História, Educação e Memória da Educação do Campo na Amazônia Paraense



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Ano: 2007

Localização: Uruará. Centro Social do Município. PLENÁRIA PREPARATÓRIA para Conferência Regional de Educação, em Altamira, e a Estadual, em Belém..


  1. Professora: Joana

Assunto: Educação do campo

Lembranças da Memória: Eu proponho que a assembléia continue. Logo depois da aprovação das propostas será escolhido o representante da plenária regional e estadual.

Bom dia a todos a todas. A primeira coisa que nós observamos e que na realidade [...] nós temos hoje uma demanda de alunos muito grande fora da escola. A escola pública apesar de o professor e o aluno terem uma idéia que é grátis, nós observamos que tem um gasto muito grande para a população carente manter esse aluno na escola. Porque nós temos um déficit de manutenção, comprovação, apesar da matrícula está lá de graça. Mas pra chegar à escola o aluno tem que transcorrer um caminho muito grande, além de farda, alimentação, manutenção, xerox. Então tem gasto, então esse gasto social, infelizmente, muitas famílias vindas do interior não tem como bancar, então o aluno fica fora da escola e tem que ir trabalhar, o que mostra a realidade triste do trabalho infantil do nosso país, principalmente, no interior.

Nós que somos da baixada, daquela região, observamos muito isso, muito alunos que não estão na escola e que estão trabalhando pra tentar ajudar a família.

A primeira questão que nós chegamos pra ampliar a questão da sensibilidade, seria descentralização das escolas do centro; que nós observamos, é que, a maioria das escolas está sendo construída, mais por uma questão política, do que, com o objetivo de atender a demanda do aluno.

Aqui em Uruará tem uma escola considerada de médio porte de Ensino Médio no centro, e na periferia não temos escolas, e nós precisamos uma escola de ensino Médio na baixada, que é onde está, a maioria dos nossos alunos; essa preocupação não existe.

Então, se faz escolas é para se mostrar a escola, porque, ela, lá escondida, na periferia, ela não aparece. As escolas mais aperfeiçoadas, aparelhadas, é mais no centro. A escola mais aparelhada, mais equipada, deveria está na periferia, porque é lá que está o aluno carente, e lá que precisamos dela.

Então, em Uruará, uma das questões é essa, que as escolas sejam construídas observando não as questões políticas, mas a necessidade do aluno da cidade. Então, a nossa proposta é que em Uruará sejam construídas mais novas escolas na baixada.

Que construam escola de pequeno e médio porte, bem estruturada nas periferias para evitar a aglomeração de alunos no centro, e para facilitar o deslocamento. Porque se o aluno sai cansado do trabalho e se a escola é perto da residência dele, ele pode tomar um banho e ir para a escola. O que evidencia um problema novo é que os alunos saem direto do trabalho para a escola, e, já leva a sua farda. Não tem um momento de tomar um banho, se alimentar, ele já chega aqui com fome.

Existe uma legislação, o próprio senso reconhece [...], a LDB recomenda , as pesquisas educacionais demonstram que, 25% de nos alunos não são produtivos. Temos turma a noites com 40, 45, 50 alunos, é improdutivo, inviável, mas por uma visão economicista se coloca e tudo recai na costa do professor e no aluno, que não têem um sucesso garantido.

Falta fiscalização por parte do Estado, quanto ao comprimento da legislação com relação ao número de alunos nas escolas. Existe a lei, mas não existe fiscalização, a própria LDB, o próprio FUNDEF, hoje FUNDEB, o antigo FUNDFEF tinha um número x de alunos por sala de aula, mas na prática isso não é respeitado. E quem não respeita isso, fica por isso mesmo.

E o que nós temos, é a tão chamada evasão, reprovação ou o analfabeto funcional, que ao sair da escola, não tem o conhecimento necessário para ter sucesso na vida cidadã.

Um laboratório de informática com um número de computadores condizentes, com o número de alunos, um número mínimo de alunos por sala, não adianta fazer a inclusão digital se você tem um laboratório de informática que hoje é necessário para inclusão digital para todas as áreas. Se você vai trabalhar na área tecnológica você vai que ter conhecimento de informática, qualquer local que você for hoje para ter sucesso, você vai precisar ter um conhecimento mínimo de informática.

