Hijkl kant, Immanuel (1724-1804)


Contra o averroísmo racionalista



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Contra o averroísmo racionalista


Reage contra o anterior racionalismo averroísta que dominava a teoria islâmica e assume o realismo, descrevendo minuciosamente os factos para, a partir daí, descobrir as relações que os regem.

A ideia de história


A história é entendida como a informação sobre a sociedade humana. Não está dependente de uma prévia revelação.

Precursor de Hobbes


Precedendo Hobbes, considera que a origem do Estado deriva, não de ameaças exteriores, mas sim de um estado de guerra intestina, dado que o homem é um ser naturalmente belicoso. Porque a agressividade e a injustiça são da própria natureza do homem, a organização social impõe que os homens tenham uma espécie de freio que os controle e separe. Asim, considera que o homem é o único animal que não pode viver sem uma autoridade que o contenha pela força.

Sociedade e Estado


Faz uma distinção entre a sociedade (umirán) e o Estado, salientando a existência da solidariedade ou espírito de grupo (açabiyyah).

Origem da comunidade política


Considera que primeiro surgiu a autoridade tribal, a qual, impulsionada pela procura da glória, transformou-se, nalguns casos, em realeza. Surge então a comunidade política que, começando no parentesco, se transforma num coactivo absolutista que, levando ao aumento da riqueza e da prosperidade, também conduziu à tirania e à subsequente fragmentação. Neste sentido, considera que cada Estado tem um ciclo de 120 anos, com três gerações e cinco fases.

Mugaddimah

1377. Prolegómenos de história universal.

Kitâb-al-‘Ibar

1374-1378. Cfr. trad. fr. de V. Monteil, Discours sur l'Histoire Universelle, Paris, Sinbad, 1978.

Khomeiny, Ayatollah S. Ruhollah (1900-1989) Líder da revolução islâmica do Irão. Considera que a Europa não é senão um conjunto de ditaduras cheias de injustiças. Defende a supremacia universal do Islão contra a hegemonia de outros conquistadores. Admite a guerra santa. Contra a existência de um poder laico no mundo muçulmano, dado que qualquer poder laico é sempre um poder ateu, obra de Satã, gerando a corrupção sobre a terra, um mal supremo que deve ser irradicado.

Pour un Gouvernement Islamique

Paris, Fayolle, 1979.

Pouvoirs. Les Regimes Islamiques



Paris, Presses Universitaires de France, 1980.
Khomiakov, Aleksi (1804-1866) Antigo oficial de cavalaria russo que, em nome do antiocidentalismo e da eslavofilia estrutura uma espécie de teologia ortodoxa de recorte neoplatónico. Para este autor de Escritos sobre a História Mundial, de 1838, existiria uma oposição na história entre um princípio iraniano ou ariano, marcado pela liberdade moral e representado pelo judaísmo e pela Igreja Ortodoxa Russa, e o princípio kuchita ou etíope, influenciado pela magia e pela necessidade científica, princípio que teria sido incarnado pelos romanos e pelos metafísicos alemães do século XIX. No tratado teológico A Igreja é Una, por seu lado, diz que só a Igreja Ortodoxa conserva os traços da Igreja primitiva, visto fazer a síntese entre a unidade e a liberdade, contrariamente à atitude dos católicos, que conservaram a unidade em prejuízo da liberdade, e à da Reforma, que sacrificou a unidade à liberdade. Neste sentido, considera que a verdade dogmática reside no consenso da Igreja e não na autoridade da hierarquia, como em Roma, ou na das Escrituras, à maneira dos protestantes. Do mesmo modo, defende a integração da vontade e da fé, insurgindo-se contra o que chama racionalismo teológico ocidental.

Kibbutz Colectividade em hebraico. Forma de exploração agrícola colectiva, experimentada no Estado de Israel. Unidades especialmente estabelecidas nas fronteiras, assumindo carácter paramilitar.



