História da Fundação do Instituto Histórico de Mato Grosso



Baixar 89.59 Kb.
Página1/3
Encontro21.07.2016
Tamanho89.59 Kb.
  1   2   3
História da Fundação do Instituto

Histórico de Mato Grosso
Por Paulo Pitaluga

Mato Grosso, desde os tempos coloniais, sempre foi rico em historia e em historiadores que , com muita propriedade, relataram as coisas de seu passado secular. E esses historiadores, juntamente com cronistas, governantes, cientistas, viajantes ocasionais, aventureiros de toda a ordem, dotados de uma paciente preocupação com o registro, souberam muito bem captar datas, acontecimentos e personagens, construindo assim, toda a base de nossa rica historiografia.

No século XVI, Domingo Martinez Irala, Alvar Nuñez Cabeza de Vaca, Ulrich Schmidl, Hernando de Ribera e Antonio Rodrigues, autores das 5 únicas crônicas quinhentistas, relataram as conquistas e as primeiras penetrações espanholas, rio Paraguai acima, pelo território que mais tarde seria Mato Grosso.

Nos primórdios cuiabanos, Cabral Camelo, Gervasio Leite Rabelo e Antonio Pires de campos foram os viajantes e sertanistas que primeiro deram noticias das coisas do passado mato-grossense; já nos meados do século XVIII, José Barbosa de Sá, nosso cronista pioneiro, ao lado de Joaquim da Costa Siqueira, Diogo Ordonhez, Felipe Nogueira Coelho, ordenaram cronologicamente e deram registro correto aos acontecimentos iniciais de nossa historia; em fins desse mesmo século, os engenheiros Ricardo Franco de Almeida Serra, Antonio Pires da Silva Pontes e Francisco José de Lacerda e Almeida, narram as suas viagens, observações e medições de fronteira pela então capitania de Mato Grosso.

O século XIX, foi enriquecido por uma quantidade de viajantes e cientistas ilustres, como Francis de La Porte Castelnau, Hercules Florence, Rodolfo Waeneldt, João Severino da Fonseca, Bartolomé Bossi, Bossi, Karl Von den Steinen, que produziram excepcionais registros sobre as suas respectivas passagens e estudos por terras mato-grossenses.

Ainda nesse período, despontou a figura erudita de Augusto Leverger, o Barão de Melgaço, autor de uma imensa e profunda obra do melhor nível cientifico, anotando-se ainda Luís d’Alincourt, Joaquim Ferreira Moutinho, Nicolau Nadariotti, Beaureoaine-Rohan, alem do Visconde de Taunay, com a sua extensa obra de registro de fatos acerca da Província de Mato Grosso, em especial sobre a Guerra do Paraguai.

Com relação ao Barão de Melgaço deve-se mencionar que foi ele o grande intelectual de Mato Grosso na segunda metade do século XIX. Oficial da Marinha Imperial brasileira, francês por toda a sua vida praticamente residiu em Cuiabá. Dedicou-se aos estudos da historia mato-grossense bem como as pesquisas cartográficas e hidrográficas do estado. Mais geógrafo do que historiador. Foi realmente o grande intelectual de Mato Grosso em sua época, e paradigma de toda uma geração subseqüente de historiadores que, alem de publicarem parte dos seus trabalhos, o enalteceram e o tornaram o grande patrono d historia e da geografia regional do estado no período imperial. Sem duvida, o Barão de Melgaço, homem simples apesar de 5 vezes Presidente da Província de Mato Grosso, reuniu em torno de si, mesmo depois de morto, uma legião de intelectuais dispostos a cultuar a sua memória, e que terminaram por fundar, mais de trinta anos de pois de sua morte, i Instituto Histórico de Mato Grosso.

Em fins do século passado, começaram a despontar pesquisadores, mato-grossenses ou aqui radicados, como Vital Araújo, José Augusto Caldas, João Augusto Caldas, Miguel Palermo e Estevão de Mendonça, que ensaiaram sobre a nossa historia regional e deram os primeiros passos sobre a etnologia e lingüística de tribos mato-grossenses.

