História Crises e Revolução no Século XIV



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História

Crises e Revolução no Século XIV

• O século XIV é sinónimo de crise a vários níveis. Podemos distinguir três causas que deram origem a um dos séculos mais calamitosos da história europeia: causas naturais, causas económicas e causas políticas.

• Causas Naturais - As sementes lançadas à terra foram apodrecendo, impedindo a obtenção de alimentos. As chuvas torrenciais e as baixas temperaturas levaram a crises cerealíferas dos anos de 1315 e 1320 e a longos períodos de fome – aumento da mortalidade. Estes problemas em conjunto com as más condições de higiene, tornaram o ambiente favorável à propagação de doenças e epidemias. A Peste Negra, doença contraída pelos Cruzados no cerco a Jerusalém, espalhou-se rapidamente por toda a Europa. A Peste negra transmitia-se pelas pulgas que infestavam o pelo dos ratos. A doença propagou-se rapidamente por toda a Europa à medida que os soldados, gravemente doentes, regressavam aos seus reinos de origem. As constantes viagens entre o mediterrâneo ocidental e oriental, feitas pelos mercadores venezianos agravou o problema. A Peste Negra terá sido responsável pela morte de um terço da população, provocando uma grave quebra demográfica.
• Crises Económicas - A partir de 1350 há uma subida acentuada do preço do trigo, diretamente relacionada com a drástica redução da produção de alimentos: Diminuição da circulação de produtos, desvalorização monetária, aumento sucessivo dos preços dos impostos, o que levou a uma grave crises económica.
• Crises Políticas - Ligadas aos longos conflitos como a Guerra dos Cem Anos, que opôs a França à Inglaterra (1337-1453), e as Guerras Fernandinas entre Portugal e Castela (1369-1382). Aconteceu um descontentamento da população e o aumentos dos impostos para suportar os exercícios.

• A crise demográfica verificada em toda a Europa, no século XIV, teve consequências a nível social, devido à quebra demográfica, ao exôdo rural (fuga para as cidades) e as faltas de mão de obra, levando a dificuldades económicas (quebra da produção agrícola, aumento dos salários e a subida do custo de vida) e ao descontentamento dos assalariados (pressão dos grandes senhores e estagnação dos salários dos trabalhadores urbanos). Isto levou a conflitos rurais e urbanos.


• À semelhança do que se passou no resto da Europa, os reis portugueses também tomaram medidas para tentar resolver a crise económica: D. Afonso IV publicou as Leis do Trabalho (1349) e D. Fernando publicou a Lei das Sesmarias (1375).
A Crise do Século XIV
• As guerras fernandinas (1369-1382), entre Portugal e Castela, espalharam o caos e a destruição, generalizando o descontentamento.
• No decorrer destas guerras, D. Fernando é derrotado e vê-se obrigado, em 1383, a celebrar um acordo que definia o casamento entre a sua filha D. Beatriz, e o rei castelhano, D. João I (Tratado de Salvaterra de Magos).
• Neste Tratado ficaram estabelecidas as regras de sucessão ao trono de Portugal, de forma a garantir a independência do nosso país: se à data da morte de D. Fernando não existisse filho varão seu, seria sua filha, D. Beatriz, a sua sucessora sem que Portugal perdesse a sua autonomia e se D. Fernando falecesse antes de D. Beatriz ter um filho varão, ou, sendo este de menor idade (até aos 14 anos), ficaria D. Leonor Teles (mulher de D. Fernando) como regente do reino.
• Nesse mesmo ano, em 1383, D. Fernando morre. Coube a D. Leonor Teles, sua viúva, a regência do reino, que, de imediato, manda aclamar D. Beatriz. Várias povoações do reino, ficaram descontentes com esta atitude e revoltam-se contra D. Leonor. Alguns nobres e burgueses organizaram uma conspiração para derrubar D. Leonor e matar o seu conselheiro (e amante) - O conde Andeiro (João Fernandes Andeiro, um nobre galego).
• O conde Andeiro acabou por ser morto e D. Leonor fugiu, pedindo auxílio ao seu genro castelhano, D. João I.

Entretanto, o Mestre de Avis foi aclamado Regedor e Defensor do Reino pelo povo de Lisboa.


