Herculano Pires o mistério do Bem e do Mal



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15.
”Tenho ainda muito que vos dizer,
mas não o podeis suportar agora.”


No tempo de Jesus, os homens não estavam à altura
de compreender a verdade espiritual – O Mestre
prometeu e, no momento oportuno, enviou ao mundo
o Consolador – Como a história se repete.

“Jesus Cristo disse: Enviarei o Consolador. E ele já veio, mas o mundo ainda não o sabe!” Estas palavras foram proferidas por um dos mais notáveis escritores contemporâneos, sir Arthur Conan Doyle, na sessão de abertura do Congresso Espírita Internacional, realizado em Londres, de 7 a 12 de setembro de 1928.

O que é esse Consolador, prometido por Jesus? É aquele Espírito de esclarecimento e de justiça, que viria lembrar o que Jesus ensinara, completar o seu ensino e guiar o homem “a toda a verdade”. E quem disse essas coisas a seu respeito, senão o próprio Mestre, como vemos em João, 14 e 16? Há quem afirme que Jesus ensinou tudo e nada deixou para outros ensinarem. Mas, quem pode ter autoridade para desmentir o Mestre, uma vez que foi ele mesmo quem afirmou: “Tenho ainda muito que vos dizer, mas não o podeis suportar agora; quando vier, porém, aquele Espírito de Verdade, ele vos guiará a toda a verdade”. (João, 16:12-13).

Quem disse, pois, que não havia completado o seu ensino, foi o próprio Senhor. E fez mais, prometendo o Espírito de Verdade, para o completar. Os teólogos explicam, por várias maneiras, esta passagem, ajustando-as a seus diversos sistemas. Mas Kardec acentua, no capítulo sexto de O Evangelho segundo o Espiritismo, com simplicidade e clareza: “Se o Espírito de Verdade deve vir mais tarde, para ensinar todas as coisas, é que nem tudo foi dito por Jesus Cristo; e se vem recordar o que Ele disse, é porque isso foi esquecido ou mal compreendido”.

Em João 16:12, a razão da vinda do Espírito da Verdade está bem esclarecida. Jesus afirma que os homens do sem tempo ainda não podiam suportar a verdade em sua plenitude. Isso é tão claro como a luz meridiana. E a história nos mostra que assim era, de fato, pois os homens acabaram misturando os ensinos de Jesus com religiões e filosofias pagãs, para construírem sistemas de cultos e de teologia que não foram ensinados pelo Mestre. A Reforma Protestante foi um grande esforço para libertar o Cristianismo dos enxertos pagãos. E foi também o primeiro sinal do Espírito de Verdade, que viria logo mais, fora das igrejas e das organizações sacerdotais, exatamente como acontecera na vinda de Jesus, para lembrar aos homens a essência dos ensinos do Mestre e dar-lhes a explicação exata do processo da vida.

Compreende-se, assim, a expressão de Conan Doyle. O grande escritor lamentava a incompreensão da maioria dos homens, que repetem em nossos dias a mesma atitude dos judeus no tempo de Jesus. O Espírito da Verdade veio ao mundo na hora precisa. E é ainda Kardec quem melhor o esclarece, no seu livro A gênese. Porque foi necessário que os homens trabalhassem durante quase dois milênios, aprimorando seus conhecimentos e elevando o seu mental, para se tornarem capazes de o compreender. Quem ensina, pois, através do Espiritismo, não é Kardec, nem são os kardecistas, mas o Espírito de Verdade, entidade angélica, superior, enviada do Cristo, seguida por uma grande falange de Espíritos do Senhor. A promessa de cumpriu, e felizes os que têm olhos para ver a sua realização na terra!

O mais curioso, porém, em tudo isso, é que as acusações formuladas a Jesus, aos seus discípulos e à sua doutrina, por judeus, gregos e romanos, são repetidas hoje, por cristãos e não-cristãos, ao Espírito de Verdade e seus servidores. O Espiritismo é acusado, inclusive, de não possuir um sistema ético, quando esse sistema é o do próprio Cristo. A moral espírita não é outra senão a moral evangélica, como qualquer pessoa desapaixonada pode ver, na simples leitura de O Livro dos Espíritos e de O Evangelho segundo o Espiritismo. Os espíritas são acusados de bruxos, de feiticeiros, como os cristãos primitivos o foram. E nega-se a filosofia espírita, da mesma maneira por que os estóicos, os epicuristas e os céticos negavam a filosofia cristã, e os sacerdotes judeus e pagãos negavam valor filosófico a Jesus e aos seus seguidores.

Graças a Deus, os espíritas estão aprendendo a sua doutrina, penetrando mais a fundo na essência poderosa do Evangelho de Jesus, que os ajuda a se transformarem, e assim já não aceitam esses desafios antifraternos. Preferem manter-se firmes em seus princípios, confiantes na força da verdade, e responder às agressões com esclarecimentos. Não consideramos as interpretações evangélicas dos outros, as formas religiosas alheias, como simples formas de divertimento. Aprendemos, no Evangelho, a respeitar os sentimentos e as convicções dos demais. Aquele que nos ensinou o amor como base da vida espiritual, e nos mandou amar até os inimigos, não aprovaria, certamente, nossas agressões sectárias a irmãos de outras crenças.

