História, povos indígenas e educaçÃO: (RE)conheçendo e discutindo a diversidade cultural



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HISTÓRIA, POVOS INDÍGENAS E EDUCAÇÃO:

(RE)CONHEÇENDO E DISCUTINDO A DIVERSIDADE CULTURAL*

Edson Silva**



RESUMO

Este texto discute as visões estereotipadas, os equívocos e os preconceitos comumente existentes sobre os “índios”, propondo uma crítica a história tradicional, bem como sugestões para uma nova abordagem sobre os povos indígenas e indicando subsídios para o estudo da temática indígena, na perspectiva do reconhecimento da diversidade étnica em nosso país.


Introdução: “ainda existem índios”?!

O que sabemos sobre os índios no Brasil? A dúvida ou a resposta negativa a essa pergunta ainda é ouvida da imensa maioria da população, na escola e até mesmo na universidade. Os dados mais recentes contabilizam no Brasil 225 povos indígenas que falam cerca 180 línguas distintas. Os dados do IBGE/2005 apontam que em 10 anos, na década de 1990, a população indígena cresceu 150%! Passando de 234.000 mil para cerca de 734.000 indivíduos, que habitam todas as regiões do Brasil. Essa totalização talvez não tenha incluído os chamados índios isolados que vivem em algumas localidades da Região Norte, mas contabilizou significativos contingentes de índios que moram nas periferias urbanas próximas às aldeias e nas capitais, expulsos em sua grande maioria pelo avanço do latifúndio sobre as terras indígenas. De acordo ainda com as mesmas estimativas oficiais, no Nordeste moram 170.000 índios, mais de 20% da população indígena no país. Em Pernambuco é contabilizada atualmente uma população indígena em torno de 38.000 indivíduos (FUNASA/ SIASI, 2006), formada pelos povos Fulni-ô (Águas Belas), Xukuru do Ororubá (Pesqueira e Poção), Kapinawá (Ibimirim, Tupanatinga, Buíque), Kambiwá (Ibimirim), Pipipã (Floresta), Pankará (Carnaubeira da Penha), Atikum (Carnaubeira da Penha e Floresta), Tuxá (Inajá), Pankararu (Tacaratu, Petrolândia e Jatobá), Truká (Cabrobó) e os Pankauiká (Jatobá), estando esse último povo reivindicando o reconhecimento oficial.

O desconhecimento sobre a situação atual dos povos indígenas, está associado basicamente à imagem do índio que é tradicionalmente veiculada pela mídia: um índio genérico com um biótipo formado por características correspondentes aos indivíduos de povos nativos habitantes na Região Amazônica e no Xingu, com cabelos lisos, pinturas corporais e abundantes adereços de penas, nus, moradores das florestas, de culturas exóticas, etc. Ou também imortalizados pela literatura romântica produzida no Século XIX, como nos livros de José de Alencar, onde são apresentados índios belos e ingênuos, ou valentes guerreiros e ameaçadores canibais, ou seja, “bárbaros, bons selvagens e heróis” (Silva, 1994).

Ainda nas universidades, de um modo geral, o índio é lembrado, afora o primeiro momento do “Descobrimento” em 1500, no início da Colonização. E nas escolas, no rosário das datas comemorativas, quando no “Dia do Índio”, comumente as crianças das primeiras séries do Ensino Fundamental são enfeitadas e pintadas à semelhança de indígenas que habitam os Estados Unidos, e estimuladas a reproduzirem seus gritos de guerra!

Até recentemente nos estudos da História do Brasil, o lugar do índio era na “formação” da chamada nacionalidade brasileira. Depois de desaparecer nos textos sobre o “Descobrimento do Brasil” nos livros didáticos, o índio voltaria a ser lembrado nos estudos da Literatura da época do Romantismo no Brasil. O “índio” até bem pouco tempo estudado na História do Brasil ou em Estudos Sociais era único, “Tupi-Guarani” em todas as “tribos”, morava em “ocas” e “tabas”, era antropófago, preguiçoso e existente apenas no Xingu ou em remotas regiões do Norte do país.

A desinformação, os equívocos e os pré-conceitos motivam a violência cultural contra os povos indígenas. Resultado das idéias eurocêntricas de “civilização”, do etnocentrismo cultural e da concepção evolucionista da História, onde, no presente, os indígenas são classificados como “primitivos” possuidores de expressões culturais exóticas ou folclóricas ainda preservadas, mas que determinadas a serem engolidas pelo “progresso” da nossa sociedade capitalista.

