História, Educação e Memória da Educação do Campo na Amazônia Paraense



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Ano: 2007

Localização: Escola Tiradentes/Uruará

Professor


Assunto: Educação do campo

Lembranças da Memória:



TRABALHADOR DA CASA FAMILIAR RURAL DE URUARÁ


Ano: 2007

Localização: Escola Tiradentes/Uruará

Identificação

1. Serviços Gerais: Evanildo

Assunto: Educação do campo

Lembranças da Memória: Eu aprendi muito com eles aqui, como plantar, fazer horta. Aprendi como faz canteiro, qual é a metragem, a altura, como plantar no viveiro [...], como adubar, como preparar a fermentação do adubo. Sou o responsável pelos serviços gerais e limpeza.


EX-MERENDEIRA DE ESCOLA PIONEIRA DE URUARÁ


Ano: 2007

Localização: Escola Francisco de Lima e Silva. Km. 162 Rod. Transamazônica/Uruará

Identificação: Arlinda da Silva Reis

Assunto: Política Educacional/Administração Escolar/Educação do Campo

Lembranças da Memória: Fui a primeira merendeira da escola, de maio a dezembro de 1973.

Naquele tempo não tinha merenda; cada aluno levava macaxeira, abóbora.

Eu levava de casa uma panela grande, sabão.

Ia bem cedo. Uma dificuldade, a distância, andava 10 quilômetros, por dia; 05 de ida e 05 de volta. Ficava o dia todo na Escola. A escola era um barraco, de palha, um Tapiri! Tinha que cortar lenha. O fogão era de tambor, improvisado.

A água para as crianças beber e para fazer a sopa, era do igarapé. Carregava água de um riozinho, igarapé. As crianças não podiam ficar sem água e nem sem merenda.

A merenda não tinha. Quem mais dava era eu. Levava de casa ingredientes para a sopa: abóbora, batata-doce, milho, farinha de milho, óleo, arroz, macarrão, sal. Quando tinha café, açúcar, também levava. Fazia também canjica. As crianças gostavam. Tinham muitos alunos.

O sacrifício maior era ir de casa, apanhar lenha e ascender o fogo; pois custava para ascender o fogo, a água esquentar, e a panela da sopa cozinhar. Às 10 horas da manhã, a merenda tinha que estar pronta; muitas vezes, a merenda ainda não tava pronta. Sempre guardava lenha para o outro dia, estocava mesmo. Para a madeira ficar seca. Pois na época das chuvas se tornava mais difícil ascender o fogo.

Ficava o dia todo, e ia embora, às 17 horas. Ajudava as crianças. Ajudava a professora; ensinava as crianças a ler, escrever, os jeitos das letras, aquelas que a dona Maria – era a professora, desprezava.

Não quis mais ficar por caso da professora; a dona Maria tinha ciúmes. Resolvi sair no dia da reunião dos pais. Uma das minhas filhas brigou com um dos filhos do seu Domingos. Ele falou, e ela também, porque eu era merendeira, e eu não podia dar opinião. Ela, depois pediu desculpas. Eu pensei que, daquele dia em diante não daria mais certo.

Se não fosse a professora ser ciumenta eu ficava lá. O que marcou foi o ciúme da professora. O mineirinho trouxe o endereço da família, para eu escrever para ele. Depois os parentes responderam. A carta vinha para o INCRA; o Guilherme7 chegou com a carta, e agradeceu por eu ter feito isso. Esse pai e outros ficaram contentes. Ela ficou com muito ciúme, e começou a me perseguir.

Cobrava o horário, pontualmente às 7: 00 hs, eu tinha que estar lá. As vezes eu chegava, pois, chegar as 8 horas, não atrapalhava meu serviço. Passava o dia todo, deixava os baldes cheios d’agua, a lenha arrumadinha, tudo adiantado.

Tinha que fazer o trabalho de casa, à noite, e, levantar muito cedo para fazer café e adiantar o almoço. Só tinha os sábados e domingos para lavar roupa e arumar a casa. Também tive que deixar de ir para a roça. Avaliei tudo isso, e, resolvi trabalhar na roça, que ia ganhar muito mais!

Fiz um curso de merendeira em Brasil Novo; aprendi muito, mas também, ensinei. Ensinei a fazer pão caseiro, torta de bolacha maria, tipo torta alemã. As outras merendeiras gostaram, pois muitas, principalmente, as nordestinas, não sabiam fazer pão.

A escola funcionava também como igreja. Tinha os cultos todos os domingos. A escolha do nome foi feito através de eleição: ganhou a Santa Luzia.

A escola funcionou muito tempo no Km. 162, depois foi levado o material, para o Km. 152.




