História local resumo



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HISTÓRIA LOCAL

RESUMO
Através desta pequena pesquisa procuramos retratar a história de um povo trabalhador que no decorrer de todos estes anos soube lutar, correr atrás daquilo que todos sonharam um dia, quando por volta dos anos de 1938 vieram aqui se estabelecer. Procuravam prosperidade, sonhos de uma vida nova, trabalho e que apesar de muitos sofrimentos souberam estender as mãos amigas e acolhedoras a todos que aqui chegaram através dos anos.
Palavras chave: Povoação, religiosidade, educação, cultura.

1 INTRODUÇÃO

O inicio da povoação de Marilândia do Sul remonta aos anos de 1928 – 1931. A região que hoje constitui o município, não foi desbravada como alguns podem pensar, pela Companhia de Terras Norte do Paraná. No inicio tudo aqui era sertão, tendo como características principais a presença dos pinheirais. A cidade nasceu e começou a ser povoada inicialmente a beira de um córrego, denominado Ribeirão Bonito, como era de costume dos antigos povoadores. Os pioneiros que vieram para cá possuíam títulos da terra ou os requereram diretamente ao governo do Estado, pagando 50 mil réis o alqueire. Esses pioneiros vieram de várias regiões de Brasil, principalmente dos estados de São Paulo e Minas Gerais confiando na fertilidade das terras, o que lhes proporcionaria melhores condições de vida, além da possibilidade de possuírem suas próprias terras. Derrubadas as matas, nossos pioneiros faziam o plantio de suas roças de milho para a engorda de suínos. A venda desses suínos dava-s no inicio em Ponta Grossa, eles se reuniam e faziam o trajeto a pé. Eram viagens de 15 a 20 dias. Mais tarde quando foi aberta a estrada para Apucarana, os porcos eram levados para Londrina. O primeiro caminhão a fazer o transporte dos suínos para Londrina pertencia ao Sr. Altino da Silva Reis, que mais tarde tornou-se prefeito. As compras de mercadorias eram feitas em Ortigueira. Levava-se 07 dias de viagem pelo picadão de mato, pernoitando na mata e atravessando rios a nado. Dentre os pioneiros que aqui chegaram podemos destacar: Santiago Lopes José, Zezinando Bonetti, Manoel de Souza, José Lábios dos Santos e muitos outros. Santiago era paulista de Itaporanga. Mudou-se para esta região em meados de 1928, fixando-se na localidade chamada Apucarana Grande, dentro do atual município de Marilândia do Sul. Caracterizou-se de inicio como curador, profeta e santo milagroso. Em 1930 mudou-se para o Bairro dos Caetanos (hoje Andorinha) retornando para Marilândia em 1932. Os senhores José Lábios dos Santos e Zezinando Bonetti entre outros, fixaram-se aqui por volta de 1931. Zezinando foi quem passou para Santiago 100 alqueires de terra. Foi dentro desta área que Santiago iniciou o patrimônio. Por ser considerado um líder religioso muitos vinham a sua procura e se fixavam ao redor de sua casa, formando o primeiro Núcleo de Marilândia, a Rua Alegria, onde hoje está localizada a Igrejinha da Família Santiago. Neste local eram construídas casinhas cobertas de tabuinhas e muito pobrezinhas. Santiago, muito devoto de Nossa Senhora queria que o lugar tivesse o nome de “Terra de Maria”, então o agrimensor que veio demarcar a área, e que era da Companhia de Terras Norte do Paraná, sugeriu que fosse chamada Marilândia, que em inglês “Maryland” significa “Terra de Maria”. Desta forma Marilândia surgiu em torno da figura de Santiago Lopes José. Santiago benzia água e distribuía, orientava as pessoas no preceito moral. Aos poucos adquiriu uma grande autoridade, influenciando na vida política, religiosa e social das pessoas. O senhor Wenceslau Lábios