Agora, em uma escola de ensino médio ou de ensino fundamental tem que ter um laboratório de informática ou outro e se coloca dez computadores para atender 1000, 1500 alunos. Então, na realidade, não existe, isto é uma mentira, cumprir uma obrigatoriedade e se diz agora o Brasil está na era da inclusão digital, mas na prática não funciona e quando não funciona, quem é o culpado. O professor que não criou metodologia.

É necessário incluir a informática como disciplina, já que é a inclusão digital deve estar na grade curricular.

Queremos também tempo de aperfeiçoamento para trabalhadores da educação em geral professores, vigia, servente, secretária, com, no mínimo de 180 horas, a compor e que seja valorizado no aumento de salário e na carreira do magistério.

Aumento de vagas de licenciatura e mestrado, aumentar a linha de pesquisa, os pesquisadores não estão querendo vim para o interior. Temos que possibilitar que nossos alunos, nossos professores tenha condição de realizar a partir da nossa realidade, temos um caso ali que é a doutora, que é de nossa região, que veio pesquisar a nossa realidade. Por quê? Porque ela é daqui e se interessa pela nossa realidade, então, tem que estimular para que todos nós aqui possamos ter essa oportunidade.

Merenda escolar para os alunos do ensino médio: nossos alunos chegam aqui famintos, não tem condição. Eu estou falando do ensino médio porque, normalmente, o ensino fundamental e infantil normalmente já está previsto e que não seja só no ensino médio, mas também na EJA. Pra qualquer pessoa que, muitas, vêm direto do trabalho e não tem tempo de ir em casa jantar, é necessário a merenda, porque saco parado não fica em pé.

Construção de quadra poli-esportiva. Não adianta falar em ensino prazeroso, se você não tem a oportunidade de um ensino com prazer, tendo oportunidade de fazer exercício físico. Esporte é qualidade de vida e isso já é uma realidade para todos, precisamos fornecer isso também na escola.

Uma máquina potente de xérox, com manutenção em cada escola. O livro didático só não dá. Você não vai ficar centrado só no livro didático, o livro é só um instrumento, e precisamos buscar outras fontes, e pra isso nós precisamos de xerox.

Não é uma coisa tão cara, e que já deveria ter nas escolas. E, até hoje esse processo não aconteceu e nós precisamos porque nós temos alunos que estão evadindo. Eu tenho até vergonha, mas tem alunos que evade da escola porque não tem os dez centavos para tirar a xérox. Mas, você pode dizer: “Ah, mas é só dez centavos! É! Mas tem mãe que tem dez filho, e para o aluno, é dez centavos em cada disciplina, e é todo dia! E ele vai passando pela vergonha e pára de estudar. Pra quem tem não é nada, é muita coisa. Eu sou professora e tem dia que eu não tenho dez centavos.

Política pública de acompanhamento em busca de soluções para a saúde dos trabalhadores da educação. Hoje nós enfrentamos uma triste realidade de trabalhadores doentes e ninguém sabe o que é. O que está provocando a doenças nos educadores? E não existe tratamento. Muitos trabalhadores estão chegando com labirintite, problema de garganta, loucura mesmo, uns falam até demais, uns nem pensam mais, então precisamos tratar nossos educadores, uns trabalham doentes. Que alunos nós estamos formando, se as pessoas que trabalham com os nossos alunos não estão saudáveis.

Como trabalhar um aluno saudável se eu não estou saudável; e se a mente não está boa como eu vou trabalhar a mente? Como eu vou trabalhar com a consciência? Então pessoal precisamos nos preocupar com a saúde do trabalhador em educação. Isso é um quadro triste do nosso país que não há preocupação, não há acompanhamento.

Atualização do plano de encargos e salários da carreira de magistério do Estado. De acordo com a legislação vigente, o plano que hoje existe é do início da década de 90. Se não for da de 80. Então já está mais do que caduco, e o professor hoje não tem carreira. Vem hoje a municipalização e a utilização dos processo encaminhados a SEDUC. Pra ter um processo hoje na SEDUC, espere daqui uns três anos, pra te dizer que o teu processo está encaminhado errado e aí é mais três anos.

