I – diagnóstico


I.6.5 – Uso do Reservatório Para Fins de Lazer



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I.6.5 – Uso do Reservatório Para Fins de Lazer


Neste tópico destinou-se especial atenção ao uso do reservatório e de sua faixa lindeira, pesquisando-se não só os usuários, mas os proprietários de estabelecimentos comerciais situados às suas margens. Procurou-se identificar as características sócio-econômicas dos usuários da represa, as modalidades de lazer ali desenvolvidas, bem como o perfil dos proprietários ou responsáveis pelos estabelecimentos comerciais, os serviços oferecidos à população, além das condições das instalações físicas. Finalmente, a percepção de todos os pesquisados em relação à higiene do local e aos principais problemas de infra-estrutura ali existentes foi também objeto desse estudo.
Para a pesquisa de campo com os usuários da represa foram definidos os dias mais adequados aos objetivos da pesquisa, ou seja, um final de semana comum e um final de semana com feriado, tendo como perspectiva a possibilidade do comparecimento de um maior número de freqüentadores durante o feriado. Os questionários foram distribuídos de acordo com as áreas de maior freqüência de usuários no entorno da represa, tendo sido, no total, aplicados 340 questionários durante os quatro dias de pesquisa.
A partir da identificação e localização de todos os estabelecimentos comerciais ao longo das margens do reservatório, foram realizadas entrevistas diretas com seus responsáveis através de roteiro estruturado, de forma a contemplar os objetivos e abrangência do estudo.

Usuários da represa


A pesquisa realizada identificou as áreas de concentração de usuários ao longo das margens da represa de Vargem das Flores, que propiciam o desenvolvimento de atividades relacionadas ao lazer. Quatro locais, descritos a seguir, destacaram-se na preferência dos entrevistados, perfazendo um total de 70% das respostas.
- Trailler-Recanto do Lago, situado no município de Betim, é o local de maior concentração de usuários (24,70%), pois ele possui boa infra-estrutura (pavimentação, estacionamento) e variedade de serviços de bar e restaurante que acontecem em traillers, além da facilidade de acesso, em que o público dispõe inclusive de transporte coletivo;
- a Prainha (17,06%), situada no município de Contagem, apresenta, de acordo com os pesquisados, o local mais apropriado para a prática de natação, além de um bom serviço dos comerciantes que ali se estabeleceram, os quais controlam a higiene do local, promovendo a limpeza periódica das margens da represa;
- Camping do Carlinhos, município de Contagem (14,71% de freqüência). Cabe comentar que este local possui áreas adequadas para o uso de jet-ski e passeio de lancha, em função destes recursos acredita-se que o local é freqüentado pelo público de maior poder aquisitivo;
- Restaurante Várzea das Flores/município de Contagem (13,53%). Além de possuir um restaurante como fator de atração de turistas, dispõe de uma área de estacionamento e de locais para a prática de esportes às margens da represa.
Em relação aos locais de menor concentração de usuários (Tupã e Capela, totalizando apenas 3,23% dos entrevistados), é importante considerar que são áreas de difícil acesso, além de não oferecem serviços de bar e restaurante, itens que funcionam como principais atrativos para a concentração da população que freqüenta a represa.
Quando se analisa a origem dos usuários, os dados revelam que eles preferencialmente originam-se de três dos municípios da Região Metropolitana de Belo Horizonte: Belo Horizonte, Contagem e Betim, verificando-se uma ligeira predominância de pessoas oriundas do município de Betim, 39% dos usuários. Deve-se levar em consideração a facilidade de acesso da população deste município, proporcionado pela existência de linhas de transporte coletivo, cujo itinerário cobre regiões próximas à represa, o que não ocorre no setor pertencente ao município de Contagem.
Dos nove pontos de lazer localizados ao longo da represa (Figura 6.9), quatro estão situados dentro dos limites do município de Betim. Além disso, Vale destacar ainda, a freqüência significativa de turistas que se originam de Belo Horizonte (26%).