dos Santos chegou em Marilândia por volta de 1931 e mais ou menos nesta mesma época chegaram também os senhores João Pinto e Joaquim Augusto Felizardo. A primeira capelinha foi construída no sitio do senhor Juca Vieira e no Rio Bom foi construída a primeira ponte. Em 1935, com seu crescimento acentuado Marilândia foi elevada a categoria de Vila, sendo instalada a primeira mesa receptora, uma seção eleitoral. No dia 20 de outubro de 1938, tendo como interventor do Estado o senhor Manoel Ribas, através da Lei nº. 7.573, Marilândia é elevada à categoria de Distrito Judiciário, agora com o nome de Araruva pertencente ao município de Tibagi e, sendo instalado no dia 01 de janeiro de 1939. O nome Araruva se dava porque nesta região havia muitas espécies de arvores com este nome e que serviam para a fabricação de cabos de enxada, martelo, machado, etc. Em 1939 passou a pertencer ao município de Apucarana, tendo como seu primeiro juiz de paz o senhor Deusdedith Macedo Pereira e, como escrivão o senhor Hídios Veloso de Almeida. Em 1950, o governador do Estado Moisés Lupion, cria o município de Araruva, mas no fim de seu governo, substituído por Bento Munhoz da Rocha é anulada a criação do referido município, voltando a ser criado novamente pela Lei nº. 790 de 14 de novembro de 1951 o município de Araruva sendo instalado definitivamente em 14 de dezembro de 1952. No dia 09 de novembro de 1952 é realizada a primeira eleição municipal, tendo como vitoriosos: Prefeito: Manoel Olegário de Proença, e vereadores: Altino da Silva Reis, Epaminondas Nocera Ribas, Sebastião Sidônio de Araújo, João Domingues Gonçalves, Romeu Beligni, Antonio Franco Ferreira, Joaquim Augusto Felizardo, Silvio Pedra Ramos e Benedito Bento Barbosa. Em 14 de dezembro de 1953 é criada pela Lei nº. 1.542 e publicada no Diário Oficial nº. 257 de 27 de janeiro de 1954 a Comarca de Araruva, sendo determinada sua instalação pela portaria nº. 208/54 de 31 de maio de 1954 do Egrégio Tribunal de Justiça, sendo instalada em 09 de junho de 1954 tendo o Fórum recebido o nome do Desembargador Olavo Graciliano de Mattos. Em 01 de junho de 1967, através da Lei nº. 5.561 publicada no Diário Oficial de 27 de janeiro de 1967, Araruva passou a chamar-se novamente Marilândia desta vez acrescida de “do Sul” devido a existência de uma outra cidade de mesmo nome existente no Estado do Espírito Santo e a transtornos causados pelas Agências dos Correios devido a existência de uma cidade com o nome de Araruna. A partir de sua emancipação chegaram em Marilândia pessoas de varias regiões do Brasil, da Europa e da Ásia. Exemplo disso é os japoneses, que se instalaram em 1958 na localidade onde hoje se encontra o município de Mauá da Serra, que naquela época fazia parte do território de Marilândia. Após quatro anos, em 1962, já havia em torno de cem famílias dedicando-se a agricultura em três Colônias: Fuji, Novo Oriente e Hiroshima. Cultivaram inúmeros produtos, mas os resultados não foram satisfatórios devido a pobreza do solo. Os fracassos serviram para que estudassem as condições do solo, do clima, das chuvas, meios de financiamento e assistência técnica. O mentor até então era o senhor Yukio Uemura, pioneira naquela região. O estudo comparativo de suas experiências com várias plantas os levou a formação de lavouras com alta rentabilidade. Com o passar do tempo foram mudando também o cultivo de plantas: da batata para o arroz, do arroz para a soja, trigo, milho, as frutas (uva-itália, pêssego, maçã). Essa imagem de progresso e fartura é reflexo de um povo hospitaleiro, sem distinção de credo, raça ou cor que soube estender as mãos aos imigrantes.

