Herculano pires



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Psiquiatria Espírita


O estudante de medicina que, terminado o seu curso, resolve especializar-se em Psiquiatria depara-se com uma série de teorias que contrastam violentamente com os estudos e as experiências objetivas que teve de enfrentar nas aulas de Anatomia, Fisiologia, Cirurgia e assim por diante. Tem a sensação de passar do plano da realidade viva e concreta para um plano de abstrações e suposições muitas vezes contrastantes entre si. As próprias aulas de Psicologia Clínica a que tenha assistido lhe parecem desenvolvidas sobre terreno mais firme. É natural que isso aconteça, pois ele se transfere de campo material para o espiritual. Descartes já notara, no seu tempo, que o ensino de Teologia que recebera no Colégio de La Fleche não lhe oferecia nenhuma garantia de veracidade. Suas dúvidas o levaram a uma revolta contra os mestres que lhe haviam ensinado o que na verdade só sabiam de oitiva, por ouvir dizer, na sucessão milenar das repetições consagradas pela tradição. Por isso resolveu começar por conta própria a sua busca da verdade real, não formalizada pelos mestres. Teve a felicidade de descobrir o nó górdio da questão e poder cortá-lo de um golpe. Todos ensinavam o que haviam aprendido, mas ele passaria a ensinar o que houvesse descoberto na experiência do mundo.

A Psiquiatria atual leva o estudante perspicaz a essa mesma situação. O emaranhado teórico poderia ser submetido ao exame da Psicologia Experimental. Mas ainda aí existe um vazio entre as experiências objetivas, que se realizam na mesma antiga faixa das pesquisas epidérmicas de Wundt, Weber e Fechner, sem o mergulho necessário nas profundezas da realidade ôntica, pois ainda subsiste na ciência atual, apesar de Freud, Jung, Adler e seus continuadores, a dúvida sobre o Espírito. Descartes já havia lembrado também que precisamos distinguir espírito e corpo, psique e soma, que geralmente são confundidos pelo homem comum e pelos doutos e sábios.

Essa curiosa situação cultural do nosso tempo levou Rhine a dizer que, ao pé de um moribundo encontramos o conflito de duas antropologias: a do médico que considera o homem como um ser puramente carnal e a do sacerdote que o considera como puramente espiritual. No tocante à Psicologia, Rhine verificou que ela deixara de existir desde o momento em que abandonara o seu objeto, que é a alma, convertendo-se em ecologia, no estudo exclusivo das relações do sujeito com o meio. O interesse de Descartes pela estruturação de uma ciência rigorosa justificava-se em face dessa situação desastrosa das Ciências do homem. Mas o desenvolvimento da Parapsicologia, que para Rhine e McDougal seria a solução do problema, teve de chocar-se e lutar com o emaranhado de pressupostos que, no dizer do fisiologista Charles Richet “atravancam o caminho das Ciências.” E mesmo agora, quando a vitória mundial da Parapsicologia é incontestável, nos países pobres a situação continua a mesma. As Universidades suburbanas temem tratar do assunto, em face da charlatanice pululante e, talvez, também pelo medo dos espíritos que podem tirar o sono aos mestres pouco afeitos a novidades. Para a maioria deles, aceitar que o homem seja um espírito encarnado seria abrir as portas da cultura para os bárbaros que destruíram Roma.

Não obstante essas dificuldades, muitos cientistas atrevidos, na própria fortaleza do chamado materialismo científico, a URSS, decidiram tratar do assunto. O Prof. Wladimir Raikov, da Universidade de Moscou, conseguiu descobrir a estratégia aplicável ao caso, dedicando-se, como psiquiatra, de modo objetivo, à pesquisa do que chamou de reencarnações sugestivas. Uma boa escapadela por baixo da cortina de ferro, mas que já levou muitos mestres à suspeição, como vimos no caso das pesquisas da Universidade de Kirov sobre o corpo bioplásmico. O impasse criado na Ciência Soviética com essa descoberta encontrou apoio nas Universidades mantidas por corporações religiosas em outros países. O complô materialista-religioso contra o espírito revelou-se mais uma vez ativo na defesa das posições dogmáticas. Ficou assim provado, mais uma vez, que o Espiritismo é o único campo aberto à busca livre da verdade neste mundo, que continua preferindo as criações ilusórias dos homens à realidade criada por Deus. A verdade científica continua sujeita a passaportes das zonas ateístas, com vistos de comissários e clérigos, para poder conseguir aceitação de pesquisas comprobatórias universais.