MEMÓRIAS DE PROFESSORAS SUPERVISORAS DE MEDICILÂNDIA/TRANSAMAZÔNICA/PARÁ


Ano: 2007

Localização: SEMED de Medicilândia

1. Professora Amélia

Assunto: Educação do Campo/Política Educacional do Campo/Realidade local.

Lembranças da Memória: Através do Estado, e agora, a Lenir solicitou mais uma emenda no projeto para ampliação de mais quatro salas de aula; ela já ganhou laboratório de ciências, laboratório de informática. Nessa nossa gestão está funcionando turmas de educação especial, que foram inclusas e turmas em nível de alfabetização.

Também nós conseguimos através com o convênio com o FNDE, laboratório completo, salas de recursos para ele, com todo equipamento, computador. Então, a gente tem procurado fazer muitos projetos aqui mesmo na Secretaria, então, nos criamos um setor de projeto na secretaria, e este setor de projeto tem feito a diferença.

Em 2005 e 2006, nós tivemos vários projetos aprovados pelo FNDE na área de formação continuada de professores; tivemos também a prova no FNDE que as nossas crianças da zona rural, principalmente, são muito carentes, não tem como comprar seus materiais. Então, fizemos um projeto, e desde 2005, a gente tá entregando nas escolas públicas kit completo: bolsa, lápis, caneta, tudo o que eles precisam para estudar. Isto tem sido uma ajuda muito grande para os pais. A alimentação escolar, também, a gente nunca deixa faltar.

Nessa parte da infra-estrutura, acredito que a gente vai superar essa dificuldade no município. Nós agora, estamos elaborando um projeto de construção de prédios para a educação infantil, que é também um grande desafio. Só para vocês terem uma idéia no município não existe um prédio próprio para a educação infantil.

As escolas de educação Infantil que nós temos funcionam em prédios alugados, e apenas um é adequado para a educação infantil. Neste caso, o que a gente procura é alugar pra ver se não deixa essas crianças sem estudar. Mas assim, na verdade não oferece as condições devidas para que essas crianças se desenvolvam naquela fase que é tão importante que é a educação infantil. A gente ainda tem um atendimento muito pequeno nesta área, é justamente a falta de estrutura.

Sobre a política de contratação de professores:

Abrimos várias escolas que estavam fechadas; porque não se abriam escolas com menos de quinze alunos aqui, então, como era a necessidade, nos abrimos escolas até com 08 alunos aqui no município, e mesmo abrindo essas escolas, colocando transporte escolar em várias localidades, não conseguimos atingir a meta que tínhamos anteriormente. Acontecia assim, uma camuflagem de dados. Na verdade, existia muito aluno quando na realidade, na prática esses alunos não estavam nas escolas.

Então tivemos uma queda de recursos também no município. E, quando nós assumimos, todos estes professores, que estavam irregulares, continuaram conosco, só que com contrato regular, recebendo em folha, com conta aberta no banco. Os repasses feitos para o INSS, né? Aí nossa folha subiu assim, assustadoramente, foi assim, terrível! Mas conseguimos superar isso em 2005.

Em 2006, enfrentamos um problema muito grande. Porque, quando regularizamos a vida de todos os servidores, então nós ficamos naquele limite da lei de responsabilidade fiscal. Isto deixou nossa prefeita, desesperada. Então, tivemos que unir algumas escolas para ver se a gente não caia nesse problema de limite da lei fiscal.

Hoje, por exemplo, nós estamos aí, com uma dívida herdada, só do INSS, devido a todos esses problemas, de quase 08 milhões de reais. A prefeita está em processo de negociação; uma dívida que nós não contraímos, mas que nós temos que pagar. E, que preocupa a gente, porque essa dívida uma vez que negociada, o INSS só dá um prazo de 60 meses para pagar. A parcela do mês vai ficar praticamente o recurso que outro município de FPTM. Então isso, tá preocupando muito a gestão atual, mas acredito que a gente vai negociar e encontrar uma solução pra isso, pra não quebrar o município.

Então isso, foi e ainda é um grande problema nosso; e também com isso a atualização do plano de carreira, que o município tem um plano de carreira, com o piso salarial, as gratificações progressões horizontal e vertical. Então o funcionário conclui suas habilitação e automaticamente ele entra com um pedido de progressão, e a progressão dele é autorizada. Então, foi um avanço muito grande aqui.


Sobre Gestão:
Nas nossas escolas, a gestão é uma gestão democrática, todos os diretores são eleitos, isso já contemplado pelo plano de carreira. Então não existe diretor colocado porque eu gosto dele, eu vou com a cara dele, quem decide é a comunidade, isso pra mim é muito significativo.