Figura 6.9-Pontos de lazer

A população de Contagem concentra-se principalmente em três pontos de lazer, a Prainha, o Camping do Carlinhos e o restaurante Vargem das Flores. Já os moradores de Betim tem preferência pela área de trailler Recanto do Lago (42.75%). A população de Belo Horizonte distribui-se entre a Prainha, o Camping do Carlinhos e o Trailler/Recanto do lago.
Segundo dados obtidos pela pesquisa, o público que freqüenta a represa de Vargem das Flores, é em sua maioria do sexo masculino, representado por 71,18% dos entrevistados e possui, predominantemente, uma faixa etária intermediária, entre 26 e 40 anos com 47,35% do público pesquisado (Tabela 6.40). Este fenômeno é explicado, em grande medida, pelo tipo de lazer existente no local que além do balneário (neste caso, deve-se destacar as atividades de pesca), oferece basicamente serviços de bar, o que atrai especialmente o público masculino nesta faixa etária.

Tabela 6.40 - Distribuição dos Usuários Segundo o Sexo e Faixa Etária

Bacia de Vargem das Flores


Distribuição

Frequencia

Sexo



%

Masculino

242

71,18

Feminino

98

28,82

Total

340

100,0

Faixa Etária



%

De 15 a 25

106

31,18

De 26 a 40 anos

161

47,35

Mais de 40 anos

73

21,47

Total

340

100,0

Fonte: PRÁXIS, Pesquisa com Usuários da Represa de Vargem das Flores, Junho de 1997
Verificou-se que a escolaridade dos usuários da represa de Vargem das Flores é bastante baixa, uma vez que a grande maioria dos entrevistados (cerca de 70%) declarou possuir somente até o primeiro grau completo. Neste sentido, é importante ressaltar que uma faixa considerável do público entrevistado possui apenas o primário (28,36%), superando o índice daqueles com o segundo grau completo, mesmo estando a maioria acima da idade escolar ( 7 a 18 anos). Tabela 6.41.

Tabela 6.41 - Nível de Escolaridade dos Usuários

Bacia de Vargem das Flores


Escolaridade

Freqüência






%

Analfabeto/assina o nome

5

1,49

1ª a 4ª série

90

26,87

5ª a 8ª série

142

42,39

2º grau completo

77

22,99

Superior

25

7,46

Não sabe, não respondeu

1

0,30

Total

340

100,00

Fonte: PRÁXIS, Pesquisa com Usuários da Represa de Vargem das Flores, Junho de 1997
Por outro lado, é interessante notar que o índice daqueles que possuem curso superior é bastante significativo (7,6%) quando comparado com a média da Região Metropolitana de Belo Horizonte, que não ultrapassa 5%, segundo dados do IBGE - Censo Demográfico/1991. Isto demonstra uma certa diversidade do público no que se refere ao aspecto escolaridade.
Com relação à ocupação profissional, pôde-se verificar que a grande maioria dos entrevistados são profissionais do setor secundário e terciário da economia, e predominantemente com qualificação de média baixa para baixa, totalizando 79,6% dos entrevistados. Entre as profissões mais citadas estão, no setor secundário, trabalhadores da construção civil (13,82%) e industriários (5,88%) e no setor terciário, os comerciantes (6,47%), comerciários (5,88%) e motoristas (5,59%).
De acordo com os dados da pesquisa, pôde-se verificar que a maioria dos entrevistados pertencem a uma faixa da população cuja renda não ultrapassa a 5 salários mínimos mensais (67,38%), Tabela 6.42. Sendo assim, trata-se de um público predominantemente de baixa renda, mesmo considerando que a renda declarada tenha sido a individual e não a familiar.
Tabela 6.42 - Classificação dos usuários segundo a renda individual do entrevistado

Bacia de Vargem das Flores




Grupo de renda (salário mínimo)

Freqüência






%

Sem rendimento

6

1,80

Até 1 SM

22

6,59

Mais de 1 a 2 SM

60

17,96

Mais de 3 a 5 SM

110

31,14

Mais de 5 a 10 SM

43

12,87

Mais de 10 SM

50

14,97

Não respondeu

4

1,20

Não se aplica *

51

15.27

Total

340

100,00

* Pessoas inativas do ponto de vista econômico: dona de casa e estudante.