1.1 DADOS GERAIS DO MUNICIPIO
O município de Marilândia do Sul é cortado pela BR 376 que faz parte do Anel de Integração do Estado do Paraná, localizando-se na região central do Estado. Situa-se no Terceiro Planalto, pertencendo a mesoregião socioeconômica de Apucarana. Possui uma área territorial de 397,37Km2. O relevo é caracterizado por topografia suave ondulado e fortemente ondulado. O clima é subtropical úmido tendendo ao clima temperado, com verões amenos, com alta freqüência de geadas em alguns bairros, com concentração de chuvas nos meses de verão e sem estação seca defenidas. A média das temperaturas é em torno de 25ºC no verão e no inverno inferior a 15ºC.

A altitude está em torno de 800m acima do nível do mar e a área tem representantes dos tipos florestas subtropicais composta por árvores nativas diversas.



Seus tipos de solo são: terra roxa estruturada distrófica e lato solo roxo distrófico e uma pequena parte da área é de terra roxa estruturada eutrófica. Cida altaneira em hortaliças no Paraná.
Seu povo é formado de migrantes de diversas regiões do Estado e do País, principalmente das Minas Gerais e São Paulo, preservando muito de suas raízes até os dias de hoje.
Sua população total gira em torno de 8.932 habitantes de acordo com o último censo do IBGE realizado em 2007, tendo em torno de 7.700 eleitores. O município está localizado na região norte do Estado do Paraná, fazendo divisa com os municípios de: Califórnia, Rio Bom, Londrina, Apucarana, Faxinal, Tamarana e Mauá da Serra. Pertence a Bacia do Rio Paraná, à rede fluvial do Rio Ivaí, sendo cortado por diversos rios e riachos. O perímetro urbano é contornado em grande parte pelos Ribeirões Bonito e das Pedras, que desembocam no Rio Bom. Possui 02 Colégios Estaduais, 06 escolas municipais, APAE e 01 particular. Seu PIB é de R$ 17.290.728,28 com uma renda per capita de R$ 1.878,00. A indústria dominante é a de vestuário, calçados e tecidos, madeira e produtos alimentícios, tendo como ponto turístico mais conhecido o Castelo Eldorado.

1.2 BAIRROS E NUCLEOS HABITACIONAIS EXISTENTES.
Nova Amoreira: Distrito Administrativo; Leão do Norte: Bairro Industrial; Carquejo; Sutil; 700 Alqueires; Engenho Velho; Barro Preto; Eldorado; Santa Lúcia; São José; Bairro dos Costa; Núcleo Manoel Olegário de Proença; Vila Paraíso e Núcleo Morada do Sol.

2 EDUCAÇÃO
O município de Marilândia do Sul possui 02 Estabelecimentos de Ensino Estaduais, 05 escolas municipais, 01 escola particular, 01 creche e 01 APAE.


