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I
GREJA EPISCOPAL ANGLICANA DO BRASIL – IEAB


DIOCESE ANGLICANA DO RECIFE – DAR

Bispo Diocesano:

Revmo. Dom Sebastião Armando Gameleira Soares



sgameleira@gmail.com

Escritório Diocesano: Rua Coelho Leite, 57 Santo Amaro

CEP: 50100 – 140 Recife – PE



Secretário Diocesano: Izaias Torquato da Silva

anglicana.com@gmail.com

Telefone: 55 81 3421 1684 / 55 81 9169 7019




CARTA PASTORAL de Dom Sebastião Armando, por graça de Deus e eleição do povo, bispo da Igreja de Cristo nesta Diocese Anglicana do Recife, sobre O ESTADO E O FUTURO DA IGREJA, por ocasião da celebração da festa de Santo Agostinho, Arcebispo de Cantuária, aos vinte e seis dias do mês de Maio do Ano da Graça de Nosso Senhor Jesus Cristo de dois mil e oito
Ao clero e ao povo da Diocese

E a quem interessar possa,
Graça e Paz da parte de Deus e do Senhor Jesus Cristo

DAS RAÍZES BROTA UM RENOVO
Neste tempo, estamos “reiniciando” a Igreja Episcopal Anglicana do Brasil no Nordeste, com o sentimento de sermos pequenos e pobres, mas ao mesmo tempo frágeis e corajosos, entristecidos e generosos, perplexos e dispostos.

O fato é que arrancaram-nos os ramos, mas nos deixaram as raízes. Estamos parecendo com aquele “toco em terra seca” - imagem com que o profeta Isaías descrevia o povo de Deus. Mas guardamos a mesma esperança de que “das raízes possa brotar um renovo” (cf. Is 53, 2).

Não nos devemos surpreender, muito menos desanimar. A Igreja de Jesus não se mede pela quantidade de pessoas que a compõem, nem pelo dinheiro, por propriedades ou pelo prestígio mundano de que possa dispor. O Mestre já nos havia advertido: “Onde dois ou três estiverem reunidos em meu Nome, aí Eu estarei no meio deles”.

A Igreja de Jesus de Nazaré se mede pelo testemunho de fidelidade aos valores do Reinado de Deus e pela significação da presença de seus membros no seio da sociedade.

Onde houver água, Bíblia, Livro de Oração Comum, invocação do Espírito Santo, serviço, pão e vinho e pessoas em redor de uma mesa, aí se achará a Igreja Anglicana como comunidade reunida em torno do Crucificado que ressuscitou para permanecer sempre entre nós.

O que é necessário é que tenhamos a coragem e a generosidade de nos sentir discípulos e discípulas d’Ele e de sair pelo mundo a encarnar e anunciar a dignidade de todo ser humano, a solidariedade como única maneira humana de ser, a justiça como exigência para que a Vida seja possível para todas as pessoas.




A CAMINHADA SEGUE ADIANTE

Em outubro de 2006, o novo bispo diocesano foi instalado. Mas, por motivo de compromissos anteriormente assumidos com a Diocese Anglicana de Pelotas, onde estivera como bispo por mais de seis anos, só veio a residir no Recife a partir de dezembro daquele ano.

Naqueles dias foi imediatamente instalado o Escritório Diocesano, em sala generosamente cedida pelo Seminário Anglicano de Estudos Teológicos – SAET.

As prioridades eram: restabelecer relações de fraternidade e confiança, e reanimar as comunidades e as instâncias diocesanas.

O grande marco simbólico de novos tempos foi a conclusão e consagração do novo templo da Catedral, levantado exclusivamente com a contribuição dos membros da congregação, prova irrefutável da generosidade de nosso povo. Não se tratou, porém, simplesmente do santuário material. A Paróquia da Santíssima Trindade assume cada vez mais conscientemente seu papel de sede da cátedra do Bispo e de matriz de toda a Diocese. Durante todo o ano pudemos sentir ali o espaço de acolhida e o ponto de referência para todo o conjunto. Louvamos a Deus pelo testemunho e esforço de comunhão. O trabalho missionário prossegue mediante os movimentos evangelísticos e vai-se fortalecendo o esforço de dar consistência espiritual e teológica ao povo.