Fonte: PRÁXIS, Pesquisa com Usuários da Represa de Vargem das Flores, Junho de 1997


Observa-se que, não obstante à dificuldade de acesso (praticamente não existem linhas de transporte coletivo que circulam na região), a procura pelo balneário de Vargem das Flores dá-se pelo fato de ser uma opção de lazer que não envolve maiores custos financeiros, pois trata-se de local de livre circulação e que oferece, essencialmente, serviços de bar acessíveis a consumidores de baixa renda. Deve-se considerar ainda, a falta de opção de lazer dentro da Região Metropolitana de Belo Horizonte, tornando a represa, pelas suas características, um local bastante atraente, sobretudo para estes segmentos sociais. Por outro lado, é interessante notar que existe uma parcela bastante significativa daqueles com renda superior a 10 salários mínimos (17,54% dos entrevistados que declararam renda).
Com relação à frequencia à represa constatou-se que cerca de 45%, declararam que visitam a represa com certa regularidade (Tabela 6.43): aos feriados - 1,79% do público entrevistado; aos finais de semana - 36,17%; e diariamente - 6,18%. Desta forma, observa-se que existe certa assiduidade entre a maior parte daqueles que costumam utilizá-la como área de lazer. Interessante comentar que entre as alternativas apresentadas no questionário havia a opção “raramente vem à represa”, contudo nenhum entrevistado optou por esta resposta, o que é um indicativo da assiduidade dos usuários.
É necessário considerar que se registrou a presença de cerca de 10% de entrevistados que visitavam a represa pela primeira vez. Este percentual levanta a possibilidade de crescimento do número de freqüentadores, uma vez que, mesmo sendo inverno, período de menor atividade de lazer no balneário, foi encontrado um percentual significativo de novos usuários.
Tabela 6.43 - Freqüência à Represa

Bacia de Vargem das Flores



Quando vem à represa

Freqüência






%

De vez em quando

154

45,29

Fins de semana

123

36.17

Primeira vez

35

10,29

Diariamente

21

6,18

Feriados

6

1,76

Não respondeu

1

0,29

Total

340

100,00

Fonte: PRÁXIS, Pesquisa com Usuários da Represa de Vargem das Flores, Junho de 1997
Quase a metade dos entrevistados (47,65%) afirmaram freqüentar a área acompanhados de seus parentes; os que costumam ir acompanhados de amigos aparecem com a segunda maior freqüência (38,24%); e os que costumam ir sozinhos somam apenas 8,53% (Tabela 6.44). Isto vem demonstrar que a represa é um local freqüentado, fundamentalmente, por famílias.
Estimou-se o número de freqüentadores da represa através da agregação do número de pessoas que aí se encontrava junto com cada entrevistado no dia da pesquisa. Cabe registrar a possível ocorrência de dupla contagem de usuários se duas pessoas do mesmo grupo tiverem sido entrevistadas, apesar da orientação dada aos pesquisadores para, à medida do possível, não abordarem pessoas de um mesmo grupo. Apesar disto, procedeu-se à estimava, obtendo-se os resultados apresentados na Tabela 6.45.
Tabela 6.44 - Com quem o Usuário Vai à Represa

Bacia de Vargem das Flores




Companhia

Freqüência






%

Parentes

162

47,65

Amigos/namorado(a)

130

38,24

Sozinho

29

8,53

Parentes/Amigos/namorado(a)

8

2,35

Excursão

4

1,18

Outros (Quando indicou mais de uma resposta)

6

1,76

Não sabe/Não respondeu

1

0,29

Total

340

100,00

Fonte: PRÁXIS, Pesquisa com Usuários da Represa de Vargem das Flores, Junho de 1997
Tabela 6.45 - Estimativa do número de freqüentadores no dia da pesquisa