• Eram então os pretendentes ao trono de Portugal D. Beatriz (filha de D. Fernando e Leonor Teles e casada com D. João I de Castela), Mestre de Avis (filho bastardo de D. Pedro e de uma dama galega D. Teresa Lourenço, e D. João e D. Dinis (filhos de D. Pedro e de D. Inês de Castro). Era o clero e a alta nobreza que apoiavam D. Beatriz e era o povo e a burguesia que apoiava D. João, o Mestre de Avis.
• O rei de Castela, a pedido de sua sogra, D. Leonor Teles, após a morte do conde Andeiro e a aclamação do Mestre de Avis como Regedor e Defensor do Reino, invade Portugal, iniciando a guerra. Como reação, Nuno Álvares Pereira, liderou um exército composto por gente do povo e, naquela que ficaria conhecida como a Batalha dos Atoleiros, obtém, em 1384, uma vitória sobre as tropas inimigas.
• Após a discussão das propostas ao trono português, o Mestre de Avis foi aclamado rei de Portugal, nas Cortes de Coimbra, em 1385, com o nome de D. João I, dando início à dinastia de Avis. Esta decisão não foi bem recebida pelo monarca castelhano, que lançou um novo ataque a Portugal. O seu exército, muito superior em número relativamente ao exército de Portugal, é, no entanto, derrotado, em 1385, pelas tropas portuguesas, na Batalha de Aljubarrota.
• Este episódio militar marca o momento de afirmação da independência nacional, embora a paz definitiva só tenha sido alcançada alguns anos mais tarde, em 1411 (Tratado de Paz de Segóvia).
• D. João I, para se precaver de novos ataques castelhanos e garantir auxílio, faz «um tratado de amizade» com a Inglaterra. Esta aliança foi reforçada pelo casamento de D. João I com D. Filipa de Lencastre, em 1387. Mais tarde dos vários filhos que tiveram da chama do seu amor nasceu o Infante D. Henrique, mais tarde o navegador.
Conclusão:

• A crise económica e social do séc. XIV foi agravada em Portugal por uma crise política;

• Em 1369 e 1382, o rei D. Fernando envolveu-se em guerras com Castela de que saiu derrotado.

• Em 1383 assinou o Tratado de Salvaterra de Magos pelo qual prometia casar a sua filha D. Beatriz com o rei de Castela.

• Após a morte de D. Fernando o povo revoltou-se e aclamou d. João Mestre de Aviz como “Regedor e Defensor do Reino”

• O rei de Portugal invadiu Portugal mas foi derrotado sobretudo em Aljubarrota. Este acontecimento cimentou a coesão social.


A Europa nas vésperas da Expansão
• A partir de meados do século XV, a Europa começou a dar sinais de recuperação económica: o auumento da população; o incremento da produção agrícola; a reanimação do comércio; no entanto, havia a falta de metais preciosos, e o desenvolvimento do comércio obrigava ao uso cada vez maior de moeda; a dependência europeia relativamente ao ouro africano, trazido pelos comerciantes muçulmanos e o desejo de chegar diretamente às regiões de origem.
• Por outro lado, as especiarias (como a noz-moscada, a canela, …) e as mercadorias de luxo do Oriente, chegavam à Europa através das caravanas muçulmanas, que as transportavam seguindo as rotas do Levante, que ligavam o Mar Mediterrâneo ao Oriente, através do Mar Vermelho e do Golfo Pérsico.
• A expansão territorial da Europa, através da conquista ou da descoberta, surgia como solução para o seu desenvolvimento. Portugal assumiu um lugar pioneiro no processo de descobertas, ao reunir condições favoráveis e uma grande motivação por parte do seu povo.
• A noção que os europeus tinham sobre o resto do Mundo era, no século XV, muito limitada, levando-os a acreditar serem o centro do universo então desconhecido. O espaço geográfico conhecido cingia-se à Europa, ao Norte de África e a uma parte da Ásia.
• Muitas lendas e mitos circulavam acerca do mar tenebroso - crença na existência de monstros, perigos e fenómenos naturais extraordinários.

• As condigões geográficas eram a grande extensão de costa, a existência de bons portos naturais; localização estratégica.

• Portugal encontrava-se com as seguintes condições políticas: estava em paz desde os inícios do século XV; Houve um reforço do poder real com a dinastia de Avis; houve uma renovação dos quadros dirigentes do país; desde o reinado de D. Dinis, os monarcas portugueses apoiavam a construção naval e as atividades marítimas piscatórias e comerciais.


• Nas condições técnicas, científicas e na tradição marítima, conheciam desde o século XIV: o astrolábio, a bússola, a caravela, o quadrante, a balestilha e a carta-portulano.
• Praticavam a navegação astronómica (em alto-mar, por meio da observação dos astros e recorrendo aos instrumentos atrás mencionados).

Tinham bons conhecimentos de cálculo matemático e astronomia. Aperfeiçoaram a caravela, equipada com leme fixo à popa e velas triangulares. Tinham bons conhecimentos de cálculo matemático e astronomia. Praticavam a arte de bolinar (navegar com ventos contrários, graças ao uso da vela triangular). Existiam marinheiros experientes familiarizados com o mar, devido ao comércio a longa distância e à pesca.



Interesse dos grupos sociais na expansão:
Nobreza

•Desocupada da sua principal função, a guerra, pretende alcançar prestígio;

• Pretende alargar os seus domínios senhoriais.
Clero

•Pretende aumentar o seu poder;

•Pretende aumentar as suas rendas;

•Pretende expandir a fé cristã.


Burguesia

•Interessada em novos mercados;

•Interessada em aumentar os seus lucros.
Povo

•Melhorar as suas condições de vida;



•Ter mais oportunidades de emprego.
Coroa

•Aumentar o território é uma forma de obter afirmação e prestígio internacional.


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