História e significado das insígnias episcopais: o báculo (3ª Parte)



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HISTÓRIA E SIGNIFICADO DAS INSÍGNIAS EPISCOPAIS: O BÁCULO

(3ª Parte)
O Báculo é uma insígnia comum a todos os Bispos. Todavia, o báculo dos Papas não tem a forma do báculo episcopal, caracterizado pelo tradicional “encaracolado”, mas a forma de uma cruz. Hoje, à cruz levada pelo Papa também se chama báculo. O báculo, como o anel, tem o seu significado dentro de um contexto tanto antropológico como bíblico (cf. Ex 4, 17.20; Sal 23, 4), como também patrístico. Orígenes e Santo Agostinho relacionam o bastão de Moisés com a Cruz de Cristo.

A origem litúrgica do báculo não é muito clara. É provável que tenha a sua origem no Oriente. Em Constantinopla, o báculo, talvez tenha sido introduzido pelo Imperador que o entregava aos Patriarcas. Depois, torna-se uma insígnia usada nas ordenações episcopais. No Ocidente, o uso do báculo nasce nos mosteiros. Inicialmente, o báculo fazia parte do vestuário do monge: era considerado como que o companheiro de viagem e sinal da cruz de Cristo. Nos séculos VII e VIII, o báculo foi usado pelos Abades na Gália e nas Ilhas Britânicas. As primeiras referências históricas de um rito litúrgico para a entrega do báculo ao Bispo são do século VII, oriundas, como no caso do anel, da Espanha, nomeadamente do IV Concílio de Toledo. Dois séculos mais tarde, no reinado do Imperador Carlos II e do Papa S. Nicolau I, o báculo começa a fazer parte das insígnias dos Bispos da Gália. Todavia, o uso litúrgico do báculo foi mais lento. Só com o Pontifical de Guilherme Durando, Bispo de Mende (1230-1296), é que o báculo passa a ser usado na maior parte das celebrações litúrgicas presididas pelo Bispo. Em toda a História da Igreja, o báculo conservou sempre o seu significado primitivo: sinal de autoridade, de governo e de guia (conduta).

Os Papas nunca aceitaram a insígnia do báculo, apesar de terem aceitado o uso do anel da liturgia espanhola e gaulesa. Os Papas já tinham uma insígnia própria, denominada a “ferula”. Era um pau com uma cruz no cimo que tinha também o nome de Tau. O báculo não podia entrar na liturgia papal, porque já existia uma insígnia análoga própria para os Papas e também porque o báculo era o sinal de uma autoridade recebida de outros e a eles submetidos; daí, segundo alguns historiadores litúrgicos, a origem da curva “encaracolada”. Sendo assim, o Papa nunca poderia usar o báculo. Quanto ao significado, tanto a “ferula” como o báculo eram sinal de autoridade, de jurisdição e de governo. Nunca se entrega o báculo no rito do início do ministério petrino do Bispo de Roma. Como regra, a “ferula” entregava-se ao novo Papa quando este tomava posse da Basílica de S. João de Latrão, a Catedral do Papa e, salvo raras excepções, o seu uso era extra-litúrgico.

Com o Papa Paulo VI, a tradição da “ferula” foi recuperada e incorporada no uso litúrgico. A partir dessa altura, os Papas usam nas celebrações litúrgicas um “báculo” em forma de cruz que recorda, na sua forma artística, a antiga “ferula”.



O “báculo”, usado pelo Papa João Paulo II e pelo Papa Bento XVI, é uma reprodução do “báculo” de Paulo VI e é considerado, actualmente, em todo o mundo como um dos sinais característicos do Papa.


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