História, Educação e Memória da Educação do Campo na Amazônia Paraense



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Ano: 2007

Localização: Escola

  1. Professora: Jane

Assunto: Educação do campo

Lembranças da Memória: Falar de educação, principalmente de Uruará, é bastante complexa, tem muitos desafios.

Eu trabalhei durante 12 anos com língua portuguesa, eu sou formada em pedagogia e ensinava língua portuguesa, filosofia e arte, também tive uma experiência com formação de professores.

Na época do magistério, que começou o magistério aqui em Uruará, o curso de magistério em mais ou menos em 2000, eu tive alguns privilégios, na forma para contribuir com a formação de alguns professores. Inclusive eu encontrei até uns, ontem na noite na escola, na 5ª e 6ª série fazendo estágio, porque eles estão estagiando, estão fazendo Letras.

Uma aluna falou, “olha é responsável por eu está aqui também”. Isso é gratificante quando você vê alunos que passaram por você tendo uma carreira promissora.

A gente faz um trabalho com bastante dedicação, não é só pelo salário, porque fazendo o trabalho só pelo salário é uma coisa, e com dedicação é outra. A gente sente isso na pele, a gente sente um pouco desgastada emocionalmente, mentalmente, mas foi muito gratificante.

Quando enquanto eu dei aula de língua portuguesa, depois eu assumi a vice-direção do ensino fundamental da escola Melwin Jones, aí eu já fui saindo das salas de aula do ensino fundamental. Depois que eu assumi a vice-direção, eu não voltei para a sala de aula do ensino fundamental de 5ª a 8ª.

Trabalhei... nessa vice direção dois anos e pouco, mais ou menos. Aí veio uma nova gestão política e fui, passei para a supervisão de 5ª a 8ª, supervisora de 5ª a 8ª.

De todo o trabalho de supervisão que eu fiz de 5ª a 8ª, o desafio maior foi, e é, conscientizar o professor que ele deveria mudar a metodologias e sua prática. Que deve envolver com os novos parâmetros da educação, porque a gente encontra uma barreira muito grande. Não sei se é porque o professor já tem experiência em sala de aula, aí é que ele pensa que já sabe tudo, que não precisa saber mais, não precisa está se aperfeiçoando, buscando o conhecimento maior do que ele já tem. Isso foi um dos grandes desafios.

Eu sou uma pessoa muito versátil na questão de metodologia, eu não trabalho com um livro só, eu tenho uma montoeira de livros. E, eu me entedio fácil com livro. Eu gosto de está mudando, de está buscando novas metodologias, dinâmicas. Isso faz parte até de função da minha natureza.

A questão da metodologia eu gosto muito de está mudando, diversificando e passa por um processo de... não só o de o mudar, de querer que as pessoas mudem também. Isso me deixa muito apreensiva: o fato que, as pessoas não fazerem essas mudanças na metodologia.

Eu estou aqui em Uruará desde 89. Eu comecei a trabalhar na educação em 92. Começei a trabalhar com a 4ª série, depois 5ª, 6ª, 7ª com língua portuguesa, como eu já falei. Depois ensino médio, aí vice-direção supervisão, foi uma carreira, foi um ascensão muito legal, porque a gente vai entrando nesses níveis já com experiências daquilo que você precisa mudar.

No decorrer dessa minha carreira, dessa minha ascensão na educação, eu não vi, assim muitas mudanças, tanto na questão da estrutura física quanto na questão [...] é vamos dizer assim curricular, metodológica, é não vi muitas mudanças, na verdade eu acredito que, nesse âmbito aí a gente trabalhou a passos de tartaruga, não percebi muita coisa.

O que mais me marcou é a falta de valorização do profissional. Isso me marcou bastante, porque aquele professor que se dedica, que assume até o sacerdócio, ele sofre muito com essa falta de valorização. Quando você busca esse crescimento profissional, você busca também uma satisfação pessoal e financeira. E, no decorrer desses 16 anos, que eu trabalho na educação, por exemplo, eu trabalho com ensino médio esse tempo todo, e eu ganho o nível médio ainda. Então esse descaso de você não ter uma progressão automática, mesmo não tendo o superior; a efetividade mesmo você tendo o nível superior, a progressão automática, a efetividade com 16 anos de trabalho, é complicado.

