História, Educação e Memória da Educação do Campo na Amazônia Paraense



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Ano: 2007

Localização: Comissão da Lavoura Cacaueira –CEPLAC/Uruará

Identificação: 2. Técnico de Instituição Dário

Assunto: Educação do campo

Lembranças da Memória: A CEPLAC de Uruará desenvolve um trabalho amplo na parte de extensão rural, onde se inclui a diversificação de culturas.

Anteriormente a CEPLAC dava prioridade para a lavoura cacaueira, depois necessidades foram surgindo, a CEPLAC passou a entrar na área de diversificação, onde se trabalhou com algumas associações e cooperativas.

Até mesmo pelo quadro de defasagem de recursos humanos, a CEPLAC procurou buscar recursos através de convênios e parcerias na questão de aproveitar os profissionais das próprias secretarias municipais de agricultura. Em função disso, hoje, nós temos um quadro de 04 profissionais no município de Uruará. Dentre eles, 02 são do contrato e parceria técnica entre prefeitura e CEPLAC.

Hoje a nossa maior preocupação é em relação à expansão da cacauicultura, porque nós temos a consciência de que o cacau é uma lavoura preservacionista. Então se tratando do que seria uma cultura de ciclo longo, nós resolvemos introduzir novas espécies florestais, espécies essas já adaptadas em nossas regiões. Com isso estamos devolvendo ao solo uma característica natural de uma mata, pelo menos aproximar de uma característica natural de mata virgem.

Então nessa plantação de cacau, nós adotamos a implantação em sistema agroflorestal. Nesse sistema, nós temos várias espécies, tais como o mogno, a Andiroba, Frejó, Cedro, o Cumaru, a Tatajuba e demais espécies, isso para que tenha se formar um habitat natural.

Nós vemos essa alternativa para a nossa região sem nenhuma dúvida do sucesso, e até para a melhoria do bem estar social. Dizemos isso porque temos conhecimento que o cacau é uma lavoura que gera muito emprego.




LIDERANÇAS DO CAMPO/MOVIMENTO SOCIAL DA TRANSAMAZÔNICA


Ano: 2007

Localização: Uruará. Movimento pelo Desenvolvimento da Transamazônica e Xingu.

  1. Líder: Expedito

Assunto: Educação do campo/Política Fundiária e Agrária/ desenvolvimento sustentável/Agroecologia/História Local e da Educação

Lembranças da Memória: Aqui nós temos 54 subprojetos, que nós discutimos neste período, nessas conferências, onde se destacam projetos. Naquela época, a energia de Uruará era de motor, que, funcionava apenas 6 horas; começava às 19h, aliás, era menos de 6 horas, pois era das 19 às 24h.

Essa foi, a primeira luta, a União para a Transamazônica. Com a proposta de energia de alta demanda para o crescimento municipal, não só de Uruará. Já começamos a debater nossa preferência na questão regional, pegando Santarém, Itaituba, Oeste do Pará. O primeiro ponto ficou a energia para Uruará, o segundo, seria a questão da formação dos agricultores e para a primeira discussão, a Criação da Casa Familiar Rural, aqui no município. Este é o segundo subprojeto de destaque.

O terceiro subprojeto seria a criação de assentamentos, para assentar famílias que não tinham terras no município. E o quarto subprojeto é o melhoramento do mercado municipal, ampliando-o para que funcionasse dentro, a Feira do Produtor Rural.

Estes são os quatro destaques, dos 54 subprojetos para Uruará.

Nós reunimos em Uruará, com todo o movimento para o Desenvolvimento da Transamazônica. Naquela época, era o Movimento pela Sobrevivência da Transamazônica –MPST –, e nós partimos para cima do governo do Estado, para o governo Federal em 1996.

Nessa época não era mais o líder comunitário, era o Presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais, a partir de 06/02/1996. Por 05 anos, fui eleito, e, reeleito, por 02 vezes. Minha participação era ativa, nas conferências, seminários. Era o que mais dava opinião, o que mais fazia propostas, então acharam por bem (Paulo Medeiros e o Raimundo Cabeludo que trabalharam em Curionópolis, até meu pai) eu aceitar.

