História da publicidade no Brasil Uma volta no tempo



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História da publicidade no Brasil


  1. Uma volta no tempo

Lembre-se da história: Pero Vaz de Caminha escreveu uma carta para o Rei D. Manuel, o Venturoso, de Portugal. Surge a primeira propaganda Brasileira. Feita por um português, mas foi no Brasil.


De nossos índios podemos observar o marketing, pois pintavam papagaios para vendê-los como araras, lesando o "consumidor" europeu.

Ou seja: no Brasil, a propaganda está no sangue.


Mascates, ambulantes e tropeiros foram os primeiros vendedores, pioneiros das vendas por telefone, catálogos e Internet. Com chuva e sol, calor, subindo rios e montanhas, atravessando matas, de barco ou em lombo de mula, a mercadoria era entregue nas mãos do freguês. Naquela época ninguém era cliente, era freguês mesmo.
O sistema, eficiente, prosseguiu até a década de 50. Por meios de transporte mais modernos, bolsas, tecidos importados, coisas da China e da Ilha da Madeira eram levados aos lares brasileiros onde donas-de-casa, as maiores consumidoras do País, compravam em sistema de crediário em que valia a honra e a palavra.

No Brasil colonial, a propaganda de boca mostrou ser tão eficaz quanto os panfletos colados nos postes ou nas portas, que faziam a glória ou a ruína de qualquer um.


E é com Tiradentes, com seus panfletos, seus cartazes e seus "santinhos" que o Brasil conhece a primeira campanha política para a Independência.
Sem a força da TV, do rádio, sem "marqueteiros" e sem saber o que era Comunicação, Tiradentes e suas idéias chegaram a todos os lares brasileiros.
Com a vinda de D. João VI em 1808 e a criação da Imprensa Régia, a colônia vira Reino e "civiliza-se". Surge a "Gazeta do Rio", ainda em 1808. O primeiro anúncio era sobre a venda de uma casa e o estilo de anunciar usado foi parecido dos que ecoam nos pregões, o de “quem quiser” e “quem quer comprar”, lembrando até os vendedores ambulantes dos nossos dias.

O anúncio assim dizia: “Quem quiser comprar uma morada de casas de sobrado, com frente para Santa Rita, fale com a Ana Joaquina da Silva que mora nas mesmas casas, ou com o Capitão Francisco Pereira de Mesquita, que tem ordem para as vender”.

Pode-se ver mais claramente a publicidade e a propaganda no Brasil, em 1821 , quando surge um novo jornal carioca chamado de O Diário do Rio de Janeiro, que se apresentava como jornal de anúncios, pois havia a necessidade dos anúncios nos jornais, para que se facilitassem as transações comerciais da época.
Jornal, classificados, agência de propaganda. Este trio poderoso entra em cena em 1891, com a criação da "Empresa de Publicidade e Comércio". Os anúncios eram uma espécie de classificados de maior tamanho. E os grandes anunciantes, os remédios, fortificantes e elixires, prometendo vigor e o bem estar.

Até o ano de 1900, as propagandas no Brasil baseavam-se em temas como compra e venda de móveis e até de escravos. Alguns nomes daqueles anos ainda nos são familiares, como, Ungüento Santo, o Óleo de Fígado Bacalhau, o Licor de Alcatrão e a Magnésia Fluida. Textos, que eram feitos por poetas como Olavo Bilac, eram muito extensos, mas pouco a pouco foram sendo reduzidos e tornaram-se mais objetivos.

Um outro hábito da época era a utilização de políticos em muitas propagandas. No começo do século, surgem as revistas, que se diferencia do jornal, pois este surgiu pela luta política, e a revista surge com a finalidade de promover anúncios.

As primeiras agências de publicidade começam a parecer a partir de 1914, em geral, iniciam como empresas de anúncios e evoluem para agências como foi o caso da Eclética que estava sediada em São Paulo.

Na década de 1920, vários temas foram abordados, em 1922, propagandas sobre sabonete mostravam com nitidez a preocupação com a beleza e a estética.

