HistóRIA DO ENSINO DE história: O CONHECIMENTO histórico, o saber ensinado e o saber aprendido



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HISTÓRIA DO ENSINO DE HISTÓRIA: O CONHECIMENTO HISTÓRICO, O SABER ENSINADO E O SABER APRENDIDO ( HISTÓRIA /UEL - 1983 -2003)
Marlene Rosa Cainelli - UEL

A história como disciplina escolar apareceu no século XIX, na França, fruto do que François Furet denominou de “progresso da humanidade, uma matéria que deve ser estudada, um patrimônio de textos, de fontes, de monumentos que permitem a reconstituição exata do passado." Esta transformação da história em disciplina para ser ensinada, fez parte de um processo que se iniciou no século XVII, culminando na “revolução positivista”, legitimando para a história seu campo de atuação e seu método. No Brasil desde sua criação, no século XIX, a disciplina de história percorreu vários caminhos numa trajetória de difícil mapeamento. Desde sua implantação no Colégio D. Pedro II, várias concepções de história e tendências historiográficas sustentaram o ensino desta disciplina segundo Nadai(1992/93, p.146) a história inicialmente. estudada no país foi a história da Europa Ocidental, apresentada como a verdadeira História da Civilização. A História pátria surgia como seu apêndice, sem um corpo autônomo e ocupando papel extremamente secundário. Relegada aos anos finais dos ginásios, com número ínfimo de aulas, sem uma estrutura própria, consistia em um repositório de biografias de homens ilustres, de datas e batalhas . Mesmo depois da proclamação da República, com o projeto republicano de formação de cidadãos a referência principal dos programas curriculares continuou sendo a Europa, o que anos mais tarde foi caracterizado pêlos críticos do ensino de história, como um dos grandes problemas da disciplina, a concepção europeizante dos conteúdos ensinados nas escolas do Brasil.

Apesar da Europa ser a principal referência dos conteúdos ensinados nas disciplinas de história, Circe Bittencourt afirma que a partir de 1860 as escolas primárias e secundárias começaram, sistematicamente, a ensinar em seus programas a história nacional , segundo a autora, o número crescente de compêndios de História do Brasil editados, sobretudo, a partir da década de sessenta do século XIX comprova a incorporação dessa área do conhecimento histórico na cultura escolar do período, tanto para as escolas secundárias enquanto para o ensino elementar (BITENCOURT,1992/93,p.204).

No período republicano ganha força a incorporação da concepção de que a disciplina de história tinha a responsabilidade de formar cidadãos , como demonstram os programas de ensino das escolas secundárias. Os principais conteúdos de História do Brasil tinham como objetivos a constituição da nacionalidade e a formação da nação, com seus heróis e marcos históricos , sendo a pátria seu principal personagem.

.A história ensinada nas escolas e universidades brasileiras foi no início da década de 80 alvo de inúmeros trabalhos, tornando-se assim campo de pesquisa de teses, dissertações, livros e artigos. As reflexões apresentadas apontaram diversas abordagens e temáticas com questionamentos aos conteúdos, a metodologia, o livro didático, a epistemologia do conhecimento histórico e a reprodutividade deste conhecimento no ensino fundamental e médio.

Vários autores destacaram-se nestas discussões tornando-se referência obrigatória para qualquer estudo: Elza Nadai, Ernesta Zamboni, Kátia Abud, Circe Bittencourt, Déa Fenelon, Marcos Silva, Selva Guimarães Fonseca, entre outros. Neste processo de debates e discussões foram realizados congressos, simpósios e encontros, que tiveram como temática o ensino de história. Vale salientar que as discussões são organizadas em torno da retomada da disciplina história de forma autônoma, uma luta travada no interior das Universidades, nas associações científicas e entre os professores da disciplina no ensino fundamental e médio(antigos 1° e 2° graus), visto que as disciplinas de história e geografia haviam sido extintas durante o regime militar instaurado em 1964, transformadas em Estudos Sociais, numa fusão dos seus conteúdos.