K
ierkegaard, Soren
aabye (1813-1855). Filósofo dinamarquês, inspirador do existencialismo. Licenciado e doutorado em Teologia (1840 e 1841). Aluno de Schelling em Berlim em 1842. Atacando o cristianismo burgês, considera que a essência do cristianismo é uma vida infeliz e de sofrimento, marcado pelo temor e pelo tremor. No temor o homem tem medo de perder o que possui; no tremor, na angústia, tem medo de perder-se a si mesmo. Contra o hegelianismo, que defende o intelectual, o universal e o necessário, insiste na vontade, no singular e na liberdade, valorizando o singular. Considera a liberdade não nasce da certeza, mas da incerteza. Neste sentido, assinala a via do paradoxo, ou do absurdo, onde se manifesta uma oposição de termos irreconcliáveis. Neste sentido assinala a necessidade de um desespero autêntico, o do finito que permite elevar o homem até à eternidade. A fé é um dos exemplos do paradoxo, exigindo adesão sem compreensão. Com Cristo, Deus e Homem ao mesmo tempo. Observa que a política, o Estado e a Sociedade são causas de alienação e obstáculos à autenticidade da existência. Entre as suas obras, Temor e Tremor, de 1843; O Conceito de Angústia, 1844; O Desespero Humano, 1849; A Escola do Cristianismo, 1850.

Kiesinger, Kurt Georg (n. 1904) Advogado e dirigente da CDU. Apesar de ter aderido ao partido nazi em 1933, colaborando no ministério dos estrangeiros e chegando até a estar preso no imediato pós-guerra, chega a chanceler da República Federal da Alemanha, entre 1966 e 1969, num governo de coligação entre dos democratas-cristãos e o SPD, quando o líder destes, Willy Brandt, enquanto ministro dos estrangeiros, inicia a política de abertura a Leste.
Kim Il Sung (1912 -) Comunista coreano. Torna-se em 1948 chefe de governo da Coreia do Norte. Desenvolve um intenso culto da personalidade.
King, Preston

The Ideology of Order. A Comparative Analysis of Jean Bodin and Thomas Hobbes,

Nova Iorque, 1974.

O Estudo da Política. Coletânea de Palestras Inaugurais

[ed. orig. 1975], trad. port., Brasília, Editora Universidade de Brasília, 1980 [lições inaugurais de Ciência Política na London School of Economics e nas universidades de Oxford, Cambridge, Swansea, Belfast e Sheffield, por Harold Laski, Ernest Barker, Denis Brogan, C. D. H. Cole, K. C. Wheare, Michael Oakeshott, J. C. Rees, Isaiah Berlin, Max Beloff, Howard Warrender, J. H. Burns, W. H. Grenleaf, M. M. Goldsmith, A. H. Birch, Maurice Cranston e Bernard Crick].
King Jr., Martin Luther (1929-1968) Teológo norte-americano. Activista dos direitos cívicos da minoria negra. Estuda em Boston e destaca-se como pastor baptista na Geórgia, donde vai empreender uma luta contra a segregação racional, através do método de Gandhi da não-violência e da cooperação social, ao mesmo tempo que invoca os pais-fundadores da democracia norte-americana, aquilo que num discurso de 1963 invoca com a célebre frase I have a dream.... Autor de Why Can’t Wait, 1964; Where do We Go From Here, 1967. Prémio Nobel da Paz em 1964, morre assassinado.

Kipling, Rudyard (1865-1936) Romancista inglês. Autor da célebre frase definidora da colonização: white man's burden.
Kirchheimer, Otto Politólogo alemão, célebre pela invenção da categoria de catch all parties, dita em francês attrape-tout..

Politik und Verfassung

Frankfurt, Suhrkamp Verlag, 1964.

Politics, Law and Social Change

Nova York, Columbia University Press, 1969.

