História da Sociologia Pressupostos, origem e desenvolvimento



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. Karl Marx e F. Engels. A sagrada família. 1844

K. Marx e F. Engels. A ideologia alemã. 1845.

K. Marx. A miséria da filosofia. 1847.

K. Marx e F. Engels. O manifesto comunista. 1848.

K. Marx. O 18 brumário de Napoleão Bonaparte. 1852.

K. Marx. Contribuição à crítica da economia política. 1857.

K. Marx. O capital. 1867.

Entretanto, a obra destes pensadores não ficou vinculada estritamente aos movimentos sociais dos trabalhadores. Pouco a pouco ela foi introduzida nas universidades como parte do estudo em diferentes áreas do conhecimento. Filosofia, sociologia, economia, história, entre outras, tiveram a presença de autores influenciados por eles. Na sociologia, como afirma Irving M. Zeitlin, no seu livro Ideologia e teoria sociológica, tanto Max Weber quanto Emile Durkheim fizeram em suas obras um debate com o fantasma de Karl Marx. Pelas análises da sociedade capitalista de seu tempo e a repercussão de teve em todo o mundo, principalmente no século XX, seja nos movimentos sociais como nas universidades, Marx pode ser considerado também um dos clássicos da Sociologia. Mas isso tornou o pensamento de Marx um pouco restrito, pois perdeu aquela ligação entre teoria e prática (práxis), ou seja, entre o pensamento crítico e a prática revolucionária.

A partir do conjunto da obra desses dois pensadores, muitos outros autores desenvolveram seus trabalhos em vários campos do conhecimento. Entre eles podemos citar Lenin (1870-1924), Trotski (1879-1940), Rosa Luxemburgo (1871-1919) e Antonio Gramsci (1891-1937), que participaram como intelectuais e atuantes diretos e tiveram significativa influência no movimento operário contemporâneo. Em termos acadêmicos, ou seja, no interior das universidades, aparecem muitos pensadores que foram influenciados pelo pensamento de Marx e Engels. Entre eles podemos citar alguns como Georg Lukacs (1885-1971), Theodor Adorno (1903-1969 ), Walter Benjamin (1892-1940) Henri Lefebvre (1901-1991) Lucien Goldman (1913-1969) , Luis Althusser (1918-1990) e Nicos Poulantzas (1936-1979).


4. A consolidação e desenvolvimento da sociologia.

A Sociologia propriamente dita nascerá da reflexão de alguns pensadores que procuraram analisar e discutir a sociedade de seu tempo. A partir do último quartel do século XIX a sociologia enquanto um saber acadêmico, isto é, universitário, vai se desenvolver especialmente em três países: França, Alemanha e Estados Unidos da América. Em outros países também se desenvolveu um saber sociológico, mas não tão vigoroso e com tanta influência no Brasil como pensadores destes três países.
4.1. A sociologia na França
Em torno do desenvolvimento da Sociologia na França pode-se indicar vários pensadores que procuraram efetivar a sua presença no cenário intelectual deste país. Destacam-se Frédéric Le Play (1806-1882), René Worms (1869-1926),e Gabriel Tarde (1843-1904) e Émile Durkheim. Eles participaram ativamente para a institucionalização da sociologia na França, mas a maior expressão é Émile Durkheim, que procurou insistentemente definir o caráter científico da Sociologia e será a corrente a hegemônica, pois os outros autores não tiveram o mesmo apoio institucional que Durkheim obteve.

Émile Durkheim (1858-1917) nasceu em Épinal em 15 de abril de 1958. Filho de uma família judia, sendo seu pai um rabino é educado no que de melhor havia na França. Tem professores de reconhecida competência como, por exemplo, Foustel de Coulange, historiador de grande renome na França e recebe influência de filósofos neo-kantianos como Émile Boutroux e Charles Renouvier.

Em 1882 forma-se em Filosofia. Nos anos de 1885-86 passa um ano na Alemanha para ampliar sua educação. Ali tem aulas com Wundt e conhece as obras de Dilthey, de Ferdinand Tonnies e de Simmel.