Com a ajuda da Oferta Unida de Gratidão – UTO da Igreja Episcopal (Estados Unidos), tivemos a possibilidade de comprar a sede própria do Ponto Missionário da Liberdade, em Jaboatão dos Guararapes, onde a grande novidade tem sido o trabalho de pastoral de juventude, agente precioso de formação, de animação e de divulgação da Igreja, e de relações ecumênicas. Ponto culminante do ano que passou foi, no Dia de Combate à Aids, o ato realizado com mais de setenta pessoas para possibilitar debate e esclarecimento sobre esse terrível flagelo.

Ainda com ajuda da Igreja Episcopal poderemos, ainda este ano, concluir as obras do templo da Paróquia das Boas-Novas, em Caaporã, na Paraíba.

Com a ajuda da Sociedade Unida para a Propagação do Evangelho – USPG, da Inglaterra, foi possível dar novo impulso ao trabalho no Agreste de Pernambuco, mantendo um casal missionário residente na Paróquia da Reconciliação, em Caruaru. O trabalho tomou novo ânimo na sede paroquial, vai-se formando o novo Ponto Missionário São Francisco de Assis em Lagedo, e vai surgindo nossa Igreja em Arcoverde.

Em Umbuzeiro, na divisa entre Pernambuco e Paraíba, a Missão do Monte Sião, mediante a generosidade de algumas pessoas, conseguiu adquirir um imóvel para sede. Com isso, a comunidade tomou novo ânimo, houve progressos significativos com uma metodologia pastoral mais participativa e a comunidade se sentiu capaz de assumir o trabalho de Escola Dominical, a música, a pastoral carcerária e a ação social da sopa comunitária.

Na área norte da Diocese, constituiu-se a “Área Pastoral Natal-Fortaleza”, possibilitando integração, troca de informações, partilha de experiências, encontros das pessoas. Em Caucaia, cidade da região metropolitana de Fortaleza, desenvolve-se um bonito trabalho de solidariedade com pessoas pobres, cuja motivação é entrar nas casas do povo para revelar as dores ocultas e o potencial de generosidade que precisa ser ativado entre os pobres. Com parte da verba enviada pela UTO foi possível comprar o terreno para sede do Ponto Missionário Mandacaru. Um ministro Pastoral de Natal visitou o trabalho em Fortaleza e uma comissão do Ceará foi a Natal para colaborar com sua experiência na missão da Paróquia Jesus de Nazaré. A Paróquia da Natividade segue seu curso.

Estivemos em São Luís do Maranhão em viagem missionária por vários dias. Estão surgindo dois grupos. Um parece mais voltado ao ambiente de classe média e o outro à classe popular. Todos dois com talentos musicais. Duas pequenas sementes que, com a graça de Deus, são a presença da IEAB no Maranhão. Várias pessoas de São Luís vieram ao Concílio e foram confirmadas ou recebidas na Igreja. Uma senhora já esteve presente recentemente no Encontro Diocesano de Mulheres, promovido pela UMEAB no Recife.

O Ponto Missionário Monte Sinai, em Setúbal, no Recife, passou por momentos de dificuldade. Passado o primeiro impacto, o pequeno grupo da congregação mostrou maturidade e perseverança no enfrentamento dos problemas, manteve o bom ânimo, elaborou o planejamento 2008 e tem prosseguido em sua vida, com nova liderança pastoral, sob a supervisão da Catedral.

No Cabo, região metropolitana do Recife, o Ponto Missionário Betel recebeu mais um ministro pastoral e tem realizado bom trabalho evangelístico.

Na Bahia, além da continuidade das paróquias do Bom Pastor, em Salvador, e de Cristo Salvador, na Ilha de Itaparica, desenvolve-se um ponto missionário no bairro de Periperi. Investe-se na liturgia, nas relações ecumênicas e na colaboração com instituições de formação teológica.

Em dezembro passado, iniciamos uma nova comunidade da IEAB em João Pessoa, capital do estado da Paraíba.

Em Russas, no Ceará, estamos recebendo uma comunidade inteira, junto com seu pastor local, o qual já esteve participando do Concílio em março último e foi recebido como membro pleno da Igreja.

Depois de tantas crises e até escândalos, e sabendo-se que lutamos desesperadamente em meio a inúmeras precariedades, é milagre de Deus que várias pessoas estejam sentindo-se atraídas pela perspectiva anglicana de vida cristã. Algumas dessas pessoas já foram oficialmente recebidas na Igreja. Outras, ainda não. Mesmo assim já estão tão integradas que se têm posto à disposição para colaborar em comunidades e em comissões diocesanas.

