Iii seminário internacional enlaçando sexualidades



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III SEMINÁRIO INTERNACIONAL ENLAÇANDO SEXUALIDADES

15 a 17 de Maio de 2013

Universidade do Estado da Bahia – Campus I

Salvador - BA




SALAMANDRA! ONDE OS PUNHAIS SE ENCONTRAM – UM DEBATE SOBRE A CONSTRUÇÃO DE MASCULINIDADE HEGEMÔNICA E HETERONORMATIVIDADE NA TENDA CIGANA TZARA RAMIREZ

Cleiton Machado Maia1

Resumo:

O objeto desse trabalho é a Tenda Cigana Espiritualista Tzara Ramirez em Nova Iguaçu - Baixada Fluminense, onde um grupo de médiuns realiza trabalhos quinzenalmente, com o propósito de ajudar pacientes vindos da região com diferentes problemas e necessidades. Desde sua fundação, os médiuns dessa tenda – apesar de pertencimento duplo em diversos segmentos religiosos – só incorporam nesse local entidades de ciganos para desenvolver seus rituais e performances. Em minha primeira visita ao campo pude, em dois momentos, perceber os marcadores natureza/cultura e gênero/sexualidade fortes e definidores na ordem e ritual da tenda.



Tenho como proposta de problema duas observações marcantes na tenda e que estão marcadas pela questão gênero/masculinidade e gênero/masculinidade/poder e violência. Como corte especifico para esse trabalho, o gênero masculino me chamou a atenção em ambos os problemas que pretendo levantar para minha reflexão teórica, questionada com a observação do campo que é marcado pela força da presença feminina no campo, onde mais de 80% das médiuns são mulheres e exercem papel primordial de liderança.

E destacar uma analise do espetáculo/performance feito por essas médiuns na salamandra, local e ritual onde essa performance de masculinidade se dá com mais força – me levando a debater a hiper-representação desses sujeitos a seus observadores e pacientes, alimentando e fortificando o imaginário que os ciganos historicamente constroem trazendo de sua tradição cultural o que cria estereótipos heteronormativos, ditos e legitimados como necessários para ordem ritualística e traz como resultado a produção uma violência simbólica contra os próprios adeptos e adeptas.


Palavras - chave: gênero, masculinidade, heteronormatividade, religiosidade, cigano

Não tenho como apresentar e explicar minha proposta em debater masculinidade e incorporação de ciganos sem explicar meu campo e momentos em que os debates de gênero/sexualidade se encontraram fortemente misturados a incorporação e performance em meu campo. Quando em 2009, cursando uma pós graduação, uma namorada me surpreendeu com um convite de batismo que seria bom para meus estudos sobre religião e pesquisa sobre o personagem Tia Neiva no Vale do Amanhecer, demonstrei encantamento e respeito ao falar de minha pesquisada, o que proporcionou convites e entradas em diferentes religiões.

Esse era mais um convite inesperado que prometia ser no mínimo inovador. Um batizado cigano de uma jovem, amiga dela, e que eu já tinha visto em algumas festividades sociais. No primeiro momento deixei minha imaginação e felicidade tomar conta de mim e lembrei de várias presenças marcantes na minha infância e adolescência. Desde os relatos encantados de minha avó que, quando criança, convivendo com ciganos de sangue2 no interior do Rio de Janeiro; onde carregada de várias histórias e lendas sobre quem eram os ciganos, o que faziam e até o perigo que esse grupo representava, minha avó várias vezes deixou escapar o medo de ser raptada por esses ciganos que algumas vezes se aldeavam em Três Irmãos3, mas ao mesmo tempo o encantamento e desejo de ser raptada por esse grupo que carregava ouro nos dentes (entendível já que minha avó era filha de dentista e para seu contexto familiar era sinal de riqueza) pescoço e principalmente as pulseiras e anéis das mulheres, a liberdade e desprendimento que esse grupo demonstrava por estar sempre viajando e o encantamento que as mulheres exerciam por sempre estarem magicamente vestidas com suas saias coloridas e “lendo as mãos” nas ruas. Desde esse primeiro contato com a figura de ciganos se mostrava marcada pelo debate de gênero e já me chamava atenção, eram sempre mulheres cigana lendo mãos na rua.