O que mais me marcou foi esse descaso, essa não valorização profissional. Do ponto positivo, foi como eu já disse, foi essa gratificação, você se sente gratificada de ver alguns alunos que já passaram por você e sendo professores hoje, tendo alunos que estão trabalhando em bancos, são bancários. Hoje são profissionais, isso é muito legal, saber que você teve um pouquinho dessa parte, essa contribuição com a formação do individuo, da sociedade ao qual você está inserida.

E tive necessidade de descentralizar o setor pedagógico porque eu estava sozinha na coordenação pra muitas escolas, então eles dividiram o setor pedagógico em dois, um pra zona rural e um pra zona urbana. Assim nomeou-se outra coordenadora para a Zona Rural que seria a Izara. Ela trabalhou um ano e meio na zona rural e eu continuei com a zona urbana, escola da zona urbana, auxiliado os supervisores, eu não trabalho direto com os professores e sim com os professores, dou assessoria para os supervisores e claro, de vez em quando eu visito os professores, a sala de aula.

No ano de 2005 eu fiz uma avaliação em sala de aula. Eu mesmo, pessoalmente, levei as atividades pra eu dá uma geral de como estava acontecendo. Em 2006 não foi possível fazer isso, porque ficou por conta da supervisão fazer essa avaliação e os supervisores apresentaram estatística do rendimento escolar do primeiro semestre, apresentaram estatística do rendimento escolar do 2º semestre de 2006.

Este ano de 2007 houve mais uma mudança, nomearam um coordenador administrativo pra trabalhar no setor pedagógico, esse professor administrativo, ele está cuidando mais da parte da estrutura das escolas, claro que interfere também nas decisões pedagógicas, e sempre estão a li contribuindo.

Vamos dizer assim, que a Iza continuou na coordenação. Esse trabalho assim da zona rural, a Iza continua de uma forma discreta na liderança. Ela tem uma facilidade muito grande de manter o grupo unido trabalhando em oficinas, dando uma formação continuada. Ela tem uma facilidade muito grande pra isso, na verdade, o Avanildo que é o assessor administrativo ele deixa essa parte mais com ela, ele deixa essa parte mais com ela pra resolver.

Eu faço o meu trabalho como assessoria pedagógica das escolas da zona rural, mais eu estou sempre contribuindo passando mensagens, algumas coisas que eu pesquiso, atividades, novidades que eu pesquiso eu passo pra eles. Sempre procuro conversar com eles pra saber como sempre estão as coisas, eles sempre contribuem comigo também. Existe essa troca de conhecimento, de atividades, companheirismo, vamos dizer, cumplicidade no trabalho.

A gente sabe que, fica muito a desejar quanto ao trabalho de formação continuada, porque entra na questão financeira. Você sabe, para se trabalhar uma formação continuada com esse número de escola, que nós temos, com esse número de professores, onera bastante a folha, porque tem a questão de material, lanche, deslocamento dos professores, exigem transporte também.

Quando você pensa na questão da formação continuada, uma outra questão, se você pensa em uma formação continuada constante, no decorrer do ano, você vai deixa o professor fora da sala de aula e isso vai deixar uma deficiência na carga horária.





Ano: 2007

Localização: Escola Casa Familiar Rural de Uruará

  1. Professor Rubens




Assunto: Educação do campo

Lembranças da Memória: Uma situação que me preocupa muito quanto, é a regulamentação das Casas, é quando nós preparamos o documento Base, toda aquela preocupação em criar um regimento próprio que tivesse a cara da CFR, de repente o Conselho1 pede que a gente revise e faça uma adequação dentro do que diz a própria Lei de Diretrizes e Bases. Isso já há uns dois anos […]. E não houve mais como a gente sentar pra está fazendo estas discussões.

Em função do projeto do BNDS, aqui na Transamazônica, mais especificamente, a gente tem conseguido avançar bastante, no sentido de está aprimorando o processo aqui na região. Embora alguns companheiros de luta não concorde, mais outros concordam, nesse sentido de transformar ou não em política pública. De 2005 houve um avanço significativo nesse sentido.

Há um debate muito intenso. Eu particularmente, analisando as duas situações, a da gente, continuar com um projeto alternativo ou vamos transformar isso em política pública com uma gestão compartilhada. Uma gestão onde você tem o poder público com os movimentos sociais. Que eu acho muito complicado isso, essa coisa caminha para esse sentido.