Em relação aos professores, apesar do município não ter um atendimento ainda muito grande. Pois o nosso número de alunos não chega a 7.000. É um dos melhores salários aqui na região, o salário dos professores de Medicilândia, tanto nível médio como de nível superior. O salário de nível superior está em torno de R$1.400,00, depende também do tempo de serviço que ele tem, tem uns que chegam a R$ 1.600,00. Os professores de nível médio, o salário deles, está em torno de 800 e poucos reais, é um salário razoável.

Os professores que trabalham na zona rural têm uma gratificação de multisseriado, os que trabalham na pré-escola também têm gratificação. Com série da pré-escola, isto não existe no plano de carreira de outros municípios. É um incentivo também pra que eles possam estar trabalhando e melhorando sua prática.
Sobre organização curricular, material didático, limites para educação no campo
A gente tem discutido nessa nossa gestão, para tentar mudar tanto a metodologia da educação do campo como forma de organização da educação do campo. Estamos aqui, pedagogicamente em processo de estudo de várias metodologias. Já fiz vários cursos, de metodologia da educação ativa, CFE, pedagogia da alternância, então agente está fazendo um estudo para estar aplicado no campo esta metodologia no intuito de melhorar, porque o multisseriado que é alternativo ainda hoje, a gente sabe que não é o melhor pro campo.

Uma das intenções é estar fazendo também escolas-pólo no campo, e colocar transporte dentro do próprio campo para que o aluno possa ter uma escola de porte grande, onde ele vai estudar de pré-escola a 8ª série e, também solicitar ao Estado, a implantação do ensino médio na zona rural, que nós não temos.

Na verdade, o ensino médio que nós temos são os pólos aqui na faixa8, não temos os pólos dentro do campo, então se os alunos querem estudar o Ensino Médio eles têm que sair do campo e vir para a faixa para estudar e, isso, tem provocado um grande êxodo, também o que tem provocado um grande êxodo é a questão das vicinais, a trafegabilidade das vicinais,. Nós recebemos o município sucateado. Tinha vicinal que fazia 10 à 12 anos que não passava uma máquina, imagina como é que está isso! Recebemos só uma patrola.

Hoje nós já avançamos bastante, praticamente em todas as vicinais, as máquinas já fizeram o trabalho, mais ainda não está cem por cento. No inverno, aqui, as vicinais deixam praticamente de existir. Então, esse é um dos grandes problemas que a gente enfrenta, e que, justamente dificulta o acesso à educação.

A nossa equipe pedagógica tem três supervisores, um para cada pólo. Nós temos a zona rural dividida por pólos. Tem um pólo no Km. 80, onde nós temos 19 escolas, e uma supervisora que cobre esse pólo. É claro, que, na minha avaliação é pouco, mas devido as questões dos recursos, nós não temos como colocar mais. Em 2005 eram duas.

Temos o pólo do Km. 105 que pega a escola aqui do Km. 90 até o Km. 105. Esse é um dos maiores pólos, as escolas são mais distantes.

Temos 24 escolas, as escolas do norte e do sul são muito distantes. As do lado norte, todas elas são distantes. Aqui no sul não, devido às reservas indígenas elas são mais perto. No Km. 120, nós temos 21 escolas. Além das três supervisoras nós temos uma coordenadora da educação no campo e temos uma outra da coordenação pedagógica que coordena o SIMEF –Sistema Modular do Ensino Fundamental, de 5ª a 8ª série –, este, implantado na zona rural.

Esse ensino, justamente, tentando diminuir o êxodo e proporcionar aos filhos dos trabalhadores a educação no campo, próximo dele.

Nós tivemos, a nossa grade curricular aprovada agora neste mês, onde nós temos as disciplinas agricultura, zootecnia e prática do campo. Nesse sistema, os professores vão e ficam na comunidade, eles são de dedicação exclusiva. Mesmo que, na comunidade eles tenham 100 horas, numa turma, só de 5ª série, eles ficam, o dia todo para fazer também um trabalho junto com a comunidade, ele só sai de lá, quando ministra toda as suas disciplinas.

Eles têm hora extra. Além de garantida as 200 horas dele, ele tem uma ajuda de custo de 25% na carga horária, por esse deslocamento. Essas turmas, tem funcionado nas comunidades que apresentam demanda.

Todos os anos a comunidades se mobilizam e fazem o levantamento dos alunos que existem na comunidade pra cursarem de 5ª a 8ª serie, é tanto que as turmas são pequenas, nós temos turmas de até 7 alunos hoje, funcionando. Fica muito pesado pra secretaria porque você sabe que nas turmas de 5ª a 8ª serie não tem só um professor. Nós temos de 6 pra 5, e de 5ª a 8ª serie são professores licenciados.

