História das Ordens Esotéricas



Baixar 196.01 Kb.
Página1/5
Encontro03.08.2016
Tamanho196.01 Kb.
  1   2   3   4   5

História das Ordens Esotéricas - -



Curso XXVI

História das Ordens Esotéricas


Ensinança 1: As Lendas das Ordens Esotéricas

Miguel, o Chefe da Hoste do Fogo, havia purificado entre trovões, relâmpagos e chamas, uma Montanha Sagrada. Por centúrias, brilhou nela um fogo vulcânico de terrível poder que, vomitando lava ardente e pedras calcinantes, formava um círculo impenetrável.

Se alguém pretendesse chegar ali, seria preciso que caminhasse até o Oriente por terrenos malsãos, pantanosos e inóspitos. Depois, encontraria uma terra verde e ondulante que descia suavemente até a margem de um lago de águas salgadas, imóveis e transparentes, dissimulando com sua mansidão, a fúria que desencadeava nos dias tormentosos.

Mais adiante, um imenso barranco, um precipício de fundo indeterminado, faria perder toda esperança de encontrar um caminho, uma senda, para alcançar o vulcão que ao longe se erigia, mostrando sua fronte soberba, sempre coroada de fogo e de brancas nuvens, que ocultavam sua base no profundo do abismo.

Passaram-se os séculos. Os dilúvios se precipitaram sobre a Terra. O planeta se agitou repetidas vezes com terríveis convulsões. E voltou a calma.

Um sudário de neve cobriu os pântanos. O lago salgado secou, tornando-se um deserto arenoso; o precipício se fez mais abrupto e pareceu morto para sempre o vulcão da Montanha Sagrada.

Onde estavam Miguel e suas Hostes resplandecentes? Onde, sua coroa, aquela de fogo, chama, resplendor e morte?

Ainda vivia a ígnea força nas entranhas da Montanha e, se bem não se vissem as chamas, podia-se sentir a vida, a fervente vida, borbulhar.

E um dia luminoso - maravilhoso dia! - no qual o arco íris sulcava os céus desde o levante até o poente, uma procissão de homens, vestidos de branco, pisou pela primeira vez aquelas paragens virgens, jamais pisadas pelo pé do homem.

Mas... eram homens? Anjos? Quem eram?

Os que encabeçavam a procissão, jovens imberbes, delgados, com olhos de sonho e de febre, caminhavam lentamente. A emoção juvenil reprimida, ainda não de todo dominada, fazia-se visível, apesar da lenta marcha, por rápidos movimentos da cabeça.

Seres mais maduros iam no meio da fila. Fortes, graves, belos, com os olhos entreabertos e as mãos brancas, como as mãos da morte.

Porém, os que fechavam a mística procissão, anciãos de barba branca, de cabelo de neve flutuando ao vento, não tinham de homens mais que a aparência externa.

Quem poderia entender sua linguagem, aquele idioma cujas palavras foram pronunciadas ao pé da Montanha, quando já haviam formado um círculo de homens?

Os anciãos falavam o idioma dos deuses e somente seus discípulos podiam entendê-los. Indicavam-lhes uma senda na Montanha; ocos nas pedras, que seriam celas e moradias; pedras incrustadas no monte, para serem seu estabelecimento e praça: ninhos de águias; ninhos de santos.

Havia no clima aquela solenidade que sempre anuncia a vida ou a morte. Um daqueles seres tinha na mão um grande livro selado: era o Livro da Mãe Divina.

Ao anoitecer, entoaram um canto; as notas do hino místico se elevavam serenamente desde a terra ao céu, com o grito da Mãe, despertando do sono para enfrentar-se com a eternidade. Os anciãos flutuavam no ar e assim, subindo gradualmente, envoltos em nuvens e resplendores, perderam-se entre os véus da noite, aos olhos dos discípulos que escrutavam as sombras.

Aquele foi o Templo, o santuário e a escola. Perfuraram a Montanha como um enxame de abelhas, penetrando até o interior do monte. Construíram o Templo redondo sobre a boca ainda quente da cratera e escreveram o Nome e o Signo da Mãe sobre o pico mais alto desta Montanha.