Sua vida acadêmica e profissional se inicia quando nos anos de 1887 a 1902 torna-se professor na Faculdade de Letras de Bordeuaux onde leciona Pedagogia e Ciência social. De 1893 a 1899 publica três de seus principais livros – Da divisão do trabalho social, As regras do método sociológico e O suicídio – demonstrando um vigor teórico muito grande. Neste período, em 1896 funda a revista Année Sociologique, que congrega jovens colaboradores que posteriormente continuarão o seu trabalho, desenvolvendo o conhecimento sociológico na França. Em 1906 assume a cadeira de Ciência da Educação da Sorbonne no lugar de Ferdinand Buisson e em 1910 consegue transformá-la em cátedra de Sociologia.

Abalado com a morte do filho durante a Primeira guerra, morre em novembro de 1917.

Durkheim desenvolveu sua obra num período de grande crise na França. A derrota na guerra franco-prussiana e o aniquilamento da Comuna de Paris (1870/1871) deixaram marcas profundas na sociedade francesa, exigindo uma reformulação de toda a sua estrutura. Este é um período no qual a miséria e o desemprego estavam lado a lado com uma grande expansão industrial, ocasionando o fortalecimento das associações e organizações dos trabalhadores, bem como a eclosão de greves e o aguçamento das lutas sociais, campo muito propício ao desenvolvimento das teorias socialistas.

Por outro lado, foi também uma época de grande euforia, pois novos fatos surgiram que propiciaram um progresso significativo na esfera da produção, principalmente quanto a inovações tecnológicas: desenvolve-se a indústria do aço, a presença de dois novos tipos de energia; a eletricidade e o petróleo. Neste período parecem também invenções que transformaram o ambiente social: o telégrafo, o avião, o submarino, o cinema, o automóvel. As inovações e os problemas da sociedade capitalista estavam presentes no dia a dia dos franceses. Durkheim irá desenvolver seu pensamento procurando dar conta desta diversidade de situações.

A principal preocupação de Durkheim, já presente em Saint-Simon, mas muito mais específica, é dar um estatuto científico à Sociologia. Para isso demandou seus maiores esforços. Formulou alguns parâmetros lógicos importantes:

a) Os fatos sociais só podem ser explicados por outro fato social.

b) Os fatos sociais devem ser analisados como se fossem coisas, isto é, na sua materialidade.

c) É necessário abandonar os pré-conceitos ao analisar os fatos sociais.
Partindo da afirmação de que a raiz de todos os males da sociedade de seu tempo era uma certa fragilidade da moral (idéias, normas e valores ) a preocupação de Émile Durkheim foi com a ordem social tendo como fonte tanto o pensamento de Saint-Simon como o de Auguste Comte, mais daquele do que deste, procurou resolver isso propondo a formulação de novas idéias morais capazes de guiar a conduta dos indivíduos. A ciência e em especial a sociologia, através de suas investigações, poderia indicar os caminhos e as soluções, pois os valores morais constituíam um dos elementos mais eficazes para neutralizar as crises econômicas e políticas. A partir desses valores poderiam se criar relações estáveis entre os homens. Assim o elemento fundamental para Durkheim é a integração social, que aparece na sua obra através do conceito de solidariedade, que permite a articulação funcional de todos os elementos da realidade social.

Outra preocupação de Durkheim foi com o processo educacional e como a sociologia poderia servir para que a educação francesa se desvencilhasse das amarras religiosas existentes no seu tempo. Se a preocupação era conferir um estatuto científico à Sociologia, as primeiras análises propriamente sociológicas do processo educativo caminham juntas. As suas análises da questão educacional estão relacionadas com a possibilidade de se instituir uma educação de cunho laico e republicano, em contraposição à presença religiosa e monarquista no sistema de ensino francês.

A Sociologia como disciplina foi inicialmente ministrada nos cursos secundários e só depois nos universitários, e esteve vinculada à perspectiva de transformação da educação francesa e com uma ligação muito grande com uma nova moral burguesa. Durkheim preocupou-se tanto com a questão educacional que essa foi uma constante em sua vida acadêmica; ele refletiu não só sobre a organização educacional francesa, em termos de sua história, como também sobre os conteúdos que estavam sendo ministrados. Além disso, sempre prezou muito a sua condição de professor.

Entre os trabalhos que fazem parte da obra de Emile Durkheim podemos citar os mais expressivos, publicados em vida ou organizados e publicados por seus alunos e seguidores:


- A divisão do trabalho social. 1893.

