História da riqueza na economia cafeeira brasileira: a família Arruda Botelho. 1854-1901



Baixar 88.09 Kb.
Encontro28.07.2016
Tamanho88.09 Kb.
História da riqueza na economia cafeeira brasileira: a família Arruda Botelho. 1854-1901.
Maria Alice Rosa Ribeiro*

Cristina de Campos**


As primeiras manifestações de uma economia agrário-industrial na capitania de São Paulo datam do final do século XVIII. Tal iniciativa fazia parte do plano de recuperação da economia colonial, engendrado pelo Marquês do Pombal, responsável pela direção do governo metropolitano de Portugal, o qual o Brasil estava subjugado. Em conformidade a este deste projeto, a introdução da cultura da cana-de-açúcar na capitania de São Paulo foi realizada entre as vilas de Itu e Jundiaí. A lavoura da cana-de-açúcar e os engenhos para o seu processamento espalharam-se com facilidade por toda a capitania, provocando a expansão da fronteira agrícola paulista, sendo incorporadas à região de Itu e Jundiaí outras vilas como Mogi Mirim, Piracicaba, Araraquara, Franca e Capivari (RIBEIRO, 2009).

O açúcar se espalhou com facilidade pelo território paulista, tanto que PETRONE (1968) o dividiu em duas regiões produtoras de açúcar: as de “serra acima”, situadas no Vale do Paraíba em direção ao Rio de Janeiro, compreendendo cidades como Guaratinguetá, Mogi das Cruzes, Jacareí, Taubaté e Pindamonhangaba; a segunda região, na divisão da autora, situa as terras do sertão, localizadas no planalto paulista entre os rios Mogi-Guaçu, Piracicaba e Tietê, entre as cidades de Sorocaba, Piracicaba e Jundiaí. Esta área mais tarde se consolidaria como o maior produtor de açúcar paulista, ficando conhecida como o quadrilátero do açúcar (PETRONE, 1968).

Os fazendeiros por trás dessas unidades de produção açucareira foram os primeiros membros definidores da elite paulista ente os séculos XVIII e XIX, composta por senhores de engenho com mais de 40 escravos e proprietários de grandes extensões de terras, dotadas de matas e veios de água suficientes para o cultivo da cana e a fabricação do açúcar (BACELLAR, 1997). O acesso à terra desses senhores de engenho ocorreu por duas vias. A primeira geração de fazendeiros ocupava as terras em grandes extensões e depois, requeriam junto à Coroa Portuguesa a posse legal daquelas terras, geralmente obtidas por cartas de sesmarias. A geração seguinte destaca RIBEIRO (2009), viabilizou o acesso à terra por outros meios, seja através da compra, da herança ou pela simples posse. Deve-se destacar ainda uma terceira forma. Muitas vezes, o acesso a terra era viabilizado pela Coroa, como uma forma de reconhecimento aos serviços prestados, sobretudo, por oficiais militares, motivo do recebimento da Carta de Sesmaria. Tal é o caso dos Arruda Botelhos, família alvo de nossas reflexão, cujo primeiro acesso a terra foi garantido por meio do mecanismo acima explicitado.

Para esta ponencia, vamos fazer esta brevíssima recapitulação dos primórdios da economia açucareira paulista com destaque para os elementos relevantes para entendermos os novos padrões de acumulação e diversificação de atividades verificadas entre as famílias paulistas, no período de 1850 a 1901. Dentre estes elementos destacamos o grande latifúndio de terras, que foi a base para a acumulação de capital e também, a preocupação que esta elite embrionária tinha em legar seus bens às gerações futuras (BACELLAR, 1997). Muitas dessas famílias ligadas à produção açucareira passaram a se dedicar, em meados do século XIX, ao cultivo de um produto que se mostrava mais promissor que o açúcar. A boa aceitação do café no mercado internacional fez com que, aos poucos, os produtores dessem preferência ao seu cultivo , ao mesmo tempo em que novas propriedades eram abertas para o seu plantio1.

Muitos são os autores que destacam os impactos da exportação de café na economia da província de São Paulo, como o melhoramento das estradas de rodagem, do porto de Santos e da abertura da primeira ferrovia em solo paulista, a São Paulo Railway Company, construída com o fito de fornecer transporte rápido para a produção de café entre o planalto paulista e a baixada santista (PETRONE, 1968; SINGER, 1974; CYRINO, 2004). Tais reflexos foram sentidos na própria capital da província que, nas décadas de 1870 e 1880, passa por uma série de melhoramentos em suas estruturas físicas, durante as administrações de João Theodoro e Conselheiro João Alfredo: reestruturação do sistema viário com abertura de ruas largas, construção de um novo sistema de abastecimento para a cidade e a inauguração de um novo espaço de lazer, os jardins da várzea do Carmo (OSEKI, 1992). Estes melhoramentos urbanos ocorreram justamente para adequarem a cidade aos novos habitantes e serviços que se instalaram na província a partir da década de 1860, tais como profissionais liberais, fazendeiros que fixaram residência em São Paulo, casas comissárias e comerciais e outros serviços que objetivavam oferecer suporte as atividades econômicas desenvolvidas no interior da província.

Estes exemplos deixam evidente que a economia cafeeira possuía condições para gerar um aparato capaz de lhe proporcionar sustentação. Além de se auto-sustentar, a economia cafeeira se mostrava capaz de gerar investimentos em outros setores e, assim, potencializar o processo de acumulação desses cafeicultores paulistas. Muitos desses capitalistas diversificaram seus rendimentos conseguidos com o café partindo para outras atividades como, por exemplo, a formação de companhias privadas (saneamento, transportes, indústrias)2, bancos e casas comissárias, por exemplo.

O que nos interessa, neste trabalho, é analisar como que ocorreram estas diversificações de capital, ou melhor, como que determinados grupos familiares passaram a diversificar os investimentos conseguidos com o café, e assim, aumentaram suas fortunas. Para tal intento, iremos concentrar nossos estudos em um grupo familiar específico, a família Arruda Botelho, cujas primeiras atividades estiveram ligadas à produção do açúcar e posteriormente, ao café. Com a fortuna acumulada com o sucesso do café, esta família diversificará seus investimentos atuando em outros negócios como empresa ferroviária, casa comissária e bancos.
Os primeiros negócios da família Arruda Botelho

Nas primeiras décadas do século XIX o cultivo da cana-de-açúcar era comum na região de Rio Claro. Os engenhos de açúcar ali instalados eram, porém, rudimentares em termos de técnicas produtivas, se comparados aos engenhos em funcionamento no nordeste brasileiro (DEAN, 1977:39). As formas de processamento da cana-de-açúcar na região foram trazidas por indivíduos vindos da região conhecida como quadrilátero do açúcar3. Após a subida da Serra de Rio Claro, os vastos campos que ali se espraiavam eram denominados como os Campos de Araraquara4. A instalação desses indivíduos nesta região, nas primeiras décadas do século XIX, foi devido ao recebimento de Carta de Sesmaria (CORRÊA, 1967 e GORDINHO, 2004).

