História das aparições do Espírito Katie King Traduzido do Russo para o Francês



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Alexander Aksakof
Um Caso de Desmaterialização

parcial do corpo de um médium


Incluindo a

História das aparições do Espírito Katie King


Traduzido do Russo para o Francês

Étude sur les matérialisations des formes humaines

1897




William Turner

Pescadores do mar


Conteúdo resumido


A presente obra aborda o impressionante fenômeno da desmaterialização parcial do corpo de um médium, que pode ocorrer durante as sessões de materialização de Espíritos. Esse fenômeno foi obtido nas experiências do Sr. Aksakov com a Sra. d’Espérance, conhecida médium de efeitos físicos. O autor analisa cuidadosamente os princípios científicos que presidem esse fenômeno tão incomum.

A obra apresenta, ainda, em forma de Apêndice, os relatos das célebres materializações do Espírito Katie King, através da mediunidade de efeitos físicos da jovem Florence Cook. Essas experiências foram levadas a cabo pelo respeitável cientista e pesquisador inglês, Sir William Crookes.

Atesta a sobrevivência do Espírito após a morte do corpo físico, fazendo germinar em muitas almas a esperança e a fé.

Sumário


Prefácio do tradutor 6

Capítulo I

Teoria 16

Capítulo II

Descrição da sessão realizada pela Sra. d’Espérance, a 11 de
dezembro de 1893, em Helsingfors, na Finlândia, onde
o fenômeno da desmaterialização parcial do corpo
da médium é comprovado pela vista e pelo tato 32

Capítulo III

Inquérito pessoal do Sr. Aksakof 41

Capítulo IV

Declaração pessoal da médium a respeito do
seu estado durante uma sessão de materialização 60

Capítulo V

Conclusões 77

Apêndice


História das aparições de Katie King 88

Primeiras aparições de Katie King 88

Testemunho do Sr. Harrison 94

Testemunho do Sr. Benjamin Coleman 99

Testemunho do Dr. Sexton 101

Testemunho do Dr. Gully 103

Testemunho do príncipe Emile de Sayn Wittgenstein 107

Testemunho do Sr. Georges H. Tapp 112

Testemunho do Sr. Henry Dunphy 115

Carta do Sr. Dr. Gully 117

Fotografias do Espírito Katie King 119

Testemunho do Sr. Dawson Rogers 128

Carta do Sr. Harrison 129

Testemunho do Prof. William Crookes  132

Formas de Espíritos 134

Última aparição de Katie King.


– Sua fotografia por meio da luz elétrica 139

Narrativa da médium Florence Cook 144

Testemunho do Sr. J. Enmore Jones 147

Testemunho da Sra. Ross-Church (Florence Marryat) 149

Narrativa da Sra. Ross-Church (Florence Marryat) 154

Apreciação de Gabriel Delanne  159





Prefácio do tradutor


O Sr. Aksakof é russo e descendente de antiga e nobre família, cujos membros ocuparam sempre lugar distinto na literatura e nas ciências. Um tio seu é autor de várias obras justamente consideradas como clássicas; os dois filhos deste também são escritores notáveis. Um deles, Constantino, publicou alguns livros sobre História e Filosofia, e o segundo – advogado – é um dos mais distintos literatos da Rússia.

O Sr. Aksakof, porém, não necessita dos méritos da sua família para fazer brilhar os seus próprios, que são grandes e começaram com os seus estudos no Liceu Imperial de S. Petersburgo – instituição privilegiada da antiga nobreza da Rússia. Uma vez terminados, dedicou-se ao da Filosofia, ao qual levava o seu caráter positivo e metódico, e ao da Religião, assuntos estes que preocuparam sua inteligência a um extremo tal que ele aprendeu o hebraico, aproveitando-se dos ensinos da notável obra de Fabre d’Olivet, La Langue Hébraïque Restituée, e o latim, porque Swedenborg, cujas obras então estudava, as havia escrito na língua de Cícero. Aksakof quis vertê-las para o russo; como, porém, encontrasse dificuldades por causa do estilo genial, quase sempre obscuro e original do “vidente”, seguiu, durante anos, cursos de Filologia, nos quais incluiu o do seu próprio idioma, aprofundando-o com o auxílio de um compatriota seu, o Sr. Dahl, que mais tarde traduziu para o russo a primeira obra de Aksakof, publicada em francês no ano de 1852, sobre Swedenborg: “Uma exposição metódica do sentido espiritual do Apocalipse, segundo o Apocalipse Revelado”.