Bacia de Vargem das Flores




Dia da pesquisa

Questionários aplicados

Estimativa de freqüentadores

Sábado

48

151

Quinta - Feriado

104

412

Sábado - Feriado

88

301

Domingo - Feriado

100

729

Total

340

1593

Fonte: PRÁXIS, Pesquisa com Usuários da Represa de Vargem das Flores, Junho de 1997
Com relação ao meio de transporte, a grande maioria (67%) declarou que costuma utilizar principalmente carro particular como veículo para se dirigirem à represa. Fenômeno que também pode ser confirmado pelo fato de a maioria das pessoas (cerca de 68%) visitarem o reservatório sozinhos ou em grupos de até 5 pessoas (capacidade máxima de um automóvel de passeio). Foi verificado ainda que, apesar de uma grande parcela do público pesquisado integrar os estratos sociais de baixa renda, apenas 8% utiliza o transporte coletivo urbano como meio de transporte. A maior freqüência do uso do ônibus ocorre nos municípios de Betim e Belo Horizonte, 10% e 8% respectivamente. Isto se deve ao fato de não existirem linhas de transporte coletivo disponíveis para circular nos locais de maior concentração de usuários da represa, o que ocorre apenas no município de Betim (Trailler/Recanto do Lago).
Outra questão a ser mencionada refere-se ao número de pessoas que se dirigem à represa a pé (15%), segmento que representou o segundo meio de transporte mais citado. Dentre estes a maior freqüência de usuários são originários do município de Betim, fato que se explica pela proximidade da periferia da sede municipal em relação ao lago. Esse dado indica que é pequena a parcela de residentes em regiões próximas à represa e que somente 10% dos entrevistados moram na Bacia.
De acordo com a pesquisa realizada, as atividades de lazer mais desenvolvidas na área são, principalmente, cantar e ouvir música, citada por 72,35% dos entrevistados; beber cerveja e comer churrasco apontado, respectivamente, por 62,94% e 56,76% dos usuários pesquisados. Em segundo lugar, destacam-se as atividades relacionadas com as possibilidades oferecidas diretamente pelo balneário, apontada por cerca de 40% do público pesquisado: natação, caminhada e pesca (Tabela 6.46).
Tabela 6.46 - Atividades que faz na represa

Bacia de Vargem das Flores



Atividade

Freqüência






%

Canta/ouve música

246

72,35

Bebe cerveja

214

62,94

Churrasco

193

56,76

Natação

139

40,88

Faz caminhada

139

40,88

Pesca

138

40,59

Jogos de bola

107

31,47

Faz almoço/cozinha

87

25,59

Acampa

69

20,29

Passeia de barco

62

18,24

Pernoita

49

14,41

Passeia de jet-ski

26

7,65

Não respondeu

7

2,06

Fonte: PRÁXIS, Pesquisa com Usuários da Represa de Vargem das Flores, Junho de 1997
Quando relacionada à faixa etária, as atividades de lazer não apresentam variações significativas, uma vez que as mais citadas, entre as diferentes faixas de idade, são aquelas que estão associadas aos serviços oferecidos pelos barraqueiros. Contudo, chama atenção o fato de que para aqueles com idade inferior a 25 anos, a atividade de pesca é citada apenas por 32,08% dos entrevistados (Tabela 6.47); e para aqueles com mais de 40 anos de idade, a pesca apresenta-se como a terceira atividade de lazer mais importante, sendo citada por 50,68% dos entrevistados.
Vale acrescentar que, para os usuários com mais de 40 anos, as atividades de lazer mais citadas apresentam-se melhor distribuídas, sem diferenças significativas entre as mais importantes e as intermediárias. Já para os usuários nas faixas de idade inferior a 25 anos e na faixa entre 26 a 40 anos, as atividades de lazer mais citadas apresentam, face às diferenças de percentuais registrados, um grau de importância mais elevado em relação às intermediárias.
Tabela 6.47 - Atividades de Lazer Desenvolvidas na Represa

