História, Educação e Memória da Educação do Campo na Amazônia Paraense



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Ano: 2007

Localização: Escola Nossa Senhora do Carmo. Km. 175 Norte. Rodv. Transamazônica

  1. Professor: Amaro

Assunto: Educação do campo

Lembranças da Memória: Eu trabalho na Escola Nossa senhora do Carmo, fica à 20 km. da cidade, no Travessão 175 norte. Já trabalho lá há um ano; comecei na metade do segundo bimestre do ano passado.

A estrutura da nossa escola é bem boa. É de alvenaria. No travessão lá, o prefeito fez uma escola bem bacana mesmo.

Uma sala funciona de 1ª a 4ª série, multisseriado. Tem uma sala com uma cozinha e uma sala, que, a gente guarda os livros. Lá é uma escola estruturada, tem até banheiro interno.

A supervisora falou que é a escola mais bem estruturada que tem na zona rural.

Biblioteca tem, mas é aquela funcional; no caso é junto com a secretária.

Quanto ao material didático, a escola não tem quase problema, porque a escola lá, antes tinha bastante alunos: 30 alunos. De 30 alunos pra frente, e ultimamente, acho que, devido as pessoas estarem buscando melhoria pra cá, pra cidade, tem travessão que, realmente que, foi quase abandonado pelos colonos. Lá estou com apenas 12 alunos, a previsão é pra mais o ano que vem. Têm bastante livros didático, bastante material.

Nas minhas aulas, eu tenho opção para trabalhar, às vezes, quando não há conteúdo pra trabalhar no Programa, a gente pode pesquisar em outros, tem bastante livros lá.

O rendimento, a participação dos alunos é muito boa porque os meus alunos eu já conheço dede de criancinha. Eu moro lá, eu sou da comunidade, moro lá há 11 anos, e, isso facilita muito pra mim.

Tenho o nível médio, concluí o no passado.

A situação de um professor em uma classe multisseriada é quase, quase não é meio complicada mesmo, porque você tem que tomar de conta de quatro séries. Às vezes passam conteúdos diferentes: eu trabalho português e matemática, tudo ao mesmo tempo. Trabalho português para a 1ª e 2ª série, e matemática, para a 3ª e 4ª série, aí não é muito fácil, é uma correria. O camarada tem que se rebolar para poder dar conta e não deixar os meninos desocupados.

Eu faço as avaliações, e, depende da quantidade de tema que eu tenho durante o ano. Assim que eu termino um tema, procuro logo fazer uma avaliação pra não pesar muito. Esse é o conselho que as supervisoras dão pra gente. Mas, geralmente, funciona com quatro avaliações, quatro avaliações que eu faço durante o bimestre somando todas elas pra no final conseguir a média.

É esse ano eu tive um problema com um aluno lá, porque isto já vem. Só com apenas um aluno, certo. Isto já vem de casa, da educação dele. Ele é acostumado com certo tom de voz, agressivo. Eu conheço bem a casa dele. Ele tem um, certo hábito, de falar muito palavrão em sala de aula, e em todo o lugar onde ele está. Então, eu enfrentei um pouco de dificuldade com esse aluno, por tentar que ele não fale mais esses palavrões em sala de aula.

Como são poucos alunos, a questão da merenda não dificulta muito, porque eu tenho uma moto, então, sempre, quando precisa de merenda, eu dou um pulo aqui, que é pertinho mesmo. Como a escola lá, não tem merendeira, porque a SEMEC não paga, merendeira pra escola, que menos de 15 alunos, é muita despesa. Aí, eu fiz o seguinte: fiz uma reunião com os pais. Para cada dia da semana, uma mãe se disponibilizasse para vim fazer a merenda, porque estava muito complicado.

No primeiro mês eu que fazia a merenda; eu dava aula e fazia a merenda e não dá certo. Eu digo: “olha gente eu estou encontrando dificuldade por causa dessa bendita merenda. São meia hora que você passa empatado com aquilo e no momento que eu saia da sala... Porque crianças, você sabe, não pode se ausentar que ela já se solta. No momento em que eu saia da sala, eles iam tudo lá pra cozinha. Eu dá aula e fazer merenda não vai dá certo, ai eu fiz esse esquema, e graças a Deus deu certo.

