História de um certo Brasil Tio Dudu, me conta a história do Brasil?



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História de um certo Brasil

- Tio Dudu, me conta a história do Brasil?

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Ô André, foi mais ou menos assim...

Tudo começou quando um certo Pedro saiu de Portugal à procura de umas índias. Mas o vento soprou pru lado errado, ou faltou vento, sei lá, o fato é que ele se perdeu. Perdeu mas achou, ou descobriu, ou invadiu uma ilha grande, tão grande que virou um país onde se plantando tudo dava.

E deu pau-brasil, ouro, cana de açúcar, café e confusão, com um outro Pedro, que se dizia o primeiro, mesmo tendo havido aquele Pedro, o Cabral, antes dele.

Mas o Pedro primeiro, que era filho de um tal João, que era o sexto, apesar da gente não ter notícias dos outros cinco, resolveu ser imperador no grito. E foi. E o filho dele, menino ainda, foi o segundo. Pedro e imperador. A filha do segundo Pedro, ou terceiro, se contar o Cabral, uma tal Isabel, assinou uma lei libertando os negros que eram escravos. E a lei Áurea acabou sendo a certidão de óbito da monarquia imperial.

Pedro, o segundo, juntou a família e se mandou pra Europa, deixando aqui, instalada, uma tal de República, que já começou fardada. Entrava e saía marechal. De vez em quando vinha um civil, entre eles um presidente, que, antes, havia sido ditador, até foi pra guerra, foi não, mandou brasileiros pra guerra, lá nas Europas. Acabou a guerra e o governo dele também, tanto que voltou corrido pra sua fazenda, lá no Rio Grande.

Retornou, depois, nos braços do povo, eleito no voto, direitinho. Só que um negão amigo dele arrumou encrenca na rua, e o presidente deu um tiro no peito, peito dele, não do negão.

Foi uma confusão. Mas assumiu o vice e a coisa parecia que ia tomar rumo. Até veio um presidente que ria pra todo mundo, gostava de fazer serenata, dançar e resolveu construir uma cidade no meio do nada. Construiu, mudou a capital para lá, com dança e tudo. O problema é que a cidade tinha muita poeira e ficava muito longe do Brasil.

Depois dele veio outro, que falava esquisito e tinha mania de vassoura, não sei se por causa da poeira ou da sujeira da nova capital, e que de repente renunciou, ninguém entendeu bem por quê. Então deu outra confusão danada, mas acabou assumindo o vice, de novo, que começou a ter umas ideias e foi derrubado pelos militares, que botaram um general na presidência, aliás, um não, vários, um atrás do outro.

Teve um marechal baixinho, que não tinha pescoço nem paciência, depois aquele outro que teve um treco e, no lugar dele, assumiu uma junta militar. Era farda demais.

Na sequência vieram mais três generais, que pareciam não gostar muito de ser presidentes; um bravo, que escutava futebol num radinho; um alemão, que não ria de jeito nenhum; e um João, que não era o sétimo, e gostava mesmo era de cheiro de cavalos.

Quando ninguém aguentava mais nem cheiro de generais eles deixaram entrar um civil, aquele, que tinha sido ministro do que deu um tiro no peito. Mas ele também teve um treco, logo antes da posse, e acabou morrendo no dia do Tiradentes, que não foi presidente e fez uma conspiração contra o imposto de renda que no tempo dele cobrava 20%. Bons tempos...

Mas isso é uma outra história que um dia te conto...

Então entrou esse outro, que seria vice do que tinha sido ministro, tinha um bigode de morsa, achava que era poeta e até ganhou um fardão. Ô sina.

Esse vice, mais um que virou titular, fez uma lei proibindo os preços de subir, correu atrás de boi no pasto, deu calote dentro e fora do país, distribuiu televisão e rádio prus amigos, ganhou mais um ano pra ser presidente, disparou a inflação e deu com os burros n’água.

Quando ninguém aguentava mais, voltou a eleição direta que o pessoal de farda não gostava e não deixava, e apareceu um monte de candidatos, entre eles um sujeito barbudo, peão, de língua presa, que deu um susto em todo mundo e quase ganhou.

Perdeu no segundo turno para um almofadinha que tinha aquilo roxo, olhos esbugalhados (talvez os olhos estivessem esbugalhados porque aquilo tava roxo) e chamava todo mundo de minha gente. Ele gostava de correr, andar de moto e fazer discurso pra gente dele. Deu um tiro na inflação que o poeta tinha deixado, errou feio, tomou o dinheiro da poupança do povo, distribuiu entre outra gente, essa dele, de verdade, construiu uma cascata em casa e, por causa de uma briga com o irmão, quase foi pra cadeia junto com o tesoureiro, que depois morreu, parece que em briga de mulher. Parece...

O almofadinha saiu com o rabo entre as pernas, pela porta dos fundos do palácio, escapou da cadeia, foi prus Estados Unidos e aí, adivinhem? Entrou de novo um vice, que gostava de pão de queijo e desfile de carnaval.

Todo mundo dizia pra ele sair, mas, mineiro teimoso e topetudo, resolveu ficar. Relançou o fusca e inventou um novo dinheiro, bolado por um ministro, que deu certo, o dinheiro e o ministro, ora vejam só...

E o ministro virou presidente, e gostou tanto que repetiu a dose.

Depois dele veio um sujeito que era a cara do Brasil, sabe, aquele peão de língua presa, que quase ganhou do almofadinha, pois é, chegou lá.

Diziam que ele ia mandar invadir o apartamento da gente, que ia fazer confusão, que era um sapo barbudo, faltava um dedo e falava tudo errado.

Pois não é que o cara até que fez muita coisa certa? Comprou um avião, viajou pra todo lado, deu palpite na cozinha de todo mundo e até ensinou gringo a transformar tsunami em marola.

E o povão elegeu o cara de novo e, agora, parece que ele vai sair e deixar a vaga para uma coroa, ou melhor, uma mulher, coisa que nunca antes se viu na história desse país.

Se ela ganhar vai ser a primeira presidente (ou presidenta?) e quem sabe, começar uma nova história.

Pois é, André, foi mais ou menos assim...

Eduardo Machado



31/08/2010
Inspirado em texto publicitário

do Jornal Folha de São Paulo
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