Bacia de Vargem das Flores-Junho 1997




Faixa etária

Atividade

Freqüência









%

até 25 anos

Canta/ouve música

88

83,02




Bebe cerveja

68

64,15




Churrasco

62

58,49




Natação

56

52,83




Faz caminhada

46

43,40




Jogos de bola

44

41,51




Pesca

34

32,08




Acampa

32

30,19




Faz almoço/cozinha

30

28,30




Passeia de barco

22

20,75




Pernoita

21

19,81




Passeia de jet-ski

10

9,43




Não respondeu

2

1,89

Total




106

100,00

26 a 40 anos

Canta/ouve música

116

72,05




Bebe cerveja

104

64,60




Churrasco

95

59,01




Pesca

67

41,61




Faz caminhada

59

36,65




Natação

56

34,78




Jogos de bola

48

29,81




Faz almoço/cozinha

37

22,98




Acampa

25

15,53




Passeia de barco

25

15,53




Pernoita

15

9,32




Passeia de jet-ski

13

8,07




Não respondeu

4

2,48

Total




161

100,00

Maior que 40

Bebe cerveja

42

57,53

anos

Canta/ouve música

42

57,53




Pesca

37

50,68




Churrasco

36

49,32




Faz caminhada

34

46,58




Natação

27

36,99




Faz almoço/cozinha

20

27,40




Jogos de bola

15

20,55




Passeia de barco

15

20,55




Pernoita

13

17,81




Acampa

12

16,44




Passeia de jet-ski

3

4,11




Não respondeu

1

1,37

Total




73

100,00

Fonte: PRÁXIS, Pesquisa com Usuários da Represa de Vargem das Flores, Junho de 1997
Outra questão que merece destaque diz respeito à prática da natação. Esta é uma atividade que, evidentemente, deveria constar entre as mais citadas pelo fato de se tratar de uma típica atividade de balneários. Entretanto, foi apontada, entre todas as faixas etárias, como uma atividade de importância intermediária. Este fenômeno pode ser explicado pelo período em que os dados foram coletados, ou seja no inverno (junho). Vale lembrar que os proprietários dos estabelecimentos comentaram que o número de freqüentadores cresce, substancialmente, no verão e que a represa fica repleta de banhistas.

O público usuário da represa, de uma maneira geral, aprova as condições de lazer da represa, pois apenas 11,76% mostraram-se insatisfeitos com o quadro atual. Acredita-se que esta aprovação das condições de lazer está relacionada, mais propriamente, à existência do balneário, uma vez que, quando questionados sobre os problemas existentes na represa a grande maioria levantou questões a serem resolvidas.


Entre os problemas mais citados pelos usuários do reservatório, destacam-se aqueles associados à infra-estrutura e à poluição da represa, entre os quais: a falta de sanitários públicos (43,53%); estradas de acesso em má conservação (39,41%); falta de energia elétrica (16,26%); falta de infra-estrutura para a prática de esportes/play-grounds (12,65%) e a falta de transporte coletivo (7,94%).
A Tabela 6.48 apresenta os dez problemas mais citados pelos entrevistados que juntos correspondem a 85% das referências feitas.
Em relação ao aspecto poluição, as questões mais levantadas foram basicamente o acúmulo de sujeira nas margens e dentro da represa e a contaminação da água, citado por cerca de 70% do público pesquisado.
Tabela 6.48 - Os dez problemas mais observados pelos usuários

Bacia de Vargem das Flores



Problemas

Freqüência






%

Sujeira às margens ou dentro da represa/água está contaminada

239

70,29

Faltam sanitários públicos / vestuários

148

43,53

Estradas de acesso em má conservação/falta pavimentação/congestionamento

134

39,41

Falta segurança /policiamento

83

24,41

Faltam salva-vidas (registro de afogamentos)

60

17,65

Falta energia elétrica / iluminação

55

16,18

Falta canalização da água (rede de água e esgoto/água potável)

48

14,12

Faltam estabelecimentos comerciais (bar e restaurantes) de qualidade

44

12,94

Falta infra-estrutura para esporte/play-grounds

43

12,65

Falta transporte coletivo

27

7,94

Total

340




Fonte: PRÁXIS, Pesquisa com Usuários da Represa de Vargem das Flores, Junho de 1997
Os demais problemas observados pelos usuários estão associados à falta de serviços públicos (como policiamento, salva-vidas e posto médico), à deficiência na fiscalização (principalmente o funcionamento de estabelecimentos comerciais que oferecem serviços de má qualidade), e à organização em geral (como a ausência de áreas exclusivas para banhistas e falta de arborização ao redor da represa).
Entre as principais formas de solucionar os problemas estão aquelas relacionadas com a preservação ambiental do local e com a intervenção do poder público. A Tabela 6.49 mostra as 15 soluções mais indicadas, correspondendo a 86% do total de respostas obtidas.
A coleta periódica de lixo com instalação de lixeiras e a realização de campanhas de conscientização ecológica foram apresentadas como sugestões por cerca de 45% dos usuários. Além disso uma atuação mais sistemática do poder público, incluindo a questão da fiscalização e do policiamento, somam cerca de 40% das sugestões apresentadas.
Tabela 6.49 - Formas de solucionar os problemas

