processo da evolução terrena 32

9
Uma nova Terra e um novo Céu 35

10
O infinito e o finito 37

11
O mundo pelo avesso 39

12
Formas de reação do mundo moderno
ao impacto dos princípios espíritas 41

13
Novos caminhos que se abrem


para a compreensão da vida 44

14
Lenta a libertação do espírito


de atitudes mentais do passado 47

15
Juventude inquieta 50

16
O que é o Espiritismo 52

I – A terceira Revelação 52

II – Alicerce de uma nova era 53

III – A Ciência Espírita 55

IV – A Filosofia Espírita 56

17
Escândalo para as religiões


e loucura para a humanidade 58

18
Do racional e do misterioso


nos princípios doutrinários 60

19
Sobrevivência e imortalidade 63

20
Sobrevivência e comunicabilidade
dos espíritos através dos tempos 66

21
Da comprovação científica


da fenomenologia espírita 68

22
Da necessidade das sessões espíritas


e das condições para a sua realização 71

23
Irredutíveis os fatos espíritas


a explicações de ordem hipnótica 74

24
O milagre da doutrinação 77

25
O mistério da mediunidade 79

26
Exorcismo e doutrinação 82

27
Por que doutrinar espíritos? 84

28
As bases mediúnicas da Religião


e sua verificação na atualidade 87

29
São os espíritos uma das forças


da natureza, em ação permanente 90

30
Moisés aprovava a mediunidade


e Paulo ensina a fazer sessões 93

31
Diferentes doutrinas foram erguidas


sobre os alicerces da mediunidade 96

32
Mensagens espíritas no exterior


confirmam as recebidas no Brasil 99

33
Do corpo e do espírito


na organização religiosa 102

34
O Espiritismo está promovendo


“uma nova revolução copérnica” 105

35
Das teorias obscuras da ciência


às fórmulas infantis de Kardec 108

36
Cuidado dos dirigentes de Centros


em face às confusões doutrinárias 111

37
Melhor rejeitar nove verdades


do que aceitar uma mentira 114

38
Maneiras particulares de ver


criam confusões doutrinárias 116

39
Não basta compreender a doutrina:


é preciso sobretudo assimilá-la 119

40
Quadros nos Centros 122





Herculano e a atualidade
de Allan Kardec


Todo “fazer” humano, ciência, uma disciplina, só recebe seu conceito claro quando o homem domina esse campo preciso. Quem no-lo afirma é Manoel Garcia Morente, em seu Lecciones Preliminares de Filosofia. Dá-nos ele uma idéia do que seja a vivência indispensável para tanto, valendo-se de um exemplo de Bergson.

Para se conhecer uma cidade, por exemplo, não basta estudar-se o mapa, o traçado, examinar ângulos diversos através de fotografias, decorar nomes de bairros e ruas. Esse conhecimento autêntico exigiria que nela se penetrasse como se entra numa selva, para explorá-la. Dessarte, entre vinte minutos de passeio a pé por uma rua de Paris e a mais vasta e minuciosa coleção de fotografias, haveria um abismo.

Sob tal enfoque, nossa visão de J. Herculano Pires revela-o, portanto, na vivência acima definida, sem a qual, certamente, pouco teria para nos transmitir.

Durante a existência toda terá percorrido minuciosamente os livros da Codificação para avaliar e comparar, como autodidata e, posteriormente, como mestre no preparo de suas aulas, as quais, configuradas em artigos, foram sendo trazidas a lume, durante anos.

Algumas delas, assinadas com seu pseudônimo Irmão Saulo, extraídas de sua coluna no Diário de São Paulo, estão reunidas neste volume com o título sugestivo de O Infinito e o Finito. Professor e jornalista por vocação e profissão, colocou toda sua riqueza didática e cultural a serviço da divulgação doutrinária.

Herculano Pires desempenha hoje um papel de importância indiscutível no panorama espírita brasileiro. E o verbo mantém-se ainda no presente, mesmo após seu desencarne em 1979, uma vez que seus livros permanecem a postos, como sentinelas inarredáveis, realizando seu trabalho específico.