Uma vez porque, aqui na Transamazônica, a gente tem um financiamento de dinheiro público pra construções e estruturação das casas, tem os convênios com as prefeituras, da manutenção do funcionamento da Casa que é dinheiro público. Também agora, nós temos o convênio com o Estado, que também é dinheiro público. É uma situação extremamente complicada pra nós das CFR administrar, e lidar com essa situação, porque como é que a gente que trabalhar com um projeto alternativo com o financiamento público?

Por outro lado, me bate, assim uma preocupação muito grande, é a partir do momento que a gente vai dando um caráter mais de política pública mesmo, a gente vai perdendo, um termo que eu uso muito, é a essência do projeto, que é aquela riqueza do agricultor em está contribuindo, de está participando. Porque é muito bonito nas assembléias, uma metodologia que a gente conseguiu imprimir, é a participação das famílias, quando a gente vai discutir os temas geradores é muito bonito.

Pra você ter idéia, abrindo um parêntese, nó fizemos este ano, em junho, dois dias de formação com os pais. O que nós estudamos? Todos os instrumentos pedagógicos. No final nós elegemos um tema e trabalhamos como um tema gerador, fizemos o plano de estudo, colocação em comum, todo o processo, então, é de uma riqueza muito grande.

O meu medo, talvez não será isso o nome, a minha preocupação, uma vez isso passando de um certa forma para o controle, para o Estado, eu digo Estado, mas o Estado de direito, de repente perde um pouco de autonomia. Por isso, é muito bonito esse processo.

De 2005 pra cá, a gente tem conseguido avançar muito nesse sentido, e isso tem feito que a gente também, embora exista, mas gente tem conseguido superar as questões políticas com o poder público local, consegue sentar com eles; a gente discute.

A Gente tem conseguido colocar a Casa Familiar Rural acima das bandeiras políticas, talvez esse seja um resultado do nosso sucesso, que a gente está tendo.

Obviamente a gente tem uma série de dificuldades, por exemplo: uma questão muito séria que eu vejo, é quanto a nossa capacitação. Fica muito no plano assim que alguém faz um trabalho, faz um TCC, desenvolve algum trabalho nesse sentido e aí a gente vai buscando essas informações, mas não existe um trabalho, uma política mesmo que seja do movimento social de capacitar mesmo.

É tanto, que, hoje a gente tem aquela dúvida, a pedagogia da alternância , a gente vai seguir uma concepção freiriana? É francesa? É italiana? É das CEFFAs? Da onde que é? Pra nós hoje, nós temos uma insegurança muito grande e eu vejo isso de um certo modo, como um ponto positivo, pelo fato de nós estarmos construindo um pensamento pedagógico, uma proposta pedagógica.

Me preocupa muito, porque a gente fica dando uns passos muito lento, com medo de você errar, enfim. Isso tem, de uma certa forma, um ponto que tem que ser melhorado.

Os desafios hoje pra nós, sempre procurei alertar nas nossas discussões, das discussões com os monitores e com as discussões com os diretores da fundação essa preocupação, esses dois desafios. É uma política pública? Vamos transformar isso em uma política pública? Vamos continuar com o projeto alternativo e que aí nós temos uma outra situação complexa.

Porque se a gente quer continuar com um projeto alternativo, então teremos que mudar nossa legislação. Porque o aluno não pode estudar e chegar no final do ano, sem um documento que comprove que ele estudou, certo. Então nós teremos que alterar a legislação, seja em nível de Estado ou em nível nacional. Se bem que o Conselho Nacional já tem uma proposta, já aprovou a pedagogia da alternância como uma metodologia, é um parecer agora de 2006, se não me falha a memória, abril ou maio de 2006.

Então isso é bom, mas eu, se alguém me perguntar como já me perguntaram, e você, qual a sua opinião? Eu acho que nós teremos que levantar uma bandeira muito forte no sentido de continuar com esse caráter alternativo, buscando essa legalidade dos alunos, para que eles saiam e possam seguir as atividades deles, Eu tenho muita preocupação, eu acho que, dificilmente, a gente vai conseguir administrar essa situação, gerir essa situação com o poder publico e o movimento social. Porque são idéias, pensamentos diferentes, concepções, são paradigmas, enfim, é uma complexidade enorme.

Se você quer manter esse perfil de Casa Familiar Rural, ligada às famílias, nós temos que se preocupar nesse sentido.