- As regras do método sociológico. 1895.

- O suicídio. 1897.

- As formas elementares da vida religiosa. 1912

- Educação e sociologia. 1922.

- Sociologia e filosofia. 1924

- A Educação Moral, 1925

- O socialismo - 1928

- A evolução pedagógica na França, 1938.

- Lições de sociologia – 1950

- A ciência social e ação – 1970
A sociologia na França após a morte de Durkheim teve como seus continuadores principais, entre outros, Marcel Mauss (1872-1950) e Maurice Halbwachs (1877-1945). Mas foi após a Segunda Guerra que a sociologia na França desenvolveu-se de maneira extraordinária tomando as mais variadas tendências. Entre os sociólogos franceses, entre outros, podem ser citados:
Georges Gurvitch (1894-1965)

Georges Frieddman (1902-1977)

Raymond Aron (1905-1983)

Roger Bastide (1898-1974)

Henri Lefebvre (1901-1991)

Lucien Goldman (1913-1969) sociólogo nascido na Romenia

Jean Duvignaud (1921-

Michel Crozier (1922-

Alain Touraine (1925-

Pierre Bordieu (1930 -2000)

Raymond Boudon (1934 -

Michel Mafesoli (1945 -



4.2. A sociologia na Alemanha
Na Alemanha, a Sociologia tem um componente diferencial em relação à França. Ela foi profundamente influenciada pela discussão filosófica, histórica e metodológica.

Como seu representante mais expressivo destaca-se Max Weber (1864-1920). Entretanto, existem outros pensadores que deram sua contribuição significativa para a formação da sociologia neste país. Entre eles podemos destacar desde seu início George Simmel (1858-1918), Ferdinand Tönnies (1855-1936), Werner Sombart (1863-1941) e Alfred Weber (1868-1958) contemporâneos de Max Weber.

A obra destes autores liga-se fortemente à história alemã de seu tempo, ou seja, a unificação alemã, o processo de industrialização tardia, o acordo entre a burguesia industrial e os grandes proprietários de terra, tendo em vista uma transição mais adequada aos seus interesses, com a formação de uma forte burocracia estatal, que irão dar uma configuração diferenciada à Alemanha no contexto europeu.

Max Weber, nasceu em 21 de abril de 1864 em Erfurt. De família abastada teve uma educação formal de primeira qualidade o que lhe permitiu uma erudição notável nos anos seguintes. Em 1882, apenas com 18 anos ingressa na Universidade de Heidelberg onde escolhe como área de concentração o Direito, e correlatas as de História, Filosofia e Economia. Nesta universidade tem seu primeiro contato com os escritos de Kant e com neo-kantianos, que nunca deixará de lado em seus estudos.

Max Weber a partir de então dedicou-se inteiramente aos seus estudos e pesquisas, não esquecendo das inúmeras polêmicas que participou em torno das questões políticas de seu país. Em 1889 doutorou-se em Direito comercial com a tese Sobre a história das sociedades comerciais da Idade Média. Em 1892 defende outra tese: Sobre a história agrária de Roma: do ponto de vista do direito público e privado. Em 1894 assumiu a cátedra de Economia política na Universidade de Friburgo. Em 1896 sucedeu a K. Knies na cátedra de Economia Política da Universidade de Heidelberg.

A partir de 1897 teve uma depressão profunda que o impediu de desenvolver suas atividades intelectuais. Somente entre 1902-03 retornou gradativamente às suas atividades intelectuais, mas agora já fora da universidade, pois não tinha condições psicológicas para ministrar aulas. Em 1904 juntamente com Werner Sombart e Edgar Jaffé torna-se co-diretor da................

Entre agosto e dezembro de 1904 viajou aos Estados Unidos da América, por ocasião da Exposição Universal de Saint-Louis onde pode entrar em contato com a vida norte-americana e com as igrejas e seitas daquele país. Conheceu aí vários escritos de Benjamin Franklin, o que foi fundamental para suas pesquisas sobre a relação entre ética protestante e o espírito do capitalismo.

Em 1905-06 toma conhecimento do processo revolucionário russo de 1905 e aprende russo para poder ler os jornais na própria língua, e escreve dois artigos sobre a situação política russa.

