História, Educação e Memória da Educação do Campo na Amazônia Paraense



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Localização: Escola Ângelo Debiase

5. Diretor: Marcelo

Assunto: Educação do campo

Lembranças da memória: O nome da escola Ângelo Debiase: ele foi o primeiro administrador do município; no próprio histórico do PPP aparece. A escola é uma escola de bairro que foi construída com o esforço da comunidade, com uma participação muito forte da comunidade mesmo, começou com duas salas de aulas, e só depois foi crescendo e hoje é grande.

Ela tem uma estrutura física, eu diria para você, que foi a escola mais planejada do município. Ela tem pátio amplo, onde, as crianças podem correr. Ela não é uma escola cheia de beco. A própria estrutura até favorece o trabalho

Bom, antes de assumir o cargo da direção, eu fui professor da escola durante 03 anos. Na questão da direção, é uma experiência bem diferente da sala de aula, na direção você tem que trabalhar como um todo, com professor, com supervisor, com todo mundo é algo, assim, uma experiência muito boa porque você aprende muitas coisas, consegue ver as coisas de formas mais ampla.

A questão do público que a gente trabalha, é uma experiência gratificante porque é uma área que a gente trabalha com pessoas carentes e geralmente tem muito mais necessidades. Você tem que trabalhar com muito mais afeto, com muito mais carinho. Porque há uma carência não de bens materiais, e sim de afeto, de convivência, de formação do ser humano.

A experiência é muito gratificante, é muito especial, muito gostosa. Tem os problemas que você acaba tropeçando no dia-a-dia, mas você vai conseguindo resolver. É uma experiência muito boa, pelo fato de você está ajudando, contribuindo com a formação das pessoas que estão aqui dentro, tanto os alunos quanto os professores.

Temos uma faixa de alunos 1.800 alunos. Nós trabalhamos com pré-escola, ensino fundamental e EJA também, a noite funciona só turma de EJA.

Professores: uma faixa de 36 professores. Eles estão assim tem uma parte que está em formação e tem uma parte que está formada. Tem, uns 5, só com o magistério. Formado eu tenho 3, tem uns 28 estudando.

Tem um diretor e, 02 vice-diretor; tem uma formada e a outra está estudando ainda. O corpo administrativo: tem o secretário que está estudando ainda e quatro auxiliares. Têm serviços gerais e vigias, porteiro não tem, quem cuida do portão, são os serviços gerais, são 2 serviços gerais 2 vigias e 3 serventes nos três períodos.

Um problema sério é a questão estrutural, que a gente discute muito, porque a gente sabe que o ambiente influencia muito no aprendizado da criança.

Nós não tínhamos essa quadra de espore, ela foi construída. Nós conseguimos mais três salas de aulas no ano passado. São no total 13 salas. A quadra é poliesportiva.

A minha grande preocupação é garantir aula, porque a gente tem uma tarefa muito maior que em outra escola, pela situação de vida que eles vivem. Quem está aqui? Porque eu sei que eles vão necessitar disso aqui para sobreviver depois, então a gente conseguiu melhorar a questão das aulas. Era um problema, muito sério, pois tinha poucas aulas. Deu muita briga para que se assegurasse mais aulas.

A gente trabalha também projetos, projetos de sensibilização, de meio ambiente, de convivência, porque os alunos têm muitas dificuldades de socializar ações com os outros. Eles são muitos violentos, até mesmo pela formação deles; só falam gritando, aí tem que tá trabalhando isso pra vê se da uma melhorada.

O ultimo projeto que nós trabalhamos é o de convivência. É sobre os valores humanos, a própria condição de vida. Eu conseguir fazer uma mudança no quadro de professor.

A gente recolhe frascos de drogas, tem muito problemas de violência também.

A prostituição com as meninas, tem muito fora, a gente percebe de longe.

Nós temos o Projeto Político Pedagógico, que a gente deu até uma reformulada nele; temos plano de ação, é o plano mais curto que envolve toda a atividade de escola na verdade ele está rascunhado, mas está prontinho.