2.1 HISTÓRICO DO CEPAC
O Colégio foi criado em 1956, no governo do Sr. Moisés Lupion e começou funcionar a partir de 17 de abril de 1957, tendo como primeiro diretor o Engenheiro Civil Dr. Mário Brandalize, secretário o Sr. Bráulio Correa da Silva e profesores Dr. Mário Brandalize (Matemática), Bráulio Correa da Silva (Português, francês e latim), Juracy Lima Reis (Desenho e Trabalhos Manuais), Dante Sartini (Geografia Geral) e Nadir Ganem (História do Brasil) que lecionavam para 25 alunos matriculados. Nos anos seguintes outros professores se juntaram ao corpo docente: Dirceu Rossi, Elizário Cattoni, Cristóvão Nolli, Rui Pinto, Grace Sartini, Jovelina Luiza Managó e Elígio Cubilla, a cada ano aumentava o quadro profissional e o número de alunos do então chamado Ginásio de Araruva que depois passou a ser Ginásio de Marilândia do Sul. Em 1979 realizou-se a uma eleição para a escolha de um novo nome para a escola, uma vês que nesse ano passou a funcionar também o 2º Grau – Técnico em Administração. Na eleição ficou escolhido o nome do Padre Ângelo Casagrande que foi pároco de nosso município e muito lutou pela educação e fundação do Ginásio. Assim o colégio passou a ser Colégio Estadual Padre Ângelo Casagrande – Ensino de 1º e 2º Graus, funcionando de 1ª a 8ª série e 2º Grau, logo depois funcionou o curso de Técnico em Magistério.
Hoje o CEPAC – Colégio Estadual Padre Ângelo Casagrande – Ensino Fundamental, Médio e Normal, funciona numa área construída de 3289 metros quadrados, com as seguintes dependências: Diretoria, secretaria, sala de professores, laboratório de informática, laboratório de ciências, auditório, cozinha, cantina, biblioteca, quadra poliesportiva coberta, depósito de alimentos, sanitários, 12 salas de aula, tendo como diretor geral o professor Marcos Roberto Plath, diretor auxiliar o professor Ivonei Gomes da Silva, 05 pedagogas: Maria Luiza de Fátima Moura Abrahão, Celina Rastelli Moscatto, Eliza Sabino Gehring, Patrícia Pires Manseira e Marjore Andréa Nakazima; 07 Tecnicos administrativos, 01 secretária, 11 funcionários auxiliares de serviços gerais, 01 funcionário agente de execução, 36 professores e 938 alunos matriculados, sendo 411 no ensino médio e 527 no fundamental.

2.2 ESCOLA RURAL MUNICIPAL DUQUE DE CAXIAS
Fundada em 15/02/1957, pelas senhoras Juraci Lima Reis e Maria Tereza Bragatto. Nome recebido em homenagem ao Patrono do Exército Brasileiro DUQUE DE CAXIAS. Localiza-se no distrito de São José, município de Marilândia do Sul, PR Oferece o 1º segmento do ensino fundamental (1ª a 4ª série).

2.3 ESCOLA MUNICIPAL MARCIONILLO TIBÚRCIO
Fundada em 05/12/1985 por uma comissão composta por Deusdedith Pereira Junior, Irene da Silva Montagnini e Erothildes Terezinha Ienzura Leão. Nome escolhido em homenagem a um pioneiro do município. Localiza-se no Núcleo Habitacional Manoel Olegário de Proença. Oferece ensino de pré-escola a 4ª série.

2.4 CENTRO DE EDUCAÇÃO INFANTIL PARAÍSO
Fundado em 05/12/2005 pelo prefeito Jaime Rossi, secretária de Educação Terezinha Shuba Gutierrez e coordenação pedagógica Angelita Aparecida Varella Sasso. Recebeu esta denominação por localizar-se na Vila Paraíso.

2.5 ESCOLA RURAL MUNICIPAL NOVA AMOREIRA

Fundada em 15/02/1970 pela diretora Mercedes de Assis. Recebeu esta denominação por pertencer ao Distrito de Nova Amoreira. Oferece Ensino de pré-escola a 4ª série.



2.6 ESCOLA MUNICIPAL ÂNGELO MÜLLER FILHO
Estabelecimento de ensino situado a Avenida dos Missionários, 525, tendo já recebido as seguintes denominações:

  • Grupo Escolar de Araruva em 09/05/1952

  • Grupo Escolar de Marilândia do Sul em 01/06/1967.

  • Grupo Escolar Dom Pedro I em 02/10/1972.

Até a data de 1972 funcionava isolado do Colégio de 5ª a 8ª series e 2º grau, tendo como alunos pré-escola a 1ª a 4ª séries. Houve então a fusão de Grupo Escolar Dom Pedro I com o ensino de 5ª a 8ª série e passou a denominar-se Colégio Estadual Padre Ângelo Casagrande - Ensino de 1º e 2º Graus. Mais tarde em 04/11/1992 com a municipalização do ensino pré-escolar e 1ª a 4ª séries houve o desmembramento e o Estabelecimento passou a denominar-se Escola Municipal Ângelo Muller Filho – Ensino de 1º Grau.