Bacia de Vargem das Flores



Soluções

Freqüência






%

Coleta periódica de lixo/instalação de lixeiras

84

24,70

Atuação mais sistemática das prefeituras em relação à represa

79

23,23

Campanha de conscientização em relação à higiene e à ecologia

69

20,29

Aumentar a fiscalização (sanitária e ecológica)

35

10,29

Não tem problemas

33

9,70

Aumentar o policiamento

20

5,88

Pavimentação das vias de acesso

20

5,88

Não sabe/Não respondeu

16

4,70

Construir usina de tratamento da água da represa

14

4,10

Aumentar o número de salva-vidas

12

3,52

Estabelecer cobrança de taxas em benefício da represa

10

2,94

Melhorar as vias de acesso

10

2,94

Delimitar a área para ambulantes e barracos de comércio

6

1,76

Instalação de rede de água e esgoto

6

1,76

Transferir a área para a iniciativa privada

6

1,76

Total

340




Fonte: PRÁXIS, Pesquisa com Usuários da Represa de Vargem das Flores, Junho de 1997
Quanto às formas de contribuição por parte dos usuários, a maioria citou a possibilidade de ajudar na higiene do local não espalhando lixo e participando de mutirões de limpeza, somando 67,65% do total de respostas.
Entre as demais sugestões apresentadas, destacam-se a disposição de 5,59% dos entrevistados em cobrar uma maior atuação do poder público e de 2,65% em pagar tributos em benefício da represa.
É importante destacar ainda que a maioria do público entrevistado apresentou formas de participação baseadas em ações individuais para as soluções dos problemas apontados, e apenas 16,47% dispuseram-se em participar coletivamente.

Estabelecimentos Comerciais


Foram encontrados 23 estabelecimentos no entorno do reservatório que atendem ao público pesquisado, sendo 22 deles fixos (há 1 ambulante neste grupo). Além destes, há ainda 1 pousada nas imediações da represa, voltada para um outro tipo de usuário, que não foi objeto deste estudo.
Nota-se que a pequena presença de comércio ambulante deve-se ao fato da coleta de dados ter sido realizada num período de pequeno fluxo de usuários na represa, o que, consequentemente, provoca o desaparecimento temporário desse tipo de comércio. Vale registrar que os vendedores ambulantes são comuns em Vargem das Flores durante o verão, ocorrendo um certo conflito entre eles e os proprietários dos estabelecimentos fixos. Segundo os proprietários, o comércio ambulante constitui um grande problema para a represa pois é uma atividade que gera grande volume de lixo, sem que seus responsáveis cuidem da limpeza dos locais onde comercializam seus produtos.
As áreas de maior concentração de estabelecimentos comerciais ao longo da represa de Vargem das Flores são: Prainha (39,13%), situada no município de Contagem, e Trailler-Recanto do Lago (30,43%), em Betim.
De acordo com os resultados obtidos os proprietários ou responsáveis pelos estabelecimentos comerciais da represa são, em sua maioria, do sexo masculino (86,36% dos entrevistados), e, predominantemente, de idade superior a 40 anos (59,09%).
O grau de instrução do público pesquisado é bastante baixo, pois a grande maioria declarou não possuir sequer o primeiro grau completo. Destes, a maior parcela (60,87%) estudou somente até a 4ª série primária e 26,09% entre a 5ª e a 8ª séries do primeiro grau.
Com relação à ocupação profissional, a maior parte dos proprietários ou responsáveis pelos estabelecimentos comerciais têm baixa qualificação, refletindo a média de escolaridade observada. Dentre aqueles que possuem outra ocupação (cerca de 60% dos entrevistados) a maioria (34,78%) são proprietários de pequeno comércio em outras regiões ou são trabalhadores da construção civil (17,39%), Tabela 6.50. A opção por exploração de comércio às margens da represa de Vargens das Flores deu-se a partir da necessidade de complementação da renda familiar.
Tabela 6.50 - Distribuição dos entrevistados segundo a ocupação