Como dizia no início, nossa tarefa é “reiniciar” a IEAB no Nordeste. As muitíssimas necessidades de nossa gente nordestina são o grande desafio que Deus nos chama a enfrentar na fé, na perseverança e na diuturna consagração ativa de nossas vidas a serviço do Reino de Cristo. Nossas inúmeras e graves precariedades, longe de nos desanimar, devem, ao contrário, estimular a esperança e fortalecer a solidariedade e mútua ajuda.


HORIZONTE DO FUTURO
Ao alargarmos o olhar ao horizonte do futuro, parece-nos que poderíamos sintetizar nossos sonhos com estas palavras: uma Igreja animada pelo Espírito Santo, fiel aos padrões anglicanos de adoração e, ao mesmo tempo, “carismática” em sua espiritualidade e expressão litúrgica; uma Igreja profunda no conhecimento da Palavra, mediante o estudo da Bíblia, e consciente de sua pertença à Comunhão Anglicana, Igreja Católica e Reformada; uma Igreja aberta, realmente comprometida com a sociedade e firme na luta pela restauração da justiça.

Para isto, creio que devemos estar bem conscientes de algumas perspectivas nas quais é preciso, particularmente, investir e que tento resumir nos seguintes pontos:


1. Avivar em todo o povo da Igreja o espírito e a visão da urgência missionária, sempre na moldura da missão integral da Igreja, tendo a diaconia sócio-política como dimensão essencial da evangelização, conforme as famosas “05 Marcas da Missão” da Comunhão Anglicana e os “Quatorze Referenciais da Missão na IEAB”;
2. Aprofundar entre nós, a começar do clero, uma espiritualidade e uma teologia anglicanas, alimentadas pela meditação e o estudo das Escrituras, pelo conhecimento da tradição anglicana compendiada no Livro de Oração Comum, e pelo “senso da realidade” que dirige nosso olhar para a sociedade e nos mobiliza a comprometer-nos com a ação social e política em favor da dignidade humana, da solidariedade e da justiça;

3. Ajudar todo o povo da Igreja a tomar consciência de nossa “responsabilidade cristã” ou “mordomia”, para percebermos que a consagração batismal e a confirmação nos comprometem com a obra de Deus, exigindo dedicação de tempo, talentos e tesouros, para a manutenção da Igreja, o socorro das pessoas mais necessitadas e o cuidado com toda a criação. Nosso compromisso tem de tomar corpo na contribuição financeira regular mensal, dever de todo membro confirmado, expressão de gratidão pelas bênçãos recebidas e tendo sempre como referência o preceito bíblico do dízimo;