Paralisação dos descontos irregulares dos servidores, paralisou dois meses, depois continuaram. Não fizeram levantamento nem nada, continuam com o mesmo desconto.

Contratação de servente e do corpo técnico de manutenção da escola. Olha pessoal não tem como chegar aparelhagem na escola, chegar laboratório, se não existir uma equipe de manutenção, porque quebra e até conserta. Aí cria um depósito de sucata.

Eleição direta para direção a nível Estadual e Municipal e também das UREs. Não adianta ficar falando só em democratização; democratização, o processo tem que ser como um todo. Enquanto a educação for uma questão política eleitoreira, e não uma política educacional, não há consenso, porque os financiamentos vão ser vistos dentro de uma lógica economicista e não uma ótica de valorização humana.

A questão da gestão democrática não perpassa pela questão só do diretor, não adianta colocar um diretor só porque a gente quer se o diretor da URE. Não é o que deveria está lá, ele não tem o conhecimento técnico nem o pedagógico, ele só tem o político. E o secretário de educação é a mesma coisa, e se é pra descentralizar que seja todos.

Revitalização do instrumento participativo, conselho escolar, conselho de classe. Recurso para aos projetos artísticos, não adianta dizer que a escola deveria ter projeto, a escola tem que ter recurso pra isso, e as escolas não tão tendo nem amigo do município, nem amigo do Estado, só sabem dizer, tem que fazer projeto, tem que fazer projeto. Só que para ter projeto tem que ter recurso, tem que ter verbas, e nós precisamos de o recurso, tem que ter financiamento, se não, a coisa não acontecerá.



Construção de auditório para todas as escolas, como se falar em gestão democrática. Como se falar em urbanização se você nem tem nem local adequado para você chamar a comunidade, tem que ser tudo improvisado, aí você fica tomando local emprestado. E aí os pais ficam uns em pé e outros sentados, e aí você fica até tomando microfone emprestado e tudo isso perpassa de novo na questão do financiamento. Precisamos de investimento real na educação. Na verdade, o Brasil precisa pensar no PIB para a educação, porque hoje o investimento é muito pouco; existe investimento no discurso, mas não existe investimento de fato.




Ano: 2007

Localização: Uruará. Centro Social do Município. PLENÁRIA PREPARATÓRIA para Conferência Regional de Educação, em Altamira, e a Estadual, em Belém

  1. Professor: Alberto




Assunto: Educação do campo

Lembranças da Memória:
Nessa primeira seção:

  1. Nós dividimos campo e cidade para garantir a permanência da população na via campesina, na escola e como Faculdade e passando também pela qualificação desse profissional, vendo que a grade curricular tem que ser diferenciada.

  2. efetivação e progressão automática do profissional do Médio temporário, a partir dos dez anos de trabalho, e também, fazer valer a LDB sobre a formação inicial ou continuada, garantindo o plano de carreira e encargos de salários condizentes com a qualificação profissional. A gente colocou garantir porque já está em Lei, a questão do plano de carreira. 3.

  3. Reestruturação curricular do ensino médio, a gente colocou esse ponto. Vendo aqui: quando se falava da qualidade social da educação, não adianta se falar em qualidade social da educação com uma estrutura curricular, como bem disse a professora, com a visão bem capitalista mesmo, a gente não vai avançar muita coisa.

  4. Quatro: estabelecer uma parceria com União, Estado e Município para construção de um templo artístico e cultural dando seguimento a todos os seguimentos da sociedade.

  5. Gestão democrática, além da eleição dos diretores, também tem a construção do Projeto Político Pedagógico do ensino Médio, com a participação efetiva da comunidade local que não seja aquela coisa imposta de cima para baixo.

  6. Que seja dado, mais autonomia para as UREs e também para as unidade Escolares.

  7. Estabelecer estratégias de abertura curricular para o desenvolvimento social e ambiental. O trabalho que a gente faz dentro dos muros, parece que, quando termina o período de aula, acabou, mas como é que a gente vai inserindo nossos alunos nos temas globais, na questão ambiental e no próprio desenvolvimento ambiental que já falamos hoje. O tema desenvolvimento sustentável é uma marca muito bonita, e a gente tem um monte de gente falando em desenvolvimento sustentável, e que muitas vezes não sabe nem o que está falando, acha que desenvolvimento sustentável é só preservar as matas e os rios. Nós, os seres humanos, como nós ficamos diante dessa situação? Então que não seja o discurso pelo discurso, mas que nós preparamos os nossos alunos do ensino médio e que tenha condição de decidir e avaliar as situações, e os temas gerais fora do ambiente escolar.