No final da formação, muitos pais chegaram com a gente, olha meu filho está há dois anos na Casa Familiar Rural, mais eu não sabia e não percebia a riqueza que era esse projeto. E, a cobranças de mais formações e, assim, ao trabalhar o tema gerador que a gente focou bastante o tema gerador e o plano de estudo.

O plano de estudo é o embrião de tudo. Como a gente alertou, ele, se agente tiver um plano de estudo mal elaborado, com uma participação mínima da família, o aprendizado, a construção do aluno vai ficar comprometida na colocação em comum. Ele diz logo: meu pai não sabe, tem aquela insegurança. E, a gente percebe isso, nos relatórios deles. Quando eles vão ler o relatório, quando a gente vê o relatório, dá pra ver quando há a participação da família em discutir o tema gerador.

Então o plano de estudo é muito importante, daí a estratégia da gente criar um tema gerador que era discutir o planejamento da Casa Familiar Rural. Dividimos os pais em grupos, como agente faz com os alunos, e eles foram discutir as questões. Depois eles foram para o auditório, onde foi feita a colocação em comum. E, eu senti, assim, um entusiasmo.

No início eles que ficaram, assim meio perdidos, mas no final do segundo dia, alguns não queriam nem ir embora. É tanto que, nós tivemos a formação em junho e temos outra agora em setembro, e eles estão cobrando. Hoje mesmo, encontrei o Leonei, e, ele disse: “ Rubens” e a formação de setembro?

São, mais dois dias que a gente vai reunir os pais. Uma coisa minha, que eu aprendi, estou aprendendo na verdade dentro da Casa Familiar Rural, mais específico dentro da pedagogia da alternância, é que a família é o berço de tudo. Se a gente não tiver a família entendendo o projeto, participando do projeto, nós podemos inventar tecnologias das mais alta possível, mas se a gente não tiver o acompanhamento da família dificilmente a gente vai ter sucesso.

A gente percebeu que a partir dessa formação, nós tivemos mais duas alternâncias, a partir dessa antes de entrar de férias, os alunos, os jovens vieram mais entusiasmado também. A cobrança, eles cobrando mesmo dos monitores, porque tem um processo de avaliação que a gente faz aqui na CFR. Que é aquela famosa avaliação, que nós chamamos de lavagem de roupa suja durante as alternâncias. Então eles já percebem que, quando o monitor, mesmo que seja da base, como das disciplina de história de geografia, de língua portuguesa, quando ele está fugindo do tema, eles reclamam, eles já começam a reclamar. Tanto que, a Selma e o Edílson, ou quando a gente está fugindo do tema, eles começam a questionar, “o que isso tem haver com o tema? Eles conseguiram perceber isso como um vínculo extremamente importante.

Foi muito difícil no inicio, que é pra gente entender mesmo o processo, foi difícil, mas realizamos muitas reuniões, muito planejamento com os nossos monitores. Às vezes, a gente planejava a alternância, mas a coisa é tão difícil que na hora de ir para a prática a coisa acontecia tudo diferente, e aí a gente pára e retoma de novo. E, aí tem uma cumplicidade entre a gente, como monitores, de um está avaliando o outro, e todo mundo aceita na hora. “Rubens, isso não foi legal”

Porque sempre a gente está observando se fugiu um pouco o tema, e a questão da interdisciplinaridade, que é o gargalo que eu vejo hoje pra nós. Às vezes, a gente pensa, mas, como a própria Ivani Fazenda diz, não é um tema tão simples.

Se tratando das Casas, sem a gente ter um acompanhamento, aquilo se torna mais difícil, só que a gente tem buscado algum acompanhamento fora, eu tenho conversado muito com o professor Paulo Lucas, e ele também tem uma preocupação muito grande nesse sentido, a questão da interdisciplinaridade dentro das Casas.

Só pra título de exemplo, a gente conseguiu articular uma conversa com a universidade, com os colegiados dos cursos de agronomia, pedagogia, biologia, aqui em Uruará, lá na Casa pra gente discutir justamente essa questão das técnicas pedagógicas.

Nós fomos para uma reunião, falta a gente definir a data de trabalho, Universidade, onde, nós vamos está sentando com a Universidade pra montar um plano de trabalho, para eles intervir diretamente na formação da mesma. Não trazer receitas prontas, por que a Universidade é quem tem esse papel pra fazer essa discussão. Nós conseguimos tirar eles da Universidade, eles vieram e no final da formação, buscá-los, então eles participaram e foi muito bom.