Já no inicio do século XX, seguindo a este ultimo mencionado,tivemos Antonio Fernandes de Souza, Virgilio Corrêa Filho, José Barnabé de Mesquita, João Barbosa de Faria, e ainda erudita figura de D. Francisco de Aquino Corrêa.

Todos esses, fossem meros aventureiros, viajantes, cientistas, pesquisadores, religiosos, militares ou funcionários burocratas, conseguiram por séculos, num esforço intelectual individual, embasar toda uma gama de conhecimentos a que se assenta hoje a geografia, a historia e a etnologia de Mato Grosso.


ANTECEDENTES DO INSTITUTO HISTÓRICO

A ausência de revistas especializadas e a falta de patrocínio para edição de livros foram sérios entraves para a divulgação de trabalhos de intelectuais, que ainda em fins do século passado começaram a estudar, pesquisar e a escrever capítulos da historia mato-grossense.

A revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, desde 1839começou a dar guarida a temas regionais, sendo que, essas publicações eram produzidas por autores não mato-grossenses a revista editava também manuscritos inéditos, contendo relatórios de viagens e de explorações elaboradas por autores que se radicaram ou passaram meramente por Mato Grosso, mas de há muito já falecidos. Assim, o espaço editorial proporcionado por esse centenário periódico, era de difícil acesso aos historiadores regional de fins do século XIX. O Barão de Melgaço, francês em Mato-Grosso radicado, teve trabalhos seus publicados nessa revista somente nos anos de 1862, 1865 e 1884, e Estevão de Mendonça veio a ter uma sua compilação histórica publicada no citado periódico, só uma vez em 1894.

Posteriormente, a revista do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo, deu abertura para a publicação de artigos com temática mato-grossense de Joaquim da Costa Siqueira em 1889, Cardoso de Abreu em 1900, Gilbert Blagment em 1905 e Beaurepaire-Rohan em 1915, também privilegiando autores não mato-grossenses. Somente em 1905 abriu espaço para o cuiabano Estevão de Mendonça com o artigo Noticias históricas sobre Cuiabá.

O Almanaque Garnier, dirigido por Ramiz Galvão no Rio de Janeiro, por vezes abriu suas paginas para Estevão de Mendonça. O Almanaque, coordenado pelo ilustre Benjamin Franklin Ramiz Galvão, que chegou a ser Diretor da Biblioteca Nacional, foi dado a prelo de 1903, ate 1910, com exatos 8 anuários.

Em Cuiabá, somente a partir de 1904, as revistas O Arquivo e Matto Grosso, deram um espaço editorial mais amplo e efetivo, publicando não só artigos de nossos historiadores regionais, mas, nesta ultima, editada pelo Liceu Salesiano São Gonçalo, tiveram oportunidades poeta e literatos mato-grossenses.

As duas revistas marcaram época no começo do século. A primeira, eminente histórica dedicada à divulgação de documentos relativos à historia de Mato Grosso e contendo também inéditos de Estevão de Mendonça, Antonio Fernandes de Souza e outros intelectuais cuiabanos. A segunda, editada pelos padres salesianos e Cuiabá, era de caráter mais amplo e genérico, mas sempre abrigando em suas paginas a produção cultural de historiadores, poetas e jornalistas de Cuiabá.

Muito difícil também, à época, a edição de livros acerca de nossa historia, escritos por pesquisadores aqui radicados. Apenas em 1830, foi editado o primeiro livro, mais tarde considerado como bibliografia mato-grossense, pela Tipografia Imperial no Rio de Janeiro, de autoria de Luís d’ Alioncourt, a sua Memória sobre a Viagem do Porto de Santos à cidade de Cuiabá. Tiveram ainda os seus livros editados no Rio de Janeiro e São Paulo, Francisco José de Lacerda e Almeida em 1841, Joaquim Ferreira Mortinho em 1869, Miguel Palermo em 1892 e João Augusto Caldas em 1887. Com Roteiro e Noticia da Expedição da Comissão Alemã em 1887 às Cabeceiras do Xingu, Luís Perrot, foi o primeiro autor a publicar um livro em Cuiabá, editado em 1888 pela Tipografia d’ A Situação, com temática histórico-etnográfica.