3 RELIGIOSIDADE
O povo marilandense sempre foi muito religioso desde o princípio, prova disso foi que o povoado nasceu em torno da figura de um homem benzia água e a distribuía a população, sendo considerado por muitos, profeta, curador e santo milagreiro.

3.1 HISTÓRIA DA IGREJA EM MARILÃNDIA
Marilândia do Sul tem hoje 70 anos como Igreja-paróquia. Pertenceu a três dioceses, Jacarezinho, Londrina e atualmente Apucarana. Englobou uma vasta extensão geográfica que incluía os atuais municípios de Califórnia, Rio Bom, Borrazópolis, Faxinal, Guaravera, Tamarana e mais recentemente Mauá da Serra. O inicio da povoação caracterizou-se por um fenômeno de religiosidade popular que determinou em grande parte a história da cidade e da vida eclesial. Este fenômeno tinha como centro a pessoa de Santiago Lopes José. “Homem de bom coração, passava por profeta e santo milagroso...”. A Paróquia de Nossa Senhora das Dores foi criada em 06 de agosto de 1938, por decreto de Dom Fernando Taddei, então Bispo de Jacarezinho. Instalada no dia seguinte teve como primeiro pároco o Pe. Lourençoi Neummer, empossado pelo Pe. Luiz Waschburger a mandato de Dom Fernando Taddei. As grandes distâncias e a falta de meios rápidos de comunicação dificultam a ação pastoral. O Pe. usava o cavalo como meio de transporte para atendimento das diversas localidades. As viagens eram demoradas, cansativas e muito espaçadas. Na sede da Paróquia existia apenas a primeira Igrejinha de madeira, pequena, situada na antiga Praça Anchieta. Ela serviria como centro das atividades religiosas até 1952. Em 1939 a Paróquia recebe uma doação de 10 alqueires de terra do senhor Zezinando Bonetti, um dos pioneiros. Neste mesmo ano é inaugurado o cemitério, cujo terreno é doado por Santiago Lopes José. Este é o terreno do atual cemitério. O primeiro estava situado atrás da primeira Igrejinha. Mais tarde é transferido para o local onde se encontra a Igreja Matriz atual e em 1945 ele passa para o local definitivo onde está até hoje. O primeiro harmônio, que hoje não mais funciona e se encontra na casa de Dona Senhorinha, também é de 1939. A antiga Casa Paroquial teve sua construção terminada em 1940, em alvenaria possuía sete cômodos e hoje serve de centro de catequese. Sua construção foi paga com a venda de 60 datas da Paróquia. Pe Lourenço Neummer, o primeiro pároco, começa a introduzir na paróquia as associações nesta época: Apostolado da Oração, Congregação Mariana e Filhas de Maria. As primeiras Crismas também são deste tempo e realizadas pelo Monsenhor Luiz Othão. Com um projeto razoavelmente grande para a cidade de Marilândia, inicia-se em junho de 1945 a construção da atual Igreja. A obra terá seus retoques finais pelo ano de 1960. As pedras para o alicerce são puxadas em carro de boi e tiradas do sitio do senhor Geraldo Pereira da Silva. A obra tem como construtor Mário Romagnolli de Londrina e como empreiteiros, Omero Nascimento. A pedra fundamental é lançada no dia 07 de outubro de 1945. Nela foram inseridas: uma ata artisticamente lavrada em pergaminho, com assinaturas das autoridades civis e da comissão da Igreja, jornais e moedas da época e uma lista de benfeitores. Em janeiro de 1946 os alicerces estão prontos. O Pe. Alberto Rudolf está à frente de todos os trabalhos. A obra fica para três anos, de 1946 a 1949. O reinício dos trabalhos dá-se com os padres Carlos Ferrero e Orlando Piva, respectivamente pároco e vigário cooperador. O construtor Herman Geese assume a obra. Com a saída dos dois padres em 1952 há uma nova paralisação das obras. Em 1953 o engenheiro Bartolomeu Giavina Bianchi realiza os projetos de moldura. Os trabalhos de pedreiro são coordenados por João Coelho, a carpintaria fica a cargo de Eleodoro da Silva. No ano anterior, em junho, houve o inicio das funções religiosas na nova Igreja. A velha Igreja de madeira da Praça Anchieta é desmanchada em outubro de 1952. A madeira da antiga Igreja é a usada na pequena casa atrás do atual salão paroquial de festas. No final de 1953 e inicio de 1954 são montados os vitrais artísticos em toda a Igreja vindos de São Paulo. O Bispo diocesano de Jacarezinho, na época, Dom Geraldo de Proença Sigaud, a convite do Pe. Francisco Guffi, pároco na época, abençoa a nova Igreja. O relógio da torre veio de São Paulo, da fábrica Michelini e foi inaugurado em 1957. O primeiro novo sino chega em meados de 1959. A Paróquia ainda foi proprietária de um Cinema, inaugurado em 19 de outubro de 1956 com contrato estabelecido com duas firmas fornecedoras a São Paulo Filmes, dos padres paulinos, e a Universal International Filmes. O contrato para a construção da Praça da Matriz é estabelecido em outubro de 1959 entre a firma Rotex de Londrina e Arapongas e a prefeitura municipal. Ao lado de todas estas iniciativas junta-se mais uma, sob a orientação do Pe. Tarcísio Saviori, pároco e da Congregação Mariana local, a fundação do jornal mensal “Marilândia” que, por cinco anos, divulgou a vida da paróquia e do município. Ainda neste período a paróquia lançou a idéia da construção de um colégio, o Colégio São José, destinado à educação da juventude e que ficaria sob a direção das irmãs. Foi lançada a pedra fundamental no dia 14 de dezembro de 1967. Com a mudança do pároco em 1968 este projeto foi arquivado. Nesses 69 anos de história muitos frutos bons saíram de nossa comunidade e nos ajudaram ao longo dos anos. No final de ano de 2002 tem início, com a ajuda da comunidade, uma enorme reforma da Igreja Matriz, com a troca de telhado, iluminação restauração de molduras e rebocos das paredes com infiltração. Em setembro de 2004 a Igreja é devolvida a comunidade completamente reformada.