Quando eu vim para a assembléia sindical, a chapa já estava pronta e eu não tinha como não concorrer. Porque tinha 180 pessoas nessa assembléia, e todos estavam querendo que eu fosse presidente e eu tive que aceitar.

Partimos para a prática desse processo, e a nossa primeira fase foi a conquista dessa energia; que nós fomos para Belém e para Tucuruí. O exército não deixou que nós passássemos para Belém. Até saiu no jornal que íamos fazer um colapso no sistema elétrico de Tucuruí, mas o nosso objetivo não era esse e nos unimos com a região de Cametá, Transamazônica, Sul do Pará, e a nossa conquista foi o linhão para a região da Transamazônia e oeste do Pará. Já amenizou o problema da energia urbana. O processo de energia rural é outra briga que compramos.

A segunda conquista, que eu considero, foi a criação dos assentamentos rurais, Além da transação oficial, nós tínhamos muitas famílias ocupando áreas irregulares. Então parte desses assentamentos foi para regularizar essas famílias, que há 10 ou 15 anos já moravam lá. O processo de criação desses assentamentos se deu desde 96 e início de 97, encerrando em 2000.

Ficamos com 05 projetos de assentamentos em Uruará, onde envolve diretamente mais de 400 famílias. Nesses 05 projetos, além de uma ocupação da fazenda Pedra Roxa, no Travessão do Km.140 Sul, os trabalhadores das fazendas, acabaram dando a terra como improdutiva. E, os documentos, souberam que era ilegal, e tem outro grupo de empresários rurais querendo ficar com a fazenda.

Se organizaram, e ocuparam essa fazenda e rola o processo na justiça até hoje; mas o pessoal já está vivendo da produção do cacau, arroz, feijão, milho, suas criações de pequenos animais; só estão esperando o resultado da justiça para o parecer favorável que consideram quase certo.

Voltando a questão fundiára, outra questão, desse mesmo período da criação dos assentamentos, foi o zoneamento agroecológico do município. Esse projeto está em poder da SUDAN e da EMBRAPA, nós precisamos buscar isso para o município, temos que atualizar esse processo de zoneamento. Então, dentro da organização fundiária, acho que esse foi um ponto importante que tivemos, na época.

A terceira conquista importante, foi, a construção da Casa Familiar Rural, que é um dos subprojetos que nós elaboramos. Embora não funcione da forma que deveria, já está iniciada no município. É um grande passo para o município, e agora é só melhorar e ampliar a forma de funcionamento. Já está na cabeça de muita gente, de que isso, é conscientizar a pessoa do processo e já está bem trabalhado, agora depende das autoridades que estão na frente do poder público, tanto municipal, quanto estadual para fazer isso funcionar direito.

Tem uma discussão com a Casa Familiar Rural, independente, que está esperando a resposta do Governo do Estado, pois, é sua obrigação ajudar nisso. Há até um impasse, pois querem investir no projeto, mas o problema é de quem gerenciará o projeto.

Isso está bem discutido através do projeto do BNDES, para ajudar a articular toda essa negociação. Se esse projeto é de mais de 10 milhões, não é só para Uruará, mas para a região norte, aliás, para todo o Estado do Pará. A ampliação das casas, o BNDES banca a estrutura e o governo do Estado, banca o funcionamento. Então, quer dizer que nós teríamos o projeto ideal que nós precisamos aqui, dentro do sistema amazônico, o estudo voltado para a educação. E, acho que tem que ser mudado para a questão amazônica. Nós temos o sistema tradicional de outro estado que não é adequado para a região da Amazônia. Falando nisso, nós pensamos nesse projeto dado na formação dos agricultores, por que vamos fazer a separação, eu sou do estado de Minas, se meus avós tivessem pensado em um projeto alternativo em meu Estado, há, 80 anos passados, nós não precisaríamos estar aqui, porque tinha como sobreviver lá. Mas, se nós, não pensamos em projeto alternativo, nossos bisnetos não terão para onde correr mais; então nós temos que começar a pensar hoje para um futuro. É dentro dessa estratégia que nós estamos pensando.

