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III Encontro da ANPPAS

23 a 26 de maio de 2006.

Brasília-DF
História e patrimônio cultural de Pilar- AL: perspectivas para sustentabilidade do desenvolvimento local.
Geisa BraynerRamalho – arquiteta, MSc PRODEMA/UFAL;

Dra. Paula Yone Stroh. – socióloga, Dra. PRODEMA /UFAL.


O trabalho investiga as relações entre a revalorização dos patrimônios cultural – material e imaterial – e natural do município de Pilar –AL e as políticas públicas para o desenvolvimento local sustentável. O território guarda relevante papel na história social e econômica do estado de Alagoas, pela singularidade do patrimônio cultural e natural que caracterizou o lugar e conferiu aos que lhe pertencem, uma identidade cultural própria. Situado às margens da lagoa Manguaba, uma das duas lagoas que junto com os canais compõem o Complexo Estuarino Lagunar Mundaú-Manguaba –CELMM, a história de Pilar remonta ao do século XVII. No decurso do século XIX o lugar viveu expressivo crescimento econômico e cultural, centrado no sistema de produção e comércio do açúcar, o elemento impulsionador da formação urbana. No primeiro período republicano o lugar entrou em decadência chegando, atualmente, à condição de letargia econômica e agudas pressões contra os patrimônios cultural e natural. O trabalho investiga os elementos potencialmente indutores de novas perspectivas para o desenvolvimento sustentável local, contidas no patrimônio ecológico e o patrimônio cultural – material e imaterial de Pilar.

Introdução
Estudar uma cidade é um desafio que exige, no mínimo, a reconstituição dos passos de sua formação histórica e de seu desenvolvimento humano; o "percurso" dos caminhos da sua configuração natural e organização espacial; a "intromissão" no seu cotidiano para compreendê-la como locus de uma construção social e cultural. Esses desafios sinalizaram a pesquisa na cidade de Pilar - localizada no litoral centro do Estado de Alagoas, com o objetivo de investigar as concepções e os princípios mais aptos para um programa estratégico de desenvolvimento para o município de Pilar, embasados na dimensão cultural da sustentabilidade do desenvolvimento, a partir da identificação dos recursos que constituem o patrimônio cultural e ambiental do município e das potencialidades endógenas contidas em sua (re)valorização.

A pesquisa inscreve-se como uma contribuição em favor da valorização e recuperação do patrimônio cultural e natural de Pilar, com base no resgate dos significados sociais, como caminho para a sustentabilidade do desenvolvimento do município. A imaterialidade da memória, da identidade e do valor não cabem em fórmulas prontas. É indispensável exortar que só a efetiva formação de sujeitos sociais plenos, capazes de intervir e interagir nos rumos das políticas que lhes concernem, dos governos e das relações da sociedade, é capaz de solidificar o sentido de valor, propriedade e transmissão intergeracional do patrimônio natural e cultural, neste caso particular, de Pilar, como o esteio à sua perenidade e sustentabilidade.

A idéia de sustentabilidade do desenvolvimento vem penetrando nas consciências sociais em escala planetária, através das próprias denuncias da insustentabilidade do modelo civilizacional fundado nos valores e "humores do mercado, do domínio da natureza e do progresso material como núcleo da vida humana, do crescimento tecnoeconômico como finalidade última do desenvolvimento. Do interior da profunda crise civilizacional, emergiram os elementos de reflexão e revisão desses princípios (desse desenvolvimento), que tiveram como fim o desenvolvimento do Humano e da Humanidade, assentado nos pilares da sustentabilidade. Desse modo, a cultura inseriu-se como a dimensão capaz de promover a interação entre o indivíduo e o seu meio social e natural, tornando-se um elemento estratégico no processo de planejamento do desenvolvimento (DUPUIS, OP.CIT.). Pesta é a base do entendimento integrado do patrimônio natural no qual está abrigado o município de Pilar, tendo por hipótese de que nele está o sustentáculo do arcabouço social e cultural do lugar.
Ecossistema e História de Pilar
O município de Pilar, ocupado por 221,6 km², está situado precisamente na parte centro litorânea do Estado de Alagoas, limitado ao norte com os municípios de Atalaia e Rio Largo, ao sul com Marechal Deodoro e São Miguel dos Campos, à leste com a lagoa Manguaba e o município de Santa Luzia do Norte e a oeste com os municípios de Boca da Mata e Atalaia. O ecossistema que abriga o município de Pilar corresponde ao Complexo Estuarino Lagunar Mundaú-Manguaba – CELMM, um dos complexos ecológicos mais importantes do Estado de Alagoas. Em sua extensão, o CELMM banha seis municípios do litoral alagoano: Maceió, Satuba, Coqueiro Seco, Santa Luzia do Norte, Marechal Deodoro e Pilar. Os quatro primeiros municípios localizam-se em torno da lagoa Mundaú e, apenas os municípios de Marechal Deodoro e Pilar, são banhados pela lagoa Manguaba, com uma hidrografia caracterizada por grande variedade e composição de rios e estuários.

