História do Palácio da Ajuda



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História do Palácio da Ajuda
Implantado no local onde a família real portuguesa construiu a "Real Barraca" após o terremoto de 1755, assim designada por ser de madeira, o Palácio da Ajuda iniciou-se em 1795 segundo um projeto de Manuel Caetano de Sousa. Pouco depois o plano sofreria uma evolução significativa, com a introdução da estética neo-clássica e as novas formulações dos arquitetos Francisco Xavier Fabri e José da Costa e Silva. Apesar da magnificência do plano e dos avultados recursos financeiros, o palácio foi habitado com muitas interrupções, até que D. Luís lá se instalou definitivamente. Encerrado após a implantação da República, foi parcialmente transformado em Museu em 1968, servindo ainda como sede do Ministério da Cultura, IPPAR e IPM.
Período Joanino

Em 1726, D. João V (1689-1750) adquire três quintas na zona de Belém. A primeira tinha já uma edificação que é hoje o Palácio de Belém, a segunda uma ermida do Oratório que foi depois expandido para o que é hoje o Palácio das Necessidades e a terceira a quinta da Ajuda reservada para a edificação de uma residência real de verão. Ali foi aberta a Calçada da Ajuda e junto a Belém construído um cais, não chegando a existir na época nenhum projeto de palácio a ser cosntruído.


Período Pombalino

A utilização da quinta da Ajuda como Paço Real deu-se no rescaldo do Terremoto de Lisboa, a 1 de novembro de 1755, já no reinado do Rei D.José. O terremoto destruiu praticamente toda a cidade de Lisboa, incluindo a residência do Rei, o velho Palácio da Ribeira. Embora a família Real e a Corte se encontrassem nesse dia em Belém, o Rei ficou tão perturbado com o acontecimento que se recusou a viver em edifícios de alvenaria. D. José mandou então erguer no alto da Ajuda, local de pouca actividade sísmica, um palácio de madeira e pano, a que se chamou Real Barraca ou Paço de Madeira. Ali esteve sediada a corte durante cerca de três décadas numa luxuosa atmosfera da época áurea do Despotismo Esclarecido, suportado pelo que as remessas de ouro e brilhantes do Brasil ainda permitiam. Na Real Barraca viveria D.José até morrer, em 1777.


Período da Regência

À data da morte do Rei D. José a sua filha e sucessora, D.Maria I morava, desde o seu casamento com D.Pedro III, no Palácio de Queluz. A Real Barraca ficou praticamente desabitada. Desde 10 de Fevereiro de 1792, por demência da Rainha, o príncipe D.João, futuro D.João VI, assumiu o poder sob o título de Príncipe Regente e passou a governar o reino. Em 1794, um incêndio destrói por completo a Real Barraca e grande parte do seu valioso recheio. É agora necessário construir um novo palácio digno de acolher a Família Real. A construção do novo edifício é interrompida em várias ocasiões dados os recorrentes problemas, a nível nacional, de ordem financeira e política. Sublinham-se as Invasões Francesas que, em 1807, resultam na transferência da Família Real e da Corte para o Brasil. Embora as Invasões não tenham sido o direto responsável - uma vez que os registos indicam que o enviado de Napoleão Bonaparte, o General Junot, deu ordem para que as obras no palácio não parassem - a construção simultânea de um Paço Real no Brasil, o Paço de São Cristóvão, e restantes obras importantes na colónia acabaram por desequilibrar os investimentos no Reino a favor do Brasil. Ao longo da primeira metade do século XIX, as obras prosseguem com lentidão, nelas trabalhando importantes artistas nacionais.


Período do Liberalismo

Quando em 1821, D. João VI regressou do Brasil o Palácio ainda não estava concluído. As instalações permitiam apenas a realização de cerimônias protocolares, tais como a investidura da Ordem da Jarreteira a D. João VI, em 1823. Foi por estas condições que o monarca foi viver para o Palácio da Bemposta, onde veio a falecer a 10 de Março de 1826. Em 1828 D. Miguel I é aclamado Rei pelos Três Estados reunidos na sala das Cortes, hoje Sala da Ceia, no Palácio da Ajuda. D. Miguel I chega a habitar o Paço da Ajuda por cerca de seis meses enquanto o Palácio das Necessidades sofre algumas alterações para ser a sua futura residência oficial. Iniciados os confrontos entre as facções liberal e absolutista, o País entra num clima de frágil estabilidade e as obras que prosseguíam lentamente, paralisam em 1833 com a entrada das tropas liberais em Lisboa. Restabelecido o regime liberal com a vitória das suas tropas, D. Pedro assume o poder como Regente até à maioridade da sua filha D. Maria da Glória (futura D. Maria II) e jura na Sala do Trono do Paço da Ajuda, a 30 de Agosto de 1834, a Carta Constitucional.O Palácio da Ajuda fica assim reduzido a esporádicas cerimónias oficiais. Seria, no entanto, uma tragédia que viria a a acabar com esta secundarização do Paço da Ajuda.