No debate gênero/sexualidade no meio acadêmico, tornou-se indispensável uma reflexão sobre posicionamentos de autores como Verena Stolcke, Judith Butler e Donna Haraway para desenhar a base conceitual de gênero/sexualidade principalmente como o entendimento e o posicionamento dessas temáticas se relacionando com a questão de identidade e influências sociais. Verena Stolke (1991, p.103 - 104) direciona seu trabalho para opor gênero como um fato natural e universal, colocando assim gênero como uma possível formulação cultural. Para a autora sexo/gênero seriam construções simbólicas e analíticas no pensamento de fatores biológicos o que muitas vezes acabou gerando um determinismo; enquanto sexualidade e identidades sexuais resultariam de uma “teia” influenciada por fatores sociais, culturais e psicológico, assim sexo/gênero estariam unidos no campo mas com propósitos e funções bem diferenciadas (STOLCKE, 1991, p.104).

Em contraponto, a autora Donna Haraway (2004, p. 210) defende a construção a gênero como individual em cada sociedade, assim como o conceito de gênero. Para a autora, gênero tem como objetivo classificar e diferenciar masculino e feminino, isso através de uma universalização de conceitos históricos e pré-definidos pela sociedade como bipolar homem-mulher para hierarquizar e definir as próprias relações sociais.

Mas somente no texto de Gonçalves (2000, p. 98) e suas observações pude mapear e problematizar essas questões no campo proposto, onde pensando gênero, diferenças sexuais e sexualidade como construções sociais que por questões políticas formariam uma dominação masculina (ALMEIDA, 1996, p. 184), o que as feministas combateram em seus debates sobre compreensão de gênero calcada em uma dominação biológica ou cultural.

Tenho como proposta de problema duas observações que na Tenda estão marcadas pela questão gênero/masculinidade e gênero/masculinidade/poder e violência. Como corte específico para esse trabalho, o gênero masculino me chamou a atenção em ambos os problemas que pretendo levantar para minha reflexão teórica, questionada com a observação do campo que é marcado pela força da presença feminina na Tenda, onde mais de 80% das médiuns são mulheres e exercem papel primordial de liderança. Além dessa força ritualística e numérica da presença feminina entre os médiuns da Tenda Tzara Ramirez a presença se reapresenta com força equivalente quando o foco de observação se torna a assistência4, que é composta hegemonicamente por mulheres “buscando coisas de mulheres/femininas5”. O gênero/masculinidade e a masculinidade serão meus pontos de concentração para observações de incorporações, performances, símbolos e rituais.
A saia do Cigano!

Durante a “V Caminhada em Defesa da Liberdade Religiosa do Rio de Janeiro”, ocorrida em 16 de setembro de 2012 na Praia de Copacabana reunindo 210 mil pessoas6 segundo a impressa,fui com o intuito de fotografar e observar não só o religioso que estudo e que não esteve presente, ou não os encontrei, mas também recolher dados que fossem relevantes a minha análise. Quase desistindo da caminhada tive meu olhar direcionado por minha companhia a uma senhora vestida, muito bem vestida, de cigana se direcionando para o que seria o final da caminhada, onde apressando o passo observei que se direcionava para um grupo de em média uns 25 ciganos, incluindo homens e mulheres de todas as faixas etárias, vestidos de ciganos. Resolvi observar de perto e esperar ouvir algo que me possibilitasse a entrada, mas nem foi necessário, pois logo identifiquei Mio Vacite, o Presidente da União Cigana do Brasil7, bem ao centro, o que logo os marcou como ciganos de etnia. Mesmo não sendo o embate “religião cigana x cultura cigana” o ponto de análise desse trabalho, um dos ciganos desse dia me fez voltar a observar a análise de gênero dentro da Tenda.

Depois de alguns minutos reunidos conversando sobre coisas variadas resolvi pedir para ser fotografado com alguns dos membros do grupo e assim fazer elogios as belíssimas roupas e acessórios e conversar com aqueles que dessem abertura. Logo fui muito bem recepcionado para as fotografias, onde a câmera me abriu campo, muitas vezes acham que sou fotógrafo profissional ou repórter, o que abre a conversa e esclarecimentos sobre minha pesquisa8e conversas. Todos explicaram sua origem cigana dizendo a que família e subgrupo faziam parte e sua ligação com a “União Cigana do Brasil”, quase todos eram familiares de Mio, sendo assim da família Calon9, e participavam do seu grupo musical de dança e música cigana10, muitos me entregaram cartões com contatos para aulas de música, e algumas mulheres de quiromancia. Assim que comecei a fotografar o grupo, um dos ciganos tomou grande destaque nas fotografias, e suas performances singulares se tornaram uma questão a toda análise feita sobre “a saia das ciganas” na construção da identidade das ciganas da Tzara. Em um primeiro momento fui chamado atenção por uma tia que me acompanhava, e conhecia meu trabalho, e destacou “Olha! O cigano está de saia”, seguido de uma bela gargalhada, pois colocava em cheque como um símbolo que na tenda se encontra estritamente marcado como feminino, seja no vestuário, ritual, estava ali colocado com características tão parecidas nas mãos de um cigano.