Segundo o biólogo José Geraldo Marques, ao CELMM aplica-se o conceito de ecocomplexo ( proposto por Blandin & Lamotte, 1988) "pela existência de um nível de integração superior ao de ecossistema, o qual, sendo um conjunto de ecossistemas interativos - naturais ou modificados - tem história ecológica e humana comum e apresenta uma propriedade emergente"(Marques,1991,p.27). Este ecocomplexo é formado por três ecossistemas aquáticos principais - i)o flúvio-lagunar e suas interações rios-lagunas; ii) a laguna central e iii) os canais e suas interações estuário-mar - além de manguezal, rio, recife coralino, cerrado, mata tropical, restinga, planície inundável, dunas e ecossistema urbano (Idem).

De acordo com Feitosa, a cobertura vegetal desta área se insere em duas regiões fitogeográficas do Brasil, consideradas de grande importância: a da Mata Pluvial Tropical e a da Vegetação Litorânea. Na primeira estão situadas as encostas e os topos dos tabuleiros; na segunda, encontra-se a planície litorânea. Em ambas, a vegetação natural se apresenta de forma variada, onde se reconhecem as formações edáficas, formações higrófilas e hidrófilas, formações climáticas e formações relictuais. Nesta região predominou, originariamente, a vegetação de formação climática, caracterizada pela floresta ombrófila aluvial (mata de várzea) e pela floresta subperenefólia dos tabuleiros costeiros. As matas de várzea, formadas por árvores de porte médio e aspecto denso, vêm sendo, desde o século XVII, substituídas pela cana-de-açúcar, pelos pastos e, em período mais recente, pelos coqueirais consorciados com as culturas de subsistência. São raros os locais onde se encontra a mata original ou pouco modificada, sendo, predominantemente, “nas pequenas planícies aluviais dos rios Mundaú, Paraíba do Meio, Sumaúma Grande, do Giz, dos Remédios e nos riachos Congaçari e Estiva que cortam os tabuleiros, bem como nas encostas da lagoa Manguaba”(Feitosa, p.90).

Os engenhos implantados desde o fim do século XVI na região das lagoas – especialmente a Manguaba – assim como as modernas usinas levantadas no vale dos rios Paraíba do Meio e Mundaú, a partir do século XX, foram responsáveis pela derrubada das florestas e destruição de sua fauna, pela redução dos ecossistemas, pela poluição dos rios por resíduos agrícolas e industriais. A evolução dos processos de produção da indústria e da agricultura, ao tempo em que elevaram os índices de produtividade, têm significado via de regra, o aumento da degradação do meio ambiente, exacerbada nos últimos 20 anos (Ramalho, 1984).Hoje, a Mata Atlântica está reduzida a alguns mosaicos encontrados nos pequenos, ravinas e bordas dos tabuleiros litorâneos. No município de Pilar, encontram-se ainda alguns trechos de densidade contínua de vegetação remanescente da Mata Atlântica

Por tratar-se de um ecocomplexo onde os diversos ambientes e sub-ambientes interagem, a região do CELMM revela uma excepcional produtividade biológica que tem na presença da água, a característica fundamental da existência de fauna e flora tão diversificada. Os estuários, "são reconhecidos como um dos ambientes mais produtivos da natureza(..) sendo áreas de criação de inúmeras espécies de peixes, moluscos e crustáceos" em razão da alta produtividade primária líquida, para a qual contribuem as comunidades fitoplantônicas e periféricas, as macrófitas e os manguezais (NORMANDE,2000,p.18).Tal produtividade depende de condições ambientais tais como: penetração de luz, precipitação e escoamento superficial, decomposição da matéria orgânica produzida pelos próprios ambientes (estuário), liberação de nutrientes pelo sedimento, temperatura e salinidade, além de um intenso fluxo de materiais com o oceano adjacente, no caso dos estuários. (BINI apud NORMANDE, op.cit.).

Se, por um lado, estas são zonas de uma excepcional diversidade física e produtividade biológica, por outro, são ecossistemas dotados de uma extrema sensibilidade, exigem um especial esforço de proteção e preservação. Não é o que vem acontecendo com o CELMM, pois nele, .direta ou indiretamente, cerca de 280 mil pessoas sobrevivem da extração desordenada dos seus recursos naturais, das quais, aproximadamente 170 mil se dedicam à pesca, 110 mil às atividades agrícolas - quer nas lavouras de subsistência temporária ( milho, mandioca e feijão ) quer nas permanentes (banana, laranja, coco e manga) - além dos que se ocupam do plantio da cana-de-açúcar, nas encostas dos tabuleiros (FEITOSA, op.cit.).

A lagoa Manguaba é, de longe, o mais forte elemento de identificação dos moradores com o lugar, dado que o CELMM, de forma geral e a Manguaba em particular, se constituem os pilares da existência do município e seus habitantes.