Tem conselho escolar. Acho que você já deve ter ouvido por aí, o conselho funciona quando chega à verba do PDDE, geralmente não participam muito. A forma de conduzi-los a gestão, como é a forma de diálogo; às vezes, a gente se reúne para discutir as idéias.

A gente faz uma geral com todos os funcionários no começo do ano e no meio do ano e, as reuniões com os professores; é de acordo com as necessidades.

A gente faz a festa junina de todos os anos, tem a festa do dia das mães que a gente faz todo ano. Participa do desfile cívico. Nestas questões das festividades os professores participam muito, fiquei até emocionado na festa junina, de ver. Teve muita participação dos alunos e dos pais.

Desafios


Eu acredito que é melhorar a educação, até pelo que eu já disse, pela função social que nós temos. Criar na escola um laboratório de informática, que, acredito que vai ajudar muito os alunos. Melhorar os investimentos.

No final e semana a gente vê a escola cheio de meninos, e quando, a gente vai na casa deles, eles não tem espaço.




ALUNOS DE URUARÁ


Ano: 2007

Localização: Uruará/ CASA FAMILIAR RURAL. Km. 185, Lado Sul, Rod. Transamazônica. Entre Altamira e Abaetetuba

1. Aluno Miguel

Assunto: Educação do campo/Alternância

Lembranças da Memória: A metodologia, assim é muito diferente da que eu vivia antes, aqui a relação que a gente tem aqui dentro é muito boa. Aqui a gente vê, assim a relação de aluno e monitor, não é igual à relação que eu tinha lá. Era aluno, e só obedecia por conta que era professor, era aluno e professor. Aqui a gente tem a relação de amizade.

Eu sou aluno, o professor é aluno, da mesma forma, eu sou professor, o professor é aluno; a gente divide os conhecimentos e quando a gente começa a trabalhar e vê que é diferente, a gente passa a gostar mesmo, é uma força grande pra vida da gente.

Aqui a gente aprende a lutar pelos nossos direitos. Assim, a casa tem os seus pontos positivos, mas também tem os seus pontos negativos. Porque, é assim, a CFR, hoje poderia ter se expandido muito, mas só que devido o tipo de metodologia dela aqui dentro, muitos alunos, eles não gostam e, aqueles que acabam saindo daqui, dizem que aqui não é lugar para eles e acabam desiludindo outros. Mas, só que eu vejo que aqui é diferente.

O ponto negativo também é pelo apoio que a gente não tem das parcerias, a própria prefeitura do município não apóia muito a gente e os outros parceiros também. Existem esses pontos negativos, mas não por isso a gente deixa de lutar.

A CFR, apesar dela, ter essas dificuldades, ao filho do agricultor se deslocar, lá da vicinal que ele mora, pra vim pra cá, também são dificuldades, no inverno as estradas da gente, não são muito boa né, péssima. A gente desloca, vem estuda, porque a gente sonha, que quem é capaz de mudar a situação somos nós, como agente de desenvolvimento, porque aqui nós não somos considerados só aquele aluno, mas agente de desenvolvimento.

Quem vai mudar isso, a realidade de nossa região, somos nós, e se a gente ficar de braços cruzados, não mover nada, não tem jeito, a gente vai sempre permanecer na mesma da ir por diante, aqueles que vão vir depois de nós, os nossos netos. A gente tem que deixar para eles a realidade, não do jeito que tá, se não, o que a gente vai deixar pra eles?

Daí a gente sendo capaz de mudar isso, eu tenho certeza que a vida deles não vai ser melhor, porque o povo tem a dizer, que filho de pobre nasceu pra ser pobre, mas ele nasceu pra lutar.

A luta faz parte da CFR, aqui dentro, eles passam a conhecer de tudo aqui, ele passa a conhecer sobre as aulas, passa a conhecer sobre política, sobre lazer, tudo o que a gente tem de conhecer, os monitores, o próprio projeto tem ele tem que incluir aqui dentro esse tipo de metodologia. A gente passa a trabalhar aqui dentro e tem muitas pessoas que acha que estamos errados.