Com o desenvolvimento industrial que se inicia no país, chegam às empresas americanas e com elas chegam também às agências de propaganda norte-americanas que imprimem uma nova estética para a publicidade e exigem a profissionalização das áreas envolvidas com a publicidade e propaganda, neste sentido, desenhistas, fotógrafos, áreas de criação e gráficas ganham um novo impulso técnico e profissional para atender as necessidades de agências.
No início do século, o Rádio revoluciona a vida brasileira. O rádio trouxe os jingles, a imaginação e o sonho para a vida brasileira. No início dos anos 50, época da Rádio Nacional, dos programas de auditório, das disputas de Emilinha e Marlene e dos Fãs-clubes organizados, apelidadas pelos cariocas de "macacas de auditório".
Nos anos dourados, em que umas entre dez estrelas do cinema usavam Lux, a IAS, house-agency era a maior agência do País.

Antes da criação do outdoor, a mídia era feita em jornais, revistas, no rádio e nos bondes. Os cartazetes colocados nas laterais internas dos bondes foram extremamente criativos.



Uma prova
" Veja ilustre passageiro o belo tipo faceiro que está ao seu lado. No entanto, acredite, quase morreu de bronquite. Salvou-o o Rhum Creosotado."

Dentre as revistas que surgiam a maior delas foi "O Cruzeiro", que chegou a vender 700.000 exemplares.


O rock e a Coca-Cola faziam parte da vida de milhares de jovens de topete, rabo de cavalo, sapato bicolor e meia soquete no mundo inteiro.
Em 1913 ou 1914, nasce à primeira agência de publicidade, na verdade não foi uma agencia desde o começo, era uma firma que evolui no sentido da publicidade e logo se transforma em agência. Segundo Júlio Cosi, nos começos da Eclética “os jornais eram quase os mesmos de hoje, mas extremamente pobres em publicidade”.

Os anúncios de 1920 até 1929 evoluíram pouco em criatividade, mas muito em tentativas de melhoras.

Nesta época ainda se encontra a anúncio preto e branco, com ilustrações. Além de serem mais baratos, não havia disponibilidade de criatividade e fotografias para torná-los melhores.

As ilustrações eram na maioria das vezes, sobre as situações em que a pessoa estava e precisava do produto que estava sendo anunciado. São vários exemplos, como os elixires, remédios e outros, sempre mostravam ilustrações de pessoas doentes, espirrando, tossindo, e em outras situações mais desagradáveis.

Podem ser observados anúncios como o da Bayer, que ilustra a situação em que o jogador de golf para seu jogo para ficar se coçando com o taco. É interessante explicar, que a Bayer foi um grande anunciante neste setor desde 1917. Com campanhas regulares, a empresa alemã, investiu alto em publicidade. A Bayer destacava-se pela originalidade dos textos e pela qualidade gráfica dos anúncios. Era característica sua associar seus produtos às palavras como: original, puro, científico para contrapor os produtos nacionais.

Eram muitos os produtos da Bayer: Adalina "a fonte da juventude eterna", Bayaspirina "silêncio", Instantina "num instante vai-se o mal" e outros, sempre utilizando a marca e reforçando-a com um slogan.



Aliás, o centenário "Se é Bayer, é bom", de Bastos Tigre, eternizou a marca. Dores em geral, principalmente cefaléias, ganharam destaque nos anúncios, com medicamentos como Cafiaspirina: "Se alguma dor o domina, tome Cafiaspirina".

A linguagem tenta se adaptar as “gírias” da época, observe no anúncio da Casa Di Lascio – Especialista em crianças: “para garotos levados da breca”.

No anúncio “Ponche de Sian” além de demonstrar a ilustração de “como” se identificava bronquite antigamente (era só encostar o ouvido nos pulmões e ouvir um miado de gato enquanto a pessoa respirava), a linguagem é simples e direta, tratando os problemas da bronquite, como o “catarro”.

A seguir ocorreu uma “chuva” de anúncios sobre os elixires que curavam todo tipo de doenças, de vermes de crianças e adultos.