Bacia de Vargem das Flores



Outra ocupação

Freqüência






%

Não tem outra ocupação

9

39,13

Comerciante

8

34,78

Trabalhador da construção civil

4

17,39

Industriário

1

4,35

Auxiliar de escritório

1

4,35

Total

23

100,00

Fonte: PRÁXIS, Pesquisa dos estabelecimentos comerciais, Junho de 1997
A partir dos dados obtidos, é possível verificar que o público entrevistado situa-se, predominantemente, numa faixa da população cuja renda não ultrapassa a 5 salários mínimos. Destes, cerca de 48% possui renda igual ou inferior a 2 salários, sendo que uma parcela significativa declarou possuir mais de uma fonte de renda. Portanto, trata-se de público de baixa renda, que depende das atividades de comércio desenvolvidas na represa.
Vale dizer que as informações sobre a renda são, quase sempre, difíceis de serem obtidas corretamente através de pesquisas. Neste caso a dificuldade está associada à característica informal dos estabelecimentos. Essas atividades, em geral, são administradas com menor controle contábil, não dispondo, os proprietários, de dados precisos sobre o lucro obtido com a atividade e, além disso, como o levantamento estava sendo, indiretamente, encaminhado pelo setor público, pode ter ocorrido omissão de rendimento por parte dos entrevistados, devido ao receio do uso das informações para implantação de qualquer sistema de tributação.
Verificou-se que as atividades comerciais às margens da represa tiveram impulso recentemente, uma vez que cerca de 60% iniciaram suas atividades a menos de 4 anos, com grande incremento a partir de 1996 (Tabela 6.51). Os serviços oferecidos são aqueles ligados à venda de bebidas, salgados, churrascos e refeições. Geralmente possuem de 1 a 3 empregados mas geram empregos temporários nos períodos de maior freqüência de usuários.

Tabela 6.51 - Ano de instalação ou funcionamento das atividades



Bacia de Vargem das Flores

Período

Freqüência






%

87 a 90

5

22,72

91 a 93

4

18,18

94 a 95

5

22,72

96 a 97

8

36,36

Total

22

100,00

Fonte: PRÁXIS, Pesquisa dos estabelecimentos comerciais, Junho de 1997
As avaliações das características das edificações, a seguir, referem-se restritamente aos estabelecimentos permanentes, uma vez que o comércio ambulante usa veículos ou carrinhos de mão que não constituem uma edificação. Constatou-se que a maioria dos estabelecimentos possue instalações improvisadas: ou são estruturas de madeira construídas às margens da represa (43,48%), ou utilizam trailler como recinto comercial (30,43% dos pesquisados). Apenas 21,74% possuem instalações permanentes, ou seja, construções de alvenaria. Os dados sobre as características da edificação mostram que entre os 22 estabelecimentos considerados, 15 não possuem sanitários e 13 não dispõem de qualquer sistema de coleta de esgoto.
A água utilizada tem origem nas residências dos responsáveis pelos estabelecimentos (36,36%), ou é freqüentemente retirada das nascentes, poços ou cisternas próximas à represa para 10 dos entrevistados (45,45%). A iluminação utilizada é basicamente a de lampião em 12 estabelecimentos e apenas 6 utilizam a rede pública.
Quanto ao horário de funcionamento, 13 deles informaram que abrem regularmente no horário comercial mas verificou-se durante os trabalhos em campo que as atividades desses estabelecimentos são incrementadas, basicamente, nos finais de semana e feriados.
Do ponto de vista da edificação, a Tabela 6.52 apresenta alguns dados que confirmam a precariedade dos estabelecimentos situados nas margens da represa:
Cabe comentar que alguns dos estabelecimentos comerciais que funcionam em traillers apliaram o espaço usado para comércio com a colocação de estruturas externas, ocupando, atualmente, áreas muito superiores ao trailler propriamente dito. Com as ampliações, estes estabelecimentos passaram a dispor de espaços para a colocação de mesas de bar, especialmente nos períodos de maior freqüência de usuários. No levantamento desses estabelecimentos, as áreas externas foram consideradas e por isso apresentam informações sobre parede, piso e cobertura.
Apesar da precariedade dos comércios situados às margens da represa de Vargem das Flores, é interessante notar que 7 dos estabelecimentos pesquisados (31,82%) apresentam também uso residencial. Outra questão que merece destaque, diz respeito à distância dos estabelecimentos comerciais em relação à represa. A maioria situa-se a menos de 50 metros da água, o que certamente traz algum prejuízo à qualidade das águas da represa.