Em 1854, caindo em suas mãos a obra de A. J. Davis, Revelações da natureza divina, Aksakof abriu novos horizontes às suas aspirações e tendências intelectuais, reconhecendo um mundo espiritual de cuja realidade não mais duvidava.

Para fazer um completo estudo fisiológico e psicológico do homem, matriculou-se, em 1855, como estudante livre na Faculdade de Medicina de Moscóvia (Moscou), ao mesmo tempo em que ampliava os conhecimentos sobre física, química e matemática. Nessa época, recebeu uma obra de Beecher: Demonstração das manifestações espíritas, a primeira que a esse respeito leu, procurando pôr-se a par das que sobre o assunto estavam publicadas, e seguir passo a passo o movimento espírita na Europa e na América. Robusteceu seus estudos com todos os livros que, sobre o magnetismo e o psiquismo – entre outros os de Cahagnet, a quem visitou em Paris, no ano de 1861 – apareciam, principalmente na França; para conseguir isso, fazia sacrifícios que só o seu espírito, sempre ávido de conhecimentos, podia empreender, revolvendo livrarias e pedindo em todas as partes as obras que não encontrava na Rússia. Pode dizer-se que o seu trabalho de propaganda começou em 1855, com a tradução para o russo de todas as obras de Allan Kardec, Hare, Edmonds, R. Dale Owen, William Crookes, Relatório da “Sociedade Dialética de Londres” e a fundação de periódicos como o Psychische Studien, de Lípsia (Leipzig), uma das melhores revistas com que o Espiritismo hoje conta.

Não foi somente escrevendo que o Sr. Aksakof fez propaganda: criou também adeptos entre as pessoas de talento reconhecido e conseguiu que o professor de química Boutlerow admitisse a realidade dos fenômenos produzidos em 1871 por intermédio do Sr. D. Dunglas Home. Vários professores russos tiveram, de igual modo, ocasião de verificá-los, entre outros o Sr. Wagner, catedrático de zoologia, que publicou uma carta na Revue de l’Europe (abril de 1875), fazendo com que a Sociedade de Física nomeasse uma Comissão para investigar os fenômenos produzidos pelo Sr. Bredif, médium com o qual o senhor Wagner havia estudado.

E aqui é de justiça lembrar que à Rússia pertence a glória de haver nomeado a primeira Comissão de caráter puramente científico para o estudo dos fenômenos chamados espíritas. Essa Comissão era presidida pelo célebre físico Mendeleyeff, e os médiuns foram mandados vir da França e da Inglaterra pelo Sr. Aksakof.

Infelizmente, a Comissão não se ajustou às condições estabelecidas e, em vez de observar os fatos com a devida calma e critério, deixou-se arrastar por idéias preconcebidas; depois da quinta ou sexta sessão, Mendeleyeff suspendeu a investigação e publicou, mais tarde, o seu relatório num livro: Dados para estabelecer um juízo sobre o Espiritismo, onde afirma que os fenômenos espíritas “são todos produzidos por aparelhos que os médiuns levam por baixo das roupas”, opinião digna de figurar ao lado da do “curto perônio lateral”, para explicar o ruído das mesas, apresentadas pelos Srs. Cloquet, Jobert de Lamballe, Velpeau e Schiff, e aceita como boa pela Academia de Ciências de Paris, provando tão-somente que, em muitas ocasiões, não basta ser ou passar como sábio para se ter um critério vulgar.

Ao livro de Mendeleyeff, Aksakof contestou com um outro intitulado Um momento de preocupação científica.

O Sr. Aksakof também sustentou vantajosamente uma polêmica com o célebre filósofo do “Inconsciente”, o senhor Von Hartmann, e publicou em alemão uma obra volumosa, a mais completa que se conhece sobre o Espiritismo, intitulada Animismus und Spiritismus.1

Homem de brilhante posição social, ele consagrou-se durante 25 anos ao serviço do Estado, alcançando vários títulos, tais como: Conselheiro secreto do Czar, Conselheiro da Corte, Conselheiro efetivo do Estado e outros que não são mais que um prêmio aos bons serviços prestados pelo Sr. Aksakof à sua pátria.