Acima de todas as atividades ligadas à Doutrina Espírita, J. Herculano Pires esteve sempre ocupado (e preocupado) com a defesa de uma tese que nos parece haver-lhe instruído basicamente as produções jornalísticas, literárias e filosóficas desde o início: a da completa atualidade de Allan Kardec. Este ter-lhe-ia sido, a nosso ver, o tema subjacente de todas as obras, a bandeira de sua caminhada missionária.

E essa postura tem sua razão de ser.

Houve sempre uma atitude de resguardo da parte do mundo científico-cultural materialista que se recusava a admitir a Doutrina Espírita como hóspede de seu contexto geral, negando-lhe o direito de nele se posicionar. Correu constantemente essa negativa por conta e responsabilidade dos que não lhe conseguiram entender a estrutura monística. Nesse aspecto, todavia, encontramos a defesa lúcida e pronta de Herculano Pires, que explicou essa concepção monista em termos de “estrutura orgânica da realidade em que espírito e matéria preenchem o cosmo, mantendo-se o espírito como o estruturador da matéria.”

E essas noções reforçam-se quando, em “Revisão do Cristianismo” (e outros), subvencionado por informações sobre as conquistas do mundo científico oficial, lembra ainda que a descoberta de energias fora do campo atômico conhecido (antimatéria), capazes de conjugar-se com as da matéria, na constituição do Universo, restabelecera a unidade conceitual e efetiva de um mundo só, dividido em campos diferenciados. E acrescentaria, depois, para dar uma noção ainda mais coerente à tese defendida: o perispírito ou corpo espiritual poderia ser a forma da humanidade de um mundo de antimatéria.

Num contexto cultural como o nosso, em que mesmo os que apreciam a leitura como fonte de informação, conhecimento e até fruição para o espírito, que mesmo estes nem sempre terão dispensado a atenção necessária à pesquisa do texto kardeciano, é de se avaliar a importância de uma ação constante como a de Herculano Pires no sentido de proclamar a necessidade e a urgência do reinteresse pelas obras básicas da Codificação. Talvez por isso mesmo tenha ele colocado tanto empenho na elaboração da página com a qual prefacia a edição de Lake, em 1957, de O Livro dos Espíritos – comemorativa do centenário de seu lançamento.

Muito bem feita essa análise estrutural e de conteúdo da fonte da Codificação. Nela mostra como o Codificador esmerou-se ao estabelecer os fundamentos de uma filosofia racional, mas livre dos prejuízos do espírito de sistema, uma vez que este, se existente, seria a própria negação dos objetivos da doutrina. Para Herculano ficava explícito que o Espiritismo e os seus problemas – no plano da cultura espiritual, com O Livro dos Espíritos – saíam do terreno da abstração para se tornarem acessíveis à investigação racional e até mesmo à pesquisa experimental.

Contra as falsas interpretações sobre um possível antropomorfismo, derivadas da linguagem simples – instrumento de inteligibilidade – utilizada por Kardec para tratar de Deus, por várias vezes Herculano Pires deixava demonstrado que o Codificador não humanizara a Deus, desde que resguardara Sua natureza suprema como inteligência infinita e causa primária. Nessa mesma página, “Introdução a O Livro dos Espíritos”, já citada, nosso autor defende o Espiritismo contra a pecha de panteísta, remetendo o leitor à análise adequada do capítulo I, item 14, daquele volume. Consolidava esta defesa, posteriormente, em nota de rodapé, à página 268.

De fato, alguns teólogos católicos e protestantes pretendem acusar de panteísta a Doutrina Espírita. Este princípio – “a lei natural é a lei de Deus, eterna e imutável como Ele mesmo” – é a causa de tais acusações.