Toda a questão da formação, já conversei com o pessoal dos assentamentos, tudo é ligado de uma forma ou de outra. A questão da aprendizagem rural, nós estamos tentando evitar o êxodo rural. As pessoas com mais conhecimento, terá melhor condição de permanecer em sua propriedade. Além disso, nós estamos discutindo o novo modelo de assistência técnica para a região, isso é a nível regional do desenvolvimento da Amazônia em Xingu, o MDTX. Nós estamos pensando que através dessa organização, nós estaremos ligados com eles em tradicional, mas que seja um sistema de extensão rural, que venha a capacitar o agricultor a aproveitar bem, não só durante o desmatamento espontâneo, mas pouco que ele fazer produzir condições para ele sobreviver. A estratégia é de não degradar muito o meio ambiente.

Na questão do campo, da formação, esse é a que considero que nós avançamos muito nesses últimos 07 anos.

O mercado municipal, a feira do produtor, que eu disse que era um dos 5 projetos do Projeto de Desenvolvimento de Uruará. Então eu considero que o mercado municipal estava muito desorganizado, precisávamos primeiro ampliar, melhorar a estrutura. Pelo qual, conseguimos através desse movimento da Transamazônica negociar junto ao governo federal.

Outro marco, que na época, aliás, hoje é infra-estrutura que foi liberado. Como Uruará tinha um plano que era o PGDU e se o município tivesse um plano, tinha direito a esse projeto de investimento para a prefeitura trabalhar. E nós conseguimos este projeto que foi a ampliação do mercado municipal e que foi a construção da Casa Familiar Rural, até então, são esses projetos que nós estamos negociando. Se fosse apenas o modelo de avaliação, nós pressionamos o governo federal e o estadual para que a coisa pudesse andar, e nós conseguirmos avançar nesse processo.

Em 2000, veio a eleição para vereador e eu já estava com esses processos encaminhados e alguns já tinham sido concretizadas. Uma parcela do meu trabalho como vereador foi tentar segurar isso que nós iniciamos nesse período. Não quero fugir dessa estratégia porque meu objetivo é esse.

Hoje, já estou partindo mais para o outro lado de organizar a sociedade interessada em participar desse processo, porque uma coisa é ser um parlamentar, outra são as pessoas usarem o mandato de parlamentar. Que é complicado das outras pessoas saberem usar esse mandato. E qual processo que já estão fazendo, a prioridade foi organizar as associações de bairro aqui dentro da cidade, para ter a participação da administração pública desse município.

Porque esse prefeito que estava, não gostava de discutir com a sociedade. O desenvolvimento do município e as pessoas ficam fora, porque estão desorganizadas. Então, seria esse modelo para organizar as associações de bairro; que já temos até o estatuto. A nossa primeira associação de bairro fundada no município de Uruará, e nós estamos voltados a organizar todo o trecho de antigamente, mais a baixada aqui da cidade; de dividir em 3 bairros, que já tem um bairro que, até já foi aprovado o projeto na câmara municipal, que eu apresentei, já foi sancionado pelo prefeito e já tem mais dois associados que vão ser formados agora.

No dia 26 de julho de 2002, a primeira cooperativa de desenvolvimento sustentável do município de Uruará, foi formada, no núcleo do km 201, nesse município. Pegando 06 vicinais, e além dos 15 km. da faixa. Do km 195 ao km 13, que é o núcleo do km 201. Vai ser a primeira cooperativa mista de desenvolvimento sustentável do município de Uruará. Teve até a participação do Sibá e vai levar mais esse trabalho que nós estamos fazendo lá.

