História, Educação e Memória da Educação do Campo na Amazônia Paraense



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MUNICÍPIO: Medicilândia –

ESCOLA: Casa Familiar Rural de Medicilândia

PROFESSORA Rita Ferreira Lima Neta
Em historia assim elas se confundem com até a própria historia dos alunos aqui da casa familiar rural, por que eu também sou filha de agricultor. Então, meu pai veio na década de 70 pra Transamazônica. Eu fui criada a maior parte da minha vida assim na fase infantil adolescência e foi, realmente, na zona rural e como todos os alunos da zona rural agente passa por dificuldades em relação à educação que antigamente era difícil acesso hoje em dia já há mais assim como eu diria que existe políticas publicas mais voltadas assim pro cidadão que mora no campo como, por exemplo, o carro que vai pegar os alunos nos travessões e naquele tempo nós não tínhamos isso então o que acontecia nós deixávamos a zona rural íamos morar com algum parente pra prosseguir nos estudos então eu aos 12 anos eu fui praticamente pra escola fiquei até os 16 não tive condições de ficar na casa do meu tio por que é tive que voltar pra ajudar meu pai, depois de adulta que eu entrei no EJA fiz ensino médio e depois a universidade né então eu me identifico muito aqui com a casa familiar rural, eu vejo na historia deles a minha própria historia né, eu optei em ficar aqui na casa familiar rural por que eu acredito na construção do conhecimento então esse conhecimento vai ser construído a partir do educador e do educando né, é uma troca. Então se eu tivesse na escola convencional com certeza eu não estaria ganhando uma bagagem tão grande quanto aqui na casa familiar rural né, que agente passa a conhecer a realidade de cada aluno que nós participamos de algum movimento social ‘cê’ vai na comunidade vê a realidade é tem também os temas transversais que nós trabalhamos aqui então convive com eles, o dialogo é uma experiência eu diria assim que única na nossa vida de educador. Então eu tive oportunidade de trabalhar em outras instituições, mas eu por escolha optei em ficar aqui na casa familiar rural.

Eu sou formada em letras pela Universidade Federal do Pará né, campus aqui de Altamira eu sou contratada, mas eu pretendo agora em janeiro fazer, por que eu me formei o amo passado né, então não houve concurso ainda então esse concurso que eu fiz anteriormente eu passei no estado e no município lá pra Canaã dos Carajás, só que eu não era graduada, eu não tava na graduação eu fiz assim só pensando só em fazer eu pensei que não iria passar, passei ,mas na hora da prova de titulo eu não estava com o diploma então a minha colocação ela foi lá pra baixo pode ser que eles me chamem mas enquanto isso eu to no contrato e ano que vem eu pretendo fazer o concurso publico né e vou pedir pra quem paga aqui no caso a minha área é a prefeitura eu vou pedir pra no caso assim, eu vou pedir pra eles me deixarem aqui mesmo na casa familiar rural...ficar aqui por algum tempo.

Eu gostei muito daqui por que tinha uma amiga mesmo que trabalhava aqui sempre quando eu estava na graduação a minha amiga já trabalhava aqui, eu vinha de voluntaria, eu vinha olhar, eu vinha...então como eu já conhecia a estrutura, os monitores, eu sempre vinha no caso de voluntaria eu me apaixonei assim digamos pela casa ai quando a minha amiga foi pro Tocantins eu fui a primeira a deixar o currículo na secretaria de educação. Então eu trabalho aqui realmente por que eu gosto.