  8. Investimento em grupos de pesquisas com orçamento garantido no Plano Estadual de Educação.

  9. Inserção da educação do campo no plano Estadual de educação, a gente colocou uma ressalva aqui que é. Essa questão da educação do campo, ela foi bem debatida e bem discutida no seminário. E, ainda essas propostas vão para o Estado, e que dependamos das propostas que foram ressaltadas no terceiro seminário. Que elas entrem porque foram propostas interessantíssimas em Educação do Campo, o que nós tínhamos era isso. Muito obrigado!


Ano: 2007

Localização: Uruará. Escola Melwin Jonnes. Agos/2007

12. Professora: Crescência

Assunto: Plenária Municipal para construir Conferência Regional de Educação de Altamira e Conferência Estadual de Educação do Pará.

Lembranças da Memória: Praticamente já falaram várias de nossas propostas.


  1. A primeiras delas, o ensino médio nos núcleos de acordo com a realidade local, Inclusive o calendário, devido a área rural, que tem as épocas de colheitas, que trabalhe principalmente, o calendário de acordo com a realidade local. A questão da permanência, que a gente fala, é bastante complexa também. Porque a estrutura social, hoje em dia, entre trabalhar e estudar, a maioria dos alunos, prefere trabalhar, para continuar vivos. Então, é um caso muito sério existente, mas também envolve os professores, a permanência dos discentes e dos docentes.

  2. Salários dignos, com capacitação. Porque, a grande vantagem, se o professor puder trabalhar só 100 h., é a qualidade do trabalho vai ser bem melhor. Compromisso que o discente tem que ter também, porque infelizmente, muitas vezes quando o funcionário está longe do patrão, ele vem para a escola quando bem quer, tem que ter compromisso dos dois lados, do aluno e do profissional, a questão salarial envolve também, mas que se trabalhe e se compra também.

  3. Nas decisões, ágil também. Aí, envolve a questão das documentações, porque os documentos que se mandam das escolas, dos locais, precisa passar pela URE de Altamira, e muitas vezes, é engavetada. E, em Belém, que muitas vezes vai pra lá e se esquece. Ficam meses e meses em Belém, talvez até anos, quem tem retroativa atrasado nunca consegue receber e não é por falta de documentação.

  4. O Corpo técnico também, a contratação, concurso para isso, o corpo técnico e o apoio, porque como a colega disse, não adianta ter computadores se não a manutenção deles, contratação de serventes, formação de professores, recurso para isso, capacitação de uma forma permanente.

  5. Que aconteça cursos de capacitação, projetos que ajude a escola, que venha também projeto do Estado, porque os recursos que vem do Estado é muito pouco. Não dá nem para o meio do ano. Que a escola também possa gerenciar um recurso, como o Aguinaldo falou, que se pense nisso para que ela possa se ajudar auto-sustentável. Até me lembrei que há anos atrás, a escola tinha uma caixinha, valor simbólico, um real por mês, se o aluno não pode pagar, ele não paga, mas se ele pode, ele paga, ele paga até com prazer, para se ter uma prova bem elaborada, xerocada, ele faz com prazer, geralmente ele acaba contribuindo muito com a escala.

  6. Gerenciamento dos recursos direto na escola também, o conselho escolar ele é muito bom, mas na maioria não funciona envolve pais, pessoas que não estão nem aí, e que muitas vezes eles não querem, tem que correr atrás deles para acontecer. A questão do registro no cartório também é muito caro. Em um ano, o dinheiro dá até o meio do ano, o dinheiro do PDDE. No outro ano, o dinheiro só dá para registrar no cartório. É cento e poucos reais, é trezentos reais, depende da escola. Muitas vezes, o recurso acaba indo não pra escola, na verdade acaba voltando para o próprio Estado.