A reconquista da disciplina de história como espaço de conhecimento específico e autônomo no ensino fundamental e médio, ampliou até então as isoladas tentativas de alguns historiadores e educadores de trazerem para as discussões acadêmicas a problemática do ensino de história. As pesquisas e participações de vários especialistas produziu um diagnóstico sombrio das condições dos cursos de história. Em um desses estudos foi possível perceber que a formação de professores para a disciplina de estudos sociais e posteriormente de história em algumas faculdades particulares e mesmo em algumas universidades públicas permaneceu por muito tempo ainda como licenciatura curta, formando professores para a disciplina de Estudos Sociais, que pela lei podiam atuar no ensino fundamental com a disciplina de história e também com a disciplina de geografia, enquanto outras universidades já mantinham no mesmo período, a licenciatura plena em História e Geografia separadamente,

(...) Diversidade cultural, problemas de identidade social e questões sobre as formas de apreensão e domínio das informações impostas pelos jovens formados pela mídia, com novas perspectivas e formas de comunicação, tem provocado mudanças no ato de conhecer e apreender o social (BITENCOURT,1998, p.135)

Fundamentalmente, a condição reprodutivista do conhecimento histórico ensinado nas escolas do ensino fundamental e médio e a problemática do livro didático de história foram, e são ainda hoje pontos debatidos pelos pesquisadores que tem o ensino de História como temática. Também a problemática da história dos vencedores e a concepção temporal que separa passado e presente de forma estanque, desconhecendo a construção destes conceitos e as implicações desta negação, são temas sempre recorrentes de pesquisas individuais ou em encontros. de pesquisadores e professores de história.

As reestruturações curriculares que em meados da década de oitenta foram organizadas em vários estados brasileiros marcaram várias discussões e debates sobre o ensino de História e as novas concepções a serem abordadas por estes currículos sejam com relação aos conteúdos, metodologias ou avaliações. O grande marco destas reformulações concentrou-se na perspectiva de recolocar professores e alunos como sujeitos da História, enfrentando a forma tradicionalmente trabalhada nas escolas brasileiras, nas quais o ensino de história apresentava-se factual, anacrônico, positivista e temporalmente estanque.

Se a década de oitenta foi marcada pelos debates em torno das questões referentes ao ensino crítico e a retomada da disciplina história como espaço de discussão e debates em torno de temáticas voltadas para seu cotidiano, seu trabalho, sua historicidade, enfim os sujeitos recuperando-se enquanto produtores da história e não meros expectadores de uma história já determinada e produzida pelos heróicos personagens dos livros didáticos, os anos noventa trouxeram nas entrelinhas da crise da história e dos novos paradigmas teóricos, outras propostas de mudanças curriculares para o ensino de história, numa tentativa de incorporação das produções historiográficas que respondessem com maior adequação aos temas mais significativos da sociedade contemporânea.

Neste sentido, a pesquisa que estamos realizando tematiza a história ensinada na Universidade, permitindo uma discussão das interfaces entre o conhecimento histórico, aquilo que chamamos de saber produzido em teses, dissertações, livros, o saber a ser ensinado, aqui estamos nos referindo à ação dos professores em sala de aula, a interpretação da historiográfica dos professores e o saber aprendido, ou seja, as relações que os alunos estabelecem com o conhecimento histórico, as interpretações das leituras realizadas, das discussões em sala de aula.

O curso de graduação em História da Universidade Estadual de Londrina reaberto em 1982, oferecia apenas a licenciatura em curso noturno , os docentes em sua maioria não tinham pós-graduação . O perfil do professor que atuava no curso de história, só começa a modificar-se na metade da década de 80 , com a contratação de professores com mestrado e doutorado.

Ao analisar a formação dos professores que atuavam e atuam no curso de história pretendemos relacionar o perfil do profissional com as características de funcionamento do curso, que teve desde seu inicio em 1958 um direcionamento para a formação de professores e a as atividades vinculadas a questões do ensino. As questões relativas a pesquisa, a formação de pesquisadores começa a fazer parte das discussões sobre o propósito do curso apenas a partir do fim da década de 80.