Quando era pra mim vim pra CFR, eu tive muito conselho que não era pra mim vim. Lá é desse jeito, o aluno só trabalha, lá o aluno não tem suas liberdades, mas pra pessoa alcançar os objetivos na vida, a pessoa não precisa só de liberdade pra fazer o que quer. Ele tem que se aprender um pouco, nos estudos, na forma de pensamento, no próprio tipo de raciocinar, porque vamos ter que raciocinar como gente grande, como diz o professor. Aí, a gente chega aqui e, fica com aquele medo, aquele medo de lutar, assim, acho que é difícil a gente conseguir o que quer.

Aqui na CFR, a gente vê a estrutura que a gente tem, então eu acho que a gente tem mais é que aproveitar, porque antes os meus pais, meus irmãos, eles não teve condições de estudar como a gente estuda hoje. Naquele tempo, o aluno fazia de 1ª a 4ª e achava que estava totalmente formado.

Hoje a gente sabe que a 4ª série é apenas o começo, daí a gente vem pra CFR, e esse começo a gente permanece sempre seguindo. Ai nós vamos continuar com a nossa batalha, porque nós temos que continuar de verdade, não fingir como muitos fingem, achando que aqui é lugar de descansar, tirar férias do lote.

Eu acho que é muito diferente aqui o aluno tem que fazer mesmo pra valer, porque cedo ou mais tarde, se ele sai daqui e ele aprendeu mesmo, ele não vai perder sua prática de trabalhar, ele vai saber como melhorar o seu produto, ter o seu produto de qualidade, saber como lutar, como lidar coma as autoridades.

A gente chega aqui, na escola, através dos carros que traz a gente, de lá pra cá, aí é uma dificuldade, porque lá a gente tem que pagar passagem pra vim pra cá e ai o preço da passagem é muito alto. A gente vê que, como o aluno rende pro município, para o país. A gente deveria ter direito de ser contribuído pela parte deles. A educação, a gente sabe que vem de lá das autoridades públicas, mas a gente deveria ter mais um direito, um apoio das nossas autoridades.

Aqui a gente vê as nossas autoridades do município, do Estado, uns lutam para que isso prossiga, e outros lutam para acabar. Então, se a gente não lutar com aquele que pensa em não prosseguir, a gente vai fracassar e acaba ficando por baixo, outros vão subir, aqueles, que quer derrotar a gente e, a gente vai acabar perdendo.

Em relação às aulas, eu sinto que tem algumas aulas que eu não simpatizo muito com elas. Mas, as aulas que eu mais gosto é a aula de português, matemática, que a gente precisa muito, pois em qualquer lugar você deve estar fazendo os cálculos. Até pra ti andar daqui pra lá, para o outro travessão, pra ti fazer a tua roça tem que ter a matemática. Aqui, a gente trabalha com zootecnia também; sou muito apegado com isso, e as aulas ambiental que a gente tem.

A gente paga de passagem, do Km. 124, até o 185 Km., R$ 30,00. É R$ 15,00 pra vim e R$ 15,00 pra voltar. E no inverno eles sobem à passagem. No inverno ela vai para R$ 20,00. Vinte pra ir, e vinte pra voltar, são quarenta. E se a gente não gosta realmente do que está fazendo. É por isso que tem muitas desistências na escola, a desistência é muita por conta disso.

Se a gente tivesse um apoio do município, que desse um carro pra vim deixar e levar os alunos, eu acho que nós tinha um índice de muito alunos na CFR. Mas, só como eles não querem ver isso muito além, eles não dão tanto apoio, assim.




Ano: 2007

Localização: Uruará/Casa Familiar Rural. Km 185 Sul. Rodov. Transamazônica.

2. Aluno André

Assunto: Educação do campo

Lembranças da Memória: As aulas mesmo, na minha opinião, pra mim é muito importante. É muito boa, porque eu moro na roça, e o que eu estou estudando, o que eu aprendo aqui, eu posso praticar na roça. E pra mim é muito bom, as aulas aqui, porque se eu tivesse estudando em outra escola nem em casa eu não tava, tinha que ter saído para estudar.

Aqui tem pontos negativos, mais nem alguns negativos.