Neste período, o pequeno vilarejo de Araraquara era considerado boca de sertão, último ponto antes de adentrar em terreno desconhecido. Muitos destes indivíduos, sobretudo, militares - em reconhecimento pelos seus serviços prestados a Coroa portuguesa – haviam adquirido terras nesta região. Uma das cláusulas do contrato de sesmarias, destaca SÁ NETO (2002), era a ocupação imediata das terras para que não perdesse a posse legal das mesmas. Este mesmo autor ressalta, contudo, que era a própria Coroa Portuguesa que estimulava a ocupação do território por meio de mecanismos de incentivo para aqueles que se predispusessem a abrir uma propriedade voltada para a lavoura ou à criação. Existiam duas vocações para as novas propriedades que proporcionavam a sua posse legal: a lavoura do açúcar, em voga no período, mas que demandava um contingente elevado de escravos para a sua manutenção; e as atividades pecuárias, mais viáveis e com um custo menor em braços para tocar o empreendimento.

Dentre os proprietários que investiram no estabelecimento de lavouras em suas terras está Carlos José Botelho (1778-1854), o Botelhão. Em 1815, coube a Carlos José a posse da Sesmaria do Pinhal, por herança de seu pai, Carlos Bartholomeu de Arruda Botelho5. A área da sesmaria era de 3 léguas de quadra. A posse formal da sesmaria de Carlos Bartholomeu, onde havia sido instalada uma fazenda de criação, ocorre com a abertura da Fazenda Pinhal. Para GORDINHO (2004:19), a posse desta sesmaria “era o primeiro passo que Carlos Bartholomeu dava para a instalação de bases sólidas para toda a família”. E, de fato o foi como pretendemos analisar ao longo deste trabalho.

A extensão de terras sob sua posse não se limitou a Sesmaria do Pinhal. Pouco depois, Carlos Bartholomeu adquiriu por compra do Cirurgião Mor Manoel Martins dos Santos Rego uma concessão de Sesmaria na mesma região. Neste mesmo ano de 1786, seu filho mais velho, Manoel Joaquim foi agraciado com uma terceira Sesmaria, de três léguas de quadra, também nos Campos de Araraquara (GORDINHO, 2004:23). Em 1795, Carlos Bartholomeu de volta a Piracicaba, requereu e conseguiu a Sesmaria do Bom Jardim do Salto, junto ao rio Piracicaba. Com todas estas terras, a posição social da família foi fortalecida e também estavam lançadas as bases pela qual a fortuna familiar prosperaria.

O pai adquiriu as terras, cabendo aos seus filhos efetuarem a posse das mesmas. A Sesmaria do Pinhal foi dada ao seu filho Carlos Jose, natural de Piracicaba, mas sempre residente em Araraquara. Para tomar posse de suas terras, Carlos José, o Botelhão6, instalou uma pequena lavoura e construiu sua casa de morada, cujas características arquitetônicas lembram outras da região de Itu e Piracicaba. Além dos afazeres na Fazenda Pinhal, o Botelhão, se envolveu com a política local, assumindo posição de destaque. Foi o primeiro presidente da Câmara de Araraquara (1833), delegado e inspetor de estradas (GORDINHO, 2004).

A dedicação à política não prejudicou a Fazenda Pinhal, cujas atividades agrícolas transcorriam normalmente. Para SÁ NETO (2002), foi por volta de 1816 que podem ter se iniciado o plantio da cana, sendo que em 1825 tenha ocorrido a instalação do primeiro engenho de açúcar. Na verdade, o registro forma da instalação do engenho está presente no inventário de Cândida Maria do Rosário, viúva de Carlos José, com data de 1844. Neste documento estão recolhidos os indícios mais significativos do engenho da Fazenda Pinhal: “uma morada de casas na Fazenda do Pinhal com engenho de moer cana onde se fabrica açúcar e aguardente com os seus utensílios” (ÓSIO IN: SÁ NETO, 2002:25).

Há indícios que o engenho da Fazenda Pinhal tenha funcionado até a década de 1850. Com o falecimento de Carlos José, a fazenda passa a ser administrada por um de seus filhos, Antonio Carlos de Arruda Botelho (1800-1901), personagem cuja trajetória nos negócios será aqui investigada.

Antonio Carlos de Arruda Botelho e seus irmãos estavam estabelecidos na cidade de Piracicaba. Antonio Carlos havia contraído matrimônio com a jovem Francisca Theodoro Coelho, filha do proprietário de terras e político Fructuoso Coelho. Na época que recebeu a convocação de seu pai, Antonio Carlos estava prosperando, desde 1850, nos negócios em Piracicaba como dono do seu próprio armazém de secos e molhados. Neste estabelecimento vendia “tecidos, ferragens, produtos de armarinho e papelaria, roupas, pólvora, utensílios domésticos (pratos e panelas de ágate e ferro, louças), sapatos (chinelos e botas), espoleta, chumbo, sal, vinho e manteiga importados, enfim todo o necessário para o abastecimento das fazendas da época”. Seus maiores compradores eram fazendeiros, que “compravam principalmente roupas e tecidos para si e para vestir seus escravos, além dos apetrechos de costura, sal e pólvora”. Em seus livros de contas dos anos de 1850 a 1853 constam os registros da instalação de uma padaria e gastos com pedreiros e transporte com padeiro (GORDINHO, 2004:38).

As atividades comerciais em Piracicaba são interrompidas em 1853, quando Antonio Carlos atende ao chamado de seu pai e se transfere para a Fazenda Pinhal, assumindo a mesma com o seu falecimento, em 18547. A partir de então, trata de administrar e expandir os negócios da família, sobretudo, com a compra das terras herdadas pelos seus irmãos. Assim como o seu pai, se envolveu com a política local, assumindo os postos de juiz municipal e presidente da Câmara de Araraquara (1857 a 1860), inspetor de instrução pública e inspetor de estradas (GORDINHO, 2004). Ainda interessado no comércio, montou em parceria com Francisco Jerônimo de Bitencourt a “Sociedade Comercial de Gêneros Nacionais e Estrangeiros”, que funcionou entre 1857 e 1860 na cidade de São Carlos8. Tal fato demonstra o senso de oportunidade de negócios de Antonio Carlos, que estabeleceu na recém-criada vila um ponto de abastecimento de gêneros de toda a natureza.

Na Fazenda Pinhal, Antonio Carlos intensificou as plantações de café iniciadas pelo seu pai na década de 1840, e também as atividades de pecuária, ficando em um plano secundário as atividades ligadas tanto ao cultivo da cana como à produção de açúcar/aguardente. O que acabamos de afirmar pode ser verificado no inventário de sua primeira esposa, Francisca Theodora Coelho, falecida em 1862. Neste documento não há menção as atividades ligadas ao açúcar na fazenda, o que não quer dizer que Antonio Carlos tenha abandonado o cultivo da cana. Pelo contrário, sabe-se que ele transferiu as atividades açucareiras para outra fazenda de sua propriedade, então recém-adquirida, a Santo Antonio. Nesta foram instalados, segundo GORDINHO (2004:61), uma plantação de cana e um engenho de açúcar, ficando na Fazenda Pinhal as atividades pecuárias (bovinos e suínos) e de lavoura, com o plantio do café. As atividades desenvolvidas tanto no Pinhal como na Fazenda Santo Antonio estavam voltadas ao mercado interno, desempenhando papel importante durante a Guerra do Paraguai para o abastecimento das tropas brasileiras acampadas na província de Mato Grosso, com o envio de carnes e derivados do açúcar.