Sobre as paredes dessas celas de rocha viva foram escritas as ensinanças esotéricas e a realização de cada um dos discípulos dos grandes Iniciados dos primeiros tempos.

E quando um discípulo se levantava no ar para ir em busca de seu Mestre, outro o substituía em sua cela do Templo da Montanha.

Quantos anos passaram? Quantos homens moraram nessa solidão? Quantas almas subiram até o cimo do monte e compreenderam o mistério dos Mantras?

Mas foi dada a voz: morreu Kaor! Não há mais fogo na Montanha. Amanhã cairá para sempre.

Para o Egito marcharam outra vez aqueles seres, em branca fila, em solene procissão.

Quem dominaria o mundo?

O estrondo da destruição e do movimento sísmico que submergia Kaor no abismo ou o Canto da Eternidade que modulavam aqueles seres, caminhando para frente, sem voltar-se, sempre para adiante, para o porvir, para os homens novos, para as novas coisas: para a realização?

O mar e o deserto são irmãos: ambos guardam as relíquias dos tempos passados e a história das civilizações perdidas. São como Deus que esconde sob seu manto as maravilhas de Sua Presença, em Sua passagem pelo mundo.

À margem do mar e à borda dos desertos vivem sempre raças estranhas de homens: algo selvagens, algo encerrados em si mesmos, desconfiados dos demais mortais. Verdadeiros custódios das rochas ou das dunas ondulantes.

Em uma parte do deserto que guarda uma parte da Atlântida perdida, no centro do Saara, vivia uma raça de homens completamente diferentes de todos os demais.

Antes, haviam sido adoradores das mesas de pedra, banhadas com leite e óleo; mais tarde, aderiram à seita do Profeta. Mas, sua verdadeira religião era outra: guardar uma mesa negra e quadrada, lembrança de uma antiqüíssima Távola esotérica.

Estes eram os descendentes daqueles primitivos Mestres das Montanhas de Kaor.



Ensinança 2: A Sabedoria Árabe Esotérica

e a Mulher Velada

Sabe-se que entre os orientais não somente se admitiam as mulheres na Ordem, senão que até podiam chegar a ocupar o cargo supremo. E foi uma mulher, aproximadamente há 500 anos, que dirigiu os destinos da Távola de Hoggard.

Era uma alta entidade que descia pela última vez ao mundo físico, com vestiduras humanas. Por isso, havia de ser como um símbolo, como uma recopilação da era mental que terminava, deixando passagem à era do sentimento cristão, que despontava.

Abbumi, a mulher que não tem corpo, pois seu corpo foi puro e perfeito, desde menina foi educada e preparada para exercer o sacerdócio da Sabedoria.

Os Cavalheiros, de camelos, de turbantes brancos e capas ondulantes ao vento ensinaram-lhe os sete idiomas, os sete poderes e as sete formulas mágicas.

A que mais pode aspirar um ser vivente? Fortificar-se cada vez mais naquele místico castelo que é sua única morada, onde a sabedoria e o conhecimento são o pão e o amor, e nenhum alento humano empana aquelas sagradas muralhas.

A mãe de Abbumi morrera quando ela nascia. Seu pai a adorava e venerava, mas o amor entre eles não era mais que uma compreensão expressiva da mente.

O coração dela era frio e branco como o cimo do monte Meru. A morte, a dor, a miséria, o amor e os deleites humanos eram para Abbumi ilusórios escárnios dos véus da Mãe.

Estará ela incluída no número daquelas almas seletas que durante centúrias conquistaram, para a vida esotérica, o fruto das mais pura sabedoria?

Cavalgando pelo deserto avançam dois viajantes, perdidos na miragem das areias. A fome, o cansaço, o desespero, a debilidade e a loucura próxima, logo acabarão com eles.

Oschar, o compassivo, pede ajuda para eles, porém a Mãe do deserto responde: “Deixai que neles se cumpra a lei do deserto”.

Outra vez pede o compassivo: “Deixa-me Mãe, salvar essas vidas.”

Ela responde: “Salva suas carnes, se quiseres. E se puderes, salva suas almas.”

Pressurosamente, o árabe, com seus camelos, corre para salvar os perdidos e, com eles, volta ao Hoggard.