Em 1907 recebe uma herança significativa e a partir de então se dedica exclusivamente á investigação histórica e a escrever. Em 1910 juntamente com vários intelectuais colaborou na fundação da Sociedade Alemã de Sociologia

Ao ser deflagrado o conflito da Primeira Guerra Mundial, em 1914, foi chamado como oficial da reserva para dirigir um hospital militar. Entre as atividades no hospital encontrou tempo ainda para continuar a escrever partes do livro que seria publicado mais tarde com o título Economia e Sociedade, os estudos sobre ética econômica e as religiões universais e ainda uma série enorme de artigos sobre o liberalismo alemão, que seriam publicados nos grandes jornais da Alemanha. Nestes artigos criticava a estrutura partidária do país e a burocratização das esferas políticas na Alemanha, afirmando que aquela situação ainda era a herança de Bismarck.

Ainda neste período pronuncia uma conferência – A ciência como vocação – e dois escritos onde explicita claramente o seu método – A objetividade do conhecimento nas ciências sociais e políticas e O significado da neutralidade axiológica nas ciências sociológicas e econômicas – que se tornaram famosos e muito importantes para conhecer o seu pensamento.

Por suas idéias expostas em debates e nos jornais e por sua erudição, Max Weber, após a derrota alemã na Primeira guerra, fará parte da comissão que redigiu a nova constituição política alemã conhecida como a República de Weimar. Morreu em 14 de junho de 1920 devido a complicações pulmonares em conseqüência da chamada gripe espanhola.

Pode-se afirmar sem sombra de dúvida que a vida de Max Weber foi totalmente dedicada aos estudos, pesquisa e à participação ativa na política alemã de seu tempo, principalmente através de suas intervenções feitas em conferências, artigos para jornais e revistas e em seus escritos que publicou em vida e os que foram publicados postumamente. Foi um erudito e um pesquisador incansável, com uma dedicação enorme a estas tarefas. Aprendeu o grego e o hebraico para poder ler a Bíblia no original, espanhol para ler os arquivos sobre as companhias de navegação e comércio espanholas, russo para ler os jornais russos sobre os acontecimentos daquele país desde 1905 até a revolução de 1917, inglês para ler os textos norte-americanos sobre a vida religiosa e a ética corresponde dos protestantes. Isto é só um exemplo de seu rigor no tratamento das questões que pretendia abordar. Enfim nunca mediu esforços para analisar e compreender o mais profundamente possível as atividades a que se propunha.

Para Max Weber o indivíduo devia ser o núcleo central de análise, porque ele é o único que pode definir intenções e finalidades para seus atos. Desse modo, o ponto de partida da Sociologia é a compreensão da ação dos indivíduos, atuando e vivenciando situações sociais com determinadas motivações e intenções. A sociologia seria uma ciência que pretendia compreender, interpretando a ação social, para desta maneira explicá-la causalmente em seu desenvolvimento e efeitos.

Expressões como Estado, família ou quaisquer outras deixam de ter sentido quando não existem relações sociais que lhe dão sentido. Assim Max Weber não conseguia ver a sociedade como um bloco, uma estrutura uma, mas a percebia como uma teia de relações.

A obra de Max Weber é vasta e percorre os caminhos variados da história, direito, economia, sociologia, passando pelas questões religiosas, pelos processos burocráticos, pela análise da cidade, da música e, enfim, pela discussão metodológica das ciências humanas e dos conceitos sociológicos. Entre os seus escritos podemos destacar os que foram publicados enquanto estava vivo e outros de maior volume após sua morte:


Principais obras:

A ética protestante e o espírito do capitalismo. 1904/1919.

Ciência e política: duas vocações. 1917-9.

Economia e sociedade. Fundamentos da sociologia compreensiva. 1921.

Ensaios reunidos de sociologia das religiões.

Ética econômica das religiões mundiais.

História geral da economia. 1923.
Após a Primeira Guerra, alguns sociólogos, entre outros, manter-se-ão em atividade Ferdinand Tonnies, Leopold Von Wiese (1876-1968), continuador dos trabalhos de Simmel na linha da sociologia formal, Hans Freyer (1887-1968) e Franz Oppenheimer (1864-1943) que cria a primeira cátedra de Sociologia na Alemanha em 1919 em Frankfurt . Karl Mannheim (1893-1947) sociólogo germano-hungaro que inicialmente se dedicará à sociologia do conhecimento.