Parei para analisar aquela possível saia que se apresentava durante a “V Caminhada em Defesa da Liberdade Religiosa do Rio de Janeiro”, principalmente nos momentos que era chamado para fotografar. O “cigano de saia” era na verdade um “cigano hispânico”, encontrava-se no grupo vestido como um toureiro espanhol para representar dentro da cultura cigana os ciganos ibéricos. Vestido de blusão amarelo ouro cheio de fios bordados, um colete branco bordado em fios dourados, calça branca com fios dourados bordados nas laterais, um cinto dourado na cintura, lenço vermelho na cabeça e chapéu de toureiro, mas o mais importante em seu figurino era a capa de toureiro vermelha com bordado dourado em todas as laterais que mais me chamou a atenção. Quando solicitado para uma fotografia, o “cigano de saia” movimentava a sua capa de maneira muito parecida com a das ciganas durante um bailado. No primeiro momento movia circular com uma das mãos e segurando com a outra mão colada na cintura, o que a deixava aberta na frente de suas pernas, como uma saia. Em um segundo momento posava para fotos colocando a saia presa ao cinto dourado de um lado e jogando a outra ponta sobre o ombro ou sobre o braço, como comumente as ciganas seguram suas saias em um atendimento ou conversa.

Apesar da performance desse cigano nas fotografias, a “V Caminhada em Defesa da Liberdade Religiosa do Rio de Janeiro” direcionou minha observação para o outro lado da análise de gênero que tornava necessária para meu trabalho. E os homens da Tzara Ramirez? Como se comporta esse pequeno grupo? Como ocorre a construção dos ciganos da Tzara Ramirez?
Quem são os “ciganos” da Tenda Cigana Espiritualista Tzara Ramirez?

A história da Tenda Tzara Ramirez inicia quando o Cigano Juan11, que era pai de santo em um terreiro de candomblé em uma região chamada “Chacrinha” em Nova Iguaçu, a mais de quinze anos atrás, onde nas festividades aconteciam rituais somente de candomblé. Mas alguns dos adeptos, inclusive ele, teriam começado a sentir a presença de espíritos ciganos no ambiente, segundo ele alguns dos adeptos frequentavam umbanda também, o que estava causando essa energia diferente no ambiente, até que um dia Juan incorporou pela primeira vez o cigano Juan Ramirez.

Assim que incorporou esse cigano foi dada a Juan a responsabilidade de arrumar um lugar em que os espíritos ciganos, de pessoas de terreiros de umbanda e de candomblé diferentes, pudessem cuidar12 de seus ciganos, já que uma característica da Tenda é o duplo pertencimento (ROLIN, 1994, 45) dos adeptos em umbanda e candomblé, que os mesmos chamam de “outro lado”. Juan começou abrir no mesmo espaço dias só para trabalhos com espíritos ciganos e em outros dias para rituais de candomblé, mas o espaço de ciganos começou a se tornar conhecido pela propaganda dos próprios adeptos e pessoas da comunidade. Três anos depois Juan foi orientado a procurar outro lugar, que tivesse um espaço maior para as atividades ritualísticas e principalmente houvesse a separação da Tenda Tzara Ramirez do barracão de candomblé – pedido feito ao Cigano Juan Ramirez.

Esse pedido teria sido feito pelo cigano, pois os espíritos ciganos queriam um espaço só para eles, já que não se sentiam a vontade de dividir um espaço onde acontece sacrifício de animal, já que isso não existe na tradição cigana. Entre os trabalhos, feitiços e magias dos espíritos ciganos não existe o pedido de sangue vermelho13, somente de sangue verde14. Esse pedido fez com que a região da “Chacrinha” fosse trocada para uma região mais ampla e que as especialidades fossem separadas, a opção foi o bairro de Santa Eugenia que é mais distante do centro de Nova Iguaçu, onde hoje em dia se localiza a tenda – nessa região foram comprados dois terrenos, um para a Tenda Cigana Espiritualista Tzara Ramirez15 e outro para o Barracão de Candomblé.