Cabe ao/a professor/a de História, aos/as educadores/as de uma forma em geral, buscar superar tal situação, atualizando seus conhecimentos sobre os povos indígenas, para compreendê-los como sujeitos participantes na/da história, em uma perspectiva do (re)conhecimento que vivemos em um país pluricultural, plurilinguísitco e com uma sóciodiversidade enriquecida pelos povos indígenas. Para isso somos convidados/as a atualizar nossos conhecimentos, a partir das recentes discussões sobre o tema e a produção de subsídios didáticos que incorporam essas discussões.

Outras histórias: os indígenas na História.

Como nos últimos anos os estudos históricos têm passado por uma ampla renovação, o lugar dos povos indígenas na História também está sendo revisto. O “Descobrimento” passou a ser discutido como resultado do processo de expansionismo europeu no século XVI, através da Colonização, onde os muitos diferentes povos e culturas das consideradas “terras descobertas”, se confrontaram com os violentos processos das invasões dos seus territórios e da imposição cultural do colonizador.

Os atuais estudos sobre os povos indígenas têm revelado, além da antigüidade da presença desses povos, a grande diversidade e pluralidade das sociedades nativas encontradas pelos colonizadores. Tendo sido superado o etnocentrismo que condicionava as informações e referências anteriores, as pesquisas atuais vêm descobrindo a complexidade e a especificidade dos povos indígenas, seus projetos políticos, as relações decorrentes com a Colonização, as estratégias da resistência indígena, etc.

A Colonização deixou de ser vista como um movimento único, linear, de puro e simples extermínio dos povos considerados passivos, submissos, impotentes. As pesquisas dos últimos anos apontam um complexo jogo de relações, embates, negociações e conflitos, desde a chegada dos primeiros europeus no século XVI até os dias atuais, onde povos foram exterminados, e outros elaboraram diferentes estratégias para existirem até os dias de hoje.



O “desaparecimento” dos povos indígenas

No século XIX, nas regiões mais antigas da colonização portuguesa a exemplo do Nordeste, agravam-se os conflitos entre as Câmaras Municipais, onde se encastelavam os vereadores latifundiários e fazendeiros contra os indígenas. O Estado brasileiro favoreceu esses grandes proprietários, chefes políticos locais, que passaram a negar a presença indígena em terras dos antigos aldeamentos, com argumentos da ausência da pureza racial, afirmando que os índios estavam “confundidos com a massa da população” (Silva, 1996), solicitando a extinção dos aldeamentos como formas de resolver os tradicionais conflitos com as invasões dos territórios indígenas. Assumindo o discurso dos grandes proprietários, entre 1860 – 1880, o Governo Imperial decretou oficialmente a extinção dos aldeamentos em Pernambuco e várias regiões do país.

Pela legislação da época, as terras dos aldeamentos deveriam ser medidas, demarcadas e loteadas em tamanhos diferentes, destinados em parte às famílias indígenas existentes em cada local. Nesse processo, além de serem reconhecidas as posses em domínio dos grandes proprietários invasores, a lei previa ainda a remoção de famílias indígenas que ficassem fora da partilha dos lotes, para outras aldeias. No caso de Pernambuco, as semelhanças de outros lugares, na documentação da época encontram-se diversos registros de indígenas reclamando que não receberam seus lotes a que tinham direito, ou que a medição favorecia o latifundiário invasor das terras dos aldeamentos.

Denúncias de violências, pressões e espancamentos contra os índios, se multiplicaram em documentos da época. Muitas famílias se dispersaram. Sem terras, fugindo às perseguições, vagavam nas estradas ou eram empregadas como trabalhadoras nas fazendas e engenhos. Outras se deslocaram para locais de difícil acesso, onde sobreviveram e mantiveram vivas a consciência étnica e suas tradições. Oficialmente, eram tidos como “caboclos”, ou “remanescentes” de indígenas que tinham “desaparecidos”, como se referiam os livros e foi incorporado pelo senso comum. A eles foram dedicados estudos de seus hábitos e costumes considerados exóticos, suas danças e manifestações folclóricas em vias de extinção, como também apareceram em publicações, crônicas de memorialistas, que exaltaram de forma idílica a contribuição indígena nas origens e formação social de municípios do interior.