Os anúncios continuavam expondo as situações constrangedoras de quem estava doente, mas agora de forma colorida. O anúncio de xarope grindélia contra a tosse ilustra isso claramente, não havia nada mais desagradável do que tossir sobre uma rapariga e foi essa a ilustração utilizada.

Uma chuva de anúncios sobre enfermidades femininas, chamadas normalmente de “moléstias de senhoras”, chega ao mercado. Nunca se viu e ouviu tanto sobre elixires que resolviam todos os problemas.

Por volta de 1929, aconteceu a crise mundial da bolsa. Havia depressão e desemprego por todo mundo. Isso atingiu até o Brasil. Foi então que os “publicitários” da época começaram a apelar para uma imagem que perduraria até os dias de hoje nos anúncios publicitários: a mulher!

Foi então que mais ainda se ressaltou a mulher. Descobriu-se que a beleza feminina atraia muito mais do que os homens velhos, pessoas doentes ou apenas a imagem do produto.

“Ser modelo” de algum anúncio na época, não era nada bem visto pela sociedade, ainda mais porque as mulheres da época eram sempre senhoras distintas. Tentaram utilizar a imagem da mulher “sensual” da época, ou seja, as mulheres “da vida”, dançarinas de cabaré, e aspirantes a “atrizes”.

Mas a proposta não deu certo, porque a imagem do produto que era destinado a “fina flor” da sociedade brasileira, começou a ser denegrida. O catolicismo era muito forte, a origem dos ensinos de 1500, repassado aos índios e a cultura portuguesa, mantinham uma busca por imagens consagradas, pelo menos “em teoria”.

As damas e senhoras beatas, que tinham nas suas tardes, o prazer de ira até a igreja rezar uma novena, não gostaram nenhum pouco deste tipo de anúncio.

Então as agências começaram a comprar fotografias de mulheres em Nova York, mas todas eram louras. Havia uma necessidade de morenas nos anúncios, então se colocou uma um anúncio no jornal Estado: “jovens bonitas, morenas, para trabalho fácil e bem pago”. No dia seguinte apareceram algumas jovens “em secreto” para saber qual era o trabalho.



Mas então, com maridos desempregados, crise familiar, pobreza e fome, os pais começaram a “permitir” que suas filhas fossem desenhadas ou fotografadas para os anúncios. Pode ser observado no anúncio do sabonete Aristolino uma jovem de família e até mesmo senhoras distintas e idosas começaram a aparecer, como exemplo, o anúncio do elixir Manet.

Sendo assim, houve uma procura da parte das mulheres para “aparecerem” nos anúncios. As mulheres gostavam de se parecerem com aquelas “damas” e os homens ficavam literalmente atraídos por elas.

Como a fotografia “passou” a ser mais liberal, pois antes só deveria ser tirada em família, etc...

Surgem no mercado os primeiros profissionais de fotografia anunciando seus serviços.

Nesta época também os anúncios eleitorais começaram a aparecer. Obvio que a maioria se tratava de panfletos da classe proletária, dos trabalhadores, que sempre eram injustiçados pelas grandes fábricas.

Na época de 1930, instalava-se no Brasil o primeiro escritório da J.Walter Thompson, vindo para servir a conta da General Motors.

Mesmo com a crise de 29, a publicidade se desenvolve a passos largos, aparecem os painéis de estradas, o outdoor, os anúncios em revistas e jornais tornam-se mais sofisticados, slides coloridos em lâminas de vidro são exibidos nos cinemas e programas e jingles para as rádios são criados dentro das agências.

Os outdoors ou painéis de estrada eram bem focados, pois sempre traziam anunciantes como Ford, Chevrolet, Goodyear, Pirelli, Essolube, Texaco, e outros, ou seja, focados em clientes que dirigiam e precisavam de postos de gasolina, pneus, carros, etc...

As pesquisas de mercado para conhecer o consumidor e seus hábitos tornam-se cada vez mais importantes.