Após salientar as divergências expressivas entre as concepções de Deus mantidas por Espinosa e pela Doutrina Espírita, Herculano admite algumas concordâncias, dentre as quais a mais flagrante – a que nega o antropomorfismo –, este sim, defendido por católicos e protestantes.

Socorreu-se, nesse ensejo, do exemplo oferecido pela posição espinosiana – em que o grande filósofo não confunde a natureza “material” com Deus, mas apenas a natureza “inteligente” – para explicar a mesma visão do assunto pelo Espiritismo que também faz essa confusão pretendida por seus detratores, mas estabelece que “as leis de Deus são uma coisa e Deus mesmo é outra”. Percebeu ainda outros aspectos da mesma questão, completando: “Não há possibilidade de confusão entre Espiritismo e Panteísmo, a menos que se admita como panteísta a doutrina da imanência de Deus, por força mesmo de sua transcendência; e, nesse caso, católicos e protestantes também seriam panteístas.”

No enfoque da metodologia utilizada por Kardec até atingir a síntese doutrinária, Herculano acendeu as luzes de velho lidador no campo da Filosofia – curso que teria efetuado para melhor servir doutrinariamente – a fim de orientar-nos.

Sim. Hegel estabelecera as bases tríplices do processo dialético: tese, antítese, síntese.

Em lugar de “dar ênfase à contradição em si, à luta dos opostos” – explica-nos o mestre paulista em sua página introdutória anteriormente citada – Kardec teria efetuado a fusão da tese e da antítese para uma nova criação. “E é nesse sentido que se desenvolve o diálogo em O Livro dos Espíritos”.

De fato, o método dialético – processo natural do desenvolvimento do pensamento – percorrido por Kardec sob esse prisma, levou-o à síntese doutrinária contida nessa obra básica. Segundo Herculano, de pergunta em pergunta, ia Kardec obtendo seu texto definitivo, trazido pela maiêutica, seguindo as linhas dialéticas da busca socrática da verdade.

Na análise de cada um dos passos do Codificador, o arguto crítico de Vampirismo foi refazendo, como num roteiro de processos lógicos, a escalada kardeciana. Daí apontar com precisão cada momento em que o mestre de Lyon abordava o Espiritismo como uma Ciência de observação – tal qual ocorre na primeira etapa do texto de O Céu e o Inferno, por exemplo – ou como uma Ciência de pesquisa, quando investiga objetivamente a situação dos espíritos após a morte.

No decorrer de sua obra toda, o professor de Curso Dinâmico de Espiritismo revela sua preocupação no sentido de manter incólume e inatingível a Doutrina Espírita, perante acusações de espíritas que ainda desconhecem o Espiritismo em profundidade. Querem esses críticos apressados concluir por uma pretensa desatualidade de Kardec.

Na defesa da doutrina, utiliza páginas e páginas para demonstrar a saciedade com que o desenvolvimento da Ciência oficial corre na direção desses mesmos postulados que vão sendo comprovados apesar da posição tradicionalmente reacionária de setores determinados.

Preocupara-se já ao redigir sua memorável página introdutória, em demonstrar que mediante a posição também científica do Espiritismo, o espírito e os seus problemas saíam do terreno da abstração para se tornarem acessíveis à pesquisa racional e à experimentação.

Ao mesmo tempo em que realçava essa característica, todavia, lembrava, com toda clareza que lhe era peculiar, que não se confundisse, porém, o método doutrinário com os métodos de investigação científica dos fenômenos espíritas, os quais, no passado, permaneceram com a Metapsíquica e atualmente recebem novo enfoque nas mãos da Parapsicologia.

Essa distinção fazia-se indispensável a todos os que se propusessem a estudar a doutrina.

No trato mediúnico – no domínio de uma metodologia desenvolvida por Kardec e registrada didaticamente em O Livro dos Médiuns – permanecia firmada a convicção na existência do espírito e na possibilidade da comunicação.