O que marca na sala de aula, com os alunos, é tuas conquistas. Porque sempre tem alguma coisa que marca que satisfaz a gente, também pode ser ao contrário, as tristezas.

A questão da alfabetização, esse ano entrou um aluno lá, ele é de minha parentela, meu primo. Com dois meses na escola, ele já estava lendo, e isso pra mim, foi uma das conquistas mais que marcante na minha vida.

No ano passado eu tinha uma aluna, e ela tem uma, certa deficiência mental, ai eu bati muita cabeça com essa aluna. Tinha até momento que eu falava: “ai meu Deus do céu, será que essa menina não vai aprender a ler não?” Para reverter à situação, me apareceu esse, foi uma das coisas que eu achei muito boa.

O método para alfabetização: eu utilizo uma cartilhazinha antiga, porque a minha irmã, começou dando aula bem antes que eu, e usou essa cartilha. Aí eu utilizo ela, pra alfabetizar, ela vem apresentando uma coisa muito bacana, tem duas famílias ao mesmo tempo e pra cada família daquela, tem uma historinha, ilustrações.

O nome da cartilha eu não sei. Ela não tem capa, é tão velha que não tem capa.

Geralmente, quando eu vou apresentar uma família de sílabas e de letra, eu apresento uma figura, uma ilustração pra eles fixarem melhor. Um exemplo disso, é: se eu for trabalhar, no primeiro dia, a coordenação motora, depois a gente vai apresentar a primeira letra do alfabeto o (A), aí eu já preparo um abacaxi ou um abacate, bem grande, em uma folha, desenho e coloco lá pra eles saberem que o A vem do abacaxi, o abacaxi começa com a letra A. A gente utiliza muito, acho que a maioria dos professores utiliza esse método.

O meu salário, por 100 horas, é R$ 350,00.




Ano: 2007

Localização: Escola Migrantes

6. Professora: Ernesta

Assunto: Educação do campo

Lembranças da Memória: Quando eu comecei a trabalhar aqui, na verdade, eu não vim pra ser professor; eu entrei na educação pra suprir uma necessidade do momento, e foi muito difícil, porque alem de eu não ter um preparatório para exercer a atividade, eu tinha o desafio de uma primeira série.

Em 1980, eu tinha um número de 28 alunos, que, na época não existia pré, não existia alfabetização, os alunos iam praticamente crus pra sala de aula. Então, a minha experiência foi boa, porque eu tive, e até hoje eu tenho, uma grande amizade com a Zenária, que foi ela que me deu aquele apoio, de partir para sala de aula, com confiança.

Ela me deu material didático, que eu não tinha. Ela me passou a experiência dela, que já era professora e me deu um incentivo muito grande, pra que eu pudesse me sentir segura na sala de aula e deu certo, deu resultado. Desses 28 alunos eu consegui aprovar 23. Sabe: aqueles 23 que já sabiam ler, escrever, fazer conta, sabiam as quatros operações, noções né, adição subtração, multiplicação e divisão, os alunos saíram preparados para a 2ª série.

Minha primeira experiência foi no ano de 1980. Trabalhei na primeira séria, se não me engano, faz uns 16 anos. O material didático que a gente tinha era, praticamente, quadro e giz. Na época nós tínhamos uma cartilhazinha, que era a única, e, a gente, aproveitava algumas lições, fabricava outras, fazia acontecer, porque o nosso material realmente era muito pobre. Aí, graças a Deus, como diz: fui feliz na sala de aula, trabalhando nas primeiras séries.