  7. Projeto para garantir as atividades artísticas, culturais e tecnológicas, isso envolve os projetos com parcerias com o estado e município, é importante como já falaram que houvesse um centro cultural para que as coisas possam acontecer em um local agradável e ideal. Porque a juventude precisa, nós precisamos, porque como já falaram aqui, que se constroem em outra áreas, e a educação sempre fica em último plano.

Chegamos a uma conclusão, que devemos ter maior capacitação entre, incluir, os professores e o material de apoio, ampliação e melhoramento da estrutura física, transporte e material didático. Mais contratação de profissionais e que esses profissionais tenham compromisso com a educação.




Ano: 2007

Localização: Escola La Salle – Magistério/ Melwin Jones

13. Professor: Arno

Assunto: Educação do campo

Lembranças da Memória: Comecei em 79; meu preparo como professor era praticamente zero. Tinha ensino médio, contabilidade, faltava professor naquela época, e era assim, aliás, até hoje se usa muito isso, falta professor e vão atrás de quem tem estudo. Comecei e acabei gostando, gostei da experiência, é claro que, no início, tudo o que precisava era praticamente a metodologia, a prática, o conhecimento, tudo! Não tinha a quem recorrer, era só eu, e eu mesmo e assim foi por um tempo.

As dificuldades eram grandes, mesmo quando se precisava ir atrás de um recurso melhor, tinha que ser em Altamira. Porque naquela época também não tinha muita coisa, mas o que fez com que eu procurasse uma melhora, foi o gosto pela educação, que é uma coisa que entrou em mim.

E, por mais que se quisesse procurar outra coisa, a chance de sair disso e ir para outro trabalho, mas eu sempre fui assim, precisava melhorar os conhecimentos, procurava livros para pesquisar, e se eu não estivesse satisfeito com a metodologia ia atrás, até conseguir outra.

Depois fiz o magistério aqui, e mais tarde consegui entrar na Universidade, mas sempre preocupado com a melhora do conhecimento, da metodologia, para melhorar no trabalho.

Tive bons momentos em Uruará, houve época em que a escola era reconhecida inclusive em Belém, quando alguém ia para Belém e dizia que era de Uruará, logo chamava atenção. Para se ter uma idéia, aqui teve um período que tinham mais professores de nível superior que lá, em Altamira, era o que diziam as irmãs que estavam aqui.

Então tínhamos um bom número pessoas capacitadas aqui, mas como houve esse período bom, também houve o período ruim, em que praticamente nossa educação chegou a 0% de se pensar alguma coisa. E foi uma coisa curiosa o período em que enfrentamos, foi a época em que tivemos pessoas na universidade, uma coincidência meio fora do comum, mas quando se observa o porque disso, na medida em que o professor de primário que nunca tiveram até antão, continuidade na formação.

Tivemos já muitos bons professores de primário, mas à medida que esses professores iam para a universidade o que se fazia, pegava os professores para o fundamental e quando começaram a aparecer o ensino médio, eles iam para o médio, e quem ia para o primário, eram os professores que ainda não tinham o magistério, nem experiência.

Naquela época, não se percebia a diferença, só percebemos quando aqueles alunos de 2º série começaram a chegar na 5º, 6º série e o conhecimento deles era muito ruim, mais do que deveria, e o que se pensou que fosse bom, estava sendo ruim. Mas isso, foi por falta de planejamento, por um motivo também que acontece até hoje e aconteceu, e que é uma coisa natural, é que professor de primário, naquela época e hoje, tem 100h, e trabalha um meio período e professor de 5º a 8º séries trabalha meio período e tem 120h.

Esse professor saia do primário e ia para o ginásio, trabalha o mesmo período que trabalhava antes e ganha mais pelo mesmo tempo, ele gostava. Também tinha aquela questão da preocupação com a 1º e a 2º, é maior que na 5º e na 6ºsérie. Se você não fizer um bom trabalho na 1º série, a criança sai com problemas, e na 5º série, você não é tão exigente. E o professor procura ir para uma série mais adiantada e sobra para quem não tem tanta experiência, não tem tanto estudo, e o trabalho não é bem feito.

Esses são os motivos que, em minha opinião fez com que nossa educação tivesse uma queda na qualidade, e de uns 4, 5 anos para cá começou de novo a perceber uma volta.