A edição dal trabalho, um roteiro da viagem que Luís Perrot fez junto com Karl Von den Steinen, só foi possível graças à sua amizade pessoal e comunhão intelectual que mantinha com a Sra. Maria do Carmo de Mello Rego, esposa do Presidente da Província Francisco Rafael do Mello Rego. A então primeira dama da Província, que deixou excelente produção cultural mato-grossense, comungava com Perrot uma dedicação extremada à etnologia, e resolveu propor a edição de seu trabalho relativo à expedição do cientista alemão referido ao governo de Mato Grosso.

Estevão de Mendonça só deu a prelo o seu Quadro Corográfico de Mato Grosso, em 1905, graças ao patrocínio do Presidente do Estado Antonio Paes de Barros. Totó Paes, sem duvida, foi grande mecenas da intelectualidade cuiabana dos princípios do século XX, patrocinando a edição de alguns trabalhos e ainda da Revista O Archivo. Após sua morte em 1906, os vencedores da revolução que o destronaram da Presidência do Estado, adentrando ao Palácio Alencastro, queimaram pilhas de exemplares de O Archivo que lá se encontravam depositados.

Essa dificuldade em obtenção de oportunidade editorial para a produção intelectual, levou esses historiadores, que afloravam em fins do século XIX, a unir-se em grêmios literários, e em especial, instituições de caráter histórico, onde pudessem editar revistas periódicas, fornecendo assim, esse espaço vital para a publicação de suas pesquisas. O esforço comum, coligado em uma entidade cultural, proporcionaria certamente a oportunidade editorial para todos.

A par disso, a criação de instituições históricas, permitiriam a instalação de bibliotecas especializadas, tanto oriundas de doações governamentais, como por troca com instituições congêneres, ampliando, dessa forma, a obtenção do conhecimento e do saber cientifico, na isolada Cuiabá de fins de século XIX e começo do XX. O arquivo Público o Estado e as bibliotecas constituíam-se nas ultimas e verdadeiras fonte dos pesquisadores e historiadores. Daí as suas pesquisas.

Dentre as inúmeras sociedades e instituições culturais que se fundaram em Mato Grosso nas últimas décadas do século XIX e nas primeiras do século XX, podem ser consideradas precursoras remotas do Instituto Histórico, tão somente duas, o Grêmio Visconde de Taunay e a Sociedade Internacional de Estados Científicos.

Grêmio Visconde de Taunay

Imbuídos desses ideais, um grupo de 14 pessoas, congraçando o que havia de melhor da cultura e da intelectualidade cuiabana de então, em 26 de agosto de 1894, reuniu-se na casa do Professor Demétrio da Costa Ribeiro, à praça Bispo Dom José, e fundou ali o Grêmio Visconde de Taunay.

Tal agremiação cultural tinha por fim promover o... estudo da historia particular de Mato Grosso e a edição de uma revista que divulgasse os trabalhos e as pesquisas históricas de seus sócios.

Na reunião realizada, alem de vários oradores que falaram das necessidades e das vantagens de tal sociedade, fez-se ouvir as palavras do Tenente Pedro Antunes de Souza Ponce,... que muito estimava poder concorrer para a organização de uma sociedade de tal natureza.


Procedida ali mesmo a uma eleição, foram sufragados provisoriamente o seu Presidente, Estevão de Mendonça, Primeiro Secretario Avelino de Siqueira, segundo Secretario Demetrio da Costa Pereira e o Tesoureiro, Ildefonso Peixoto de Almeida Pitaluga.

O jornal “O Clarim”, de 31 de agosto de 1894, modestamente noticiou a criação dessa sociedade.

Todavia, a falta de interesse de alguns dos fundadores, somada ao não apoio institucional por parte do Governo do Estado, fez com que o Grêmio Visconde de Taunay tivesse existência efêmera. Talvez não tivessem conseguido nem mesmo o apoio do próprio Visconde, Alfredo d’Escragnole Taunay, que ainda estava vivo, falecido em 1899, para estimular e dar algum ânimo à sociedade histórica que levava seu nome.