Também nos anúncios desta época pode ser observada uma competição entre a concorrência, muito cautelosa, logicamente, mas já nota-se que uma empresa esperava o anúncio com a frase referente a outro produto, só para criar um melhor.

Exemplos:

FORD: “Oferece mais pelo seu dinheiro”

CHEVROLET: ”Existem novas características que só a Chevrolet oferece”

FORD: “Em qualquer época um Ford sempre vale mais”

CHEVROLET: “Mas acontece que Chevrolet é o carro número 1 em aceleração, economia, força e vendas”.

Nos anos 1930, um novo e importante componente modificou a vida dos brasileiros: o rádio. Dez por cento de sua programação era constituído de propaganda comercial. O alcance era imenso e o consumidor em potencial não precisava ser letrado, como o leitor das revistas, acostumado aos longos textos dos anúncios impressos.

O rádio aparece e cresce rapidamente a partir de 1931, quando o governo federal passa a conceder para a iniciativa privada a exploração do sinal de rádio, as agências passam não só a confeccionar jingles e publicidades para as rádios como também produzem os programas que são patrocinados por grandes empresas, como o Repórter Esso.

Neste período, de 40 a 60% do capital destinado à publicidade, pelas empresas, é aplicado no rádio na forma de publicidade e/ou de patrocínio de programas. Os principais anunciantes são lojas de departamentos, restaurantes, lanchonetes, xaropes, remédios e produtos alimentícios.

Nesta época tem-se um marco privilegiado, que é a fundação, em julho de 1937, da ABP – Associação Brasileira de Propaganda –, primeira entidade criada no país com o fim de desenvolver a propaganda e de defender os interesses das atividades e dos profissionais do setor.

Nos anos 40, com a Segunda Guerra Mundial, acontece um decréscimo no movimento de anúncios criando uma crise no setor da publicidade. O tema da guerra começa a ser observado nos anúncios.

Como exemplo o anúncio da Texaco, envolvido por ilustrações da guerra.

A Philco fazendo menção à guerra em suas frases, juntamente com a propaganda da Zenith, dando importância ao rádio e sua comunicação na guerra. O anúncio é todo ilustrado por aviões de guerra.

Mas nem toda publicidade é deixada de lado, ou somente faz menção a guerra, a cerveja Brahma já exibia seus copos cheios e gelados, utilizando-se de frases como: “Sabor extra, prazer extra”.

O anúncio de Melhoral utilizava-se de fotografias e “saudações cordiais”.

A publicidade passa a se recuperar somente a partir de 1945. O rádio ainda é principal veículo de propaganda, por isso os anúncios para vender seus aparelhos não podiam ficar de fora. A música era uma forma de se distrair dentro de tantos problemas mundiais e os anúncios faziam menção a distração dos reis, príncipes e princesas, que eram os trovadores (viajavam de castelo em castelo, cantando e transformando tudo em festa.)

No rádio, as radionovelas, programas de auditório, humorísticos e radiojornais são os programas que mais recebem patrocínio de grandes empresas.

Mesmo se aproximando dos anos 50, ainda existiam anúncios em preto em branco e com apenas ilustrações. Alguns possuíam apenas o nome da empresa ou produto e nem continham ilustrações.

Observam-se alguns exemplos como: Chá Lipton, dizendo ser o melhor do mundo em um anúncio branco e preto e com apenas ilustração do produto.

Café e açúcar União, nota-se que a palavra aSSucar é escrita com 2 SS, também quase na década de 50 e ainda mantinha seus anúncios preto e branco, com nenhuma ou apenas uma ilustração muito pequena.

A Antarctica lança no mercado a Malzbier, em anúncio preto e branco e o produto é ilustrado.

Nesta época os elixires e remédio já estavam consolidados, mas ainda apareciam no mercado anúncios bem simples em branco e preto com apenas a ilustração do produto, como o elixir Nogueira que afirma “ter 62 anos de sucesso”, mas mantém seu anúncio sem um bom investimento.