Viúvo e com um filho pequeno para criar, Antonio Carlos se decide pelo segundo matrimonio, desta vez, com a filha de um importante proprietário de terras da cidade de Rio Claro, José Estanislau de Oliveira. O casamento com Ana Carolina de Oliveira, ocorrido em 1863, ou melhor, a união das duas famílias permitiu que Antonio Carlos galgasse novos patamares de riqueza não apenas na região, como na própria província de São Paulo.


A modernização da cafeicultura e a Companhia de Estrada de Ferro Rioclarense
Nas décadas seguintes ao seu casamento com Ana Carolina, Antonio Carlos aumenta seu patrimônio. Em 1876, forma a Fazenda do Lobo, herança de seu filho Carlos José, plantando 34.000 pés de café. Adquire e forma também, nas cercanias de São Carlos, mais duas fazendas, a Palmital e a Serra, em ambas investindo no plantio de café. Contudo, não era apenas o cultivo do café. Em seu estudo sobre a Fazenda Palmital, Rosane MESSIAS evidencia que esta unidade, aberta também em 1876, era um exemplo de fazenda mista, com “produção de café, milho, feijão [e criação] diversos animais para atender à demanda da fazenda”(MESSIAS, 2005:27-28). Este padrão se repetiria em suas outras propriedades, com o claro direcionamento as atividades cafeeiras.

Antonio Carlos investiu na produção de café em suas fazendas com a compra de máquinas de beneficiamento e outros equipamentos que auxiliavam no preparo do grão após a colheita. Na Fazenda Pinhal, onde a plantação de café não era tão expressiva (algo em torno de 80.000 pés), Antonio Carlos equipou a tulha da fazenda com uma máquina de beneficiamento das indústrias MacHardy e importou uma turbina para movimentá-la. Junto com a máquina de beneficiamento encomendou ao engenheiro Antonio Francisco de Paula Souza9, as vagonetas e trilhos do sistema Decauville, utilizados para o transporte do grão seco de café do terreiro até a tulha. Com base no livro de entradas e saídas de material Decauville de Paula Souza, referente ao ano de 1881, o então Barão do Pinhal havia feito uma aquisição no valor de 3:822$000 (CAMPOS, 2007:187). O material não era exclusivo da Pinhal, sendo distribuído para uso em suas outras fazendas.

Aliado ao seu sogro pode-se afirmar que era significativa a produção de café desta família, contudo, a falta de transportes eficientes nos Campos de Araraquara inviabilizava a produção do café na região. Ainda não servida pelas ferrovias (a ponta de trilho da Companhia Paulista era a cidade de Rio Claro), suas produções de Araraquara, São Carlos e Analândia eram escoadas pelas precárias estradas de rodagem, situação que era conhecida de Antonio Carlos, que como inspetor de estradas, elaborava melhoramentos pontuais. Nestas estradas, que após as estações chuvosas necessitavam ser refeitas, o transporte do café estava sujeito às intempéries climáticas e ao difícil transito por estas vias.

Projetos para a construção de linhas ferroviárias que conectariam a região à capital tramitavam no governo provincial, como o projeto do engenheiro Francisco Antonio Pimenta Bueno (1875). A especulação sobre a abertura de uma ferrovia ganhou novo impulso em 1877, quando a Companhia Paulista finalmente atinge Rio Claro. Pouco tempo depois, o governo provincial concede o direito de construir e explorar comercialmente uma linha entre Rio Claro e Araraquara aos engenheiros Adolpho Augusto Pinto e Luiz Augusto Pinto. Neste traçado, os trilhos partindo de Rio Claro passariam pela cidade de Itirapina, seguindo depois para São Carlos e Araraquara.

O traçado proposto na concessão dos irmãos Pinto, posteriormente da Companhia Paulista10, favorecia os produtores da região, entretanto, não satisfaziam o principal grupo familiar local: Oliveira e Arruda Botelho. O desvio para Itirapina não se mostrava favorável para as terras de Oliveira, situadas a mais de 30 kilometros dos trilhos da nova estrada. Este episódio é especialmente curioso, pela “habilidade” de Antonio Carlos em manipular a situação ao seu favor. Ocupando as fileiras da Assembléia Legislativa de São Paulo, desde 1864, como deputado pelo Partido Liberal, em 1880, Antonio Carlos chegou a presidente da Assembléia Legislativa. Esta posição certamente o auxiliou a tecer alianças políticas entre os deputados, para que o projeto de construção da nova linha da Companhia Paulista não fosse aprovado. Diante da não aprovação, a Companhia Paulista acaba por se desinteressar pela construção da linha, deixando o caminho aberto para que Antonio Carlos adquirisse, por meio de compra, esta concessão.

A concessão da linha ferroviária contemplando o traçado que margeasse a Serra de Corumbataí atingindo Analândia e depois São Carlos e Araraquara, foi finalmente adquirida por Antonio Carlos e familiares. Caberia também aos novos proprietários a organização de uma companhia para a construção da nova linha. A constituição da empresa ferroviária será um marco significativo, o avanço de um patamar de riqueza, que realçaria ainda mais o poderio econômico da família Arruda Botelho.

Nesta época, muitas companhias ferroviárias viabilizam seus empreendimentos beneficiando-se da política imperial de garantia de juros, uma medida que buscava incentivar o desenvolvimento das redes ferroviárias na província de São Paulo. Com o uso desta medida, os empresários tinham a garantia de 7% do capital investido da companhia assegurado pelo governo (5% do governo central e 2% do governo provincial). Muitas companhias anteriores e contemporâneas à Rioclarense como a Companhia Paulista (1868), Companhia Mogiana (1870) e Companhia Sorocabana (1870) fizeram uso desta medida para garantir a construção de suas linhas férreas.

Em uma manobra ousada Antonio Carlos, que desde 1879 era Barão do Pinhal, reuniu entre seus familiares de Rio Claro e outros produtores locais a quantia de cinco mil contos de reis e dispensou o auxílio da garantia de juros. Foi a primeira empresa ferroviária a ser construída nestes padrões (GRANDI, 2007). Tendo Antonio Carlos como presidente e seu sogro e cunhado como diretores, a companhia chamou para dirigir os trabalhos de projeto e construção da linha ao mesmo engenheiro Antonio Francisco de Paula Souza, que lhe vendeu as vagonetas do sistema Decauville. Outra referência de Paula Souza foi o seu trabalho na construção da estrada de ferro entre Campinas e Rio Claro, da Companhia Paulista11.

O uso de uma aparelhagem moderna permitiu que o levantamento da nova linha entre Rio Claro e Araraquara fosse feito em menos tempo, acelerando assim as obras. A contratação de Paula Souza foi em 1880 e em 1883 já estavam concluídos os levantamentos até a cidade de Araraquara. A linha foi entregue ao trafego de Rio Claro a São Carlos em 1884. GRANDI (2007:48-51) considera que a construção da Rioclarense trouxe impactos positivos para a região de São Carlos e Araraquara, os quais elencamos abaixo:

- reestruturação da economia agrícola local, com a especialização e a diversificação de produção de algumas cidades;

- desenvolvimento da agricultura de alimentos e da indústria de manufatureiros;

- mobilidade do trabalho livre e urbanização das cidades servidas pela linha;

- ampliação da rede urbana paulista.
Os benefícios para o grupo familiar liderado por Arruda Botelho também foram expressivos. A Rioclarense independente se ser uma empresa lucrativa, despertava o interesse de outros capitalistas e companhias ferroviárias, em especial, a Companhia Paulista. Cercada pelas demais companhias ferroviárias, suas chances de prolongamentos pelo assim chamado oeste novo ficaram limitadas. A solução seria a anexação dos seus trilhos com a Rioclarense, que a permitiria alcançar zonas novas e a habilitaria a disputar, com suas concorrentes, o caminho para o estado de Mato Grosso, tão cobiçado na época. A partir de 1888, a diretoria da Paulista, através de seu engenheiro do Escritório Central, Adolpho Augusto Pinto, irá começar um processo de negociação da venda da Rioclarense à Paulista (GRANDI, 2007). Outro grupo interessado em adquirir a companhia foram os ingleses, já possuidores do trecho de decida da Serra do Mar, a São Paulo Railway Company, estavam desejosos em ampliar sua atuação nas zonas novas (GRANDI, 2007).