Está claro, portanto – e ele fez questão de frisar bem esta circunstância –, que tal posição não estaria e nem poderia estar, por enquanto, nos domínios da Ciência acadêmica, para a qual tudo permanecia ainda a descoberto – e posta em dúvida até mesmo a existência do espírito como individualidade independente de um corpo físico – esperando comprovação por processos e métodos que os investigadores escolheriam.

Aliás, essa diferenciação na metodologia, se explica os pontos de partida e os objetivos diversos entre os dois campos de investigação, também caracteriza o avanço das pesquisas no campo da paranormalidade pela Parapsicologia, que, para melhor adaptar-se às exigências do critério científico, adotou o método quantitativo, com base na estatística.

Ainda nesse terreno, como bom professor, J. Herculano Pires deixou contribuição inestimável. A sua obra Parapsicologia Hoje e Amanhã, da Edicel, já se encontra na quarta edição, atualizada.

Uma campanha de real proveito iniciada pelo autor de O Reino foi a de modificar – ou pelo menos trabalhar nesse sentido – a mentalidade reinante entre grande número de espíritas, de que a Parapsicologia comprometeria o equilíbrio do arcabouço doutrinário.

De fato existe, ainda hoje, uma atitude reacionária de alguns espíritas rechaçando a validade e a oportunidade dos estudos parapsicológicos pelas várias correntes da Ciência acadêmica, pretendendo com essa atitude negativa “defender” a Doutrina Espírita dessas conclusões – na verdade, muitas delas, as mais díspares possíveis – subordinadas aos dois campos ideológicos em que se reparte o pensamento cultural da atualidade.

No entanto, Herculano acalma essa preocupação generalizada quando nos ensina a separar a Parapsicologia propriamente dita das interpretações parapsicológicas.

Importante se torna argüirmos o seguinte: não estariam também os espíritas adversos às perquirições parapsicológicas, deixando-se pressionar por preconceitos que eles próprios fomentam? Se tal fato estiver ocorrendo, não nos arriscamos a cair, por nossa vez, no mesmo fosso de radicalidade que durante tantos anos apontamos (porque a detectamos) no campo da Ciência oficial com referência à fenomenologia produzida pelo espírito imortal que ela sempre negou?

Se não entendermos bem o que se passa e não fizermos distinção – conforme nos pede Herculano – entre a Parapsicologia propriamente dita e as interpretações parapsicológicas, com essa atitude refratária, sujeitar-nos-emos a repassar para nosso próprio campo de atuação esse lastimável posicionamento anticientífico, preconceituoso.

Por isso representou tanto a publicação da obra de Herculano sobre a nova disciplina científica vista sob a ótica espírita. Ela significa a libertação do pesadelo que ameaça enquistar certos redutos doutrinários, colocando-os à margem da cultura espírita brasileira, com todas as conseqüências que tal posicionamento possa acarretar.

A propósito, não teria sido gratuita esta afirmação constante em Ciência Espírita e suas Implicações Terapêuticas: “A Parapsicologia atual é simplesmente o elo de ligação da Ciência Acadêmica com a Ciência Espírita. Sem esse elo, os dois campos científicos permaneceriam separados, impedindo a visão global da realidade, necessária à compreensão verdadeira do mundo, do homem e da vida.”

Além do mais, a Parapsicologia é a denominação recente do Espiritismo – afirma-nos Herculano Pires nessa mesma obra, e seu batismo ocorreu na Universidade de Duke, para ser admitido entusiasticamente, por sua vez, na URSS e no Vaticano. De “roupa nova, linguagem grega e seguindo as pegadas de Kardec, para atingir os seus mesmos objetivos, nada ofereceu de novo ao mundo atual além de sua roupagem tecnológica.”

Outrossim, com rara acuidade o autor de O Centro Espírita foi capaz de relacionar inúmeras conquistas do mundo científico acadêmico com os pontos que caracterizam e oferecem validade às teses defendidas pelo Codificador. E, com isso, restabelece a convicção – aos que a haviam perdido – na extrema atualidade de Kardec.

