História, Educação e Memória da Educação do Campo na Amazônia Paraense


ALTAMIRA – Garimpagem fontes educacionais, entre contextos indígenas e camponeses



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ALTAMIRAGarimpagem fontes educacionais, entre contextos indígenas e camponeses

Foram realizadas visitas e entrevistas, como: na SEDUC-URE, com a professora Lindamir, em maio de 2008. Foi feita visita a Casa Familiar Rural de Altamira, no dia 29 de setembro de 2009, à tardinha, com realização de entrevistas com três alunos e duas professoras. Associação dos Municípios: com ex-executor do INCRA – PIC-Altamira, pedagogo Dino Barile, em 30 de setembro de 2009. Na Fundação Viver, Produzir e Preservar – FVPP, na tarde do dia 08, e no dia 09 de outubro de 2009; foram realizadas breves entrevistas com professores, denominados de monitores das Casas Familiares Rurais, como: Alcides Garcia Bispo – do município de Anapu, Maurício Reis – de Pacajá, Odete Reis, de Brasil Novo, Luis Paulo – coordenador das CFRs da região da Transamazônica, graduano em Licenciatura Agrária Luiz Paulo. Sede do INCRA: Técnico Reginaldo José Silva. Na tardinha do dia 09, ao retornar para o município de Uruará, foi realizada uma breve entrevista, na Sede de Transportes Vans e Micror-ônibus, com a jovem Marismar Mendonça, filha de camponeses do Km. 175 Norte, Comunidade Nossa senhora do Carmo, Trecho Altamira – Uruará Na noite do dia 12 de outubro, no aeroporto de Altamira, foi realizada entrevista com a pedagoga Aparecida, assessora pedagógica das CFRs da região da Transamazônica paraense.

A instituição SEDUC – URE, em maio de 2008 localizava-se em prédio alugado no centro da cidade, com necessidade urgente de reforma na infra-estrutura, desde a sala da sua direção. Neste outubro de 2009, a Unidade regional já estava em outro local; pelo pouco tempo que se teve para a permanência em Altamira, não foi possível visitar o novo espaço. No contexto da preservação pela memória educacional, é necessário registrar que, o arquivo dessa instituição – em maio de 2008 -, estava em estado de total desorganização, precaríssimo, com o material jogado, de épocas, a exemplo de 1970, ou mais remota, todos, certamente, importantes para recuperar o fazer educacional; documentos impressos, em meio a insetos, teias de aranha, goteiras, enfim, com evidências fortes de deterioração de muitos documentos, como Projetos, correspondências, atas, entre outros.
. Brasil Novo – Agrópolis da Colonização e seu ensino: presença de Casa Familiar Rural
Nesse espaço da colonização do PIC-Altamira, de “antiga” Agrópolis, de lembranças familiares e profissionais, tão vivas para a pesquisadora, pois esta, também trabalhou e viveu no local, na década de 1970, situam-se prédios dessa década, esses, em certa quantidade, ainda permanecem conservados, como o Escritório Local da EMATER-Pará de Brasil Novo, o Velho Clube do INCRA, Casas de madeira, para colonos e funcionários públicos, ainda resistem ao tempo cronológico e à “modernidade” das casas de tijolos, incluso nesse tempo presente, de 2009, a nova infra-estrutura de porte municipal, como o prédio da prefeitura. Infelizmente, o prédio principal da época, o Motel da Agrópolis Brasil Novo, foi derrubado; prédio que representou uma fonte histórica patrimonial. Nesse prédio, diversas autoridades se hospedaram, como as governamentais, o vice-presidente da república, do presidente Médici, por ocasião de inaugurações de Projetos. Os colonos e seus filhos passavam distante, era lugar de “pessoas importantes”.

Nesse município encontra-se o prédio da Escola CFRBN, fotografado pela pesquisadora, em sua parte externa, pois naquela ocasião, a formação estava com calendário de alternância pedagógica, com tempo e espaço, de estudos e práticas, sendo realizada nas unidades de sistemas familiares. Diante do contexto, foram realizadas fotografias externas. O local é de fácil acesso, na estrada norte, no final da rua, localiza-se o antigo Clube do INCRA. A estrutura do prédio é muito bonita, com diversos blocos de sala de aula, para estudos e atividades físicas, laboratoriais serem realizadas com qualidade social; isto, no interior de um ambiente bem ecológico, e às margens de um pequeno bosque.