A administração, o secretário de educação está começando a se preocupar novamente com a educação, traz benefícios, faz melhorias, até mesmo no pagamento dos salários, tudo isso influencia. Aos poucos nós começamos a perceber uma volta, uma melhora de novo.

As dificuldades que se tinha eram a mesma, o material pedagógico que usávamos eram os que fazíamos, tinha um livro que a SEDUC mandava, manda até hoje, é o mesmo. Houve épocas em que eu passava horas preparando o material pedagógico, que eu utilizava nas minhas aulas, até mesmo fazia muitos materiais que os outros professores utilizavam. O material sempre foi escasso, o material pronto, ma sempre se usava o material, sempre tinha, apesar de que até hoje se fala com o professor, ele fala que não tem material, mas esse material nunca vai ter o suficiente, o que às vezes falta é trabalhar, fazer com que o professor monte seu material, até a questão, por exemplo, do computador acaba sendo uma grade a ser utilizada, mas porque não se utiliza? Porque ele veio pronto e não sabemos trabalhar nele, se eu tivesse feito o computador saberia utilizá-lo às mil maravilhas e com outro material seria a mesma coisa.

Se você vai hoje a uma livraria, você encontra uma quantidade muito grande de material pedagógico, é um material que já vem pronto, você pega, o traz para a sala de aula, e, às vezes você fica sem saber o que fazer, mas se você planeja, se você prepara seu material, já está vendo a rentabilidade dele. Eu acredito que se trabalha muito pouco isso.

Uma coisa que eu notei, uma grande decepção que eu tive, talvez tenha sido minha culpa, foi que eu quando terminei o ensino médio e depois o magistério e já estava decidido a continuar na educação, quando recebi a oportunidade de fazer uma universidade, fui e eu tinha uma visão, acho que todo mundo tem, de sair da universidade e agora eu sou professor e minha aula tem que... Sempre, a medida, em que, eu fui fazendo meu curso, fui percebendo que as aulas que os meus professores davam eram praticamente as mesmas aulas que eu aplicava e muitos deles tinham uma metodologia que eu já tinha abandonado por que não levou a lugar nenhum.

E quando eu terminei o curso, a não ser algumas exceções, eu vi que aquilo não me enriqueceu e que não era aquilo que eu imaginava que ia acontecer. Então, a universidade foi um pouco decepcionante para mim nesse sentido e até mesmo eu já fiz um monte de cursos que também acabaram não acontecendo aquilo que eu sonhava, principalmente, porque hoje em dia os professores que nós temos, não estão realmente preparados para preparar o professor, eles estão preparados de conhecimentos, jogam esses conhecimentos para nós, mas não de uma forma que nos prepare para levar o conhecimento para a sala de aula. Outra coisa nesse sentido, principalmente, no caso da matemática, apesar de ser um curso de licenciatura, tem muito mais bacharelado do que licenciatura.

O primeiro que fiz foi licenciatura curta de ciências e matemática, que preparava 9 disciplinas para trabalhar no 1º grau e o outro foi licenciatura em matemática, mas era pouca disciplina pedagógica e você aprendia matemática pura, para pesquisador em matemática e não para professor de matemática. Tivemos poucos professores preocupados com licenciatura, a maior parte deles, são preparados para o bacharelado.

Inclusive, quando fui participar de um encontro em Belém, teve essa discussão e eu levantei essa questão, inclusive um dos professores que estavam lá, era um dos que tiveram aula comigo, o professor Roberto, o curso era de licenciatura, mas era muito mais bacharelado e eles falaram que pretendiam abrir novos cursos visando muito mais esse lado da licenciatura.

E, agora, para dizer a verdade, devem ser muito mais caros, não sei, se falou nisso, mas não sei se ficou só no papel, mas é uma preocupação com isso. Que esses cursos sejam mais voltados para o professor mesmo. Eu tenho uma teoria que até serve para o curso de pedagogia, e percebe-se que ele também tem muita deficiência, nós vemos o professor sair da universidade, e o preparo deles adquirido deixa muito a desejar.