Punjança e decadência de Pilar

O município de Pilar viveu uma intensa vida econômica, no decurso do século XIX. Surgido de um engenho, instalado no século XVII às margens da lagoa Manguaba, foi terra de plantio de cana e produção de açúcar. A localização privilegiada, à desembocadura do rio Paraíba do Meio, por onde escoava a produção daquele vale, propiciou um intenso progresso comercial. A ocupação das margens dos canais e lagoas do CELMM, remonta ao final do XVI e primórdios do XVII, quando nas sesmarias concedidas pela Coroa portuguesa, foram assentados os engenhos e fazendas que deram origem aos atuais municípios. na margem direita da Alagoa do Sul, fundou-se a vila de Santa Maria Madalena ( hoje Marechal Deodoro) e, nas proximidades da foz do rio Paraíba do Meio, vários engenhos de açúcar como o Mijavéia, o Engenho Novo e o Velho, levantados nas terras que viriam a ser o município de Pilar (COSTA,1928).



A exemplo de outras localidades brasileiras, o crescimento do núcleo urbano de Pilar tomou impulso na segunda metade do XIX, durante o reinado de D. Pedro II, na segunda metade do século XIX, a vitalidade do comércio e da vida cultural de Pilar rivalizava com Alagoas (hoje, Marechal Deodoro) e Maceió (APRATTO, 1979). O crescimento econômico não apenas foi razão do destaque do município no contexto da Província de Alagoas, como também, a mola propulsora do seu desenvolvimento urbano e cultural. O primeiro censo demográfico realizado pela República, em 1890, registra a população de 13.348 habitantes, da qual, 44% residia na área urbana, onde belos sobrados, casarões e igrejas compunham o acervo arquitetônico; colégios de instrução primária e secundária, biblioteca pública, sociedades literárias, musicais e teatrais, imprensa atuante, davam suporte à vida intelectual e cultural e, a produção de açúcar de vinte e sete engenhos e a existência de cinco fábricas - uma das quais de tecidos - comprovavam a expansão econômica do município.

Em 1873, o Almanak Administrativo da Província descrevia Pilar com cidade "cuja população de 4.185 almas1 contava com 837 fogos - 10 sobrados, 389 casas de telha e 448 de palha - inclusive a chão da ladeira, que tinha 165 fogos - 8 casas de telha e 157 de palha; tem ela 3 trapiches; a Matriz está em construção, a freguesia de N.S.do Rosário serve como matriz, tem uma capela dedicada a São Benedito, e na Chã, um nicho de N.S. da Graça; tem mais ainda: uma mesa de rendas gerais e outra de rendas provinciais, uma estação telegráfica e 4 cadeiras de primeiras letras, duas para cada sexo; possuía quatorze ruas, cinco travessas e duas praças, estando nas suas terras assentados nove engenhos de açúcar"(ALMANAK,1873,p 42). Em número do Almanak de 1875, novos dados atestavam o crescimento em curso: havia dezoito lojas de fazendas, quinze armazéns de secos e molhados, quatro lojas de ferragens e três padarias. A cidade contava com um médico e o número de engenhos na redondeza subira para doze. Três anos depois, o Almanak Administrativo da Província (1878) já registrava em Pilar, o aumento do número de ruas para vinte. Crescera, também, o número de profissionais liberais instalados na cidade. Existiam dois médicos, seis professores das primeiras letras e três de música, sete exportadores, três alfaiates, dois relojoeiros, quatro ourives, cinco marceneiros, dois seleiros, cinco pedreiros, cinco sapateiros e quatro funileiros. Aumentara o número de lojas de fazendas para vinte e uma, e de padarias, para cinco. Os trapiches passaram ao número de cinco e os viajantes já dispunham de dois hotéis. Os engenhos de açúcar tinham aumentado para dezenove. Os registros de 1878 indicavam um crescimento significativo da população e do núcleo urbano, permitindo conjecturar-se que também em Pilar, tivera impulso a urbanização que transformara outros centros do Império, no último quartel do século.

É possível assegurar que o processo cultural de Pilar começou a tomar corpo a partir deste período, construído na interação entre o "erudito" e o "popular" Falar em "erudito", não significa dizer que existisse na cidade uma produção cultural digna de ser considerada como tal, mas sim, que no espaço da elite econômica local, formara-se um ambiente cultural diferenciado (LINDOSO,1981). Composto pelos membros da aristocracia rural açucareira e pelos ricos comerciantes, o meio literário, artístico e musical de Pilar - considerado um dos mais férteis da Província - buscava aparentar nessa erudição, o modelo de urbanidade que a todos orgulhava.