GRANDI (2007:81) tece algumas considerações sobre a decisão de Antonio Carlos da venda da Rioclarense, mas afirma que a principal motivação teria sido “sua obstinação em aumentar seus rendimentos com sua principal atividade econômica, a cafeicultura”. Em 1889 finalmente a companhia era vendia ao capital inglês, passando a ser a The Rio Claro – São Paulo Railway Company. O pagamento à vista foi de £1.050.000.


Bancos, comercialização e expansão cafeeira
Após a venda da ferrovia em 1889, agora, Conde do Pinhal junta-se a outros fazendeiros de café e aproveitam a conjuntura favorável criada pela Reforma Monetária de 1888 para abrirem três bancos um, na cidade de São Paulo, dois, no interior em São Carlos do Pinhal e em Piracicaba. A política monetária do final do Império alterou as regras de funcionamento do mercado monetário e financeiro.

No banco fundado na capital paulista – Banco de São Paulo, entre os acionistas estavam Marques de Três Rios, Joaquim Egidio de Souza Aranha12, um dos capitalistas mais prósperos da Província de São Paulo. Ao falecer em 1893, o Marquês deixou uma extraordinária fortuna avaliada em 18.557:740$772 (dezoito mil quinhentos e cinqüenta e sete contos setecentos e quarenta mil e setecentos e setenta réis) (MELLO, 1985:164). O Marquês casou-se em segundas núpcias com, Anna Flora de Oliveira Barbosa, a viúva do Dr. Luiz José de Mello Oliveira, Barão de São João de Rio Claro e, mais tarde, Barão de Mello Oliveira, que era terceiro irmão da condessa do Pinhal e, portanto, cunhado do conde (MELLO, 1985:134; HOFFMAN, 2007:128-139)13. Outros acionistas eram também parentes do Conde do Pinhal, Estanislau José de Oliveira, Barão de Araraquara, seu cunhado, irmão mais velho da condessa, grande proprietário de terras, João Batista de Mello Oliveira, quinto irmão da condessa e Rafael Paes de Barros, Barão de Piracicaba, seu concunhado, casado com uma irmã da condessa. Além dos aparentados participavam do empreendimento bancário: Barão de Tatuí, Carlos Teixeira de Carvalho, José de Almeida Prado e Luiz Berrini (SAES, 1986:79). Diz o Diário Popular – Noticiário - Banco de Emissão que: (...) “resolveram a fundação do banco com capital de 10 mil contos, cujo fim é executar a última lei e regulamento de emissão” (SAES, 1986:79).

Na assembléia de instalação do banco que teve lugar na cidade de São Paulo nos fins de setembro de 1889 compareceram 147 acionistas, sendo eleita a primeira diretoria cuja presidência foi ocupada pelo Conde do Pinhal. Na mesma assembléia foram fixados os honorários da Diretoria 6:000$000 (seis contos de réis) por ano e, mais, uma gratificação mensal de 1:200$000( um conto e duzentos mil réis) para o Presidente e 1:000$000 (um conto de réis) para os demais diretores.(Diário Popular, 26/09/1889:2, apud SAES, 1986:79). O Conde do Pinhal ocupou a presidência do banco até seu falecimento em 1901.

Até 1887 funcionavam na Província de São Paulo 17 bancos, sendo 8 na cidade de São Paulo; 6 na cidade de Santos e 3 na cidade de Campinas. Na capital e na cidade portuária funcionavam bancos nacionais e estrangeiros. Já na cidade de Campinas funcionavam apenas três bancos nacionais: Banco Mercantil de Santos; Casa Bancária da Província de São Paulo e o Banco Comercial de São Paulo. Nota-se que o quadro bancário da Província já era considerável, principalmente, quanto à presença de bancos nacionais na cidade de São Paulo. SAES (1986) considera que as condições criadas pela Reforma Monetária de 1888 de Ouro Preto não tiveram impacto profundo na estrutura bancária, sua tese é de que ”a expansão bancária nada tinha a ver com a política monetária adotada no fim do Império” (SAES, 1986:79). Quando se observa o quadro bancário como um todo, numa dimensão macroeconômica, a tese tem fundamento empírico, porém, quando se volta para o plano microeconômico dos negócios particulares, observa-se que a política monetária do fim do Império foi um estímulo à entrada de novos empreendedores na abertura de instituições bancárias. É o caso do Conde do Pinhal que, naquela conjuntura, após a abolição da escravatura e com a expansão monetária promovida pela reforma, se vê atraído, como se vêem outros fazendeiros, a investir em uma atividade econômica completamente distinta da sua órbita de negócios. Além disso, o Conde contava com um elemento a mais gozando de liquidez, em decorrência da venda da empresa ferroviária aos ingleses. Aquele momento, influenciado por aquelas mudanças institucionais, foi essencial e pesou na decisão de mudança de rumo, de trilhar por novos setores da atividade econômica. De fato, a maior liquidez ou a expansão monetária propiciada pela reforma de 1888-9 liberou os capitais para novos negócios, traduzindo-se na entrada na comercialização do café com a criação da Casa Comissária Arruda Botelho Santos e na ampliação de sua base econômica territorial, com a expansão da cafeicultura, com a compra da Companhia Agrícola de Ribeirão Preto14.

Em 1889, a estrutura do sistema bancário da Província de São Paulo pouco se altera, com a fundação dos dois bancos o Banco de São Paulo e o Banco Provincial, portanto para SAES “é o movimento do próprio capital que vai constituir esses estabelecimentos”( SAES,1986:79).