Infelizmente, exceto essa noticia do jornal citado, a sociedade não deixou arquivos, não ficando registrada nem mesmo a tal eleição, alguma ata de instalação ou ainda estatuto social aprovado. Quase não deixou memória a tal agremiação.

Mas o registro da criação de tal sociedade é importante, pois que, foi a primeira vez que se fundou em Cuiabá uma sociedade cultural não literária, com fim especifico da pesquisa e divulgação da historia mato-grossense. Mostra ainda, que Estevão de Mendonça, no esplendor de seus 25 anos de idade, já se firmava como líder de uma instituição cultural, despontando com toda a sua veia inata de pesquisadores e historiador competente dos fatos passados de Mato Grosso.

Aí iniciava o sonho de Estevão de Mendonça.



Sociedade Internacional de Estudos Científicos

A 10 de janeiro de 1899, o pastor evangélico norte americano John W. Price realizou em sua casa em Cuiabá, reunião onde se fundou a Sociedade Internacional de Estudos Científicos.

Participaram desse evento e tornaram-se sócios fundadores de tal sociedade, o Coronel Francisco de Paula Castro, que tantas explorações fez pelo então desconhecido território mato-grossense, o tenente Pedro Antunes de Souza Ponce, Tenente Manoel Joaquim dos Santos, o Professor João Pedro Gardés, Dr. Antonio Alves Ribeiro, Gustavo Brendel, Carlos Addor, Felix Ripeau, Henrique Levy, Jorge Bodstein, Alfonse Roche, Ramon Jackwisky, Vitoriano da Silva Miranda, e a sempre presente figura do historiador Estevão de Mendonça.

Após instituída a sociedade, em outra reunião a 17 de janeiro foram aprovados os estatutos sociais e eleitos os administradores da mesma, tendo com Presidente João Pedro Gardés, e ainda como diretores John Price, Estevão de Mendonça e Ramon Jackowsky.

A Sociedade Internacional de estudos Científicos tinha por objetivos principais, as pesquisas históricas e geográficas do Brasil, a realização de no mínimo duas conferencias anuais abordando esses temas, realização de estudos acerca das potencialidades industriais do Estado e ainda... procurar com empenho dados e informações destinadas a corrigir a Carta Geográfica de Mato Grosso, como se refere a ela Estevão de Mendonça em suas datas Mato-grossenses.

A 17 de janeiro de 1899, a Sociedade, por seus representantes legais, remeteu oficio ao Coronel Antonio Cesário de Figueiredo, Presidente do estado: Tendo sido organizada nesta cidade uma Sociedade denominada SOCIEDADE INTERNACIONAL DE ESTUDOS CIENTIFICOS, cujo objetivo é a propaganda entre nos de conhecimentos relativos à ciência e à industria, e particularmente da geografia de Mato Grosso, e não possuindo ela elementos para organizar a respectiva biblioteca, os abaixo assinados, representantes da mesma sociedade, vem pedir-vos digneis conceder-lhes, por dádiva, os volumes ainda existentes na Biblioteca do Liceu, os quais acham-se quase inutilizados por não serem aproveitados.

O governo estadual negou o pleito solicitado pela Sociedade Cientifica, sendo este, provavelmente, um dos motivos de desanimo dos sócios, o que terminou por levar à extinção da mesma ainda nesse ano de 1899.

A esse propósito, de forma irreverente, Estevão de Mendonça nos conta em seu trabalho “Dr. John W. Price”: O seu contato mais ou menos assíduo com Manoel Joaquim dos Santos, Paula Castro, João Pedro Gardés, Antonio Alves Ribeiro, Vitoriano de Miranda, Pedro Ponce e outros intelectuais de então, inspirou-lhe a fundação de uma sociedade de historia e geografia, e desse impulso nasceu a Sociedade Internacional de Estudos Científicos. Todos os sócios afirmaram propósitos de ardorosa colaboração. Pedro Gardés pôs água na fervura:



- Ora, pois! No dia em que o Sr. Price virar as costas, a sociedade vira o galho.

E virou, tanto o velho educador conhecia a psique da nossa gente!.