A efervescência desse ambiente cultural "erudito"2 da cidade atestava-se pelo número de agremiações ligadas às artes, à música, ao teatro e às letras. Em 1874 inaugurava-se no salão da Sociedade Juventude Pilarense uma biblioteca pública , cuja organização estivera a cargo de uma comissão de figuras da sociedade local e, para a qual, os comerciantes haviam contribuído com donatários e com livros. O Instituto Archeológico e Geográfico de Alagoas doara os dois primeiros números da sua revista e o governador da Província, Pedro Paulino da Fonseca, oferecera cento e vinte e dois volumes para compor o acervo (JORNAL DO PILAR,1874). A Sociedade Dançante Recreio da Juventude, a Sociedade Dramática Fênix Pilarense, as sociedades musicais Filarmônica Artística, União Musical e Euterpe Pilarense e a Sociedade Dramática Particular Pilarense, formavam um ativo grupo de entidades culturais dedicada, à produção literária, ao estudo e ao ensino da música e do teatro e ao divertimento (SANT'ANNA,1959).

Além dessas, a Sociedade Fraternidade e Instrução dos Caixeiros de Pilar, fundada em vinte de julho de 1884 pelo comerciante português Pedro da Motta Lima, agregava os profissionais do comércio em torno de atividades culturais e recreativas. Em sua sede, além de existir uma razoável biblioteca3, funcionava um curso de língua portuguesa ( Ibid ). As Sociedades como a dos caixeiros-viajantes, dos artistas e dos literatas, se organizaram na Província de Alagoas, como alternativa mais democrática aos clubes das elites oligárquicas, cujo acesso era muito difícil, para os não nascidos naquela classe social. "(..) somente entravam naquelas recantos aristocráticos e abastados, senhores de engenho, ricos proprietários rurais, ricos comerciantes, doutores (...)"(APRATTO, op.cit.,p30).

A Fraternidade, como é chamada até hoje, desempenhou um papel de grande importância na sociedade pilarense, no oferecimento de serviços sociais e agregadora dos interesses dos seus associados. Até os dias atuais, reúne um pequeno mas fidelíssimo número de sócios (não exclusivos do meio comerciário), mantém duas escolas (com resumido subsídio da Prefeitura Municipal ) e acolhe a Filarmônica Arthur Ramos, único grupo musical desta natureza, existente na cidade.

A freada na expansão, nas primeiras décadas do século XX, demarca o início da decadência de Pilar, que apesar da instalação de uma usina e de outras pequenas unidades fabris no município por volta dos anos 30, não recuperou o vigor econômico anterior. Arrastando-se economicamente, o município chega aos anos 80, na convivência com o declínio do setor sucro-alcooleiro, o fechamento das fábricas e o desmantelamento do comércio. Segundo os historiadores (COSTA, 1930; APRATTO, 1979; DIÉGUES JUNIOR,1980), vários fatores incidiram sobre o processo de falência do município, o qual, perdendo o seu antigo papel de indutor do desenvolvimento local, assinou a condenação da população à pobreza.

Também por essa época, a cultura das camadas populares começou a se infiltrar, aos poucos, no cotidiano da cidade de Pilar. Extrapolando o seu originário ambiente dos engenhos, as danças e brincadeiras populares, sobretudo as do ciclo natalino, foram sendo bem aceitas nas festas da elite pilarense, findando por estreitar as fronteiras entre a elite e o povo e, entre o que se considerava erudito e popular . É esse, também, o período em que um restrito grupo de estudiosos alagoanos começa a "descobrir" a cultura popular alagoana, que recebeu dos elementos branco e negro suas mais importantes contribuições, tanto no que se constituiu o patrimônio material, como no que veio a representar o patrimônio imaterial.

No entanto, o número significativo de fábricas de açúcar em Pilar , não escondia a crise que atingira fortemente o setor açucareiro alagoano desde a abolição da escravatura. Como todos os agricultores brasileiros, os senhores de engenho de Pilar haviam sustentado a produção de açúcar com o trabalho escravo, não assimilando, portanto, nem o trabalho livre nem os métodos mais eficientes de plantio e fabricação, motivos que os levara a recusar as propostas do Governo Imperial de implantar engenhos centrais naquela região.

A idéia dos engenhos centrais era uma tentativa de renovar a agroindústria açucareira do Nordeste, onde ainda predominava o sistema de bangüês (muitos movidos a animal), razão da inferior qualidade do açúcar brasileiro em comparação ao das Antilhas, e por conseguinte, da dificuldade na disputa do mercado internacional. Os engenhos centrais previam a separação da atividade agrícola da industrial, ficando a produção do açúcar a cargo dessas modernas indústrias e o plantio de cana, sob a responsabilidade dos antigos bangüezeiros (ANDRADE,1997). No bojo da discussão sobre o novo sistema e na perspectiva de implantá-lo em Alagoas, o governo da província determinou por lei, em 1875, a contratação de três engenhos centrais, definindo as áreas para a viabilização: em Atalaia, na região norte , entre Camaragibe ou Porto Calvo e na região das lagoas, próximo à Maceió. Ressaltava que Pilar se encontrava entre os municípios que ofereciam as melhores condições para a instalação de uma das indústrias (DIÉGUES JR.,op.cit).