O espaço que chamo de Tenda está em um terreno de 700 m² onde se encontram a tenda, que é um barracão ocupando a metade do terreno, pintado com desenhos de ciganos e de forma bem colorida, um tablado de madeira central, telhado simples e que usa como divisórias um conjunto de biombos móveis, que são colocadas e tiradas com facilidade – dependendo das cerimônias. Na região de trás da tenda temos algumas salas que são usadas para trabalhos espirituais como banhos, cirurgias espirituais, sala dos potes e vestiários. No espaço à frente da Tenda encontramos o pátio central, onde a salamandra está localizada ao centro, e a região de espera dos pacientes, com o número de sete bancos onde mais de setenta pacientes se revezam quinzenalmente sentados ou em filas enormes em pé para algum dos trabalhos que são ali oferecidos.

Assim apresentado o local e como surgiu a Tenda Cigana Espiritualista Tzara Ramirez esclareço que esse trabalho tem como campo somente esse grupo religioso, sendo assim essa tenda e os espíritos que incorporam nos médiuns desse local o centro de minhas atenções, observações etnográficas e sobre eles debruçarei minhas analises metodológicas. É sobre esses médiuns que se chamam de “ciganos de coração” e “ciganos de espírito16”. O duplo pertencimento é comum na Tenda Tzara Ramirez, todos os adeptos que conversei têm uma segunda religião ou “outro lado”, como eles mesmos nomeiam, e em sua maioria umbanda e candomblé. O diferencial da Tenda é que após a separação do espaço físico, na Tenda Tzara Ramirez só existe incorporação de espíritos ciganos, o que será um importante ponto para essa análise. E são esses médiuns/espíritos que se chamam de ciganos, e são foco nesse trabalho. Como esse grupo religioso constrói sua identidade e como se posicionam perante outros grupos, sendo religiosos, sociais, comunidade e a própria Beija Flor.

Essa relação da Tenda com outros “grupos” já tinha chamado minha atenção em momentos diferentes, como eles mesmos fazem questão de ressaltar: “somos ciganos de coração, espírito”, porém essa relação é muito mais complexa do que me pareceu nos primeiros momentos, pude presenciar momentos em que essa identidade foi acionada e legitimada com fatores diferentes e forças diferentes, onde ora são ciganos, ora são grupo religioso, ora são ciganos da Tzara, ora oriundos de umbanda e candomblé, ora totalmente diferentes de umbanda e candomblé, dependendo do grupo ou relação com o grupo envolvido. Muitas vezes se tornando conflitivo entre os próprios adeptos dentro do grupo e conflitivo quando em referência a outros grupos, no caso dos “ciganos de sangue”, como os adeptos chamam a etnia cigana e conflitivo também, em alguns momentos, com outros grupos religiosos como umbanda e candomblé. O que Stuart Hall (2011, p.11) chama de “Sujeito pós-moderno” não possui uma identidade fixa, permanente e essencial. Trata-se de uma identidade móvel, definida historicamente e não biologicamente, não é unificada como no Iluminismo, tão pouco coerente. Nesse entendimento, um indivíduo pode possuir diversas identidades em si, utilizando-as de acordo com os sistemas culturais que o rodeia (HALL, 2011. p. 11).
Ethos da cultura cigana – Os punhais

Apesar da grande quantidade de médiuns da Tzara Ramirez ser um número considerado grande, menos de 1/5 é de homens, o que nos leva a ter apenas dez adeptos do sexo masculino, sendo apenas nove deles adultos e um adolescente. E entre essas características destaco a questão de incorporação desses ciganos na Tenda como um diferencial importante entre os membros, já que entre as mulheres a incorporação dos espíritos ciganos antes do atendimento e na salamandra é uma constante e comum, porém entre os homens essa incorporação não ocorre de maneira homogênea. Entre os membros homens existem dois membros que não incorporam, como diz Aldebaram “eu sinto o cigano, a sua energia, mas não incorporo, é por isso que Juan me deu a função de fazer a salamandra, é essa a minha função” e o “Cigano do Deserto” é responsável por guardar a entrada e saída da Tenda, além de ajudar na orientação do passe “eu ajudo no passe, fico na porta ajudando e guardando, Juan me deu essa função pois meu cigano não vem”, e outros dois ciganos descrevem sua incorporação como consciente ou semi-consciente.