Verdadeiro sábio, raras vezes se acham reunidas tanta inteligência, tanta erudição, a um critério imparcial. Jamais se deixou arrastar pelos entusiasmos das suas convicções; nunca perdeu a serenidade em seus juízos, e no meio da sua fé, tão ardente e sincera, não esquece o raciocínio frio que lhe faz compreender quais podem ser as causas dos fenômenos que observa, o que o coloca acima dessa infinidade de fanáticos que não estudam, que não experimentam e que aceitam como bom tudo quanto se lhes quer fazer crer.

Polemista temível e escritor delicado, seus trabalhos levam a convicção ao espírito; e tal sinceridade se vê nas suas obras que, lendo-as, sente-se a necessidade de crer nelas.

Alie-se isto a um caráter bondoso e uma vontade de ferro, que não se demove ante os obstáculos, assim como a uma paixão imensa pelo ideal que o leva a percorrer a Europa para fazer experiências, e ter-se-á uma idéia superficial a respeito desse investigador incansável, dotado de uma alma varonil, de um talento privilegiado.

Nunca permaneceu ocioso; seus artigos abundavam nos periódicos espíritas e não há pessoa medianamente ilustrada que não conheça alguma das suas célebres experiências com os médiuns Home, Slade, d’Espérance, ou algum dos seus estudos acerca de fantasmas e formas materializadas.



* * *

Durante o ano de 1886, achava-se o Sr. Aksakof em Londres, experimentando com o médium Eglinton. Tratava de conseguir provas da fotografia transcendental,2 fenômeno sobre o qual ouvira falar em São Petersburgo.

Combinou-se efetuar as sessões na casa recentemente construída de um rico cavalheiro inglês, amigo particular do Sr. Aksakof, assistindo a elas o dono da casa, sua esposa, um amigo, Sr. N..., o Sr. Aksakof e Eglinton.

O salão do terceiro andar foi escolhido.

Na entrada do salão havia uma cortina roxa, suspensa de um lado por um cordão de seda. Para obter-se a obscuridade, fecharam-se as janelas, cobrindo-as, em seguida, com panos.

A máquina fotográfica foi colocada de modo que Eglinton, sentado diante da cortina, assim como o fundo desta, visível através da abertura, podiam ser retratados. Os “chassis” e as placas, marcadas com o nome do Sr. Aksakof em caracteres russos, haviam sido por ele trazidos. À esquerda do aparelho colocou-se pequena mesa redonda e, sobre esta, uma lâmpada de álcool, rodeada por largo cartão, ao qual se adaptou um refletor côncavo, metálico, com 7 polegadas de diâmetro. A lâmpada alumiava assim a sala, de modo a evitar a luz sobre a objetiva do aparelho e, ao mesmo tempo, serviria para acender o magnésio. Nessa mesa também se achavam várias tranças de magnésio, cada uma composta de três fios desse metal, com 7 ou 8 polegadas de comprimento, preparadas pelo Sr. Aksakof, e que davam luz suficiente, segundo se verificou em ocasiões anteriores, para a obtenção de um resultado satisfatório em fotografia. Essas tranças fixavam-se solidamente, por um arame de ferro, em tubos de vidro; o Sr. N... ficou encarregado de acendê-las a um sinal convencionado, tendo o especial cuidado de dirigir o campo luminoso do refletor sobre as figuras que deviam ser fotografadas.

Terminados esses preparativos, o Sr. Aksakof fechou a porta do salão com a chave, que guardou no bolso, e de uma caixa retirou um “chassis” que colocou na máquina fotográfica.

Eglinton, sentado à frente da objetiva do aparelho e diante da cortina, caíra em transe (sono magnético), com o corpo inclinado para os experimentadores e as mãos cruzadas no peito. Sua respiração, penosa e quase convulsiva, anunciava que ia produzir-se algum fenômeno importante. Entretanto, as primeiras manifestações, apesar de surpreendentes, não satisfizeram ao Sr. Aksakof, que, julgando terminada a experiência, decidiu suspendê-la, quando, repentinamente, e no momento em que ardia uma trança de magnésio, saiu por detrás da cortina uma forma de homem, que avançou quatro ou cinco passos na sala, colocando-se depois ao lado de Eglinton, que jazia como morto na cadeira.