Pendências, dúvidas, acusações – a tudo dispõe-se Herculano a responder, restituindo à confiança anterior os que se deixavam comprometer pela insegurança, revidando aos ataques de maneira elegante, dentro de sua intelectualidade e indiscutível vivência.

Flagrante, por exemplo, a sua resposta às vozes discordantes sobre a criação dos espíritos. Simples e ignorantes? Como?... Se tudo quanto Deus criou “deveria” ser perfeito?...

Eis o argumento recolhido de nota de rodapé em O Céu e o inferno: “Deus criou-nos em potência, como sementes que têm em si mesmas todas as potencialidades futuras. Assim, criou-nos perfeitos”. Quanto a nós, caber-nos-ia desenvolver as nossas potencialidades a fim de as atingirmos em ato, como seres espirituais. A responsabilidade, indispensável à nossa perfeição, vamos obtendo aos poucos, graças ao treino do livre-arbítrio.

Seu esforço esteve dirigido também para a erradicação do fanatismo. Herdeiros todos de uma cultura religiosa que não primava pelo uso exclusivo da razão – assevera-nos ele – nem o meio espírita conseguiria mesmo fugir totalmente dessa influência sob as mãos de multidões ignorantes e obtusas, nossos redutos espíritas transformados muitos deles em novos muros de lamentações.

Em O Mistério do Ser ante a Dor e a Morte deixa um repto a nós, espíritas, diante do mundo atual, nos albores da Era Cósmica.

“Os espíritas, primeiros chamados para a compreensão da Ciência Integral – e que na sua maioria refugiaram-se num beatismo de sacristia – estão intimados a alijar dos ombros as cargas do misticismo igrejeiro para poderem assumir a herança do século.”

Persistira em transmitir o gosto pela análise objetiva, embora otimista, preocupado com a postura daqueles que à força de se imaginarem capazes de uma redenção pronta, global e a toque de caixa, permanecem curvados, modulando a voz, tentando atitudes artificiais com olhares lânguidos e cheios de lágrimas. Marcou época esta sua frase: “A luta da vida não se destina a angelizar as criaturas, mas a virilizar o espírito, predispondo-o para vôos de águia e não para o esvoaçar das borboletas”.

No mesmo volume demonstrou sua preocupação com a fragilidade de inúmeros médiuns, entre os quais os de curas, arriscados à perda dessa oportunidade atual, entre tantos engodos e suposições fantasiosas que lhes podem cavar abismos através da vaidade e da ambição (Ciência Espírita e suas Implicações Terapêuticas).

E quanto aos problemas da moral? Ainda nessa obra, nosso autor resumia: “a moral flui da consciência”. Lembrava-nos, ainda, na página seguinte, que Kardec tomara como “medida das situações do espírito o seu maior ou menor grau de apego ao mundo material, como se pode ver na Escala Espírita”.

Por isso mesmo, ensinava-nos ele em Ciência Espírita e suas Implicações Terapêuticas que o Espiritismo visa libertar o espírito humano do visgo da matéria, para que “ele possa alçar o vôo da transcendência”. E realça o papel teórico da ética, regendo toda a normativa prática da moral.

Além do mais, os costumes dos povos modificam-se através da evolução e avançam na direção dos princípios autênticos que são de natureza eterna, de tal sorte que se nos torna fácil reconhecermos o verdadeiro conceito espírita de moral.

Aquele que deseja reforçar seus conhecimentos kardecianos após constante estudo das fontes, encontra posteriormente, em Herculano, o destrinçar de cada assunto no enfoque do mundo de nossos dias.

Livre, de espírito aberto e formação filosófica – condição indispensável para a tomada de 360 graus no exame de cada problema à luz do Espiritismo – J. Herculano Pires permanece presente em nossa vida doutrinária através de seus livros – chave decisiva, cada um deles, para a compreensão, em profundidade, dos textos de Allan Kardec. Melhor dizendo, para a consciência plena de sua completa atualidade.

Helena M. C. Carvalho


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