Outro episódio para pensar sobre a masculinidade na Tenda aconteceu em um dos lugares menos imagináveis para observação de campo, o banheiro. Durante uma de minhas visitas de campo precisei usar o banheiro da tenda, e me direcionei ao banheiro masculino que estava bem limpo e arrumado – já que a procura e freqüência de homens é inferior a feminina, e os médiuns usam uma banheiro interno – e sempre bem vazio, assim que terminei lavei minhas mãos e procurei uma lixeira para jogar o papel (que usei para secar as mãos após lavar, e fui surpreendido com uma lixeira vazia e só com um envelope de comprimidos bem conhecido por homens e mulheres jogado aberto e vazio. Fiquei alguns segundos olhando e pensando “Viagra no banheiro?”, sai rindo e fui contar o episódio a uma amiga que me acompanhava naquele dia, mas não dei grande importância ao acontecido. Algum tempo depois o episódio que parecia ser singular tornou a se repetir no banheiro da Tenda, o que me fez pensar e tentar entender o porquê desse envelope ser levado e jogado no banheiro. Extremamente constrangido e sem saber como perguntar isso para alguns dos adeptos, achei melhor comentar o que tinha visto e ver que reação teria.

Procurei uma das líderes da casa e conversei várias coisas e no meio do assunto disse: “sabe o que vi no banheiro dos homens?” ela virou atentamente e perguntou “O que?”, completando educadamente minha vontade de falar, “Um frasco de Viagra, mas vazio” respondi esperando sua reação. Dando continuidade e com grande serenidade ela respondeu que “é normal, muitas pessoas trazem remédios para serem orados ou energizados antes de tomar e muitas mulheres e homens trazem Viagra para a tenda com esse propósito”, perguntei se naquele caso tinha sido um homem que tinha levado – já que estava no banheiro masculino – ela disse “pode ser que sim, pode ser que não, já que aqui na tenda muitas mulheres usam o banheiro dos homens – que está sempre vazio - ao invés de esperar o feminino esvaziar”, uma observação que não tinha feito, mas posteriormente observei.

Por muitas vezes me peguei observando e analisando essa preocupação que a Tenda tem de marcar o que é de “macho17” e “fêmea18” dentro do grupo, como muitas vezes os adeptos fizeram questão de destacar a importância e busca que as freqüentadoras da casa relatam aos médiuns em seus atendimentos, e como elas mesmas muitas vezes fizeram questão de destacar ciganas como Morgana: “elas procuram em nós a figura que querem ser ou acham bonito, sensual, arrumada, dançando na salamandra e bem cortejada, elas querem uma mulher forte nos gesto e na fala, nada de fraco ou feio”, e que muitas vezes acaba sendo um marcador na escolha das próprias fequentadoras quando questionadas com quem vão se consultar. Mas e os homens da Tenda? E seus ciganos?
Salamandra! Onde os punhais se encontram
Direcionei minha observação para incorporação e relação dos ciganos com as demais ciganas da Tenda. Como esses ciganos se relacionam, quando incorporados, com as demais ciganas em momentos de trabalhos e no ritual de dança na salamandra, e como esses médiuns – homens e mulheres – entendem esses espíritos ciganos, e principalmente como esses médiuns entende suas relações com seus ciganos. E para essa observação destacarei três ciganos, Pablo, Armando e Juan, que durante suas incorporações e performance se tornaram marcantes e destacam no meio do grupo.

Um dos primeiros Ciganos que me chamaram para conversar incorporados na Tenda foi o Cigano Armando. Na primeira vez que me chamou disse que me contaria sua história em vidas passadas, contou que era cigano do deserto – oriente - e participava de caravanas, era forte e guerreiro e vivia vagando como comerciante. O cigano Armando é o único que usa uma espada na Tenda, sempre está carregando uma adaga árabe que é usada em seus trabalhos e principalmente na sua incorporação na salamandra. Sempre muito bem vestido me contou que sua história era marcada pela perda de um grande amor, apontou imediatamente para uma cigana que atende pelo nome de Carmencita, disse que em tempos passados eles eram casados e ela foi morta em um assalto a sua caravana, eles lutaram bravamente mas mesmo assim ela morreu. Desde sua morte ele vagou em vida – e após vida – em busca de seu amor, mas nunca mais se encontraram.

Após essa conversa fui ouvir a versão de Carmencita, perguntando de sua história, mas a médium não estava incorporada e disse que não sabia “certinho” a história de sua cigana, e que eu devia perguntar a ela “quando ela chegasse”. Comecei a conversar com a médium sobre sua entrada na Tenda, e ela disse que já era de umbanda e sua cigana tinha encostado e mandado procurar outro lugar para trabalhar e assim ela encontrou a Tenda por conhecidos. No primeiro dia sua cigana logo “aflorou” na salamandra, dançando com o “Cigano Armando”, como ela mesma disse “assim que a salamandra acendeu e as ciganas começaram a dançar o Armando chegou perto de mimcom a espada e me pediu para tocar nela, e ai minha cigana chegou e começou a dança – desde então estou aqui”.