O que chama a atenção no caso do Banco de São Paulo é a participação dos fazendeiros de café na fundação. O que se pode observar é que afora o Marquês de Três Rios que já atuava na atividade financeira com participação no Banco de Campinas, de vida fugaz, 1872-3 os outros diretores eram neófitos no negócio, assim como, o Conde do Pinhal. Parece que embora a política monetária dos fins do império não explique a construção do sistema bancário da Província, pois já estava formada anteriormente, ela, sem dúvida, teve um impacto sobre a origem dos novos empreendedores nas instituições bancárias. Até 1889, os bancos nacionais atuantes em São Paulo foram fundados, sobretudo por comerciantes que operavam na cidade de São Paulo e /ou de Santos. É claro que encontramos alguns fazendeiros, mas eles não tomam a dianteira dos negócios, por exemplo, a Caixa Filial do Banco do Brasil era dirigida pelo Barão de Iguape, que se distinguiu mais por ser um grande comerciante do que fazendeiro. Há ainda a presença de outros capitalistas da cidade de São Paulo, dois deles tinham lojas de fazendas (SAES, 1986:72-3). Fazendo uma rápida retrospectiva do sistema bancário paulista, vemos que até 1860 ele era quase inexistente, fraquíssimo contava apenas com um único estabelecimento – a Caixa Filial do Banco do Brasil. Na década de 1860 seguem a fundação de duas Casas Bancárias a de Gavião Peixoto e a de Theodoro Reichert. A casa bancária de Bernardo Avelino Gavião Peixoto distinguiu-se pelo poder de influencia junto à corte do Rio de Janeiro que dispunha Bernardo Gavião, e pelas transações de alto vulto que se envolveu. Entretanto, Gavião distinguiu-se por ser um dos grandes comerciantes de escravos, atuando na compra e venda de escravos interprovinciais, principalmente, nas transações entre as regiões nordeste e sudeste. A outra casa era do médico Dr. Theodoro Reichert de menor vulto que a primeira, era voltada para atender as necessidades de crédito de curto prazo da população da cidade de São Paulo. Fundada em 1864, realizava transações mais corriqueiras de desconto de letras, abertura de contas correntes garantidas, empréstimos sob penhor de ouro ou prata; recebimento de dinheiro a premio pelas taxas de 5% aa. pagável a vista; de 7%a.a pagável a prazo de 6 meses, e de 8% a.a pagável a prazo de 12 meses (Almanach Litterario de 1878:198).

Em 1885, há o que SAES chama de “investimento alternativo” realizado por grandes fazendeiros que vinham “urbanizando” seus investimentos com a fundação da Casa Bancária da Província de São Paulo, a mais importante instituição de crédito de São Paulo nos fins do Império. Organizada por dois sócios solidários, gerentes do London & Brazilian Bank em São Paulo e Santos, respectivamente Carlos P. H. Nielsen e Antonio Luiz Tavares. E mais um grande número de sócios comanditários que subscreveram 1.800:000$000 (um mil e oitocentos contos de réis). (SAES, 1986:77)

Esse movimento de busca de investimento alternativo por parte dos fazendeiro parece ter sido fomentado pela expansão monetária deflagrada pela reforma monetária de 1889. Muitos sócios da Casa Bancária da Província de São Paulo tais como o próprio Marques dos Três Rios, Barão de Piracicaba, João Batista de Mello Oliveira e Barão de Mello Oliveira foram os mesmos que se reunião ao Conde para fundar o Banco de São Paulo em 05 de outubro de 1889, que lidera a iniciativa.

A tese que se procura demonstrar é de que a formação do capital bancário paulista sem dúvida foi um desdobramento do movimento de acumulação de comerciantes e dos grandes fazendeiros de café, mas a política monetária do fim do Império não foi neutra em relação à expansão das instituições bancárias fundadas por fazendeiros. Nessa esteira encontram-se além do Banco de São Paulo, o Banco de Commércio e Indústria de São Paulo fundado em 1890 e capitaneado, novamente, pelo Marquês de Três Rios. O capital subscrito foi 10.000:000$000 (dez mil contos de réis) e capital pago 2.000:000$000,( dois mil contos de réis). Novamente entre os sócios constavam grandes fazendeiros como o Barão de Piracicaba, Rafael Paes de Barros, Antonio de Souza Queiroz e José da Silva Prado. Carlos P.H. Nielsen ex-gerente do banco inglês figurava novamente neste empreendimento que prometia dividendos de 12%a.a e abriu sede na cidade de São Paulo e filiais em Campinas e Santos (Almanach do Estado de São Paulo, 1891: 10).

Em 1891 o conde do Pinhal abriu outro estabelecimento bancário na cidade de São Carlos - o Banco União de São Carlos. Na gerencia do banco o conde colocou seu genro Firmiano de Moraes Pinto, casado com sua filha Candida. No mesmo ano, participou da fundação do Banco de Piracicaba, seguramente, aproveitando a conjuntura favorável de expansão monetária propiciada pela política monetária. Esses bancos localizados mais próximos dos fazendeiros facilitam as transações de depósito empréstimos junto aos fazendeiros da região do oeste paulista. Talvez este papel mais especializado e sua clientela mais restrita tenham sido a razão de sua curta duração, pois distintamente do Banco de São Paulo, que se tornou um próspero banco, aqueles sucumbiram à crise de superprodução de café de 1896 e sentiram mais fortemente o impacto da política monetária de contenção da emissão de moeda e de restrição do crédito de Joaquim Murtinho de 1896-1898. Diante dos percalços vividos desde 1896, o Banco União de São Carlos entra em liquidação, em 1902, por não poder cumprir seus compromissos com seus credores. Possivelmente, sucumbiu por assumir operações muito elevadas para o seu nível de captação em uma época de crise de superprodução e de declínio dos preços do café e, conseqüentemente, redução da renda gerada na economia (GORDINHO, 2004:89 e SAES, 1986:101) Sobre a falência ou liquidação do Banco de Piracicaba há poucas informações.

A mudança da política monetária efetuada no governo de Campos Salles por seu ministro da Fazenda Joaquim Murtinho limitou o crédito e com isso inviabilizou os excessos praticados pelos bancos na concessão de empréstimos, que somados a crise de superprodução definitivamente abalaram os bancos situados no interior com clientela mais restrita e dependente dos preços do café para manter seu nível de renda.

Afora os bancos, o outro empreendimento que evidencia o padrão de acumulação foi a abertura da Casa Comissária Arruda Botelho Santos. Diante de uma sociedade ainda pouco acostumada a tomar emprestado e a depositar em bancos, o crédito torna-se uma mercadoria escassa e, portanto, de elevado preço – medido pela taxa de juros – preço do dinheiro. Em que pese o avanço da estrutura bancária em São Paulo atingido na década de 1880 e nos início da seguinte, ainda a sociedade se ressentia da falta de crédito, principalmente entre os grandes e médios cafeicultores que se situavam num nível de consumo mais elevado e que aspiravam fornecer educação e arranjar bons casamentos para os seus filhos. As dificuldades na cafeicultura eram de que não bastava plantar, colher e beneficiar o café era preciso comercializar e aguardar um bom momento para efetuar sua venda. Assim, há no movimento da atividade um período que se gasta muito e entra poucos recursos. Na ausência de crédito para financiar os gastos de consumo, de custeio e de investimento, o fazendeiro dependia do comerciante do café que lhe adiantava recursos monetários para fazer face às despesas. O fazendeiro se comprometia enviar o café depois de colhido para o comissário, geralmente, estabelecido no porto de Santos. Logo, o mercado para os comerciantes de café que realizam o financiamento da safra e compram o café torna-se promissor. Normalmente, os comissários ofereciam adiantamentos para produtores que comprometiam a entrega da safra futura, que ainda estava na lavoura. Portanto, a garantia do adiantamento ou empréstimo era o café que ainda estava no pé, não colhido. Qualquer infortúnio na colheita representava um desastre, pois o fazendeiro já se encontrava endividado. A gerência da casa comissária, o Conde entregou para um sobrinho Joaquim de Meira Botelho, filho do seu irmão com quem mantinha contato mais freqüente, Joaquim de Meira Botelho. A casa comissária foi um empreendimento articulado a outros negócios do Conde. Assim ela exercia na verdade papel de captadora de recursos para os bancos, no caso em tela para o Banco de São Paulo e Banco União de São Carlos.