Os anos da República Velha testemunharam a progressiva decadência do Pilar, cuja origem se encontrava nas profundas disputas entre as oligarquias da região - em torno dos benefícios provenientes das ações governamentais que beneficiassem os seus latifúndios e lhes assegurassem no poder - assim como na política adotada pelo governo federal, de pouco investimento para a região Nordeste, como estratégia de isolamento daquele antigo centro de poder. "A posse da terra em Alagoas sempre foi um forte instrumento de poder (...) as elites estaduais podem assumir interesses específicos e suas relações com o poder político regional e nacional se dão no sentido de garantir a preservação dos seus privilégios (LIRA,1997 p.21/22).


Decadência econômica e dilapidação patrimonial

Associada ao declínio econômico e ao empobrecimento urbano, a decadência cultural de Pilar se traduziu na perda gradativa dos símbolos do patrimônio material e imaterial, tanto pelo abandono da população quanto pelo desinteresse do poder público na sua preservação. As agressões impostas ao meio ambiente - exacerbadas nas duas últimas décadas do século passado - não sensibilizaram a população, nem a administração municipal, razão do comprometimento do imenso patrimônio ali representado. Pilar chegou à última década do século XX, portanto um desolável quadro de letargia econômica e social. Sem embargo, a herança patrimonial de Pilar ainda está presente, tanto sob a forma das belezas naturais da região e da lagoa Manguaba, quanto pelo que restou do acervo arquitetônico e das manifestações culturais, que resistem às pressões da indústria cultural de massa.

Ao declínio econômico e à pobreza da população associou-se a decadência cultural do lugar, que foi perdendo, paulatinamente, os símbolos do patrimônio material e imaterial ,que afirmaram a sua identidade e de seus habitantes. Num cenário de incertezas onde a luta diária se dava em torno da sobrevivência, a população se distanciou da salvaguarda dos seus bens culturais, a começar pelos elementos do patrimônio material. Arruinou-se o belo acervo de arquitetura civil; o artesanato de couro, os artefatos de pesca e os santos de madeira deixaram de ser uma herança transmitida às gerações; as publicações desapareceram , com a saída dos seus responsáveis para outros centros. A natureza, vítima de um intenso processo de agressão, sofreu com a derrubada das suas matas, com o desaparecimento de parte das suas fauna e flora aquáticas, com a contaminação das águas da lagoa Manguaba, elemento-símbolo nas relações da população de Pilar. Decadência que testemunha, não apenas, a ausência do poder público nos investimentos para a manutenção dos bens culturais mas, sobretudo, a cisão do relacionamento da comunidade com os seus próprios valores, renegados diante da necessidade de sobreviver.

Silenciosamente também foram desaparecendo símbolos do patrimônio imaterial. Silenciou o Guerreiro de Joana Gajuru e de Artur Bozó; os Pastoris e as Baianas de Das Dores Braúna não foram mais dançados; a Chegança do Mestre Bumba, também não foi mais encenada. A festa de Natal na Praça da Matriz, foi minguando, sem os folguedos que ali se apresentavam e sem a participação da população, que comungava naquele espaço tradicional, a alegria da festa. As brincadeiras de rua e as cantigas de roda, assim como tantas expressões da cultura local, foram sendo substituídas por outras mais em moda. As razões do desaparecimento das manifestações do patrimônio imaterial não eram as mesmas do patrimônio material. Sendo mais frágil e, por conseqüência, mais susceptível às influências, o patrimônio imaterial foi sucumbindo às interferências globais que favoreceram o consumo de novos valores, costumes, produtos e expressões, numa ameaça à cultura e à identidade locais. Ao ingressar na última década do século XX, Pilar apresentava um quadro tão forte de desequilíbrio econômico, ambiental e cultural, que a cidade fragilizara o seu estado de espírito4 e perdera o sentido da construção social donde nasceram os símbolos identitários que lhe deram um caráter próprio e, aos seus cidadãos, o senso de pertença ao lugar.


Cultura e sustentabilidade do desenvolvimento
Desde a década de 1960, vêm se esboçando, em âmbito mundial novas concepções científicas de revisão das noções-chave que ampararam o desenvolvimento da modernidade ocidental. Compondo um elenco diferenciado entre si, muitos intelectuais internacionalmente notabilizados vêm tentando descobrir os caminhos viáveis para enfrentar os complexos desafios sociais e ambientais colocados à sociedade contemporânea. Neste palco, ganha lugar a compreensão de que o desenvolvimento corresponde a um processo integrado das dimensões sociais, econômicas ecológicas, culturais institucionais e políticas, conforme consagrado na noção de desenvolvimento sustentável (SACHS, 1993). Não sendo, apenas, um elemento complementar à racionalidade tecnoeconômica, o princípio da sustentabilidade inverte a própria ordem de prioridade dos pilares conceituais da lógica do desenvolvimento, ao fundar-se sobre os eixos da endogenia e da ética da solidariedade (STROH, 2002).