«The Transformations of Western European Party Systems»

in LaPalombara, Joseph e Weiner, Myron, Political Parties and Political Development, Princeton, Princeton University Press, 1966.
Kireievski, Ivan Vasiljevic (1806-1856) Monge russo que tenta conciliar a filosofia e a religião através daquilo que qualifica como uma metafísica auctótone. Considera que a civilização ortodoxa é interior e integral, enquanto a ocidental é exterior e lógico-técnica. Assim, as sociedades latinas e germânicas assentariam na coerção exterior, enquanto os laços sociais dos russos teriam fundamento no acordo, na harmonia, na comunidade da fé e do amor. Nestes termos, critica fortemente o europeísmo, considerado como um estado doentio, visto ser constituído por várias camadas de males: o destruidor Espírito das Luzes; o espírito científico, que não reconhece como verdadeiro senão o que é objecto de experiência sensível; as belas artes crispadas na imitação estéril; a moral utilitária.
Kirk, Russell (1918-1994) Considera que o modelo liberal é caracterizado pela ideia de perfectibilidade do homem e o ilimitado progresso da sociedade, pelo desprezo da tradição, pela igualdade política, pela igualdade económica e pelo repúdio de uma concepção de Estado como "ente moral ordenado por Deus".

The Conservative Mind. From Burke to Santayana

Chicago, 1953
Kirkpatrick, Ivone

Mussolini. A Study in Power

Nova Iorque, 1964.

Líder e Vanguarda na Sociedade de Massas. Um Estudo da Argentina Peronista

1971.

Dictatures and double standard



1982.
Kirov, Serguei (1886-1934). Processos de Moscovo.

Kissinger, Henry (n. 1924) Nasce na Alemanha, de família judaica que se instala nos Estados Unidos desde 1938. Estuda em Harvard e faz uma tese de doutoramento sobre Metternich (1957). Conselheiro especial de Nixon desde 1969, passa a Secretário de Estado em Agosto de 1972. É o negociador da retirada do Vietname e das negociações com a China e Moscovo, preparando as visitas de Nixon a Pequim (Fevereiro de 1972) e Moscovo (Maio de 1972). Assume-se como um dos teóricos do neo-realismo, defendendo uma nova Realpolitik, capaz de aplicar mundialmente o conceito europeu de equilíbrio das potências. Depois do 25 de Abril, considera Portugal um caso perdido para o comunismo e chega a admitir que serviríamos de vacina para a Europa Ocidental.

A World Restored. Metternich, Castlereagh, and the Problems of Peace. 1812-1822

Houghton Mifflin, 1957.

The Necessity for Choice: Prospects of American Foreign Policy

Nova Iorque, Harper and Row, 1961.

Problems of National Strategy. A Book of Readings

Nova Iorque, Praeger, 1965.


Kleist, Heinrich von (1777-1811) Um dos românticos alemães, consagrado como dramaturgo. Companheiro de Adam Muller.
Klingeman, Hans-Devter

·New Handbokk of Political Science

Oxford University Press, 1996. Com Robert Goodin, orgs..

Knapp, Viktor

·La Science Juridique



in Tendances Principales de la Recherche dnas les Sciences Sociales et Humaines, 2ª parte, Tomo II, Paris, UNESCO, 1978