Não se pode deixar de englobar esta data de 40-50 com um pouco mais de profundidade, pois foi o período da segunda guerra mundial, mas o país não estava assustado, pois a propaganda continuava a aparecer.

Hoje quando analisamos este período, temos dificuldades para situar com clareza os problemas então surgidos. Foi um período amplamente paradoxal:

- Se por um lado houve um decréscimo no movimento de anúncios, provocado pela guerra e trocas comerciais, por outro se observa um redobrado esforço para ampliar os horizontes da propaganda.

O rádio continuou, e as radionovelas também, todas patrocinadas por uma empresa ou produto.

O Sabonete Lux distribuía fotografias de atrizes americanas, pois “nove entre dez estrelas, preferiam Lux” (que na época era chamado de Lever).

Os slogans famosos começam a aparecer nesta época. As rimas eram imperdíveis:



- “É mais fácil um burro voar, do que a esquina da sorte falhar”;

- “Com guarda-chuvas Ferretti, pode chover canivete”;

- “Magnésia leitosa, gostosa fiel. Magnésia leitosa de Orlando Rangel”;

Realmente pode-se ver que muitos produtos não duraram e também muitos slogans vieram a ser esquecido durante toda a história da publicidade.


Como o exemplo já citado “se é Bayer é bom”, aqui poderá se observar vários slogans que antes ou a partir desta época ficaram famosos e guardados no coração ou nas mentes dos consumidores:
Quem conseguiu desde esta época de 40, marcar várias gerações de consumidores foi Monteiro Lobato, que é um exemplo de escritor e que se tornou autor de anúncios publicitários.

Foi ele que transformou o fortificante Biotônico Fontoura em um marco na história da propaganda de medicamentos brasileira.

Verdadeira obra prima da propaganda de medicamentos brasileira, Jeca Tatuzinho foi criado por Monteiro Lobato para Biotônico Fontoura, cujo slogan era "o mais completo fortificante".

Tatuzinho era um personagem fraco, amarelo, que ao tomar o fortificante ficava saudável.

O sucesso foi tão grande, que Lobato passou a divulgar as virtudes do Biotônico Fontoura.

Monteiro Lobato chegou a abrir mão de Jeca Tatuzinho criado para seu amigo Cândido Fontoura, como gratidão pelo fortificante ter feito bem à saúde do escritor.

O personagem ficou famoso e a marca não menos conhecida e consumida durante gerações. O que Monteiro Lobato fez pela propaganda de medicamentos, principalmente para o Laboratório Fontoura, é um verdadeiro patrimônio histórico. Biotônico Fontoura ainda existe e faz propaganda.
A consolidação da sociedade de consumo acontece a partir do pós-guerra e durante toda a década de 50, multiplicando produtos como veículos, eletrodomésticos, refrigerantes, confecção e fazendo surgir os crediários que facilitam as compras, promovem o crescimento da produção e do consumo.

Em 1950, o Brasil recebe a sua primeira emissora de TV, a Rede de Televisão Tupi de São Paulo, pioneira na América Latina e sob o trabalho de Assis Chateaubriant. Além de ser o marco para o país era também o marco para a Publicidade Brasileira, a TV trouxe ao Brasil a evolução na arte de vender.

Com a chegada da TV, inicia-se a discussão sobre estratégias de marketing como propaganda, promoção e pesquisa de mercado para atingir as metas de vendas dos fabricantes, foi uma virada para as Agências e todo o mercado publicitário brasileiro.

Os gigantes do Rádio foram levados a TV, locutores viravam apresentadores com os programas de auditório, e surgindo também as garotas propagandas. A publicidade estava em todos os lugares na TV.


A partir de 1950, com a chegada da televisão, os anúncios tornaram-se ainda mais voltados para a razão de compra. A criatividade era deixada de lado, e somente usava-se o benefício como estratégia de venda.

Os anúncios nesta época eram principalmente de eletrodomésticos, produtos para as donas-de-casa, alimentos e para os homens só existiam barbeadores, carros e produtos para os carros automóveis.