Dia 20 nós temos uma reunião com os presidentes das Casas e aí a gente vai está definindo a equipe de trabalho pra esta fazendo esse plano, essa atividades.

Aqui graças a essa participação do FAZ, a gente conseguiu avançar muito coma as parcerias e essas parcerias trouxeram uma riqueza grande para o projeto, por exemplo a gente estamos envolvidos com o projeto FROAGRI, que é uma parceria da EMBRAPA com o CILADI.

FROAGRI, Floresta e Agricultora. São seis experiências e dessas seis experiências, cinco estão nos lotes dos jovens, nós temos a cooperativa de produtos orgânicos e nós temos um dos inspetores que é ex-aluno nosso e está recebendo toda a capacitação.

Nós temos trabalhado com a CEPLAC local, são cursos que a través do sindicato patronal, a gente traz também, então, na tendência de parceria. A gente tem avançado bastante, com a própria EMATER, que nesse ano, tivemos uma a proximidade bastante grande, maior com o próprio planejamento da EMATER. Mas assim, nós temos um trabalho mais sistemático com a EMBRAPA.

Nós estamos aguardando a vinda do Plínio que coordena o projeto FLOAGRI, para desenvolver uma experiência lá no sítio da casa mesmo. O que quer dizer esse FLOAGRI: a gente pega uma área degradada e faz a área de pastagem, já bem degradada, e faz uma análise de solo, faz a correção e faz a adubação para renovar a pastagem. Nesse período de renovação, aí você colhe a arroz o milho. É um processo extremamente interessante, só estou falando, assim, superficialmente.

E a gente tem visto também os pais bastante otimistas. Esses que estão envolvidos no projeto, de uma certa forma, vem provocando ciúmes em outros. Porque, nós tivemos um dia de campo e levamos outros pais [...] Mas por quê esses são privilegiados?

Hoje nós discutimos muito os resultados das Casas da região, na verdade não existe um estudo assim preciso, mas eu dizia que em Uruará nós temos alguns resultados importantes, provavelmente nós temos alguns resultados que... a família não entendeu o projeto, mesmo que o filho continua na casa, mas quando a gente chega lá, não mudou muita coisa não.

Positivo é, nós temos o Ernani onde está com o projeto FLOAGRI. Outro bem positivo também, é o seu Carlos, do Km. 170. Esse ano, ele começa a trabalhar com cacau irrigado a partir do nosso trabalho que a gente está fazendo com ele. Têm outros casos: têm alguns familiares que já tinha abandonado a roça de café e a partir do tema gerador da cafeicultura, eles, esse ano estão investindo na recuperação da roça de café.

Eu achei uma coisa assim muito importante porque é uma lavoura que estava esquecida. Então, nós temos alguns agricultores, são três, assim que estão investindo. Eles estão cobrando, cobrando direto, a presença do agrônomo para dá as orientações.

Por outro lado, nós temos alunos, como, no Km. 175 que, infelizmente, o jovem que continua na casa ele tenta fazer a discussão, mas o pai está ainda muito resistente, ele continua naquele sistema que ele aprendeu do pai dele, do avô e não muda.

Os egressos a gente tem da primeira turma, o fato de a maioria ser parente, a gente, tenha tido um acompanhamento mais específico, mas da segunda turma também.

Temos 224 alunos que a gente está acompanhando não só no sentido da orientação da propriedade, mas no sentido das atividades. Como está tendo hoje no salão paroquial, que é o aproveitamento das oleaginosas; nós sempre estamos inserindo os alunos egressos até porque, para eles não perder. Além desse aluno que está na cooperativa, que é inspetor hoje.

Na verdade não existe grande transformação na propriedade, só que, quando a gente conversas com as famílias como o Valdenísio, do Km. 180, ele já diz: “ é..., o meu filho me disse que eu não posso podar meu cacau assim; minha filha, tem que ser diferente, é não é, para derrubar nas margens dos igarapés, é pra deixar mato”. Por isso, por isso, por isso.

Então a gente percebe que há um diálogo, porque essa coisa da mudança de hábitos, através da educação é uma coisa muito lenta, mas a gente percebe que já existe um diálogo, que é uma coisa importantíssima.

Só retomando um pouco, o governo federal através do BNDES financiou a infra-estrutura das CFRs. Em Uruará foi, a reforma, compra de veículos, uma caminhonete, uma moto e os equipamentos. O governo estadual a contra partida seria o pagamento dos monitores, porém nós tivemos aí quatro anos de não cumprimento da parte do governo.