3.2 ENGENHO VELHO
Em 1930 houve uma revolução do povo de Faxinal contra o povo baiano de Rio Branco. O então delegado de Faxinal convocou a população para combater os baianos. Por não querer fazer parte dessa revolução, entre outros, o senhor Eleodoro Pereira fugiu mato adentro e se estabeleceu na região onde hoje situa-se o sítio dos Beijos.

O senhor Eleodoro montou um engenho de madeira de óleo pardo. Este engenho era tocado a cavalo e servia para produzir açúcar mascavo pinga. O senhor Antonio Monteiro, que era cunhado do senhor Eleodoro morava onde hoje encontra-se o sítio do Célio Ferracioli. Neste local havia um alambique que produzia pinga com a cana do senhor Eleodoro. Não se sabe o motivo, mas, numa noite, depois de muita perseguição, o senhor Monteiro matou sua esposa Leopoldina Maria da Conceição com uma navalhada degolando-se em seguida com a própria navalha em 1941 onde hoje é o sítio do senhor Aucindo Figueiredo. Por ocasião da documentação das terras feito pelo Estado em favor do senhor José Maria Vadasco formou-se uma fazendo por nome Três Bocas. Foram então expulsas do local as pessoas que haviam vindo fugidas de Faxinal abandonando assim o engenho de madeira. Mais tarde o senhor Vadasco vende a fazenda para o senhor João Aurélio que fez um loteamento nos fundos da fazenda. O engenheiro responsável pelo levantamento das terras para o loteamento encontrou o dito engenho de madeira abandonado e chamou-o Engenho Velho dando assim nome ao local onde hoje encontra-se o Bairro.


Por ocasião do loteamento, em 1961, foram chegando os primeiros habitantes do novo bairro. Os senhores Eduardo Daniel; Albino Ventura; Francisco Gomes; Antonio Ventura; Francisco José de Macedo; Pedro Miranda; João dos Santos; Veríssimo Dias.