Outras Sociedades e Instituições Culturais
Antes e depois do Grêmio Visconde de Taunay e da Sociedade Internacional de Estudos Científicos, outras sociedades foram criadas, mas com finalidades diversas do estudo e da pesquisa histórica e geográfica.

Uma das primeiras instituições culturais, talvez a primeira em Cuiabá, foi a denominada Sociedade Teatral, fundada por volta de 1870, que não deixou registro histórico substancial. Estevão de Mendonça anotou que esta instituição cedeu em 1877, o prédio de sua propriedade à Sociedade Dramática Particular Amor à Arte. È o único registro de existência da mesma.

Em 23 de abril de 1874, foi fundado em Cuiabá o Gabinete de Leitura, incentivado pelo barão de Melgaço. Foram seus fundadores o Dr. Antonio Gonçalves de Carvalho, cônego José Joaquim dos Santos Ferreira, João de Souza Neves e Dr. Carlos de Souza nobre. O primeiro diretor foi o advogado Antonio de Paula Corrêa, sendo o mesmo instalado numa sala da Câmara municipal... Através de donativos da sociedade cuiabana, inclusive do próprio barão de Melgaço, formaram uma biblioteca com um avultado numero de livros. Prosperas eram as condições do Gabinete de Leitura e Excelentes os serviços que ia prestando à população, quando a politicalha veio a estragá-lo. As sucessivas mudanças de local, foram dilapidando o rico patrimônio representado por centenas de livros, do que constituiu a primeira biblioteca organizada de Cuiabá no século XIX.

Sem qualquer vínculo com a história, em 23 de maio de 1877, foi fundada em Cuiabá a Sociedade Dramática Amor à Arte, dedicando-se aos saraus literários, musica e, principalmente, ao teatro. Foi inaugurada em 11 de agosto. Eram 62 sócios, e a primeira diretoria era composta por Henrique José Vieira, Presidente, e os demais diretores, Dormevil dos Santos Malhado, Medardo Rivani, Generoso Ponce, Vital de Araújo. Foram memoráveis em Cuiabá as suas representações teatrais. Em 1894 o prédio onde estava a sua sede veio a desabar, restringindo assim, as representações teatrais. Foi extinta por volta de 1914, tendo como presidente José Martiniano de Araújo. Em 1913 perdeu, por sentença judicial a sua sede própria localizada à rua Joaquim Murtinho. A instituição cultural sobreviveu por quase 4 décadas, tendo sido realmente a que por maior tempo subsistiu divulgando em Cuiabá o teatro, a musica e a poesia. A Sociedade Amor à Arte foi uma das mais duradouras das que tem existido em Cuiabá... O teatro onde levavam as peças era denominado São João, e posteriormente, já no século XX, passou a se chamar teatro Minerva.

A Sociedade Teatral Progresso Cuiabano foi fundada em 30 de setembro de 1879, na freguesia Dom Pedro II, bairro do Porto. Foram fundadores da mesma, Francisco Sizenando Peixoto, Delfino Nonato de Faria, João Francisco da Rocha, Antonio Gomes Xavier Moreira, Joaquim Vaz de Campos. Os sócios chegaram a adquirir um terreno e a construir nele o seu teatro, coberto com folhas de zinco. O teatro Progresso subsistiu por alguns anos, não se sabendo o motivo de seu desaparecimento.

Em 14 de março de 1882, foi fundado em Cuiabá o Club Literário, cujos estatutos sociais foram devidamente aprovados por ato do então Presidente da Província, o coronel José Maria de Alencastro. A diretoria era composta por Antonio Néri, Presidente, e demais membros Tomé Ribeiro de Siqueira,Luiz Teodoro Monteiro, Jerônimo Gomes Monteiro Macerata e Felipe de Campos Camacho. O Club visava o desenvolvimento da literatura brasileira, por meio de palestras e a publicação de uma revista, como a ele nos refere Estevão de Mendonça.