Este terreno foi doado pela Igreja Católica, que teve a administração do padre Léo, um dos religiosos da época da colonização, década de 1970.

A visita ao município foi rápida, pela responsabilidade de realizar entrevistas com educadores das demais casas familiares Rurais, objeto de levantamento de fontes desse trabalho, de estar em Altamira, à noite para reunião com professores de escolas do campo, professores das IFEs, SEDUC e lideranças locais, na intenção de marcar a criação do Fórum paraense do campo, para acompanhar processos de contribuição á formulação de políticas educacionais para escolas do campo, águas e florestas; reunião que ocorreu, com sucesso, no dia 08 de outubro de 2009, auditório da UFPA – Campus de Altamira..



. Uruará – apontamentos para contribuir à preservação de sua história da educação







A Transamazônica é uma coisa maravilhosa, são aquelas famílias tradicionais, que vieram de fora, que se estabeleceram, que são paraenses, até por adoção. Que acreditam, acreditaram na Transamazônica e que continuam lutando por ela. Então essa é uma, é um cenário que a gente encontra; uma esperança que ela vai ter sim, uma consolidação! Ela vai ser considerada como eixo importante não do Para, mas do Brasil.

E, os governos olharem a Transamazônica com essa visão, com enfoque do desenvolvimento, ela não será marginalizada. E, as pessoas que acharem que é uma coisa sem importância, o volume de produção que se tem na Transamazônica, mostra a sua importância, que ela tem digamos assim, para o equilíbrio dos conflitos fundiários no Estado do Pará é muito grande.

E, ela precisa ser vista com essa visão, de ser entendida assim!

(SANTANA, Técnica do INCRA).


O município de Uruará foi o primeiro a ser visitado pela coordenação do projeto. Nesse local, teve-se acesso a duas escolas, das vicinais do quilômetro 180 e do km. 201 Sul e de algumas escolas do campo à margem da Rodovia Transamazônica, como a Migrantes, do Km. 175, e a do Km. 140, sentido, Medicilândia Uruará, e assim, a oportunidade de conhecer alguns de seus professores e alunos.

O material coletado, na sua maioria, contempla, apenas, – face limitações de tempo e falta de financiamento –, documentos avulsos do Instituto La Salle de Uruará, fornecidos pelo irmão Genaro. Documentos históricos muito relevantes para a História da Educação da Transamazônica, que vão desde cadernos, cartas, projetos de educação ambiental, livretos sobre o fundador da ordem, algumas anotações avulsas, com listas de alunos, entre outros. A riqueza do material está também nas fotografias sobre o processo inicial, e sua trajetória, na organização da primeira educação escolar desse município.

A relação da História da Educação com essas fontes é estreita, e valorizar as fotografias é uma condição basilar para uma história social da educação e sua política, nesse sentido, o esforço de enviar para copiadora esse material fornecido; as fotografias revelam as características e influências desse processo. É importante que esse material, posteriormente, seja reunido pela Universidade, em particular pelo Instituto de Educação. Nesse contexto, a construção de um museu histórico da educação e sua política, tanto para escolas da cidade, como do campo, águas e florestas, em espaços da academia e do local.

A Secretaria Municipal de Educação forneceu dados estatísticos, o secretário de Educação, professor Manoel e professora, coordenadora pedagógica, Maria do Carmo Donato da Silva, concederam entrevistas, assim como outros técnicos. Outras Instituições foram visitadas na sede do município, como o Sindicato dos Trabalhadores Rurais, Escola La Salle, Escola Melwin Jones e outros. A Escola Casa Familiar Rural foi visitada mais de uma vez para realização de fotografias e entrevista com seus professores, que são chamados e considerados no processo de socialização da formação de adolescentes e jovens, de monitores. Tal foco justifica-se por ser uma escola de gestão comunitária, com procedimentos metodológicos e um currículo diferente da escola pública do Estado e do Município. Destacam-se como espaços públicos que concentram documentos relevantes para a História da educação local. Na escola La Salle, foram coletados documentos datados do início do processo de escolarização do lugar, antes de Uruará se tornar município, da colonização da Transamazônica, nos meados do segundo quartel do século XX, como os Cadernos de anotações/fotos dessa instituição.