O cigano de Armando tem um papel de destaque na Tenda, ele que puxa as ciganas, como ele mesmo fala “sou eu que chamo as ciganas na salamandra, meu cigano está procurando sua amada e quando vê uma cigana ele chama – assim a cigana aflora – e ele descobre se é ou não sua amada”. Durante o ritual da salamandra Armando – que não é muito de dança, e quando dança não demonstra muita habilidade – fica em volta da fogueira erguendo e apontando sua espada da fogueira em direção aos freqüentadores da Tenda, sempre com gestos fortes e viris, como se lutasse ou arremessasse algo sobre as pessoas. Ele destaca que está levando e trazendo energias dos “pacientes” para a salamandra e vice versa, e nesse ritual consegue observar as mulheres que tem “cigana19”, e ele tem o papel de fazê-las “aflorar”, o que por muitas vezes presenciei. Dentre todas as minhas visitas na Tenda pude presenciar esse ritual várias vezes, sempre com mulheres, e com a descida de várias ciganas, em algumas noites mais de uma cigana aflorou. O roteiro das coreografias na dança podem (re)construir os papéis sociais (HANNA, 1990, p.81).

Outro cigano que chama muita atenção na Tenda é Pablo – cujo médium tem sua esposa e filha participando da Tenda – que possui uma incorporação que destaca outras características importantes para o grupo. A primeira vez que vi o Cigano Pablo incorporar foi antes de um passe, dentro da Tenda, a descida de seu cigano veio seguida de uma grande pancada no chão – causada pelo joelho de uma das pernas e o solado do pé de uma das outras – tão forte que parecia que algo tinha explodido, essa performance de incorporação com pancada no chão é comum e constante na incorporação dos ciganos homens, muitas vezes é seguida com a retirada do chapéu da cabeça e direcionamento do mesmo ao peito por alguns segundos antes de levantar. Assim que levantou Pablo começou a caminhar com um olhar fixo em direção a primeira cigana ao seu lado, tomou sua mão e beijou olhando dentro de seus olhos, assim seguiu de cigana em cigana até que todas tivessem sua mão beijada. Após cumprimentar todas as ciganas Pablo começou a cumprimentar os ciganos, porém de maneira bem diferente, com sua mão direita apertava a mão dos outros ciganos e os puxava em direção a seu peito e abraçando com força usando a mão esquerda contra as costas, esse gesto é comum entre os ciganos homens, mas o diferencial era que Pablo após abraçar um cigano ia em direção ao outro com uma das mãos no punhal – sempre colocado na cintura dos ciganos, e no colo no caso das mulheres – e olhar bem fixo, como de enfrentamento proporcionando um sentido simbólico da dança (HANNA, 1990, p.220).
Quando conversei com Pablo, sem estar incorporado, me contou que era da umbanda e estava ali com sua família há alguns anos, seu cigano tinha pedido para procurar um lugar que pudesse cuidar mais dele “do cigano”. Pablo disse que seu cigano era forte e valente, sempre muito sedutor e tinha várias mulheres, ele mesmo me relata a questão do galanteio, que segundo ele é forte no seu cigano quando incorpora e dança. “Pablo quando dança na salamandra, parece que está seduzindo as ciganas, parece que vai transar (risos), ele dança colando e com gestos forte, é muito bonito, viril20”, o que pude presenciar em outras vezes a sua dança que muitas vezes era seguida por pancadas forte no chão com o pé, muito comum na dança cigana. O movimento como metáfora da vida social, modulações dos papéis sociais (HANNA, 1990, p.121)

E como último caso trago Juan – Barô da Tenda – que demorei muito a consegui conversar e ver incorporar e dançar. A primeira vez que vi Juan foi depois de um dia todo de atendimento, ele chegou somente para o ritual da salamandra – nesse dia havia atendimento duplo, na Tenda e no barracão, e ele ficou uma parte do dia em cada – e já estava incorporado, tomou a fala de maneira forte, impostando a voz e com frases sempre no imperativo para médiuns e pacientes. Após explicar o que era a salamandra, acendeu sua vela e passou o fogo em diante até que todas estivessem acessas e pudessem ser usadas como combustível para acender a fogueira. Assim que o ritual acabou tentei achá-lo, mas sumiu tão rápido quando chegou.