A falta de penetração mais profunda e eficaz no problema da alma e do seu destino, ante as restrições de um materialismo já superado pela própria Física, tem levado numerosos psiquiatras a aceitar a teoria espírita em seus dois aspectos fundamentais: o do homem considerado como espírito encarnado e o da influenciação de espíritos desencarnados sobre o comportamento humano. Surge assim, por força das circunstâncias, a Psiquiatria Espírita, hoje em franco desenvolvimento. Jung deu grande reforço a esse movimento espontâneo, com suas teorias parapsicológicas e sua experiência mediúnica pessoal, relatada em suas memórias; John Herenwald, Soal e Price, Karl Wikland, particularmente com o relato minucioso de tratamentos na sua clínica de Chicago durante trinta anos seguidos. Discípulo de Wikland foi entre nós o Dr. Flávio Pinheiro, de Ibitinga. As vantagens da Psiquiatria Espírita em desenvolvimento, sobre a tumultuada Psiquiatria destes anos alucinados, decorrem da sua disciplina rigorosamente científica, baseada em fatos e pesquisas mundiais de uma tradição bissecular. Seus métodos de cura não se baseiam em teorias especulativas, que muitas vezes se contradizem, mas nas investigações da Ciência Espírita, da Metapsíquica de Richet, na Psicobiofísica de Schrenk-Notzing, na Física Transcendental de Friedrich Zöllner e no êxito dos tratamentos em grupos espíritas regular e legalmente organizados. Os livros do Dr. Inácio Ferreira, do Sanatório Espírita de Uberaba, correspondem, entre nós, aos de Wikland nos Estados Unidos, com descrição precisa e fotos ilustrativas dos mais graves casos registrados no hospital. É incrível que todo esse acervo de trabalho médico positivo, de eficácia comprovada, seja posto de lado, considerado marginal, pelo simples fato de não se pendurar na beira do abismo, mas atirar-se corajosamente às suas profundidades. A conseqüência dessa posição pedante das academias e universidades é o que vemos hoje no meio psiquiátrico oficial: a aceitação de perversões como normais e a capitulação vergonhosa dos médicos que chegaram a transformar suas clínicas e seus consultórios em bordéis científicos, com leitos terapêuticos para a cura prática, no estilo rasputiniano, de donzelas sofredoras de angústias existenciais. Rejeitando Kardec, os psiquiatras atuais, com raras exceções, aceitaram Rasputin, instituindo o avançado sistema do avanço sobre as clientes, sem exceção para jovens religiosas que os procuraram. Essa Psiquiatria da Libertinagem cura os jovens efeminados aconselhando-os a não contrariarem as suas tendências naturais e oferece às esposas nervosas o calmante específico da procura de um amante, geralmente encontrado na terapia de grupo ou nos ensaios de psicodramas. Há pequenos fatos que dizem mais do que argumentos. Uma jovem angustiada pediu à mãe que a levasse a um psiquiatra sacerdote, com medo dos outros. A mãe a levou a respeitável clérigo que se dizia especialista em psiquiatria. Mal entrou no consultório, sem que lhe permitissem a companhia da mãe, o terapeuta a encarou sorrindo e perguntou: “Você tem um amante?” Ruborizada, ela voltou para a sala de espera e fugiu com a mãe. A senhora de um jovem engenheiro procurou famoso psiquiatra. Ele lhe deu a receita: “um amante”. Ela o encarou com espanto e exigiu a devolução do dinheiro da consulta: “Não vou pagar com o dinheiro do meu marido, ganho honestamente, os chifres com que o senhor deseja adornar a sua cabeça.” Uma senhora idosa recebeu a mesma receita e disse ao médico e professor de medicina que a atendera gentilmente: “Dr., não tenho experiência nesse assunto. O sr. me cede sua mulher para o meu aprendizado prático?” Um homem de seus trinta anos ouviu do psiquiatra: “O senhor não satisfaz os seus impulsos apenas com mulheres, precisa de homem”. O cliente arrancou um punhal do colete e o doutor escapou pelos fundos do prédio. Um adolescente ouviu de seu médico este conselho: “A cura está nas suas mãos. Assuma a sua responsabilidade de homossexual e viva a vida que Deus lhe deu.” O rapazinho lacrimejou e respondeu: “Não posso, doutor, quero ser um homem.” O médico disse impassível: “O homem deve ter coragem para tudo!”

Todos esses fatos são reais e se passaram em São Paulo, a Sodoma Psiquiátrica moderna, cientificamente justificada.

É curioso como esses terapeutas às avessas, que apelam quase sempre para as Filosofias da Existência, não se lembrem de que as Filosofias da Existência postulam, como objetivo da vida humana, a busca da transcendência. Que forma de transcendência se pode esperar de uma criatura que só tem pela frente o caminho fatal das perversões sexuais?

A Psiquiatria Espírita reconhece a legitimidade dos instintos inferiores do homem, provenientes de suas origens animais. Reconhece também a existência de poderosas influências, da própria ancestralidade humana e do meio social pervertido, bem como os casos de vampirismo de espíritos viciosos, que a Psiquiatria da Libertinagem ignora. Mas, para curar as vítimas dessas perversões, emprega os meios racionais de indução da mente aos caminhos retos do controle sensorial. É essa a função da análise no processo terapêutico. Uma análise que só serve para confirmar o doente em sua doença e estimulá-la não esclarece coisa alguma. E é em nome da análise, das teorias existenciais, de Jung, que sustentam a realidade do espírito, e até mesmo de Kofca e da percepção gestáltica, que esses cavaleiros do lago gelado de Constança (da conhecida imagem de Kofca) pretendem nivelar os infelizes no panorama sem pregnância da insensibilidade moral.

Lembremos Ingenieros em El Hombre Medíocre: “Onde todos andam de rastros, ninguém tem coragem de andar de pé.”

O esquematismo universitário, criado para defesa da Cultura, acabou fechando-a na muralha da China. Isolada em seus limites estreitos, a cultura acadêmica formou o seu colégio de oráculos infalíveis, desprovidos da graça do espírito. Felizmente a abertura para as dimensões desconhecidas do Universo está hoje rompendo a dogmática materialista. Com isso, muitos cientistas de espírito arejado começaram a andar em pé, sem medo de tropeçar nas armadilhas do mistério e das superstições. Chegou a hora da desprezada Ciência Espírita e os espíritas arcarem com a pesada responsabilidade da herança kardeciana. A Psiquiatria Espírita é o maior desafio aos médicos espíritas conscientes de seus deveres.



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