Foram identificados educadores vivos que contribuíram com a educação local na sede do município e nas primeiras escolas da Transamazônica. Foram entrevistados diversos professores, algumas lideranças e merendeiras, todos importantes para o processo educativo de formação básica, como D. Arlinda Reis, Leonardo Bonfim de Souza, Wagnei Silva, Irmão Genaro, José Lazarinni, Irmâ Ângela Souza, Professoras Clotilde Rosa, Franciane Leandro da Silva, Antonio saraiva Brito, Enedina Morback de Paiva, Ilda Morback de Castro, Ivo Grings, Valdir Xavier Rego, Selma Silva de Menezes, Antonio Mário da Conceição Filho, Paulo Rogério de Oliveira, Rosãngela Maria Ferreira Santos, Manoel de Souza Moreira, Maria Geni Matos Gricoli, Elieide Santos veras, Aldenora Maria de Souza, e Claudiney Ferreira dos Santos. Também mulheres de primeira e segunda geração de colonos chegados e cadastrados pelo Incra, constituem relatos históricos relevantes para apreensão do feito educacional nos tempos mais iniciais de formação de o município de Uruará, no Estado do Pará. Também vale citar que muito contribuíram, professores e alunos, como: Anderson Berwian, Elivelton da Silva Gomes e o coordenador, prof. Agnaldo, da casa Familiar Rural de Uruará – CFRU. NO Sindicato dos Trabnalhadores, a entrevista foi feita com o senhor João Santos, filho de colonos e, em 2009, reeleito presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais, ex-vereador de Uruará. Vale citar, a filha de primeiros colonos, Elaine da Silva Reis, que realizou trabalho como bolsista júnior, de caráter voluntário, com mulheres, filhas de primeiros colonos. Entre as Maria Salete Batistelo, Ivandina Budelon, Jacinta Trevisan, Dolores Barbosa dos Santos, Irondina Morbach dos Santos, Leonilda Maria Cemim, Lourdes Xavier de Lima, Therezinha Lopes da Silva, Sofia Zaiom, Roseni Bartoline, Zenária Barbosa entrevistas. No poder legislativo a entrevista foi feita com o vereador e presidente da Casa, Gilmar Milansky.

Entre as entrevistas feitas, por Elaine Reis (2009), vale registrar sua síntese, acerca da História de Vida de Salete Batistello, filha de colonos pioneiros da colonização da Transamazônica. Informações de Salete que, para além de destacar a importância de biografias de sujeitos do campo, expressa-se, tais fontes orais, como documentos históricos, que necessitam ser revisitados, para incluir saberes dessa natureza, na organização curricular da educação básica. Saberes para escrever e recuperar parte da História Local e educacional:


A infância foi boa, estudou até a 4ª Série lá nesse lugar onde morava, também brincou bastante e também aprendeu a trabalhar na roça.

Chegou aqui no Pará em 1972, ainda solteira, na companhia dos pais e os irmãos. Naquela época diziam assim: aonde vai um, vai todos! Ficamos 3 dias no João Pezinho e 15 dias no km 101. Depois veio pro lote. O pai e os filhos na frente, pra fazer um barraco, os outros vieram depois.

Foi feito o barraco na beira da Transamazônica; ao redor, o pai limpou e foi preparando a terra para plantar arroz.

Aí com a ajuda do trabalho de toda a família, plantaram feijão, mandioca, batata, abóbora, pepino, banana, laranja. Com o trabalho e a colheita, ficaram contentes, pois tudo o que plantava dava.