Após quase um mês depois de minha primeira visita – onde vi Juan – fui a uma festividade que Juan estava presente, mas como sempre estava cercado de pessoas querendo falar e consultar resolvi esperar outra oportunidade e não ser inconveniente. Algumas horas depois fui surpreendido entre o grupo de ciganos que conversava pela Cigana Arimar, que disse “Juan quer falar com você, mandou lhe chamar”, larguei meu bolo na mão de uma amiga e me despedi do grupo. Assim que cheguei uma fila enorme se formava até Juan, mas Arimar me levou pela mão até o início da fila e me colocou de frente com Juan, pude entender o porque em minha foto se destacava entre os demais, era um homem alto (beirando 1,90) e bem forte. Juan olhou em meus olhos e me deu a mão direita, sabendo a forma que os ciganos se cumprimentavam estendi minha mão e o cumprimentei, e fui surpreendido com a força que usou para me cumprimentar. Após o aperto de mão Juan me puxou e colocou sua mão esquerda em minhas costas para o “abraço cigano”, imediatamente fiz o mesmo mas fui novamente surpreendido com a força que Juan usava para me abraçar – ao ponto de sentir todos meus ossos das costas estalar – um gesto inesperado, Juan me levantou do chão e me segurou por alguns segundos – que sem ar e sentindo dor pareciam uma eternidade. Não sei ao certo se o propósito de Juan era esse, mas me senti frágil, indefesso e vulnerável.

Após alguns segundo Juan me colocou no chão, e pegou no bolso um baralho cigano e ordenou “pega uma carta, uma carta só”, tirei uma carta que tinha o título “sociedade cigana” e entreguei a Juan, ele olhou, sorriu e disse “Essa carta é a caravana cigana, a família, vai lhe abrir não só uma porta mas sim vários caminhos. A caravana cigana sempre estará com você”, me entregou a carta e disse “guarda com você”, enfiou a mão no bolso e com a mesma mão apontou na direção que estava antes ordenando “vai”.

Esses relatos dos “ciganos” e suas preocupações de demonstrar força e virilidade me fez pensar como ao longo da história da humanidade, sexualidade e violência aparecem como subsídios clássicos para a compreensão e construção do homem ocidental em que a “figura” do cigano está inserida. Grillo (2011), em sua observação de iconografias e suas diferentes finalidades da Grécia clássica, aborda os temas guerra, violência e luta constantemente e procura compreender como esses elementos compõem o imaginário social dos cidadãos atenienses (GRILLO, 2011). As iconografias estudadas são retiradas de vasos gregos e demonstram a importância dada por seus artistas de sempre retratar as histórias de guerras e lutas narradas pelos poetas e contadores do período Homérico, onde apesar das lutas o que ganha destaque é o sacrifício e o sangue dos lutadores. Em sua análise, o autor observa que apesar de inúmeras imagens de lutas a que ganha destaque é a degolação no final do combate, seja ela uma representação real ou mitológica de um herói, o sangue que aspergi da vítima derrotada é o que marca, o que diferencia o herói sacrificador do sacrificado. Sendo assim, o contexto social e cultural grego e suas representações iconográficas de luta, guerra e violência, apesar de sua diversidade, trazem o sangue e o fluxo de sangue como representações que vão marcar o sacrificador vencedor e o sacrificado derrotado no contexto de combate. Importante destacar no contexto iconográfico ateniense a construção do homem herói/mito ou homem de ferro (GASTALDO, 1995) que mesmo depois do combate se encontra intacto. Ambos autores trabalham com a ideia da dor como necessária para a construção dos símbolos de masculinidade, mas sua superação e não demonstração é o que os forjam como guerreiro e esses símbolos de masculinidade estão muitas vezes relacionados e associados a batalha e ao duelo.

Outras pistas desses fenômenos na antiguidade são exemplificadas por Garraffoni (2011) que problematiza a luta de gladiadores no período romano clássico. Apesar da multiplicidade de questionamentos acerca do surgimento desses eventos é, segundo ela, nesse período que vamos encontrar a chave para reflexões e entendimento do conceito de luta ocidental, as “lutas espetáculos” (GARRAFFONI, 2011). As lutas espetáculos dos gladiadores romanos vão introduzir vários elementos importantes para nosso entendimento de luta como esporte e entretenimento, além de inaugurar os “mega” espetáculos. As lutas eram verdadeiros shows, com local e data marcados, onde sobreviver era o grande prêmio. O combate tinha uma função cultural de construção do processo civilizador romano (ELIAS, 1993) pedagogicamente estruturado, onde os espetáculos de abertura demonstravam uma grande glória; luta e vitória romana; em que o romano civilizador e dominador conquistava seguido de um banho de sangue proporcionado pelas lutas dos gladiadores que normalmente estavam divididos em grupos que correlacionavam com os da narrativa do espetáculo de abertura, onde os “melhores”, mais “fortes” e mais “viris” gladiadores representariam os romanos sobressaindo aos bárbaros, mesmo esses gladiadores sendo escravos bárbaros obrigados a lutar, a luta pela sobrevivência representa e simboliza (TURNER, 2005) o “ideal guerreiro” da cultura romana e posteriormente ocidental.