A partir de 1988, quando a gente iniciou de 5ª a 8ª série, aí eu comecei a trabalhar com várias disciplinas. Eu não tinha magistério na época, só tinha a 8ª, mas, mesmo assim, devido à necessidade que nós tinha, de não ter professores, eu passei a trabalhar de 5ª a 8ª série. E, graças a Deus, eu não sei se os alunos são muito inteligentes, eu fui bem sucedida. Trabalhei vários anos dando aula de matemática de 5ª a 8ª, agora, esse ano eu estou de perícia, mas até o ano passado, eu trabalhei com matemática, então a experiência de 25 anos em sala de aula, só nessa escola.

Teve dificuldades, teve problemas com alunos, com pais, porque isso existe, né. Mas, hoje graças a Deus, eu acho que eu fiz a minha parte eu contribuí, com o que eu pude.

Hoje, vejo aluno que começaram na primeira série que eu ensinei, e são nossos professores da escola com pedagogia, e tem várias alunas minhas que eu ensinei as primeiras letras, que eu ensinei a ler e escrever, que, hoje, já terminaram o curso de pedagogia. Eu fique no magistério, mas elas conseguiram, tive muita alegria muita felicidade pra mim.

Valeu a pena à recompensa, é o resultado. Você ver hoje que pessoas que passaram pelas nossas mãos e estão progredindo, estão crescendo, a gente fica feliz com isso.

É, na verdade, hoje a gente vê a recompensa, agora eu percebo que nos primeiros anos, na década de 1980, pra mim os alunos tinham mais interesse, parece que eles tinham mais facilidade, apesar das dificuldades financeiras, porque naquele tempo pra um aluno fazer suas atividades eles tinham que ir pra luz da velinha e hoje tem energia. A gente percebia mesmo um interesse maior, pra mim, ultimamente, os alunos são mais desligados eles tem mais facilidade.

Então, parece que o desafio é menor, então, eu sinto que houve uma decadência não sei se foi por falta de estímulo da própria educação, que, às vezes deixa a desejar, o nosso material didático, é pobre nós temos que reconhecer, agora que tem melhorado porque tem pessoas que tem se interessado em trazer material. Trabalhamos em alguns anos com muita dificuldade, então, a gente tinha que buscar todos os recursos possíveis. Mas como é que se diz: do começo ao fim, nesse tempo todo, valeu a pena.

Foi eu, a primeira, a iniciar com a 1ª série, e, a Ilda, com a 2ª série. Aí, como eu te falei, a dificuldade toda, é que, a gente não vinha preparada pra sala de aula, foi necessidade mesmo. Eu devo, primeiramente, a Deus e a Zenária, que pode passar o tempo que passar, mas eu sempre digo que foi ela que me estimulou, que me deu o material que ela já tinha, que ela já erra professora da 1ª série e fez com que me desse coragem de ir pra sala de aula e eu gostei. Depois que eu entrei no ramo eu acabei aprendendo a trabalhar no ramo da educação.

Fui contratada em 1980, aí eu trabalhei até 1983. Tive alguns problemas com uns pais, eu fiquei aborrecida, e nesse aborrecimento, eu acabei indo pra SEDUC de Altamira e pedi exoneração. Em 1985, o Irmão Raimundo, que era supervisor nessa época, vendo a necessidade, fez uma carta e encaminhou a SEDUC pedindo que eu retornasse. Aí, então, eles me recontrataram novamente, só não trabalhei nessa escola em 1984. Foi o ano que eu não trabalhei, trabalhei até 1983 e retornei em 1985.

Eu sou do Paraná. Minha família toda, meu pai meu irmão, minha família toda veio pra ficar, hoje meu pai não está mais ai, mais, a parte dele, ele fez.

A metodologia mais era aula expositiva. Era basicamente isso, depois nós tivemos cursos de alfabetização que ajudou muito, me lembro bem que veio duas professoras de Belém, uma de Didática e outra de Teoria, me lembro até o nome delas, Teca, nossa professora, não lembro como era o nome, mas eu aprendi muito nesse curso, foram 15 dias de aula.

Uma professora trabalhava uma parte Teórica e a outra a Didática. Aprendemos muito, nós estava iniciando então nos ajudou muito, a gente, a criar uma alma nova. Foi ai que começou a surgir o estímulo, use o que tem: cipó, pacotinho do bombril, creme dental; trabalhe com a realidade, com o concreto, e foi ali que começou.