Fui vereador, presidente do conselho municipal de desenvolvimento rural sustentável, então eu tive uma tarefa parlamentar, de organizar isto, esse processo dos agricultores. Deixar algumas coisas organizadas para o pessoal tocar para a frente. Porque é muito complicado, o que nós mais perdemos na região, é que o povo não sabe usar os mandatos, nem dos prefeitos, nem dos vereadores, esse é o problema e já tem que organizar o povo.

Nós temos hoje dentro do setor da agricultura familiar de Uruará 70% do pessoal estão dentro das associações, nós temos essa vantagem. Se eu disser, que nós temos hoje 50 mil habitantes em Uruará; 72% são agricultores e moram na roça, desses, 72%, nós temos 90% que são agricultores familiares. Apenas 10% estão ligados ao setor patronal, o empresariado rural.

Nas discussões que nós estamos dizendo, esse é o município que no mundo com quase 4 milhões de habitantes, 72% dessa população na área rural, é bem significativa. Então é isso que ainda me anima a estar na frente a estar na frente do Conselho de Desenvolvimento Rural Sustentável.

O conselho é composto de 22 membros do conselho municipal, desses 22, 11 são governamentais (CEPLAC, EMATER, EMBRAPA, INCRA, BANCO DO BRASIL, SEMEC, AS SECRETARIAS DE CULTURA E DE SAÚDE) e 11. È 02 anos de mandato.

Se você tiver uma idéia: em Uruará, nós temos, cerca de 20 associações de agricultura e 03 cooperativas. Nós temos a cooperativa de núcleo 201, que é a que está sendo formada, a COMDS - Cooperativa Mista de Desenvolvimento Sustentável e tem a CANO – Cooperativa do Núcleo 209/Sul. Ela é de aproveitamento das madeiras nas propriedades agricultoras. Ela foi feita mais para aproveitar a madeira que perdem na roça. Já tem, até um projeto aproveitado na secretaria do meio ambiente, parece que é 350 mil dólares, para montar tipo uma serraria móvel para trabalhar nas propriedades agricultoras. Semana é numa propriedade e, na outra semana, é outra propriedade, sem fazer a degradação ambiental. Isso é uma experiência que já é até real nesse processo, e tem a cooperativa que é a Cooperativa do Vale de Uruará.

Nós temos 02 cooperativas do mesmo modelo e uma tradicional. No Ipiranga, é a SAVI – Associação de Agricultura do Ipiranga.

Tem poucos dados do município, nós temos poucos. Em Uruará, uma coisa que é complicada, nós conseguirmos, independente da crise política que temos no município. Mas, nós discutimos é o plano de Uruará, o objetivo de desenvolvimento e município consegue soltar todo sindicato, toda a associação e todo o poder público, aos órgãos governamentais e não governamentais, consegue sentar todo mundo, em torno de uma mesa, para discutir o plano do município. Na campanha política não, cada um se vira para o lado que bem puder. Agora, só que na hora de sentar pra discutir o plano do município, é diferente dos outros municípios, pois não conseguem fazer isso, mas Uruará consegue.

Temos nossas divergências partidárias, mas, na hora de discutir a questão do município, é diferente.

O sindicato aqui, se reúne uma vez por ano. Agora do conselho, normal, é de 30 em 30 dias. Não tem dia marcado, o presidente quando vê a necessidade da reunião do conselho, manda o convite para os membros, e o conselho se reúne.

Na verdade o que está na Lei que foi feita pelo município ele só é consultivo, mas na prática, ele é deliberativo. O que a lei permite, a lei municipal inclusive, eu estou até coloquei ementa nessa lei.

Vamos a um exemplo: Na questão dos créditos, quando é para pedir são 15 associações para pegar os créditos, por exemplo, do FNO vai dividir entre as vezes é a demanda 300 projetos , são 300 pessoas como é que faz para fazer então? O conselho é quem delibera para quem e quanto vai ser, então nesse ponto o conselho tem o caráter deliberativo. Na questão dos tratores, são 2 tratores de esteira, que serve para o trabalho de mecanização de pequenas áreas de agricultores. Então está discutindo, se é 200 horas, no período de um ano. Quem diz como vai ser feito é o Conselho. Então, nesse ponto é de caráter deliberativo.