Observe o anúncio para rádios e televisores da Graets. O interessante neste anúncio, é que ele já vinha com o nome e endereço da loja onde poderia ser comprado o produto.

Já no anúncio da Nestlé, com o lançamento do produto Milo, observamos crianças de divertindo e um texto gigante que se resume em explicar as mães, se elas querem ver seus filhos brincando daquele jeito, então deveriam dar a eles o produto Milo.

Para as donas de casa podemos observar o segmento de eletrodomésticos e desde aquela época a Walita já investia muito em seus anúncios. A Walita revolucionou, pois a empresa posicionou seus anúncios de forma incrível. Logo algumas inovações começaram a surgir na propaganda, como os barbeadores da Gillette. Os anúncios eram praticamente voltados aos homens que deveriam se barbear facilmente, gostariam manter a higiene, de estar com boa aparência para as mulheres, ou de ganhar um melhor emprego, mas o sucesso mesmo foi com os anúncios voltados a “barbear-se para as mulheres”, tanto que a técnica é utilizada até os dias de hoje.
Gillette: higiênica

Naquela época todos os homens se barbeavam nos chamados barbeiros. Lá era utilizada uma mesma lâmina, a famosa navalha, para todos os clientes. Então este anúncio de Gillette apela para a higiene em ter sua própria lâmina.


Gillette: melhor emprego

A Gilete não propunha um emprego extraordinário, mas mostrava aos operários que a boa aparência poderia trazer benefícios.

Diferente do que imaginamos, os operários e construtores da época, não cuidavam da aparência, eram barbudos e com pouca higiene. A Gillette vinha tentar mudar esta cultura.
Gillette: a boa aparência

Os anúncios voltados para a boa aparência foram muito fortes, mas não cresceram sozinhos, pois não tinham tanto poder quanto os anúncios atuais, onde foram unidas junto à propaganda com mulheres. Um anúncio diz que “Gillette é a única maneira de fazer a barba perfeita”, enquanto que outro dizia “Faz a barba com maior suavidade e rapidez”.


Gillette: a boa aparência para as mulheres

O anúncio devido às rigorosas leis de ética e moral da época era totalmente implícito. A linguagem “faça a barba para agradar uma mulher” jamais poderia ser utilizada. E se fosse, não seria aprovada. Mas o interessante é que o homem naquela época não fazia a barba para agradar a esposa. Então realmente esta linguagem não interessante, era sim para agradar outras mulheres, as amantes.

Na época eram comuns homens casados freqüentarem os cabarés e conhecerem várias outras senhoritas, como as dançarinas. Isto fazia parte da cultura, a ponto de vários homens casados reuniam-se nestes locais e manterem segredo de suas aventuras.

O homem solteiro da época deixava bigode ou até mesmo um cavanhaque para mostrar que já não mais um rapazinho, ele queria parecer um homem mais maduro e não tinha interesse pelos produtos como Gillette.

Dentro desta viagem histórica, observe estes anúncios de Gillette, mostrando imagens de cantoras e dançarinas de cabaré e sempre utilizando a frase: “Todas por uma, todas número 1”, realizando um paralelo entre a imagem das dançarinas e a Gillette, que possuíam as lâminas iguais.
Os anúncios de carros também eram voltados para os homens e foram os mais apreciados. Homens até recortavam estes anúncios com as imagens dos carros para tê-las, mesmo que desenhadas, guardadas consigo.

Daí surgiu à idéia dos pôsteres com fotos de carros, para se colocar na parede, afinal dentro de tantos milênios, faz pouco mais de 100 anos que o automóvel apareceu na história da humanidade. Observemos alguns anúncios:


O automóvel que a família precisa

Estes anúncios foram realizados para seguir os rapazes que tinham seus carros pequenos e apertados, mas agora se casaram e tiveram filhos, portanto precisavam de um carro que coubesse toda família e mais ainda, todas as bagagens da família. Um anúncio do DKW – “Mais largo, mais comprido, e mais confortável”. Sem esquecer obviamente da imagem da família junto ao automóvel.


