Historiador natureza do Trabalho



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HISTORIADOR

Natureza do Trabalho

A profissão de historiador surgiu na Antiga Grécia com os primeiros relatos de viagens e durante muito tempo o historiador limitou-se a ser um mero cronista ou narrador, centrando os seus relatos, essencialmente, nos factos e nas datas dos acontecimentos.

Actualmente, o historiador procura não apenas narrar o passado, mas também compreender tudo aquilo que se liga à evolução dos acontecimentos históricos. A história é encarada como a problematização de determinada realidade, isto é, existe por parte do historiador um interesse sobre o "como" e o "porquê" dos acontecimentos. Assim, os historiadores pesquisam e analisam os acontecimentos e as actividades do passado das sociedades humanas, tendo sempre presente a preocupação de interpretar as informações que recolhem. Para isso utilizam muitas fontes de informação (escritas e não escritas), nomeadamente jornais, revistas, livros, diários, cartas, gravações, fotografias, entrevistas ou filmes.

Tradicionalmente, os historiadores têm desenvolvido as suas funções a um nível mais académico, uma vez que o seu trabalho tem consistido, sobretudo, na realização de estudos e trabalhos de investigação de natureza mais teórica. Procedem à selecção de um certo número de factos relativos à época em estudo e constituem com eles conjuntos de explicações que estão inter-relacionadas e são coerentes entre si, comparando-as com outros acontecimentos da época e descrevendo as informações obtidas de forma lógica. Este trabalho apresenta muitas vezes sérias dificuldades, pois se decifrar o que aconteceu já é complicado, estabelecer os motivos que fizeram com que acontecesse é-o ainda mais. Quando efectuam trabalho de investigação, os historiadores baseiam-se frequentemente em textos de outros autores ou especialistas. Por isso têm de confirmar a autenticidade, data e proveniência desses textos (crítica externa), avaliar a competência do autor (crítica de credibilidade) e interpretar esses textos com o intuito de avaliar a importância do seu testemunho (crítica interna).

Mais recentemente, o trabalho dos historiadores passou a contemplar também uma actuação mais prática que passa pela prevenção em áreas como a conservação do património. Por exemplo, quando integrados numa autarquia, os historiadores fazem o levantamento do património que existe, do que deve ser preservado e do que deve ser recuperado, procedendo a vistorias e estudos da zona em causa. Posteriormente, elaboram relatórios com pareceres relativos à futura intervenção, que entram em linha de conta com os aspectos históricos do objecto sobre o qual se vai intervir.

Mas a actividade dos historiadores, neste campo, vai mais além: são eles que ajudam a explicar às populações as alterações a introduzir em determinado espaço e as modificações que esta intervenção vai provocar na comunidade, quer nos aspectos sociais, quer nos histórico-culturais. Procuram, ainda, fazer com que as pessoas afectas à zona alvo de intervenção valorizem esse espaço e se sintam integradas (dinamização das populações), com o objectivo de levá-las a preservar e salvaguardar a realidade histórica local (sensibilização para o património). Num bairro histórico, por exemplo, o historiador procura explicar à população local as intervenções que estão ou virão a acontecer e a sua necessidade para a reabilitação/conservação do património histórico local, apelando para o envolvimento e participação da população nesse processo. Periodicamente, procedem à avaliação dos resultados das intervenções efectuadas, procurando estar atentos às reacções das pessoas. Por outro lado, avaliam também a adequação das intervenções nas estruturas arquitectónicas (designadamente, averiguam se as obras efectuadas respeitam a traça original dos edifícios).

Normalmente, os historiadores especializam-se num dado país ou região específica (Portugal, Península Ibérica, etc.), num determinado período de tempo (Idade Média, Idade Moderna, etc.) ou num campo de análise particular que pode ser, nomeadamente, história económico-social, história política, história diplomática, história da arte, história da literatura, história das religiões ou história das famílias. Também se podem especializar no estudo e preservação de material de arquivo, artefactos, edifícios e locais históricos. Hipóteses mais recentes são o estudo da história local ou regional (regra geral, ao serviço de uma autarquia) e, mais esporadicamente, o estudo da história de determinada instituição.