Em 1973 casou com um cearense. [...] grávida do primeiro filho; o marido comprou um lote no km. 170 – faixa, onde nasceu o 1º filho. Onde também trabalhou na roça, plantando arroz, feijão, milho, mandioca, batata, frutas e verduras (BATISTELLO apud Reis, Elaine, 2009).
De certa maneira, o cuidado com a preservação da história local é uma primeira impressão a quem chega à Secretaria de Educação de Uruará. Uma única iniciativa registra esta preocupação, como a do assessor de cultura, pois, tem pesquisa fotográfica recente, com intenção de recuperar manifestações culturais, lugares ambientais, como rios, igarapés, cultura e vivência de uma etnia indígena, por meio de realização de visitas, realização de festivais, cantorias, danças, pintura, mapeamento e constituição de material fotográfico e de incentivo a cultura local. Ação princiapl, estava, em 2007, sendo desenvolvida pela Secretaria de Cultura e Desporto, em parceria com a de Educação de Uruará. Esse cenário, no âmbito da educação, ainda parece ser uma política retraída. A ausência de organização e preservação de documentos sobre a história local se torna patente, à medida que, apenas um livro e algumas monografias de conclusão de curso de graduação de alunos da UFPA e da UVA são alusivos a História e a Educação de Uruará; constata-se serem esses, os registros escritos. No “arquivo” patrimonial da coordenação pedagógica da SEMED, o acesso foi restrito – fornecidos só dados estatísticos e projetos Político-Pedagógico de algumas escolas: assim foi em outros setores desta. Em, outros setores da Prefeitura Municipal visitados, acervos onde foram localizados registros referentes à temática educacional, esses materiais estavam juntos a outros tantos documentos e “reunidos” de forma desorganizada.

A situação de Arquivos Escolares de Uruará, localizados nas escolas do campo, encontrou-se material relativo à burocracia educacional, não se distancia muito e nem é diferente do cenário citado. Nesses territórios educacionais, o cenário é de um desordenamento de arquivos, com pastas diversas, que detém documentos oficiais, de Projetos Pedagógicos – em algumas escolas, não atualizados, Listas de alunos, professores, livros didáticos empilhados, controle de freqüência de professores e demais servidores, Projetos alusivos as comemorações cívicas e sociais, e de pequenos projetos ecológicos, com foco para meio ambiente, mas, em sua maioria, restritos ao cuidado com lixo, plantio de árvores, higienização do ambiente escolar.

Para constituir uma formação qualificada, buscou-se pelo instrumental didático, este sempre aquém das demandas do ensino básico, com precárias bibliotecas, ou mesmo sua ausência, e de livros didáticos. Na maioria de os espaços, parece não haver uma política de incentivo á leitura, educação com aportes de referência das humanidades, ademais, não há preocupação maior com a conservação do existente, e, uma ênfase ao eletrônico, apesar das dificuldades crassas de acesso à internet, – mesmo ao computador.

A precariedade de muitos arquivos observados e a secundarização de tratamento com a questão histórica de preservação das fontes documentais, iconográficas, a ausência de inserção de fontes orais, como testemunhos educacionais contemporâneos, condições de acesso e tráfego às escolas de vicinais, distantes até mais de cem quilômetros da sede do município, constituíram as maiores dificuldades apresentadas durante a busca de informações sobre o passado educacional da região.

Todo o material fotográfico coletado foi digitalizado, está condensado em arquivos da pesquisadora, em novembro e dezembro de 2009. Isto será armazenado em CD-rom e ainda aguarda tratamento adequado.

. Medicilândia – Educação básica, trabalho e famílias camponesas
No município de Medicilândia, além da realização de fotografias, visitas à SEMED, foram realizadas buscas em torno de projetos Pedagógicos diferenciados de educação do campo. A coleta documental “restringiu-se”, a realização de entrevistas abertas, pois, os técnicos não tinham cópias de todos os projetos atualizados. Foi entrevistada a prefeita municipal, professora Lenir Trevisan, que apresentou, em linhas gerais, a sua política de governo, e linhas de planejamento e ação para a educação. A secretária de educação, na ocasião confirmou dois encontros para entrevista, mas esta não compareceu em nenhum dos dois. Outras entrevistas tiveram sucesso, com algumas técnicas e professoras locais, como as das vicinais o Km. 120 Sul e 115 Norte.