Os “caboclos” que são índios

Os povos indígenas no Nordeste que durante muito tempo foram oficialmente chamados de “remanescentes” e conhecidos pelo senso comum como “caboclos”, através de confrontos, acordos, alianças estratégicas, simulações e reelaborações culturais, desenvolveram diferentes estratégias de resistência frente às diversas formas de violências, às invasões de seus territórios, ao desrespeito de seus direitos, à negação de suas identidades e às imposições culturais colonial. Questionando assim tradicionais explicações históricas, que defendem o destino trágico com o desaparecimento ou extermínio desses povos nos primeiros anos da colonização portuguesa, com sua mobilização os indígenas no Nordeste superam uma visão sobre eles como vítimas da colonização e afirmam seus lugares como participantes e sujeitos que (re) escrevem a História da Região e do Brasil.

No início do século XX, esses povos que oficialmente eram considerados “extintos”, mas que de fato existiam e resistiam, iniciaram a mobilização contemporânea pelo reconhecimento étnico oficial e garantia de terras para viverem diante das constantes perseguições dos latifundiários. No Nordeste foram reconhecidos os Xukuru-Kariri em Alagoas, e em Pernambuco os Fulni-ô (Águas Belas), os Pankararu (Tacaratu), os Xukuru (Pesqueira), com a instalação entre os anos de 1920 – 1950 de postos do Serviço de Proteção ao Índio – SPI, em seus tradicionais locais de moradias. Em um estudo sobre as populações indígenas no Brasil cuja primeira edição é datada de 1968, o antropólogo Darcy Ribeiro localizou 13 povos habitantes na “Área Cultural Indígena Nordeste” (Ribeiro, 1982,461). Com o “milagre brasileiro” na década de 1970 e o avanço dos projetos agro-industriais, as pressões sobre as terras indígenas aumentaram, tanto as dos grupos reconhecidos oficialmente como as dos grupos ainda não reconhecidos. Os povos indígenas no Nordeste, pressionam a FUNAI para obterem a garantia de seus direitos históricos. No início da década de 1980, em uma publicação especializada, (excetuando o Maranhão, porque os povos indígenas são classificados em outra área cultural), foram citados 20 povos indígenas no Nordeste (CEDI, 1983,61; 69).

A partir da década de 1980 ocorreu o ressurgimento de grupos étnicos como os Pitaguary, os Jenipapo-Canindé, os Tabajara no Ceará; os Pipipã em Pernambuco, os Kalancó e os Karuazu em Alagoas; os Tumbalalá e os Tupinambá na Bahia. Fenômeno que vem ocorrendo também na Região Norte e chamado de etnogênese pela reflexão antropológica atual. Vinte anos depois, foram contabilizados 41 povos habitantes entre o Ceará e a Bahia. (CIMI, 2001,164).

A participação nas mobilizações para a elaboração da Constituição Federal aprovada em 1988, garantiu que pela primeira vez na História do Brasil o Estado brasileiro reconhecesse os povos indígenas com seus costumes, tradições e o direito a demarcação de suas terras. O que fortaleceu as lutas e reivindicações dos direitos históricos desses povos, mas por outro lado, acirrando os antigos conflitos, com violências e mortes provocadas pelos invasores das áreas indígenas.

Para uma outra abordagem da temática indígena no Ensino de História: superando equívocos, preconceitos e omissões.

A atual presença dos povos indígenas impõe a necessidade de repensar uma idéia da colonização como uma grande conquista de povos, pacíficos e subjugados, derrotados e massacrados. Além dos confrontos abertos, circunstancialmente foram elaboradas diversas estratégias de resistência, às vezes silenciosas, invisíveis, camufladas, tecidas ao longo de anos, que foram envolvendo os colonizadores. Enfim, uma derrota ainda que relativa, da colonização, pela capacidade histórica dos povos indígenas, em regiões como o Nordeste do Brasil, elaboraram diferentes estratégias de resistência, para a afirmação étnica e conquista do apoio da sociedade para o reconhecimento oficial, para a conquista e a garantia dos seus direitos.

