Imago lança roteiro de “lance maior” um clássico



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IMAGO LANÇA ROTEIRO DE

LANCE MAIOR” - UM CLÁSSICO

DO CINEMA BRASILEIRO


Geralmente, roteiro vem a lume depois de filmado. Um texto, muitas vezes cifrado, com termos de carpintaria da filmagem, mas onde ocorre uma recaptura de seu berço literário, acabando por desvelar (ou esconder!) a transmutação dele para outro código. É quando, então, nos damos conta de estar lendo e lidando com suportes estéticos absolutamente independentes, melhor, interdependentes.

Cinema é visibilidade, literatura, invisibilidade, nas palavras de Sylvio Back, o autor, com Oscar Milton Volpini e Nelson Padrella, deste volume com o argumento/roteiro completo de "Lance Maior" (1968), recheado de alguns inusitados "extras", para usar o jargão do DVD. Inclusive, com um caderno de sensíveis imagens em preto-e-branco clicadas pelo fotógrafo do filme, Hélio Silva, uma homenagem póstuma a um mestre da fotografia de cinema do país.

Já é público e notório que a estante de roteiros no Brasil é rarefeita, aliás, na contramão do que ocorre na Europa, nos Estados Unidos e no Japão, por exemplo. Back, ele próprio, diretor de "Lance Maior", é um campeão de títulos publicados.

Entre livretos e livros de curtas e médias-metragens, como de dez longas, sua biblioteca ascende a mais de uma dezena. E a Imago, orgulhosamente, alinha-se entre seus editores, tendo assinado nos dois últimos anos os roteiros de "Aleluia, Gretchen" e de "Lost Zweig" (este, bilíngüe, português/inglês), ambos auspiciosamente recepcionados pelo público e pela mídia.

Publicando agora o roteiro de "Lance Maior", longa-metragem rodado em Curitiba (PR) no emblemático 68 e, ao longo dos seus quarenta anos de sobrevida, transformado em filme cult do nosso cinema, estamos conscientes da relevância de disponibilizar aos nossos fiéis leitores mais esta criação da obra de Back, um dos mais premiados cineastas brasileiros. Eduardo Salomão, editor.

Título: "Lance Maior" (roteiro cinematográfico); 184 págs.; R$30,00; caderno de fotos de Hélio Silva; capa: Manoel Coelho; editora: Imago (Rio de Janeiro).




LANCE MAIOR (1968)

Sinopse
Mário (Reginaldo Faria), estudante universitário e bancário, através de uma ligação amorosa com Cristina (Regina Duarte), jovem rica, orgulhosa e emancipada, tenta ascender social­mente. Entre os dois coloca-se a sensual comerciária Neusa (Irene Stefânia), inexperiente e revoltada com a condição humilde de sua família. Cada um buscando lugar ao sol, enredam-se num diabólico jogo de sexo e amor.
Elenco
Reginaldo Faria, Regina Duarte, Irene Stefânia, Isabel Ribeiro, Lota Moncada, Lúcio Weber, Ed­son D’Ávila, Cecília de Cristo, Sérgio Bianchi e Ileana Kwa­sinski.

Ficha Técnica

(35mm, pb, 100 min.)
Argumento e roteiro: Sylvio Back,

Oscar Milton Volpini e Nelson Padrella

Fotografia e câmara: Hélio Silva

Música: Carlos Castilho

Tema-título: canta Marília Pêra

Montagem e edição: Maria Guadalupe

Direção de produção: Ivan de Souza

Produção: Sylvio Back,

A.P. Galante e Alfredo Palácios

Direção: Sylvio Back


Premiação
“Melhor Atriz” (Irene Stefânia)

“Melhor cartaz” (Manoel Coelho)

(II Festival de Brasília/1968)

Que lance maior

Quarenta anos é um tempo muito curto para carimbar sobre­vida a uma obra de arte. Suficiente, no entanto, para men­surar o seu espectro multiplicador.