Outro local visitado foi o Km. 101, entre Medicilândia e Uruará, na vicinal norte, na Casa Familiar Rural desse Município, antiga Estação experimental da CEPLAC. A visita ocorreu em agosto de 2007, maio de 2008 e outubro de 2009. Foram entrevistados antigos e atuais gestores dessa escola. Sujeitos sociais, como o casal Darcírio e Rosa Wronsky que tiveram por mais de uma década a frente da coordenação administrativa e na presidência da Associação de Agricultores. Esses foram gestores dessa Escola, que implementou a Pedagogia da Alternância. Também foi entrevistado o atual presidente, senhor Agnaldo, professor Leandro e outras três professoras.

Parece existir no município certa preocupação com a preservação da memória local. No campo educacional essa atenção se expressa tanto na preservação de documentos escolares quanto na arquitetura dos estabelecimentos de ensino, embora se tenha precariedade em prédios visitados e nas condições gerais para se estudar dignamente. As visitas a algumas escolas nas vicinais do município de Medicilândia, aconteceu, com apoio financeiro da pesquisadora em 2007, da SEMED, em 2008, e, em 2009, com o transporte da EMATER. Cita-se as Escola Casa Familiar de Medicilândia, Km. 101, entrevistados os professores: Rita Ferreira Lima Neta, Leandro Augusto da Silva, Adélia Madalena Endrich, Patrícia Ferreira Costa; Professores do Programa Saberes da Terra, Maria Esther Almeida Pereira. Em 2008, foram visitadas as Escolas 15 de Novembro; Escola 13 de maio, da Vicinal do Km. 115 – Norte: Prof. Geovan Costa Gomes, Profª Maria José Souza Oliveira, merendeira Neide de Oliveira Federich. Na escola do KM. 120 –Sul esteve presente com a equipe da SEMED, por ocasião da breve visita dessas, no acompanhamento de recebimento de material, para construção de outra escola. Esta escola, com prédio de madeira, estava em estado de deterioração avançado: o piso com buracos; o telhado de telhas de brasilit, quebrado – com um buraco significativamente grande. As fotos tiradas demonstram tal estado:

Na SEMED, as entrevistadas foram feitas com supervisoras educacionais, como: Maria de Lourdes Fonseca de Oliveira, No Sindicato dos Trabalhadores rurais, com seu presidente, na época, 15 de agosto de 2007, Milton Fernandes Coutinho. Também importante contato foi feito com colonos pioneiros. A partir da fala dos entrevistados, é de observar que a educação desse município, assim como as dos demais municípios da pesquisa, é marcada pela influência religiosa, predominantemente da Igreja Católica, e por seu viés elitista, como assinala Vieira, Sofia (2005), apesar de se discutir temas sociais, o Estado estar presente, os rituais e ideologia cristã católica predomina nas referências da formação básica, de modo indireto. Tal cenário se materializa fortemente nos rituais religiosos dominicais, que, tem participação dos pais e jovens. Esse ideário tem influência, no pensamento e na forma organizativa e participativa da Escola Casa Familiar Rural. Embora se tenha acontecido rupturas tímidas com a organização das Maisosn Familiales Rurales, sua origem e bases de organização política/educativa têm princípios e pressupostos da Pedagogia da Alternância, que teve sua origem na França, veio para a Transamazônica, sob liderança camponesa, fortemente ligada à tradição cultural católica, ainda prevalece como orientação para o desenvolvimento humano.

Entrevistas com agricultores, professores e técnicos em educação do município, constituiu momento singular na coleta de informações. Foram entrevistados: agricultor Raimundo Nonato Silva, Comunidade Sagrado Coração de Jesus, Vicinal do KM. 75- Norte, professores: Dayse de Oliveira, Francisca Gomes, Marivânia Silva Miranda, Regina Célia Souza, Elaine Clecy Fleck Kappel, Mônica Cristina Thomas França, Goretti Gonçalves, Solange Silva de Oliveira. Este contato possibilitou também acessar a fotos do acervo pessoal desses docentes. O material coletado nos quatro municípios, objeto da pesquisa está armazenado em pendrive, HDs interno e externo de computador e Cd-rom, aguarda um trato técnico.