Os pontos positivos: aqui é bom que todos se esforçam, só tem uns que deixam de fazer alguma coisa e tratam a gente com racismo, mas no meu ponto de vista, isso não vai me prejudicar agora no momento, pode prejudicar mais tarde, agora no momento, não me prejudica assim tanto não.

Os instrumentos de ensino, melhor pra mim, dependendo, se eu morasse na cidade, seria o data show, mas como eu moro na roça é o livro, eu posso ler, posso tirar informação, é o melhor ponto que eu acho é o livro pra mim. Um instrumento que eu posso ler, e eu sei o que se trata.

Rapaz! Me esqueci o nome daquele livro! É um livro grosso assim! Nós já estudamos SAF (Sistema Agro-Florestal), solo, fruticultura, cacauicultura, pimenta do reino, café, gado, bovinos.

Na aula prática é melhor, até por que na aula teórica, a gente aprende como é que se diz, a história dela; na aula prática eu to vendo, fazendo e fica bem mais fácil.

Assim, tem o turno da manhã e de tarde. Nós temos aulas até dez da noite. Te educação física, jogos, o Futssal, handebol, voleibol, futebol.

As meninas de vez em quando elas jogam também, futebol, handebol, elas jogam também.

A avaliação é feita de vez em quando. Nós tem feito tipo prova, mas é um diagnóstico.

Os monitores vai muito nas casas. Na minha propriedade eles já foram, foi muitos monitores. Só a Selma que é formada em letras que não foi ainda, e o Edílson, os outros monitores todos já passaram por lá, na minha propriedade. Na média é mais de uma vez ao ano.

Aprendi bem mais aqui! O que mais marca pra mim, assim, é o tema: cafeicultura, cacau, pimenta do reino, porque é uma coisa que a gente vive na propriedade.

Eu acho que precisa de um técnico. Tem um agrônomo, mas eu acho que teria que ter um técnico que comandasse, assim, como nas aulas práticas. Porque, assim, vem um com uma idéia e ai vem outro com uma idéia diferente e ai atrapalha, eu acho que deveria ter um técnico que comandasse no geral.

A relação com os colegas é boa. Muitas vezes, alguma avacalhação. Aí, vem algum monitor que corrige, depois normaliza tudo de novo.





Localização: Escola Casa Familiar/Uruará

Identificação:

3. Aluno: Ivo

Assunto: Educação do campo

Lembranças da Memória: Nós não sabíamos fazer quase nada, daí entramos na casa e já pegou uma base de cortar muda de pimenta, porque antes eu não sabia cortar, agora sim.

Eu sempre fui brincalhão, só tinha um meio mais cismado, tinha que ser assim mesmo, porque eu era muito bagunceiro. Eu dava muito trabalho, na fase da adolescência.

Vale a pena não fazer prova. Quero terminar de estudar! Continuaria nesse sistema, ficaria, porque nós aprendemos ali.

Lá no lote, nós só temos pimenta e o resto é só capim. O horário da roça é das 8 até as 12, das 14 até as 18 horas. Meu pai me ensina tudo






CAMPONESES AGRICULTORES DE URUARÁ


Ano: 2007

Localização: Uruará/Vicinal do Km. 140 Norte, Rodovia Transamazônica.

Identificação: 1. Colono Rui

Assunto: Educação do campo/Transporte/Estradas Vicinais da Transamazônica/ Política Educacional.

Lembranças da Memória: Quase todo o pessoal do travessão tem muita história, mas, muitos ficam em sigilo, porque é muita perigosa nessa região. É o 140 norte.

A dificuldade é sobre o transporte, o transporte é muito difícil, é muito caro. O carro da linha que faz a linha, e cobra muito caro, R$ 35,00 reais, para ir e vir. Então o povo reclama, mais não tem jeito.

Nós anda pela estrada dos madeireiros, porque é muito ruim pelo travesssão. Essa estrada dos Madeireiros é ao lado, a vicinal mesmo, é péssima. O prefeito não tem acesso nenhum com as estradas, mais é com os votos, ele tem acesso mais é com isso.

No ano político ele entra fazendo promessa e as pessoas cobra, aí ele diz que faz. Ninguém sabe o que é o certo ou errado, aí o povo continua sofrendo.