Reinado de D. Luís

Em 1861 dá-se uma enorme tragédia no seio da Família Real. No final desse ano os Infantes D.Fernando e D. Augusto adoecem com Febre Tifóide. Acamados no Palácio das Necessidades, acabam por contagiar também o seu irmão, o Rei D.Pedro V. A 6 de Novembro morre o seu jovem irmão de 15 anos, o Infante D. Fernando. Enquanto isto, o Infantes D. Luís (futuro D. Luis I) e D. João, estavam ausentes, em viagem. Ao aportar em Lisboa, D. Luís foi recebido pelos dignitários que, dobrando joelho, o trataram por "Majestade". O Rei, seu irmão, D.Pedro V, havia falecido a 11 de Novembro, ao mesmo tempo soube da morte de D. Fernando. D. Augusto melhora, mas o recém-chegado D. João é contagiado e acaba por sucumbir a 27 de dezembro.

Geram-se tumultos, superstições, teorias e todas as vozes aconselham D. Luís a deixar o Palácio das Necessidades. D. Luís I muda-se por alguns meses para o Palácio de Paço de Arcos, enquanto se iniciam as obras de adaptação do Palácio da Ajuda. Ao mesmo tempo, numa negociação apressada é escolhida uma princesa, Maria Pia de Sabóia, filha do novo e primeiro Rei de Itália Victor Emanuel II. Agora no centro das atenções o Palácio da Ajuda adquire a verdadeira dimensão de Paço Real, será a partir desse ano de 1861 e pela primeira vez na sua história, a Residência Régia. A Rainha Maria Pia (1847-1911), ao chegar à Ajuda em 1862, iniciou aquelas que foram as grandes alterações na decoração interior. A decoração, embora fosse gerida quase totalmente ao gosto da Rainha, era organizada e executada pelo arquitecto Joaquim Possidónio Narciso da Silva. D. Luís era amante de todas as Artes. Destaca-se a criação da Galeria de Pintura na ala Norte do Palácio da Ajuda onde é reunida grande parte da coleção real que, abrindo ao público em 1869, acaba por encerrar em 1875.
Últimos anos da Monarquia

Depois da morte de D.Luís em 1889 é D. Carlos, seu filho, quem ocupa o trono ao lado da Rainha D. Amélia. O Palácio da Ajuda passa novamente para segundo Plano. Fica a habitá-lo a Rainha Mãe, D. Maria Pia, e o seu filho o Infante D. Afonso. Sendo reservadas dentro do Palácio, algumas salas do andar nobre para as cerimónias oficiais do novo reinado. Aqui decorreram os banquetes e recepções de estado em honra de Eduardo VII de Inglaterra, Afonso XIII de Espanha, Guilherme II da Alemanha, Émile Loubet, Presidente da República Francesa, entre outros convidados de estado que visitaram Portugal durante o reinado de D.Carlos. A 1 de Fevereiro de 1908 é assassinado o Rei e o Príncipe herdeiro D. Luís Filipe. Sobe ao trono D. Manuel II, que reside nas Necessidades continuando o Paço da Ajuda reservado para cerimônias de Estado. D. Maria Pia residiu no Palácio até Outubro de 1910, data em que toda a Família Real que foi forçada a abandonar Portugal, na sequência da instauração da República.


Da Primeira República à actualidade

Nos primeiros anos da República o Palácio é encerrado, mas a preocupação da República com o patrimônio ali guardado foi grande e todos os bens dos paços reais foram cuidadosamente inventariados. Numa segunda fase grande parte dos Paços Reais foi quase totalmente esvaziada e os seus recheios armazenados no Palácio da Ajuda. O Palácio reabre em 1938 como Museu. Em 1954 é inaugurada a Casa Forte onde é exposta a colecção das Jóias e Pratas da Coroa. Em 1974, de 23 para 24 de Setembro, um grande incêndio destrói a Galeria de Pintura de D. Luís e parte da ala norte. Segundo relatos da imprensa, neste incêndio teriam sido destruídas grande parte das obras de arte ali existentes, num número aproximado de 500 quadros. Um desses quadros, com autoria atribuída a Rembrandt (auto-retrato), terá sido negociado em Paris, no Palácio Galiera, em fins de Novembro de 1974, e um outro quadro terá sido negociado pela Casa Christie's, de Londres, nos princípios de 1975. O Museu do Palácio contem um verdadeiro e único espólio de artes decorativas com colecções que vão do sécculo XV ao século XX e apresenta em dois pisos distintos os apartamentos privados e as salas nobres para os dias de gala. Hoje, tal como durante a monarquia, é utilizado pelo Estado português para cerimónias oficiais.


Fonte: "SANTANA, Francisco; SUCENA, Eduardo (dir.). Dicionário da História de Lisboa. Lisboa: s.e.., 1994. p. 25-27. e Serviço Educativo do Museu do Palácio Nacional da Ajuda.

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