As pesquisas e reflexões históricas que ora vem sendo realizadas sobre os povos indígenas no Nordeste, a partir de abordagens que incorporam as discussões interdisciplinares mais recentes, além de possibilitarem rever uma história linear, ufanista, como uma grande conquista, estão contribuindo para um maior conhecimento das relações coloniais. Onde os indígenas foram e são atores/sujeitos, contribuindo também para compreensão do processo histórico de emergência étnica na Região e da atualidade dos povos indígenas no Nordeste.

Nos últimos anos, os povos indígenas no Nordeste, assim como em todo o Brasil fortaleceram suas organizações, intensificaram as mobilizações pelo reconhecimento étnico enquanto povos diferenciados, pela demarcação e retirada dos invasores de suas terras, pelas conquistas e garantia dos seus direitos a uma assistência de saúde e educação diferenciadas. Esses povos ocupam um inegável lugar no cenário político, obrigando-nos a rever a História, superar equívocos, preconceitos e omissões e a tradicional idéia errônea de uma homogeneidade cultural no Brasil. O Ensino de História deve incorporar essas discussões, ou do contrário continuará reproduzindo imagens ultrapassadas, descabidas e violentas sobre/contra os povos indígenas.



A seguir estão sugestões a serem discutidas e implementadas no sentido de contribuir de forma efetiva com o fim dos equívocos, preconceitos e omissões no ensino sobre a temática indígena. Essas propostas devem estar baseadas antes de tudo nos esforços do conhecimento da situação em que vivem e a superação de toda e qualquer forma de discriminações contra os povos indígenas, bem como e pelo reconhecimento de seus direitos históricos:

  • Incluir a temática indígena nas capacitações, estudos e treinamentos periódicos do professorado, a ser abordada na perspectiva da pluralidade cultural historicamente existente no Brasil e na sociedade em que vivemos: através de cursos, seminários, encontros de estudos específicos e interdisciplinares destinados ao professorado e demais trabalhadores/as em educação, com a participação de indígenas e assessoria de especialistas reconhecidos.

  • Promover estudos específicos para que o professorado de História possa conhecer os povos indígenas no Brasil, possibilitando uma melhor abordagem ao tratar da temática indígena em sala de aula, particularmente nos municípios onde atualmente habitam povos indígenas.

  • Estimular e apoiar professores/as que possuam interesses em aprofundar através de cursos de pós-graduação os estudos sobre os povos indígenas.

  • Intensificar a produção, com assessoria de pesquisadores/as especialistas, de vídeos, cartilhas, subsídios didáticos sobre os povos indígenas para serem utilizados em sala de aula. Proporcionar o acesso a publicações: livros, periódicos, etc., como fonte de informação e pesquisa sobre os povos indígenas.

  • Promover momentos de intercâmbios entre os povos indígenas e os estudantes durante o calendário letivo, através de visitas previamente preparadas do alunado às aldeias, bem como de indígenas às escolas. IMPORTANTE: ação a ser desenvolvida principalmente nos municípios onde atualmente moram os povos indígenas, como forma de buscar a superação dos preconceitos e as discriminações.

  • Ampliar o “Dia do Índio” para uma “Semana dos Povos Indígenas” a ser promovida com exposições de trabalhos e pesquisas interdisciplinares realizadas pelo alunado, exibição de vídeos, fotografias, debates com a participação de indígenas, estudiosos/as, instituições indigenistas, etc., como forma de proporcionar maior conhecimento sobre a situação e diversidade sociocultural dos povos indígenas.

  • Discutir e propor o apoio aos povos indígenas, através do estímulo ao alunado, com a realização de abaixo-assinados, cartas às autoridades com denúncias e exigências de providências para as violências contra os povos indígenas, assassinatos de suas lideranças, etc. Estimulando assim através de manifestações coletivas na sala de aula, o apoio às campanhas de demarcação das terras e garantia dos direitos dos povos indígenas.

  • Enfim, promover ações pautadas na perspectiva da diversidade cultural e dos direitos dos povos indígenas, bem como do reconhecimento de que o Brasil é um país pluricultural e pluriétnico.

Bibliografia

ARRUTI, J. M. A. (1995). Morte e vida no Nordeste indígena: a emergência étnica como fenômeno regional. Estudos Históricos. FVG, vol.8, n.15, p. 57- 94.

ATLAS DAS TERRAS INDÍGENAS DO NORDESTE. (1993). Rio de Janeiro, PETI/ PPGAS/Museu Nacional/UFRJ.