Nesse novo princípio de desenvolvimento humano integrado, a cultura ocupa lugar central, nas análises críticas a respeito dos rumos da economia globalizada (DUPUIS, 1991). Ancorada na tecnologia da informática, a revolução em curso impõe-se como modelo de um novo ciclo de ocidentalização social, econômica, política e cultural do mundo, numa perspectiva de padronização de indivíduos e agrupamentos humanos. Comandado pelos interesses do mercado, o célere processo de globalização vêm presidindo mudanças profundas no seio das sociedades contemporâneas, cujos modos de vida e identidades culturais são marcados pela homogeneização, padronização dos modos de ser. Emerge do interior deste processo a preocupação social com a crescente estandartização da cultura, desencadeando novas reflexões sobre o seu papel constitutivo e sobre a importância da diversidade sociocultural como chaves do desenvolvimento endógeno. Reafirma-se o valor da cultura na construção de um desenvolvimento sustentável, cujos princípios respeitam as inter-relações das diferenças e das identidades culturais em cada porção do planeta.

O sentido da palavra cultura associado ao progresso, evolução, educação e razão, traduziu o legado humanista da filosofia iluminista, refletindo o pensamento de uma época confiante no futuro inabalável do homem civilizado. A noção contemporânea de cultura é marcadamente polisêmica, adotando-se, aqui, uma noção aproximada das definições de Michel de Certeau e por Edgar Morin, segundo a qual a cultura é compreendida como o fruto dos conhecimentos adquiridos, dos saberes e dos fazeres apreendidos, das experiências vividas, da memória histórica, das crenças de uma sociedade, organizados através do veículo cognitivo da linguagem , por meio do qual são instituídos os valores, as regras e as normas que ordenam a sociedade e governam os comportamentos individuais5. Ambos os pensadores deixam claro que o caráter ambíguo que acompanha a noção de cultura, não diminui o seu valor de referência nas sociedades humanas. Pelo contrário, somente através da cultura os homens se reconhecem e definem as suas relações com o espaço, com o tempo, consigo mesmo e, com as estruturas sociais que os envolvem e às quais pertencem, conferindo, assim, sentido a existência e ao desenvolvimento de si próprio e do seu meio social e natural.

As dissociações entre cultura e desenvolvimento só se converteram em problema, quando os custos sociais e culturais do progresso econômico e tecnológico, desvendaram à comunidade internacional os conflitos que sempre existiram entre progresso e culturas diferenciadas. No modo de produção capitalista consolidou-se o domínio da civilização industrializada européia sobre nações cujas heranças histórico-culturais ancestrais foram subjugadas pelo desenvolvimento científico, tecnológico e industrial, interessado em matéria-prima, em mão-de-obra e em mercado consumidor . No bloco socialista, a extensão do totalitarismo comunista (após a Segunda Guerra Mundial) aos países do leste europeu, solapou as diferenças culturais milenares que configuravam riqueza étnica dos Balcãs. Nos dois casos, a prerrogativa de “amordaçar” a expressão cultural dos povos dominados, foi parte de um processo ideológico que visava tornar inócuo aquilo que as sociedades humanas têm de mais caro: a sua cultura.

A tomada de consciência do poder destrutivo alcançado pelo ocidente moderno, trouxe a resignificação do papel central da cultura, na relação entre sociedade e desenvolvimento. É nesta perspectiva que têm lugar, nos anos 70 e 80, as várias conferências intergovernamentais sobre políticas culturais promovidas pela UNESCO, dentre as quais a de 1982, no México - MUNDIACULT - onde se tratou pela primeira vez dos elos entre as duas concepções, entrepondo-lhes a dimensão cultural como prerrogativa básica do desenvolvimento (MUNDIACULT, 1982). Desta reflexão, emergiram novos conceitos de cultura, de desenvolvimento e de dimensão cultural do desenvolvimento. A cultura, agora entendida como " o conjunto de traços distintivos, espirituais e materiais, intelectuais e afetivos, que caracterizam uma sociedade ou um grupo social, englobando, além das artes e das letras, os modos de vida, os direitos fundamentais do ser humano, os sistemas de valores, as tradições e as crenças" ( IBID )

A noção de desenvolvimento, por sua vez, começa a ser entendida como "um processo global e multidimensional, que ultrapassa o puro crescimento econômico para integrar todas as dimensões da vida e todas as energias de uma sociedade, cujos membros devem participar do esforço de transformação econômica e social, bem como dos benefícios resultantes, devendo repousar sobre a vontade de cada sociedade e exprimir sua identidade profunda" (IBID) estavam implícitos a atenção aos processos de transformações sociais, à dinâmica cultural e à perspectiva de inter-relação entre eles. "É através da cultura que o homem manifesta a sua igualdade com todos os outros seres, ao se comunicar, ao dar à vida um sentido e uma densidade que fazem dela outra coisa que, não somente, um percurso em direção à morte" ( SANCHEZ,1994,p.12 ). A afirmação da dimensão cultural do desenvolvimento vem significando, não somente, a resistência ao processo de homogeneização, mas sobretudo, a importância da diferença e da diversidade sócio-cultural do mundo globalizado. O resgate das tradições no espaço de difusão entre culturas, afirma a importância do patrimônio cultural e dos valores endógenos como chaves para um desenvolvimento mais apropriado aos contextos locais


Patrimônio e Identidade Cultural.