A casa comissária financiava o fazendeiro por meio de créditos em conta-corrente, assim o comissário extraída uma parte do lucro com a comercialização do café. O comissário remunerava-se com a venda do café e com os empréstimos a juros feitos aos cafeicultores dominava dois pontos do fluxo dos negócios. A Casa Comissária Arruda Botelho assegurava adiantamentos na forma de mercadorias, fornecia gêneros aos fazendeiros e pagava suas contas. Já vimos que o Conde, desde o inicio de suas primeiras atividades, com o armazém de secos e molhados em Piracicaba e em São Carlos, tinha grande habilidade comercial, tinha o que comumente se chama de “tino” para o negócio. Vislumbrava negócios com muita facilidade, assim, foi com a Guerra do Paraguai que aproveitou da localização estratégica da Fazenda do Pinhal para torna-se fornecedor de gêneros para as tropas. O mesmo se verifica na formação da Casa Comissária, quando escreve cartas aos fazendeiros da região de Araraquara, São Carlos, Brotas, Rio Claro, comunicando seu interesse em intermediar a comercialização do café. Como conclui GORDINHO, o Conde “conseguiu estabelecer uma ampla rede de fornecedores de café, principalmente entre os beneficiados pela estrada de ferro por ele construída” (GORDINHO, 2004:91). A ferrovia e a capilaridade de seus ramais, que ligavam a fazenda ao seu leito principal, cumpriram papel essencial em “catar” o café nas diversas fazendas da região e colocá-lo nos armazéns em Santos, a espera da venda e, finalmente, do seu embarque para o mercado internacional.

No inventário post mortem do Conde, em 1901, é possível perceber que a Casa Comissária comercializava todo o café produzido pelas fazendas da família Arruda Botelho e atendiam as encomendas enviando as mercadorias necessárias para o dia-a-dia das fazendas, desde produtos de uso pessoal até para o consumo da fazenda, dos colonos, e máquinas e ferramentas, sacos para embalar o café etc. Por meio da correspondência entre a Casa Comissária e os fazendeiros e gerentes de lojas é possível verificar as variadas transações realizadas desde encomendas de bacalhau, vinhos do Porto, azeites, vestidos, sabonetes, louças importadas até ferramentas, peças de reposição de máquinas etc.

A diversificação dos negócios do Conde, com investimentos nos bancos e na casa comissária realizados nos anos de 1889 e inícios dos anos de 1890, não significou o abandono da produção cafeeira, ao contrário, houve expansão da lavoura por meio da compra da Companhia Agrícola de Ribeirão Preto. Com os recursos recebidos da venda da ferrovia Rioclarense, o Conde pode mobilizar uma parte para realizar essa transação. A Companhia Agrícola de Ribeirão Preto era uma vasta propriedade situada nos limites dos municípios de Ribeirão Preto e Cravinhos com 2 milhões e quinhentos pés de cafeeiros. A área total da companhia era de 6 mil hectares, dos quais metade é ocupada pela cultura do café e a outra por pastagens, matas e invernadas e empregava em torno de 5 mil trabalhadores na sua maioria italianos. A Companhia organizava-se em seções, denominadas Toca, Monte Belo, Monte Parnaso, Lagoa, Tibiriça, Matão, Santa Fé e Engenho, que se comunicavam com a administração geral localizada na seção principal denominada “Ximborazio” ou Chimboraso. Os trilhos da estrada de ferro Mogiana atravessavam de ponta a ponta a empresa, totalizando 20 quilômetros. Perfeitamente organizados, com material rodante e vagões, os caminhos de ferro percorriam o perímetro da propriedade, facilitando a condução das sacas de café produzidas pelos milhões de pés da rubiácea. Havia ainda grande número de gôndolas e dois carros de passageiros. Três tipos de locomotivas estavam em operação na empresa: (...)”Alfa, a menor usada em manobras; Omega, para o transporte do café da roça e a Chimborázio, a mais possante para o transporte do café beneficiado para a Estação da Cia. Mogiana.”(Brazil Magazine, 1906)

Duas estações estavam localizadas nas suas terras: Cravinhos e Tibiriça. A correspondência entre a casa comissária e a companhia, em especial, nos comunicados de remessas de sacas de café, permite verificar o embarque de café por uma e outra estação. A fundação da companhia nos lança, novamente, ao ano de 1888, quando um grupo de comerciantes e financistas do Rio de Janeiro decidiu fundar a companhia com os recursos desmobilizados do comércio de escravos, em função da Abolição da Escravatura. A companhia foi organizada dentro de princípios “modernos” das grandes empresas em seções, onde o trabalho era melhor controlado e uma seção central, que orientava e supervisionava as demais. Os capitalistas fluminenses mantiveram o negócio até 1891-2, quando em decorrência do Encilhamento se viram obrigados a se desfazer da companhia que foi, então, vendida para o Conde do Pinhal. Na administração da companhia, o conde colocou seus filhos Carlos Amadeu, Carlos Américo, como diretores, e Carlos José, seu filho mais velho, como gerente. As correspondências entre o Conde e os filhos, em especial, com Amadeu atestam as preocupações que norteavam o Conde. O objetivo da compra daquele enorme empreendimento, a carreira profissional e autonomia dos filhos:


(...) A respeito do último tópico da sua carta eu devo dizer que estou bem certo de que você e mesmo Carlos não permanecem nessa fazenda por satisfação e prazeres.
O Carlos tem consumido aí quase três anos com abandono de seus interesses e parece que com o fim de auxiliar-me ou poupar-me ao sacrifício que minha saúde não comporta.
Você eu mandei para aí em companhia dele, para praticar e preparar-se a fim de assumir o seu lugar no fim do corrente quando ele deixará. Eu comprei esse estabelecimento quando já tinha largado o Palmital, Santo Antônio e Serra o que prova evidentemente que eu não queria mais ocupar-me do serviço de lavoura; mas comprei essa Companhia por me parecer que era bom negócio para os filhos e só para eles, porém vejo que eles não desejam tomar a sua administração diretamente como a Companhia está constituída. Assim sendo eu não duvido dela ser administrada senão for pessoa interessada no zelo da propriedade e no empenho de gerir a minha vontade. E por este motivo que vos coloquei aí como bem sabes; agora eu entendo que deve prestar esse serviço a todos os irmãos interessados na fazenda e a mim como para evitar as minhas fadigas, o fará, porém se entende que para isso eu devo segregar os meus diretos de intervir na direção geral dos serviços e na parte econômica, eu vos declaro que serias o primeiro homem que gerisse o que é meu em qualquer ramo que seja com anuência de minha suprema direção. Acredito que viemos bem mesmo por que vejo a vossa diligência e mesmo por que não será dito que suas aspirações chegaram ao ponto de pretender excluir-me da direção de minha propriedade. (Carta do Conde do Pinhal para seu filho Amadeu. São Paulo, 6 de outubro de 1898)
Outra preocupação recorrente era com o clima, as chuvas, estado das plantações, da colheita.
(...) Respondendo a vossa carta de 20, comunico que recebi. Digo-vos que a minha colheita aqui já terminou e amanhã puxa-se o último café da roça.

Aí quando se acaba? Quantos dias têm chovido? Aqui varou o tempo hoje e parece com jeito de durar.