Khruchtchev, Nikita 1894-1971 Nikita Sergueievitch Khruchtchev. O sistema pós-totalitário Como quase sempre acontece face às evoluções de uma continuidade que tenha elevado ao paroxismo a personalização do poder, os sucessores da pesada herança tendem a gerar uma viradeira com a intenção de criar novos espaços de apoio ao poder, sobretudo entre os anteriores dissidentes, para o que, depois de proclamarem a fidelidade, logo tratam de substituir de forma espectacular alguns dos actores secundários mais proeminentes da ordem anterior. Na URSS isso não vai acontecer logo após a morte de Estaline, dado que, durante alguns dias, tudo parecia continuidade, com Malenkov, em 6 de Março, a ser é nomeado Presidente do Conselho de Ministros e primeiro secretário do Partido, com Béria, que mantinha o Ministério do Interior, a assumir a Vice-Presidência. Mas, quinze dias depois, a 21 de Março, eis que se anuncia um novo secretário do Comité Central do PCUS: Nikita Sergueievitch Khruchtchev (1894-1971). Tratava-se de um engenheiro que fora responsável pela construção do metropolitano de Moscovo, primeiro secretário do partido na Ucrânia, de 1938 a 1940, um condecoradíssimo herói da resistência de Estalinegrado, donde, de 1949 a 1953, passara a 1º Secretário do partido em Moscovo. Não tarda que os órgãos de propaganda do regime, a partir de 16 de Abril, comecem a falar num novo princípio: o da colegialidade. E em 28 de Março era publicado um decreto de amnistia, onde eram libertados todos os que tinham sido condenados a menos de cinco anos de prisão, ao mesmo tempo que se reduzia para metade a pema de todos os outros. Anunciava-se também que nova legislação penal iria suprimir a responsabilidade criminal para os delitos económicos. Surpreendentemente, em 4 de Abril, o Pravda anunciava que a conjura das batas brancas tinha sido fabricada pela polícia política e que as confissões tinham sido arrancadas sob tortura. A viradeira estava a começar. Em 10 de Julho anunciava-se a prisão de Béria. E mais não se dizia. Apenas em 23 Dezembro de 1953 se explicava que o mesmo Béria fora preso no dia 26 de Junho e executado no mesmo dia, depois de um processo secreto. Como refere Egar Morin, era o conflito entre o aparelho e a sua própria polícia: esta devia necessariamente ser o instrumento total da repressão total, mas, agindo assim, tornava-se um superaparelho todo-poderoso que ameaçava o próprio aparelho. Daí a depuração constante dos chefes de polícia, Iagoda, Ejov, até à mais recente de todas, a de Béria. A desestalinização marca a derrota definitiva do superaparelho policial, mas ao preço de uma degradação da omnipotência do aparelho, de uma primeira partilha do poder com o exército e os técnicos. A rápida ascensão de Khruchtchev significou, sobretudo, a vitória do aparelho do partido sobre o aparelho militar e policial. Com efeito, com Estaline, depois da repressão da segunda metade dos anos trinta e, principalmente, por efeito da guerra, o partido deixou de constituir o vértice do aparelho de poder, dado que o pai dos povos preferiu colocar, na sua directa assessoria, o aparelho militar e o aparelho policial. Com a ajuda dos tecnocratas, em Agosto de 1954, trata de fazer a revisão do plano estalinista, tendo em vista o acréscimo de produção de bens de consumo e o desenvolvimento da agricultura, em vez da anterior aposta na indústria pesada, contra as teses defendidas por Malenkov, que se retira em Fevereiro de 1955. Ganham, com este afastamento, tanto o Ministro da Defesa, Jukov, como o Presidente do Conselho de Ministros, Nikolai Bulganine (1895-1075).

Coexistência pacífica

Ao mesmo tempo, surgem inequívocos sinais de desanuviamento na política externa, em nome da restaurada tese da coexistência pacífica, que já havia sido utilizada depois de 1922. Como disse Nikita no XX Congresso do PCUS: ou a coexistência pacífica ou a guerra mais destrutiva da história. Não há outra saída. Assim, eis que em 19 de Maio de 1955, URSS restitui a soberania à Áustria. E que logo a seguir devolve à Finlândia a base naval de Prokkala bem como Port Arthur à China Não tarda o estabelecimento de contactos políticos com a República Federal da Alemanha, com a visita de Adenauer a Moscovo em 13 da Setembro de 1955. E, nesta sequência, em 7 de Outubro a URSS liberta os ultimos prisioneiros de guerra alemães Também em Maio de 1955 Khruchtchev e Bulganine visitam Tito em Belgrado, admitindo, deste modo, o comunismo nacional e reconhecendo que há caminhos diferentes para o socialismo. Era, pois, natural que surgisse a chamada Conferência dos Quatro Grandes em Genebra em Julho de 1955, a primeira desde 1947.