“A forma estava vestida de branco – diz o Sr. Aksakof –; seu rosto era rodeado de uma barba preta, descoberta, e uma espécie de turbante envolvia sua cabeça.

– É Abdulá!... – exclamei.

– Não – respondeu-me o dono da casa –; esta “forma” tem duas mãos, e a de Abdulá, que aparecia nas sessões que Eglinton nos deu em S. Petersburgo tinha somente metade do braço esquerdo.

Como para confirmar esta observação, o fantasma moveu os braços, saudou-nos e desapareceu por detrás da cortina. Alguns segundos depois tornou a aparecer e, à luz do magnésio, vi com surpresa que o fantasma rodava o seu braço esquerdo.

Eglinton, em transe profundo, não podia suster-se em pé. Eu estava a cinco passos dele e, à luz intensa que o alumiava, pude contemplar o estranho visitante.

Era um homem jovem, cheio de vida; distinguiam-se-lhe claramente a pele viva do rosto, a barba negra, as espessas e escuras sobrancelhas e seu olhar enérgico, fixo no aparelho todo o tempo que durou o magnésio (15 segundos) em chama. Quando se mandou cobrir a objetiva e antes que se extinguisse a luz, a “forma” desapareceu atrás da cortina e Eglinton caiu, como morto, no chão.

A situação era crítica; não nos movemos, contudo, porque Eglinton estava influenciado por uma força sobre a qual nada podíamos. Imediatamente se abriu de novo a cortina, reaparecendo o fantasma, que se aproximou de Eglinton e, inclinando-se para ele, começou a fazer passes sobre o seu corpo.

Olhávamos em silêncio e com assombro tão estranho espetáculo; no fim de alguns momentos Eglinton moveu-se; levantou-se pouco a pouco, ficando, por fim, em pé. Então, a “forma” rodeou-o com os seus braços e conduziu-o ao seu lugar.

Imediatamente, ouvimos a voz débil de Joey (um dos Espíritos-guias de Eglinton), recomendando que levássemos o médium para o ar fresco e lhe déssemos de beber água com “brandy”. A dona da casa apressou-se a ir buscar água; mas, encontrando fechada a porta, voltou para pedir-me a chave. Respondi-lhe que me desculpasse; como, porém, o fato era muito extraordinário, eu desejava abrir a porta pessoalmente. Examinei a fechadura à luz e abri-a em seguida.

Eglinton, em transe profundo, não podia sustentar-se em pé, e foi preciso que o levássemos nos braços para o refeitório, onde o colocamos em frente a uma janela aberta; presa de convulsões, caiu ele no chão, produzindo-se uma hemoptise.

Foram necessários quinze minutos de fricções e o uso de sais para fazê-lo voltar a si e despertá-lo do seu profundo sono.

Deixando-o entregue aos donos da casa, fui com o Sr. N... revelar as placas e, logo que começou a aparecer o desenho, voltei apressadamente ao refeitório para dar a Eglinton, que não podia mover-se, essa excelente notícia.

O médium pagou caro o seu triunfo, pois passou mais de hora e meia sem poder caminhar.

As fotografias foram preparadas no dia seguinte e saíram muito boas: as duas formas, em pé, se haviam movido, embora isso não fosse perceptível à vista; o resultado não deixa, contudo, de ser satisfatório. Reconhece-se perfeitamente a de Eglinton, apesar de estar com a cabeça inclinada para trás e apoiada sobre o braço que a sustém.

Ao seu lado está a forma humana que vimos com vida; a barba e as sobrancelhas se notam perfeitamente; o mesmo não sucede com os olhos, pois estão difusos; a particularidade desta figura é, todavia, o nariz, curto e completamente diferente do de Eglinton, e que lembra muito o da figura obtida pela fotografia transcendental. As sobrancelhas não se parecem com as desta figura, porém sim com as de Eglinton. As fotografias têm num canto o meu nome em caracteres russos.”