Por que a Mãe acede à súplica de seu discípulo e recebe, e visita os estrangeiros?

Um novo sentimento nasceu nela. Sua alma se fixou em outra alma que a olha implorante e dolorida. Sente piedade e, espantada, pergunta-se: “É este o amor humano?”

Onde está tua Sabedoria, ó Mãe?

De que te valem os segredos que conheces se não consegues dominar os sentimentos de piedade que despertaram em ti e cavalgam desenfreadamente sobre as nuvens da ilusão?

Abbumi conhecerá agora as dores dos homens, suas horas amargas e padecerá pensando como auxiliá-los.

Hoggard está de luto e o Selo Sagrado, abandonado. Os sábios estão desolados porque a Mãe não acende diariamente sua lâmpada.

Que morra o culpado!

Inutilmente, Oschar procurará salvá-lo e avisar a Mãe. A alma vale mais do que o corpo e o estrangeiro deve morrer.

Esta morte, não obstante, não devolveu a Abbumi sua antiga Sabedoria, porque abriu em seu coração um novo sulco: o do sentimento.

Desde então, uma nova corrente foi engendrada: com a Sabedoria, o Amor.

Desde então, as Ordens Esotéricas se dividiram em duas grandes correntes de força: a do Saber, onde predomina o conceito politeísta de Deus e o culto às ciências; e a do Amor, onde predomina o conceito monoteísta de Deus, com o culto à salvação da humanidade.

Ensinança 3: O Antigo Egito

É necessário repetir uma vez mais a antiga e sempre atual pergunta: existe um Deus Criador ou não existe? Pela posse de idéias claras, próprias, deverá responder a consciência.

No final do século XIX, na antesala da câmara mortuária de um biólogo ilustre, haviam se reunido seus amigos, de diversas tendências, como é de imaginar, tratando-se de um homem de fama. Um católico, conversando com um cavalheiro ancião, expressou seu pesar pelo fato de que o moribundo não se reconciliara com Deus. “Crê o senhor, perguntou o cavalheiro, que esteja longe de Deus?” Disse o católico que sim, que era ateu, que havia orientado muitos no caminho da descrença. O cavalheiro insistiu: “Pode-se crer que tão grande ser, tão profundo conhecedor do homem e da natureza, possa estar afastado de Deus?”

Mas, existem ateus? Não se referindo a seres que o afirmam sem haverem refletido, talvez incapazes disso, senão referindo-se a seres em que a questão preocupa profundamente.

Dos que crêem em Deus, pode-se distinguir dois tipos.

Pertencem ao primeiro, os que crêem em um Deus Criador fora deles, diferente deles, que não podem alcançar, com o qual poderão unir-se.

Pertencem ao segundo tipo, os que crêem que o Eu forma parte da Unidade de Deus, e tende, por expansão, a confundir-se com Ele.

É necessário aqui resenhar a razão de ser das correntes monoteístas e politeístas.

Nada se explica afirmando que os primeiros crêem em um só Deus e os últimos, em vários deuses.

A Raça Ária, herdeira dos atlantes, ao desenvolver sua personalidade individual e racional, necessitou aferrar-se ao Eu; e a projeção do Eu dava como resultado o monoteísmo. Um homem perfeito necessitava um molde primordial perfeitíssimo: Deus.

O monoteísmo degenerou, desde então – segundo como o Eu se vincula ou se opõe ao mundo que o rodeia e às potências interiores desconhecidas de si mesmo - em um Deus pessoal. Mas a mente do homem ário, ao traçar uma ponte entre o instinto e a intuição com a potência da razão, podia construir uma infinidade de imagens semelhantes à sua, mais ou menos perfeita; podia criar representações mais ou menos exatas de seu molde divino, levando assim as almas ao politeísmo.

Passado o processo de densificação do ser, do descenso do Eu, há uma tendência deste a unir-se com outros entes separados: tende à expansão; e isto dá como resultado o politeísmo. Individualiza aspectos do mundo externo do Eu aos quais este quer unir-se.

O fundamental, porém, sempre consiste em considerar que o Imanifestado se expressa pelo Manifestado e que o Manifestado serve de morada ao Imanifestado.