. Santa Izabel do Pará – saberes culturais quilombolas às margens da formação básica
O quarto município visitado compreendeu na sua sede, o espaço da SEMED. A equipe contou, neste ano de 2009, com o apoio da EMATER-PARÁ, em uma das viagens de campo, até a escola Francisca Félix Xavier, Comunidade Campesina e Conceição do Itá. Nas outras três viagens de 2009, a visita ocorreu com o veículo da professora pesquisadora. Foram visitados e pesquisados os locais de: Vila do Cupuaçu, Escola Gabriel, com as professoras “Maria Silva” e Lidiane Souza; SEMED, com Maria do Socorro Gama, da Escola Professor Hermógenes Antonio Santos, da Localidade de São João da Cabeçeira; professora Ana Márcia Macedo Morais, da Escola Maurício Machado; Escola Pocidônio, professora Janaína Ferreira Neves.

Nas escolas do campo visitadas nesse município foi possível identificar materiais escolares diversos como atas de reuniões de professores, Lista de matrículas, concluintes, documentos relativos a transferências, diários de classe, resultados finais de turma, entre outros. A diversidade de material e fontes nas escolas, como a Maurício Machado e Francisca Félix, a cultura quilombola de Caraparu, e, objetos, – principalmente, no Colégio Antonio Lemos, visitado de forma informal, seus diversos volumes de acervos e objetos patrimoniais, como mobiliário, também, – são referências que norteiam as intenções e necessidades históricas – da UFPA e Poderes Públicos Municipais e do Estado do Pará–, de reunir museus históricos de educação, tanto na cidade como no campo. Tudo isto e para além do ora citado, chamou atenção, a exemplo de arquivos e outros materiais de outras secretarias, como a de Agricultura, que tem um envolvimento histórico na educação do campo. Relatos de professoras pioneiras na docência da escola Agrícola Maurício Machado pontuaram os ditos, e não ditos sobre o processo de socialização da formação em “agricultura” de adolescentes camponeses. Materiais e fontes dispersas são retratos atuais, neste anoitecer de 2009, não só da História dessa escola, como da História da política educacional do município.

Foram realizadas entrevistas com trabalhadores em educação de alguns locais do meio rural, mas todos importantes na construção e reconstrução de práticas educativas; que, mesmo, de forma anônima, constroem a formação humana com multiplicidade de motivações e projetos dinâmicos de formação discente. Esses professores entrevistados tiveram e têm função social expressiva no cenário educacional dos campos Izabelenses. Entre esses: Cleide Janaína Ferreira Neves. Ana Márcia Macedo de Moares, Josiane de Jesus Neves, Antônio Éden Souza de Oliveira, Rosangela Farias Moreira, Dalvina Neves, Maria Irene Azarias Pereira, Mara Ira Maia Santos, Lucilene Oliveira Ferreira, Marciléa Souza e Rubens da Silva Borges. Cada educador, com base em sua vivência, próximo a sua realidade específica e mais geral, forneceu informações que retratavam a atuação do professor no final do século XX e início do XXI; isto de modo geral, para todos os entrevistados, também de outros municípios.

Momentos da pesquisa, que possibilitaram um produto que se destaca, concerne nas entrevistas com professoras das escolas, Felipe de Paula, Maurício Machado e Francisca Félix, em função de que suas memórias trouxeram aspectos marcantes da trajetória e condição de o trabalho educativo ser realizado no campo,, especificamente da operacionalidade da política educacional; material este, que contribui para o poder público local repensar e reconstruir projetos e programas nas suas escolas. Projetos que precisam ser reconstruídos, de forma contínua, para atender demandas de caráter de conteúdo e pesquisa, para se ter um desempenho de qualidade na formação de o ensino fundamental com qualificação em agricultura; pois esta qualificação é uma necessidade da vida e organização socioeconômica de agricultores familiares, por extensão de seus filhos, alunos da escola. A situação é ainda de deficiência em materiais técnicos, de apoio aos experimentos e pedagógicos, como expressa o relato de um dos professores da escola Maurício Machado:


Nas políticas voltadas para educação do campo, eu não vejo mudança significativa, a gente tem a lei do PDE, que determina diretrizes em períodos. Por exemplo, o Ensino Fundamental, até 2010, as escolas tem que ter isso, ter aquilo. Eu não vejo isso, o que eu vejo, é uma regressão. Como: essa escola aqui: tinha um trator não estou falando dessa gestão, essa gestão que está aí, tem sido muito coerente, mas essa escola tinha trator, maquinário equipamento, tinha galpões, eu sei que a parte da avicultura existia aqui, então, devido a alguma atuação de membros do poder público, foi se degradando.

Eu não vejo melhoria significativa. Por exemplo, quando eu estava falando do PDE, tem toda uma regulamentação, inclusive, para educação no campo, mas até agora eu não vi. Nós sabemos que o PDE é decenal, estamos chegando em 2010, eu não vejo melhoria e sim uma degradação, cada vez mais.

O que acontece aqui nessa escola, em termos de agricultura e zootecnia e entes culturais é por muita boa vontade da equipe gestora e do próprio quadro docente, porque, realmente, os professores não cruzam os braços diante da realidade, ao contrário, eles abraçam qualquer proposta e fazem acontecer mesmo. Eu tenho um arquivo de fotografias desde quando eu cheguei aqui, que mostram todas as atividades que agente vem realizando tanto nessa parte agrícola, como na parte cultural e educacional, cientifica inclusive.

No dia 27/11/2008 nós estamos fazendo a primeira feira científica, cultural dessa escola, e com isso, a gente pretende mostrar que, apesar das dificuldades, a gente não pode cobrar algo sistêmico, acadêmico; até porque eles estão na educação fundamental. Mas eu vejo que, as políticas de educação do campo em Santa Izabel, eu não vejo investimento, por que tudo a gente tem que está solicitando, pedindo. Agora mesmo, por exemplo, a secretária mandou os tubos de Pvc para a água, porque nos precisávamos molhar as plantas e hortaliças, porque tínhamos que fazer esse trabalho através de um vasilhame que os alunos levavam para campo.

Esse ano foi aprovado o plano de cargos e salários, 80 % da folha foi destinado ao pagamento de pessoal, mas devagar, a gente vem conseguindo as coisas. O dinheiro do PDDE – Programas de Dinheiro Direto da Escola – ainda não é suficiente, até porque no próprio orçamento do PDDE tem uma parte que é destinada ao material permanente e material de consumo, e o recurso reservado ao material permanente é muito reduzido, nem dá para comprar um computador, e também a escola não tem segurança.

Os materiais utilizados na escola pelos professores são os livros didáticos, mas o que temos no momento é uma biblioteca improvisada. Eu tenho a idéia de construir um grande tapiri, que é para construir uma sala de leitura aberta, mas isso requer investimento. Eu to fazendo um projeto. Aí, para vê se eu faço uma parceria; a gente faz o projeto manda para as empresas, só que elas não querem investir. Tem a Schincariol, já mandei vários projetos, mas nós não somos atendidos, porque eles não têm interesse em investir em educação.

Os professores usam os materiais didáticos, que estão disponíveis. Em relação aos recursos pedagógicos, nos temos o mínimo garantido pela LDB, que é o quadro negro com o giz. Os professores otimizam as aulas com aquilo que tem, é e muito bem trabalhado (NEVES, 2009).

Depoimentos que evidenciam a atual Política Educacional, seus modelos educacionais, no interior desses modelos, suas possibilidades, contradições, limites e demandas de grupos sociais locais. Esses e outros depoimentos são ricos, em conteúdos para apreensão mais específica e geral, de forma sistemática, da História da Educação de Santa Izabel do Pará, em tempos e espaços contemporâneos, de presença, cultura e saberes quilombolas, tão às margens de sistemas de ensino municipais.


hoje professores de formação tecnicista, mas que é preocupado com essa questões. E em outro modelo de ensino, antes não tinham professores assim, só se preocupavam com a técnica; agora vejo que a Escola Agrotécnica tem muitos desafios pela frente.