A Sociedade Instrução e Recreio foi instalada em Cuiabá em 21 de julho de 1883, sendo o ato presídio pelo Barão de Batovi, que, na ocasião, recebeu o titulo de sócio honorário. A historia não nos legou o nome dos diretores da sociedade, mas sobe-se que o orador oficial era o capitão generoso Ponce. A Sociedade tinha por objetivos o congraçamento de seus sócios em atividades lítero-musicais, com apresentação de saraus e palestras literárias.

Outra das primeiras instituições culturais de Mato Grosso, foi a Socieade Terpsícore Cuiabana, fundada em 18 de agosto de 1883 por iniciativa do Barão de Batovi, então presidente da província de Mato Grosso. O Barão de Batovi foi eleito seu Presidente, fazendo ainda parte da diretoria, Dr. João Carlos Muniz, Artur Augusto do Vale, Jose Magno da Silva Pereira e Caetano Manoel de Faria e Albuquerque. Concertos musicais, cantos, declamações e conferencias literária, os objetivos da sociedade. Estevão de Mendonça, assim nos da noticias da instituição: As partidas da Terpsícore eram mensais e foram sempre foram revestidas de grande animação. Apesar, porem de aparelhada para uma existência duradoura, desapareceu a sociedade pouco depois da retirada do barão de Batovi. Realmente esteve administrando a Província de Mato Grosso, o Barão do Batovi muito incentivou a cultura e as artes em Cuiabá. Figura pioneira nesse incentivo cultural.


A Associação Literária Cuiabana fundada em 21 de outubro de 1884, Viçou por ativo decênio, ate resvalar no declínio cada vez mais acentuado. Por fim, estiolou-se de todo, depois de quatro ou cinco mudanças, para sedes gradativamente mais modestas. Foi seu primeiro Presidente Antonio de Paula Corrêa e como demais diretores, Joaquim José Ferreira da Silva, Francisco Corrêa da Costa Sobrinho, Antonio Modesto de Mello e Antonio Joaquim de Faria Albernaz. A associação tinha por finalidade tão somente a constituição de uma biblioteca onde os sócios poderiam retirar livros para a sua instrução e cultura. Alguns exemplares de livros, outrora pertencentes à essa biblioteca, ainda com a etiqueta original da Associação Literária, encontram-se hoje na biblioteca da Casa Barão de Melgaço, de propriedade do Instituto Histórico e Academia de Letras.
Em 12 de abril de 1904 foi fundado o Club Internacional, estando na diretoria como Presidente o Dr. Manoel Joaquim dos Santos, Vice-Presidente, o Dr. Antonio Fernandes Trigo de Loureiro, secretario, o historiador Antonio Fernandes de Souza e Tesoureiro, Henrique Hesslein. Ao clube se referiu Estevão de Mendonça: O Club Internacional congregou em seio todos os elementos de destaque da sociedade cuiabana, organizando conferencias literárias, concertos musicais, partidas de dança e muitas outras manifestações de cultura. Em 1906, o presidente Manoel Joaquim dos santos estava pretendendo agregar às atividades culturais do Club uma revista, cujas boas intenções foram liquidadas pela revolução de 1906. Às lutas eleitorais seguiram-se as lutas armadas e com estas o atordoamento dos espíritos, os ressentimentos pessoais e a separação das famílias. O Club Internacional sentiu-se ferido de morte.

A Liga Mato-grossense de Livres Pensadores, fundada em 21 de abril de 1909, teve o eu jornal, A Reacção, editado a partir de 11 de julho de 1909, o qual vicejou por alguns anos. A diretoria era composta de Luiz Alves da Silva Carvalho, |Presidente, João Cunha, Vice-Presidente, Otávio Pitaluga, Secretário e Almerindo de Castro, Tesoureiro. A instituição, que abraçou a filosofia positista de Auguste Comte, sob direção de alguns intelectuais e pessoas gradas da sociedade cuiabana da época, era mais um organismo político, com extrema desavença com a Igreja Católica, o clero mato-grossense e em especial ao arcebispo D. Carlos Luiz d’Amour. Por volta de 1914, a sociedade foi extinta.