O homem ário, ao ir aperfeiçoando seu próprio Eu, aperfeiçoou sua crença monoteísta e, ao ir aperfeiçoando suas possibilidades de similitude, desenvolveu e aperfeiçoou sua crença politeísta.

O culto politeísta chegou a sua máxima expressão no Egito, antes do culto pessoal de Osíris. Os sacerdotes desenvolveram a mente para conhecer mais e mais; não concebiam o amor como os monoteístas, senão como algo mais elevado, divino. Muitos destes sacerdotes eram de sangue real e o Faraó sempre desposava uma mulher de seu sangue. Isto sucedeu durante milênios. Se não fizessem assim, acreditavam, perderiam o poder divino e real, como aconteceu com efeito.

Simultaneamente com o politeísmo dos sacerdotes de Amon, no reinado dos nômades negros, tanto na Ásia como na África, predominava o culto monoteísta.

Nos Templos dos Sacerdotes de Amon como nos Templos dos Sacerdotes de Mitânia, de Kush, de Punt e outros, guardavam-se as ensinanças esotéricas de ambas correntes e praticavam estritamente seus ritos.

Mas estas duas forças tinham que travar luta para seu predomínio, e isto aconteceu nos tempos de Iknaton, primeiro personagem histórico da grande era do Egito, quando se encetou a guerra religiosa, chamada dos Dois Sóis.

Nos tempos da XVIII dinastia, apareceram no Egito os primeiros sintomas da crise religiosa que haveria de culminar com a luta dos Dois Sóis: Amon e Aton.

Tutmoses IV se casou com uma princesa asiática de Mitânia e, a esta influência asiática, há que atribuir a importância das seguintes trocas religiosas, já que seu neto, Amenofis IV, quando subiu ao trono, no ano 1375 a.C., começou a luta contra o Templo de Amon; e, como nem ele nem sua esposa Nefertiti, também de origem asiática, não fizeram o juramento tradicional ao Deus Amon, foi mais tarde chamado o Faraó herege.

Tinha 12 anos ao subir ao trono e em seguida mostrou-se abertamente adito ao Deus Único que chamou com o nome de Sol Aton e depois tomou o nome de Iknaton (satisfeito está Aton).

A escola esotérica monoteísta ia ganhando terreno: o conceito do Deus Único – não veneravam imagens na religião de Aton, mas um disco solar que estende seus raios terminando em forma de mãos sustentando o Ank, signo da vida - e o conceito da fraternidade universal, os animavam. A escola de Amon com suas grandes hierarquias e seu culto de muitos deuses foi suprimida e perseguida, e suas imensas riquezas confiscadas. Seus sacerdotes se exilaram ou se ocultaram. Os sacerdotes – de cabeça raspada - da escola de Amon foram substituídos pelos de cabelos longos de Aton.

Nesse tempo, a arte teve uma grande evolução: as figuras simbólicas e hieráticas são suplantadas pelas figuras reais e vivas; porém, começa-se a representar o Faraó em tamanho maior em relação com outras figuras. Tii, a mãe de Iknaton, parecia simpatizar com as tendências do filho, mas não abertamente.

No 5° ano do reinado de Iknaton nasce a primeira filha: Merit-Aton. Por essa época, subsistiam outros deuses, ao lado de Aton. Mas este estado de coisas não duraria, pois o Faraó entrou em conflito aberto com os sacerdotes de Amon-Ra. Isto se produziu pouco depois da morte de Tii, de onde se deduz que a ação desta última fosse moderadora.

Para melhor adorar seu deus, Iknaton resolveu abandonar Tebas e construir a Cidade do Horizonte de Aton (Luxor). Tebas, ao ficar relegada como cidade de província, debilitava-se o sacerdócio.

É então que o faraó muda seu nome de Amenofis – a paz de Amon – para Iknaton.

A nova cidade foi construída sobre uma ilha no Nilo, a uns 250 km ao sul do atual Cairo.

Pouco depois, nasceu Meket-Aton, protegida de Aton.

Durante o 8° ano, instalou-se na nova cidade. Nasce, então, An-Khes-en-pe-Aton - ela vive para Aton.