O degelo



O processo de mudança na URSS culmina em 25 de Fevereiro de 1956, no XX Congresso do PCUS, quando Khruchtchev, aí apresenta, à porta fechada, um incisivo relatório, onde é particularmente denunciado o sistema de governo de Estaline. Chegava a época do degelo, com a libertação de muitos prisioneiros por delitos de opinião, a retirada do corpo de Estaline do mausoleu de Lenine e a transformação dos campos de concentração em colónias de reeducação pelo trabalho. Mas as rosas da mudança continuam a ter sangrentos espinhos e Khruchtchev, para manter-se é obrigado a largar o princípio da colegialidadea procurar, de novo, a personalização do poder. Assim, em Junho de 1957, Molotov era expulso da direcção do partido, começando o processo de ataque ao grupo anti-partido, de que também fariam parte Gueorgui Malenkov, Lazar Kaganovitch e Kliment Vorochilov. Já a partir de Outubro do mesmo ano vão começar a cair os antigos aliados de Khruchtchev: primeiro o Ministro da Defesa, Jukov; depois, em Março de 1958, Bulganine. Com efeito, como assinalava Edgar Morin, o aparelho tem igualmente de lutar contra o exército e reforçá-lo, de lutar contra a burocracia e reforçá-la, de lutar contra a classe operária e reforçá-la. Com efeito, a burocracia não possui nenhum suporte autónomo como o exército ou a NKVD: o seu único supoorte é o próprio aparelho, que não é outro senão o esqueleto do Estado Finalmente, strutura-se o 6ºPlano Quinquenal de 1956-1960, onde se prevê a supressão das estações de máquinas e tractores, com a venda dos mesmos aos kolkozes, bem como a regionalização da indústria. Com efeito, no domínio da política agrícola, Khruchtchev optou por um desenvolvimento extensivo, nomeadamente desbravando as terras virgens da Sibéria, bem como pelo refortalecimento dos sovkhozes e pelo reagrupamento dos kolkhozes. Do mesmo modo, apostava-se no desenvolvimento da indústria química, como um meio de apoio à agricultura. Mas o 6º Plano é logo abandonado em 1957 e, em 5 de Fevereiro de 1959, quando se concluiu o XXI Congresso do PCUS, iniciado em 27 de Janeiro, adopta-se um plano septienal (1959-1965). Conforme as orientações aprovadas pelo mesmo congresso, na corrente década a União Soviética, enquanto cria a base tecnico-material do comunismo, ultrapasará per capita a produção do mais poderoso e rico país capitalista -os Estados Unidos. Este optimismo propagandístico proclamava também que o desenvolvimento da democracia, a participação de todos os cidadãos na edificação económica e cultural, a gestão dos assuntos sociais, constituem o elemento essencial no desenvolvimento da estrutura socialista do Estado. Assim, importava tanto a construção das bases materiais e técnicas do comunismo como a educação do homem do futuro e o desenvolvimento entre os soviéticos da moral comunista. O modelo de Estado também parecia evoluir, dado que o mesmo, tendo surgido como ditadura do proletariado passava a qualificar-se como Estado do Povo Inteiro, nomeadamente por causa das experiências de auto-administração que, nas colectividades locais, nos sindicatos e noutras associações, se iam empreendendo. Segundo o novo programa do PCUS aprovado pelo XXII Congresso, de 12 a 31 de Outubro de 1961, o Estado socialista entrou num novo período de desenvolvimento. Começou o processo de transformação do estado em organização de todos os trabalhadores da sociedade socialista. A democracia proletária foi-se convertendo cada vez mais em democracia de todo o povo... À medida que se desenvolva a democracia socialista, os órgãos de poder do estado ir-se-ão convertendo em órgãos de auto-gestão social. Outra era, na verdade, a ditadura dos factos, dado que, entre 1963 e 1965, a URSS teve de começar a fazer importações maciças de trigo dos USA e do Canadá. E a taxa de expansão da indústria é apenas de 7% contra os 13% previstos. Na frente da guerra fria, os soviéticos são, entretanto, sujeitos em importantes desafios. Em Junho de 1953 acontecera a revolta operária de Berlim. Em