BRASIL. IBGE. (2005). Tendências Demográficas: uma análise dos indígenas com base nos resultados da amostra dos censos demográficos 1991 a 2000. Rio de Janeiro.

CAVALCANTE, Heloisa Eneida. Reunindo as forças do Ororubá: a escola no projeto de sociedade do povo Xukuru. Recife, UFPE, 2004 (Dissertação de Mestrado em Sociologia)

CEDI/Centro Ecumênico de Documentação e Informação. Aconteceu: povos indígenas no Brasil/1982. Rio de Janeiro: CEDI, 1982.

CIMI (Conselho Indigenista Missionário). Outros 500: construindo uma nova história. São Paulo: Salesiana, 2001.

_ _ _. (1997). A violência contra os povos indígenas no Brasil. Brasília, CIMI/CNBB.

OLIVEIRA, J.P. de (1999). (Org.). A viagem de volta: etnicidade, política e reelaboração cultural no Nordeste indígena. Rio de Janeiro, Contra Capa Livraria.

RIBEIRO, Darcy. Os índios e a civilização: a integração das populações indígenas no Brasil moderno. 4a ed. Petrópolis: Vozes, 1982.


SILVA, Edson. (1995). O lugar do índio. Conflitos, esbulhos de terras e resistência indígena no século XIX: o caso de Escada – PE (1860-1880). Recife, UFPE, Dissertação (Mestrado em História).

_ _ _ . (1994). Bárbaros, bons selvagens, heróis: imagens de índios no Brasil. In, CLIO – Revista de Pesquisa Histórica da Universidade Federal de Pernambuco (Série História do Nordeste n.º 5). Recife, Editora Universitária, p. 53-71.

SILVA, Edson. (1996). “Confundidos com a massa da população”: o esbulho das terras indígenas no Nordeste do século XIX. In, Revista do Arquivo Público Estadual de Pernambuco, n°. 46, vol. 42, dez./96, p.17-29.

_ _ _. (1999). Povos indígenas, violência e educação. In Cadernos da Extensão n. 2, jun. /99. Recife, Pró – Reitoria de Extensão da UFPE, p.111-117.

_ _ _. (2000). Resistência indígena nos 500 anos de Colonização. In, BRANDÃO, Silvana. (Org.). Brasil 500 anos: reflexões. Recife, Editora Universitária da UFPE, p.99-129.

_ _ _. (2002). “Nossa Mãe Tamain”. Religião, reelaboração cultural e resistência indígena: o caso dos Xukuru do Ororubá (PE). In, BRANDÃO, Sylvana. (Org.). História das Religiões no Brasil. Recife: Editora Universitária da UFPE, p.347-362 (vol.2).

_ _ _. (2005). Memórias Xukuru e Fulni-ô da Guerra do Paraguai. In, Ciências Humanas em Revista v.3, nº2, UFMA, São Luís, p.51-58.

ANEXO I

Estudando os povos indígenas: leituras básicas mínimas e outras fontes

LIVROS


  • BRUIT, Héctor H. Bartolomé de Las Casas e a simulação dos vencidos. São Paulo, Unicamp, 1995.

  • CIMI (Conselho Indigenista Missionário). Outros 500: construindo uma nova história. São Paul, Salesiana, 2001. 

  • CUNHA, Manuela Carneiro da. (Org.). História dos índios no Brasil. 2a ed. São Paulo, Cia. das Letras. 1998. 

  • GRUPIONI, Luís Donizete Benzi. (Org.). Índios no Brasil. Brasília, MEC, 1994. (existe outra edição por uma editora comercial).

  • MEC. Índios no Brasil. Cadernos da TV Escola. Brasília, 1999. (Vols. 1,2 e 3). 

  • MONTEIRO, John M. Negros da terra: índios e bandeirantes nas origens de São Paulo. São Paulo, Cia. das Letras, 1994.

  • OLIVEIRA, João Pacheco de. (Org.). A viagem da volta: etnicidade, política e reelaboração cultural no Nordeste indígena. Rio de Janeiro, Contra Capa, 1999. 

  • PREZIA, Bendito; HOORNAERT, Eduardo. Brasil indígena: 500 anos de resistência. São Paulo: FTD, 2000.

  • - - - - - Essa terra tinha dono. 6ª edição, revista e atualizada. São Paulo, FTD, 2000.