Olha só, aqui agente tem muita liberdade pra trabalhar como é essa liberdade eu quando cheguei fiz logo diagnostico com os alunos e percebi quais eram as necessidades então eu percebi a questão do texto como em toda escola agente percebe a questão da interpretação do texto, a questão da produção textual, então o quê que eu fiz, eu to trabalhando é com eles a questão da redação, do texto na norma culta sem desvalorizar a linguagem regional né, a oralidade então valorizando a língua regional porem ensinando pra elas as regras gramaticais por que nós devemos adequar né o nosso discurso ao ambiente no qual nós estamos. Então eu não vou dizer que eu seria hipócrita de ta só ensinando pra eles assim, não vocês estão certos em falar desse jeito é um falar natural, não eu trabalho com eles a língua culta e a língua natural que é a nossa língua coloquial né, ... a ele falar típico da pessoa que é do campo, então eu aprendi mais com eles no sentido de são pessoas muito inteligente, a idéia que agente, eu não tenho essa idéia por que eu já conheço mais a maioria das pessoas tem idéia que aquelas pessoas que moram na roça, são pessoas ignorante e não é verdade eles tem o conhecimento...muito grande, conhecimento de mundo são pessoas interessadas prontas a aprender, são pessoas assim, alunos que você da um trabalho de equipe e eles se dispõem, discutem então eu posso dizer que esses alunos na sua maioria, é claro que tem aqueles alunos que em todo lugar mais trabalhosos né, mais assim na sua maioria são alunos diferenciados ou seja eu acredito que eles tem uma bagagem muito maior do que na escola convencional por que aqui eles tem oportunidades de terem aulas nas outras áreas do conhecimento os próprios professores doutores da universidade vem aqui da palestras pra eles os profissionais que trabalham com ele são engenheiro agrônomo, engenheiro florestal, profissional de letras são pessoas assim muito bem informadas então é um tipo de educação é alternativa né, que é verdade mas uma educação de qualidade tanto na estrutura física da escola como a senhora ta vendo mas no quadro de funcionários também.

Eu trabalho nas duas turmas por que eu trabalho disciplina arte, língua portuguesa e a língua inglesa né, nós temos em média 45 alunos por que nem sempre eles estão todos na... não vem um, não vem outro.

Olha só, eu trabalhei né, nas escolas normais hoje em dia eu posso dizer que eu tenho uma bagagem maior no sentido em qual sentido assim essa bagagem maior, na questão da construção do conhecimento como eu lhe falei aqui agente tem liberdade pra trabalhar, nas outras escolas agente passa aquele conteúdo como se fosse aquela educação bancada assim, quase o aluno assim eu vim de outra escola da zona rural no caso mas não escola familiar também então os alunos eles são muito tímidos agente quer da uma aula diferenciada e os pais dos alunos as vezes não entende acha que professor é ta só escrevendo no quadro é e o aluno copiando eu acredito que o conhecimento já que ele é construído, o papel do professor também é provocar o aluno na reflexão, interação , reflexão e nessa interação agente cresce que agente aprende muita coisa com eles tem coisas que as vezes a gente não enxerga no texto e outra pessoa já enxergou...enxergou, ta apesar de eu ta com pouco tempo aqui eu posso dizer que é uma experiência muito boa, muito gratificante.

O que me marca assim nesses alunos é a força, a força de vontade deles de aprender agente percebe como aqui agente faz as visitas na comunidade o quê que agente percebe pessoas, tem uns alunos muito carentes vem de lugares tão longe, às vezes eles vem de barco, ai vem de balsa passa por tanta dificuldade para chegarem aqui e quando eles chegam aqui eles tem aquela vontade de aprender e essa vontade de aprender faz com que nós enquanto profissionais, o que nos dedicamos mais a eles assim eu quando chego com aluno eu sento um a um diferenciada fora do meu período de aula eu sento com eles, professora eu to com dificuldade aqui, então vamos aqui eu sento com eles individualmente por que o que me marca muito neles assim é a vontade de aprender né, vontade de crescer com vontade de ser alguém na vida e eu já expliquei pra eles assim que não existe outro meio a não ser pela educação que a educação ela transforma, ela não só transforma do modo financeiro mais ela transforma na pessoa enquanto sujeito né, aquele sujeito sair daqui ele vai ser um sujeito atuante na sociedade, não vai ser um médico qualquer, vai ser um médico com principio, não vai ser um pedagogo, não vai ser ... então esse profissional alem dele ter uma formação profissional ele vai ser o que, um sujeito atuante na sociedade na área que ele for atuar ele vai ser bem sucedido, que é a formação assim pra vida né.

Espero que tenha contribuído (risos).