As dificuldades da professora, é que lá dentro ela fica estressada, é que criança tem que ter supervisor direto nas escolas. E também, a escola é muito péssima.

Através dessas coisa, que acontece lá [...], é, a escola do campo, a água é poluída, as crianças pegam com um calote. E vão pegar com um 300m de distância, descendo uma ladeira, onde tem toco, pasto, então é perigoso.

Então a professora acha muito difícil. A gente cobra do prefeito e dos vereadores. Ele [...] só diz que vai arrumar, mas a gente não sabe quando isso. Ai ela fica estressada porque falta muita coisa.

Vai merenda, só que é muito pouquinho, eles dá a merenda pra passar um mês que eles fala, mas só dá para uma semana. Esse dinheiro, essa merenda, eu acho que ela é desviada, porque não chega o total certo.

A escola é péssima, de madeira. O poço não existe, poço não tem. A escola tem que fazer uma nova reforma e não fizeram ainda, cercar, e tudo, por causas dos gados.

A Escola é a Nova Esperança. Já veio muitas pessoas lá, a mando do prefeito, que diz que vai botar placa solar e tudo. Aí pede pra gente assinar, projetos, ele ganha dinheiro ai; eu acho com o nome da escola. E, a gente não vê essas coisas. Aí é muito difícil.

Agora com essa luz para todos do presidente, foi o melhor plano de governo que ele já fez em todo o trabalho dele. Então foi o melhor plano para todos nós. Ainda não chegou, mas a esperança é a ultima que morre, espero que essa energia possa iluminar cada casa que vive no escuro e que possa iluminar a todos.

A escola é de 1ª a 4ª série. Não tem, assim, para adultos, tem um horário só.






Ano: 2007

Localização: Escola Tiradentes/Uruará

1. Técnicos de Instituições: Sâmara

Assunto: Política Agrária/Colonização/política ambiental/desenvolvimento sustentável/educação do campo

Lembranças da Memória: Eu sou engenheira agrônoma do INCRA. Hoje estou como perita federal agrária. Trabalho há 18 anos no INCRA, e iniciei minhas atividades exatamente na fase da implantação da Transamazônica. E pra mim, é uma satisfação estar podendo colaborar neste projeto; e o que for possível, nós vamos agregar algumas informações, pelo que a gente conhece.

Bom, a Transamazônica, como todo mundo já sabe, ela foi um grande projeto criado pelo governo federal nos anos 1970. E, foi implementado exatamente em 1971, e com o objetivo de ocupar o espaço demográfico na região norte e com grande abrangência no Estado do Pará.

E, com o intuito de desenvolver aquela região, e ao mesmo tempo de evitar uma ocupação coordenada, ou talvez, a interferência de países estrangeiros, que tinham cobiça por aquela região também. Então, foi criado um programa chamado Colonização Oficial e, que, também trouxe um contingente muito grande de famílias de outros Estados, de outras regiões, a onde o espaço demográfico já estava bastante ocupado.

E que, foram oferecidos aquelas, condições básicas, além de terra, as condições básicas de alimentação, de remédios, transporte, de assistência técnica e outros apoios básicos, para sua implementação. E, iniciou sua parte produtiva também.

Esse projeto se desenvolveu no inicio de uma forma bastante interessante, de uma forma, como extensão do INCRA. E, outros organismos, que participaram direta e indiretamente no processo. E, essa ocupação, ela teve como principal objetivo a ocupação deste espaço, de maneira ordenada. E, como já falei anteriormente, foram criadas as vicinais na Transamazônica, distribuídas de maneira quase que uniforme, nessa grande extensão, cortando o Pará, de leste a oeste.

E, essas vicinais eram distribuídas mais ou menos de 5 em 5 km, distribuídas em glebas nas margens da transamazônica. Isso pode se ver facilmente nos mapas do Estado, é possível ver essa forma, essa organização que estabelecida, esse estabelecimento dessa forma espacial.