Esta seção não tem finalidade polêmica. É uma porta aberta ao público leitor, para conhecimentos da doutrina espírita, como as seções católicas e protestantes o são, com referência às respectivas doutrinas. Mas, quando irmãos de outras crenças vêm bater, ansiosos e aflitos, à nossa porta, não podemos recusar-lhes a hospitalidade. Que Jesus nos ampare, a fim de não nos desviarmos, nunca, do nosso objetivo, que é revelar, a todos os que se interessam pela verdade, aquilo que o Espírito de Verdade nos Ensinou, através da doutrina consoladora do Espiritismo.

16.
O criminoso é nosso próximo,
como o melhor entre os homens


Aspectos anticristãos do problema da pena de morte
– Uma lição do pastor Stanley Jones – Elisabeth de França
e sua comunicação sobre o problema dos criminosos.

As discussões sobre a pena de morte revelam a falta de compreensão cristã dos problemas humanos em nosso tempo. E essa falta é tanto mais alarmante quando vemos representantes de igrejas cristãs e de correntes espiritualistas defenderem e postularem, de público, a instituição da pena capital em nosso país. Por mais que se alegue a defesa da sociedade, da ordem, da segurança das famílias, a verdade é que o Cristianismo, quer pelo ensino, ou pelo exemplo do Cristo, não autoriza a adoção dessa medida brutal e violenta. E, caso a autorizasse, estaria em contradição consigo mesmo.

O Espiritismo, na sua feição de restabelecimento da pureza inicial dos princípios cristãos, não admite a pena de morte. Por essa atitude clara, definida, além de se manter coerente com a essência dos ensinos de Jesus, mantém-se, também, fiel a si mesmo no plano filosófico. Porque a verdade é a seguinte: quer se encare o Espiritismo no seu aspecto religioso, ou no seu aspecto filosófico ou, ainda, no científico, a doutrina se apresenta coerente, una, homogênea, baseada sempre nos sólidos alicerces dos princípios cristãos.

Admitir a pena de morte é negar a capacidade de recuperação e regeneração da criatura humana. Negar essa capacidade é admitir a falência da ação de Deus no mundo, é admitir a contradição e o absurdo no processo da vida. Para o espírita seria, ainda, negar a eficiência da lei de evolução. Entretanto, a história do mundo nos mostra que os erros humanos são corrigíveis e que os maiores criminosos são suscetíveis de regeneração. Aqui mesmo, em nosso país, não temos o exemplo de grandes cangaceiros que se transformaram em homens de bem?

Alguns espíritas, levados pelo horror de certos crimes, e sobretudo influenciados pela falsa argumentação dos defensores da pena de morte, chegam às vezes a admiti-lo. Se pensassem, porém, nos princípios fundamentais da doutrina, jamais a admitiriam. Se aceitamos que os espíritos foram criados por Deus para a perfeição, e que esta se realiza através das vicissitudes e experiências da alma, como podemos aceitar a idéia de interromper a vida de uma criatura, em nome dos interesses da sociedade? E o que é a sociedade, senão o meio formado por essas próprias experiências, o meio em que essas experiências se desenvolvem, propiciando a uns o esclarecimento e mantendo outros nas trevas da ignorância e da crueldade?

Um grande pastor protestante, Stanley Jones, ensina que devemos ver em cada criatura humana um ser pelo qual o Cristo deu a vida. Essa é uma lição realmente cristã. Se meditarmos nela, veremos o absurdo dos que pretendem tirar a vida a um criminoso, pelo qual o Cristo morreu. Mas, na pena de morte não há somente o absurdo da violência social contra o criminoso, filho e produto da própria sociedade. Há também o absurdo da oficialização do homicídio, que passa a ser uma instituição, produzindo no país uma nova e horripilante classe social: a dos funcionários do crime. Esses funcionários, como acentuou Victor Hugo, seriam os assassinos oficiais, punindo friamente, com a morte burocrática, os infelizes que, no desespero de suas paixões ou no desequilíbrio profundo de sua crueldade mórbida, praticarem crimes.

Kardec incluiu, em O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. XI, uma comunicação mediúnica de Elizabeth de França, que termina com estas belas palavras, ao tratar do criminoso: “O arrependimento pode comover seu coração, se pedirdes com fé. É vosso próximo, como o melhor entre os homens. Sua alma, transviada e rebelde, foi criada, como a vossa, para se aperfeiçoar. Ajudai-o, pois, a sair do lodaçal, e rogai por ele”. Como vemos, a lei do amor transparece em cada uma destas palavras, acordando-nos para o verdadeiro sentido das responsabilidades sociais em face dos criminosos.

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