O Grêmio Literário Júlia Lopes, fundado em 26 de novembro de 1916, era formado essencialmente por senhoras e senhoritas da sociedade cuiabana, e editou por cerca de 40 anos a sua revista A Violeta, importante espaço editorial para a divulgação da produção de um sem numero de intelectuais da época. A primeira diretoria era composta por Leonor Borralho, Presidente, e as demais diretoras, Maria Luiza Pimenta, Maria Ponce de Arruda, Maria da Gloria Figueiredo e Maria Dimpina de Arruda Lobo. Eram objetivos dessa sociedade, alem da publicação de sua revista, organização de palestras literárias feitas pelas associadas ou por pessoas estranhas a convite do Grêmio e impulsionar qualquer movimento literário. A redação da revista A Violeta, era composta de Tereza de Arruda Lobo, Regina Silva Prado, Mariana Povoas e Bartira de Mendonça. Essa interessante revista foi editada continuamente ate cerca de 1950.

O Grêmio Álvares de Azevedo fundado em 13 de abril de 1911, foi uma instituição de caráter estritamente, dedicado mais à poesia e aos saraus lítero-musicais. Foi seu presidente Martiniano Augusto de Figueiredo, e os demais membros da diretoria Albano Antunes de Oliveira, Leônidas Antero de Mattos e Nilo Povoas. Em principio foi muito criticado e combatido por ter sequer uma biblioteca própria. Posteriormente, ao conseguir formar uma pequena biblioteca, em seguida desapareceu.

Todas essas instituições bem servem para exemplificar a preocupação dos intelectuais, mulheres e homens cultos e estudiosos da época, em agremiar-se em sociedades culturais. Era sem duvida uma das raras oportunidades de aprimoramento social e cultural que a época permitia. Organizavam suas bibliotecas, publicavam seus jornais e revistas, criando espaços editoriais para seus próprios trabalhos, divulgavam a cultura mato-grossense como um todo, através dos saraus, dos recitais poéticos e musicais. Construíam os seus teatros, levavam as suas peças, traziam companhias teatrais de fora. Enfim, almejavam divulgar a cultura, através do teatro, da historia, geografia, literatura, musica e a arte em Mato Grosso. Pessoas sensíveis preocupadas com a sua cultura.

Existe ainda outro expressivo registro da preocupação constante, tônica sempre observada nos escritos de Estevão de Mendonça e Antonio Fernandes de Souza, com a criação de uma sociedade histórica. Quando da publicação do 1º volume da revista O Archivo em 1904, um dos editores da mesma, Antonio Fernandes de Souza, assim se expressou:... a fim de fundar-se nesta capital um Instituto Histórico e Geográfico que se incumbira de criar e montar uma revista do Estado de Mato Grosso... Essa revista marcou de forma indelével a sua presença no então pequeno mundo intelectual mato-grossense. Divulgou documentos que, com a posterior perda do Arquivo Publico, por certo teriam sido sempre perdidos na poeira da historia. Grande mérito pessoal de seus dirigentes, o sempre preocupado Estevão de Mendonça e Antonio Fernandes de Souza, com o patrocínio do presidente do estado, Antonio Paes de Barros.

Sem duvida os registros e arquivos nos mostram que, antes de 1919, quando da criação do Instituto Histórico de Mato Grosso, houve uma serie de tentativas por parte de homens sensíveis e estúdios, preocupados com a memória social de seu povo e de sua terra, em instituir agremiações que os unisse culturalmente com a finalidade tanto do congraçamento social, literário, teatral e musical, como da pesquisa e divulgação da historia e da geografia regional. Observa-se essa tendência, quase um movimento intelectual e cultural, a partir dos anos 70 do século XIX. E dentro desse movimento, nasceram ou foram formados os grandes intelectuais e literários mato-grossenses que, no afã de divulgar a cultura e a historia de sua terra, deixaram campo profundo, fértil e apropriado para o nascimento, em 1919, da instituição histórica que se fundou. No momento cultural surgido nessa época, em pleno século XIX, estão as raízes mais remotas e antigas, e no Grêmio Visconde de Taunay e na Sociedade Internacional de Estudos científicos, os antecedentes mais visíveis, que motivaram a criação do Instituto Histórico de Mato Grosso.

  1   2   3


©principo.org 2016
enviar mensagem

    Página principal