Pouquíssimas vezes eu tive problemas com alunos [...]. E, isso se percebe que não foi só comigo, e desde, o início se percebeu uma aproximação muito grande de professor e aluno. Talvez, foi isso que me fez ficar na educação essa aproximação com o aluno essa troca de experiência. O diálogo, eu aprendi muito, muito mesmo até conhecer mais as pessoas através do aluno, esse relacionamento com o aluno.

Tem uma experiência que me tocou muito, é de uma aluna, inclusive ela está morando aqui, ela estudou. Não sei a série do ginásio, depois, os três anos do ensino médio, ai como ela terminou o terceiro ano, ela foi para Brasília, para fazer cursinho e se preparar para uma universidade. Aí na época, ela voltou para passar as férias aqui, aí, a gente conversou, e ela me disse que, lá, quando ela estava estudando, do que ela mais se lembrava, era de mim e das minhas aulas.

Quando ela chegou lá, e disse que ela era do Pará, todo mundo falava: “de lá, daquele fim do mundo, que a educação do Pará, é muito fraca que não sei o que [...]”. Só que tudo que eles estavam vendo lá, ela tinha estudado comigo; ela conseguiu lá dentro do curso que ela estava fazendo, se sentir igual a eles. Porque ela teve uma pesquisa aqui, que, apesar deles falarem que era fraca, era praticamente ao nível deles, isso foi uma coisa que me marcou bastante.

Outra coisa: têm muitos alunos que, hoje em dia, são médicos, advogados, e quando a gente se encontra, eles sempre fazem questão de lembrar disso, e isso toca a gente. Isso tem uma gratificação, e, hoje muitos deles, têm remuneração muito maior que a minha. Mas, o que me satisfaz, é saber que eu tenho alguma coisa nisso, eu contribuir para esse médico, esse advogado, chegasse a onde eles estão hoje, e isso gratifica a gente.

Olha, por falta de experiência, no início, eu era daquelas que cobrava o que eu ensinava, e os alunos tinham que saber o que eu ensinava. Mas com o tempo fui percebendo que tinha alunos que se demonstravam muito bons durante a aula, e na hora da avaliação não se saiam tão bons assim. Aí, eu comecei a ver, que essa forma de avaliar, não condizia com o que estava acontecendo, então eu comecei a não me preocupar tanto com a avaliação, nunca deixei de fazer avaliação.

Sempre fiz as minhas avaliações. Mais, na hora de dá o conceito para esse aluno, sempre considerava a participação dele, tanto é que alguns alunos chegavam e falavam “mais professor, eu tirei cinco na primeira prova e na média final o senhor me deu sete, aí eu chegava com eles e explicava, que eu não gostava de fazer, cheguei a fazer mais não gostava, que era dizer que a prova ia valer oito e dois era de participação, mais aí ia de um por um explicar, porque um merecia dois, um merecia um e outro não merecia nada. Então o que é que eu fazia, colocava a nota, e, em cima da nota, eu fazia a minha avaliação daquele aluno. Se o aluno tirasse cinco, ele ficava com cinco, mas, se é, aquele aluno que era participativo em sala, ele recebia nota diferente.

Nos últimos anos eu sempre procurei utilizar essa forma de olhar, observar a participação na aula, os exercícios feitos, as atividades, e a prova que tem que ter. Por que os pais, a primeira coisa que eles vêem é isso, se o aluno tirou tanto na prova, menos que isso eles não podem ganhar.

Olha, para a educação em Uruará o que mais nos atrapalhou, é a questão política, eu acho que a questão política é o que mais atrapalha, apesar que, toda campanha a gente sempre houve falar, “não a minha prioridade é a educação e a saúde, não sei o que [...]”. Mas, quando chega na hora desse assunto, a gente vê muitos candidatos que não tem muita afinidade com a educação. Às vezes, até tem vontade, mas são tão censurados que acabam fazendo aquilo que [...]. Eu acho que interfere muito na nossa educação.

Tem inclusive interfere um pouco entre político e educadores que é a questão da direção, da escolha da direção. Eu acho que, no nosso município, a eleição para direção, eu não sou muito favorável a isso, pelo fato que o nosso professor e nosso aluno, não está preparado para fazer uma boa escolha.