Logo após a morte de Max Weber se abriu um novo horizonte para a sociologia alemã com a criação do Instituto de Pesquisa Social vinculado à Universidade Frankfurt, que ficou conhecido como a Escola de Frankfurt. Em 1923, um grupo de intelectuais, entre eles, Friedrich Pollok, Leo Lowenthal, Karl A. Wittfogel e desenvolveram uma análise da sociedade contemporânea do apoiaram-se em orientações filosóficas de Kant, Hegel e Nietsche e de visões sociológicas tanto de Karl Marx como de Max Weber, além do pensamento de Sigmund Freud. Tinham em mente desenvolver uma teoria crítica da sociedade capitalista e procuraram desenvolver explicações para fenômenos os mais variados, que iam desde a personalidade autoritária, a indústria cultural. Mantiveram também a crítica ao positivismo e ao pragmatismo procurando demonstrar a necessidade de se pensar o que aconteceu com a sociedade que permitiu a emergência do nazismo e o significado disto, que culminava com uma crítica à razão instrumental e às formas de controle sobre a sociedade contemporânea.

Além dos citados acima são representantes deste pensamento Theodor Adorno (1903-1969), Walter Benjamin (1892-1940), Erich Fromm (1900-1980) e Herbert Marcuse (1898-1979), entre outros, com suas ênfases e questionamentos diversos e mutantes. Max Horkheimer (1895-1973)
4.3. A sociologia nos Estados Unidos da América - EUA.
A presença da sociologia nos EUA deve ser vista como uma sociologia que se desenvolveu no mesmo período que na França e na Alemanha e é por isso que decidi analisá-la, pois além disso ela é uma sociologia que teve e tem uma grande influência em quase todo o mundo ainda hoje.

A sociologia desenvolvida nos EUA desde o início do século XX tem duas grandes características: a) Uma multiplicidade de temas, problemas e propostas e uma diversidade teórica e metodológica, num percurso desde a macro até a micro-sociologia. Diferente da européia tem muito pouco interesse, em seu período inicial, com as grandes discussões teóricas, é uma sociologia que se pretende ser prática, resolver os problemas existentes na sociedade através de pesquisa aplicadas; b) A presença nas atividades universitárias do financiamento privado (Fundação Rockfeller, Comitês e Associações normalmente religiosas) paralelamente ao do Estado.

Na última parte do século XIX, os Estados Unidos da América (EUA) estavam em franco desenvolvimento industrial com um crescimento econômico e urbano significativo. Neste mesmo momento há um forte movimento imigratório principalmente de populações européias. Assim, as principais as cidades passaram a ser um espaço de conflito e de muitas preocupações. Temas como: imigração aculturação, comportamentos desviantes, aculturação ou conflitos étnicos, políticas públicas, entre outros se tornam presença importante na sociologia desenvolvida inicialmente neste país.

Assim, em 1892, a Universidade de Chicago é fundada graças a financiamento privado (Fundação Rockefeller) e nela o primeiro departamento de Sociologia sob a direção de Albion Small (1854-1926), que vai determinar os primeiros passos da sociologia nos EUA. A sua presença na sociologia americana se dá fundamentalmente como um grande professor e um organizador da sociologia. Em 1895 cria o American Journal of Sociology e em 1907 participa ativamente da criação da Sociedade Americana de Sociologia. Ele publica junto com Georges Vincent em 1894 talvez o primeiro manual de Sociologia para estudantes, intitulado Introdução ao estudo da Sociedade.

A Universidade de Chicago, no início de seus trabalhos sociológicos sempre deu primazia à pesquisa de campo, isto é, pesquisa empírica, procurando conhecer através da observação direta a dinâmica das relações sociais. Desenvolveu uma forte tendência pragmatista e microsociológica em Chicago que viria a ser conhecida com a Escola de Chicago, tendo como um dos seus expoentes William F. Ogburn (1886-1959) que desenvolverá instrumentos estatísticos com finalidade prática.