  • SILVA, Aracy Lopes da; GRUPIONI, Luís Donizete Benzi. (Orgs.). A temática indígena na escola: novos subsídios para professores de 1 e 2 graus. Brasília, Mari/Unicef/Unesco, 1995. 

JORNAIS


  • PORANTIM. Brasília, Conselho Indigenista Missionário-CIMI/CNBB.

E-mail: www.cimi.org.br

  • MENSAGEIRO. Belém, CIMI-Norte I.

E-mail: www.mutiraoamazonia.org.br

Observação: vê na página do CIMI www.cimi.org.br outros endereços na Internet sobre os povos indígenas.

FILMES (disponíveis em locadoras comerciais)


Rapa-Nui (120 minutos); Avaeté, semente de vingança (90 minutos); Ameríndia (70 minutos); Xingu (90 minutos); Dança com os lobos (180 minutos); Gerônimo (100 Minutos); Filho da estrela nascente (180 minutos); Pequeno grande homem (100 minutos); Aguirre, a cólera dos deuses (100 minutos); Hábito negro (93 minutos); República Guarani (100 minutos); A missão (100 minutos); Brincando nos campos do senhor (180 minutos); 492, o Descobrimento da América (120 minutos); Cristóvão Colombo: a aventura do Descobrimento (100 minutos); Coração de trovão (115 minutos); Espírito guerreiro (93 minutos).

Faz-se necessário pensar em um roteiro que discuta criticamente cada um dos filmes, levando em conta quais idéias da História e imagens trazem sobre os índios.


ANEXO II

Um roteiro para o estudo dos povos indígenas no Ensino de História

1. Os povos indígenas no Brasil atual:

Uma opção teórico-metodológica: iniciar o estudo a partir do conhecimento sobre a atual situação dos povos indígenas existentes no país. Utilizar mapas, quadros com a localização e distribuição pelas Regiões dos povos indígenas no Brasil.



2. A diversidade indígena no Brasil:

Enfocar a atual diversidade sociocultural dos povos indígenas no Brasil; estudando a diversidade histórica do Brasil indígena, no período anterior e logo após o início da colonização em 1500, superando a tradicional visão simplista de uma dicotomia “tupi x tapuia”. Utilizar fotografias para demonstrar a diversidade dos povos indígenas no Brasil.



3. A antigüidade da presença indígena no Brasil:

Discutir as teorias do povoamento da América e no Brasil, enfatizando as descobertas mais recentes das pesquisas arqueológicas realizadas em São Raimundo Nonato-PI. Estudar os diferentes grupos humanos, que habitaram o Brasil e as suas possíveis conexões com os atuais povos indígenas em nosso país.



4. A história indígena no Brasil, uma história de resistência:

Estudar as permanentes e diferentes estratégias de resistência indígena na História do Brasil, superando as visões da colonização como tragédia histórica com uma suposta assimilação, a integração e o “desaparecimento” dos povos indígenas. Estudar o fenômeno do ressurgimento de povos indígenas nas áreas mais antigas da colonização portuguesa no Brasil.



5. 508 anos, qual o significado?

Discutir o sentido dos 507 anos na História do Brasil, do ponto de vista oficial e do ponto de vista indígena de resistência à colonização, com as reivindicações para o reconhecimento e garantias de seus direitos violados.



ANEXO III

POPULAÇÃO INDÍGENA EM PERNAMBUCO/ 2006

POVO

MUNICÍPIO

POPULAÇÃO

Xukuru

Pesqueira

8985

Fulni-ô

Águas Belas

3658

Atikum

Carnaubeira da Penha e Floresta

5542

Kapinawá

Buíque, Ibimirim, Tupanatinga

3084

Kambiwá

Ibimirim

2746

Tuxá

Inajá

157

Pipipan

Floresta

1518

Pankará

Carnaubeira da Penha

2454

Pankararu

Jatobá, Petrolândia, Tacaratu

5880

Truká

Cabrobó

3887







Total: 38.003

FONTE: FUNASA/SIASI, 2006.

OBSERVAÇÃO: nesta tabela, bem como no mapa da página seguinte, não foram incluído os Pankauiká, que habitam no Município de Jatobá e que estão reivindicando o reconhecimento oficial.