Então, a gente cresceu nessa experiência, que deu certo, que até ali a gente estava meio no vago, mas depois a gente passou a usar a pedra, laranja, o que tinha ao alcance e funcionou.

O último curso foi o Gavião, terminei agora em 2001. Eu comecei o magistério, três vezes, aí já tinha os filhos pequenos ai eu começava e parava. Fiz o primeiro ano em 97, aí em 98 eu retornei que eu adoeci e tive um filho pequeno e parei aí quando foi no último Gavião que teve aqui ai eu entrei e graças a Deus eu concluir.

A matemática é uma paixão desde criança, nunca esqueço de quando eu era aluna das primeiras séries e eu tinha um professor, o professor Vitor. Ele tinha um livro que se chamava aritmética, aí ele passava os exercícios todos pra turma, que era multisseriada.

Quando eu terminava, pedia pro professor o livro dele de aritmética, aí eu fica copiando aquelas conta grandes, de fração e divisão. Aí eu fazia com todo o entusiasmo, e ele corrigia, me apoiava me elogiava.

Eu cresci, e sempre essa paixão por números. Então, quando surgiu a necessidade de um professor de matemática, a diretora nessa época, era a dona Zita, ela perguntou se eu queria ser a professora de matemática, e eu não sei se eu dou conta.

Dificuldade a gente sempre teve, mas se a gente for, olha a recompensa, a gente até prefere esquecer as dificuldades. Mas a gente tem a dificuldade nos primeiros anos. Até pra receber o nosso pagamento, tinha que se deslocar para Altamira. Na época a gente que tinha que receber lá, pegava o cheque na SEDUC, ir pro BASA, e além dos transtornos, além das despesas, praticamente necessárias, a gente tinha essa dificuldade de locomoção, dessa distância.

Mas, depois, assim, em sala de aula, é como eu acabei de falar, tinha essas dificuldade, por causa de material, mas isso foi se resolvendo; ia criando opções, oferecendo soluções e foi dando tudo certo, sempre foi dando tudo certo, renovando e, assim, ia acontecendo.

Acredito que a recompensa foi tão grande que a gente prefere esquecer, essas pequenas coisa, esses detalhes.

A relação professor aluno não é difícil. Esse não foi um problema pra mim. Graças a Deus, eu tive um bom relacionamento com os alunos. Às vezes, tinha alguns casos de pais que criavam problemas, às vezes não entendia direito; eu procurava conversar, resolvia os problemas.

Houve, como eu falei antes, aquele problema que fez com que eu me chateasse e pedisse exoneração em 83. Foi um grupinho de quatro pais, na época, mas isso foi uma questão religiosa. Eles criaram uma situação por que nossa escola era escola e Igreja, então a gente celebrava Missa, a gente celebrava os cultos.

Eu era católica e, um dia aconteceu de pessoas da comunidade escolar, pais de outra congregação religiosa, pedir para fazer uma programação especial. Aí, então, esse grupinho de pais, resolveram intervir, disseram que não era pra ceder, porque a escola era dos católicos e aí criou esse caso. Por causa desse caso, eu sendo católica, me chateei, e preferi sair. Foi aí que eu deixei a igreja católica por causa dessa situação.

Hoje eu sou adventista e sou satisfeita, graças a Deus, mas foi por causa dessa situação. Hoje os pais, ainda têm deles, que ainda continua aqui, hoje já tem neto estudando e tudo se resolveu. Mas eu passei por essa dificuldade, por causa de uma coisa desnecessária. Que, pra mim, nós nunca tivemos problemas assim.

Quanto a religião com os alunos, a gente dava a liberdade. Orava, que tinha um costume, de chegar na sala de aula, e fazer uma oração. Mas era livre, quem quisesse participar da oração fazia; quem não quisesse, a única opção, era ficar em silêncio pra não atrapalhar.