O automóvel que suporta qualquer terreno

Sabe aqueles anúncios que vemos hoje de automóveis para aventuras entre amigos, ou para carregarem algo pesado, em terrenos acidentados? Pois então, o precursor destes carros foi o JEEP DKW. O anúncio já dizia tudo “suporta qualquer terreno”.


Não se pode esquecer dos produtos para carro. É claro que na época não havia materiais de tunning, luzes néon nem tapetes ou pedais personalizados. Estamos falando dos produtos como óleo para motor e lubrificantes.

A Esso lançou diversas campanhas anunciando os seus produtos. Esso Extra Motor Oil, foi um grande sucesso de vendas. Sempre havia um vendedor, anunciante ou comprador, representado na figura de um homem “falando através de balões”, dizendo os benefícios que o produto traria ao automóvel, etc. Observe neste anúncio também o aparecimento dos primeiros mascotes nas campanhas.

Mas não é porque a maioria dos anúncios desta época somente tratava de eletrodomésticos, alimentos, carros, produtos para carros e Gillette, que outros anúncios não tinham mercado. Pelo contrário, os sabonetes, por exemplo, vem desde longa data. Os primeiros anúncios de sabonetes apareceram por volta de 1900.

A Lux foi uma das empresas que conseguiu manter o mesmo apelo por muitos anos. Já foi visto que realizava campanhas de marketing distribuindo fotos das atrizes famosas de 1940. Mas os anos se passaram e apenas as atrizes foram sendo trocadas. Por volta do 1960, uma das atrizes da época era Jane Fonda e o mote era o mesmo utilizado até hoje: “09 entre cada 10 estrelas usam Lux.”


Neste momento da história, entre 1950 e 1960, um bom profissional de criação chegava a trabalhar para diversas agências ao mesmo tempo, e uma mesma agência podia fazer a campanha política de diversos candidatos.

O crescimento econômico e industrial do país refletia-se no crescimento das agências e do mercado de publicidade e propaganda.

Quanto à televisão, apesar de ter surgido no país em 1950, não era ainda considerado um veiculo de massa.

Inicialmente, os anúncios eram transmitidos ao vivo, inclusive com todos os erros das garotas propaganda e só em 1960 começou-se a usar o videoteipe.

Mas foi a partir de meados dos anos 1970, como conseqüência do “milagre econômico”, que a televisão se tornou um bem efetivamente presente nas casas dos brasileiros.

A TV Tupi apresentava uma vedete em programa infantil, no qual saía de dentro de uma árvore vestida de coelho e cantando: "Eu sou o coelhinho da Phillips ..."

A Bayer foi a pioneira em fazer sucessivas campanhas, todas compostas de muitas peças.

Os produtos anunciados viravam brindes para o auditório, centenas de produtos eram anunciados por artistas e apresentadores, as vitrines se sofisticavam para atrair mais ainda os consumidores. Grandes empresas e os grandes anúncios se multiplicavam, como por exemplo, a Coca-Cola.

Surgiu a era dos comerciais ao vivo, eles adaptavam o modelo estrangeiro ao modelo brasileiro, mas também era em que as demonstradoras (garotos-propagandas) fizeram um rápido sucesso. Rápido porque em breve surgiriam os problemas. Muitas vezes na demonstração do produto algum imprevisto ocorria e as apresentadoras geralmente não sabiam como reagir e tal situação levava todo um trabalho de convencimento do público sobre o produto por água abaixo.

Fundou-se em 1951, pela necessidade de formar profissionais da área, a primeira Escola Superior de Propaganda. Com professores escolhidos entre os profissionais mais qualificados e empenhados a orientar e visar o lado prático. Com tudo isso, a escola formou incontáveis publicitários.



Os bons em criação eram poucos, então tinham que trabalhar horas após o término do expediente. Muitas vezes, várias agências utilizavam o mesmo redator, outra competição, 15 agências em que 13 apresentavam layout do mesmo artista. Mesmo na política, o mesmo publicitário fazia a campanha de vários e principais candidatos.







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