No ano de 1965 foi construída a primeira Igreja Protestante Assembléia de Deus, pelos senhores Luis Crente, Chico Preto e Cinfronio, este já falecido.


Em 1970 começou a organizar-se através do senhor Dionízio Elias dos Santos a fundação e a construção da primeira Igreja Católica na localidade do Engenho Velho. Contribuíram para isso os senhores Antonio Ventura, Marcílio Ferracioli, Manoel Lourenço, Vicente Cafofo, Galdino e Antonio Beijo. Em 1978 institui-se o primeiro ministro, Claudionor de Oliveira, pelas mãos do então Bispo Diocesano de Apucarana Dom Romeu Alberti.
Relato feito pelo casal Sebastião Araújo e sua esposa Rosália de Souza no ano de 1999, no sítio Novo Oriente no bairro do Engenho Velho.
Atual Igreja Diaconia Engenho Velho Diaconia São Francisco de Assis (Foto do satélite)

3.3 SÃO JOSÉ
O Bairro de São José começou a existir no ano de 1943. O terreno era de propriedade do capitão José Nunes. Feito o loteamento foram construídas de início, duas casas, uma de sua propriedade e outra de Otaviano de França. Seus fundadores foram: Capitão Jose Nunes, João Roque de França, Trajano Gabriel de Oliveira, Isaltino Gabriel de Oliveira entre outros. Nesta época já residiam ali os desbravadores daquela região: João Roque de França e filhos, Eugênio Rosa, José Tercílio Cadaval e Domingos de Freitas. Próximo ao bairro existia um outro povoado denominado Santa Cruz, que mais tarde passou a integrar o bairro São José. Neste povoado exista unicamente um armazém de secos e molhados de propriedade do senhor Deusdedith Macedo Pereira que ali residia e várias serrarias, devido à quantidade de pinheiros ali existentes. Todo movimento religioso existente em São José, era comandado pelo capitão José Nunes e João Roque de França. Em seguida chega para aquela região o senhor Evaristo da Silva que começa a participar ativamente da vida da capela sob a coordenação de Padre Ângelo Casagrande. Em junho de 1952 começa a existir a Capela de São José, quando os senhores Capitão José Nunes, João Roque, Manoel Cavalheiro de França, Constantino de França, Lourival Ribas, Trajano Gabriel de Oliveira e outros incentivaram uma campanha para sua construção. A primeira Missa foi rezada pelo Padre Francisco Guffi em 19 de março de 1952. o primeiro Bispo a visitar a capela foi Dom Geraldo Fernandes da Diocese de Londrina.

Bairro São José (Foto do satélite)



3.4 LEÃO DO NORTE
O bairro Leão do Norte teve seu início por ocasião da entrada do senhor Angelino, que lá montou um armazém de secos e molhados. Ele, travando conhecimento com as pessoas que lá iam fazer suas compras, formou um time de futebol com o nome de Leão do Norte. Daí o nome do lugar. Em 1971, sob a orientação do Padre José Afonso (Pe. Dé) foi dado inicio a construção da Capela de São Sebastião de Leão do Norte. Hoje o bairro então rural à época, compõe o quadro urbano da cidade de Marilândia do Sul.

Diaconia São sebastião (Leão do Norte)