As novas significações das relações entre cultura e desenvolvimento vêm promovendo a própria renovação do conceito de patrimônio, agora uma idéia plural, de bens naturais e culturais, materiais e imateriais6, complementares, sinérgicos e indissociáveis, cuja propriedade básica se funda sobre o estabelecimento de laços entre gerações, exigentes de um elo entre o passado, construído entre o indivíduo, o seu grupo social e a sua história cultural/natural; o futuro, alicerçado no espírito de responsabilidade coletiva com a proteção do meio ambiente natural/cultural, como via de legar às gerações uma herança habitável, e o presente, onde se mesclam essas relações de temporalidades diferentes, onde se constrói toda a ideologia de valor e significado de herança e transmissão que os bens patrimoniais possuem para a coletividade.

Pelo seu caráter histórico, são esses bens patrimoniais que demarcam a consciência coletiva de passado, de identidade, de sentido de nação. Assim, a ameaça de destruição ou desaparecimento deles, suscitada pela crise de historicidade e de identidade vivenciada pelas sociedades contemporâneas, reacendeu toda uma preocupação com a questão da preservação e salvaguarda de heranças cuja transmissão se inscreve numa categoria ética de responsabilidade com as gerações vindouras. No contexto de crise, onde se constata o desabamento das formas antigas e dos sistemas nacionais de valores, o patrimônio se manifesta como um fio condutor da identidade, como recurso e garantia de uma cultura legítima, como símbolo de adesão da nação a ela mesma. (LAMY, 1996).

Esta idéia está presente no entendimento do cidadão pilarense acerca do seu patrimônio cultural. A preservação, imaginam, é instrumento valioso no resguardo das "relíquias" que os ligam à sua história e ao passado, que não pode sucumbir diante das mudanças contemporâneas. A questão da perda e da transmutação se impõe de maneira persistente nos relatos , sobretudo, dos mais idoso. O sentimento de perda pela herança cultural desaparecida ou modificada, traduz o apego ao passado como algo melhor que o presente, além da dificuldade de absorção dos novos valores e costumes que se inserem velozmente no cotidiano. De fato, o discurso da perda do patrimônio é explícito, ao mesmo tempo em que cultura e tradição são entendidos como inerentes ao passado, e o processo de perda e destruição se faz presente na afirmação da identidade.

No universo dos mais jovens, constata-se que a perda não é lamentada porque não houve a convivência com o passado e a preservação de alguns símbolos do patrimônio cultural - como o folclore e a arquitetura, por exemplo - revelam-se suficientes para resguardar a história e a identidade do lugar. Entre eles, a assimilação de novos valores culturais globais é feita com a mesma rapidez com que os mesmos são veiculados, assim como a interpenetração deles com as velhas tradições, é matéria de fácil aceitação.

Os problemas ambientais que afligem o município e a cidade - desmatamentos, redução dos rios e riachos, contaminação e erosão do riacho e do vale das Marrecas, falta de saneamento, destinação do lixo, poluição da lagoa, diminuição do pescado, retirada clandestina de areia das margens dos rios, etc.. - são conhecidos por todos. Alguns, no entanto, referem-se aos problemas muito mais no sentido de perda ou de saudade (da paisagem desaparecida ou modificada, do passado onde esses problemas não existiam ou não lhes afetava o dia a dia), do que demonstrando consciência da gravidade que eles representam. São quase os mesmos que deixam transparecer uma certa tolerância à ausência do poder público no trato da questão, quando imputam à população, grande parte da responsabilidade pelo aumento dos problemas ambientais ( sobretudo, os urbanos), creditando à "ignorância, falta de educação e sujeira" dos moradores, as mazelas ambientais da cidade.

Poucos, porém, têm uma percepção mais ampla da problemática ambiental, reconhecendo, tanto as suas remotas origens ligadas às ações predatórias do homem, quanto a ineficiência do poder público na formulação e empreendimento de políticas de proteção ambiental.
Conclusão

A pesquisa buscou revelar as relações entre a preservação/valorização do patrimônio cultural e natural de Pilar e o processo de desenvolvimento local e as percepções locais quanto às ações públicas que induzam a valorização destes patrimônios. Ficou explcitado que a preservação/valorização dos patrimônios é instrumento dos mais importantes para alavancar o desenvolvimento local, sobretudo na sua associação com o potencial turístico da cidade. Mas, quando reconhecem a educação como o mais eficaz e duradouro instrumento de política pública para a valorização, preservação e transmissão do patrimônio cultural e natural, demonstram um preocupação com estas heranças, que extrapola a mais-valia que lhes credita a indústria do turismo e da preservação ( CHOAY, 2001).