Então existia assim, essa situação, e por causa dessa bobagem, é que eu acabei perdendo o ano. Depois eu retornei e tudo foi esquecido. E ficou decidido que a escola passaria a ser só escola e ia se construir igreja para celebrar cultos. Foi o que aconteceu. Hoje tem a igreja católica e tem a igreja adventista, e as outras congregações tem a sua.

A comunidade escolar continua composta de todos esses alunos de várias crédulos, de várias religiões.






Ano: 2007

Localização: Escola Migrantes

  1. Professora: Rita

Assunto: Educação do campo

Lembranças da Memória:
Fui a primeira professora da Escola Migrantes. Começou mesmo em 1980. A história é parecida com a dela – Ernesta –. Nós chegamos aqui e sem querer ser professora. Chegamos aqui, assim não tinha escola e a gente trabalhou, chamamos alguns vizinhos e começamos a trabalhar.

Só que eu tive um pouquinho mais de sorte do que a “Ernesta”, porque ela já trabalhou com a primeira, e já me jogava a segunda prontinha. Nós trabalhava nesse pé. Nós trabalhava a primeira, porque a primeira era dificultoso. Chegavam assim, brutos, como se diz em casa. E posso dizer que, quando chegava o mês de outubro as crianças as crianças já começavam a fazer textos, porque as nossas aulas começavam em março.

Uma coisa que não sei se ela falou, mas eu acho que é importante: na época os alunos sabiam o que era melhor, depois que começou a chegar a televisão, a coisa começou a ficar pior! E hoje a gente vê a dificuldade que eles têm, não é tanta quanto à aprendizagem da época.

Quanto à dificuldade, nós tivemos muito. Porque não tinha material adequado, que é muito difícil. Na época até a gente receber o salário, tinha que ser sempre em Altamira.

Eu acho que as pessoas que trabalha, ela acha tantos meios né, de trabalhar e ela sempre vai levando. Hoje em dia tem gente que já é formado, que passou pelas nossas mãos. Nós ficamos sem fazer faculdade.

Nós fizemos só o Magistério. Nós ficamos e os outros foram, mas a gente se torna feliz por ter feito o trabalho em benefício de muitos, e hoje em dia, muitos agradecem a gente por ter sido as primeiras professoras.

Naquela época sempre foi difícil, porque tudo era difícil pra gente trabalhar; era com muita vontade. Tantas vezes até hoje, eu tava comentando com algumas pessoas, que eu tenho esses cabelos brancos, não é pela idade é que eu passava noites, muitas horas eu acordava as noites, e ficava pensando como é que eu vou fazer, que nós vamos fazer para eles aprender.

Porque você sabe, 20 ou 30 alunos tem dificuldades. Vamos colocar 8 alunos que eles aprendem com facilidade, mas fica ali uns dozes que necessita de outros métodos e a gente tem que ir em busca de outros métodos. Eu ia com ela, ela ia comigo. Aí, assim, a gente ficava sempre trocando experiência, trabalhando outros tipos de método. Inventado outro, para que a gente conseguisse que os alunos aprendessem.

E hoje, ficam me perguntando: por quê perder sono pra cuidar desses alunos? Era tão gostoso na época. Nós queria que eles aprendesse, até porque os pais era tudo conhecido.

Teve uma época que teve um desentendimento com alguns pais e eu saí da escola. Só voltei bem mais tarde, por isso, hoje eu não sou efetiva do Estado. Trabalho para a prefeitura.

Eu saí; depois eu custei a voltar, porque na época eu engravidei e ficou difícil eu voltar. E ela – “Ernesta” – facilitou, porque ela voltou mais cedo. Então ela pegou aquela época de 88. Como eu te falei: quem trabalhou em 88, ficou efetivo do Estado.

Só voltei, já em 89. Eu costumo dizer que, quando a gente não tiver recompensa aqui, a gente tem do nosso senhor.

Ah! esqueci de contar, eu trabalhei dez anos, de 93 até 2003 como diretora, na frente. Até porque, na época, a gente não tinha pessoas especializadas, aí a gente mora aqui; trabalhei dez anos na frente.