Sendo a história um saber qualitativo, não dispensa, contudo, o contributo das estatísticas, pelo que a utilização da informática se tem revelado um precioso instrumento de trabalho. Por outro lado, o acesso a novas tecnologias, como o CD-Rom, a Internet ou os microfilmes, entre outras, vieram provocar alterações no modo de utilização das bases de dados bibliográficas. De facto, com a utilização dos meios informáticos e de outros meios audiovisuais postos à disposição em arquivos e bibliotecas para a leitura e análise de documentos, os historiadores estão hoje mais apetrechados para analisarem e interpretarem os acontecimentos. Estes profissionais poderão também vir a utilizar as novas tecnologias para melhor divulgar junto dos cidadãos todo um espólio existente sobre determinada temática, por exemplo, através da criação de "museus virtuais".

A história exige por parte do historiador um conjunto de conhecimentos que lhe permita estudar o passado numa perspectiva global. Assim, é importante que o historiador possua noções de economia, filosofia, sociologia, política, antropologia, psicologia, literatura e linguística. Outros conhecimentos úteis ao historiador dependem da sua área de actuação. Em história da arte, por exemplo, é importante possuir conhecimentos de geografia, urbanismo, arquitectura e fotografia.

Na vertente mais prática do seu trabalho, por exemplo desenvolvido no âmbito de uma autarquia, é comum os historiadores colaborarem com profissionais de outras áreas, essencialmente arquitectos e sociólogos, mas também engenheiros, assistentes sociais e antropólogos. Aquando do trabalho de investigação, mais teórico, há quem prefira trabalhar sozinho e quem trabalhe em colaboração com outros historiadores, em que cada um estuda um determinado período ou assunto, havendo um elemento que coordena o trabalho. Estes profissionais podem precisar da colaboração de bibliotecários e arquivistas no decorrer das pesquisas bibliográficas que efectuam.

Dadas as suas características, esta profissão requer uma boa capacidade de comunicação oral e escrita. Persistência, paciência, capacidade para ouvir os outros e para aceitar diferentes opiniões e perspectivas e, ainda, ter bons conhecimentos de línguas, são também características importantes para quem queira seguir esta profissão.

Emprego

Tradicionalmente, o ensino tem sido a grande saída profissional dos historiadores, seja no ensino universitário, seja no básico e secundário. Contudo, esta situação alterou-se nos últimos anos, devido ao número crescente de licenciados em história e que, actualmente, é já manifestamente superior à oferta de lugares no ensino. Esta situação agravou-se pelo número crescente de profissionais de outras áreas de formação que leccionam disciplinas de história (no ensino básico e secundário), aumentado a concorrência para leccionar.

Em relação às outras áreas de actividade em que os historiadores podem trabalhar, a situação também não se apresenta muito melhor. Para aqueles que se queiram dedicar só à investigação, a solução mais frequente é a de recorrerem a uma bolsa de investigação, mas que é bastante difícil de obter. Ligada a esta área, pode-se considerar também a publicação de artigos e livros, mas que só é acessível aos historiadores com bastante experiência e prestígio no meio científico, sendo que mesmo para estes existem muitas dificuldades.

Nas actividades ligadas à protecção e conservação do património, a oferta de empregos é bastante escassa, quer seja por parte de entidades públicas como autarquias, museus, bibliotecas ou arquivos, quer seja por parte de entidades privadas como galerias de exposições ou outras instituições.

Deste modo, observa-se que, actualmente, o mercado de trabalho para os historiadores está saturado e que as perspectivas de saída profissional não são boas. A pouca procura que ainda existe centra-se nos grandes centros urbanos de Lisboa, Porto e Coimbra.

Formação e Evolução na Carreira

Aqueles que quiserem enveredar por esta profissão têm de começar por obter uma licenciatura em História:



Licenciaturas

Estabelecimentos

Ensino Público

História

Fac. de Letras da Univ. de Coimbra; Fac. de Letras da Univ. de Lisboa; Fac. de Letras da Univ. do Porto; Fac. de Ciências Sociais e Humanas da Univ. Nova de Lisboa; Univ. dos Açores (Ponta Delgada); Univ. do Minho (Braga)

História (ensino de)

Univ. de Évora; Univ. do Minho (Braga)

História da Arte

Fac. de Ciências Sociais e Humana da Univ. Nova de Lisboa

História Moderna e Contemporânea

Inst. Sup. de Ciências do Trabalho e da Empresa (Lisboa)

História - ramo do Património Cultural

Univ. de Évora

História - variante de História da Arte

Fac. de Letras da Univ. de Coimbra; Fac. de Letras da Univ. de Lisboa; Fac. de Letras da Univ. do Porto