A “Lance Maior”, impossível deixar de reconhecer a paternidade de filhos legítimos e bastardos, uma prole soberba de cineastas, documentaristas e videastas, que felizmente acabou tirando da solidão o primeiro filme que cravou Curitiba (e o Paraná) no mapa cinematográfico do país. Esse é o título mais desfrutável que o filme ostenta.
Tantas décadas depois do primeiro tour de manivelle, o veio influenciador de “Lance Maior” fica cada vez mais difuso: meio ancorado na poesia de mestres como Rossellini, Bergman, Visconti, Resnais, meio no existencialismo de “O Grande Momento” (1957), de Roberto Santos e “São Paulo S/A” (1965), de Luís Sérgio Person, meio nas pro­postas políticas do Cinema Novo, meio na Nouvelle Vague (e quem não era pi­cado pelo ideário estético de Godard e “sua” turma?). E, reinando so­bre tudo e todos, o cinema americano – o pão-nosso-de-cada-dia de qualquer cinéfilo que se prezasse (e eu me prezava!, até como crítico dele: vendo e “lendo” Hollywood se aprendem as melhores e piores lições de cinema).
Talvez desalinhado ao discurso cinematográfico vigente nas telas, talvez pura adivinhação da década sangrenta engatilhada pelo AI-5, “Lance Maior” ainda exala uma pureza de lin­guagem e autoria irrepetíveis no meu cinema. Quem sabe aí (não) se escondam os germes que lhe adiam a morte e o esquecimento? Sylvio Back


Fortuna crítica

("Lance Maior") seguramente a mais legítima, consciente e sincera fita engajada de toda a conturbada trajetória do moderno cinema nacional.

– Ruben Biáfora ("O Estado de S.Paulo"/1969).


Você conseguiu fazer a melhor análise da classe média já apresentada no cinema nacional.

– Paulo Emílio Salles Gomes (Brasília/1969).


... "Lance Maior" consegue captar e exprimir aspectos da nossa condição social, através de imagens de melancolia, visualidade, comovente realismo.

Valério Andrade ("Jornal do Brasil")
Rodado em Curitiba, o filme traz um retrato bem-feito da vida das pequenas cidades brasileiras em fins da década de 60. Estréia de Regina Duarte no cinema e primeiro longa-metragem de Back. Um trabalho sério e envolvente.

– "Vídeo 93"
Fico orgulhosa por ter estreado no cinema pelas suas mãos sensíveis e talentosas e muito grata por ter me dado a chance de ter em "Lance Maior", já um clássico, minha primeira experiência em longa.

– Regina Duarte, atriz

Apesar da crueza de muitas cenas e da ousadia dos diálogos, o desenrolar de "Lance Maior" envolve uma permanente atmosfera de romance e li­rismo.

"Diário de Notícias" (Rio de Janeiro)
"Lance Maior" é uma grande prova que o cinema brasileiro pode ir muito mais além do carnaval, da favela e dos cangaceiros. O filme é tão importante para a dramaturgia assim como as peças do Arthur Miller são para o teatro moderno. Homens comuns geram muitas histórias incomuns. E você filmou isso! Parabéns!

Altenir Silva, roteirista e novelista.

 

O primeiro filme de Sylvio Back é uma agradável surpresa. É uma surpresa porque tem uma narrativa que comunica.



Orlando Fassoni ("Folha de S.Paulo")
A "Lance Maior", a expressão "cinema jovem" é aplicada no sentido legí­timo: estamos diante de um filme de, com, sobre e, especialmente, para jo­vens...

Ely Azeredo ("Jornal do Brasil")
"Lance Maior" foi o primeiro filme moderno a comprovar que havia vida cinematográfica abaixo do eixo Rio-São Paulo – e bem distante do Nordeste eleito pelo Cinema Novo como palco privilegiado de suas parábolas políti­cas.

– Carlos Alberto Mattos em "Sylvio Back Filmes Noutra Margem")


Com "Lance Maior", Sylvio Back conseguiu uma proeza difícil no cinema brasileiro: agradou ao público e à crítica, que considerou das mais felizes sua estréia no longa-metragem.

"Diário da Noite" (São Paulo)
"Lance Maior" é um filme violento sem violência, porque a violência está implícita. (...) Antes de ser filme de denúncia, "Lance Maior" é a auto-crí­tica de uma sociedade.

Nelson Padrella co-roteirista de "Lance Maior"
(...) uma tensão permanente entre fantasia e realidade, que não explode em fogos de artifício, capazes de extasiar o público e distrai-lo da idéia que o autor pretende comunicar. É na comunicação inteligente dessa mensagem que "Lance Maior" atinge o alvo.