Junho de 1956 vai dar-se a sublevação de Poznam. Em 24 de Outubro de 1956 é a vez da revolta popular da Hungria. Assim, visando uma coordenação mais estreita dos países de Leste, suscitada, sobretudo, pela entrada da República Federal da Alemanha na NATO, surge em Maio de 1955, como resposta do Leste, o Pacto de Varsóvia Os êxitos da política externa soviética ocorrem, sobretudo, no Terceiro Mundo, nomeadamente a partir da Conferência de Bandung, de 18 a 26 de Abril de 1955, e da crise do Suez, na segunda metade de 1956, culminando com a revolução castrista, em Cuba, em 1 de Janeiro de 1959. Com efeito, a URSS, a partir de Bandung, privilegiando as relações com o Egipto de Nasser e com a Índia de Nehru, estabeleceu um programa de influência sobre o Terceiro Mundo que vai ter pleno acolhimento na I Conferência de Solidariedade Afro-Asiática, realizada no Cairo entre 26 de Dezembro de 1957 e 1 de Janeiro de 1958. Segundo muitos observadores, foi nesta Conferência do Cairo que a URSS fez a sua entrada em força em África, conseguindo que as jovens nações africanas, em nome da solidariedade afro-asiática não se referissem ao neo-colonialismo e ao imperialismo soviéticos, ao contrário do que chegou a ser esboçado em Bandung. A crise do Suez e a guerra da Argélia vieram depois acelerar o processo de ligação da URSS ao terceiro-mundismo, sendo disso bem sintomática a assinatura, em 25 de Agosto de 1959, de convenções técnicas e económicas com a Guiné-Conakry. A vitória da revolução castrista em Cuba, em 1 de Janeiro de 1959 e a inabilidade da política externa de Eisenhower que, em Julho de 1960, decidiu diminuir em 700. 000 toneladas anuais, as importações de açúcar de Cuba, vão fazer com que a URSS possa ter uma lança no próprio coração da América Apesar de tudo, há um retrocesso da influência soviética no Iraque, com o Baas a suprimir o Partido Comunista, e na Indonésia, com Sukarno a voltar-se para Pequim. Também em Africa há alguns reveses, com a inflexão de Sekou Turé e a subida ao poder de Mobutu. Isto é, a Guerra Fria foi-se transformando numa sucessão de empates técnicos integrados numa espécie de jogo de soma zero. A competição vai também chegar ao espaço quando em 4 de Outubro de 1957 a URSS lança o primeiro satélite artificial, o Sputnik I, para, logo depois, ensaiar o disparo do primeiro míssil balístico intercontinental. Não tarda que a mesma URSS, confirmando a liderança na corrida espacial, coloque, em 21 de Abril de 1961, o primeiro homem no espaço, Gagarine. A partir de então, a Guerra Fria, pelo menos na Europa Ocidental, atingiu as dimensões do grande medo que, eufemisticamente, se foi qualificando como disuassão ou equilibrio pelo terror. Foi neste ambiente de medo pelos mísseis soviéticos que medrou o pacifismo ocidental que, depois de, no Maio de 68, ter proclamado o hippie slogan do make love not war, acabou, menos romanticamente com o slogan de antes vermelhos que mortos, já nos anos oitenta. O Encontro de Camp David, de 25 de Setembro de 1959, entre Khruchtchev e Eisenhower, vem agravar a tensão internacional, traduzindo-se, nomeadamente no abate de um avião espião americano U2 pelos soviéticos em Maio de 1960. Nesse encontro, a URSS não aceitara o princípio dos open skies, proposto por Eisenhower, para a vigilância mútua de movimentos militares. Tinha, entretanto, subido a Presidente dos Estados Unidos da América John Kennedy, em 20 de Janeiro de 1961, que parecia disposto a vencer os desafios soviéticos através de um novo estilo. Mas depois do fracasso do desembarque na Baía dos Porcos (Cocinos Bay), em 20 de Abril de 1961, o ambiente de tensão entre as duas superpotências atinge o rubro, não permitindo o desanuviamento na Cimeira de Viena de 3 de Junho de 1961. Aliás, logo em Agosto de 1961 inicia-se a construção do Muro de Berlim e em Outubro do ano seguinte dá-se a crise dos mísseis de Cuba quase levou a um confronto directo entre norte-americanos e soviéticos.


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