É preciso muito cuidado com o café do terreiro que apanharam chuva e precisam do serviço de rodo muito ativo, desde as 10 horas até as 4 da tarde. É preciso muito cuidado na roça afim de não haver prejuízo do café porque a palha molhada dificulta muito o abanamento e por isso vai muito café na palha. Estou ansioso pelo término da colheita. (Carta do Conde do Pinhal para seu filho Amadeu. Fazenda Pinhal, 26 de setembro de 1898).

As cartas que varrem o ano de 1898 mostram as dificuldades com a mão-de-obra para carpir, colher e tratar o café no terreiro. As idas à Hospedaria de Emigrantes no Brás se tornam freqüentes.


(...) Vejo que ainda estas em diligência de arranjar gente para carpir o cafezal sem colono, o qual devia estar com a 2a limpa já realizada. A limpeza dos pastos e a expedição das palhas para os cafezais, não me afligem tanto a demora de mais um mês ou menos um mês, mas as limpas nos cafezais se impõem em absoluto; é preciso limpar de um ou de outro modo.

O Carlos por meio de quem você esperava reforço de colonos tem estado na emigração todos os dias para arranjar para si e não lhe era possível ao mesmo tempo arranjar para lá. Ele aqui está de pouso e segue hoje para Dourado e me disse que inscreveu na emigração ao ajudante do G. Lima daí para ter entrada na imigração a fim de poder esse serviço ser feito independente dele que é o que convém. (Carta do Conde para seu filho Amadeu. Fazenda do Pinhal, 25 de setembro de 1898)


Nessas cartas sobressaem a figura do fazendeiro, com as suas preocupações constantes - as intempéries, a mão-de-obra, as condições das máquinas, falta de mão-de-obra, o estado da produção da colheita, enfim, qual o resultado da safra. O financista e o comerciante aparecem subordinados à produção, ao mundo real, como se este impusesse seu movimento ao monetário.

Após o falecimento inesperado do Conde do Pinhal, em 1901, a direção da companhia coube ao seu genro Dr. Firmiano de Moraes Pinto, que fora Deputado Federal e Secretario da Agricultura, da Fazenda e da Justiça do Estado de São Paulo. No inventário consta que as 33.700 ações foram avaliadas a 150$000 (cento e cinqüenta mil réis ou pelo total de 2.527:000$000 (dois mil quinhentos e vinte sete contos)( GORDINHO,2004:108). Em 1911, a companhia já não estava entre os herdeiros fora vendida a para os senhores José de Queiroz Lacerda, banqueiro, José Egydio de Queiroz Aranha, agricultor e capitalista e ao Coronel José Paulino Nogueira agricultor e presidente da Companhia de Estradas de Ferro Mogiana. ( Brasil Magazine,1911).

Com o falecimento do Conde, sua fortuna avaliada em 10.000:000$000 ( dez mil contos de réis) foi pulverizada entre seus 13 filhos, assim a vasta rede de negócios, conduzida por sua direção firme, dissolveu-se.
Considerações Finais
Este trabalho pretendeu mostrar a formação e diversificação dos negócios da família Arruda Botelho liderada por seu patriarca Antonio Carlos de Arruda Botelho - Conde do Pinhal. A base da formação de sua riqueza encontra-se na posse das terras da sesmaria herdada de seu pai em 1854. Este é o marco inicial das atividades rurais concentradas na agro-indústria açucareira e na criação de gado. Ao longo dos anos, algumas decisões foram fundamentais para a consolidação e crescimento de sua riqueza como a substituição da lavoura de cana-de-açúcar e a fabricação do açúcar pela cultura do café quando os preços no mercado internacional se tornaram mais favoráveis a este último produto. Durante as décadas de 1870 e 1880, a manutenção de elevadas taxas de crescimento da demanda mundial estimularam a abertura de novas fazendas de café. Porém, os ganhos com a penetração do café nas áreas de fronteira, como São Carlos, Araraquara e Ribeirão Preto tornaram-se realmente expressivos quando se processou uma verdadeira revolução no sistema de transporte - a ferrovia. Novamente, a decisão de Antonio Carlos de investir, com outros fazendeiros da região e, em especial, com seu sogro, Visconde de Rio Claro, na ferrovia, criando a Companhia Rio Claro de Estradas de Ferro resultou em redução de custos de transporte do café da região para o porto de Santos, único porto de exportação. Como também, significou a entrada em um novo negócio que lhe trouxe lucros. Quase dez anos depois, a companhia ao ser vendida para os capitalistas ingleses, Antonio Carlos pode dispôs de capitais com os quais pode novamente tomar decisões em direção de uma nova rodada de diversificação dos negócios. Mas as decisões não se dão no vazio, elas capturam as oportunidades criadas pelo desenvolvimento da economia cafeeira, como um todo e das mudanças institucionais que geram impactos e criam novos espaços para a realização de negócios Aqui três mudanças institucionais tiveram influencia nas decisões de diversificar levadas a cabo por Antonio Carlos: Abolição da Escravatura, Reforma Monetário de 1888 e a política monetária restritiva de Campos Salles. A fundação de três bancos entre os anos de 1889-1891, a entrada no mercado de comercialização do café com a casa comissária em 1891 e, por fim a compra de um vasto e moderno empreendimento cafeeiro, a Companhia Agrícola de Ribeirão Preto.

Nos três tipos de negócios, a família Arruda Botelho investiu graças ao capital acumulado no principal produto brasileiro de exportação; ao exercício de atividades ligadas à política local, da Província e da Corte; à resposta rápida às mudanças no ambiente institucional marcado pela abolição do trabalho escravo, reforma bancária, política de imigração, etc. O objetivo do trabalho foi mostrar, por meio do estudo da família Arruda Botelho, que a riqueza gerada na segunda metade do século XIX dependia da expansão e, sobretudo, da diversificação dos negócios. O padrão de acumulação criado pelo café rompeu com a especialização, isto é, com concentração em um único tipo de negócio.



FONTES

Inventário do Conde do Pinhal. 20 de março de 1901. Primeira Vara de Órphans 3º. Cartório (Arquivo da Justiça de São Paulo)

Cartas remetidas pelo Conde do Pinhal aos filhos Carlos Botelho e Carlos Amadeu de Arruda Botelho. Coordenação da transcrição Profa. Miriam Zambel. Associação Pro Casa do Pinhal., S 2009.

Documentação da Casa Comissária Arruda Botelho Santos. Aviso de remessa. Arquivo da Casa do Pinhal.

BOTELHO, Martinho. Brazil Magazine. Revista Periódica e Illustrada d’Arte a Actualidades. Publicação de Propaganda Brazileira no Estrangeiro. Rio de Janeiro, ano V, n. 57, 1911
BIBLIOGRAFIA
ARRUDA BOTELHO, Maria Eulália Gama de. Família Arruda Botelho. Descendência do Conde do Pinhal. Disponível em http://www.arruda.botelho.nom.br Acessado em dezembro de 2009.
BACELLAR, C.A.P. (1997). Os senhores da terra. Família e sistema sucessório entre os senhores de engenho do Oeste Paulista, 1764-1855. Campinas: CMU/UNICAMP.
BRITO, M.S. (2000). A participação da iniciativa privada na produção do espaço urbano: São Paulo, 1890-1911. Dissertação (Mestrado) – Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, Universidade de São Paulo, São Paulo.