A partir de 1992 o curso de História passa a oferecer Bacharelado e licenciatura, abrindo a discussão sobre a dicotomia teoria /prática da formação dos graduandos. A partir da idéia de formação para a pesquisa e formação para a licenciatura, passaram a fazer parte de um único currículo disciplinas específicas do bacharelado e disciplinas específicas das licenciaturas como por exemplo a disciplina Metodologia do Ensino de História e o Estágio Supervisionado.

Entendemos que a disciplina de Metodologia e Prática do Ensino de História seria o momento onde a sistematização do teórico e da prática encontram lugar, na iniciação da prática docente do futuro profissional da história. Percebemos que nas aulas preparadas pelos estagiários do curso de história, durante o estágio supervisionado é possível perceber a compreensão do que é a história, dos enfoques metodológicos e historiográficos vinculados as disciplinas do curso que serviram de suporte para a escolha dos conteúdos do estágio. Essa escolha evidenciaria uma atitude voltada para a transmissão de conhecimentos históricos substantivamente relacionada com a concepção de história aprendida no curso de graduação.

Segundo Basso a articulação entre o que se ensina (o conteúdo) e como se ensina (medotologia de ensino) se realiza pela mediação de uma concepção de história que evidencia a postura do curso e a aprendizagem do aluno , futuro professor. Em sua opinião as concepções de mundo e da história desse profissional está relacionada diretamente da

Formação que esse professor recebe na universidade, orientação positivista ou orientações mais críticas que influencia sua atuação em sala de aula, ensinando uma história factual e cronológica ou uma história que permita aprender a historicidade da realidade social (Basso, 2000, p.45,60)

Consideramos de vital importância uma discussão sobre a história ensinada na Universidade pois, o ensino de história como objeto de pesquisa, reporta-se quase que inteiramente ao ensino fundamental e médio, ao estudo dos manuais escolares e a discussões sobre a historiografia do ensino de História.

A atitude argumentativa do professor do curso de História seria fundamental nas escolhas de conteúdos, bibliografias e concepções de história, por parte dos alunos no momento da prática de sala de aula. Nas discussões que se apresentam sobre a dicotomia teoria/prática dos cursos de licenciaturas, há sempre a argumentação das separações das disciplinas pedagógicas impostas pela separação entre as Faculdades de Educação e os cursos de licenciaturas de conhecimentos específicos.

No caso da Universidade Estadual de Londrina, as disciplinas de Metodologia e Prática do Ensino de História e o Estágio Supervisionado estão alocadas no Curso de História., todavia gostaríamos de sublinhar que a dicotomia ensino/pesquisa teoria/prática não desaparece, pois estão relacionadas à estrutura do curso, à formação dos professores e à concepção de licenciatura que se baseia a construção do perfil do profissional a ser formado. Em resumo: não é a separação das disciplinas pedagógicas dos cursos específicos que provoca a dicotomia e sim a concepção de formação profissional presente nos cursos de licenciaturas.

No presente projeto estamos pesquisando as relações que os estagiários estabelecem entre os conhecimentos aprendidos e os conhecimentos a serem ensinados durante o estágio e posteriormente em sua vida profissional. Entendemos que o ensino de história como área de investigação e de conhecimento está na interface entre os conhecimentos históricos e educacionais, entre os saberes teóricos e sua aplicação prática. Como o aluno do curso de história equaciona esta dialética entre o discurso e a prática? Quando começa a ensinar o aluno estagiário conseguiria incorporar as perspectivas teórico - metodológicas e tendências historiográficas transmitidas nas disciplinas do curso de História?

Estamos neste estudo pesquisando como se opera o ensino de história na universidade. É possível falar-se em construção de conhecimentos? Ou o entendimento da História dar-se-ia pela "transposição didática" e interpretativa da historiografia? Como os docentes do curso de história elaboram seus programas de ensino, quais são os aspectos da pesquisa histórica disponibilizada pelos docentes para que os alunos tenham uma aprendizagem significativa dos métodos dos historiadores?

Empreender uma pesquisa tendo como objeto o ensino de história na universidade implica em algumas considerações iniciais, ligadas principalmente a formação inicial dos professores nos cursos de licenciatura.. Aparentemente seria óbvio afirmar que um profissional formado em curso de Licenciatura , seja qual for a ciência de referência é um professor. Muitas pesquisas realizadas em vários países são unânimes em afirmar a tensão existente entre as habilitações universitárias de bacharelado e licenciatura.