4. Entre nós do clero é urgente fortalecer o “espírito de corpo”, mediante o consciente e dedicado esforço de reconstruir relações de confiança, amizade, colaboração e partilha, de tal modo que novas relações sejam testemunhos animadores para o povo e facilitem a reconstrução das instituições diocesanas. Não basta pensar “eu esperava que nesta nova fase...”, é preciso perguntar-nos, honesta e generosamente, “o que eu posso e verdadeiramente estou fazendo para que essa nova fase aconteça”;
5. Por razões teológicas e pelas condições reais da Diocese, é muito importante aprofundar uma espiritualidade “secular” do clero, de tal forma que nos sintamos “sacerdotes” em todos os momentos da vida (família, profissão, relações na sociedade e atuação pública, relações no interior da Igreja), como é a condição de todas as pessoas batizadas, e não só “sacerdotes” em tarefas especificamente “religiosas”. Nosso ministério tem de adquirir sempre mais as feições de ministério profético e missionário, como é, aliás, a perspectiva do Novo Testamento. Ousaria indicar alguns elementos que seriam como fundamentos dessa espiritualidade “secular”: a disciplina diária da oração, como exercício de renovação consciente de nossa consagração; a freqüente meditação e o estudo das Santas Escrituras; a coerência entre a opção pelo ministério de Cristo e o estilo de vida familiar (amor e sobriedade de vida) e profissional (competência e honestidade); a coerência entre a adesão aos valores do Evangelho e o projeto político que se adota (objetivos estratégicos, partidos e outras organizações da sociedade); viva consciência missionária, de tal forma que não baste “estar em missão” ou “fazer missão”, mas “ser em missão”, à semelhança de Jesus, o qual, conforme o Evangelho segundo São João, tem seu próprio ser definido como “ser enviado” do Pai; coração pastoral, que se expresse em atitude permanente de compaixão por todos os seres humanos e de cuidado por todas as coisas do universo; trabalho em equipe, como exercício e testemunho concretos de amor e de comunhão, pela inspiração da fé no Deus que é radical e eterna relação de comunhão;
6. Por sua própria natureza e pelas necessidades que enfrentamos, é preciso dar ao ministério pastoral cada vez mais forma colegial e participativa de exercício, cada qual colaborando com seus talentos e sua disponibilidade de tempo. Isso se concretiza por um esforço consciente de trabalho em equipe e em articulação, inclusive com as lideranças leigas, identificando-as de acordo com seus dons, e com elas partilhando a reflexão, a decisão e a execução das tarefas da ação pastoral, missionária e social. Naturalmente, as lideranças leigas esperam do clero cuidado especial em capacitá-las espiritualmente, em fazê-las crescer em conhecimento teológico, em mais profunda percepção da realidade social e em aptidão metodológica, incluindo-se aí a mentalidade de planejamento e de avaliação permanentes. Essa será a maneira concreta de realizar o que para nós é teologicamente tão importante, o sacerdócio comum de todo o povo crente, antídoto para salvar a Igreja de cair sob o domínio do clericalismo;
7. Finalmente, Anglicanismo não é a “casa do vale tudo”, onde o respeito à liberdade conceda a cada qual o direito burguês de fazer o que individualmente acha que lhe convém. Se fosse assim, trairíamos o Evangelho de Jesus (cf. 1Cor 10, 23-24; Gl 5). Decerto, a Igreja não se caracteriza pela LEI, mas pela pedagogia da GRAÇA. “Fostes chamados para serdes livres; que essa liberdade, porém, não se torne desculpa para viverdes satisfazendo os instintos egoístas. Pelo contrário, colocai-vos a serviço uns dos outros mediante o amor” (Gl 5, 13). A liberdade do amor não nos é dada para ficar mesquinhamente aquém da Lei, mas generosamente muito para além dela. Só vale a pena o Anglicanismo e só seremos no mundo testemunhas da santidade de Deus, sal e luz, se formos a Igreja que se deixe guiar pelo Espírito, onde se produza “o fruto do Espírito” (cf. Gl 5, 22-26); só se nos submetermos a pagar o preço do discipulado da “graça preciosa”, como nos exortava o grande mártir luterano, vítima do nazismo, Dietrich Bonhöffer, graça que nos move a empreender a íngreme “escalada das subidas” de uma experiência exigente e interminável cujo topo é a assimilação mística ao próprio Deus. Qualquer sentimento de auto-satisfação, de superioridade espiritual, de individualismo, enfim, só denota que estamos no desvio do caminho da santidade, pois o dom de Deus nos move a viver um processo sem fim de experiência da graça, a qual, por sua vez, transborda em gratidão e em gratuidade que é tornar-se graça para outrem. No Anglicanismo, trata-se de sentir-se chamado(a) a ir sempre e cada vez mais além da LEI, do mínimo obrigatório, e assimilar o ritmo de superabundância próprio do regime da GRAÇA sem medida (cf. Jo 1, 16-18). Anglicanismo, Igreja marcada pela inclusividade e compreensividade, é Igreja chamada à santidade, não a submeter-se ao moralismo da LEI, mas a assumir o risco, o custo, até heróico, da divina decisão de amar – o heroísmo
da santidade – à imitação de Deus que assume todos os riscos, até o extremo de dar o Seu próprio Filho, em Jesus de Nazaré (cf. Jo 3, 16; Fl 2, 1-11). Anglicanismo é chamado à santidade na liberdade.
CONCLUSÃO E INVOCAÇÃO DA BÊNÇÃO DE DEUS
Queridos irmãos, queridas irmãs, continuemos firmes! Nossa coragem e perseverança nos vêm do Espírito Santo. Deus nos tem ajudado até aqui, continuará conosco, como luz em nossos caminhos e energia a potenciar nossas fraquezas. Não temos o que temer, Ele é a fonte da nossa alegria. Lembro-me de famosa frase de Dom Helder Camara: “Quanto mais os problemas se avolumam, aí é que os desafios se fazem apaixonantes”. Como nos diz o profeta Zacarias, “somos cativos da esperança”.

Recife, 26 de Maio de 2008

Festa de Santo Agostinho, Arcebispo de Cantuária

+ Sebastião Armando, Recife



Bispo Diocesano




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