Agora que a gente teve concurso e abriram vagas para língua portuguesa, matemática, na área das agrárias. Temos 03 professores no modular que devem estar este ano fazendo inferência na zona rural, deste modo, um dos grandes problemas que enfrentamos na zona rural é a evasão.

Na verdade, muitas vezes os pais vêm reivindicar à abertura de escola. Você abre a turma e com 3 meses você chega e de 15 alunos, tem 5, tem 6. Então tem sido um grande problema para a secretaria de educação. Na evasão do município a taxa de abandono está estimada em 10%, isso é muito alto, e esta evasão se dá no campo, não se dá na cidade.

Tem o período da colheita, geralmente, quando a comunidade propõe a gente dá férias e faz no outro período as aulas deles, mas, geralmente, os pais retiram mesmo. O adolescente depois de 12 anos, ele simplesmente decide que não vai mais estudar e parece que os pais não têm autonomia sobre os filhos, então acaba aumentado muito o índice de evasão das escolas.

A gente tá fazendo um trabalho em parceria com os conselhos, conselho tutelar, com a promotoria. Vai às escolas, reúne na comunidade, fala da importância. Com isso, a gente tem diminuído um pouco essa evasão, mas para mim, ela ainda existe um outro problema ale da evasão que é a repetência.

O numero de alunos já é pequeno nas escolas, e se os pais não tiverem o compromisso com a SEMEC de manter seus filhos na escola, fica difícil manter esta escola aberta, salário do professor, da servente, do material enfim. Pelos dados do senso, o analfabetismo está em 24,2%, são os dados do IDEB e do IBGE, que equivalem a 3.151 analfabetos no município, é um índice muito alto.


Sobre Programas de Alfabetização
Desde 2005 nós implantamos o programa BRASIL ALFABETIZADO, e nossa maior turma é a do campo, então, na verdade além de termos o PRONERA nas áreas assentamento, que tem feito um trabalho, existe no município tanto com alfabetização quanto a escolarização de adultos.

Nós temos o BRASIL ALFABETIZADO, inclusive, nós estamos fazendo o cadastro de novas turmas, então só esta deixando de estudar no município quem realmente não quer estudar. A gente tem proporcionado de 5ª a 8ª, de 1ª a 4ª na zona rural. De 5ª a 8ª séries, nem todas as comunidades dependem da demanda, e agora o Brasil alfabetizado, onde os alunos que terminam tudo, é aquela maravilha, choram de alegria. Isso também é um salto muito grande.


Sobre o PRONERA
Este ano eu não sei lhe dizer quantas turmas tem. Pois, ele tá passando por problemas difíceis, não tivemos contato com a equipe do PRONERA, mas eu sei que eles têm feito um trabalho muito significativo junto com o município.

A coordenação do Pronera aqui eu não sei, antes era o Bento Xavier, que coordenava o PRONERA, juntamente com o Aguinaldo.






Ano: 2007

Localização: SMED de Medicilândia.

Identificação. 2. Professora Alice

Assunto: Educação do campo, Política educacional local, História da Educação do Campo.

Lembranças da Memória: Sobre o Planejamento e trabalho na SEMED

O sistema modular é um projeto especifico para atender os alunos de 5ª a 8ª série que reside no campo. Tinha-se a demanda, e diante da dificuldade que os alunos encontram de estar se deslocando da zona urbana, terminavam a 4ª série e muitos ficavam sem estudar e outros se deslocavam para a zona urbana, sacrificando muitas vezes o convívio familiar, porque nem sempre a família pode vir com eles. Geralmente, a família fica no campo e ele vem morar na casa de família, e muitas vezes sozinho. E para tentar resolver ou para amenizar esta situação, é que foi criado o sistema modular de ensino. Ele já atende, especificamente, alunos de 5ª a 8ª que reside no campo, na zona rural.

A metodologia utilizada, apesar de vir tentando mudar essa visão, mas, ainda se trabalha naquela concepção de escola urbana, aplicada à metodologia na zona rural. Que nós não tínhamos conseguido avançar. Há quatro anos vimos tentando mudar a grade curricular deles, e este ano conseguimos.

Assim, já foram colocadas na grade três disciplinas, na tentativa de aproximar do cotidiano deles e da escola colocamos na grade três disciplinas: agricultura, zootecnia e prática de campo, são três disciplinas voltadas para a realidade do campo. Este ano, no mês de julho, a grade foi aprovada pelo Conselho Estadual, graças a Deus, foi um avanço pra gente. Aprovado pelo conselho, a gente pode está regularizando toda a documentação sem nenhum risco.

