Honras à nossa Pátria



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Encontro03.08.2016
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Os 21 tiros de Salva da Artilharia



Honras à nossa Pátria

O título acima não soaria estranho em qualquer local do mundo onde se hasteia uma Bandeira Nacional dos Estados Unidos. Kennedy expressou este sentimento pátrio dos norte-americanos de forma sucinta: “Não perguntem o que os EUA podem fazer por vocês; perguntem o que vocês podem fazer pelos EUA”. Eles não se amedrontam diante das adversidades e não se envergonham do “ufanismo”.

Nós, somente agora estamos gritando nos estádios: “sou brasileiro, com muito orgulho, com muito amor”. Um bom sinal para uma Nação que até recentemente pouco se importava com o culto às tradições e aos símbolos nacionais. Pela “vez primeira” vi e ouvi na TV um time inteiro de vôlei feminino cantando o Hino Nacional na hora da premiação nas Olimpíadas. Vi também um time inteiro de futebol amador baixando a cabeça, em respeito aos anseios da nossa gente, por receber “apenas” medalhas de prata.

O filósofo e cientista político Olavo de Carvalho, editor do texto de um volumoso tratado O Exército na História do Brasil, referindo-se à memória nacional atenta para o fato de que poucos “neste país falam do Brasil no tom afetuoso e confiante com que os americanos falavam da América”. Mas, felizmente isto está mudando: o brasileiro está “assumindo” sua parcela de responsabilidade pela defesa dos valores éticos e morais de uma sociedade organizada e também reaprendendo a cultuar as tradições nacionais – algumas típicas dos militares; outras, por pertencerem ao “DNA” de uma Nação.

Hinos, cornetas, tambores, flâmulas e bandeiras, não são apenas instrumentos tradicionais e chamativos num desfile militar. Nos quartéis eles despertam sucessivamente a coragem, a obediência, a cadência, o comando e a vontade, por razões assim descritas por Sun Tzu, c. 500 a C.:

“No campo de batalha, a palavra falada não vai muito longe; daí a instituição de gongos e tambores. Também os objetos comuns não podem ser vistos claramente; daí as bandeiras e flâmulas. Gongos e tambores, bandeira e flâmulas são meios que permitem aos ouvidos e olhos da tropa se fixarem num determinado ponto. A tropa, assim, formando um corpo unido, impede os bravos de avançarem sozinhos ou os covardes de se retirarem sós”.

Outra tradição militar que vem da Idade Média diz respeito aos tiros de salva executados por meio de canhões navais e terrestres. No tempo das caravelas, um tiro de salva na entrada de um porto servia para chamar o prático; os navios de guerra de nações amigas disparavam de forma cadenciada sete tiros de salva diante de uma fortificação de defesa para indicar aproximação de paz e/ou pedido de abrigo. Por sua vez a fortificação respondia com três salvas sucessivas de sete tiros cada, em clara demonstração de “boas-vindas”. Ao longo de nossa História a salva de 21 tiros sempre foi um sinal de respeito aos três poderes constituídos e assim esperamos que prossiga por uma eternidade.

O troar dos canhões, por muitos séculos foi o meio mais rápido de alerta para perigos eminentes. O Plano de Defesa da Capitania de São Paulo (dezembro de 1800) previa para o porto de Santos a realização de um tiro de salva pelo Forte Augusto (hoje Museu de Pesca) caso um navio de guerra fosse considerado “de suspeita”. Por sua vez, a Fortaleza de Santo Amaro da Barra Grande respondia com dois tiros e as demais fortificações coloniais executavam um tiro cada. Era um tempo em que existia a Mata Atlântica e o troar dos canhões reverberava sucessivamente na mata, alcançando Bertioga, Itanhaém e Cubatão:

“Toda a gente da Villa (de Santos) capaz de pegar em Armas / excetuados os que devem laborar com a Artilharia do Forte (Santo Amaro), ou que são destacados para outra parte / marcharão ao ponto que lhe for ordenado pelo commandande (sic) da mesma Villa, levando todas as suas Armas”

Foi assim, ou quase assim que as salvas de Artilharia; os hinos, cornetas, tambores, flâmulas e bandeiras tornaram-se tradições militares, sem base bibliográfica confiável. Isto se chama “Tradição: transmissão, sobretudo oral, de lendas, fatos etc, de geração a geração” (Larousse).

Jamais esqueci em toda a minha longa passagem por estas terras “abençoadas por Deus e pela natureza” os sinais de respeito que repeti inúmeras vezes diante da Bandeira Nacional, com a espada em riste executando três movimentos tradicionais como fazem os militares, mundo afora: apontando-a para o Céu, puxando-a ao peito e baixo-a ao solo _ Por Deus, pela honra e pela Pátria.

Na manhã de 07 de setembro de 2012, às 09h00, a Fortaleza de Santo Amaro realizará uma salva simbólica de 21 tiros por ocasião do hasteamento simultâneo da Bandeira Nacional em Santos e Guarujá, frente a frente na embocadura do canal de acesso ao Porto de Santos.

Esperamos que as prefeituras de Santos e Guarujá tornem permanente esta “encenação pirotécnica”, honrando nossa Pátria amada.

 

Elcio Rogerio Secomandi, Cel Art Rfm-AMAN/60



www.secomandi.com.br
(Colaboração: Azambuja/Art e Agenor Farias/Eng – T/Avaí)

Projecto de Defeza do Porto de Santos (sic). Erico A. Oliveira, c. 1800

Mapa de domínio público, obtido em pesquisa realizada no Arquivo Histórico de Exército


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