Esse ano também veio até agora, até o final de julho, quando as coisas já estavam tomando outro rumo é que o governo do Estado fez o depósito na conta da fundação, que agora vai ser feita uma nova seleção de contratação.

O projeto maior, a nível de Transamazônica, com BNDES, é no valor de, um pouco mais de RS 10.000.000 (dez milhões de reais). Já, a contrapartida do governo é de R$ 3.258.000, que é para o pagamento dos monitores da área técnica.

É bom ressaltar, já a prefeitura entraria com o pessoal de apoio, governanta, vigia e auxiliar de secretaria, mais, os professores da base comum nacional.

Aqui em Uruará, especificamente, a gente entrou no seguinte entendimento: que nós não queríamos 09 professores, mas 02 que trabalhasse buscando toda essa coisa da interdisciplinaridade. Um que trabalhasse as disciplinas de exatas, e outro mais de humanas.

A gente conseguiu avançar um pouco na cedência da coordenação pedagógica. Dentro do recurso do Estado, é pra ser pago, mas aqui, a gente conseguiu avançar com o coordenador pedagógico que acaba dando aula também. Tendo uma interferência grande junto aos alunos, não trabalhando disciplinas, mas, sim na formação mais geral do jovem, uma formação mais política, uma política partidária, política de cidadania. A gente “pega”, a ética, meio ambiente e trabalha nesse sentido. Já envolvendo os outros professores.

E quando a gente conversa com o jovem, a gente vê que ele tem o conhecimento, só que ele não consegue colocar na prática. Então alguma coisa foi deficiente então nós trabalhamos teoria e prática e isso pressupõe que a lógica da Casa Familiar Rural é que ele tenha uma resposta lá no lote, então hoje nós não temos isso. Vamos fazer um estudo em uma propriedade como referência; infelizmente, nós não temos isso.

Nós temos alunos egressos que derrubaram as margens dos mananciais, tem alunos que usam agrotóxico demasiadamente, tem jovens que não tem um cuidado com o lote,2 não segue o planejamento. Então, assim, aí tu tens razão no teu trabalho. Aí você pode fazer uma reflexão até pra nós mesmo, porque é assim, o projeto surge com uma alternativa para que dê uma resposta para o agricultor lá, e infelizmente ainda não deu.

A questão da Alternância, a gente resolveu mudar, agora são duas semanas que a gente trabalha. Eles chegam segunda feira pela manhã, à tarde eles já fazem à colocação em comum, e ficam até sábado. Então, a gente aproveita minuto a minuto. Domingo a gente deixa eles meio lighit, sempre com alguns trabalhinhos pra eles estarem fazendo e tocamos a outra semana toda.

Uma outra coisa que a gente tem a preocupação também durante essas duas semanas é de qualquer atividade, qualquer atividade que aconteça dentro da casa ela é planejada, ela tem um cunho educativo, formativo ali dentro.

Mesmo quando a gente vai fazer uma limpeza, vai consertar um cano que estoura, vai molhar uma horta, fazer limpeza, tudo isso tem esse cunho formativo, esse foi um dos avanços que a gente teve aqui em Uruará.

O outro é em relação ao tema gerador é que a gente não trabalha o tema gerador específico. Por exemplo, nós trabalhávamos até o início deste ano, o cacau, café, hoje nós trabalhamos com o sistema de produção, dentro do sistema de produção, nós trabalhamos o sistema de cultivo e sistema de criação.

Os monitores é o Edílson Caetano, Selma Meneses, Elisa que é auxiliar que acaba trabalhando com o Ailton Araújo, que é da área técnica (agrônomo) e, o Delídio. Ele é meu conselheiro e trabalha com a área técnica, e eu, que sou uma espécie de faz tudo lá.

Eu acabei colocando meus filhos lá, eu acho uma contradição de eu ser apaixonado por uma proposta pedagógica e meus filhos não estarem lá dentro, no início, meu menino dizia: pai esse negócio é doido, eu não vou pra lá. E eu: vamos fazer uma experiência. E, hoje ele diz que gosta, inclusive ele está lá pra casa do tio dele porque quando termina o tempo escola ele se manda pra lá, ele e a menina.

A menina, chega no final da Alternância: pai eu estou queimada de sol e cheia de calo. Você está arrependida; não.



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