O preparo da área tem sido mais dos agricultores mesmo. Tem trabalhado desde o ano passado, foi feito o trabalho efetivo desses tratores. Foram usados, mas em questão de represas, cercas, nesse lado. Porque o pessoal tem muita carência na questão da água, às vezes, na propriedade, é a necessidade de pegar nas represas deles, nas propriedades por causa do gado, das criações do pessoal. Alguns eram usados só 20 horas para cada agricultor e as vezes o restante das horas faziam o que?

Nós estamos discutindo, agora, para usar esses tratores, para a mecanização de áreas para o plantio: de arroz, feijão, milho. Estão tratando de pensar em discutir um projeto, até o próprio BASA já admite dentro do próprio FNO, é o PRÓ-RURAL tira parcela do projeto para investir na questão da implantação das futuras lavouras do arroz, milho e feijão, nas áreas mecanizadas. Pequenas áreas mecanizadas. E o Banco do Brasil está propondo isso, falta apenas nós fecharmos acordos que já estão totalmente fechados de forma que nós temos medo de fechar os acordos e depois dar prejuízo para os colonos, então precisa ser bem analisado, bem trabalhado.


Nós temos duas experiências, aliás, três, aqui no município de Uruará. Nós temos a primeira experiência que é um PDA – PLANO DESENVOLVIMENTO DA AMAZÔNIA, que pega o trecho do Km. 209 ao 213; então fica longe de Uruará. No segundo projeto, que é do Km. 195 ao 201, que é a criação de piscicultura, apicultura e recuperação dos mananciais. Então, é aí que entra esse primeiro PDA, que eu falei, até o 213; mas, é recuperação das áreas degradadas e a questão da cobertura com leguminosas que também muito importante. E esses projetos? Já vencemos os onze anos, e se está trabalhando!

Nós temos um outro projeto: Roça sem queimar, que é um projeto importante, esse tem na roça do sindicalista Raimundo Cabeludo, no Km. 170. É uma ótima negociação do ministério.

Eu posso pelo movimento MDTX, que é a nossa linha de apresentação, assim nós queremos todos os parlamentares. É o Movimento pelo Desenvolvimento da Transamazônica e Xingu. Ele é o substituto do MPST5. É quem apresenta todas essas propostas nas brigas e negociações. Assim é quem articula para levar de 3.000 a 4.000 famílias para perto do governo para negociar isso ai.

O Projeto Roça Sem Queimar existe plantio de: pimenta do reino, cacau, café, e sempre vêm associados com Mogno e Asteca6.

Nós derrubamos nos meses de novembro, e este ano, vamos derrubar a roça do projeto em novembro, colocar e as roças. Passa um ano nessa derrubada, e joga no meio delas, que é a terra preta e, ela já joga, derruba tudo em cima.

Então essa mistura preta é viscosa e cobre todas as árvores, o que tem ali da derrubada, ela cobre tudo. Então passa o inverno, e quando passa o verão, e inicia o inverno do outro ano, é que é o tempo de entrar lá com a motosserra, o machado, o facão e com a foice para triturar novamente. É aí, que o cabloco vai lá, e chama de rebaixamento. O que tem que plantar lá, é um negócio de bastante dificuldade, mas precisa de quem nos defenda. Vai triturar, aí espera, já pode trabalhar, já está tudo apodrecendo, já está na época.

Não tive a experiência da produtividade ainda. Talvez essa nem seja a experiência ideal, nós vamos testando até chegar.