Ainda não aposentada, estou agora tentando a perícia por que estou com problema de saúde, quero me tratar. Eu vou entrar em perícia com todo o tratamento, espero de agora em diante chegar pra aposentar.

A parte principal dos problemas de saúde, é a canseira, é o estresse e a preocupação. Porque se você cuidasse só de escola, mas você trabalha na escola, você trabalha na casa, você tem 2 filhos pra cuidar, que desde pequenos, eu acostumava dizer... quantas vezes... tenho uma história pra te contar.

Quantas vezes que eu chorava quando eu chegava do colégio. Porque quando eu trabalhava com os filhos dos outros eu estava cansada, e meu filho: mãe me ajuda com esse dever! E eu olhava e dizia pro meu marido e meus filhos, vocês, pelo o amor de Deus gente, eu não agüento mais, eu estou cansada. É porque, se eu ensinava o menino mais novo, aí eu ia para o maior. Em casa, ia para o quarto e chorava, chorava, chorava de tristeza de ver aquilo, porque eu ensinava os filho lá, dos outros, e o meu ficava sempre para depois.

Acho que todo professora, professor, que cuida de casa, ela, ele tem dificuldade, que cuida de casa, a casa nunca está arrumada, porque a gente ganha pouco. Não é recompensado esse trabalho, porque se hoje existem doutores, tantas pessoas especializadas, eles passou por mãos de pessoas que trabalham [...]. Então, deveria ser mias recompensado, porque a gente tem que trabalhar em casa, tem que trabalhar com o filho dos outro. Então é uma carga que vem muito pesado sobre você, e de repente, com o passar dos anos você começa [...] .

Pra você ter uma idéia, de dois anos para cá, não tenho trabalhado bem, eu trabalho, eu estava indo para a escola, mas o meu rendimento não estava indo bem, a gente percebe isso. Então você começa a sentir dificuldade, começa a chegar a menor pausa, chega o estresse, chega o nervoso.

Se você olhar para trás e vê que você fez uma grande tarefa, e tem pessoas que reconhece. Uma das coisas que eu mais gostava, que eu mais gosto, é quando chego o final de ano, tem pais que vem aqui na minha casa, que eu moro aqui pertinho da escola, vem agradecer pelo meu trabalho. Eu choro de emoção, fico feliz. Nem todos, mas tem pais que vem aqui e diz, professora obrigado por ter ensinado o meu filho que hoje ele está saindo da 8ª série e ele está partindo para o segundo grau, isso me emociona muito. Realmente fico sem palavras, porque acho assim, que valeu a pena.

Nós trabalhamos aqui, não sei se ela já falou, ela trabalhou com matemática por que não tem professor. Eu me especializei, trabalhei muito para trabalhar com a língua portuguesa e eu trabalho até hoje, embora só tenha o magistério.

Nossos alunos saem daqui, o ano passado, o ano atrasado, ano passado, os que saíram do 1ª ano tinham as melhores notas. Têm até uns que estão classificados para trabalhar lá no BASA, já estão trabalhando lá. Não tem de ser feliz, por quê não?

Foram escolhidos, ano passado, 10 alunos daqui, que estão trabalhando lá. Moram aqui, porque as notas foram as melhore do primeiro ano do ensino médio. São os pontos positivo!

Os pontos negativos são aquele que você sofre enquanto pessoa, sofre fisicamente, você sofre tudo. Muitas fezes eu ficava corrigindo prova, fazendo diário até alta madrugada, hoje eu não faço mais isso, eu já fiz.

Eu fico mais feliz, porque eu tenho uma filha que trabalha no colégio, desde pequena está no colégio, e hoje é professora, a outra é auxiliar de secretária. Então você vê que ajudou também.

Olha, nós passamos por muita dificuldade, mas uma coisa é essa questão de fecharem. Se bem que, de fato, que eu mais precisei na época e que eu fui mais bem atendida. A gente tem um marco, mas eu vi que vale a pena. Na hora você estava ali com suas amigas; a escola vai fechar, vai fechar uma semana, sem problema depois a gente voltou.


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