Em relação ao trabalho da coordenação, o trabalho é voltado para o acompanhamento e orientação de professores e alunos, e faz trabalho pra comunidade. Sempre que aparece um problema na comunidade, a gente é convocada. A gente vai lá reunir com os pais, conversamos com os alunos, tentamos fazer esta aproximação entre governo, comunidade, escola. Historicamente, o governo sempre está distanciado das comunidades, e, através da coordenação, a gente tenta fazer esta aproximação. Somos os intermediários entre o poder publico e as comunidades.

Junto ao professor, fazemos o trabalho de formação, discute-se, as temáticas que muitas vezes são escolhidas por eles mesmos, de acordo com as necessidades que eles sentem. A questão da aprendizagem, avaliação, e ultimamente, a gente tem trabalhado a concepção de escola do campo, tem-se discutido bastante, pra que a gente possa tá saindo de uma visão da educação do campo, iguala a educação urbana, mostrar para eles que tem que haver especificidade, que tem interesses que são diferentes também, e que precisa de um atendimento também diferenciado. Então, isso tudo, é o trabalho da coordenação.

As dificuldades que a gente encontra são essas, que são comuns a toda equipe, principalmente, a do acesso a comunidades bastante longe, de 5ª a 8ª série. A gente tem comunidades, onde a mais distante, fica cerca de 40 km. daqui, a do Km. 120, fica mais de 36 km. da sede até a escola. Então, pra gente ir e voltar lá. sempre é de moto, leva o dia inteiro porque não adianta só olhar a cara do professor e voltar. A gente tem que sentar, conversar com o aluno, conversar com o professor e retornar no finalzinho da tarde.

A gente sente resistência da comunidade, dificuldade de tá vendo o trabalho do supervisor, coordenador pedagógico como uma necessidade da escola e também do professor. Ainda sente a resistência dele com o papel do supervisor. Vêem o papel do supervisor como um fiscalizador, embora a gente venha trabalhando para mudar essa concepção cruel, né! Tem que tá ali, mais como um companheiro de trabalho e auxiliar, não vai lá para fiscalizar, e sim pra ajudar; ou eles vêm até aqui com a gente, quando não podemos ir até eles.

No aspecto cognitivo dos alunos, em função de ser educação no campo, há uma defasagem bem significativa de 5ª a 8ª série que é o reflexo, de 1ª a 4ª, a gente ainda vê os alunos com muita dificuldade. Isso em função também da forma de organização do ensino de mulitisseriado que é uma realidade na zona rural, e que eu acredito que seja conseqüência disso. Não por falta de competência dos professores que trabalhavam, mas diante da estrutura que é criada as multisseriadas.

O professor muitas vezes, é lotado com uma turma de 30 alunos de mulitisseriado, que a gente sabe perfeitamente que, quem lida com turmas multisseriadas, quem conhece a realidade da zona rural sabe que o professor não tem condições de trabalhar numa turma de 15 alunos numa sala de multiseriado. Isto, com certeza acarreta defasagem de aprendizagem e consequentemente vai se refletir lá na 5ª a 8ª série. Esse é um dos fatores que contribuem para que exista essa defasagem. E aí, cabe aos professores como mediadores do conhecimento, estarem trabalhando pra que eles superem essas necessidade, e nós enquanto coordenadores devemos estar ajudando os professores nesta tarefa.

O desafio é grande, mas a disposição pra trabalhar também é grande, vontade não nos falta porque o que a gente quer mesmo é ver o nosso município mudando, nem que seja aos poucos. Mas é tão bom quando a gente chega numa escola e as pessoas falam assim: “Pôxa vida! O trabalho de vocês aqui contribuiu para que a coisa melhorasse”. É muito gratificante pra gente, mas que pra isso precisamos de apoio de todos os lados, tanto estrutural quanto financeiros porque são investimentos altos. O sistema modular é um investimento alto, aqui ele funciona com 19 turmas, nós temos 13 professores lotados aqui agora e mais um coordenador, que sou eu. Isso gera pra o município um, despesa bem significativa, considerando que o numero de alunos não é tão significativo porque são apenas 245 alunos e nós temos turmas funcionando com 7 alunos, e pra deslocar professor, supervisor, pra estar atendendo sete alunos, tem que ter muita vontade política também.

Pra ta desenvolvendo este trabalho, acima de tudo, a gente pensa no valor social que o trabalho representa pra as comunidades, e é nisso que está pautado o nosso trabalho.



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