  1. DADOS DE CAMPO: Município de Santa Izabel do Pará




Ano: 2008

Localização: Secretária Municipal de Educação de Santa Izabel do Pará

Identificação: Mapa Estatístico de Matrículas de Escolas do Município/Zona Rural


SECRETARIA MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO

DIVISÃO DE ESTATÍSTICA
MATRÍCULAS 2008
EDUCAÇÃO BÁSICA
1 – Número Geral de Matrículas em todas as Modalidades de Ensino Básico, por Localização.


Matrícula Total na Educação Básica – Zona Rural



Unidade Escolar

Educação Especial

Educação Infantil

1ª a 4ª Série

5ª a 8ª Série

Educação de Jovens e Adultos

Total de Matrículas

01

1º Pólo: E.M.E.I.E.F. de Tacajós

-

39

126

-

-

165

02

E.M.E.I.E.F. Cândido Gonçalves da Cruz

-

16

-

-

-

16

03

E.M.E.I.E.F. Santa Quitéria

-

41

70

-

-

111

04

2º Pólo: E.M.E.F.D. Francisca Félix de Souza

-

-

30

304

107

441

05

E.M.E.I.E.F. Santo Antônio

-

11

16

-

-

27

06

E.M.E.I.E.F. São Pedro

-

35

81

-

-

116

07

E.M.E.I.E.F. N.S. do Perpetuo Socorro

-

64

105

-

-

169

192

E.M.E.I.F. Boa Vista do Itá




23

-

-

-

23

08

E.M.E.I.E.F. Nossa Senhora do Carmo

-

67

95

-

34

196

09

EMEIF Hermógenes Antonio dos Santos

-

17

26

-

-

43

10

EMEI da Trindade

-

35

-

-

-

35

11

3º Pólo: E.M.E.F. AGRIC. Maurício Machado

-

-

159

123

13

295

12

E.M.E.I. Nossa Senhora da Conceição

-

40

-

-

-

40

13

E.M.E.F.I. São Francisco do Itá

-

17

-

-

-

17

14

E.M.E.I.E.F. Ana Amélia Cavalcante Ferreira

-

22

-

-

-

22

15

E.M.E.I. Macapazinho

-

21

-

-

-

21

16

E.M.E.I.E.F. Juvenal Belém da Cruz

-

26

-

-

-

26

17

4º Pólo: E.M.E.F. Profº Simplício F. de Sousa

-

68

128

89

-

285

18

E.M.E.I. Hermógenes de Sousa

-

13

27

-

-

40

19

5º Pólo: E.M.E.F. Agrícola João Possidônio Faro

-

41

120

55

-

216

20

E.M.E.I.E.F. Luiza Francinete

-

10

21

-

-

31

21

E.M.E.I.E.F. Capitão José Ferreira

-

24

-

-

-

24

22

E.M.E.I.E.F. Dona Helena Paz

-

37

32

-

-

69

23

E.M.E.I.F. Gabriel Hermes

-

21

19

-

-

40

24

13° Pólo: E.M.E.F. Salviano José de Farias

-

-

321

100

173

594

25

E.M.E.I.F. São Luiz

-

27

46

-

-

73

26

E.M.E.I.F. Mestre Cícero Cavalcante

-

23

49

-

-

72

27

14° Pólo: E.M.E.I.F. Irmã Dulce

-

183

102

-

-

285

28

E.M.E.I.F. Francisco Oliveira

-

40

103

-

-

143

29

E.M.E.I.F. Joaquim Pereira do Couto

-

44

-

-

-

44

30

15° Pólo: E.M.E.I.F. Felipe de Paula

-

70

198

184

-

452 (451)

31

E.M.E.I.F. Firmino Gonçalves da Silva

-

84

96

-

-

180

32

E.M.E.I.F. Raimundo Soares de Oliveira

-

24

41

-

-

65

33

E.E.E.F.M. Magalhães Barata

-

-

-

284

-

284

34

EMEIF Celina Hermes




157

242

-

-

399

Total Geral de Matrículas

-

1.340

2.253

1.139

327

5.059


Fonte: Setor de Estatística

Ano: 2008

Localização: Escola Agrícola Maurício Machado. Município de Santa Izabel do Pará

Identificação: Coordenador Pedagógico: Hermes


Assunto: Educação do Campo, Gestão Escolar, Cultura.

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