CAMPOS, C. (2007). Ferrovias e Saneamento em São Paulo. O engenheiro Antonio Francisco de Paula Souza e a construção da rede de infra-estrutura territorial e urbana paulista, 1870-1892. Tese (Doutorado) – Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo, São Paulo.

CORRÊA, Ana Maria Martinez. História social de Araraquara. Dissertação (Mestrado) – Faculdade de Filosofia, letras e Ciências Humanas, Universidade de São Paulo, São Paulo.
CYRINO, F. (2004). Café, Ferro e Argila. A história da implantação e consolidação da San Paulo (Brazilian) Railway Company Ltd. através da análise de sua arquitetura. São Paulo: Landmark.

DEAN, Warren (1977). Rio Claro. Um sistema brasileiro de grande lavoura, 1820 -1920. Rio de Janeiro: Paz e Terra.

GORDINHO, Margarida Cintra (2004). A casa do Pinhal. São Paulo: Imprensa Oficial do Estado de São Paulo/Associação Pró Casa do Pinhal.

GRANDI, Guilherme (2007). Café e expansão ferroviária. A Companhia Estrada de Ferro Rio Claro (1880-1903). São Paulo: Editora Annablume/Associação Pro Casa do Pinhal/FAPESP.


HOFFMAN, JR. José ( 2007) Livro histórico da cidade de Nova Odessa. São Paulo, Millenium.
MELO, J.E.V. (2006).Café com açúcar: a formação do mercado consumidor de açúcar em São Paulo e o nascimento da grande indústria açucareira paulista na segunda metade do século XIX. Saeculum. João Pessoa: UFPB, jan/jun, n.14.
MELLO, Z. C de (1985). Metamorfoses da riqueza São Paulo, 1845-1895. São Paulo: Hucitec; Prefeitura Municipal de São Paulo.
MESSIAS, R. C. (2005). Fazenda Palmital: Da escravidão ao trabalho livre, 1885-1917. Tese (Doutorado) – Faculdade de Ciências e Letras da Universidade de São Paulo, Araraquara.
OSEKI, J.H. (1992). Pensar e viver a construção da cidade. Canteiros e desenhos de pavimentação, drenagem de águas pluviais e rede de águas e esgotos em São Paulo. Tese (Doutorado) – Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, Universidade de São Paulo, São Paulo.
PETRONE, M. T. S. (1968). A lavoura canavieira em São Paulo: expansão e declínio. São Paulo: Difel.
RIBEIRO, M.A.R. (2009). O padrão de acumulação dos fazendeiros do Oeste Paulista na segunda metade do século XIX. Campinas. Projeto (Pesquisa) – Centro de Memória da Unicamp, Universidade Estadual de Campinas, Campinas.
SÁ NETO, Francisco de (2002). A civilização aos “Campos de Araraquara” e o processo de caracterização da identidade paulista com a chegada dos Arruda Botelho, da fazenda de criar à fazenda de café. Monografia (Trabalho de conclusão de curso) - Universidade Federal de São Carlos, São Carlos.
SAES, F.A.M. (1986a). Crédito e Bancos no desenvolvimento da economia paulista 1850-1930. São Paulo, IPE/USP.
SINGER, P. I. (1974). Desenvolvimento Econômico e Evolução Urbana. São Paulo: Ed. Nacional.

* Pesquisadora do Centro de Memória Unicamp- CMU e Professora Adjunta do Departamento de Economia FCL- UNESP. Campus de Araraquara

**Cientista Social (UNESP, 2006) mestre e doutora na área de concentração em Fundamentos Sociais da Arquitetura e Urbanismo (FAUUSP). Pós-doutoranda na FAUUSP.

*


1 Com isso não estamos afirmando que o café substitui por completo a cana-de-açúcar. O seu cultivo teve continuidade e se voltou para o abastecimento interno da província de São Paulo, que na metade do século XIX cresceu com novo vigor econômico trazidos pelo sucesso das exportações do café. Sobre o açúcar em São Paulo ver PETRONE (1968) e MELO (2006).

2 Sobre a participação do capital vindo da agroexportação, consultar BRITO (2000).

3 Segundo PETRONE(1968) a região do quadrilátero do açúcar era formada pelas cidades de Sorocaba, Piracicaba, Mogi Guaçu e Jundiaí).

4 Geograficamente, a área envolve os municípios de Araraquara, Jaboticabal, São Carlos, Brotas e Dois Córregos.

5 Carlos Bartholomeu de Arruda Botelho (1740-1815) ascendeu socialmente devido à carreira militar, lhe garantindo prestígio e destaque dentro da sociedade local. Em 1780, requereu junto à coroa portuguesa àquela que viria a ser a sua primeira sesmaria, perfazendo um total de três léguas de quadra, situada nos campos de Araraquara. Carlos Bartholomeu ampliou os seus domínios de terras comprando e requerendo novas sesmarias próximas a sua primeira doação. Casado com Maria Meira de Siqueira tiveram três filhos, Manoel Joaquim Pinto de Arruda, Maria Francisca de Arruda, Eugênia Antônia de Arruda e Carlos José Botelho (o Botelhão). As sesmarias foram dividias entre os dois filhos homens (GORDINHO, 2004, 19).

6 Casado com Candida Maria Sampaio. Tiveram ao todo 9 filhos: Maria Jacintha de Meira; Carlos de Arruda Botelho; Antonio Carlos de Arruda Botelho; Capitão João Carlos de Arruda Botelho; Cândida Maria da Pureza; Joaquim de Meira Botelho; Cel. Paulino Carlos de Arruda Botelho; Eulália Carolina de Meira e Bento Carlos de Arruda Botelho (ARRUDA BOTELHO, 2009)



7 A situação da Sesmaria do Pinhal não foi resolvida de imediato. Com mais de 10.000 alqueires, ficou em estado pró-indiviso até 1895 (GORDINHO, 2004).

8 A vila de São Carlos foi fundada pelos Arruda Botelho, em 1857.

9 Paula Souza era o representante da Decauville Ainè em São Paulo (CAMPOS, 2007).

10 A concessão foi dada aos irmãos Pinto, contudo, foi repassada (ou melhor, vendida) a Companhia Paulista. Especula-se que, como parte do acordo, caberiam aos irmãos o projeto da nova linhas (CAMPOS, 2007).

11 Paula Souza havia sido chefe da 3ª seção desta ferrovia, cuja direção geral era do também engenheiro Antonio Pereira Rebouças (CAMPOS, 2007).

12 O Marquês de Três Rios era proprietário de 5 fazendas de café em Campinas e Rio Claro com mais de 1 milhão de pés de café. Foi diretor da Casa Bancária de São Paulo (1887) da Companhia Paulista de Estradas de Ferro (1874), Vice Diretor do Banco Comércio e Indústria (1890) E esteve à frente do Banco de Campinas (1873), da Companhia de Iluminação de Campinas (1873) e Companhia Ituana (1873) (MELLO, 1985:143).

13 A segunda esposa do Marques era filha de um dos capitalistas mais ricos da cidade de São Paulo, Joaquim José dos Santos Silva, Barão de Itapetininga, que deixou uma fortuna, em 1877, quando do seu falecimento (MELLO, 1985:134).

14 O Conde ampliou o patrimônio com a compra da Vila Pinhal em Poços de Caldas para os veraneios da família.



©principo.org 2016
enviar mensagem

    Página principal