Vários autores participaram deste movimento. Entre os mais conhecidos podemos citar William I. Thomas (1863-1947) e Florian Znaniecki (1882-1958) que desenvolveram uma pesquisa e a publicaram sob o nome O camponês polonês na Europa e na América durante os anos de 1918 a 1921. Robert E. Park (1864-1944) e Ernest W. Burgess que escreveram Introdução à ciência da sociologia em 1921. Os dois juntamente com R. Mackenzie escreveram o clássico livro A cidade em 1925. Louis Wirth (1897-1952) publicou O gueto em 1928, e um artigo que se tornou famoso: Urbanismo como modo de vida em 1938, estes últimos claramente influenciados por George Simmel (que havia escrito um artigo também famoso: A metrópole e a vida mental).

Além destes outros autores, desenvolveram pesquisas sobre temas que evidenciavam a preocupação existente em Chicago e nas grandes cidades dos EUA, como: a desorganização social nas cidades: marginalidade social, alcoolismo, drogas, segregação racial, delinqüência demonstrando uma relação entre a pesquisa sociológica e a intervenção dos organismos públicos. Há em alguns deles a preocupação com o que eles chamam de ecologia humana em oposição à ecologia animal e vegetal.

Na Universidade de Harvard também existia esta preocupação. Um dos seus expoentes foi Elton Mayo (1880-1949) que desenvolveu aí sua sociologia industrial iniciada com uma grande pesquisa entre 1927e 1932 com os operários da Western Eletric, onde procuravam entender a influência das relações sociais na produtividade dos trabalhadores. Seu livro mais conhecido é Os problemas humanos de uma civilização industrial escrito em 1933.

Na Universidade Colúmbia, Franklin Giddings (1855-1931) através das pesquisas de comunidade (community social surveys) seguiu o que se fazia em Chicago, pois a situação urbana era muito parecida. Posteriormente esta tendência será desenvolvida por Paul Lazarsfeld (1901-1976) sociólogo alemão, que imigrou para os EUA e que desenvolveu metodologias quantitativas utilizando todo instrumental estatístico para analisar o comportamento dos habitantes dos EUA, desde os meios de comunicação de massa, as escolhas eleitorais atitudes políticas e padrões de consumo.
Preocupação teórica

A marca da sociologia na Universidade de Harvard desde o seu início será marcada por uma preocupação teórica. Ela foi iniciada com Pitirim Sorokin (1889-1968), Imigrante russo chega aos EUA em 1923. Se torna professor da primeira cátedra de sociologia desta universidade e organiza o departamento de sociologia, sendo seu chefe até 1944. Suas principais obras foram: Sociologia da revolução em 1925, Mobilidade social em 1927, Dinâmica social e cultural de 1937 a 1941 e Sociedade, Cultura e Personalidade em 1947.

Em 1944 – Talcott Parsons (1902-1979) - substitui P.Sorokin em Harvard e procura dar um novo encaminhamento para a Sociologia norte-americana muito mais teórica. Parsons, procurou voltar-se para a sociologia européia e vai buscar em Max Weber, Vilfredo Pareto e Emile Durkheim, além do economista inglês Marshall, para produzir depois de 1945 a sua grande obra teórica que dominará a sociologia americana desde então, que pode ser resumida nos seus dois livros mais expressivos: A estrutura da ação social (1937) e O sistema social (1951), onde procura desenvolver a sua grande teoria da ação social contribuindo para o fortalecimento da teoria da escolha racional e da articulação de sistemas em termos amplos onde as unidades se relacionam e interagem formando um sistema social que se mantem e desenvolve no tempo, tendo uma tendência à manutenção do mesmo.

Robert Merton (1910-2003), aluno de Parsons, mas na Universidade de Columbia, procurou integrar teoria à prática sociológica. Estudou o comportamento desviante e os processos de adaptação social tendo por base suas pesquisas qualitativas e quantitativas das profissões em ambiente de solidariedade e de conflito. Publicou vários livros mas os dois mais importantes são Sociologia: Teoria e Estrutura, A sociologia da ciência. Tem seu nome vinculado à proposta de criação de teorias de alcance médio. Dizia ele que os sociólogos deveriam deixar de lado as grandes teorias e criar outras de menor alcance, pois assim estariam sendo muito mais úteis para a sociedade. Estas teorias de médio alcance estariam situadas entre as hipóteses de trabalho rotineiras na pesquisa e as amplas especulações que abarcam um sistema conceitual dominante. Assim estas teorias estariam mediando as abstrações e generalizações e fundamentos empíricos da pesquisa.

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