Ela no futuro trouxe alguns problemas, na verdade ela estabeleceu uma organização espacial que não observou alguns critérios de distribuição, de módulos, distribuição da rede hidrográfica, a distribuição do relevo. E, principalmente, a intercomunicação entre as vicinais, de modo que o povo tinha que sair da sua vicinal e pegar, a via principal, que era a Transamazônica, para percorrer a vicinal.

Essa foi uma das coisas que complicou, na questão do acesso, mais teve outras complicações ainda, que praticamente estão sendo superadas depois. Mas, dentro da questão produtiva nós tivemos um resultado bastante importante, no desenvolvimento da região, da transamazônica, das famílias que passaram a fazer parte de um processo produtivo, mas que foi um projeto pré-concebido pelos técnicos, pelo serviço militar da época.

É pré-concebido, e fizeram, sem observar alguns fatores importantes: de participação das famílias, da discussão de ver a questão do espaço social, de tudo aquilo que envolvia o desdobramento, que aquele projeto teria que observar durante o seu desenvolvimento, mas a própria comunidade que se desenvolveram, a partir dessa organização, elas tiveram a capacidade de enxergar isso. E, daí, mais ou menos, duas décadas, é um tempo bastante longo, mas isso felizmente, essas organizações elas puderam estar participando de um novo enfoque na questão da educação, na questão dos programas sociais, e passaram a ter uma reação com relação ao que eles queriam. Esse quadro foi mudando conforme o país.

Nós tivemos um processo democrático mais avançado, onde as organizações dos agricultores tiveram, e estão tendo oportunidade de participar do processo de construção. E agora, a gente tá vendo que esse processo de construção, ele teve muitos resultados positivos. E, aqueles que não foi possível o processo de colonização, alcança-se as organizações, estão buscando isso, agora com a participação da própria UFPA. Que tem vários estudos envolvidos, várias organizações não governamentais, os sindicatos, as associações, todas as prefeituras municipais que também dentro da sua própria história, que em função que os municípios da transamazônica surgiram a partir da colonização, a administração municipal, ela tem uma inserção dentro do processo atual.

Então, eu considero a Casa da Família Rural, essa, foi, digamos, um desses resultados interessantes, na organização comunitária. E, digamos assim, na adaptação do programa de colonização do INCRA para os dias atuais. Então, após a Casa da Família Rural, ela tende a ter um avanço, uma adaptação muito grande, não só na Transamazônica, mas fora dela, com uma boa referência.

Porque, para que o ensino seja adequado, a sua realidade econômica e social, ele pensa pra dar retorno social, econômico e qualificar a mão-de-obra daquele local, para que ela possa trazer resultados para o seu município. Então um dos grandes resultados foi a Casa Familiar Rural.

E, esse resultado, muito interessante, foi a criação de novos municípios, com exceção de Altamira, Itaituba, todos, os outros municípios, como: Anapú, Pacajá, Uruará, Medicilândia, Brasil Novo, Rurópolis, [...], enfim essas aglomerações que surgiram a partir das Agrópolis – que eram as antigas sedes do INCRA. Sedes avançadas, e foi um dos melhores resultados que foi a colonização [...].

Só que essa colonização passou por uma fase ruim, a grandiosidade do projeto teve os recursos, teve a mão-de-obra, teve os equipamentos, veículos e recursos financeiros, participação dos parceiros. Estagnou o programa [...], até início dos anos 80, foram tendo uma desaceleração. Porque, digamos assim, dentro de um grau de importância acabou a colonização.

Segundo critérios que o INCRA adotou a colonização, ela estava consolidada, mas, essa era uma consolidação teórica de Colonização na Transamazônica, dando via para um novo programa, o Programa Nacional de Reforma Agrária. Mas, sob outro enfoque de reestruturação fundiária, dando vez a essa desapropriação, e essas desapropriações elas tiveram enfoques em terras improdutivas. Para desapropriações e assentamentos de novas famílias, elevando essas famílias para um novo processo produtivo de pequenos produtores rurais.