Nós temos uma tarefa muito grande que é o trabalho de conscientizar as pessoas do município que está partindo do trabalho do conselho, que nós só temos discutido, mas não fomos muito longe, é a questão dos alimentos. Hoje há uma grande produção de tomates no município de forma tradicional. Só que nós estamos notando que nós estamos usando muito veneno, muita mistura aqui na região, não é muita vantagem, porque nós estamos em uma região com clima muito quente, às vezes úmido demais às vezes quente demais, diferente do sul e do sudeste, e além de trazer as conseqüências e danos ambientais, também às pessoas, para a vida humana.

O pessoal está planejando fazer um trabalho de conscientização ao uso de agrotóxicos que é outra parcela, um trabalha diferente desse da roça sem queimar, tem que planejar como nós vamos trabalhar isto, porque o pessoal já está acostumado à forma tradicional de trabalho, e acredito que só através das conversas que tem acontecido aqui é que as pessoas podem notar essa necessidade. Exemplo: Nós temos aqui em Uruará, o pessoal que não é acostumado a vacinar o rebanho, mas não tinha quem fizesse, o pessoal dizia que tratava com sabugo de milho queimado, com sal torrado, foi que de 95 a 98, eles começaram a adoecer com tumores no corpo, dores de barriga e outras doenças. Foi quando começaram a trabalhar essa questão do melhoramento do animal, com as vacinas, melhoraram de pastagens, e tem a questão do uso do sal mineral.

E nós estamos tendo um pessoal que está tendo conseqüências que foram causados pela carne dos próprios animais criados aqui pela região. Nos últimos 7 anos, nós estamos vendo um povo mais sadio em vista daquele sistema passado, então agora, é obrigatório a vacinação e nós temos hoje talvez 99% do povo do município vacinando o seu rebanho. Que é uma coisa que, para nós de uma área de médio risco de febre aftosa, estamos bem avançados nessa questão de organização da conscientização dos agricultores.

Se nós pegamos as coisas para fazer, dar certo, se for fazer política pública, estamos vendo ,um avanço, as pessoas querendo contribuir, há a preocupação da sociedade, mas o que está faltando aqui é o trabalho de conscientização, e até porque a nossa formação não está adequada para a realidade da nossa região e nós temos que melhorar.

Nós, o dirigente sindical da região, dos movimentos sociais, tem que melhorar os nossos conhecimentos técnicos, em dados de produção, seja animal, vegetal ou de agricultura.

È tudo isso que nós temos trabalhado nesses últimos 7 anos, contribuindo com uma grande parcela na questão das decisões políticas, da questão rural, porque tive a sorte de sempre ter alguém meu coordenando o conselho de desenvolvimento rural.

No campo da educação, nós temos a questão de Amazônia, trabalhado com várias universidades, para mudar o currículo escolar dentro da questão mais ambiental, adequado para a região amazônica, porque muitas coisas dos estudos amazônicas que existem, mais não são tão adequadas para a nossa realidade da região. Talvez se faça uma análise, um estudo. No Maranhão é diferente daqui, se pegarmos aqui, dentro do Estado do Pará, é diferente. O Sul e o Oeste, que é a mesma diferença do nordeste e do baixo Amazonas, pois, são, pessoas das beiras dos rios, que são criados diferentes do povo da estrada. Então, o Estado do Pará tem uma diversidade populacional, cultural. Num único Estado há culturas diferentes, até porque a nossa cultura definida na Transamazônica, se pensar, nos outros Estados, não temos nossa cultura diferente, o que temos é que buscar meios para definirmos essa cultura.







Ano: 2007

Localização: Associação de Agricultores da Casa Familiar Rural de Uruará. Km. 185, Sul. Rod. Transamazônica.

Identificação:

2. Líder Comunitário Joaquim



Assunto: Educação do campo/Organização camponesa/política educacional

Lembranças da Memória: Como ex-presidente, da CFR de Uruará, me sinto muito feliz, porque é um projeto que veio beneficiar todos os alunos aqui da zona rural, Que terminando seu primário, não tem condições de freqüentar outros estudos. Então mesmo com as dificuldades da CFR, com vários problemas, principalmente pagamento dos monitores, seus contratos, são pontos que dificultaram muito o trabalho, para um desenvolvimento bem melhor na nossa escola.