Considerações:

A Tenda Espiritualista Tzara Ramirez reproduz o padrão de norma heterossexual. Não existe uma preocupação com a identidade sexual dos adeptos, mas sim com a organização cosmológica de um padrão heterossexual que corresponda à necessidade do grupo de “paciente” que freqüenta o espaço. Na Tenda o gênero é como categoria social corresponde ao sexo sem referencia à pessoa, onde ser homem e ser mulher seria manter uma posição social.

O gênero é constitutivo das relações sociais e diferenciado pelas percepções de sexo, gênero é fundante de poder – dominação é baseada na maneira em que sexo é percebido e que as relações sociais se constroem, o gênero vai fazer com que as escolhas e as reproduções dessas escolhas se recriem, assim as dimensões desiguais de poder se reconstruam nos modelos estabelecidos como ethos ciganos, construindo sua identidade de gênero.


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1 Mestrando do Programa de Pós Graduação em Ciências Sociais na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, PPGCS/UFRRJ, profmachadomaia@hotmail.com .

2 Ciganos de sangue são conhecidos como os ciganos que vem de etnia cigana, os tradicionais clãs de famílias ciganas que estão em constante caminhada no mundo de forma nômade.

3 Cidade ao interior norte do Rio de Janeiro, fronteira de Minas Gerais.

4Nome usado no campo pelos adeptos quando se direcionam as pessoas que vão procurar consultas na Tzara Ramirez

5 Expressão e informação de campo, recebida várias vezes por médiuns e “ciganas” durante gravações e conversas no ano de 2012.

6http://g1.globo.com/rio-de-janeiro/noticia/2012/09/caminhada-em-defesa-da-liberdade-religiosa-leva-milhares-copacabana.html (acesso 18-01-2013).

7 A União Cigana do Brasil foi fundada na década de 70 e é reconhecida pelo governo Brasileiro, e representa a etnia cigana no Brasil.

8 E após o esclarecimento, por mais que não seja o que esperavam, em sua maioria das vezes, gera interesse. Mas de qualquer forma já é uma abertura para contatos.

9 Família de maior presença no Brasil, e na qual Mio é Barô (líder patriarcal da família)

10 Mio tem um grupo de dança e música cigana que toca profissionalmente em eventos diversos no Brasil chamado “Encanto Cigano”.

11Todos os nomes usado para referir aos adeptos da Tenda Tzara Ramirez, é o nome de cigano usado por eles mesmos dentro da Tenda, pretendo assim manter a maneira que eles mesmos se chamam e guardar o nome civil dessas pessoas. Já que esse nome cigano é recebido após o batismo do médium e usado para os rituais dentro da Tzara.

12 Expressão que é usada quando o médium adepto da casa usa para explicar que na Tenda direciona sua atenção espiritual para trabalhar com seu espírito cigano, já que no candomblé e na umbanda eles podem dar uma atenção melhor aos outros espíritos.

13 Referencia que os espíritos ciganos fazem ao sacrifício de animal.

14Quando é feito um trabalho com ervas, flores e elementos da natureza os espíritos fazem uma associação com sacrifício de sangue verde.

15 Começou a usar esse nome a partir desse momento, onde os espaços espirituais estavam separados.

16 Essas duas nomenclaturas são comumente usadas entre os adeptos para explicar e diferenciar dos ciganos de “sangue” – etnia cigana – e é comum ver essa expressão até tatuada em alguns médiuns.

17 Como muitas vezes o adeptos fazem questão de marcar e descrever.

18 Usando novamente as categorias que foram usadas para me explicar essa dicotomia.

19 Como normalmente os médiuns falam quando uma pessoa tem mediunidade, mas não se manifestou ou não está sendo trabalhada.

20 Substitui por viril uma palavra usada pelo adepto, e que achei pouco apropriada para um trabalho acadêmico.



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