– Maurício Rittner ("Veja")


A maior virtude de "Lance Maior" é, sem dúvida, a maneira como ele soube enfocar os problemas do dia, o que faz com total força e cada ins­tante o espectador os está vendo na tela, como se o cineasta tivesse o dom de desvendar os seus segredos, os mais íntimos.

"Folha de Londrina"
(...) "Lance Maior", estréia auspiciosa no longa-metragem de Sylvio Back, diretor de um estilo muito bem delineado, que continua a fazer sucesso na ficção e no documentário sem jamais cair na concessão.

– Salvyano Cavalcanti de Paiva em "História Ilustrada dos Filmes Brasilei­ros")


Sylvio Back conseguiu fazer um filme ágil, dinâmico na sua linguagem, na sua estilística.

Celso Marconi ("Jornal do Comércio"/ Recife)
Ao contrário da produção cinemanovista, Back explora a narrativa linear, convencional, e faz do plano-sequência uma tônica, destoando da "estética da fome", quanto do cinema udigrudi emergente.

Flávio Ahmed em "A História Reinventada/Sylvio Back Filmes Noutra Margem")
... acredito na importância de "Lance Maior", onde a realidade foi recriada conforme uma visão antes de tudo crítica.

– Oscar Milton Volpini - co-roteirista de "Lance Maior"


A virtude principal de Back está na maneira lúcida como que procurou re­fletir o comportamento e as preocupações mais comuns da juventude bra­sileira...

Alberto Shatowsky ("Jornal do Brasil")
"Lance Maior" é um dos mais importantes filmes realizados este ano (1968). O cinema no Paraná nasceu com Sylvio Back.

– "Visão"


Sylvio: simplesmente adorei "Lance Maior". Nunca tinha visto o filme que, na minha opinião, passou os últimos 40 anos como se fossem 40 semanas. Parabéns.

Todd Diacon, vice-reitor da Universidade do Tennessee.



 

Biobibliofilmografia do diretor
Sylvio Back é cineasta, poeta, roteirista e escritor. Filho de imigrantes hún­garo e alemã, é natural de Blumenau (SC). Ex-jornalista e crí­tico de cinema, au­todidata, inicia-se na direção cinematográfica em 1962, tendo escrito, dirigido e produzido até hoje trinta e seis filmes – entre curtas, médias e dez longas-metragens, esses, a saber: "Lance Maior" (1968), "A Guerra dos Pe­lados" (1971), "Ale­luia, Gretchen" (1976), "Revo­lução de 30" (1980), "Repú­blica Gua­rani" (1982), "Guerra do Bra­sil" (1987), "Rádio Auriverde" (1991), "Yndio do Brasil" (1995), "Cruz e Sousa – O Poeta do Des­terro" (1999), "Lost Zweig" (2003) e "A Guerra dos Pelados".
Tem editados vinte livros – entre poesia, ensaios e os argu­men­tos/roteiros dos filmes, "Lance Maior", "Aleluia, Gret­chen", "Re­pública Guarani", "Sete Quedas", "Vida e Sangue de Po­laco", "O Auto-Retrato de Bakun", "Guerra do Brasil", "Rá­dio Auriverde", "Yndio do Brasil", "Zweig: A Morte em Cena", "Cruz e Sousa – O Poeta do Desterro" (tetralíngüe), "Lost Zweig" (bilíngüe) e "A Guerra dos Pelados".
Obra poética: "O ca­derno eró­tico de Sylvio Back" (Tipografia do Fundo de Ouro Preto, Minas Gerais, 1986); "Moedas de Luz" (Max Limo­nad, São Paulo, 1988); "A Vinha do De­sejo" (Geração Editorial, SP, 1994); "Yndio do Brasil" (Poemas de Filme) (No­nada, MG, 1995); "bou­doir" (7Le­tras, Rio de Janeiro, 1999); "Eurus" (7Letras, RJ, 2004); "Traduzir é poetar às avessas" (Langston Hughes traduzido) (Memorial da América Latina, SP, 2005/2009), "Eurus" bilíngüe (português-inglês) (Ibis Libris, RJ, 2006); "kinopoems" (@-book) (Cronópios Pocket Books, SP, 2006); e "As mulheres gozam pelo ouvido" (Editora Demônio Negro, SP, 2007). –


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