3.5 NOVA AMOREIRA

Em 20 de dezembro de 1959, Nova Amoreira, antes denominada Rio dos Macacos e Ipiaimirim é loteada por Joaquim Moreira também conhecido como Joaquim do Pito. Em datas anteriores adentraram naquela região como pioneiros os senhores Felix Padilha, Domingos Mesídia, Palmiro Telles, Anísio Dias de Souza, José Carlos Ribeiro, Olímpio Coutinho, Joaquim Telles de Proença, Júlio Fabiano e seu fundador Joaquim Moreira. Pessoas estas vindas das mais diversas regiões do País, que ali chegaram por volta de 1935. Como em todo o município o forte da economia local era a engorda e a venda de suínos, feitas em Ponta Grossa e posteriormente em Londrina e Apucarana. Em 1955 surge a primeira casa comercial, do senhor Anísio Dias de Souza. Em 04 de fevereiro de 1963 é iniciada a construção da atual Igreja. Antes eram feitas reuniões por ocasião das festas populares na casa dos Telles e dos Roberto, onde se rezava o terço e entoava ladainhas. Em 1958 ergue-se o primeiro Cruzeiro, onde hoje é a atual praça onde de 90 em 90 dias eram realizadas Missas celebradas pelo Pe. Ângelo Casagrande em baixo de um encerado. Em 1960 foi formada a Congregação Mariana, com a assistência de Rio Bom. A atual Igreja foi construída sob a orientação de Pe. Ângelo Casagrande, tendo como chefe dos trabalhos o senhor Olímpio Coutinho e outros. Em 1966 por ter pretensões e condições de se tornar uma Paróquia foi construída uma Casa Paroquial e um salão paroquial para festas. A Padroeira da Diaconia é Nossa Senhora Aparecida.



4 PONTOS TURÍSTICOS
Marilândia possui diversas propriedades com um potencial turístico enorme, mas infelizmente não se faz a devida intervenção para a divulgação desses e também não há interesse dos proprietários. Mas dentre esses pontos o mais conhecido é o Castelo Eldorado.

4.1 CASTELO ELDORADO
O Castelo, na verdade uma luxuosa construção com 2.142 m2 edificada pela família Stalk durante a II Guerra Mundial entre 1942-1947.

Na época, seus quatro pavimentos com paredes de 70 cm de espessura, abrigavam inúmeros aposentos, que foram construídos e decorados com todo luxo e conforto: escadarias, elevador, banheiro em mármore de Carrara, vidros franceses, lustres tchecos e cortinas da Síria.

Todo esse requinte construído no Vale do Ivaí, em um lugar quase inacessível na época, gera inúmeras hipóteses e lendas, uma vez que realmente não sabe-se qual era a intenção da família ao construí-lo, inclusive há versões que o castelo teria servido como uma fortaleza de luxo para os nazistas fugidos da Alemanha durante a guerra. O fato é que a fazenda possuía 5000 alqueires e que ficou conhecida como República do Eldorado. Tão grande era a riqueza proveniente da madeira, que a República chegou a ter uma moeda própria - o Boró - aceita em toda a região.

Encravado em uma área de 12 alqueires que ainda conserva reminiscências da mata nativa, o local apresenta outras atrações como chalés, cascata, represas para pescarias e banhos e mirante em cima de uma grande árvore, de onde se avistam as cidades circunvizinhas. Dista 6 km da sede do município pela BR 376 - sentido Mauá - Marilândia, mais 3 km por estrada macadamizada.



Castelo Eldorado



5 CONCLUSÃO

Este é um pouco da história desta amada e querida terra chamada Marilândia do Sul. Uma história marcada pela luta de um povo que soube correr atrás de seus propósitos. Um povo hospitaleiro, religioso e acima de tudo trabalhador. O pouco tempo não nos permitiu aprofundar-mos o quando queríamos, mas o que conseguimos foi com muito empenho. A todos que nos ajudaram o nosso muito obrigado. E fica aqui o nosso desejo de que estas poucas páginas aumentem em nós o esforço e a vontade de construir-mos uma Marilândia mais unida em torno dos ideais de desenvolvimento e progresso sonhado por nossos pioneiros.



6 REFERÊNCIAS

Prefeitura do Município de Marilândia do Sul

Paróquia de Nossa Senhora das Dores

Colégio Estadual Padre Ângelo Casagrande – Ensino Fundamental, Médio e Normal

Célio Ferracioli e Família.

Autores: Aplínio Rogério Arantes, Carlos Alberto Plath, Pedro Volnei Andrade Oliveira, Sebastião Elói da Silva.

Marilândia do Sul



27/10/2007




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