PÓS-ESCRITO
ÍNDIOS, O DIREITO À DIFERENÇA

Edson Silva
O reconhecimento da pluralidade cultural no Brasil contemporâneo é um debate muito recente. Remonta ao período pós-Abertura política e acentuou-se em fins da década de 1990. A idéia da mestiçagem como base de formação de uma identidade nacional homogênea, ganhou corpo ainda no final do Século XIX, foi exaltada pelo Modernismo nos anos 1920 e consolidou-se com as grandes sínteses explicativas do Brasil na década de 1930, tendo como expressão máxima a obra Casa grande & senzala de Gilberto Freyre. A Ditadura Militar que com seus arroubos nacionalistas instalou-se no Brasil em 1964, interessou também sobremaneira a exaltação de um país com a identidade única caminhando a passos largos para o desenvolvimento. Progresso e unidade cultural do gigante país verde e amarelo eram temas indissociáveis nos discursos dos defensores da nação brasileira.

Somente a partir da nova conjuntura política com o fim da Ditadura, as idéias polarizadas bem como as totalizantes que perpassavam as discussões sobre a identidade do país, foram explicitamente colocadas em discussão. Timidamente foram dados os primeiros passos que rediscutiam a mestiçagem como base de uma identidade brasileira. Os debates públicos e acadêmicos em torno das questões de gênero, da temática negra dentre outras, ganharam corpo nos anos seguintes colocando em xeque a suposta identidade nacional advogada nos anos anteriores.

No novo cenário político com outros atores, os povos indígenas conquistaram e ocuparam seus espaços, reivincando o reconhecimento e o respeito de suas expressões étnicas e culturais próprias, bem como das condições para vivenciá-las. A mestiçagem enquanto apagamento, sombra que escondia as diferenças perdeu a primazia do status explicativo sobre o país. O reconhecimento da pluralidade além de provocar um repensar do país, vem exigindo políticas públicas que dê conta dessa realidade. Daí a necessidade de se debruçar sobre a História do Brasil para melhor compreender no presente a diversidade sociocultural em um país continental, com suas peculiaridades locais e regionais.

Fonte: CAVALCANTE, Heloisa Eneida. Reunindo as forças do Ororubá: a escola no projeto de sociedade do povo Xukuru. Recife, UFPE,

Deptº de Ciências Sociais, 2004 (Dissertação de Mestrado em Sociologia), p.27.


*texto apresentado como subsídio para debates no Seminário Povos indígenas em Pernambuco, promovido em 17 e 19/04/2007 pela SEDUC-PE, no Ginásio Pernambucano, em Recife-PE. Uma primeira versão desse texto foi apresentada na mesa-redonda “As relações étnico-raciais e de gênero no Ensino da História Escolar”, por ocasião do I Encontro Pernambucano de Ensino de História, promovido pelo Deptº de Métodos e Técnicas de Ensino/DMTE, em 17/03/07 no Centro de Educação/UFPE, Recife.

**Doutor em História Social pela UNICAMP. Mestre em História pela UFPE. Leciona História no CENTRO DE EDUCAÇÃO/Col. de Aplicação/UFPE. Pesquisador da história indígena em Pernambuco, com vários artigos publicados sobre o tema. Assessor para área de História na formação dos/as professores/as indígenas em Pernambuco e no Projeto PROFORMAÇÃO/MEC/SEDUC-PE. E-mail: edson.edsilva@gmail.com




*


Catálogo: cap
cap -> Conclusões Finais e Trabalhos Futuros
cap -> Qualidade da água e dinâmica de nutrientes harry Alberto Bollmann Charles Carneiro Eduardo Pegorini
cap -> Gestão de Portfólio de Projetos 102 15. 1 Introdução 102
cap -> Capítulo 40 Guías para el manejo de la nutrición parenteral Autores
cap -> Faculdade de ciências jurídicas e gerenciais alves fortes
cap -> Modelagem matemática: o que é? Por que? Como?
cap -> Capof regulamento plano bd capítulo 1 do plano de benefícios e seus fins
cap -> Capítulo 6 Aprendizagem Social e Emocional nos Critérios Relativos à Formação de Professores
cap -> Conferência das naçÕes unidas sobre meio ambiente e desenvolvimento capítulo 37 mecanismos nacionais e cooperaçÃo internacional para fortalecimento institucional nos países em desenvolvimento
cap -> Conferência das naçÕes unidas sobre meio ambiente e desenvolvimento capítulo 26 reconhecimento e fortalecimento do papel dos populaçÕes indígenas e suas comunidades


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