No 11° ano nasceu Nefer-neferu-Aton. Começa a se desenvolver a nova religião. Nessa época foi escrito o “Hino a Aton”.

Nota-se aí, a influência de Nefertiti.

Ai-Ra foi nomeado grande sacerdote de Aton.

Durante os anos 13° e 15° nasceram duas novas filhas.

A mãe de Iknaton, Tii, visitou o templo na Cidade do Horizonte de Aton. Morreu pouco depois. Foi enterrada em Tebas.

Com sua morte, desapareceu a moderação: o nome de Amon foi sistematicamente apagado, ainda dos menores objetos. De milhões de inscrições conhecidas, poucas se salvaram.

Até na tumba de Amenofis III, substituíram seu nome por: Nib-Maat-Ra.

3Nota-se também um detalhe estranho: a sua quinta filha chamou-se Nefer-neferu-Ra e a sexta, Setep-em-Ra; “Ra” em vez de “Aton”, conforme suas quatro primeiras filhas. Desejava um filho varão. Porém, depois das seis “desilusões”, teve ainda uma sétima. Não teve outra descendência que haja sobrevivido à primeira infância. A primeira filha casou-se com Smenk-ha-Ra, um nobre egípcio.

O rei da Babilônia pediu uma delas para um de seus filhos: concedeu a quarta. A terceira casou-se com Tut-ank-Aton, que seria o Faraó Tutankhamon.

A segunda era delicada de saúde e morreu jovem, assim como a irmã de Iknaton, Beket-Aton.

Como era delicado de saúde, logo construiu sua tumba.

Ao não ter sucessor, as perspectivas de sua religião eram sombrias.

Assuntos exteriores agravaram sua situação, tais como a querela com Babilônia e com os hititas, as aventuras de Aziru, etc. Iknaton desenvolveu uma estranha passividade; deixou sem ajuda o rei de Biblos, Ribaddi, que lhe era fiel.

Aos 30 anos de seu reinado, os faraós celebravam o jubileu. Iknaton o fez aos 30 anos de idade, como se quisesse retroceder seu reinado à data de seu nascimento.

Nessa idade, era débil e descarnado. Decide que todos os deuses, não somente Amon, tenham seus nomes apagados de qualquer inscrição. Somente ficava Aton. Esta medida não foi aplicada muito estritamente. Apagavam-se os nomes de Hathor, Ftha, etc. e até o plural “deuses”.

Enquanto se limitou a apagar Amon, teve somente um clero contra ele; depois, teve todos.

Parecer que o chefe do exército, Horenheb, em desacordo com a política pacifista de Iknaton, planejou em segredo as campanhas que mais tarde realizaria. Talvez em conivência também com o Grande Sacerdote de Aton, Meri-Ra.

Sem descendência, com grande oposição, até entre seus funcionários, outorgou sua confiança a Smenkara, casado com grande pompa com sua filha mais velha, quando esta tinha 12 anos.

Associou seu genro à regência, e quando eventualmente o sucedeu, adotou o epíteto de “Bem-amado de Iknaton”.

Ter um associado no trono foi uma medida insuficiente. A Síria estava quase perdida, e os grandes gastos para a construção do Horizonte de Aton esgotaram o imenso tesouro egípcio.

Sem dúvida, compreendeu que a religião de Aton não sobreviveria a ele, como realmente aconteceu.

O único que se sabe é que morreu quando tombava seu império. O exame de sua múmia sugere um ataque. Acredita-se que fosse epilético. Teria então uns trinta anos; acredita que fosse o 18° ano de seu reinado, mas encontrou-se uma inscrição que faz menção do19°.

De Nefertiti, nada mais se sabe. Acredita-se que sobreviveu somente um ano ao seu marido. Seu genro e sucessor, Tutankhaton, foi persuadido a voltar a Tebas e sendo abandonada, definitivamente, a Cidade do Horizonte. Há uma época contemporização entre os cultos de Aton e de Amon, porém por influência de Horenheb, chefe do exército, primou Amon.