Então, esse programa que está ainda em andamento, digamos assim, dentro desse enfoque, precisa todo um processo de reestruturação fundiária e de dar fim da gestão do latifundiário improdutivo. Ele acabou sombreando o processo da colonização social, e que, de alguma forma, o governo ainda está devendo. Porque a colonização social, muitas políticas públicas que deixaram de ser implementadas, porque nessa área, até então, o INCRA era capaz de fazer tudo, com recursos, com equipamentos, com pessoal, era capaz de fazer tudo; mas essa foi uma moldagem que vivia na época.

Agora não, nós precisamos que a Transamazônica tivesse uma colonização efetiva, tivesse com sua economia efetivada, de auto-gestão, com um processo produtivo bastante consolidado, com uma comercialização da organização da produção, com assistência técnica, com um processo de educação já avançado, que o projeto tinha que dar, avançando no seu processo de consolidação. Mas, infelizmente, não tivemos todas essas etapas atendida, então, a Transamazônica ficou como o projeto de implementação bastante prejudicado.

Não fosse essa mudança de processo da própria sociedade organizada, onde outros parceiros chegaram, e a sociedade de alguma forma tentando levar programas, levam políticas públicas. Isso deu uma condição digamos assim, que pode assim minimizar os problemas.

O INCRA continuou sozinho implementando um projeto dessa magnitude, que precisava de modificações, uma dinâmica que o projeto exigia, uma dinâmica que nós temos que ter nesse projeto, que não teve isso, e teve problemas na sua implantação, como essa minimização que eu já falei. E, pra isso que, nós pudéssemos diminuir esses impactos negativos da colonização social nessa região, mas os parceiros do INCRA, lançaram mãos de levar um novo programa para a Transamazônica de reforma agrária.

Só a partir dos meados de 85, foram criados alguns assentamentos ao longo da Transamazônica, em locais que tinham o problema de conflito, ou problema de demanda reprimida.

Na questão do desenvolvimento rural, foram criados alguns assentamentos, que de alguma forma, trazem esses resgates, daquele trabalho de colonização que o INCRA paralisou, Mas isso, naturalmente, não resolveu a questão fundiária, principalmente, a questão da colonização fundiária. Não precisava se consolidar assim, e se buscou esses programas, essas políticas públicas, para que se efetive definitivamente a colonização social.

E, passamos a dizer, que ela está consolidada, que as famílias têm condições de auto-gestão, que elas estão inseridas no processo rural sustentável. Isso é necessário ainda, para que a Transamazônica possa se desenvolver.

Como o INCRA não fez, não tem dado essa atuação efetiva, é preciso se encontrar esse caminho, e solucionar essas grandes questões na Transamazônica. Agora, uma questão fundamental, é a questão de infra-estrutura física, que não se consolidou, mas que de alguma forma está sendo buscada através do asfalto.

Sendo este uma das formas, mas existem diversas formas, e outras demandas para serem atendidas [...]. Mas, eu considero que, quem segurou a peteca e não deixou cair, durante essas crises, foram exatamente às comunidades, foi à sociedade.

A Transamazônica é uma coisa maravilhosa, são aquelas famílias tradicionais, aquelas que vieram de fora, que se estabeleceram, que são paraenses, até por adoção. Que acreditam, acreditaram na Transamazônica e que continuam lutando por ela. Então essa é uma, é um cenário que a gente encontra; uma esperança que ela vai ter sim, uma consolidação! Ela vai ser considerada como eixo importante não do Para, mas do Brasil.

E, os governos olharem a Transamazônica com essa visão, com enfoque do desenvolvimento, e ela não será marginalizada. E, as pessoas que acharem que é uma coisa sem importância, o volume de produção que se tem na Transamazônica, a importância que ela tem digamos assim, para o equilíbrio dos conflitos fundiários no Estado do Pará é muito grande.

E, ela precisa ser vista com essa visão, de ser entendida assim! O projeto de assentamento SURUBIM, ele foi concebido dentro dessa área de desapropriação, em uma área de desapropriação na Transamazônica. Já foi concebido com esse novo enfoque, agora tem outros assentamentos que foram criados em terras públicas, URUARÁ. No município de Uruará, os projetos de Tutuí do Norte, e Rio do Peixe, em área de licitação, alienada; Tivemos o projeto Uirapuru, do Uirapuru, essas foram dentro de terras públicas.


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