Depois de algumas considerações, o Sr. Aksakof termina:

“Os incrédulos dirão que houve fraude, pois nas experiências estava interessado um médium de profissão, que devia ser pago. Entretanto, é evidente que aí Eglinton não podia realizar tudo quanto seria preciso para enganar-nos; logo, deve-se supor um conluio entre os donos da casa e os da loja onde comprei o aparelho fotográfico e as placas. O Sr. X..., dono da casa, ocupa posição social idêntica à minha e, portanto, não se pode dizer que existisse nele um móvel material como a causa de fraude; isto, sem contar com o fato de que a execução teria sido muitíssimo complicada, reuniria circunstâncias mais que suficientes para descobrir-se o embuste. Não é, pois, possível que qualquer interesse tenha podido induzi-lo a um artifício; e, ademais, por que deveria ser ele e não eu o enganador? É mais lógico supor em mim o interesse de mentir, pois o meu intuito seria evidente: nada mais natural que, absorvido no Espiritismo, eu me visse obrigado a defendê-lo por qualquer modo.

A incredulidade, porém, não me surpreende nem me desanima, porque as convicções não são fruto da casualidade; elas são a resultante das opiniões anteriores que concorreram para a sua formação, no decurso dos séculos; a crença nos fenômenos da Natureza não se adquire pela razão e pela lógica, mas sim pela força do hábito, e por essa mesma força o maravilhoso deixará de o ser.”

Agora que demos aqui, visto a principal obra do Sr. Aksakof, Animismo e Espiritismo, já ser muito volumosa, uma ligeira notícia biográfica do autor, de acordo com as notas fornecidas pelo ilustre Dr. Otero Acevedo,3 que o conheceu pessoalmente, e relatamos, resumidamente, um fato importante de materialização por ele observado e fotografado, seja-nos permitido fazer uma justificação a respeito deste livro.

A obra do Sr. Aksakof não contém, em si, a história das célebres manifestações do Espírito Katie King, que é apresentada no final do presente volume, em forma de Apêndice; atendendo, porém, a que entre nós era dispensável e mesmo fastidiosa a leitura de uma grande maioria das cartas de que o Sr. Aksakof faz acompanhar o original do seu trabalho, em apoio ao fato que relata, resolvemos, com o seu consentimento, suprimir os testemunhos mais ou menos idênticos, citando apenas os nomes das pessoas que assistiram à desmaterialização, e acrescentar a história das verdadeiras manifestações de Katie King, pois a excelente teoria do Sr. Aksakof é também aplicável aos efeitos que ela produziu.

Assim, o trabalho do autor é aqui substancialmente o mesmo que no original; colocando-o antes da narrativa das materializações produzidas por Katie King, habilitamos o leitor a compreender facilmente estas últimas.

Os testemunhos que formam o Apêndice desta obra foram compilados num livro editado pela Librarie des Sciences Psychiques, de Paris, de onde os traduzimos, sendo de ressaltar que merecem absoluto crédito, porque dimanam de pessoas muito conceituadas, principalmente Sir William Crookes e o príncipe Emílio de Wittgenstein. Além disso, tendo sido primitivamente publicados em diversas revistas científicas e espíritas da Inglaterra, não sofreram esses testemunhos a menor contestação.

Não traduzimos a narrativa das sessões que, em 1874, foram dadas pelos médiuns Sr. e Sra. Holmes, em Filadélfia (América do Norte), que também pretendiam ter obtido materializações da mesma Katie King alguns meses depois de ter esta cessado de aparecer em Londres, com o auxílio da mediunidade de Florence Cook, hoje Sra. Corner. As sessões do Sr. e Sra. Holmes foram declaradas fraudulentas pelo distinto diplomata Sr. Robert Dale Owen,4 pois, além de outros motivos, a Katie King dessas sessões não tinha semelhança alguma com a que se manifestava por intermédio de Florence Cook, salvo o nome. A celebridade das manifestações desse Espírito tentou os exploradores, e os americanos imaginaram que, por sua vez, possuíam a Katie King autêntica. Essa falsificação dos médiuns Holmes, pois que realmente o era, foi, entretanto, descoberta; o Espiritismo, de sua parte, nada perde com isso, porque, como qualquer outra coisa, os seus fenômenos são suscetíveis da imitação pelos exploradores, embora de um modo grosseiro que não resiste a exame cuidadoso.

Terminamos aqui este prefácio, sem fazer qualquer outra consideração sobre o Espiritismo, porquanto, só depois de ter lido os fatos nesta obra relatados é que convirá ao leitor ocupar-se com as apreciações sobre o assunto. Encontrar-se-á isso feito, no fim deste livro, pela pena brilhante do Sr. Gabriel Delanne, cujo artigo é digno de toda a atenção.

O tradutor.

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