Relegado durante o longo período de inércia econômica do município e pobreza da população, verifica-se que este patrimônio reveste-se agora, para os sujeitos que o detém, de um novo significado dentro do processo de interpretação da cultura enquanto produção material e simbólica. A sua preservação torna-se, além da garantia ao direito de memória e resguardo da cidadania, um instrumento de desenvolvimento pessoal e social. A pesquisa mostrou que a comunidade de Pilar atribui valores de riqueza e de alta importância ao patrimônio natural e cultural, e que o percebe como seu. Igualmente percebe a importância da transmissão destas heranças às gerações futuras, e o lugar do poder público nos investimentos da sua recuperação. Os atributos ambientais, culturais e históricos que criam as especificidades do local, são tidas como capital de políticas de desenvolvimento. O incremento do turismo - também vem sendo assimilado pela maior parte da comunidade e, de forma mais particular, pelo poder público, como alternativa econômica imediata.

Nos limites deste trabalho, cabe apenas reafirmar que, pensar a possibilidade da (re)valorização destes patrimônios como dinâmica de políticas de desenvolvimento em bases sustentáveis, requer que se priorize as percepções dos atores sociais locais, em relação ao ecossistema lagunar e às formas de expressão material e imaterial construídas ao longo do processo histórico de formação de Pilar.

Tomar a (re)valorização do patrimônio como via de incremento do turismo em favor do desenvolvimento local sustentável, exige a compreensão de que a cultura contém códigos profundos nos quais estão contidas as singularidades sociais em contínuas interações na construção do espaço. Exige, também, a consciência de que cultura e patrimônio compõem, ambos, o acervo indissociável acumulado de vivências locais de muitas gerações, e que, portanto, o turismo como produto econômico, deve se adaptar ao local, e não ao contrário, como reza a restritividade da lógica economicista. Exige, ainda, o reconhecimento de que se manuseia um patrimônio coletivo, na maioria das vezes dilapidado e frágil, mas ainda, o fiel depositário dos laços de identidade dos cidadãos com o lugar.

A (re)valorização do patrimônio cultural - material e imaterial - e natural, pode apresentar-se, assim, como estratégia fundamental e definidora de um lugar turístico, no caso, em Pilar, onde se priorize o contexto do patrimônio, as múltiplas e indissociáveis relações que natural, cultural material e imaterial mantém entre si, e o respeito ao corpo social local no que tange à permanência de suas diferenças, tradições, práticas cotidianas, história e memória.



1Notas
 A informação do Almanak Administrativo da Província do ano de 1873 não coincide com os dados do recenseamento de 1870 feito em toda Alagoas, descrito por Apratto no livro Capitalismo e Ferrovias no Brasil, onde se lê na página 81: Freguesia do Pilar- livres 8458; escravos: 1.348; total: 9.806 (APRATTO,1979).

2 Faz-se necessário salientar que prevalecia, à época, a idéia de que a cultura era simbolizada, tão somente, pela arte, literatura, música e teatro. Por esta razão, a historiografia alagoana só registrou o que pertencia ao ambiente cultural considerado erudito (N.A)

3 A biblioteca da Sociedade, de excelentes livros sobre os mais variados assuntos, que tanto serviu à comunidade local, hoje se resume a poucos exemplares, em péssimo estado de conservação (N.A)

4 Em artigo de sua autoria escrito, Robert Erza Park afirmava que "a cidade é algo mais que um amontoado de homens, convivências sociais, ruas, edifícios, instituições (...) ela é um estado de espírito, um corpo de costumes e tradições, de sentimentos e atitudes inerentes a esses costumes e transmitidos por essa tradição" (PARK, 1976).

5 Michel de Certeau, La culture au pluriel,Paris, éditions du Seuil, 1993 ; Edgar Morin, El Método IV- las ideas, Madri : Ediciones Cátedra, 1992.

6 Os bens imateriais ou intangíveis, só começaram a ser tratados como riqueza da memória coletiva e herança merecedora de salvaguarda, em passado muito recente. A CMCD, ao incluí-los no âmbito do patrimônio ameaçado pela mundialização cultural, colocou-os no centro dos debates mundiais. No Brasil, apesar do tema ter se inserido no anteprojeto elaborado por Mário de Andrade em 1937 - se bem que restrito ao folclore -, somente no ano de 2000, o Governo Federal, através do Decreto n°3.551, instituiu o Registro de Bens Culturais de Natureza Imaterial e criou o Programa Nacional do Patrimônio Imaterial

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