Ela tá passando por mais um processo, a mudança poderá mudar de nome de novo, não é aleatório. Ela tem significado social político, até por causa da conjuntura nacional. Nesses 87 anos, ela mudou cinco vezes o nome, pelo motivo da conjuntura nacional e políticas, porque as políticas por ensino agrícola mudavam e ela instituição tinha que mudar. Ela sempre esteve pautada por políticas nacionais, na constituição histórica, quando ela é criada, como escola patronato agrícola.

Teve todo significado, quando ela passou a ser Aprendizado Agrícola do Pará; teve todo, porque depois Escola de Iniciação Agrícola Manoel Barata, teve porque depois Escola de Mestres Manoel Barata.

Eu tenho até uma critica a fazer; não deveria tirar o nome Manoel Barata, porque ele foi um republicano, embora pertencesse à elite agrária, é do Brasil, no inicio do século XX, mas era republicano, paraense, um homem que se preocupa com Amazônia.

Em 1918 ele já escrevia sobre a Amazônia, por isso, quando foi fundado o patronato agrícola, foi fundado com esse nome e foi dado homenagem a ele, homenageado porque na aquela época, ele era um dos que se preocupavam com as questões da Amônia. Ele deixou ensaio escrito, que estão lá no instituto geográfico. Um dado interessante. Quando a escola chegou aqui 1972, ela ainda era Colégio Agrícola Manoel Barata, só 1976, se não me engano, teve um plebiscito, por causa de um decreto federal, ele mudou o nome para Escola Agrotecnica Federal de Castanhal Pará.

Eu vejo que ela perdeu muito, mas esse decreto federal dizia que essa escola poderia manter o nome, Manoel barata, poderia ser Escola Agrotécnica Federal Manoel Barata, ou o nome do município. Teve um plebiscito, aqui com alunos na votação, acho pelo patriotismo aqui do município, ganhou o nome Escola Agrotécnica de Castanhal.

Nesses 87 anos a escola expandiu sua oferta de ensino, de nível de ensino esse é o lado bom. Também da historia, porque no patronato, o ensino era estritamente correcional; a função do ensino era essa a escola, além da escola, foram criados em todo Brasil mais 20 Patronatos Agrícolas; foi uma política; logo nos primeiros anos da Republica que criou essas instituições no Brasil.

Entre essas, uma no Pará; e alguns documentos diziam que era através do ensino da agricultura; do labor do trabalho, esses meninos aprenderiam teriam bons costumes, iam ter um comportamento moral, que era exigido na época . Os meninos que vinham para o patronato, eram aqueles encontrados na rua, era processo de higienização, que você conhece muito bem da historia daquele momento.


Esse relato tem um significado singular, pois a técnica e professora Gleyce Oliveira é coordenadora do Museu da memória do IFPA-Campus de Castanhal, a antiga Escola Agrotécnica Federal de Castanhal – EAFC; o seu projeto d epesquisa conta com apoio do professor doutorando Mário Médici e de bolsistas de seu projeto de pesquisa, com apoio da FAPESPA, do PIBIC-Júnior, de demais professores e da direção desse Campus. No dia 1º de dezembro do corrente ano, a escola fez comemoração alusiva ao seu aniversário na sede da Câmara Municipal de Castanhal, com forte presença de Castanhalenses na celebração.

Como é sabido, o processo da pesquisa, inerente à inclusão detalhada do fenômeno histórico/educativo, isto remete para o desenvolvimento do trabalho, de partir do concreto, e ter como ponto de chegada o concreto pensado, sem se segurar no real imediato, uma vez que se entende que o fato não é isolado do contexto-histórico social, pois, o cuidado é uma referência compreender o real e não evidenciar categorias conceituais de forma fechada; Isto requer pressupostos teóricos e metodológicos contextualizados, para aprender as contradições, conflitos e tensões do processo histórico; implica a necessidade de retrair pesquisa de caráter positivista, como assinala (SCHASIN, 1985), essas tipologias tomam por base o empírico, renunciam ao concreto e se vinculam ao abstrato. Trabalhos que considerem a necessidade de divulgar e evitar violação de fontes históricas.



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