Tendo como exemplo as Diretrizes Curriculares Nacionais dos Cursos Superiores de História, aprovadas pelo MEC em 2001, podemos afirmar que os cursos de história não tratam a questão da formação docente com um item de relevância ,pois em momento algum do texto que fundamenta as diretrizes, como afirma Selva Guimarães Fonseca, aparece a palavra "professor"

Tendo em vista as discussões sobre a profissionalização da profissão docente e a superação da visão tecnicista que fundamentava os saberes relacionados a formação docente, estamos tentando perceber qual seria o modelo de formação inicial dos professores de história na Universidade. No espaço de produção e formação dos saberes sobre a história, qual o papel dos saberes relacionados ao ensino de história e a profissão docente.

Saberes que Tardiff(1999, p.15), caracteriza como conjunto de saberes necessários ao professor,

... um vasto cabedal de saberes e habilidades, porque sua ação é orientada por diferentes objetivos: objetivos emocionais ligados a motivação dos alunos, objetivos sociais ligados à disciplina e à gestão da turma, objetivos cognitivos ligados à aprendizagem da matéria ensinada, objetivos coletivos ligados ao projeto educacional da escola ...

Aqui cabe uma pergunta: O processo de formação dos professores de história acompanhou as mudanças relativas ao exercício da profissão? Esta questão remete aos conhecimentos que são abordados na graduação em história, especificamente nos cursos de licenciatura. Nesse sentido a manutenção ou não de um determinado rol de disciplinas teria conseqüências diretas sobre a formação do professor .

Com o objetivo de investigar as relações que os futuros professores estabelecem entre os conhecimentos aprendidos nos cursos de história, pensando aqui as diversas referências desse conhecimento,como por exemplo:: os debates historiográficos, os métodos do historiador, os conteúdos históricos e a prática desse conhecimento , entendida por nós como os conhecimentos do ensino de história estamos analisando os programas produzidos pelos professores do curso de história e as aulas elaboradas pelos alunos do estágio supervisionado, nossa intenção é estabelecer um parâmetro de comparação entre o que se aprende e o que se ensina na formação inicial dos professores de história.

As respostas que buscamos estão relacionadas aos conhecimentos da profissão docente, quais seriam as bases deste conhecimento? Shulman(1987,p.1-21) entende esse conhecimento nas interfaces do conteúdo específico e do conteúdo pedagógico, na capacidade do professor para transformar o conhecimento que possui do conteúdo em formas de atuação que sejam pedagogicamente eficazes e adaptáveis às variações de habilidades e de repertórios apresentadas pelos alunos.

Para este estudo optamos por uma pesquisa qualitativa de análise de fontes representadas pelos relatórios de estágios do curso de história, 400 relatórios.Entendemos que essas fontes nos permitirm atingir todos os dispositivos envolvidos na formação inicial dos professores de história. Documentos em estado bruto de análise, consistindo uma oportunidade de aprofundamento de uma realidade particular, historicamente situada, no caso relatórios que compõe os anos de 1983 até 2003. Os relatórios de estágio do departamento de história são estruturados com todos os procedimentos do estágio desde a observação, com as regências dos alunos e todos os materiais didáticos como textos , documentos e atividades em anexo. Também constam em anexo os planos de aulas e a bibliografia .Percebemos durante o processo de análise dos relatórios que estes compõem acervo no qual é possível estabelecer a relação entre a formação e a atuação do professor/estágiario em sala de aula. Foram utilizados como categorias de análise nos relatórios a organização dos conteúdos, por expressar as tendências historiográficas, a metodologia de ensino , vista como um conjunto de procedimentos, complexos e variáveis e não apenas como a didática específica da disciplina.


*Universidade Estadual de Londrina. marlenecainelli@sercomtel.com.br .Doutora em História social. Professora de Metodologia do Ensino de história e membro da linha de Pesquisa Docência e Avaliação do Programa de Mestrado do Departamento de Educação da Universidade Estadual de Londrina. Líder do Grupo de Pesquisa História e Ensino e Coordenadora do Laboratório de Ensino de História/UEL
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