Aos 40 anos da morte de Iknaton, o clero de Amon recobrou integralmente sua influência. O nome de Iknaton foi apagado; referia-se a ele como “esse criminoso”. As inscrições “Amenofis IV”, não foram tocadas.

O templo de Aton, em Karnac, foi demolido. Iknaton foi sepultado na tumba de Tii. Esta foi aberta e retiram o corpo de Iknaton. Seu nome foi retirado de todas as faixas, as quais foram recortadas. Apagaram-se as inscrições, depois foi recolocado no caixão.

Esta luta entre Amon e Aton foi chamada, a Luta dos Dois Sóis.

A semente deixada pelos partidários de Aton, de forma curiosa, cristalizou em Osíris, encarnado e morto entre os homens pela salvação do mundo.



Ensinança 4: O Templo da Iniciação

Neste Templo estudavam-se os livros da Mãe Eterna e foi nele onde, com as Escolas Esotéricas de Amon, chegou ao máximo esplendor o poder e a sabedoria dos Sacerdotes de Amon, com os quais o politeísmo alcançou seu maior fulgor.

O Templo de Amon que se rememorará - cuja influência dos sacerdotes era sentida em todo mundo, apesar de, fisicamente, não o abandonarem jamais- poderia ser localizado a uns cem quilômetros de Tebas, próximo ao Nilo. Era de grande extensão, quadrado, de mármore branco.

Seus moradores, homens e mulheres, viviam em recintos completamente separados por muros altos e largos. E, tanto homens como mulheres, estavam completamente separados do mundo. Realmente mortos para o mundo exterior. Durante muitos anos viviam em recintos, os quais não tinham janelas que dessem para o exterior.

Para ingressar no Templo, era mister, mais do que a vocação do candidato, ser escolhido. Alguns eram atraídos até psiquicamente. Ingressava-se aos 12 anos.

Tão solene era o passo (pois verdadeiramente morria-se para a vida ordinária), que os parentes do candidato o acompanhavam como em procissão fúnebre e levavam-no a um recinto externo do Templo, no qual não havia senão um ataúde vazio onde era depositado.

Amiúde estes candidatos eram de sangue real. Isto era importante, já que os faraós, na época de esplendor, eram iniciados pelos sacerdotes e estes eram também “reais”, por seu saber, seu poder e seu sangue.

Havia sete recintos.

O ataúde, com o candidato depositado nele, era transportado ao primeiro.

O postulando, para coroar sua carreira, devia passar por sete graus, variando a duração de cada um, e somente a minoria chegava ao cume.

As ensinanças versavam tanto sobre o aspecto físico como o intelectual; nunca somente sobre um deles.

Cumpria-se, sucessivamente cada grau, em um dos amuralhados recintos já citados.

O primeiro grau, que poderia ser chamado de “renovação física e esquecimento”, estava a cargo de sacerdotes muito experimentados.

Nele, despojava-se o neófito de tudo o que trazia do mundo. Obviamente, de suas roupas e de todo objeto pessoal. Era submetido a provas da vista e da escrita. Eram-lhe arrancadas as unhas para liberá-lo de instintos animais.

Como no caso dos noviços das ordens cristãs, não estudavam. Pelo contrário: procurava-se que esquecessem tudo o que sabiam, o que se conseguia mediante beberagens especiais que provocavam, não somente a eliminação das impurezas do corpo, senão que também faziam esquecer todo aprendido.

Estas beberagens provocavam febres altas e o peso descia muito. Dependia pois, da constituição de cada um a duração deste grau, que variava entre uma semana ou vários anos.

Quando o candidato estava purificado e havia esquecido tudo o que sabia - ler, escrever, etc., e até de seu nome, de sua família, e de todos os fatos acontecidos em sua vida até esse momento - fazia-se com que adormecesse mais uma vez e era transladado ao segundo recinto.

O segundo grau poderia ser descrito como “desenvolvimento da inteligência”.

Tenha-se presente que aqui entrava o adolescente eleito, purificado e sem noção alguma de sua vida anterior.