Quanto às parcerias, nós tivemos a prefeitura, o sindicato, trabalhadores rurais, associações, são associações que deram o máximo de apoio em determinado momento naquilo em que eles puderam fazer.

Então isso, também em determinado momento, prejudica muito a associação, porque vale muito na hora que é o momento certo, depois sempre prejudica e eu como presidente, achei um ponto positivo, que foi entrar em contato com os monitores agrônomos que me ajudaram muito, até no desenvolvimento do meu sítio.

Porque com eles, apesar de não ter nenhum aluno na escola, mais eles sempre freqüentam minha casa e passam muitas coisas que eles aprendem nas universidades. Então, isso me ajuda muito no desenvolvimento da minha propriedade.

O que nós pensamos da CFR, é que se, nós tivermos mais apoio governamental, eu tenho certeza que ela terá um progresso para toda essa sociedade aqui de Uruará, principalmente do Estado, e do Brasil.

Sempre tivemos um bom diálogo com as parcerias, entre os membros da associação que são as pessoas que fazem parte da diretoria, então sempre trabalhamos muito bem juntos. Nunca tomamos posições, sozinhos, nem minha parte, nem dos parceiros, então acho que, o que ganhamos e perdemos, é tudo junto.

A nossa diretoria foi composta por 12 pessoas: Presidente e vice, secretário e vice, tesoureiro e vice e os 3 conselhos fiscais e mais 3 vices.

O estatuto fica conosco, a tesouraria com o tesoureiro e a parte da secretaria com o secretário.

No início ficamos com 30 associados, a partir de alguns momentos, alguns desistiram, em 2002, tivemos 20.

A mensalidade era 30 reais ao ano e 5 reais para o cadastro.

As reuniões são sempre marcadas com antecedência 70h, para resolver problemas de toda a associação, só os membros da diretoria.

Assembléia 2 ou 3 vezes ao ano, com todos os associados, sistematizado na CFR.

Já participei de muitos encontros de formação da EMATER, da EMBRAPA, então eu já tinha participado muitas vezes, não só aqui no estado do Para, mas em Goiás, Mato Grosso. Eu sempre tenho acompanhado os cursos com os órgãos governamentais que vem dando a tecnologia para nós.

No momento, que fui presidente, só tivemos o projeto da CFR, que é o sistema de alternância, que os alunos participam uma semana na escola e duas na sua propriedade.B

Para iniciar este projeto, nós viemos de diversas regiões. Por exemplo, aqui nós viemos primeiro lá do Rio Grande do Sul, os que moravam aqui viram este projeto lá e começaram a sentir que era um belo projeto e começaram dando a música do projeto. E, a partir desse momento, entraram, em contato com a administração do projeto da França, ele veio fazer com que nós déssemos uma grande música do projeto na região, e aqui, na nossa região, nós, através, de pessoas da agricultura e da roça.

O maior problema enfrentado foi a questão do pagamento dos monitores. Em relação aos contratos, que nós não tínhamos, uma definição concreta do Estado ou da SEDUC. Então, esse foi um dos grandes problemas e para melhorar, nós precisamos que o Estado faça e assine um convênio, e, a partir desse momento, ele irá assumir essa responsabilidade. E as outras coisas que estavam com problemas: veículos, água até a estrutura.

A maioria desses alunos estão na agricultura. Hoje, 01 ou 02 deles vão seguir nos estudos e outros se sentem bem de estudo; já estão felizes com o que eles aprenderam, coisas que façam com que a propriedade deles fique bem melhor, é isso o que temos ouvido deles em conversas.

A minha sugestão para que essa escola fique melhor e nós termos bastante diálogo com os agricultores e fazer com que nós tratemos o projeto com bastante seriedade. Todo o mundo, todos os parceiros, e até as próprias famílias tratem bem o projeto e com bastante seriedade, isso é importante.




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