Temos excelentes educadores que dariam excelentes gestores, mas também temos muitas pessoas que estão na educação, sei lá pra que! Mas são pessoas que tem facilidade de manipular outras pessoas e facilmente ganhariam a eleição. Só que depois, o trabalho que eles irão fazer, é igual os que já tem ou pior. E, se o cara é eleito ele tem muito mais direito, muito mais poder. Se o cara é colocado lá, um secretário por exemplo, ele pode, em meio ano, se retirar, se ele não der conta. Só que eu sei que também tem os porquês, porque eu acabei de falar da política, porque o diretor tá lá porque o prefeito quer, sei que também tem essa questão.

No meu pensamento o professor tem que ta lá porque ele é competente, ele tem que ter mostrado dentro da educação que é capaz, que, tem conhecimento pela educação e que realmente se interessa pela educação.

Então, se uma pessoa dessa é colocada lá, muitas vezes essa pessoa, não tem essa capacidade. É, por muitas vezes, por ser exigente, ele não é bem aceito. Outra coisa, se você se candidata a uma eleição, você quer ganhar, você tem que fazer a proposta de um excelente trabalho, só que esse excelente trabalho exige trabalho. E, como nós temos muitas pessoas que não fazem questão de muito trabalho.

Eles, geralmente, apóiam aqueles professores bonzinhos e fazem aquela cobrança, “eu vou votar em você, mas depois [...], sabe, né, fica aquela questão. Eles depende de professores para apoiar a campanha e quando eles quiserem alguma coisa vai ficar difícil alguém dizer não para eles.

Por isso eu não sou muito favorável à eleição de diretor, e aí tem outra questão se coloca em eleição de listra tríplice. Aí, eu acho pior ainda, porque aparecem três candidatos e o prefeito vai escolher um, independente, se é mais votado ou não. Então, eu estou votando para que se o prefeito ou o secretário já sabem quem eles vai escolher, independente de quem ganhar.

A eleição é fajuta, então, eu acho que o que atrapalha mesmo é esse tipo de coisa.

Já faz dez anos que eu faço isso, falando que precisava formar professores, como acabou o magistério e mesmo quem estudou magistério não foi muito bom, o preparo não era muito bom, com falta de professores, falta de material, uma série de coisas que deixou muito a desejar, e quando se queria contratar mais professores, os professores não tinham magistério. Aí, começou a se procurar uma maneira para ver se conseguia e até que surgiu essa oportunidade, o irmão Jerônimo e na época o irmão Marcelo, que trabalhavam em cima disso, e conversado com a prefeitura chegaram em um acordo.

Um dia o irmão Jerônimo me chamou para trabalhar junto com ele na formação dessas turmas, aí a preocupação maior era pegar esses professores do interior, não que tivesse lá, mas que fosse de lá, para que não surgisse esse problema que a gente estava enfrentando, que se mandava um professor pra lá ou ele não era bem aceito, ou ele não se dava, por que sair da cidade, atravessar 15 a 30 km., pra dentro do travessão sem conhecer nada, fica muito difícil.

Então pra gente evitar isso, o que foi que se fez, pegamos pessoas dessas localidades que moram lá, que tem família na comunidade, para montar essas turmas e conseguimos. Inclusive, nós temos lá, 50 professores do interior, e mais 2 ou 3 que não são de lá mas que estão repondo algumas disciplinas.

É uma turma muito dinâmica, onde a faixa etária está entra 20 e 25 anos, ou seja, eles têm uma vida inteira dentro da educação e não se está preparando professores para simplesmente terem os certificados, e se aposentado por ele, o que acontecia com as turmas do Projeto Gavião, anos atrás.

Anos atrás eram professores de 15 20 anos de magistério. Agora não, eles estão começando. È uma turma nova, uma turma jovem, uma turma que a gente percebe que tem vontade de aprender, tem curiosidade e ficam na expectativa de aprenderem uma coisa nova. A gente percebe que, eles não querem só conhecimento, eles querem metodologia.

Tanto é que, nas minhas aulas de matemática eu procuro não como mostrar como fazer, mas, como se transita depois esse conhecimento? E eu percebo que, eles têm vontade de seguir, nessa profissão; eles não estão fazendo só para ter o ensino médio.





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