Tratava-se de um lugar tão formoso como se possa imaginar. Tudo o que podia dar a ciência e o poderio de um rico império se reunia ali: palácios construídos com os incomparáveis mármores brancos, azuis e verdes do antigo Egito; tão maravilhosos eram que serviam para os sacerdotes estudarem os reflexos da luz solar. Nestes palácios estavam resumidas as mais belas pinturas, esculturas e obras de arte. Os jardins eram indescritíveis e tão cuidadas eram suas plantas, que havia casos em que cada uma delas contava com seu cuidador exclusivo. Aproveitavam-se, para os cultivos, as enchentes de primavera do Nilo. Neste grau, estudavam-se ciência e artes. Religião, não. Desenvolvia-se a inteligência, a flexibilidade mental.

Previne-se contra a possível confusão entre inteligência e espiritualidade: um ser espiritual bem pode carecer de flexibilidade mental e, inversamente, um intelectual carecer de espiritualidade.

Neste grau, ensinava-se a discernir. Depois de um tempo, naturalmente variável, os estudantes possuíam discernimento muito seguro, tanto na ordem científica quanto na estética.

Quando chegava o momento de passar ao terceiro grau, que poderia ser qualificado de “recordação e escolha”, hipnotizava-se o estudante e este passava ao seguinte recinto.

Logicamente, nem todos conseguiam dar este passo, pois para muitos era excessivamente difícil.

Visto que o neófito, tendo entrado no Templo, não saia jamais, estes seres ficavam como o que poderia ser designado “sacerdotes serviçais”, entre os quais se achavam os embalsamadores. Os que não transcendiam o primeiro grau se ocupavam da provedoria e demais aspectos da administração material do Templo.

No terceiro grau, já lêem os Livros da Mãe Divina. Estudam o que poderia ser denominado “psicologia”. Voltam a recordar sua vida anterior.

Mas, neste recinto, setenta por cento fracassava.

O estudo das Ensinanças levava muitos ao conhecimento de que, se o único real era o Uno, de nada servia o “demais”; para que comer ou dormir ou qualquer coisa que não fosse Aquilo?

A maioria se deixava morrer.

A partir do quarto grau eram muito poucos os que fracassavam. Dedicavam-se ao estudo da magia. Para que pudessem oferecer a outros a oportunidade de avançar, adquiriam poderes psíquicos: clarividência, viagens astrais, etc.

Só então, no quinto grau, dedicavam-se à Contemplação.

No sexto grau estudava-se a Teologia. Reconheciam que qualquer união conseguida é momentânea, tão ligada está a personalidade àquilo que a rodeia.

Quando os sacerdotes impunham um castigo, por severo que fosse, procediam sem temor algum, pois sustentavam que, se o castigado era culpado, necessariamente expiaria por carma sua culpa, de tal modo que o castigo não fazia nada mais que antecipá-lo.

O Templo agora se encontra escondido, sepultado sob as areias. Os islâmicos se encarregaram de fazê-lo inacessível.

Um dos poderes que possuíam os sacerdotes de Amon era o de morrer por êxtase.

Haviam adquirido tais conhecimentos do além, que nada temiam; isto suscitou abusos, sendo necessária uma severa regulamentação.

Para isso, exigia-se que se juramentassem sete sacerdotes, acordando entre si que todos provocariam sua morte, chegado determinado extremo; se somente um se decidisse, os seis restantes também deviam morrer. Este pacto podia concertar-se por toda vida ou por um tempo determinado.

Chegado o extremo, os sete juramentados se retiravam para um lugar afastado. Jejuavam, em geral por 40 dias, havendo casos em que o faziam por 27 ou 18 dias. O objetivo de tal prática era debilitar o corpo físico para dispor dele com maior facilidade. Enquanto isso, viviam concentrados sobre a Entidade mais alta concebível.

Passado este jejum, concentravam-se sobre seus centros, começando pelos inferiores.

Faziam-no sobre cada parte de um centro, considerando sua inutilidade. Estes, esvaziados de sua razão de ser, cessavam de atuar.

Procediam assim, sucessivamente, com todos os centros. Quando chegavam ao superior comprovavam que, apesar de tudo, estavam fortemente atados à vida. Faziam então o exame retrospectivo, depois do qual, podiam, já, dar o grande passo.

  1   2   3   4   5


©principo.org 2016
enviar mensagem

    Página principal