Tabela 6.52- Características Construtivas dos Estabelecimentos Comerciais



Bacia de Vargem das Flores

Sistema Construtivo

Freqüência

Material das paredes

Freqüência






%






%

Estrutura de madeira

6

27,27

Madeira

6

27,27

Alvenaria

5

22,73

Tijolo cerâmico/bloco

6

27,27

Mista

2

9,09

Outro (Trailler)

5

22,73

Trailler

7

31,82

Lona

2

9,09

Não respondeu

2

9,09

Não respondeu

3

13,64

Total

22

100,00

Total

22

100,00

Piso predominante




Cobertura




Terra batida

11

50,00

Laje/telha (barro/amianto)

11

50,00

Cimento/nata de cimento

8

36,36

Lona

8

36,36

Madeira

1

4,55

Outro

1

4,55

Misto

1

4,55

Não respondeu

2

9,09

Não respondeu

1

4,55

Total

22

100,00

Total

22

100,00










Fonte: PRÁXIS, Pesquisa dos estabelecimentos comerciais, Junho de 1997
Do ponto de vista legal, ou seja, alvarás de localização e funcionamento, a situação encontrada foi de irregularidade, como mostrado na Tabela 6.53.
Tabela 6.53 - Situação legal de junto á prefeitura municipal

Bacia de Vargem das Flores




Cadastrado

Freqüência

Procurou a prefeitura

Freqüência






%






%

Não é cadastrado

19

86,36

Não

12

54,54

Cadastrado em Betim

2

9,09

Sim

5

22,72

Cadastrado em Contagem

1

4,54

Foi procurado pela prefeitura

3

13,63










Não respondeu

2

9,09

Total

22

100,00

Total

22

100,00

Fonte: PRÁXIS, Pesquisa dos estabeecimentos comerciais, Junho de 1997
Entre os problemas mais citados pelos proprietários de estabelecimentos comerciais, destacam-se aqueles associados aos aspectos de infra-estrutura, serviços públicos e poluição.
Com relação à infra-estrutura, as principais questões levantadas estão relacionadas à falta de sanitários públicos (59,09%), de energia elétrica (54,54%) e de canalização de água e esgoto (36,36%). A ausência de policiamento foi citada por 45,45% e a inexistência de transporte coletivo por 27,27%.
O quesito da poluição foi apontado por 68,18% dos entrevistados, sendo este relacionado basicamente à sujeira nas margens ou dentro da represa.
Apesar da maioria dos entrevistados terem apontado algum tipo de problema, a grande maioria dos responsáveis pelos estabelecimentos também avalia que, de uma maneira geral, as condições de lazer são boas, percepção semelhante à encontrada entre os usuários da represa para lazer - apenas 14% demonstraram-se insatisfeitos .

Conforme os dados obtidos pela pesquisa, as principais sugestões do público pesquisado para solucionar os problemas são a realização de campanhas de conscientização ecológica (31,81%) e a instalação de lixeiras ao longo das margens da represa, citada por 31,81% dos entrevistados.


Entre as sugestões para melhorar a infra-estrutura, as mais citadas foram a instalação de banheiros públicos (22,72%) e a criação de áreas de estacionamento (9,09%).
Do total dos entrevistados, apenas 6% sugeriu a formação de uma associação de comerciantes com o intuito de buscar soluções para a represa. Com relação à contribuição que o entrevistado poderia dar para resolver alguns dos problemas, a maioria citou atividades tais como manter limpo os arredores dos estabelecimentos (54,54 %) e a participação em campanhas de conscientização dos usuários (18,18%).
Outra sugestão que merece destaque é a disposição dos entrevistados em pagar taxas em benefício do balneário, apontada por 9,09% do total.



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