História - variante de Arqueologia

Fac. de Letras da Univ. de Coimbra; Fac. de Letras da Univ. de Lisboa; Fac. de Ciências Sociais e Humanas da Univ. Nova de Lisboa; Fac. de Letras da Univ. do Porto; Univ. do Minho (Braga)

Ensino Particular e Cooperativo

História

Univ. Autónoma de Lisboa Luís de Camões; Univ. Lusíada (Lisboa)

Ciências Históricas

Univ. Portucalense Infante D. Henrique (Porto)

Universidade Católica Portuguesa

Português-História

Fac. de Letras (Viseu)

Fonte: Guia de Acesso ao Ensino Superior - Candidatura/98 e Depto. do Ensino Superior do Min. da Educação (Outubro /98)

As disciplinas principais que constituem o núcleo de formação de um historiador são: História Económica, História Política e História Social nas várias épocas - Idade Média, Renascimento, Idade Moderna, Idade Contemporânea, entre outras. Existem outras disciplinas mais especializadas que variam consoante o ramo de especialização: História de Portugal, História da Arte, Etnografia, Paleografia, etc.

Para aqueles que estiverem interessados em prosseguir estudos, com o intuito de aprofundarem os seus conhecimentos existem diversos mestrados e pós-graduações, nomeadamente: História da Arte, Restauração e Restauro, História Regional e Local, Heráldica, História Moderna, História Medieval, História Contemporânea, História das Civilizações Pré-Clássicas ou História dos Descobrimentos e da Expansão Portuguesa.

Em relação à evolução na carreira, os historiadores que trabalham nas autarquias seguem a progressão que está prevista na lei para a carreira técnica superior, começando por ingressar na categoria de estagiário e podendo atingir, em topo de carreira, a categoria de assessor principal. A evolução dentro desta carreira processa-se de acordo com o mérito e o tempo de serviço do profissional, bem como a existência de vagas. Aqueles que enveredam pela carreira académica universitária começam como assistentes estagiários e podem alcançar a categoria máxima de professor catedrático.

Condições de Trabalho

Como resultado da maioria dos historiadores trabalhar no sector público, a situação laboral mais frequente é a de trabalhador por conta de outrem, sendo a carga horária habitual de 35 horas por semana. No entanto, é comum poderem ter trabalhar mais horas, de acordo com o trabalho que estão realizar. Para aqueles que trabalham na área da investigação e desenvolvem um trabalho sobretudo teórico existe flexibilidade de horário, pois há períodos mais produtivos e outros menos produtivos, dependendo muito do ritmo de cada um.

Normalmente, estes profissionais trabalham em gabinetes ou escritórios, em salas de aula (caso sejam docentes) ou ainda em bibliotecas e arquivos. Quando desenvolvem um trabalho mais prático, por vezes podem ter de se deslocar em trabalho externo, por exemplo, para visitar ou inventariar património histórico (frescos, estuques, azulejos, igrejas, etc.). Pode também acontecer terem de se deslocar ao estrangeiro, por exemplo, para recolherem informações em bibliotecas ou assistirem a conferências, seminários ou congressos sobre determinada temática.

Perspectivas

Nos últimos anos, a inserção destes profissionais no mercado de trabalho não tem sido fácil e a situação parece não apresentar sinais de melhoria, pelo menos num futuro próximo. Na base deste problema está, por um lado, o crescente número de licenciados que todos os anos saem das universidades e que é manifestamente excessivo face à procura existente. Por outro lado, existe ainda muito desconhecimento por parte de algumas entidades empregadoras, sobre as funções que o historiador pode desempenhar a um nível mais prático.

A médio/longo prazo, algumas áreas ainda em desenvolvimento, como a gestão urbana e a gestão do património, poderão vir a constituir uma alternativa profissional para os historiadores. Dentro destas áreas, os historiadores poderão contribuir, por exemplo, para uma boa implementação do turismo de habitação no espaço rural, através dos seus conhecimentos em história rural e local. Assim, é possível que se venha a assistir a uma maior integração dos historiadores nas várias autarquias espalhadas pelo país, onde realizarão um trabalho mais prático, mais de acordo com as suas habilitações e mais virado para uma intervenção histórica no património.

Contactos para Informações Adicionais

Existem várias entidades que podem fornecer informações adicionais sobre esta profissão, nomeadamente:

 Academia Portuguesa de História, Largo da Rosa, 51 - 1º, 1100 Lisboa,

Tlf. 218884997.



 





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